A CULPA.
“Chegamos à situação em que nos fazem sentir culpados para que nos vejamos obrigados a sentir-mo-nos na obrigação de pagarmos as dívidas deles e da gerações anteriores, e das posteriores e dos erros deles actuais e futuros e pensados e sonhados”
- Gostava de perceber porque é que os portugueses são especialmente vulneráveis a esta culpabilização, a este assumir de um fardo que não é seu e não se viram para uma verdadeira criação de si, confiante e alegre.
“especialmente vulneráveis a esta culpabilização…”
À propósito desta caixa de comentários
Historicamente, porque é um país com “tradição” nessa área de especialização. Festivais de angústia e sonatas de desespero sempre fizeram parte do caldo de cultura português.
Influência da Igreja católica. Uma religião onde a culpa é sempre omnipresente.
Evolução histórica do país e uma tendência 8/80.
Mas com o peso da história pode-se bem.
——
Após 25 de Abril de 1974, tal aconteceu porque (tem acontecido) a auto nomeada “esquerda” vendeu este discurso desde imediatamente a seguir ao 25 de Abril de 1974. *
Embora com algumas nuances que penso que sucederam. A lógica foi sempre muito simples.
Antes (Salazar) existia o mal absoluto ( o que era verdade…).
Mas depois, os”democratas” trouxeram a luz, o Sol, a liberdade, a democracia, etc e tal e restante parafernália argumentativa.
Aqui importa fazer um pequeno desvio deste tema e da culpa:
A “técnica” usada consistiu em afirmar-se que, com o advento da liberdade e da democracia, etc e tal, por obra e graça divina de uma santo qualquer, o país se iria desenvolver automaticamente, toda a gente recitaria Kant e Hegel ao pequeno almoço sabendo o que significavam ambos, e tudo estaria bem, e o país recuperaria a sua grandeza no concerto das nações.
Os portugueses seriam os mais erectos da Europa e arredores.
No entanto é óbvio e salta imediatamente à vista desarmada, que qualquer planificação estratégica para fomentar o desenvolvimento ( atenção que estou a dizer desenvolvimento, não crescimento, que são duas coisas diferentes) nunca foi feita.
Quando e se alguém, independentemente da sua filiação política, ideológica ou outra questionava isto – este pseudo modelo de desenvolvimento – a partir daí avançava-se para a técnica da culpabilização das pessoas.
Estas novas pessoas culpabilizadas seriam então colocadas numa nova categoria, seriam lançadas no mais vil óprobio possível, em que toda a carga negativa lhes seria associada vinda do antigamente: a de fascistas ou saudosistas do antes, ou pessoas de extrema direita, ou de extrema esquerda, ou radicais ou o que seja que fosse conveniente no momento para alcunhar as pessoas.
E as pessoas, os cidadãos, crentes na sua maior parte em quem julgavam e achavam que os tinha salvo e a cima de tudo a confiarem na “protecção”, naquilo que julgam ser a protecção que retirariam dessas pessoas deixaram-se levar pelo discurso da culpa.
Discurso esse que vinha, como memória próxima, do Salazarismo, e que os democratas de esquerda e de direita, nunca combateram em tempo algum e situação alguma. **
Ou seja, os democratas de esquerda e os de direita, sabedores de que poderiam vir a precisar de explorar essa “fragilidade” que tinha sido sempre produzida quer historicamente, no passado distante, quer no passado recente, isto é, no Salazarismo, em vez de fazerem um corte radical com esses métodos, usaram-nos.
É por isso que esta “ilusão” se mantém. E a “culpa”, como factor de formação profissional e pessoal continua alegremente a ser explorada com todos os requintes e de todas as formas pela suposta classe e elite dirigente.
Precisam dessa predisposição latente nas pessoas, nos portugueses para existirem e parecerem alternativas.
Este “jogo” de culpas e de jogar com as culpas, foi feito quer pela esquerda, quer pela direita políticas.
