DISSIDENTE-X

EQUILIBRIUM

Archive for Novembro 2007

TSF. LIVRO DAS REENCARNAÇÕES.

com 8 comentários

Tipo: emissão de rádio, mais especificamente o fórum TSF.

Escuto: 2 minutos brevemente.

O quê: Ouvinte que fala para lá indignado e cheio de crispação social.

O que aquilo me sugere: que anda tudo varrido de doido da cabeça nesta espécie de país

O tema: a greve geral da função pública de hoje, sexta feira, dia 30 de Novembro de 2007.

O senhor fala, identifica-se, e define-se a si mesmo como sendo um “católico, socialista, democrata”.

Só faltou dizer, para a caldeirada de enguias com carne de porco e bolo bolacha com gelatina Royal estar completa, que era também, um ornitorrinco.

Pensei de mim para mim; “paz a sua alma”. Pediu perdão ou irá pedir ( não me recordo porque dei uma enorme gargalhada ao escutar isto) a Deus por ter votado no partido socialista nas últimas eleições e ter ajudado a eleger estas pessoas.

 

 

LIVRODASREENCARNAÇÕES


Tenho que me lembrar de, quando morrer, exigir ir parar ao departamento da reencarnação.

(Nota mental para lembrança: fazer testamento a definir isto)

Lá poderei fazer a minha reclamação no livro da reencarnações. Uma exigência especifica. Só uma. Sou pouco exigente.

Para não reencarnar num país que tiver pessoas que dizem que são católicas, socialistas e democráticas tudo ao mesmo tempo. Que confusão deve ser aquelas cabeças … e aquele país.

Escrito por dissidentex

30/11/2007 em 12:53

PROJECTO TOTALITÁRIO. LIBERDADE. DISTOPIA.

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Tipo: Post do legoergosum / José Luís Sarmento.

Tipo: Post do Esquerda Republicana que demonstra o anterior.

Tipo:Post do blog “o Reino da macacada” que demonstra os anteriores.

Tipo: um texto que eu escrevi relacionado com este assunto. O ultimo texto deste post.

1616 palavras. Duas imagens.

Todos os textos estão relacionados embora pareçam que não e são sobre: a construção de uma oligarquia odiosa assente na Distopia totalitária completa e esquizofrénica, à qual chama de democracia, recrutando, no entanto, as características da antiga ordem feudal de há 50 anos atrás.

Põe a questão JLS no primeiro post: como poderemos defender-nos.

No ultimo texto existe um esboço de resposta meu. Não chega, mas é um bom ponto de partida.

Sugestões aceitam-se.

1 ——————————————

À medida que avança, o projecto vai ganhando contornos nítidos. No topo, os Senhores: uma aristocracia de empresários e políticos. Imediatamente abaixo virão os escudeiros: a aristocracia menor dos gestores e dos jornalistas.

Tudo o resto está destinado a ser plebe.

O problema, para os candidatos a Senhores, é que nesta massa imensa se incluem pessoas capazes, por formação cultural e conhecimento técnico, de lhes fazer frente e perturbar a ordem neo-feudal que pretendem construir. Não admira, portanto, que o esforço principal desta guerra se dirija de momento contra as «corporações»: trata-se de proletarizar primeiro, e de submeter a seguir, os juízes, os médicos, os professores, os técnicos – em suma, destruir a classe média e desarmar a sociedade civil.

Veja o leitor por si mesmo, atendendo ao que está a acontecer na sua profissão, se não é isto que se está a passar. E não só em Portugal: a nova Idade Média vai caindo sobre o mundo inteiro como um crepúsculo da democracia.

Como poderemos defender-nos? No ancien régime houve corporações que usaram como arma os conhecimentos técnicos de que dispunham e de que os Senhores necessitavam. Fizeram segredo dos seus saberes e organizaram-se em associações clandestinas, as quais com o tempo tempo vieram a dar origem às maçonarias. Receio bem que de futuro venha a ser esta a nossa única opção, se não conseguirmos agora derrotar a oligarquia.

