DISSIDENTE-X

Escrevo para mim próprio.

OS NEOLIBERAIS ODEIAM OS PROFESSORES

Tipo: feito sobre influência de outros dois posts. Não de substancias psicotrópicas.
Sobre: escola , professores, coisos neoliberais, ódio.
Aspecto: Só texto. 2082 palavras.

Não era para postar mas a Catarina, obriga-me. ( Malvada de garras aduncas…) Fez dois posts ( e vai fazer mais ) sobre o ódio dos coisos ( jargão pessoal para neoliberais da treta) a tudo o que é diferente do que os neoliberais da treta acham que é diferente. Pergunta ela a dada altura de onde é que vem o ódio aos professores.Transcrevo:

“”"Os ódios são para mim uma coisa misteriosa e só vagamente compreensível. Porque sou professora e cresci entre professores, este ódio aos professores toca-me particularmente. Não percebia muito bem de onde nascia todo este veneno que está a vir ao de cima … me pus a pensar: de onde virá este ódio?”"” De vários lados. O primeiro lado são os professores, que criaram, alimentaram e acarinharam a serpente no ovo. Durante anos a fio, décadas ( duas) os professores, quer individualmente, quer como classe profissional, fizeram todos os erros do livro de erros que se poderia pensar. Mais: acrescentaram ao livro de erros capítulos e novos erros. Muitos professores pensaram que isto não se notaria. Que ninguém repararia. Alguém reparou. Os neoliberais de direita, especialmente, que, viram nessa questão uma forma de ganhar poder.

Para ganhar poder e legitimidade é necessário criar uma divisão. De uma lado estarão os “puros”; os neo liberais. Tem uma bandeira: a liberdade. Uma palavra bonita que os neo liberais usam e mais ainda já patentearam no respectivo departamento de patentes norte americano. Ninguém defende mais a liberdade ( na cabeça dos neoliberais ou coisos, como os trata a Catarina) que os coisos neoliberais.

Como tal, munidos desta crença messiânica imbecil que só existe dentro das cabeças deles, e que, na realidade apenas disfarça uma mal encoberta apetência pelo totalitarismo e por uma sociedade totalitária, os “coisos” sentem-se autorizados a intimidar todos os que acham que se lhes opõe. No post abaixo deste cito uma passagem de Karl Popper. Popper refere-se ao partido comunista. A similitude de posições – métodos argumentativos e de agir dos “neoliberais” é idêntica. Só não vê, quem não quer. Ou quem é “coiso”.

Os professores, uma classe profissional incrivelmente estúpida a lidar com isto apenas se deixa intimidar e dividir. Um dos primeiros problemas das Catarinas professoras deste mundo é o próprio texto e o conteúdo que eu cito. A pergunta” de onde virá este ódio” é disparatada. Não se aplica. É um modelo mental obstipado, ò senhora anti coisos neo …. No sentido em que “não é preciso vir de lado nenhum”, algo que já existe e sempre existiu. Ódio.

É um sentimento apelativo, forte, como uma droga tenazmente agarrada à nossa psique. Todos. Falo por mim. Até aos “xx” anos nunca, mas nunca, pensaria sequer em bater numa mulher. Nessa altura gostei imenso de uma mulher, ou “coisa” como eu gosto de lhe chamar. A criatura em questão fez tudo para me estourar com o juízo. E, é com o coração negro que confesso que, em meados de Setembro de 1993 se a “coisa” em questão me tivesse aparecido à frente quando soube de uma determinada situação, provavelmente teria perdido a calma e teria mesmo batido numa mulher. Quer dizer, numa “coisa” que por acaso nasceu com o sexo feminino. Foi, uma experiência de ódio intensa, descontrolada, totalmente inexprimível. Que me permitiu perceber – anos depois – (mas a que custo pessoal…) que o ódio, está, existe e aparece a manifestar-se. Apenas existe. Logo a questão de saber de onde “vem este ódio” não se põe.

Ele “não vem”. Ele está lá. Aqui. Acolá. Omnipresente. No meu caso serviu-me de terapia. Agora; ódios, só a sistemas de força totalitária. Voltando aos professores. Na década de 80 e na década de 90, os professores deixaram criar ódio. Deixaram que ele se “manifestasse”. Nunca, mas nunca fizeram uma greve ou uma reivindicação que tivesse por base melhorar as condições das escolas. Sempre deixaram cair as situações para o lado dos aumentos de ordenado.

  • Os “críticos” começaram a chamar-lhes “mercenários”. Duas gramas de ódio.

Nunca, mas nunca, sacudiram os sindicatos e tomaram em mãos o seu próprio destino criando, por exemplo, um sindicato apartidário.

  • Permitiram, dessa forma, que os “críticos” os colassem ao PCP, aos sindicatos, às “forças de bloqueio”; ou o que seja. Mais estrategicamente estúpidos que isto não puderam os professores ser. O òdio passou a ser embalado em sacos de plástico.

Nunca, mas nunca, os professores tomaram qualquer medida para questionar os que – dentro da classe – prejudicaram alunos, pais de alunos, etc. Spots publicitários de ódio surgiram.

  • Os “críticos” passaram a falar de “corporativismo”( o que é verdade”) e passaram a criticar a falta de garantias dos alunos, misturando isso com laxismo no ensino e professores com falta de categoria, metendo – ao mesmo tempo – no mesmo saco, todos os professores. O ódio ganhou estatuto de utilidade pública.

Nunca, mas nunca, os professores, se ergueram enquanto movimento colectivo para defender os alunos, que, no inicio dos anos 90 protestavam contra PGA´S e acessos ao ensino superior e situações idiotas e totalitárias do mesmo tipo. Era uma situação ( entre muitas) em que, CLARAMENTE, os professores deveriam ter estado do lado dos alunos e não assobiarem para o lado. Os professores, enquanto classe, deveriam ter exigido reformas verdadeiras na educação, e não o sistema que viria a emergir. O ódio juntou-se ao desprezo e passou a ser vendido na Makro.

