DISSIDENTE-X

Escrevo para mim próprio.

PORTUGAL. TRAIÇÃO E MISTIFICAÇÃO NACIONAL.

  • Micro ensaio inaugural .
  • 416 palavras.

Como povo, somos vitimas de uma mistificação nacional.

Foi “decidido” internacionalmente; com a ajuda do sentimento de inferioridade, desejo de agradar, recompensas em bens materiais e prestígio, e temor reverencial dos políticos portugueses – da actual classe política – que deveria Portugal aceitar ser pobre, ser um país de “serviços”, um país de turismo, um país de mão de obra apenas qualificada para esses sectores.

Os políticos portugueses – aquilo a que se chama “a elite”, decidiu trair.

Trair é o nome do jogo.

Para trair com eficácia é necessário desmantelar todas as áreas que impliquem investimento de dinheiro formando pessoas extremamente qualificadas em áreas que não estas acima descritas.

Pelo meio, alguns dos sectores destas áreas a transformar serão, nalguns casulos e nichos específicos, retirados da concorrência internacional e “oferecidos” aos privados portugueses para que estes continuem a produzir mau serviço, mas com lucros altos garantidos e quotas de mercado asseguradas.

Uma falsa concorrência.

Esta estratégia pressupõe – logo à cabeça – que 2 milhões de portugueses serão considerados “dispensáveis”, e que mais 6 milhões sejam extremamente pobres mesmo vivendo em Portugal.

1,5 milhões viverá extremamente bem e dirá que a culpa dos pobres serem pobres é dos próprios. Que a culpa é apenas deles. 3,5 milhões de outros portugueses viverão num novo patamar de classe média, pobres mas que lutarão para manter esse estatuto de pobreza disfarçada. Assim se garante um país assimétrico de 12 milhões de pessoas – a meta a atingir.

É por isso que o ano passado – 2006 – saíram 100 mil pessoas deste tugúrio e ninguém se importou minimamente com isso.Há imigrantes para importar em quantidade suficiente e a política de aquisição de nacionalidade portuguesa é legalmente generosa.

Quando isto estoirar o mesmo grupo de adeptos de 1580, mas actuantes no inicio do século 21, que agora defende “isto” e defende privatizações e liberalização da economia, mudará radicalmente de discurso e passará a defender as preocupações – muitas – com “o social” e a solidariedade e os pobres e desvalidos, fazendo apelos à unidade de todos os portugueses para – todos juntos – lutarem por um Portugal melhor……

Entretanto o caos é lançado para fora da lâmpada onde está. E não restará pedra sobre pedra de uma organização social “normal”..

Pelo meio temos a paisagem exótica.

Temos os sindicatos e os partidos políticos das margens, bem como os movimentos estilo “Compromisso Portugal”.

Representam aquilo que Eça de Queiroz dizia que os monges e os frades representavam no século 19.

Dão colorido à paisagem.

Um tom pitoresco.

Escrito por dissidentex

3 03UTC Novembro 03UTC 2007 às 22:01

16 Respostas

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  1. Isto está cada vez pior…

    É bom tê-lo de volta =)

    Raiz de Carla

    5 05UTC Novembro 05UTC 2007 em 0:27

  2. É bom?
    É bom porquê?

    dissidentex

    5 05UTC Novembro 05UTC 2007 em 10:54

  3. Já aqui estive, tentei publicar um comentário que falava em países à beira mar sepultados e ilegais a metade do preço na construção de hotéis, mais estagiários e ucranianos depois deles construídos.
    Também te chamava Vox Infame.
    Duas tentativas, esta é a terceira, se não der, desisto.

    Carlos José Teixeira

    5 05UTC Novembro 05UTC 2007 em 14:13

  4. Carlos, funciona. Mal mas funciona. O blog, não o país.

    É qualquer coisa técnica que eu destrui ou activei.

    Já deitei fora o martelo e vou comprar dinamite novo.

    dissidentex

    5 05UTC Novembro 05UTC 2007 em 16:52

  5. Gosto dos seus posts da sua maneira de escrever :)
    Para alem do que, fala sobre coisas que estão a acontecer e para as suas segundas intenções.

    Raiz de Carla

    5 05UTC Novembro 05UTC 2007 em 19:46

  6. Desculpe, não me expessei muito bem…
    Fala sobre coisas que estão a acontecer e as implicações que essas coisas aparentemente não parecem ter,
    mas que se observarmos bem até têm.

    Raiz de Carla

    5 05UTC Novembro 05UTC 2007 em 19:49

  7. Blog interessante que eu não conhecia.

    “É por isso que o ano passado – 2006 – saíram 100 mil pessoas deste tugúrio e ninguém se importou minimamente”…

    Já tinha visto este valor.
    Apesar da minha posição fortemente crítica à situação actual, custa-me a acreditar neste valor.

    E, por uma razão, na década de sessenta do século passo, década em que Portugal estava envolvido em três guerras em territórios longíquos o que levava muita gente a emigrar para fugir á guerra, este número só foi atingido em dois ou três anos.

    É que cem mil é 1% da população portuguesa, é muito.

    De qualquer forma é inadmissível que não se esclareça este assunto.