2 —————————————-

Por exemplo, uma coisa importante nas escolas privadas são os amigos. A possibilidade de controlar com quem é que os nossos filhos se dão é uma vantagem importantíssima na educação deles.

Nos anos do cavaquismo, um amigo meu, a trabalhar numa empresa financeira qualquer, perguntou a um banqueiro amigo do pai porque é que o banco dele tenha deixado sair um determinado gestor (que segundo o meu amigo era extraordinariamente competente e tinha acabado de começar a trabalhar na empresa dele). O banqueiro respondeu que o gestor em questão “era de baixa extracção”. O meu amigo riu-se e perguntou se ainda fazia sentido nos anos oitenta ser-se snob no mundo dos negócios. O banqueiro respondeu-lhe que havia pessoas que eram de confiança – “dos nossos” – e pessoas que não eram de confiança. Por exemplo – dizia o banqueiro – a seguir ao 25 de Abril, uma data de trabalhadores de longa data tinham-se identificado com a revolução e não hesitaram em atacar os interesses do banco e das empresas da família dele. Lugares de responsabilidade deviam ser dados a “pessoas de confiança, com os mesmos valores que nós.”

3 ———————————

Um pequeno texto já com 10 anitos em cima que andava por aqui guardado. Uma certa clarividência não nos pode deixar indiferentes.

David Apter forneceu-nos uma descrição das nossas socieda­des desenvolvidas, prósperas e democráticas, que se pode resumir assim: a modernização e a rápida mutação tecnológica cria­ram três categorias distintas de cidadãos – as elites, que controlam o saber e o dinheiro; uma massa de “funcionalmente significantes”; e os “funcionalmente supérfluos”.

Já não se trata, pois, de uma divisão por classes em que,com mais ou menos benefícios, mais ou menos poder, mais ou menos trabalho, quase todos tinham uma utilidade social. Trata-se de um novo grupo dos “funcionalmente supérfluos”, dos que não servem para nada, dos excluídos, no verdadeiro sentido da palavra. Os que “apenas têm presente” e para os quais os sistemas de aprendi­zagem, que exigem a noção de futuro, não fazem sen­tido. Não interessa se são imigrantes ou autóctones, os imigrantes com especialização (“funcionalmente significantes”) podem ser absorvidos, os outros juntam-se irremediavel­mente ao exército dos “supérfluos”, dos marginalizados. Todos constituem um gru­po de “elevado risco” e acabam por causar “mais custos sociais”, que têm de ser pagos pelo mer­cado politico em con­traposição ao” mercado económico” que os gera.
4 ————————————
ANIMALFARM Há muitos anos atrás, quando eu tinha muitas ilusões acerca do que era Portugal, adquiria regularmente, nos seus primeiros anos de vida, o Jornal Público. Num qualquer artigo de fundo que lá li vinha explicada a seguinte situação que se tinha passado nos EUA. Isto relacionado com direitos cívicos, cidadania, acções concretas que cidadãos podem fazer para alterar “um certo estado das coisas”. Era um caso absolutamente claro de discriminação - racial – mas o que importa para a situação é que era discriminação que tinha um fundo mais amplo do que ser somente a cor da pele. E quem ler isto e pensar que a questão que estava em causa era só a cor da pele está redondamente enganado. O caso era o seguinte.

Um supermercado no sul do Estados Unidos, numa determinada cidade, não pertencente a nenhuma cadeia de supermercados, tinha a política “oficiosa” de não contratar pretos. O dono, por razões que já não me lembro, mas que lembro que não eram só de índole racista não contratava pretos para trabalhar no supermercado. Pura e simplesmente não contratava.

Um belo dia uma associação cívica de pretos da área fartou-se da brincadeira e decidiu dar uma lição ao dono do supermercado. Contratou um tipo que era, salvo erro, advogado especializado, ou pelo menos que tinha experiência em problemas de discriminação laboral ou outras semelhantes para que ele resolvesse o problema a contento das partes.