  • O resultado é que os “críticos ” puderam – agora – bater nos alunos e demonizar os alunos. Muitos alunos, jovens nessa altura – vamos supor 20 anos – são agora alguns dos palhaços do neoliberalismo de direita totalitária proto fascista e tem uma média de idades à volta dos 35 , 37, 39 anos. Eles (alguns deles) não se esqueceram de que a classe lhes tirou o tapete 15 anos antes. (Pelo menos acham isso…) O ódio juntou-se ao ressentimento e passou a ser sorteado como brinde conjuntamente com a venda de frigoríficos.

Nunca, mas nunca, os professores criticaram, e recusaram, à sério, as “reformas” do Benaventismo socialista.Por exemplo. O ódio constitui uma Fundação para veicular o desenvolvimento do ódio na sociedade portuguesa.

  • Os críticos, aproveitaram a juntar às anteriores, para passarem a veicular o discurso do # facilitismo educativo # . Os professores, enquanto classe e burros que nem uma porta nem sequer reagiram. Não percebendo que, uma decisão política, feita por políticos estúpidos, lhes iria ser assacada a eles, enquanto classe e lhes iria cair em cima. O ódio pediu para aderir à ONU.

Donde é que vem o ódio? De tudo isto e de mais 50 razões que a minha falta de memória e de talento literário não consegue enumerar.

  • A juntar a isto, também existe a necessidade.
  • Qual é ela?
  • É a necessidade de criação de um inimigo.
  • Quem possui as características de inimigo ?

Vários. Mas os labregos dos professores estão à cabeça. Não só cometeram erros, hiper erros, como se deixaram levar para erros de terceiros, como deixaram que a “imagem pública” desses erros lhes fosse “exclusivamente assacada”.

O veneno não está a vir ao de cima. Já lá está e está ser trabalhado e de forma sistematizada já desde há muitos anos, com o objectivo de partir uma classe que é funcionária pública, e transformá-la numa coutada privada de alguns e dos interesses de alguns. A classe, munida de infinita estupidez, apenas tem aplainado o caminho a quem a quer destruir e odiar, tecendo loas a quem a prejudica.

Agora, na grande panóplia totalitária de inimigos existente à disposição dos neoliberais, mais uns estão aí em grande visibilidade: os professores. Mais ainda; os professores são apresentados como seres desumanizados. Porque a lógica é simples. Todos devem ser odiados, porque todos são contra a liberdade, isto é, contra os desejos dos neo liberais. O centro do pensamento para o neo liberal é …… o neo liberal de direita proto totalitário. A sua liberdade, é incomodada com os direitos de todos os outros. Como tal aplica-se inversão dos ónus da argumentação. Os outros – os gnomos malvados – coarctam a liberdade do neo liberal proto fascista de oprimir e odiar terceiros ou diferentes dele.

Como os outros – malvados – coarctam a liberdade do neo liberal oprimir terceiros que dele discordam, o neo liberal, apoiado por poderosas maquinas de propaganda e dinheiro a rodos, ataca e demoniza tudo o que é diferente da sua concepção do mundo. Alvos Fáceis: homossexuais, lésbicas, transsexuais, velhos, deficientes, mulheres, tipos de esquerda, tipos de direita, pobres, classe média, professores, funcionários públicos, O Estado; esse malandro que tem leis que coarctam a liberdade do neo liberal;

com a tal linha imaginária de demarcação – para nós, comuns mortais – mas real para os “coisos” que demarcam fronteiras. Sem demarcação de fronteiras apenas seriam os patetas que são. Com elas parecem fortes, altos e gentis e pode ser que alguém troque favores sexuais com eles por via dessa afirmação de demarcação.

É por isso que o professor (e os outros todos aqui citados) não são pessoas, mas sim opressores da liberdade dos neo liberais da treta – demónios odiados, embora seja especialmente engraçado isto porque muitos dos “coisos” são ou já foram professores note-se. Como é óbvio, um bom par de socos nos cornos resolvia isto com os coisos.

Lamentavelmente, os professores, ( e restantes classes afectadas) acham que é com “conversa” e diálogos que irão resolver o problema. Não é. Não se discute com totalitários com base em premissas democráticas, precisamente porque os totalitários abominam e desprezam democracia.

Nota lateral: é também por isto que eu detesto a conversa da esquerda política acerca da “tolerância de esquerda” , um falso conceito de tolerância, que apenas abre espaço para que os maiores inimigos da democracia como sistema a implementar numa sociedade continuem activos dentro dessa sociedade a sabotá-la, isto é, a sabotar o regime democrático.

Nota lateral: Porque faz a esquerda política isso?

  • Porque precisa de aparecer aos “olhos do povo” como alternativa política credível;

  • Porque assim empurra o radicalismo- a imagem de radicalismo – para cima de grupos radicais de extrema direita e outros que, assim, pelo simples facto de existirem e vociferarem contra o regime democrático , concedem à esquerda política, uma sensação transmissível para terceiros de que são “uma força consensual e de confiança”.

Donde vem o ódio? Está sempre lá e alimenta-se “destas manobras”. Um bom par de socos nos cornos é a classe – por inteiro- fazer uma semana inteira de greve, numa altura onde doa mais, e passe a semana inteira de greve a explicar aos paizinhos porque é que os coisos e o governo de coisos está a “fo***” a vida aos filhos e aos professores. E que explique aos paizinhos, que as criancinhas delas não serão nada porque os coisos querem que as criancinhas dos paizinhos sejam um grande monte de me***.

