DISSIDENTE-X

POLÍTICA - E NOVOS PROJECTOS

Publicado em DEMOCRACIA VS DITADURA, POLÍTICA by dissidentex em Maio 9th, 2008

Existe uma corrente( voluntariosa) que diz “intelectuais de nova geração, uni-vos”- se não quereis ser esmagados pela mediocridade e pelo caos reinante. A corrente diz (também com verve), que é preciso algo mais do que só despejar veneno acerca do estado das coisas (penitenciando-se o próprio) e não estar numa onda de resignação ou comodismo permanente.

Reorientando este texto, vou citar a personagem interpretada pela actriz Glenn Close/condessa de Merteuil, no filme “Ligações Perigosas” baseado no livro do escritor Choderlos de Laclos. A dada altura a Condessa diz a propósito de outro personagem do filme «o Cavaleiro Danceny» o seguinte: “Danceny como todos os intelectuais é intensamente estúpido”.

  • Significa isto no contexto do filme que o intelectual Danceny não estava ver o óbvio.
  • Não significa isto que eu estou a chamar estúpido ao proponente da corrente ” Intelectuais,uni-vos.”

Apesar de existirem (alguns) intelectuais que não são intensamente estúpidos devemos partir do princípio que não é esse o caso generalizado em Portugal.

Logo, como “confiar” em qualquer corrente ou grupo de intelectuais que pretendam fazer uma “Fronda”, se a experiência demonstra que, quase todos, historicamente, são intensamente estúpidos e mal preparados?

Que tem pouca ou nenhuma cultura histórica e que apenas emprenham pelos ouvidos de ideias importadas directamente do estrangeiro?

Este é desde logo o principal problema de qualquer “corrente” política aqui.

Essa fronda de intelectuais, ou corrente, apesar de tudo, permite (deverá permitir) sonhar com a construção de novos horizontes. E desses novos horizontes nascerá a mudança social, política e económica que de que este país carece.

Crítica: para se criarem novos horizontes, é necessário afastar pessoas que ocupam os velhos horizontes.

Problema: Essas pessoas recusam sair pelo seu próprio pé; antes pelo contrário agarram-se cada vez mais ao poder, seja qual for a forma em que este é entendido.

Método: Como não se pode fazer uma revolução sangrenta, porque não é fino, não tem estilo, as ruas ficam sujas de sangue, e além disso cheira demasiado a comunismo ou a esquerdismo jacobinista ( deverá ser quando as pessoas estiverem em estado de escravatura que alguém, eventualmente, talvez, comece a pensar que talvez se tenha que usar a força…para aí deixar de ser considerado como não tendo estilo…), então devemos apontar para existir a ideia de mudança, através de um projecto político.

Mais crítica: para se fazer um projecto político sério, é necessário abandonar ideias “estrangeiras” - é um imperativo neste momento para Portugal, desligar-se o máximo que se puder de certas influências. Isto significa que deverá fazer-se um afastamento, um corte claro.

* Mas as condições desse afastamento deverão ser, (1) não de tipo Salazarista, (2) deverão basear-se na criação de condições democráticas reais, (3) não cair nos esquerdismos tipo PCP ou BE, (4) recusar posição aos grupos de amigos PS/PSD e (5) afastar os cds-pp e restantes forças que nada representam, (6) impedir qualquer influência do poder económico.

Afastar tudo.

Habituada toda uma população a ” referências ” e a “marcas comerciais políticas” que já conhece, porque terá êxito - agora - uma marca nova? Porque terá êxito uma Fronda de intelectuais que proporá uma «posição» nova, que substituirá com vantagem, pressupõe-se, o que existe?

Quais são as garantias disto?

Porque é feita por intelectuais que não querem ser engolidos?

Cito em baixo uma caixa de comentários a contrariar parcialmente estas criticas.

Dissidente,

eu penso que já te disse isso mas por essa lógica só há 3 hipóteses, nenhuma delas agradável:

1) Cometer suicídio.
2) Assassinar a classe política, económica e intelectual em massa.
3) Ir para fora e não voltar e dar o país como perdido.

Não me parece que nenhuma seja razoável.

Daí a minha resposta: A quarta hipótese é continuarmos com este sistema em que todos se desgastam uns aos outros, criando um ambiente irrespirável.

Será esse o sistema político português a vigorar.

A razão pela qual será esse a vigorar é a seguinte.

A maior parte das pessoas não está, nem sequer minimamente, disposta a abandonar o conforto - a zona de conforto - em que vive e disposta a fazer algo - o mínimo que seja, para contestar o actual estado de coisas. Correndo o risco de ser acusado de marxismo diria que o vídeo gravador e a maquina de lavar venceram sobre a necessidade de as pessoas se baterem através de acções concretas contra um certo estado de coisas.