O tal especialista podia ter entrado de forma “normal”a funcionar, de acordo com a mentalidade típica portuguesa que é a seguinte: só através de manifestações, barulheira e chinfrim é que se vai lá. Felizmente para ele e para os pretos da associação que representava, ele olhou para o caso em questão e percebeu que aquilo tinha outro tipo de nuances.

Como tinha outro tipo de nuances, decidiu acertar um directo em cheio no estômago da discriminação praticada pelo supermercado. E como fez?

Contratou por um dia 200 pretos. Pretos é a palavra politicamente incorrecta. Para que conste sou incorrecto politicamente. E para quê os contratou? Para escavacarem as instalações? Fazerem comícios à frente do supermercado? Andarem com carros e megafones à volta a gritar palavras de ordem?

Nada disso. Deu-lhes a seguinte missão. Entrariam a partir das 9 da manhã na loja, passeariam dentro dela entre 5 a 10 minutos, comprariam uma pastilha pagando com muitas moedas e assim perderem tempo – algum tempo na caixa a pagar – e sairiam. Após sair um, entrava outro e assim sucessivamente durante o dia todo. Parece que isto durou uma semana inteira. Finda a qual, o dono do estabelecimento começou a contratar pretos para lá trabalhar.

Parece que a visão de jovens pretos, como clientes que vagueavam durante um dia inteiro, no supermercado, começou a afastar os clientes normais, tradicionais e regulares do supermercado e começou a afectar fortemente as vendas. No mesmo artigo do Público; se bem me lembro vinha a ideia e a descrição de como isto – um acto semelhante a este – seria danoso aplicado a um banco comercial – a uma simples sucursal.

Parece que, se 100 pessoas abrirem conta durante um dia e 100 pessoas a fecharem durante um dia isto é suficiente para engasgar um sistema informático inteiro de um banco. Pelo menos à época em que eu li a história era. Penso que actualmente ainda é.

Isto é a versão …… suave …… e bem educada …… do que certo fundamentalismo faz. Guerra assimétrica para destruir a civilização ocidental. (O que não significa que eu apoie o tipo de guerra assimétrica fundamentalista em questão, note-se.)

Contudo, nós cidadãos individualmente considerados estamos – quase todos – colocados na mesma posição de ter que fazer guerra assimétrica. A posição de quem está a ser lentamente escravizado, por um poder autocrático e de tendência totalitária. Por uma oligarquia que quer criar uma distopia e chamar a isso “democracia”.

A denominada classe política – empresarial – elite brasonada, despreza intensamente aquilo que se denominou chamar de “o povo”. São chamados de “cidadãos” apenas para fins propagandísticos. Como “despreza” o povo, não tem por ele qualquer tipo de respeito e comporta-se exactamente como se comporta um rufia que faz intimidação. A única resposta à dar à intimidação é responder – inteligentemente; organizadamente; sistematicamente, regularmente – a ela.

Vivemos num mundo, eficaz. Dizem-nos. Então o que importa “é a maneira” como respondemos à intimidação – é a classe e a eficácia de como respondemos, e não o barulho inconsequente. Se existir pressão, sistemática, regular, consistente, inteligente, feita por muitas pessoas ao mesmo tempo, de vários lados e de vários sítios do país, sobre vários assuntos diferentes, a cobardia do poder aparece imediatamente.

  • Sobre o tratado constitucional europeu
  • e sobre funcionalismo público.
  • Sobre saude
  • e sobre educação.
  • Sobre objectivos estratégicos deste país
  • e sobre inteligência ecónomica.
  • Sobre empresas privadas e sobre concessões feitas a empresas privadas.
  • Sobre muita coisa.
  • Afastando os partidos políticos de quaisquer tentativas de interferência nisto.

    Já tiveram 33 anos de oportunidades e falharam todas gloriosamente.

    Não são de confiança.

    Resta saber se as pessoas estão dispostas a auto organizarem-se.

    Resta saber se as pessoas NÃO estão cansadas de liberdade.