Um bom par de socos nos cornos é a classe exigir calendarizações a sério de aulas e exames, com datas definidas, turmas cujos alunos não excedam “x” numero, computadores em número “x” para todos, formação profissional para os professores feita regularmente pelo ME, dependendo disso para se ser ou não ser efectivo na profissão e demais outras coisas, como por exemplo, os professores exigirem que os alunos chumbem por faltas e sejam mandados para a rua quando fazem asneiras e isso contar como falta ou não. E ir para uma greve de uma semana e repeti-la se for caso disso.

Fazer greves à sexta feira porque só se tem um aumento de ordenado de 2.1 % parece-me uma má estratégia. Desculpem lá, mas de facto é uma má estratégia. Não é por nada, mas é uma má estratégia …

E agora chegámos aquela parte do post em que eu o vou estragar de forma sexista, vil e absolutamente absurda. E como é que se faz? Mete-se um link para Van Halen – período barroco David Lee Roth – e para a música “Hot for Teacher”, numa singela homenagem da minha parte e numa patética e ridícula forma de assédio sexual por post de blog, crime sem dúvidas nenhumas, a ser tipificado em próxima revisão do código penal, conjuntamente com a proibição de fumar dentro de poços de lama. E aconselho à Catarina a ver porque a primeira parte da imagem é uma mãe (parecida com uma professora…) que é absolutamente aquilo que a Catarina acha mal, relativamente à imagem das teachers… Já a teacher recauchutada que aparece depois no vídeo …… ahhh (suspiro melancólico perverso…) se eu tivesse tido professoras assim seria físico nuclear…

Petição já, para obrigar as professoras todas a ter aqueles atributos!

Escrito por dissidentex

12 12UTC Novembro 12UTC 2007 às 22:14

Publicado em ENSINO

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31 Respostas

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  1. Pedro, hesitei em meter a colherada nesta bela prosa acalorada. Mas, sinceramente, acho que pões demasiados temperos neste prato.
    Nada do que apontaste é preciso para avolumar o tal ódio. A primeira causa do ódio é precisamente o facto de as pessoas não crescerem e continuarem a ver o mundo como o viam até saírem da escola. Elas não fizeram o upgrade necessário para entender, enquanto adultos, o que se passou ao longo da sua escolaridade.
    Queres uma prova? TODA A GENTE FALA DOS TRÊS MESES DE FÉRIAS DOS PROFESSORES. Confundem as coisas: os alunos é que tinham férias de três meses há uns anos atrás. Os professores podem marcar os 22 dias úteis das suas férias entre o dia 25 de julho e o dia 31 de agosto. Isto parecem-te três meses?… Nem sequer têm escolha: é naquela altura e acabou!

    Isto independentemente de apontares coisas bem reais, como as greves à sexta ou a falta de sentido interventivo da classe docente. A propósito, a única vez que se fez uma longa e bem sucedida greve (e foi às AVALIAÇÕES FINAIS!!!) e com reivindicações muito para além das salariais, os SINDICATOS entregaram tudo alegremente em troca não se sabe bem de que prato de lentilhas requentadas mas que decerto serviu os interesses de quem negociava com o governo da altura, há sensivelmente vinte anos atrás, creio eu. Os professores tiveram tudo na mão, nessa altura: pode falar-se sem escrúpulos de TRAIÇÃO.
    Mas voltando ao tema, haverá depois uma data de pequenas achas para a fogueira (que lenha não falta) mas são subsidiárias desta. Quanto aos atributos que reclamas para as professoras, nem sequer vou tomar conhecimento deles, porque acho que estás a mentir: nunca chegarias a físico nuclear por causa do teu pendor ortorrômbico e tergiversador! :P

    bianca castafiore

    13 13UTC Novembro 13UTC 2007 em 23:25

  2. Apesar de achar que Bianca Castafiori tem razão, não deixo de concordar como o Dissidente, quando diz que os professores, como classe, foram muito pouco interventivos em relação à quantidade enorme erros (para não dizer pior) dos diferentes governos e reformistas que se foram acumulando ao longo do tempo transformando o Ensino em Portugal no que é hoje. Realmente aceitámos tudo.
    Bom texto para agitar as águas e fazer tirar os professores do marasmo de serem apenas pobres vítimas. São-no de facto mas é tempo de mostrarem o que valem e enfrentarem os desprezíveis coisos. porque esses são abaixo de tudo nas suas na liberdade do mercado de treta.

    A

    14 14UTC Novembro 14UTC 2007 em 7:46

  3. BC: eu não falei em 3 meses de férias.
    O facto das pessoas crescerem ou não crescerem e continuarem ou não continuarem a ver a escola como a viam ou não há viam há muitos anos atrás é irrelevante para o assunto em questão: este post e os outros dois posts da “Catarina” que eu cito.

    O que está aqui em causa é uma outra coisa: o assalto à profissão de professor e o controlo da mesma por ideologias e grupos pequenos de pessoas com agendas muito próprias.
    Para se assaltar a profissão é necessário que exista um clima exterior favorável a esse mesmo assalto, é necessário que a população seja convencida que os professores devem ser culpados, não importa do que seja.

    Só com o ódio em pleno funcionamento a população aceitará mudanças profundas de um sistema para outro, mas que o outro a emergir será prejudicial à população.

    Não é necessário no estado totalitário semi formal democrático que se está a preparar que a generalidade da população tenha educação escolar.
    É necessário criar um funil que faça com que apenas os escolhidos, os brasonados, estejam em condições de aceder aos poucos empregos que estarão e serão criados no futuro.

    Para obter isso é necessário fazer odiar os professores enquanto classe precisamente para, posteriormente, ela, enquanto classe profissional, ser desmantelada e reduzida.

    Os professores tem gostado de que lhes esteja a ser feito isso.

    Da mesma maneira que no século 19 era necessário mandar as pessoas para a escola para lhes ensinar rudimentos e as habituar a horários – ao cumprimento dos horários – a usar relógios, para ver as horas e saber que horas eram, tudo noções de disciplina e funcionamento pessoal que eram necessárias para que gerações de pessoas nascidas nos campos, pudessem ir para as cidades e trabalharem ao ritmo controlado e temporizado das industrias, e tudo isso requeria “treino” na disciplina, nos usar relógio, nos horários, em saber fazer contas simples,em saber ler e escrever.