Na direita percebe-se que o tenham feito, porque, até 1985, nunca aceitaram o jogo democrático de eleições ( excepção aSá Carneiro, mas esse era outra louça…), porque não as ganhavam.
Fim do desvio
Técnicas de culpa – alguns exemplos.
1.
- Vamos alterar as condições laborais para nos aproximarmos do modelo laboral chinês?
- Não, não queremos!
Se os senhores não querem é porque não são de esquerda, são fascistas.
2.
- Vamos impor gravações de dados pessoais e câmaras de vigilância por todo o país, para combater o terrorismo?
- Não, não queremos!
Se os senhores não querem é porque fazem parte da esquerda sectária e anti democrática, anti americana que põe em causa o 25 de Abril de 1974 e gostaria de viver em Cuba.
3.
- Vamos meter o país na Europa à força, não perguntando a ninguém a opinião?
- Não, não queremos!
Se os senhores não querem a Europa, é porque são perigosos nacionalistas de extrema direita e tem a culpa de quererem atrasar o desenvolvimento português que nos foi trazido pela Europa, querendo instituir a ditadura.
É assim e milhares de outros exemplos como este se poderiam dar e que ilustram como as coisas se passam.
Chantagem permanente apoiada em poderosos meios de comunicação social, por sua vez apoiada numa mensagem totalitária de demonização do outro, de constante comparação com o antigamente para
dessa forma,
não resolver os problemas do presente, e para nos condicionar a (quase) todos em nome de uma pseudo esquerda que nos defende; aceitarmos viver numa situação de semi escravos. (Isto é válido também para a maior parte da direita portuguesa…)
É precisamente por este tipo de razões e pela culpa adjacente a elas que nunca se governou bem neste país.
As motivações.
Nunca se tendo governado bem neste país foi necessário deixar viver o partido comunista português.
Acaso se tivesse governado bem ou existisse esse objectivo, as pessoas, os cidadãos, deixariam automaticamente de considerar ser necessário votar no PCP.
Mas não. Como é necessário fomentar – sempre - esta “culpa” latente as coisas são o que são e é necessário que as pessoas se sintam devedoras destes magníficos heróis.
Toda a busca de um herói deve começar com algo que um herói requere: um vilão.
Para existir vilão, deve existir medo nos que serão as potenciais vitimas do vilão auto designado para o efeito.
Se existe um vilão, e as correspondentes vitimas nomeadas para tal, não sentem medo, é necessário instilar-lhes culpa, para que sintam medo.
Estes são os métodos das ditaduras normais e comuns. **
E são os métodos da democracia portuguesa que sempre precisou dos vilões e da culpa a eles associada e da culpa feita sentir a quem não se junta aos “democratas” para lutar contra os vilões.
Essa culpa foi sempre “trabalhada”.
Cito Adolfo Casais Monteiro, nos anos 50:
Pré 25 de Abril de 1974
Página 46.
” Infelizmente, eu não consigo esquecer- eu que tão pobre memória tenho! – as palavras há muitos anos proferidas por um outro alto dignitário da Igreja, o cónego Correia Pinto. Pois disse ele (e não há notícia de que a igreja tivesse condenado as suas declarações) que a humanidade futura seria constituida por «ricos generosos e pobres agradecidos»…”
“…E isto mostra que a responsabilidade da Igreja na instauração do Estado Novo não foi um acidente, mas correspondeu a uma «política» por ela seguida ao longo de muito anos.
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“Tinha eu 18 anos incompletos quando a ditadura se instalou no poder…”
“… Eu tinha grandes discussões com o dono de uma banca, um dos mais activos propagandistas do partido.
Nem ele deixou de o ser, nem eu me «converti». Éramos todos sobretudo adversários dos broncos militares reaccionários, que se tinham apoderado do poder com a conivência tácita de uma grande parte dos políticos, sem terem que disparar um tiro.
Não se falava ainda no »perigo comunista», mas só no perigo que seria a permanência da ditadura.
Conto isto para lembrar que a arma psicológica chamada «anti comunismo » só viria a surgir por obra e graça da própria ditadura, e que não exprimia qualquer problema real da vida política portuguesa.
