TONY BLAIR.2.
Continuação do artigo Tony Blair 1.
Hoje: Parte 2/3
No primeiro artigo falou-se de:
- Introdução feita com base num ensaio critico da Revista Marianne, nº 467 -Abril de 2006.
- Ponto 1 descritivo do livro de Phillipe Auclair sobre a visão conservadora de Tatcher e em que isso estava relacionado com o Blairismo.
- A ilusão do Blairismo e as comparações com a França, no ponto 2.
- O desemprego, os funcionários, públicos e a manipulação de estatísticas, no ponto 3.
PONTO 4.
Analise feita por outros a Blair no artigo.
O correspondente da Marianne serve-se de uma citação do filósofo Jamie White (Creio que um neo con, atenção…) – transcrição: «cês mots n´ont aucune signification. Ou, à tout le moins, pas de signification assez claire pour communiquer une information.Mais ils ont un parfum.
Tradução a martelo: “As suas palavras não têm nenhum significado.
Ou, de todas as formas, nenhum significado que seja claro para comunicar uma informação. Mas tem um perfume…”
O correspondente dá 3 exemplos de 3 palavras com “perfume Blairista”. (Em Portugal isto chamou-se, em tempos, «Deus, pátria, família»).
- «objectivos»,
- «progresso»,
- «modernização».

Também Gordon brown é descascado: “Blair et Brown, ou Luis Xiii et Richelieu, chacun entouré de sa coeur, de ses Pére joseph ,dês ses ou dês hommes du Cardinal.”
Tradução a martelo: Blair e Brown, Luis 13 e Richelieu, cada um rodeado da sua corte, dos seus “Pai Joseph”, dos seus mosqueteiros do Rei ou dos homens do Cardeal.
O correspondente da Marianne explica o porquê desta aura.
O (1) excedente orçamental deixado pelos conservadores em 1997 (quando saíram do poder) conjugado com (2) a venda das licenças aos operadores de telemóveis 3G em 2000 (mais “36,2 milliards d`éuros au trésor publique en 2002”) deixaram o blairismo com toneladas de dinheiro suficiente para implementar o seu projecto.
A tudo isto juntou-se uma (3) forte taxa de crescimento (motivado pela saída dos conservadores do poder e (4) pelo efeito psicológico que isso gerou na economia e sociedade) mais a (5) introdução de “stealth taxes (impostos ocultos) aceites sem grande protesto por uma opinião pública que (6) gozava, inebriada, a prosperidade momentânea.
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( Qualquer semelhança com Portugal é outra coincidência; nos anos do Guterrismo, por exemplo, onde isto se passou mediante injecções massivas de consumo e de favorecimento ao consumo no sistema económico, que os bancos comerciais muito agradeceram… (1)(3)(4)(6))
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( nos tempos actuais, com a eliminação de benefícios em certificados de aforro, por exemplo, ou aumentos da Contribuição autárquica mesmo mudando-lhe o nome para “IMI” (imposto municipal sobre imóveis) formas disfarçadas de Impostos ocultos/ Stealth taxes…(5))
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A opinião pública, por via dessa prosperidade ocasional não se rebelou contra os “stealth taxes”. Tudo isto permitiu a Gordon Brown cumprir a sua regra de ouro pessoal de não exceder a divida publica 40% do PIB…).
A surpresa surge, como nota o correspondente, para aqueles que pensam que a Grã-Bretanha seria um pais neoliberal em sentido estrito do termo: demonstra que entre 1997 e 2002, a maioria dos países europeus (os tais que não valem nada e a Grã-Bretanha é que é boa), reduziram – de facto – a sua carga fiscal.
Na Inglaterra essa mesma carga fiscal subiu 1,6%. Tudo isto apoiado, e também suportado, na pratica, por mais admissões de funcionários públicos.
Bem como, por um aumento colossal do défice do orçamento” zero” em 1998, – “ 15 millards d`éuros fin de 2002, trois fois plus un an plus tard”.”
Isto apesar da “mêlange tout personnel d`optimisme …… Dans ses discours de présentation du budget aux communes – de Gordon Brown… - Mistura muito pessoal de optimismo durante o discurso de apresentação do orçamento na câmara dos comuns.