    Escrito por dissidentex

    29/11/2007 em 15:37

    POLITICAMENTE CORRECTO

    com 2 comentários

    Pessoas de esquerda cheias do “politicamente correcto”, mas convencidas que são progressistas, de esquerda, modernas, e desempoeiradas, deixam-se condicionar relativamente a Hugo Chavez. Que Chavez não é de ser apoiado, porque é um ditador semelhante a “x” e a “y” e a “z”.

    De facto Chavez, actualmente começa a ser um ditador. Que mais poderá ele fazer que não ser isso?

    Quando foi derrubado em 2002 por um golpe de Estado inspirado pela CIA e pela oligarquia de direita que tem arrastado a Venezuela para o fundo do poço há já 50 anos, Chavez foi defendido pela “Esquerda”?

    Claro que não. Foi deixado pendurado a secar nas cordas da roupa.

    É a política económica de Chavez lógica?

    Claro que não. Mas poderá ele fazer outra coisa senão o que está a fazer…

    Agora os esquerdistas de meia tigela não vêem isto e acham Chavez o demónio completo apenas porque a “direita” lhes diz que Chavez é o demónio completo. E aí , num acesso de politicamente correcto colocam-se ao lado dos pseudo defensores da liberdade e democracia. Convenientemente esquecendo que Chavez foi “empurrado” para ser aquilo que é hoje.

    Como poderá Chavez ( ou outro qualquer governante nas mesmas circunstancias ) não ser aquilo que é hoje nas circunstâncias em que é hoje e foi ontem nas circunstâncias de ontem?

    A esquerda portuguesa na blogosfera, ou melhor, os que se reclamam ser de esquerda são apenas marionetas do que a direita blogosférica lhes diz ser o pensamento politicamente correcto. Lhes diz, mas só em alguns assuntos. Noutros, não.

    É um pensamento “politicamente correcto”selectivo. Que as ” toupeiras ” pseudo situadas à esquerda jogam e aceitam. Em relação a Chavez e a muitos outros assuntos.

    Jogam e aceitam porquê?

    Nota mental para mim mesmo: vivo num país de casas mortuárias com pernas, que se auto declaram como sendo de esquerda, e nem sequer percebem que estão a ser manipulados com este pensamento politicamente correcto selectivo.

    Sou forçado a constatar que a maior parte dos “tipos de esquerda”, acaso nem percebam isto, são estúpidos que nem uma porta. Perdão, mais estúpidos que uma porta. Um porta serve para separar dois espaços. Estas pessoas não servem para separar coisa nenhuma. Não nos separam da sua infinita estupidez.

    Escrito por dissidentex

    29/11/2007 em 11:46

    SINDICATOS

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    Tipo: Post do fractura.net -Carlos José Teixeira a dizer quase tudo o que é óbvio acerca de sindicatos e de muitas outras coisas nas entrelinhas.

    Post: copiado por inteiro.

    Assunto: a obsolescência do actual modelo de sindicatos e da actual forma de fazer sindicalismo. Não concordo com tudo, mas é um bom ponto de partida para debate.

    Palavras: 1116. Nenhuma imagem.

    ———————————————

    O mundo do trabalho tem vindo a sofrer desenvolvimentos constantes. Evoluções e retrocessos na economia, nas teorias de gestão, nas de psicologia das organizações, a par do estonteante ritmo do mundo de hoje, da globalização, dos mercados financeiros. O legado do século XX para o tempo em que vivemos parece ser um legado de mentiras e frustrações. Ao burburinho causado pelas novas tecnologias, pela Internet, pelos novos federalismos e auxílios externos, todos eles a prometerem as oportunidades necessárias ao aparecimento de uma nova burguesia produtiva – uma época em que cada um de nós teria, finalmente, as condições necessárias ao desenvolvimento individual e social -, salda-se, afinal, num sobre-endividamento das famílias de trabalhadores, no fecho de fábricas, nas deslocalizações, em salários em atraso e num fosso cada vez mais crescente entre ricos e pobres.