    Como tal surgiu a escola para todos – para que o exército de operários fosse mais eficaz.

    Actualmente temos uma “elite” que não quer industria, nem criação de empregos nessas áreas ou conexas.

    Como tal, o que a “classe dos professores” tem para oferecer é considerado negligenciável e complementar,não ultra necessário.

    Portanto, isso abre a porta a chamar-se os professores de inúteis, de”estorvo” e gasto no orçamentos de Estado, de parasitas que nada fazem.

    Os professores, tem gostado de ser tratados assim.

    Como as noções de disciplina e de algum trabalho já não interessam, porque o que interessa no mercado de trabalho é pessoas que estejam dispostas a trabalhar por turnos de 6 vezes ao dia e a mudarem de empregos de 3 em 3 meses, os professores são deixados dentro das salas de aulas completamente desprotegidos na questão da disciplina ( e de outras).

    Os professores tem gostado de ser deixados completamente desprotegidos nas salas de aula.

    Como tal, é isso que explica os “Estatutos do aluno”, as constantes alterações de currículos, a erradicação de uma disciplina como é a filosofia, que daqui a 10 anos estará morta ou discutida em círculos esotéricos de 5 pessoas, precisamente porque não interessa aprofundar o sentido de pensar, nem ensinar a pensar, nem pensar estrategicamente, mas sim, produzir, acéfalos e pessoas desorientadas, sem noções de qualquer coisa, desprovidas de ética ou de quaisquer outros valores, pessoas confusas, desorientadas, pessoas que não tem qualquer ligação a perceberem qual é o seu próprio valor – o que é que sabem efectivamente daquilo que estudaram.

    isso explica, por exemplo, a publicidade que vemos diariamente nas televisões e jornais, que é feita por pessoas assim – gente que se acha brilhante, mas que produz pouco e mal, faz passar mensagens sem qualquer valor , ou princípios, éticos ou não associados à mensagem publicitária, e mesmo do ponto de vista económico, atiram ao lado do objectivo que se propõe atingir – vender mais ou vender o produto.

    Os professores, pela sua completa inacção, tem gostado de colaborar com este admirável mundo novo.

    E ficam sempre admirados pelas criticas que lhes são feitas. Nuca percebendo que tem estado activamente,a contribuir para que elas lhes sejam feitas.

    BC:isto não tem já nada a ver com 3 meses de férias.

    dissidentex

    14 14UTC Novembro 14UTC 2007 em 12:49

  4. A:

    obrigado pelo comentário.
    O texto não era para agitar as águas.
    Estive a conter-me bastante.

    O meu ponto é só um: os “coisos” são totalitários.
    Os totalitários, quando enfrentados a sério, recuam sempre.

    É altura de os professores, enfrentarem a sério os “coisos”.
    Ou isso, ou morrem.

    Querem morrer?

    dissidentex

    14 14UTC Novembro 14UTC 2007 em 12:52

  5. Hmmm… pensei que tinha sido clara: a referência aos três meses de férias pretendia provar a existência de um anacronismo na mente da malta, encaixando o dito anacronismo numa subtil interpretação da coisa em geral. Sei bem que fui eu a introduzir o exemplo e não tu a falar nisso! :P
    Concordo que há “coisos” totalitários no ar, mas não sei se são liberais. Acho-lhes mais cara de socatrastes. Concordo que os profs têm embarcado nas modas todas que lhes têm sido impingidas: refilando mas fazendo SEMPRE tudo como manda a sapatilha ministerial.

    Não se pode contar com eles para fazerem outra coisa, é o que penso: estão demasiado enraizados numa perspectiva de faz-o-que-te-mandam se queres ser profissional… Mesmo quando agir assim lhes leva o sangue, o suor e a alma.
    É precisamente o que está a acontecer neste momento, acho eu.

    bianca castafiore

    14 14UTC Novembro 14UTC 2007 em 21:34

  6. BC: estas pessoas utilizam a palavra “liberal” como capa, como disfarce para propagarem algo que é a ideia de “liberdade absoluta” como sendo liberalismo e liberdade, quando o que na realidade é totalitarismo. É uma ideia de mundo onde não existiria intermediário (O Estado) ou existiria intermediário com reduzidos poderes, que significava – na prática – não intervenção. E por via disso mesmo, as coisas passariam a ser decididas apenas pela lei do mais forte.

    Utilizam a palavra liberalismo, neste sentido. No de não existirem regras que possam tolher “o livre arbítrio de alguns” a sobrepor-se sobre todos os outros.

    Os professores estão a cair numa armadilha que é a de se deixarem instabilizar psicologicamente e deixarem que joguem com eles este jogo de os por perante dois lados da questão – falsos.

    Se obedecerem às regras prejudicam-se a curto e a longo prazo e prejudicam terceiros.
    Se não obedecerem às regras são chamados de parasitas e de “não patriotas”.

    Isto é uma “situação de não vitória ” perante dois únicos cenários postos à escolha.
    Nesse caso porquê escolher seguir as regras?

    dissidentex

    14 14UTC Novembro 14UTC 2007 em 22:11

  7. Ainda nem li bem os comentários, vou ler já a seguir. O post, não consigo lê-lo bem porque as «tralhas» da margem ficam por cima dele. Será do meu computador? Só um esclarecimento: Catarina não precisa de vir entre aspas, é mesmo o meu nome, okay?