    Um país em que 1% da população emigra por ano não se encontra à beira do precipício, um país destes encontra-se em queda livre.

    E, dentro de dez aos, quando uns bons dez por cento da população tiver emigrado e, não esquecendo que dez por cento da população total são uns 16% da população activa (os jovens e os velhos raramente emigram), nem imagino o estado em que estarão as finanças da Segurança Social…

    O Raio

    6 06UTC Novembro 06UTC 2007 em 1:43

  8. Raio: o valor ao que se soube é correcto, é sensivelmente à volta disso.
    Houve muita gente que saiu para Inglaterra e Espanha, mas também para angola e moçambique.

    Parece, parece que nos últimos 10 anos saiu um milhão de pessoas daqui.

    E fala-me de segurança social. Pois, o seu ponto é exactamente o que também importa analisar.
    Nessa altura os grandes “políticos de esquerda” fazem o quê? Continuam a promover imigração para “equilibrar ” as contas da segurança social? Como dizem?

    Como é que eles acharão que lhes poderá continuar a ser pago os generosos ordenados e a manter uma estrutura do estado Obsoleta a nível administrativo?

    Mas aí os problemas são deixados para quem vier a seguir e fechar à porta…

    dissidentex

    6 06UTC Novembro 06UTC 2007 em 10:18

  9. “Mas aí os problemas são deixados para quem vier a seguir e fechar à porta…”

    Aprés moi le deluge…

    A ser este valor correcto, a situação do país está muito mais grave do que eu pensava. E eu que sou considerado por toda a gente um pessimista profissional.

    Isto também ajuda a explicar a queda abrupta da natalidade, os mais jovens e férteis estão a emigrar.

    “Como é que eles acharão que lhes poderá continuar a ser pago os generosos ordenados e a manter uma estrutura do estado Obsoleta a nível administrativo?”

    É simples, em nome da manutenção da sustentabilidade do sistema, reduzem-se as reformas.

    Enquanto houver reformas superiores a um Euro há onde ir buscar.

    O Raio

    6 06UTC Novembro 06UTC 2007 em 16:35

  10. Raio: Eu não tenho os números porque isso é um segredo bem submergido e de algum modo também difícil de contar. Lembro-me éde ter visto algo relacionado com o tal estudo /análise do ano passado em que era de facto 100 mil que teriam saído só no ano de 2006.
    Vamos supor que o tal milhão não é verdadeiro, mas simmetade.
    Mesmo assim, metade em 10 anos é um valor alto.
    Agora juntemos a isso os outros 10 anos para trás( lembro-me de vizinhos meus que emigraram nos finais dos anos 80) e provavelmente chegaremos a pelo menos um milhão de pessoas a terem saído daqui durante uns 15 / 20 anos.

    É um número devastador e uma derrota completa.
    Antes de 74 as pessoas saíram por causa da ditadura. Foi prometido que depois de 74 tudo seria fantástico.
    E no entanto continuam pessoas a sair.

    Outro exemplo que parece nada ter a ver, mas é sintomático de um certo estado das coisas. Hoje falei com uma pessoa- 41 anos de idade – que me disse que nunca votou e não faz tenção de ir votar alguma vez na vida.
    Se esta “democracia” é assim tão boa porque provoca o acontecimento destes fenómenos?

    dissidentex

    6 06UTC Novembro 06UTC 2007 em 17:13

  11. Até Cavaco Silva ficou satisfeito de encontar portugueses nas margens do Pacífico (Chile). Devia era ter vergonha.

    Lembro-me do Mário Soares, na sua fase revolucionária (a seguir ao 25 de Abril) ter dito que Portugal nunca poderia entrar na CEE porque, se o fizesse, ficaria vazio.

    Ele sabia muito bem o que queria e quais as consequências da entrada que ele pediu. E que negociou a “fundo perdido”.

    A certa altura ele até queria entrar sem negociações, tipo, primeiro entramos e depois negociamos. Os outros é que não concordaram.

    E é aqui que começa o grande problema, a entrada foi mal, muito mal, negociada.

    Aliás, como é que se pode negociar na posição, nós entramos qualquer que sejam as condiçõe e agora, vamos lá negociar…

    Quando foi da negociação para a entrada da República Checa na UEe, foi produzido um documento com alternativas. Isto nunca foi feito em Portugal, oficialmente não havia alternativas. O resultado está à vista.

    Quanto a votar, conheço três irmãos, entre os 24 e os 29 anos que nem sequer estão inscritos no recenseamento eleitoral.

    Eu próprio começo a ter dificuldades a votar. Votar para quê? Para escolher qual é que tem mais geito para se humilhar em Bruxelas?

    O Raio

    10 10UTC Novembro 10UTC 2007 em 15:46

  12. Raio, concordo com a última frase mais que nunca.Votar para escolher o que tem mais jeito para se humilhar?
    Pois, infelizmente as pessoas não vêem isso…

    dissidentex

    10 10UTC Novembro 10UTC 2007 em 17:37

  13. [...] ( o lixo das praias já está na incineradora do Outão …) para vender turismo e serviços, e tentar passar a imagem de que Portugal é a Califórnia da Europa. Penso que era isso que os atrasados mentais que pensaram nesta campanha – se é que pensaram – [...]

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