Embora ilegal, o comunismo não era visto por nós, jovens liberais” … “como um inimigo.”
Página 84
“… Discussão política propriamente não havia. Pelo seu lado, a confusão intencionalmente criada pelos porta vozes intelectuais ( ? ) do governo sobre as tendências de esquerda, todas englobadas sob a cómoda designação de bolchevistas, incluindo as liberais, não podia deixar de criar uma tácita solidariedade entre as vitimas, por mais violentamente se degladiassem – nas prisões por exemplo, numa das quais estive dois meses sem falar ao único companheiro de cela, que era um Estalinista ferrenho e tacanho…
Pagina 85
…Mas acresce também que só falsos oposicionistas poderiam ir na onda do »anti comunismo» artificialmente insuflado pela política e pela imprensa oficial.
E nem vou citar mais:
Disclamer: isto não significa qualquer apoio ao partido comunista da minha parte.
O ponto é outro: é necessária esta culpa de tamanho gigante e estes “inimigos úteis” ( o partido comunista serve como serve o bloco de esquerda…como serve a associação recreativa da Pontinha e Alfornelos caso exista.
O ponto é que se demonstra que os “democratas” utilizam a culpa como arma de arremesso, tal e qual a ditadura o fazia.
O que leva a seguinte questão: acreditam mesmo estas pessoas na democracia?
NOTA: Já agora esclareça-se: o texto de Adolfo Casais Monteiro é escrito, nos anos 50, mas reporta a acontecimentos passados em 1926.
NOTA: nada, mas absolutamente nada do que se está a passar neste país é novo ou original.





Okay, tinha que escrever isto: você é bom! A sério.
Sempre detestei o discurso da culpa. O nosso actual governo «socialista» usa-o muito, é perito nisso e sabe que, em Portugal, aquilo cala fundo. O pessoal não quer «anti-democrático». O pessoal não quer ser «comunista». O pessoal não que ser «fascista». O pessoal vai calando e comendo.
Quer ver um exemplo giro?
No dia 8 de Março, havia 100 000 profes na manifestação.
Ontem, havia… ponha lá uns 200.
Estão zangados com os sindicatos. E então, como estão zangados com os sindicatos, desistem de lutar, para «castigar» os sindicatos. Como os miúdos que se portam mal nas aulas e não estudam para «castigar» o professor ou o pai!
E como de todos os lados continua a vir este tipo de discurso(http://daliteratura.blogspot.com/2008/04/luta-continua.html), defendido até por gente que é, supostamente, inteligente, os professores não querem parecer «anti-avaliação». Está a ver como isto funciona?
Entretanto, vamos todos dançando a caminho do abismo. Não tem a terível sensação de que qualquer coisa de imprevisível e terrível está para rebentar? Não só cá, por todo o lado?
Catarina
29 29UTC Abril 29UTC 2008 em 11:50 am
Catarina: eu não sou bom.
Isto até foi algo atamancado.
O post foi feito da seguinte maneira. Ontem em 5 minutos comecei a escrever na caixa de comentários que dá origem a este post 1/3 dele – parte mais acima.
A partir de determinada altura comecei a ver que já estava a passar para lá do simples comentário e a ser um post.
Depois reescrevi-o em mais 40minutos, fui buscar as transcrições do ACMONTEIRO, e juntei.
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O discurso da culpa:
Por vezes há interesse em atribuir-se culpa ou falar-se de culpa.
O que é portugal se faz é outra coisa. Cria-se uma situação em que as pessoas são sistematicamente condicionadas pela culpa que depois reveste várias formas.
O nosso “governo actual” usa-o muito porque é apenas isso que eles sabem fazer.
E que outra coisa saberiam fazer?
Estas pessoas estão impregnadas de Salazarismo. O que equivale a dizer que estão impregnadas de totalitarismo.
E os métodos da culpa são usados e são os mesmos que os que eram usados no Salazarismo. Nunca deixaram de ser.