     

    A apatia generalizada em relação ao que se passa a montante e que, enfim, nos regulamenta a vida, é um sintoma que carece de um estudo aprofundado: parece-me que a rendição ao satus quo é uma realidade e que somente em casos de notória emergência se verificam actos de indignação civil. As forças que se geram em torno de despedimentos colectivos, fecho de empresas e situações congéneres são, ainda assim, reduzidas, e mesmo a divulgação dessas situações vê ser-lhe conferida a regra da banalização muito por via dos media que apostam muito mais na notícia impactante e que, enquanto não “der sangue”, apenas tratam o acontecimento com sobranceria, limitando a reportagem aos costumeiros depoimentos dos trabalhadores que, embrutecidos pelo acontecimento, pouco ou nada mais têm a dizer que as balbuciadas palavras de desespero e revolta. A par deles surgem, cada vez mais raramente, os delegados sindicais, geralmente mal preparados para uma intervenção nos media, e que apenas debitam as declarações “da praxe” acerca do patronato, à mistura com o governo e o capital.

     

    Na realidade, a situação sindical nacional é digna de ser estudada. De cada vez que penso a palavra sindicato, a imagem que se forma é a de um carro com megafone em altos berros a gritar palavras de ordem, entremeadas com músicas do Zeca ou do Adriano. As bandeiras vermelhas e os bigodes aparecem-me ainda no imaginário. O que quererá isto dizer? E o que dirá a palavra sindicato a um puto de 20 anos?

     

    Os sindicatos são associações de trabalhadores e, mais que isso, são um parceiro social de extrema importância na negociação de direitos dos trabalhadores. O seu espectro de actuação é – deveria ser – amplo e não se limitar ao casual aparecimento em situações de crise, à organização de campos de férias e aos cursos de formação profissional. Se, por um lado, os sindicatos são necessários e a sua tarefa se reveste da mais delicada importância, por outro verificamos que a sua actuação não se consegue desprender do simples aproveitamento político. A manutenção do poder parece ser a sua principal estratégia. A sua comunicação mantém-se em níveis básicos e os seus dirigentes aparecem apenas quando o assunto se reveste de “extrema importância”, isto é, quando assumiram uma importância mediática.

     

    A formação dos agentes sindicais é, na sua maioria, deficiente. São politizados e não obtêm mais que a cartilha do poder que representam. Não vejo os delegados à porta das fábricas que fecham a conseguírem discutir um indicador económico que seja, essa é matéria reservada aos seus dirigentes que parecem ainda ser os únicos detentores dos segredos do capitalismo. E, dizendo isto, falo de sindicatos de todos os espectros políticos. Esta situação é lamentável e não dá crédito aos seus representantes que se vêm na figura de agentes de contingência, sendo-lhes retirada a palavras de cada vez que o assunto se torna grave, merecendo, finalmente, a atenção das cúpulas que o tomam em mãos.

     

    As diferenças entre as actuações dos sindicatos e algumas corporações, como as Ordens, é notória. Se os primeiros alinham na “acção directa” dos panfletos e do megafone, os outros tomam-na como último recurso, encetando negociações de bastidores e veiculando, então, as posições a tomar para os “seus” sindicatos. Veja-se as Ordens dos Médicos ou dos Advogados, por exemplo, que aproveitam ao máximo os benefícios dos media e encaram o protesto de rua como uma barreira às negociações, sendo, por isso, a última opção. Podemos também notar que os sindicatos de alguns sectores despartidarizaram a mensagem política, não existindo conotações vermelhas, laranjas ou assim-assim. Esses são, na minha forma de ver, os sindicatos interessados na classe que representam e que, invariavelmente, vêm os seus altos quadros a dirigirem-se ao poder e aos trabalhadores logo de início. Sem optar pelo populismo fácil.