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(Qualquer semelhança com as apresentações do orçamento português, por exemplo, nos últimos 3 anos é coincidência – basta dizer que o último orçamento é feito com cálculos de compra de petróleo a 70 dólares o barril, quando este é efectivamente comprado a mais de 100 dólares o barril… preço de 100 dólares que vai manter-se…ou até ter tendência a subir…(2)(4))
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Tudo isto – re-acrescento – porque Gordon Brown estabeleceu uma regra pessoal que consistia em que o défice do tesouro inglês não excedesse 40% do PIB – ou seja o endividamento do estado não excederia este valor. Mas o valor é – 3 vezes maior após 2002 – ou seja “45 miliiards d`éuros, contra 15 milliards d`éuros fin de 2002, trois fois pluns un an plus tard”…
Ou seja, segundo a lógica das contas da Marianne: 120% do PIB, não 40%.
PONTO 5.
“Martelar” as contas públicas. A contabilidade pública criativa.
No artigo critico da Marianne demonstra-se que, como táctica governativa, existiu sub estimação de receitas e despesas feita pelo então chanceler do tesouro – o Sr. Gordon Brown (actual PM inglês).
Este, desde 2001, subvalorizou sempre a quantidade de dinheiro necessária para pôr de lado visando chegar ao tal valor de 40% do PIB ( conforme explicado no primeiro post) e para manter as receitas e despesas dentro daqueles valores.
O correspondente conclui que nenhuma grande nação industrializada se aproxima deste valor sequer (Não se aproxima porque não “usou” este esquema…).
Cita-se: “… la france, par example, qui accusait un endettement de 1167 miliards déuros en octobre 2005, s`ést donné pour objectif de descendre en dessous de 60% du pib d`íci à 2010”.
Tradução a martelo: “A França, por exemplo, que tem um endividamento de 1167 mil milhões de euros em Outubro de 2005, tem como objectivo fazer descer este valor para menos de 60% do PIB desde hoje até 2010…”
O correspondente da Marianne conclui que toda a Europa pode invejar o Reino Unido (ironia) e gostaria de trocar de lugar, mas essa aparência de prosperidade não se deve às suas finanças públicas embora o pareça.
Isto porque o Sr. Gordon Brown, com o assentimento do gabinete nacional de estatísticas inglês, criou uma maneira de fazer o truque de prestidigitação.
Como? Alterando a maneira de fazer estatísticas para que, de forma efectiva, não fosse possível calcular quantos funcionários públicos teriam entrado no sistema.
Contudo, devido a estas manobras todas de criatividade contabilística, e ao crescimento de funcionários públicos desde 1997 até 2005 isto custa os olhos da cara ao Tesouro inglês, embora esteja “disfarçado”.
Pergunta-se, então, de onde virá o dinheiro para cobrir esta diferença em falta?
Simples.
Das pensões a serem pagas a quem se retirar/reformar do mercado de emprego – ou seja o equivalente a uma descapitalização da segurança social.
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Como a que se pretende efectuar em Portugal, ao sugerir , embora usando outras duas técnicas, que (1) existam pessoas que deixem de descontar para a segurança social pública, ou (2) pretendendo indexar o dinheiro da segurança social a fundos de pensões cotados em bolsa para … “gerar mais receitas… e “profissionalizar a gestão…”
Ninguém diz de onde virá o dinheiro (para quem ficar por não ter alternativas) se existirem massivas saídas do sistema por parte de contribuintes, ou se um fundo de pensões explodir numa bancarrota bolsista…
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Ou seja, o Sr. G. brown “…Est Celui de l`argent que devra prouver l`ètat por prouver lês retraites dês functionaires…” … et que on´a« oublié» de mettre de cotée.
Tradução: Ou seja, o sr Brown “esqueceu-se” de pôr de lado o dinheiro para “repor” esta orgia financeira e descapitalizou as receitas/descontos dos futuros(e antigos) pensionistas e pôs em risco o pagamento de reformas.
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Nota lateral 1:
É um processo em tudo semelhante a, por exemplo, um banco privado (Millenium BCP) comprometer-se a criar um fundo de pensões dos seus funcionários. Após vários anos satisfeito com o fundo, (porque o que tinha de descontar (por de lado) para ele era menor do que os encargos com pensões que tinha com ele) decide não pôr de lado o dinheiro para o prover.
Quando, de repente descobre que existe uma falta enorme, ( devido à política de correr para fora do banco com empregados de idade superior a 45 anos ) e que isso baixará as futuras remunerações dos seus accionistas, propõe ao Estado Português que os seus funcionários passem a “descontar para segurança social pública”, em vez de o fazerem para o “Fundo de pensões do Millenium BCP”.