    Catarina

    15 15UTC Novembro 15UTC 2007 em 11:56

  8. Agora já li o post – mais ou menos, aquelas letras por cima atrapalham um bocado, há que dizê-lo com frontalidade – e os comentários. E sim, o dissidente (olá! já corrigi o link…) tem a sua razão, a bianca também e, por estranho que possa parecer, eu também. Ando a fazer frente aos coisas há décadas. A contrariar a cartilha Minesteriodeeducacional há décadas. Mas nem por isso deixo de reflectir sobre as coisas e de ir escrevendo o que penso. E só mais uma coisa, OS NEOLIBERAIS (prefiro neo-cons, acho que lhes fica tão bem o pettit nom!)TAMBÉM ODEIAM OS SINDICATOS? Porque será, porque sera! ;_)

    Catarina

    15 15UTC Novembro 15UTC 2007 em 12:07

  9. Catarina: penso que são as definições do browser do computador que dão esse resultado. É um pequeno problema que por vezes existe devido a uma diferença entre firefox e I. explorer, por um lado e, templates de blogs mais largos como é o caso deste.

    É uma questão de se conseguir ajustar as definições para um “padrão” universal.

    A sugestão que eu dou e que funcionou comigo foi usar o firefox como browser de acesso, e usá-lo com as definições “default”, ou seja as que vem por defeito na instalação do programa. Que, por norma se ajustam a estes templates mais largos.

    dissidentex

    15 15UTC Novembro 15UTC 2007 em 12:17

  10. Catarina: a cartilha ministério educacional é uma mistura de neoliberalismo coiso e eduquês pretensamente de esquerda, cheio de preocupações com as criancinhas, e que tem servido apenas para permitir infiltrações de “coisos” no sistema e para destruir a noção de escola pública ou outra.

    Os sindicatos são odiados porque são um obstáculo ao totalitarismo propagado pelos neocons.

    Quer dizer, não os sindicatos actuais portugueses,por si só, mas sim a ideia política de existência de um sindicato como representante de uma classe profissional.

    É essa ideia que é atacada.

    dissidentex

    15 15UTC Novembro 15UTC 2007 em 12:21

  11. Caro dissidentex:

    Entre os posts que tenho na calha para publicar no meu blogue está um – nem de propósito – sobre se ser anti-eduquês é “de direita” ou “de esquerda”. Este assunto vem na sequência duma crítica que me foi feita segundo a qual a minha posição contra o eduquês, que exprimi em vários posts, seria inconsistente com a minha posição contra o neoliberalismo, que exprimi noutros tantos.

    Sempre tive uma enorme dificuldade em explicar às pessoas que a pedagogia “moderna” não é moderna; que embora tenha sido promovida, e ainda o seja, por uma certa esquerda tonta, está longe de ser de esquerda; e que serve, pelo contrário, os interesses da direita neoliberal.

    Devo-lhe, portanto, um agradecimento. Disse neste seu post muito do que eu quereria e tenho tentado dizer. E é verdade que os professores têm andado há anos a dar estupidamente o flanco ao ódio de que são objecto.

    Pela minha parte, gastei, há coisa de vinte anos, horas e dias e meses do meu tempo, e um esforço enorme, na tentativa de contribuir para a criação duma Ordem dos Professores que deslocasse a ênfase das nossas reivindicações do âmbito meramente laboral para o âmbito dos interesses legítimos da sociedade e dos alunos. Sem sucesso. O Governo e os Sindicatos foram fortes demais. Ganharam, e nós perdemos.

    Hoje, estou cansado. Já não luto pela Ordem dos Professores nem pertenço a nenhuma organização que a proponha. Continuo a escrever – nos blogues, nos jornais, nas actas das reuniões – a favor duma postura reivindicativa centrada no direito dos professores a ensinar e no correlativo direito dos alunos a aprender. É bom saber que não estou sozinho.

    José Luiz Sarmento

    16 16UTC Novembro 16UTC 2007 em 10:57

  12. Caro José luis sarmento: agradeço o comentário.

    Ser contra o neoliberalismo e ser contra o eduquês não é incompatível, antes é desejável. Ambos são duas coisas nefastas.

    Não me deve agradecimento.

    A pedagogia moderna, não é moderna, nem é para ser apoiada. Concordo consigo relativamente a uma certa esquerda tonta, que é tonta e não só em relação a este assunto.

    O problema da reivindicação dos professores ser deslocada das acções meramente laborais para outras coisas, já eu a tinha visto há mais de 20 anos quando era aluno do secundário, quer do lado dos professores, quer do lado dos alunos/associações de estudantes.

    Nunca houve qualquer noção cívica nas reivindicações do professores e dos alunos, mas sim reivindicações de tipo material ou de “vamos fazer coisas” .
    O resultado: o estado a que isto chegou.Os professores como classe odiada.

    Eu não gosto de professores, particularmente, mas tenho que ser justo e ver onde existem os defeitos e onde não existem. E o que está a ser feito e o que os professores deixam que se lhes faça é irritante, para não dizer pior. O que me espanta é que a maior parte da classe julgue que não será afectada com nada e deixe as coisas andarem como andam.

    E não está sozinho, e o número de pessoas que pensa desta maneira é bastante maior do que o José Luís Sarmento acha que são.

    Estão é a pensar que estão dentro de um poço e que são os únicos a pensar assim, coisa que não é verdade.

    Existe muita gente que está contra um certo estado das coisas, o problema é que acreditam, infelizmente, que são os únicos e que são só eles.
    Não é verdade isso. E o que é preciso é uma “mentalidade de rede”, a nível da troca de comunicação.

    dissidentex

    16 16UTC Novembro 16UTC 2007 em 20:41

  13. «A pedagogia moderna, não é moderna, nem é para ser apoiada. Concordo consigo relativamente a uma certa esquerda tonta, que é tonta e não só em relação a este assunto.» A «pedagogia moderna»
    não é moderna e, sobretudo, não é pedagogia, é mesmo só tolice. E há que reconhecer – muito tenho eu levado nas orelhas e no lombo por o dizer – que há uma muita culpa da «esquerda tonta» em tudo isto. Os professores deixam que se lhes faça tudo. Tenho a maior dificuldade em despertar os meus colegas para o que (n)os espera: todos acham que não é com eles. A infeliz atitude de muitas das pessoas com que trabalho só me lembra os tristes tempos em que se dizia «A minha política é o trabalho!» ou «O meu partido é o Benfica!».