     

    Os sindicatos devem adoptar uma posição coerente com os tempos que correm. Não se podem ver como eternos idealistas de sociedades, devem adoptar uma prática realista. Viver agora. Viver agora significa trabalhar num mundo em constante ebulição, em que as normas e, mais profundamente, os valores se modificam a cada minuto que passa. Não adianta continuar a querer combater o capitalismo se a sociedade é capitalista. Não adianta querer combater a globalização se a sociedade é global. O que os sindicatos devem fazer é trabalhar na sociedade capitalista e global, tentando proporcionar aos seus representados, os trabalhadores, as melhores condições de vida possíveis neste quadro mundial. O combate ou apoio ao capitalismo, o combate ou apoio à globalização é da responsabilidade dos ideólogos políticos e dos partidos. Viver agora significa tirar as mãos dos preconceitos mesquinhos e vestir fato quando seja necessário, aparecer na televisão e saber lá estar. Significa formação, não só para os quadros dirigentes, mas também para os que vão para as portas das fábricas.

     

    Porque os sindicatos são organizações e, como tal, têm também uma vida interna, os seus “stakeholders”, a sua comunidade envolvente. E, como tão bem sabemos, para o bem e para o mal, neste mundo global, neste mundo de informação, a única coisa que os distingue uns dos outros é a sua imagem. E a sua imagem é transmitida por todos e por toda a actuação que estes imprimam na sociedade. Essa mesma sociedade que os sindicatos parecem querer esquecer, essa sociedade para a qual deveriam trabalhar.

     

    Entretanto, os trabalhadores, essa massa indistinta e tão longe da realpolitik e dos corredores do poder, vão continuando a ser explorados e a aguardar alguém que os proteja, de forma eficiente e actual.

    Escrito por dissidentex

    28/11/2007 em 22:42

    Publicado em DIREITO DO TRABALHO, SINDICATOS.

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    CORRUPÇÃO E PIQUETES DE GREVE.

    com 4 comentários

    Numa democracia e numa ditadura; existem duas escolhas para lidar com uma greve.
    - Prender um piquete de greve que viola a lei.
    - bater com bastões num piquete de greve que viola a lei.

    As ditaduras escolhem o bastão.
    As democracias como a portuguesa …… escolhem o bastão?!?!

    Qual é mesmo a diferença entre uma ditadura e uma democracia?

    Vote.

    Não deixe que outros decidam por si

    entre eleger representantes que mandam dar com bastões ou eleger representantes que mandam dar com bastões. Faz toda a diferença. Votar por isto.

    Nota mental para mim mesmo para me lembrar que existem milhões de acéfalos de nacionalidade portuguesa que acham que isto é um país fantástico. Embora seja verdadeiramente uma cloaca.

    O problema é que eu sou estúpido e pouco previdente. Devia ter ido à aulas todas de corrupção. Agora tenho graves lacunas nessa área de conhecimentos.

    É por isso que não consigo apreciar a escolha de um governo eleito em democracia; de mandar bater em piquetes de greve, em vez de prender os piquetes de greve. Falta-me densidade pessoal de corrupção para perceber isto. Dado o Estado da coisas, serei normal? Onde é que a minha corrupção falhou?

    Nota mental para mim mesmo: investigar dentro das caixas dos meus demónios interiores onde para a corrupção.

    Escrito por dissidentex

    23/11/2007 em 0:16

    HOSPITAL AMADORA SINTRA . GABINETE DO UTENTE DO MINISTÉRIO DA SAÚDE – 5

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    amadora sintra1


    Resposta do gabinete do utente às reclamações por mim efectuadas em relação ao que se passou com a minha avó.

    O ponto 2 que se vê em cima está relacionado com um outro assunto.

    Ainda não entrou aqui o conceito que por lei, o doente ou o utente dos hospitais pode e tem direito a pedir um relatório médico, sobre actos médicos sobre si ou sobre terceiros praticados. Não é a “médica de família”.

    No meu caso particular fui eu que os pedi, mas como a lei que temos em Portugal para proteger uma classe profissional  diz que se tem que pedir um relatório médico e indicar um médico para ser o receptor do mesmo, como é óbvio, foi o que eu fiz.