Acções concretas que não passem pelo acto inútil de ir votar.

* Uma vez que não se quer ou pode fazer o que está exposto lá mais acima.

Pré nota lateral: Quem faz o jogo argumentativo de exigir mudança e depois, nem sequer ao nível de uma debate de caixa de comentários trata em pé de igualdade, respondendo a comentários baseado nessa mesma lógica, antes tentando colocar-se num ponto e numa distância superior, tentando criar “plataformas” em que so comentadores estarão em planos diferentes perde imediatamente a credibilidade.

Pré nota lateral 2: existe uma coisa que se chama Double Speech. Com conhecidos ou amigos diz-se algo muito menos polémico do que se diz noutros sítios, sítios esses onde o radicalismo e a a abertamente demonstrada hostilidade à democracia são explanados com todo o vigor. Depois existem os sítios Inbetween onde se oscila e se flutua, usando o dono do sítio como cobertura para fazer isso mesmo.

O dono do sítio que sabe que eu sou um casca grossa com muitos defeitos, também sabe que normalmente digo o que penso, e também sabe que nada deste artigo é contra o dono do sítio; só uma chamada de atenção ao dono do sítio para o facto de que eu não ando a tentar convencer ninguém a embarcar em projectos políticos, não ando a recrutar conspiradores.

O dono do sítio é um rapaz inteligente; percebe isto.

Nota lateral:

O discurso dos que discordam do funcionamento em rede porque isso era “cacofonia” e multiplicidade de ideias é o discurso idêntico aos que defendiam a ditadura Salazarista, especificamente e também, o próprio, clamando contra a desordem que uma multiplicidade de vozes e ideias geraria - assim justificando que só uma voz falasse.

Também é o discurso dos que aspiram a chegar ao poder sem terem que combater o mínimo que seja, para lá chegar - esperam que outros lhes aplainem o caminho - e uma vez lá chegados, receberem o poder «intacto» sem mossas ou danos de qualquer espécie.

Podendo assim começar do zero e vender a ilusão de uma nova era que - imagine-se só - começou precisamente quando estas pessoas chegaram ao poder.

E também é o discurso dos que pretendem « atrair para a sua esfera de influência» pessoas interessadas em projectos políticos novos e sérios, mas não o parecendo estar a fazer, isto é, não parecendo estar a atrair as pessoas interessadas em projectos políticos novos e sérios para a sua esfera de influência.

21 Responses to 'POLÍTICA - E NOVOS PROJECTOS'

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  1. A said, on Maio 10th, 2008 at 8:03

    Estou a achar interessante o caminho que (imagino?) que o dissidente está a seguir, na sua nota lateral:

    “O discurso dos que discordam do funcionamento em rede porque isso era “cacofonia” e multiplicidade de ideias…”

    “Também é o discurso dos que aspiram a chegar ao poder sem terem que combater o mínimo que seja, para lá chegar - esperam que outros lhes aplainem o caminho - e uma vez lá chegados, receberem o poder «intacto» sem mossas ou danos de qualquer espécie…”

    Vejo isto como uma saída das vias conhecidas e uma construção mais arriscada, porque aponta para combate e partilha de poder, na multiplicidade, quiçá na cacafonia. Tem pelo menos uma vantagem: implica imanência, ou seja, obriga a olhar mais de frente para a realidade que é de facto muito miscigenada .

  2. dissidentex said, on Maio 10th, 2008 at 9:37

    A: não estou interessado em formar partidos políticos ou movimentos políticos emanados de mim.

    O post é um recado ao Fontela acerca e relacionado com as pessoas que pairam à volta dele.

    Quando se lê as pessoas (algumas) que pairam à volta dele a escreverem francamente o que pensam em blogs, e eu conheço alguns dos blogs onde essas pessoas pairam é sempre a apologia do Salazarismo e do culto do chefe, a defesa da Igreja católica e a demonização dos muçulmanos, as criticas ao Bloco de esquerda, mas totalmente erradas como criticas,(isto é deveriam ser outro tipo de criticas a ser feitas) etc, que se vê destas pessoas.

    Quando se trata de produzir coisas agradáveis para certas pessoas ouvirem o discurso torna-se subitamente doce, democrático e preocupado coma democracia.
    Afinal em que é que ficamos?