Dessa forma, o banco comercial deixa de ter de pagar e de repor valores para o seu fundo de pensões dos seus empregados.
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Como aliás estava explicado numa noticia do jornal Público de 10 de Novembro de 2005, assinada pela Jornalista Cristina Ferreira onde o BCP propunha ao Estado que a segurança social absorvesse o fundo de pensões do BCP e dos seus 4 mil trabalhadores. ( isto é, sustentasse o deficit que o banco não proveu a tempo…)



Li o artigo todo.
Fiquei com a sensação que em Inglaterra (e por semelhança em Portugal) o país funcionou melhor com a Direita no Poder! É certo?
M de Mário
3 03UTC Abril 03UTC 2008 em 16:25
M. de Mario: o problema é que não.
Com a direita de Tatcher no poder, só funcionou bem, a acumulação de riqueza para quem já era muito rico e só funcionou bem , as privatizações disfarçadas de venda de licenças para operadores privados actuarem.
O sistema nacional de saúde e o ensino, bem como os transportes públicos ingleses e outros aspectos em geral da vida Britanica passaram a funcionar muito mal, com especial destaque para aumento do desemprego e para uma conflitualidade social tremenda.
Chega Blair.
Em vez de “efectivamente corrigir” o que antes tinha sido mal feito, praticou uma política, em tudo idêntica à anterior mas com os “disfarces ” e com as maquilhagens que os 3 posts explicam nas mais variadas vertentes.
Pior: ele aumentou os problemas embora disfarçando-os.
Só “rebentarão” quando ele já não estiver lá há já algum tempo.
Não se deve pensar que a “direita” governou melhor porque não foi esse o caso.
Só que Blair que teve a oportunidade de “fazer a Inglaterra dar um salto” e não o conseguiu fazer..
Mas a pergunta:
“Fiquei com a sensação que em Inglaterra (e por semelhança em Portugal) o país funcionou melhor com a Direita no Poder!”
É perfeitamente legitima de ser feita e tem cabimento ser feita.
A questão é que Blair praticou uma política que dificilmente foi boa, ou pode ser considerada como sendo de esquerda( e que não se percebe bem o que é que aquilo foi…)
Foi uma coisa lá inventada chamada “terceira via” por uma sociológo chamado anthony giddens que teorizava acerca do mercado e do estado dizendo que era sempre possível conjugar as 3 coisas numa terceira via diferente ” de mercado” e aquilo era uma xaropada do pior.
Cá o senhor Guterres copiou aquilo, com os resultados que se viram
É um bocado complicado explicar a ideia porque tinha que escrever muito e a quente não é bom escrever-se e além disso mete questões económicas.
Mas posso dizer que aquele ” dinheiro todo derivado da política dos conservadores+ mais a venda das licenças de telemóveis proporcionou a Blair fazer a economia inglesa pujante,
ou seja, lançaram “dinheiro” para a economia para aumentarem o consumo.
Isso num primeiro momento gera empregos e gastos das pessoas, mas depois como nunca é controlado , gera uma ressaca pior do que a fase de alegria do lançamento do dinheiro na economia.
Agora eles estão apenas a viver de balões de soro, da imigração que captam , dos investimentos relacionados com os jogos olímpicos e da guerra do Iraque que proporciona o aumento das despesas militares, bem como da ligação aos EUA da economia inglesa.
Mas já se começa a notar os problemas.
A “Inglaterra capitalista e liberal” nacionalizou há coisa de duas semanas um banco que estava prestes a ir à falência.banco northern rock)
Normalmente as nacionalizações são associadas ao partido comunista, mas o actual governo inglês que até passa por ser de esquerda(embora não o sendo , na pratica), e que é um governo bem À direita não teve problemas nenhuns em nacionalizar.
a comissão europeia já lhes abriu um inquérito para apurar esta nacionalização; ou seja, porque é que não deixaram ir o banco à falência.
Isto significa que existem diferenças de facto, entre esquerda e direita, só que não são diferenças lineares e Às vezes existem partidos de esquerda ou de suposta esquerda que fazem políticas completamente encostadas à direita, mas pelo meio, por exemplo, nacionalizam bancos…
dissidentex
3 03UTC Abril 03UTC 2008 em 16:51