E tem- já deixei entrever aqui nos posts sobre a publicidade feita por empresas em escolas uma poderosa agência de comunicação – a trabalhar para eles com pessoas que vem da mesma área e da mesma época que este senhores.
A conjugação disto tudo, com os interesses dos grupos de comunicação social, com a Igreja, com todas as estruturas de poder leva ao que se está a passar: um ataque propagandístico sistemático jogando com simbolos colectivos e de memória para se chegar ao que se necessita de chegar.
Junta-se a isto, a necessidade de continuara fazer subsistir este sistema podre e decadente e corrupto e ir buscar o dinheiro e a motivação à algum lado para isso mesmo.
sabe porque é que eu sei- entre outras coisas que – esta agência de comunicação( e outras ) actuam?
Porque monitorizam-me o blog.Apanhei-os “por acaso e julguei que eram normal.
À 4ºa visita e acima de tudo ao que foram ver fiquei a perceber o jogo que está a ser jogado.
Ora como não gosto de propaganda e de intoxicação vinda de onde vier, retire-se conclusões…
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Profssores: não sei se aqui ou noutros blogs/ caixas de comentários já eu tinha previsto que as coisas iriam suceder assim, não porque seja um génio visionario, mas porque, no pasado as coisas assim sucederam, e porque a ideia foi
“partir a disposição psicológica dos professores”
a contestarem.
E estes cairam na armadilha.
Porque que estava em causa não eram só negociações sobre estatuto da carreira docente, mas sim poder em sentido amplo e restrito.
O que os sindicatos fizeram foi um acordo: nós temos poder – pequeno – e vocês, governo ficam com o resto.
Os professores serão sacrificados.
É uma lógica de negociação marxista leninista de existir o centro vs a periferia, de existir alguém com quem o poder negoceia.
Quando surgem novos jogadores, os existentes, tentam afastar os novos jogadores.
Os novos jogadores estão em assimetria de informação; ou seja sabem menos e tem menos armas negociais que os que já estão dentro do jogo.
É precisamente por isso que devem recusar-se a jogar o jogo nos termos que lhes são propostos; isto é, nos termos que lhes são propostos pelos sindicatos e pelo governo, mais a mais este.
Eu sei que i que vou escrever a seguir parece um cliché para agarrar visitas, mas se a Catarina já tivesse visto ao de leve o que eu vi, a nível de perspectivas para Portugal cientificamente feitas e que no Governo e nos partidos políticos se sabe, a Catarina ficaria de cabelos em Pé.
Eu aos poucos e poucos irei postar aqui, sob uma certa lógica e puxando ligações para outros posts de outros blogs até existir um QUADRO”.
A coisa é aterradora.
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Quanto aos profs a ideia é rapidamente afastarem-se dos sindicatos e fazerem uma rede de associações.
Quanto ao daliteratura é um militante do PS.
Não vale a pena com os militantes do PS. Estão cegos e julgam que esta pequena borrasca irá desaparece daqui a uns tempos, sem perceberem que se estãoa começar a transformar em cópias dos militantes do PCP.
Repare,s e algum lesse isto, imediatamente responderia invocando a minha culpa,os meus hipotéticos sentimentos pró fascistas, ou pro comunistas ou pró qualquer outra coisa, porque estão com o chip programado daquela maneira e não sai mais nada.
Arrotos acerca da liberdade e da democracia e mais não sei quê.
Mas concretamente como se efectiva a liberdade e a democracia?
Não sabem dizer.
dissidentex
29 29UTC Abril 29UTC 2008 em 12:31 pm
«Estão cegos e julgam que esta pequena borrasca irá desaparece daqui a uns tempos, sem perceberem que se estão a começar a transformar em cópias dos militantes do PCP.» A gaita é que estes estão no Governo com um espertalhão à frente. Palpita-me que ainda vamos ter que os gramar por muito tempo – e eu, embora deposite alguma confiança na ciência (assim, em geral) tenho cá para mim que Portugal nunca corresponderá a previsões científicas. O mais certo é a coisa sair muito pior do que se previa… e já nada me deixa os cabelos em pé. Perdi essa capacidade quando comecei a dar aulas na Secundária do Alto da Damaia – aquela escola que fica no meio do bairro da Cova da Moura e que foi onde me estreei como profe, vai para 24 anos (tantos como os que tinha na altura, curioso!).