    Catarina

    19 19UTC Novembro 19UTC 2007 em 13:19

  14. Catarina:
    A “esquerda tonta” apenas tem rebentado com a educação e com a escola pública. Não tem qualquer noção do que é que deve ser a escola e em caso de dúvidas hostilizam os professores do secundário ou os sindicatos.

    Os professores do secundário, uma classe amorfa e conformista está a levar na cabeça. E vai piorar.

    Porque é necessário arranjar um bode expiatório para culpar das asneiras estratégicas dos políticos e da “elite” que tem vendido o país a retalho a todos os interesses que aparecem.

    Agora como existem dificuldades e como o país está a rebentar pelas costuras, os professores estão bem colocados para serem o alvo do ódio.

    A maior parte da classe julga que isso não lhes irá tocar mas irá.
    Resta saber do que é que estão à espera para reagir.

    A mentalidade Salazarista em termos de atitude é a mesma que se aplica pela generalidade da classe ao tratamento dos alunos e à forma de estar em relação ao ministério.

    Portanto as coisas são o que são. Deve ser preciso os professores serem humilhados até à última para perceberem o que se está a passar.

    dissidentex

    19 19UTC Novembro 19UTC 2007 em 17:53

  15. A primeira coisa que a «esquerda tola» atacou foi a autoridade – a autoridade tornou-se «fascista». Só isso já deu cabo de quase tudo. Não se notou muito a princípio porque os miúdos da primeira leva – a minha geração – tinham sido educados a respeitar a autoridade e continuaram a fazê-lo. Com os seguintes, a coisa já foi pior, piorou com os segundos seguintese foi por aí abaixo, até chegarmos à geração actual que não só nunca foi ensinada a reconhecer autoridade a ninguém, como foi criada por pais que já não reconheciam autoridade fosse a quem fosse.
    … Isto podia continuar com todas as outras coisas mas acho que me fiz entender.

    Catarina

    20 20UTC Novembro 20UTC 2007 em 11:11

  16. Catarina: eu sei o que isso foi, porque eu pertenço ao espaço que está entre a primeira geração e a segunda geração, os mais enganados de todos.

    A princípio não se notou porque também existiam muitas outras desculpas, como por exemplo, a falta de qualidade das escolas em termos de equipamentos físicos que serviam de desculpa para a existência de “alguma geração rebelde”, e que tal só acontecia por deficiência dos equipamentos.
    Assim que o país melhorasse economicamente então os alunos seriam fantásticos, na cabeça dos esquerdas tontas.

    A machadada começou pelos anos de 84/85, por aí e acentuou-se com os Cavaquismo, primeiro, e o Benaventismo depois.

    Só as as ideias de que os alunos não poderiam ser mandados para a rua constituíram o mais absurdo que se possa pensar.

    No Cavaquismo, pessoalmente o que eu assisti foi á completa demissão dos professores.
    Ostensivamente vi professores a discriminarem alunos, apenas pela simples razão de que os conformistas – ou seja, os que não diziam nada de desfavorável em relação ao modo como as aulas eram dadas, eram incentivados a serem conformistas e incentivados a assim estarem – para o professor eram menos chatices e dessa forma “agradava” aos alunos – uma parte deles.

    Os outros eram postos de lado.
    Foi assim, depois que no início dos anos 90 dezenas de milhar de nulidades sem qualquer pensamento critico e sem qualquer qualidade emergiram para as universidades.

    Sem qualquer ideia de civismo, de cidadania, de espírito critico, beneficiados, ainda por cima, pelo Cavaquismo e as mitologias do mesmo – um “Homem Português Novo” que emergiria vá-se lá saber de onde.

    É dessa época e desse caldo de cultura que surgem os “Jeep´s” – os jovens empresários de elevado potencial, e surge o neoliberalismo em força.

    Agora temos o Estado a que isto chegou. yupiie….

    Agora quer-se controlar os alunos?
    Agora?
    Tarde piaste…

    dissidentex

    20 20UTC Novembro 20UTC 2007 em 11:34

  17. Só um pequeno reparo: não julgue todos os professores pelos dez ou vinte que conheceu enquanto aluno. Além de serem uma amostra pouco fiável, a forma como pensamos nos professores que tivemos enquanto alunos está marcada por sentimentos frequentemente muito fortes – na adolescência TODOS nos sentimos incompreendidos – que viciam a lógica.

    Catarina

    22 22UTC Novembro 22UTC 2007 em 12:01

  18. Catarina: não julgo,não.
    Até porque os professores que conheci na universidade eram – de longe – piores que os conheci no secundário.

    No entanto foi a época em que as coisas aconteceram que deu para ver muito do que se está a passar agora e porque é que se está a passar agora como se está a passar agora.
    Nos anos 80 os professores demitiram-se completamente de uma série de coisas.
    Agora tem um ressalto a acontecer-lhes enquanto classe.
    A forma como alinharam na lógica do sistema que se estava a formar foi para mim incompreensível á época.
    Numa época em que tinham ainda autoridade sobre os alunos, “autoridade natural”decidiram desperdiçar esse capital, não dizendo nada contra PGA´S e outro tipo de experiências que se estavam a implementar.