    Além disso não partilho do entusiasmo do Fontela, que acha que um movimento político sério irá mudar as coisas. Pela simples razão que já no inicio dos anos 90 eu vi a mesma situação que acontece agora e pessoas insatisfeitas e os problemas nem de perto nem de longe estavam como estão agora e já na altura o mesmo estilo de parasitas e de sabotadores do sistema político estava activo e impedia qualquer movimento de cidadania ou de mudança.

    Estas pessoas preferem que o país vá ao fundo a terem que mudar algo.

  3. Pedro Fontela said, on Maio 10th, 2008 at 1:44

    Li e estou a pensar dissidente, assim que tiver oportunidade respondo a isto que dizes de forma decente.

  4. dissidentex said, on Maio 10th, 2008 at 1:51

    Fontela: não percebi.
    leste e estás a pensar dissidente isto é de forma dissidente, ou não?

    ou respondes a isto de forma decente ou dissidente?

    Precisão terminológica precisa-se… :-)

  5. cadeiradopoder said, on Maio 10th, 2008 at 5:41

    É preciso combater o conformismo de uns e a tendência para a corrupção de outros. O problema é que os Governos nunca querem reforçar as armas contra a corrupção.

  6. dissidentex said, on Maio 10th, 2008 at 5:44

    Cadeira: é bem verdade mas a coisa do meu ponto de vista já está para lá da corrupção.
    O sistema político administrativo tem que ser mudado, e não se quer mudar o que tem que se mudado.

    Tem que existir menos níveis administrativos de justiça, tem que se reduzir custas judiciais, tem que se aumentar a rapidez da justiça, as empresas privadas tem que ser postas na ordem, etc, e nada disso se tenta fazer ou quer-se fazer.
    E isso passa para lá de só apenas conformismo ou corrupção.

    Este sistema não funciona.

  7. DLM said, on Maio 10th, 2008 at 9:09

    Eu nao sei o que leu, mas defendi justamente o contrario, que é “funcionar em rede. Nao com uma ideia mas uma multiplicidade delas. Numa cacofonia universal e discordante, numa forma de subversao contra o sistema.” Não uma suversao colectivista mas individualista, radicalmente individualista, uma fuga para uma cidadela interior, um novo idealismo, um nova ponte com os gregos, sem qualquer ideologia e com todas elas, a multiplicidade na diversidade

    justamente o contrario disto

    “é necessário abandonar ideias “estrangeiras””

    Vale tudo: leo strauss, deleuze, popper, sofocles, arendt, maurras, hegel, foucault, negri, marx, isaiah - proibido proibir

  8. dissidentex said, on Maio 10th, 2008 at 9:55

    DLM: proibido proibir é de Sartre. Já gora aparecia na lista também, não?

    Admito que os meus conhecimentos são escassos mas até eu sei que Strauss, Hegel , Maurras, são insuportáveis, além de serem totalitários até as orelhas.

    Por isso não sei o que é que Popper, Marx, Arendt, Sófocles estão a fazer no meio dessa lista.
    Até Marx deve ser considerado um pensador sério que fez um esforço sério e tirou algumas consequências e resultados errados.
    Agora meter Hegel no mesmo saco…

    Já agora aconselho na lista Raymond Aron.
    Vale mais que os Isaih berlins, os dahrendorfs , os oakshots , os foucault e a sua bio política e restante fauna.

    Quanto à ideia da subversão colectiva vs individualista isso é uma grande treta.
    Ao estar-se a funcionar em rede não terão que ser ruma multiplicidade de indivíduos a tomarem posições? Coordenados entre si?
    Isso é individualista ou colectivista?
    Como é que se classifica?

    E o que é que é / significa radicalmente individualista?

    Ser radicalmente a favor dos lucros?
    Ou ser radicalmente a favor da defesa das liberdades individuais?

    E o que são liberdades individuais? câmaras de filmar por todo o lado? Ou não? Bases de dados de doenças ou não?

    É o que é que significa “radicalmente”?

    Partir montras? Dizer que se é contra a opressão do estado sobre a sociedade civil,isto num Estado fraco e completamente dominado por interesses privados?

    Quanto às “ideias estrangeiras”: estamos na UE para fazer o quê e para quê?
    A quem é que isto aproveita da maneira em que lá estamos?

    Importamos ideologias vindas de fora, de forma totalmente acrítica para quê, e com que objectivos?
    Ganha-se o quê com isto?

    Além do mais DLM, vamos assentar numa coisa: temos problemas práticos a resolver neste país e são muitos.

    Para resolver problemas práticos não precisamos de filósofos; de sociólogos e adjacências do mesmo estilo.