Ah, e acho que você é mesmo bom. Não me referia tanto à escrita – é verdade que, às vezes, a coisa sai rascunhada, mas na capacidade de apresentar as questões e de as relacionar. É uma arte que, em Portugal, eu julgava perdida… não são favores, nem elogios gratuitos (aliás, o que ganhava eu com isso? he, he,he!) é mesmo a minha opinião. Falando no calão profissional, se fosse meu aluno, era aluno de 5.
Catarina
29 29UTC Abril 29UTC 2008 em 1:16 pm
Catarina: então conhecemos-nos…
Quanto ao assunto do estarem no governo, existe um travão à vista: 2013.
A partir daí a Europa irá navegar para o centro da mesma, e os fundos estruturais terminam, tem essa data marcada para terminarem.
Depois quero ver como se vão explicar as coisas a uma população que irá, de repente descobrir, a frio que andou a ser enganada de forma brutal.
É aliás por isso que agora existem os discursos cheios de preocupação com os jovens precisamente porque muitos ” jovens ” já perceberam e saem.
E esta elite corrupta que aposta na culpa, está a começar a ficar com medo porque está deixar de ter pessoas dispostas a sustentar o actual estado das coisas.
Hoje saiu qualquer coisa propagandista acerca da descida do desemprego.
Estas notícias tem que ser relacionadas com a saída de pessoas de Portugal que são bastantes, com a saída de imigrantes , com a não colocação nas listas de desempregados de pessoas que o são, mas não são consideradas como tal.
Isto são “notícias” para criar a ilusão.
Nos próximos anos as ilusões serão todas aumentadas até à quinta essência.
Os resultados serão todos maus e mascarados.
Depois o sistema implode , com nacionalistas de extrema direita a tentarem ocupar o espaço e os “democratas” a jogarem a cartada da culpa para que o “povo” se ponha por detrás deles a lutar contra a ameaça que aí vem.
Nada disto é, obviamente, uma solução, mas é apenas isto que se sabe fazer.
dissidentex
29 29UTC Abril 29UTC 2008 em 1:41 pm
Tem razão. Nas palavras do imortal Eça, resta-nos ir «combatendo o bom combate». Mas confesso que, de quando em vez, me sinto a pregar aos peixes e no deserto. E eu tenho aquele óbice de muitas mulheres: filhos. As mães têm aquela coisa chata de querer que os filhos estejam bem, alimentados, em segurança… as que têm, claro! 2013, diz você? Espero estar cá para ver, mas cuido que o que haverá para ver não será nada que eu gostasse mesmo dever, se é que me faço entender…
E vou-me. Arranjei hoje, nem sei como, uma tarde livre e vou aproveitá-la – tenho que procurar uns pemas para dar aos meus pequenotes do 7º e do 8º ano, que o que vem nos manuais é de uma indigência…! Até um dia destes, hoje ou amanhã, que eu não me aguento muito tempo longe..
Catarina
29 29UTC Abril 29UTC 2008 em 1:54 pm
Muito bem! Infelizmente nem a malta vê o óbvio nem os políticos se interessam por explicar a história ou sequer em falar dela com muita vontade.
Se mais pessoas lessem “livros maçudos” (e a expressão não é minha mas de um jovem) se calhar este estado de coisas não existia tanto.
Mário da Silva
29 29UTC Abril 29UTC 2008 em 2:01 pm
Mário: a questão não está só em ler uns livros maçudos.
Interessa é o que se lê.
E actualmente em Portugal a maior parte do que foi editado e é editado não vale nada.Não passa de pura propaganda.
Catarina: pregar aos peixes e ao deserto… Pois..