    Aqui misturado com o assunto da minha avó vem este assunto.

    amadora sintra2


    Depois começam as constantes deturpações e o contar de uma fábula que nunca aconteceu.

    Esta “história” descrita acima durou desde as 4 Horas da tarde até à meia noite e meia.

    Ou seja 8 horas e meia para produzir o que vem aqui em cima escrito.

    A expressão “informações prestadas à filha” traduzem-se ao que eu percebi numa conversa de 30 segundos a 1 minuto – sem dúvidas um tempo excelente para dizer toda esta suposta fantasia aqui descrita.

    De facto fizeram todos estes exames, no entanto só à meia noite é que a minha mãe soube que a minha avó ficaria internada.

    amadora sintra3


    Aqui na terceira imagem temos as inverdades.

    Desde logo fala-se em familiares contactados. Ninguém, mas absolutamente ninguém contactou com familiar nenhum para ir buscar a doente. Pura e simplesmente eu e a minha mãe fomos ao meio dia de 13 ao hospital e não existiam informações, dizendo para voltarmos ás 7 horas da tarde.

    Às 19 horas da tarde fico eu e a minha mãe ainda mais com cara de parvos, ao ser-lhe dito a ela que “veio buscar o doente”; já teve alta” trouxe a roupa?”

    amafora-sintraextra.jpg


    Depois temos o paternalismo e a condescendência a gozar. Os “familiares” devem pedir informações ao médico assistente. Só existe um problema.

    O médico assistente não estava em posição de ser encontrado pelos familiares.

    Se não se sabe onde está o médico assistente, para o encontrar, logo como qualquer pessoa consegue entender, os familiares não o conseguirão encontrar e como tal não vão deixar nos corredores do Hospital uma pessoa de 88 anos que acabou de ter um AVC, e deixa-la assim, indo em busca do médico assistente.

    Também aproveitam para nos informar que existe um balcão de serviços informativos.

    De facto existe, conjuntamente com mais 70 pessoas à espera tudo agrupado num espaço exíguo, na maior confusão que se pode organizar, para obterem informações e curiosamente foi este balcão informativo que informou que a minha avó tinha alta.

    amadora sintra4

    Escrito por dissidentex

    22/11/2007 em 22:33

    UM VIRULENTO SENTIMENTO DE DESPREZO.

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    Tipo: Post do Blog/Site/sitio fantástico chamado “Obvious“.

    Sobre: uma decisão de um Tribunal da Relação – de Lisboa – sobre um caso de discriminação laboral.

    Amostra como: A “esquerda democrática ” patrocina a discriminação. Como o Estado a que isto chegou é efectivamente o Estado a que isto chegou. Além disso , o post é muito bom, merece ser divulgado pelo maior número de pessoas possível.

    O Germe totalitário é: a existência de uma classe profissional, de funcionários públicos inimputáveis”, principescamente bem pagos, autocráticos, arrogantes, e ignorantes.

    Transcrevo post todo porque: é uma imagem clara e bem escrita do que é o germe totalitário à solta na actual sociedade portuguesa perante a apatia imbecil da generalidade das pessoas.

    Porque: isto só poderia acontecer como dejecto político actual que dá pelo nome de PS.

    No que me diz respeito: ainda sou de esquerda política, mas cada vez mais abomino e desprezo intensamente os actuais representantes da mesma que nada mais são do que uma oligarquia de medíocres totalitários, até incompetentes para criarem um Estado autocrático minimamente funcional.

    Palavras: 802. Uma imagem.

    Para me lembrar, que sou contra a discriminação.

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    um virulento sentimento de desprezo

    Tristeza, vergonha e abominação: o tribunal da Relação de Lisboa, Portugal, acaba de dar razão à direcção de um hotel no despedimento com justa causa de um dos seus cozinheiros portador de HIV. Se não fosse trágica esta decisão “quarto mundista” seria no mínimo risível. Assim torna-se no espelho desta Nação com Rei mas sem Roque.

