UTOPIA.
Existem dois sentidos ( “oficiais”) de utopia.
(1) Um é a noção de sociedade como sendo uma “sociedade perfeita” – a harmonia perfeita.
Precisamente, pela existência (fictícia) dessa característica de perfeição, desejamos e sonhamos alcança-la. Quer individualmente, quer numa outra dimensão – a colectiva.
O mundo é visto como algo cheio de harmonia e beleza que deverá ser desejado ser alcançado por todos; mesmo que tal seja impossível mas ao qual, na mesma, tentaremos chegar.
Esta noção era “próxima” da utopia comunista.
(2) Outra noção é a utopia capitalista.
A utopia capitalista é uma tentativa de superação pela oferta de um “produto” novo que é apresentado como superação da utopia da sociedade perfeita.
Para se superar uma utopia perfeita baseada numa sociedade harmoniosa que falhou é necessário nesta nova utopia capitalista que “existam” desejos não satisfeitos. Como estão no estado de, “não satisfeitos”, esta Utopia irá encarregar-se de os satisfazer. Esses desejos tem de ser e são apresentados como “estando numa dimensão dos desejos perversos e proibidos.”
Enquanto cidadãos, organizados tendencialmente de forma gregária, todos nós somos não só encorajados a desejar satisfazer esses desejos “perversos e proibidos”, como somos colocados sob uma espécie de ditadura que nos comanda visando fazer-nos aceitar que existe uma “ética correcta”( um comportamento aceitável) para satisfazer esses desejos perversos e proibidos e que essa é a única conduta aceitável e possível para sermos guiados para a satisfação desses desejos.
Somos ensinados a desejar e a desejar satisfazer o que somos ensinados a desejar.
Nenhuma das duas dimensões é a verdadeira utopia. Nenhuma delas é o conceito verdadeiro de Utopia.
A verdadeira utopia apresenta-se-nos quando uma situação é impossível de resolver dentro do que são as delimitações possíveis existentes e que conhecemos (é do nosso conhecimento) para a podermos resolver.
Escrito de outra maneira, os dados de um problema que são colocados ao nosso dispor para resolver algo ou alguma situação apresentam-se e mostram-nos que isso é uma uma real impossibilidade.
Tomando nós consciência disso, o nosso pensamento avança até à utopia, a verdadeira. ( Não para a “sociedade harmoniosa”, ou para a “sociedade de desejos perversos e proibidos programados”)
(Imagem retirada daqui)
Essa utopia verdadeira é algo que nos força a tentar criar um novo espaço ( mental ou físico) para lidarmos e resolvermos um qualquer problema utópico e difícil de resolver.
Essa utopia verdadeira não nos diz que existe um mundo perfeito e harmonioso onde tudo corre bem.
E também não nos diz que existe um mundo de desejos proibidos que eliminaremos ou alcançaremos pela simples aquisição de bens apresentados como proibidos ou perversos.
Do ponto de vista político, social, económico é da “utopia verdadeira” que precisamos hoje. Um novo espaço, a criação e materialização de um novo espaço. Que transcenda as falsas utopias.
♦ Ter os pés assentes na terra. Olhar a realidade. Perceber como mudá-la através de acções simples mas eficazes.
√ A “sociedade perfeita e ordenada”, nos dias de hoje, defendida de uma certa forma argumentativa, nada mais é do que um apelo ao totalitarismo (agora já não o “comunismo” mas apresentando alguns traços dele…).
√ O “capitalismo”, a “economia de mercado”, a “nova economia”, a “sociedade digitalizada”, a “2.0 qualquer coisa e os outros duzentos mil slogans do mesmo estilo com que somos constantemente atacados, nada mais são do que “novos argumentos de venda”, novos truques de mercado da utopia capitalista, da utopia dos desejos pretensamente proibidos e perversos, que deveremos satisfazer e desejar satisfazer.
♦ Daí a falha. Após satisfazermos a(s) falsa(s) utopia(s), sobrevem sempre a sensação de vazio. O problema mantém-se.


Mário: o sr Alexandre soares santos apesar de ser um relativamente bom empresário deveria era estar calado .
A organização de trabalho dos Pingo Doce e aquilo que ele paga aos funcionários deveriam fazê-lo estar era calado.
E nessa do rombo não acredito.
Para ele que tem 16% de quota de mercado era um rombo e para a Sonae que tem 34% era o quê?
Choradinhos de donos de hipermercados? Ora batatas.
Ele não tem qualquer autoridade ou moralidade para, quando é para fechar, dizer TODO O COMÉRCIO.
Utilizar essa expressão.
TODO O COMÉRCIO não é igual ao dele. Ele está afalar de quê?
Das lojas de bairro ou dos Lidl e Minipreço que são a pedra do sapato? Ou dos continente?
Mas quer-se comparar um café ou outro tipo de loja com os custo que tem, com um hipermercado ou um supermercado, mesmo os dele?
E mais ainda com o que tu dizes acerca da Polónia.