    Se você tiver um cometa a vir em direcção à terra você precisa de ciência que produza mísseis ou bombas atómicas que destruam a ameaça, não precisa de problematizadores e menos ainda precisa de ir buscar ideias de problematizadores, mais de metade dos quais está a fazer tijolo ou a ficar gágá.

    E que criaram teorias para defenderem os interesses específicos de um grupo de pessoas ou um grupo de países e nós como país nada temos a ver com isso. Nem deveremos querer ter a ver com isso.

    E por favor: não use slogans do tipo ” a multiplicidade na diversidade” que isso lembra-me o bloco de esquerda, que é um pseudo projecto político de que eu não gosto e fico a pensar que você veio de lá.

    Aliás não gosto de nenhum para ser sincero…

  9. DLM said, on Maio 10th, 2008 at 11:12

    Voce atira com os problemas praticos, quando estou a pensar em soluçoes puramente metafisicas, uma fuga do mundo das aparencias para o refugio das ideias, em honra dos gregos, ou dos alemaes. No fundo a recusa do grupo, um novo pathos individualista.

    Não estou de todo interessado em soluções politicas, porque a politica é uma actividade puramente contingencial, não há politica fora da historia, e toda a politica que tentou viajar no tempo - recuar ou avançar - acabou em negra tragedia. O nosso problema não é o corpo pátrio, caramba isso já perdeu em parte o seu sentido, o nosso problema é o individuo, a sua ausencia. Para mim a grande subversão seria pôr a humanidade servil, seja os caixas nos supermercados ou os empregados com contrato a prazo, a ler, arrasta-los para a filosofia, “sapere aude”, enfim uma pequena revolta contra a razão, há coisa mais revoltante do que os miseraveis serem portadores de ideias? É a inversão de toda a logica e a maior subversão.

    Isto é possível? Provavelmente não - o culpado é o “fight club” - mas o que propõe ainda menos e algo perigoso, porque excluvista e com alguns dos atributos das sociedades fechadas

    “Já agora aparecia na lista também, não?”

    Não ponho ninguem fora da lista

  10. DLM said, on Maio 10th, 2008 at 11:23

    Enfim a minha revoluçao seria pôr toda a gente a ler, é um non-sense, um delirio, mas porque não?

  11. dissidentex said, on Maio 10th, 2008 at 11:41

    DLM: o problema é que não se conseguem convencer pessoas de questões metafísicas, sem se resolver a maior parte das questões práticas.

    Como é que uma pessoa “vai ler” se trabalha 10 horas por dia a ritmo acelerado, num emprego sem perspectivas de futuro?
    Qual é o incentivo a isso, a ler?
    Lendo muito ou lendo pouco continuará a ter um contrato a prazo ou pior;então ler para quê?Cultivar-se para quê?

    Criou-se esta sociedade, agora não se pode estar à espera que as pessoas leiam ou se cultivem.

    Criou-se uma ideia de sociedade em que o indivíduo foi esmagado pelo consumo, agora não há metafísica que resista- cortesia do neo liberalismo económico.

  12. DLM said, on Maio 11th, 2008 at 12:04

    Meu caro, seria transferir o problema para a proxima geraçao, se a minha geraçao nao leu - casa dos vinte - deve-se em parte à geraçao anterior.

    Posso desenvolver uma perspectiva utilitarista da questao. O que aconteceu na irlanda ou na finlandia deveu-se em parte ao sistema educativo, mas uma revoluçao educativa via estado nao se faz nem em uma nem em duas geraçoes.

  13. DLM said, on Maio 11th, 2008 at 12:35

    Mas para reforçar o argumento. Os putos deviam crescer com alguns apetites intelectuais e algumas ambiçoes, uma casa com livros e ideias ajuda

  14. dissidentex said, on Maio 11th, 2008 at 10:04

    DLM: o que você está a defender - agora - tempos actuais é o mesmo que a esquerda política pós 74 defendia na altura,contra as ideias da direita da altura.

    E dizer que a sua geração não leu , porque isso é culpa da geração anterior é uma transferência de responsabilidades para a geração anterior que , vindo de uma pessoa de direita muito e espanta que isso seja utilizado.

    Normalmente as pessoas de direita falam em responsabilidade individual e ser-se responsabilizado pelo que se faz ou não se faz: bom, então, a geração do DLM segundo esta lógica deverá ser responsabilizada por não ter lido? ou não?

    De qualquer forma eu registei que argumentativamente o DLM escreveu “deveu-se em parte” , uma boa maneira de não ser atribuida a total responsabilidade à geração dos 20…

    os putos deveriam crescer com apetites intelectuais se vivessem numa sociedade que estimulasse isso.
    Mas o “mercado” obsta a apetites intelectuais, uma vez que o mercado é organizado segundo a lógica americana de negócios e a lógica americana de fazer negócios abomina intelectualismo e “coisas consideradas como não práticas”.