    Apenas deixaram os alunos entregues à sua sorte e à que lhes chamassem preguiçosos e vagabundos e todo o resto dos adjectivos.
    A partir daí isso representa um “corte” “alunos – professor. Nada mais foi o mesmo.

    dissidentex

    22 22UTC Novembro 22UTC 2007 em 12:45

  19. Correndo o risco de isto se estar a tornar numa agradável conversa privada… a maioria dos professores que eu conheço – e conheço muitos. Aliás, quase não conheço outra coisa! -manifestou-se contra PGA’s e outras aberrações experimentais. Tambá se manifestaram contra as reformas absurdas dos currículos, a quase eliminação de algumas disciplinas importantes. como História, Filosofia ou Latim e a implementação de outras que nem disciplinas são, como Área Escola, Área de Projecto, Estudo Acompanhado e absurdiades semelhantes, ou contra a idiotice da TLEBS. Infelizmente, quem estava nos lugares de poder borrifou-se empre para os professores e estes, embora contrariados, sempre acabaram por mais ou menos implementar o que o Ministério lhes impunha… Já agora, nunca abandonei um aluno à sua sorte e vários alunos já me insultaram exactamente por isso…

    Catarina

    23 23UTC Novembro 23UTC 2007 em 12:55

  20. Catarina,lamento mas isso não é exactamente verdade no que diz aos anos80/90 e a PGA.
    A maior parte dos professores apenas manifestaram uma discordância educada, simpática, de apoio moral aos alunos e depois deixaram os rebentos serem instrumentalizados pelo PS e pelo PCP na altura. Porque era mais uma frente de batalha política contra o Sr.Cavaco Silva que interessava criar por parte destes partidos políticos.

    Mas isto, não dizia respeito aos professores enquanto classe e deveriam ter-se, colectivamente, demarcado quer de quem instrumentalizava manifestações, quer, de sindicatos, quer do ministério e deveriam ter tido uma agenda própria visando defender-se a si mesmos, aos alunos e ao ensino.

    Nada fizeram nessa altura, deixaram abrir as porta para o que veio depois.
    É isso que dá origem depois a tudo o que mencionou.

    É que -AGORA- é muito mais difícil de contrariar.

    Nunca houve uma greve ou uma movimentação social séria feita por professores que chegasse a opinião pública de forma consistente relativamente a matérias destas.

    Mas sobre salários houve.
    É esse o principal problema.

    É certo que as pessoas vivem do ordenado que recebem, mas estarem só a limitar-se a reclamar por isso leva a outro tipo de problemas.
    Quem estava nos lugares de poder borrifou-se porque fez uma avaliação das forças no terreno e da determinação das forças no terreno e concluiu que podia borrifar-se para o assunto que – por isso , não pagaria nenhum preço pequeno ou grande.

    O resultado: o Estado a que isto chegou.

    Mais: as coisas para a classe só irão piorar.

    A classe faz tudo para se por a jeito.

    dissidentex

    23 23UTC Novembro 23UTC 2007 em 14:22

  21. Meu caro, mas você ainda não reparou que os «professores enquanto classe» só existem na cabeça do Governo que os persegue e maltrata? Sem querer fazer proganda própria, leia uma das minhas cenas do ódio – acho que é a 5 ou a 6 – e veja se entende…
    Além disso, raramente se fez luta apenas por reivindicações salariais. Normalmente, as pessoas não lêem os documentos que os grevistas distribuem à população e confiam no que a televisão lhes diz.

    Catarina

    23 23UTC Novembro 23UTC 2007 em 21:02

  22. Catarina: claro que sim, que só existe “enquanto classe” , da maneira como o governo a vê.

    É lógico esse raciocínio dentro da lógica de um qualquer governo. Um qualquer governo dos actuais políticos vê-se a si mesmo como uma centro de poder, e acha que quando alguém ou alguma coisa se lhes opõe terá que ser uma “classe” profissional ou outra.
    Els vem a situação como que existindo uma classe organizada contra eles precisamente porque, sendo a maior parte dos professores funcionários públicos a lógica é a de achar que o mundo é ordenado em sindicatos , que por sua vez representam e mandam na “classe” professores.
    Como tal o governo – especialmente uma da auto proclamada “esquerda”vai atacar a “classe” porque ao atacar a “classe” estará a atacar os sindicatos que – presume-se dentro desta lógica distorcida representam a classe.

    As cenas do ódio são a 4/e meio e a 5 mas mais a 4/e meio.

    Mesmo que raramente se tenha feito luta por só por reivindicações salariais a percepção que tem vindo a ser trabalhada é essa.

    O que me lave de novo à questão da classe: com Internet À disposição, com hipóteses de fazer “rede”, com blogs para se interligar a classe faz o quê?

    Entrega papeis à população e deixa-se levar por uma industria extremamente hostil e à qual apenas interessa barulho para aumentar audiências como é a televisão?
    Aí já perderam.

    De facto não existem como classe organizada, os professores.

    Mas como “classe mental colectiva” na cabeça das pessoas existem. E essa imagem é brutalmente negativa.
    Os professores nada fazem para contrariar isso: é nesse sentido que, enquanto classe profissional eu lhes chamo “classe”.
    Mas nada fazem.
    Qualquer governo, do mais inepto ao mais esperto, manipula os professores enquanto classe profissional; achincalha, denigre e hostiliza.

    Uma vez ou duas percebemos isso. Mais que essas vezes percebe-se que é a “classe” que não se defende a si própria.

    Porque é que os professores não criam página de Internet – conjuntamente com alunos- diga-se, onde de um lado se ponham as exigências que os professores querem e do outro as exigências que os alunos querem, e isto feito por escola ou por zonas geográficas?

    Como o que está no post 4/e meio?

    Num movimento de rede a nível nacional que passe por cima de sindicatos?

    Um pouco à semelhança do que foi a rede de blogs da última campanha do M.Alegre, mas melhor e mais bem feito?

    E com especiais atenções ás diferenças entre campo e cidade, litoral e interior?

    E numa outra nota: as pessoas confiam no que a televisão diz porque existe uma massiva propaganda a encharcar as pessoas disso mesmo.

    Os professores reagem desorganizados, a dizer que não se querem meter em política, etc e evidentemente, pagam depois caro por isso.