Eu NÃO TENHO PENA NENHUMA NEM SIMPATIA NENHUMA por donos portugueses de hipermercados que já tem o negócio tão diversificado , e que exigem aberturas aos sábado e ao domingo.
E que ameaçam ir embora.
Mas eles já o estão a fazer!
Portanto não há que lhes dar aberturas a sábados e a domingos.
Isto é um erro completo das pessoas que julgam que esta gente querem isto para investirem em Portugal e isso não é verdade.
Eles já acham o mercado português maduro e não tencionam investir aqui muito mais.
dissidentex
03/05/2008 em 21:13
Para quem quiser ver e ouvir.
Mário da Silva
03/05/2008 em 16:46
Por acaso ouvi o Alexandre Santos na TV (e concordei com muito do que disse) e ele afirmou que se o Pingo Doce fechasse ao Domingo seria um rombo incomportável para a empresa, e eu acredito que sim se olhado dessa forma simplista.
E ele até disse, com alguma piada, que os seus acionista o matavam por expressar a sua opinião em relação à pergunta se o comércio devia estar todo fechado ao Domingo, que ele achava pessoalmente que sim. Que o Domingo devia ser para a família.
Faltou foi afirmar, e em linha com esta sua convicção, que se todo o comércio, TODO, fechasse ao Domingo os prejuízos seriam ZERO já que as pessoas teriam de ir a outras horas.
Ele disse, aliás, que a maior parte do negócio fora do Domingo, nos seus espaços é feito entre a 21h e as 23h dos dias de semana.
Se o problema for esse deixem os hipermercados e o restante comércio abrir até às 23:30h e fechem-no TODO ao Domingo.
Outra conclusão triste foi a de que para a Jerónimo Martins o mercado da Polónia já representa hoje cerca de 60% do negócio do grupo.
Mário da Silva
03/05/2008 em 15:40
Mário: os analistas económicos dizem o que bem entenderem na altura em que em entenderem dizê-lo.
Pessoalmente, e embora por outro tipo de razões até discordo que os Hipermercados abram ao sábado, quanto mais ao domingo.
Do ponto de vista de uma sociedade saudável era por aí que se deveria ir.
E aposto dinheiro que os hipermercados ganhariam mais dinheiro ou pelo menos teriam mais lucro se fechassem ao sábado e domingo e nesses dias por exemplo, utilizassem o mecanismo das compras e vendas online para fazerem negócio.
No entanto é algo complicado fazer com que retardados das ideias – que os dos hipermercados são idênticos aos das mercearias não haja ilusões – abram o espírito.
Isto é muito engraçado a história dos hipermercados abertos mas nunca se fala dos custos para o resto da sociedade pelo facto de eles estarem abertos.
Além disso são entidades desonestas, porque o simples facto de andarem a patrocinar uma petição para pedir a abertura aos domingos usando os métodos que usaram não atesta nada em relação à suposta melhor capacidade de fazer negócios.
Se acham que são melhores, não recorriam a métodos sujos e de escroques como recorreram.
Quanto ao comércio local, concordo com a centrais de compras.
Só que as pessoas não entendem isso, e além disso temem perder o controlo da sua própria empresa.
Agora que fazem erros gigantes, lá isso fazem. Um dos maiores erros do comércio local é ir comprar produtos para venda ao público a Hipermercados.
Na pratica estão a alimentar concorrentes.
Dizes-me ainda tu que em Portugal a utopia passa pela mudança de mentalidades.
Pois passa. Mas quem tem extremo interesse em que elas não mudem, por exemplo, são os donos do hipermercados, que fazem tudo e querem acima de tudo consumidores apáticos e a pensarem como actualmente pensam.
Daí lhes interessar que o comercio local seja assim, como é.
dissidentex
01/05/2008 em 11:35
[...] PETRÓLEO, PORTUGAL, UTOPIA, Uncategorized by dissidentex em Maio 1st, 2008 No artigo “UTOPIA“, escrevi o [...]
MAIS GASOLINA - A UTOPIA É REALIDADE. « DISSIDENTE-X
01/05/2008 em 11:23
[...] Segundo certos Dissidentes… [...]
is there a reason for this blog?™ :: Utopias :: April :: 2008
30/04/2008 em 19:16
Embora discorde liminar-me com a maior parte — e com a forma — do que foi dito no outro dia por um senhor analista económico na RTP sorbe a questão da abertura dos hipermercados aos Domingos e sobre o Comércio Local tenho de concordar com algumas coisas que foram ditas.
O Comércio Local precisa de mudar e oferecer aquilo que a Grande Distribuição não pode dar: atendimento personalizado, produtos de qualidade diferenciada, serviços alternativos.
O Comércio Local precisa também de se associar não para defender reinvidicações mas sim para criar capacidade de negociação com os fornecedores e para criar campanhas de marketing.
Há uns largos anos atrás estive ligado a um projecto numa área que tem bastantes custos em certas matérias primas. O projecto consistia em criar uma Central de Compras para um conjunto de empresas do nicho de negócio. Isto iria permitir ganhos na área dos 20% na aquisição de materia prima.