Mas o problema é que desta vez é um deserto à sério.
dissidentex
29 29UTC Abril 29UTC 2008 em 2:16 pm
É difícil convencer um indivíduo sobre o que ele não quer, mas muito fácil é converter uma multidão em seguidores acéfalos. A culpa e o medo estão transcritos em Maquiavel, pelo que, como diz muito bem, nada é inventado ou novo, apenas usado em benefício de quem está no poder.
Não me parece que esta gente vá acordar e como diz a Catarina, quem tem filhos vê-se perscrutando o horizonte em busca de saídas que não existem. A angústia é muita, pelo presente, mas essencialmente pelo futuro.
abraço
GMaciel
29 29UTC Abril 29UTC 2008 em 2:20 pm
Primeiro, aprecio o seu sentido de humor, muito negro, dado o assunto em questão, que, diga-se de passagem, me interessa há muito. Achei interessantes os pontos de reflexão que levantou e a forma como discorreu sobre a culpa, o medo e a manipulação totalitária, tão bem aproveitada à esquerda e á direita pelos “vampiros”.
As citações de Adolfo Casais Monteiro são verdadeiramente preciosas, pela luz que deitam sobre a questão e as suas raízes, no tempo do Estado Novo e no nosso (embora pense que elas são mais antigas ainda).
Concordo que se trata do poder, ou melhor, da espinha quebrada durante longos (longuíssimos) anos e que levou a entranhamento de comportamentos de submissão, a sentimentos de tristeza, inferioridade, até de auto-inferiorização e auto-negação.
Em relação aos professores, houve um esmorecimento mas o desprezo pelas políticas destrutivas do ME, pela medíocre estatura intelectual / ideológica/”comportamental” da ministra, da sua equipa e do seu chefe é tal, que dará força para continuar a fazer-lhes frente, bem como aos pensadores menores, de ideias gerais, que por aí gravitam e opinam. A notícia do dia (de hoje) é a fanfarra sobre a tal educação para a publicidade que o Dissidente x tinha mencionado aqui, há tempos.
Teria gostado muito que se tivessem criado as condições para que muitos pudéssemos falar de Kant e Hegel, ao pequeno-almoço e sobretudo se soubesse muito bem o que significam cada um deles. Isso quereria dizer que teríamos tido possibilidades navegar, em horizontes muito mais largos.
O que o presente nos pode trazer é a oportunidade de nos livramos do chip, para podermos ver e actuar na realidade de outra forma, antes que seja muito tarde.
A
29 29UTC Abril 29UTC 2008 em 7:18 pm
Gmaciel: a angústia é muita, mas vai servir para as pessoas abrirem os olhos.
A: vamos a ver se as pessoas se conseguem livrar do chip ou melhor se o querem fazer. Penso que o estão a querer fazer, mas ainda não chega.
dissidentex
30 30UTC Abril 30UTC 2008 em 11:57 am
“Penso que o estão a querer fazer, mas ainda não chega.”
Não ando muito optimista. A vida tem-me ensinado a não acreditar em grandes coisas repentinas e miraculosas.
A
30 30UTC Abril 30UTC 2008 em 4:50 pm
A: também não ando muito optimista.
As pessoas em Portugal querem “revolução sem revolução.”
O que faz com que se torne dificil existirem mudanças , porque ninguém está muito disposto a abandonar aquilo que ainda é o conforto, para mudar certas coisas.
Mudanças miraculosas é claro que não.
O meu ponto é outro: creio que no fim de semana o senhor António Costa disse que era uma pessoa de esquerda, mas quando se chega a uma posição de governo é muito complicado ou difícil fazer políticas de esquerda, que há limites.
Então, qual é o interesse em votar, por exemplo, nestas pessoas?
Isto afinal é só retórica?
dissidentex
30 30UTC Abril 30UTC 2008 em 5:06 pm
Agora que releio este texto, ele faz ainda mais sentido que na data em que foi publicado neste blogue. Parabens pelo post!
sabine77
14 14UTC Junho 14UTC 2009 em 11:53 am