    A lista é infindável: os tresvarios autocráticos do governo, os atropelos constantes aos direitos legais da contestação e da greve, a pulverização sistematizada da classe média e do poder de compra de quem realmente dá no duro, os desmandos na Educação e na Saúde com medicamentos de ponta a serem “políticamente travados” no Infarmed e a institucionalização de uma “saúde de segunda” prefigurada na morte anunciada do Serviço Nacional de Saúde, a mais que provável sobrecarga de pagamento de portagens em estradas que não são auto-estradas e que não possuem alternativa viária credível, a “espécie de magazine” em que se tornou o(s) caso(s) Casa Pia que, qual Ballet Rose versão século XXI, bafeja os corredores do poder….

    Em baixo: Quadro de Paula Rego intitulado: Salazar a vomitar a Pátria ( retirado do Obvious)

    PAULA REGO- SALAZAR A VOMITAR A PÁTRIA

    O Governo elege-se, e em boa medida temos aquele que merecemos.
    A Justiça nomeia-se e em má medida temos aquela que nos impingem.
    Que a Justiça é cega já se sabia. Que é tão cega assim só se intuia. Agora sabe-se!

    O que dói neste caso de absoluto desrespeito pelos direitos deste trabalhador é o facto de quer o Tribunal de Trabalho no primeiro acórdão, quer o Tribunal da Relação no segundo, terem ignorado pareceres técnicos de comprovada fidedignidade que avalizavam a pretensão do trabalhador, negando a possibilidade de transmissão do HIV pela manipulação de alimentos.
    Ademais qualquer consulta séria ao manancial de informação especializada sobre este assunto em particular, e à infecção por HIV e suas formas de transmissão em geral, bastaria para pôr cobro à paranóia que se apossou dos causídicos em questão.

    Outra das graves implicações deste caso ultrajante prende-se com o sigilo sobre o estado de saúde dos pacientes, a que estão sujeitos por dever todos os profissionais de saúde, que foi neste caso aparentemente desrespeitado pelo médico de Trabalho da empresa em questão, e das repercussões que esta quebra de ética vai ter sobre os portadores de HIV: quem no seu perfeito juízo, sendo portador de HIV e trabalhador de um ramo sensível de actividade económica, vai doravante confiar a sua seropositividade ao médico suspeitando que o mesmo pode “bufar” o seu estado à entidade patronal e assim pôr em risco o seu posto de trabalho?

    Se a ideia de “quem tem HIV é despedido” prevalecer isso não vai ajudar ninguém. Os doentes não reportarão o facto de serem HIV positivos e o risco de contágio vai ser claramente maior. Um mau serviço e um mau exemplo este que nos estão a prestar, o qual exige da nossa parte o mais vivo repúdio, e da parte de quem de direito, OM e STJ, resposta rápida, cabal e exemplar. Antes que seja tarde.

    Estes senhores, a exemplo de Salazar, vomitam no bom senso dos portugueses. Para eles e para os seus inqualificáveis actos o meu, o nosso, mais virulento sentimento de desprezo.

    —————————————————————————————–

    Desprezo é pouco. Ódio e Asco é mais apropriado. Acrescento que o tom sinistro e totalitário destas decisões poderá passar-se a aplicar a quem tem, Cancro e Hepatite, por exemplo. Ou de como uma decisão servirá ( poderá servir) para fundamentar doutrina que justifique despedir pessoas que tenham doenças – aos poucos e poucos justificar despedir pessoas que tenham qualquer doença.

    Neoliberalismo económico puro disfarçado de decisão judicial.

    Continue-se a fingir que não se vê para onde isto está a ir.

    HOSPITAL AMADORA SINTRA . GABINETE DO UTENTE DO MINISTÉRIO DA SAÚDE – 4

    com 2 comentários

    Neste 4º post mostro novamente a segunda resposta da responsável do Gabinete do utente do ministério da Saúde.

    GABINETE DO UTENTE 3


    Escrito por dissidentex

    19/11/2007 em 21:16