Resultado: nada se fez de concreto. O individualismo tacanho destes empresários fê-los desperdiçar completamente esta oportunidade.
O mentor do projecto, uma grande empresa do sector, fez a sua própria centra de compras e conseguiu, só para as suas empresas, reduzir os custos em 15%.
Em Portugal as “utopias” também passam pela mudança das mentalidades e isso passa muito pelo desistir de enriquecer já e agora, do individualismo e do espírito de merceeiro-de-lápis-atrás-da-orelha.
Veja-se outro exemplo nas tascas portuguesas (em vias de extinção) e das tascas espanholas. É a mentalidade, caro D-X.
Mário da Silva
30/04/2008 em 19:03
o conceito de utopia a que te referes foi magistralmente expresso pelo poeta antónio gedeão no seu poema pedra filosofal.
sarahfranco
30/04/2008 em 18:40
A: a ideia original não é minha. É no entanto um trabalho árduo que a maior parte das pessoas não só nem conhece a sua existência ai nível do pensamento como não está interessado.
Pensar em utopias e auto conhecimento? nah…
Mário: sobre a notícia Microsoft é perceptível o que aí está, mas não é só a Microsoft que está por detrás disso mas sim o governo americano.
Quanto ao resto dos hipermercados eu sei que é assim, as técnicas de chantagem com os fornecedores.
E quando chega às técnicas de negociação ainda mais.
dissidentex
30/04/2008 em 17:03
“A verdadeira utopia apresenta-se-nos quando uma situação é impossível de resolver dentro do que são as delimitações possíveis existentes e que conhecemos (é do nosso conhecimento) para a podermos resolver”
Com franqueza, Dissidente x, propõe o trabalho árduo como forma de construir a utopia!
O pior é que também acho que a criação a este nível é a única forma de preencher o vazio. Gostei muito desta visão.
A
30/04/2008 em 16:45
Hoje mandaram-me um link para uma notícia interessante que passou quase despercebida. Passei parte para aqui. Não tem a vêr com o artigo supra mas faz pensar onde andam essas “utopias”.
“As prateleiras de supermercado estão ainda algo mais arranjadas do que só para se chegar à comida.” – d-x
Claro! Quem já tenha trabalhado alguma vez com a distribuição sabe que tudo tem um preço. A prateleira ao nível dos olhos; o destaque em área própria ou com etiqueta na prateleira; a inserção nos folhetos; o ser uma promoção ou não.
E com os prazos de pagamento a fornecedores a rondar os seis meses o lucro é bastante razoável.
Tudo é pago de uma forma ou de outra, a maior parte das vezes é gratuito se o fornecedor for paciente no receber; caso contrário eles começam a fazer as contas ao que lhes devemos, e garanto-vos que não compensa de todo.
E é mesmo assim e não é nenhuma “teoria da conspiração”.
Mário da Silva
30/04/2008 em 15:55
Catarina: os programas especiais feitos por empresas visam explicar que o principal objectivo da publicidade explicada por essas empresas é Levar-nos a comprar coisas que são dessas empresas mesmo que não as queiramos adquirir, em vez de adquirirmos de empresas que não estão na escola a dar publicidade por encomenda, e que nós não precisamos das coisas que as empresas que não estão nas escolas.
As prateleiras de supermercado estão ainda algo masi arranjadas do que só para se chegar à comida.
dissidentex
30/04/2008 em 14:50
Por algum motivo o significado correcto de Utopia é «lugar nenhum».
– explico-lhes que o principal objectivo da publicidade é levar-nos a comprar coisas que não queremos e das quais não precisamos, com dinheiro que não temos. Explico-lhes que cada campanha publicitária é feita em várias etapas – 1ª Criar uma necessidade que não existe; 2ª Mostrar que nunca seremos fixes, amados, dignos de sucesso se não tivermos «aquilo»; 3ª – Mostrar-nos que já toda a gente tem «aquilo».
Quando dou aulas sobre publicidade aos meus pequenitos – e dou-as há muitos anos, sem precisar de programas especiais feitos por empresas
Explico-lhes como os supermercados são arranjados de tal forma que somos obrigados a passar pelas prateleiras das coisas atraentes e inúteis para chegarmos – com o carrinho cheio e a bolsa vazia – às prateleiras da comida.
Ensino-lhes os truques para resistir. Ensino-lhes a diferença entre o que é necessário e o que nos agrada. Mostro-lhes como a virtude está no meio termo: não precisamos de nos privar sistematicamente do que nos dá prazer, nem precisamos de comprar tudo o que aparece. Devo dizer que quem mais trabalha «contra» mim são os pais que nem os deixam desejar as coisas, compram-lhas logo, mesmo antes de eles as quererem.
Enfim, faço o que posso (infelizmente, cada vez me deixam poder menos!) para mostrar aos miúdos que me caiem nas mãos que se se sentirem infelizes, não são as compras que lhes trarão felicidade. Que a felicidade está mais em aprendermos a viver com o que temos do que em desejar sistematicamente o que não temos. Às vezes consigo, outras não…
Catarina
30/04/2008 em 13:53