    Ou vocês se agitam á sério aproveitando as novas tecnologias, as redes sociais, fazendo guerra assimétrica a um poder decadente e hostil ou terão sérios problemas no futuro.

    Eu não sei qual é a área da Catarina, mas se é de economia, você sabe bem que o que vem aí são dificuldades e problemas económicos como este país nunca teve.

    Nessa altura irão existir bodes expiatórios oficialmente designados para o efeito. Uns deles são os professores. Isto que se tem estado a passar tem sido só um treino para o que vem a seguir.

    dissidentex

    23 23UTC Novembro 23UTC 2007 em 22:32

  23. Mas há imensos blogues de professores. Você é que provavelmente não os lê, mas há muitos. Onde todas estas coisas são discutidas. Tambám há blogues conjuntos de professores e alunos e crei que você ficaria surpreendido com o que os alunos pensam – e são os que pensam, porque a maioria, que nunca pensou na vida nem se dá ao trabalho de animar um blogue. Ainda aqui há uns tempos, poucos, me chocou um jovenzinho que acha que aquilo de que a escola precisa é de ser mais centrada no aluno e de dar mais liberdade ao aluno, como por exemplo, a de tratar o professor por «tu»… I rest my case – mas apenas por agora, pois estou a adorar este debate e só tenho pena que seja apenas a dois.

    Catarina

    26 26UTC Novembro 26UTC 2007 em 14:59

  24. Ah, e para que conste, sou prof de Língua Portuguesa.

    Catarina

    26 26UTC Novembro 26UTC 2007 em 15:00

  25. Catarina: há imensos blogs de professores.
    O problema é que quase todos são conhecidos apenas de outros professores salvo raras excepções, mas é assim.

    Quando eu digo rede, estou a pensar em outras coisas mais ” interventivas” ponhamos assim…

    Com o que os alunos pensam duvido ficar surpreendido , porque sou adepto da teoria de que a maior parte dos alunos não pensam e os poucos que pensam julgam-se estar dentro de uma lata de sardinhas no fim do mundo tal é o abismo cultural entre eles e o resto da sociedade.

    Quanto ao jovenzinho que acha que a escola e mais não sei quê, precisava era de levar com um peixe podre pelas trombas acima. Tipo um sketch de Monthy Python, muito conhecido, chamado “Fish slapping dance”.

    A última frase é sintomática: um debate a dois.
    É esse o problema dos blogs de professores. Debatem para um espaço “pequeno”.Não chegam fora do seu próprio raio de acção.

    É como este diálogo: somos só dois perdidos a falar de coisas esotéricas.

    Mas de qualquer forma também se justifica: este blog e o seu autor não interessam a ninguém, por isso compreende-se…

    dissidentex

    26 26UTC Novembro 26UTC 2007 em 19:34

  26. Pois é. O problema é a dificuldade em arrastar mais gente para as discussões que interessam! Está tudo a ver a novela para saber se afinal a Alexandra Lencastre é ou não avó de si mesma, ou preocupado com quanto é que o próximo às do futebol vai ganhar… Gaita! O que é que fazemos?

    Catarina

    28 28UTC Novembro 28UTC 2007 em 15:56

  27. Catarina: eu ausento-me para os lugares do meu espírito onde passo grande parte do meu tempo.

    dissidentex

    28 28UTC Novembro 28UTC 2007 em 21:09

  28. Sim, tudo bem. Mas o mundo continua cá fora e não só temos que viver nele como temos o dever de o melhorar antes de o deixarmos aos nossos filhos. Certo?

    Catarina

    29 29UTC Novembro 29UTC 2007 em 12:31

  29. Catarina: continua mesmo o mundo cá fora?

    Temos mesmo o dever de o melhorar?

    Tendo em conta o estado do mundo começo a duvidar se temos mesmo que fazer essas coisas todas.

    Eu penso que sei como se poderiam fazer umas coisas. Infelizmente também penso que as maior parte das pessoas – pelo menos em Portugal- quer mudanças mas não quer fazer absolutamente nada para que existam mudanças.

    Apenas esperam que as coisas mudem. Por artes mágicas.

    Depois as coisas não mudam, ou quando mudam é para pior.

    Deveremos aceitar “o dever” de deixarmos um mundo melhor para filhos, rodeados por uma mentalidade desta como a que acabo de descrever?

    Não é esse dever um “fardo” demasiado “Superego” que nos ataca com ordens impossíveis de cumprir?

    dissidentex

    29 29UTC Novembro 29UTC 2007 em 13:10

  30. Pronto, então é aqui que vamos cada qual por seu caminho.
    «Deveremos aceitar “o dever” de deixarmos um mundo melhor para filhos, rodeados por uma mentalidade desta como a que acabo de descrever?

    Não é esse dever um “fardo” demasiado “Superego” que nos ataca com ordens impossíveis de cumprir?»

    Eu continuo a achar que sim, que temos mesmo esse dever. E trabalho para cumprir o meu. Esforço-me por educar bem as minhas filhas e por fazer alguma diferença positiva nas vidas dos muitos alunos que me passam pelas mãos. esforço-me por nunca ceder perante as coisas que me ofendem e me afrontam. É por isso que insisto em escrever o meu descosido blogue, em preparar as minhas aulas, em continuar a ensinar gramática, em obrigar os meus meninos a pensarem e a não engolirem passivamente tudo o que lhes metem pela boca abaixo. Às vezes consigo, outras não, mas não desisto… Se calhar, sou parva… mas sentir-me-ia muito mal se agisse de outra forma.

    Catarina

    3 03UTC Dezembro 03UTC 2007 em 20:10

  31. “”"…mas sentir-me-ia muito mal se agisse de outra forma.”"”

    Pois, sofremos os dois do mesmo problema… o que é que se há-de fazer…

    dissidentex

    3 03UTC Dezembro 03UTC 2007 em 20:36


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