    É por isso que as coisas consideradas como sendo apetites intelectuais são desconsideradas.

    Como o mercado (seja láo que isso for) é considerado sacrossanto ; o mesmo mercado que é considerado sacrossanto tem destruido hábitos de leitura entre outras coisas.

    É aliás o “mesmo mercado” que exige que pessoas possam passar a trabalhar 50 horas por semana.
    Alguém lê ou terá tempo para ler nessa semana?
    Ou sentirá um apelo nesse sentido?

    Mas quem defende estas ideias é normalmente a direita ( e o PS que também é de direta).
    Portanto em que é que ficamos? Sol na eira e chuva no nabal?

    Quanto à questão da Irlanda/Finlândia , não considero que sejam modelos para se dar como exemplo.

    A Irlanda começou na década de 70 a incentivar a formação. Se a Irlanda começasse hoje a fazer o mesmo que fez,na década de70 os resultados daqui a 20 anos não seriam os mesmo nem teriam a mesma qualidade que tiveram por ter começado na década de70.
    Para lá disso beneficiou do lobby irlandês no EUA, e beneficiou de ser um país de língua inglesa com uma mercado inglês ao lado.

    A finlandia teve que alterar tudo a partir de 1990, devido ao corte comercial da sua economia com a URSS.
    Aí o que deve ser salientado é a planificação feita pela autoridades finlandesas e por toda a sociedade.daí ter resultado mas também resultou devido à época em que foi feita.

    Pretender agora importar estas técnicas/ modelos que foram desenvolvidos para países totalmente diferentes deste e implementados em épocas históricas diferentes da actual ou dar isso como exemplo é um erro e uma má orientação estratégica.

    Portugal tem que definir uma coisa própria, barata, universal no sentido de acessível a todos e adequada Às condições do país demográfica e não só e tem que definir algo a níveld e ensino que seja gratuto.

    O caminho que se está a seguir é o oposto desse, e espera-se que que venham resultados de uma situação que irá provocar uma tremenda exclusão e diferenciação social entre quem acede a conhecimento e quem não acede.

    Pelo meio faz-se um discurso a dizer que isto é uma democracia e que todos somos felizes com isso?
    Creio que não.

    Outra nota: a ideia da transferências de problemas para gerações anteriores ou posteriores é o exemplo de “uma “ideia estrangeira” importada dos EUA, que se baseia na teoria de que a nova geração terá que viver melhor que a anterior.

    Não sei porquê.

    Senão existirem condições para se viver melhor então porque se deverá viver melhor?
    Percebo a “venda comercial de esperança” mas prefiro olhar para a realidade.

    A realidade diz-me que , no caso específico de Portugal pouca democracia existe dentro do sistema político-administrativo-económico e precisamente porque existe pouca, não há sistema educativo, ou pessoas a ler muito que resolvam esse problema.

  15. sarahfranco said, on Maio 11th, 2008 at 1:17

    do que a próxima geração vai precisar, mais do que saber ler, é de saber amassar o pão em casa, de saber aproveitar cada migalha porque o pão nosso de cada dia está cada vez mais difícil de adquirir…

    estamos perante problemas gravíssmos: revoltas por falta de alimentos básicos, juntas militares que deixam a população ao relento rejeitando a ajuda estrangeira aos desabrigados, um navio cheio de armas vindo da china que, após ter sido imedido de descarregar na áfrica do sul e em moçambique, atracou em luanda mesmo a tempo de as armas chegaram ao zimbabue antes da segunda volta das eleições…

    em portugal pessoas altamente qualificadas a ganhar o salário mínimo enquanto os ricos compram apartamentos de luxo no ex-estoril sol e na ex-pide/dgs.

    a gasolina a 1,5 euros quando parte substancial dos habitantes dos subúrbios de lisboa e porto não tem alternativa ao carro, porque alguém deixou os patos bravos destruirem o país fazendo urbanizações sem eira nem beira…

    em itália saudações fascistas ao novos governantes, na rússia paradas militares como já não se faziam há uns anos largos…

    e o DLM vem falar de coisas altamente filosóficas que não respondem a nenhum dos problemas que nos afectam…

  16. sarahfranco said, on Maio 11th, 2008 at 1:55

    fontela, quando falei em funcionar em rede referia-me à única forma possível de contornar o sistema elitista da tanga que existem em portugal.

    em Portugal não estou interessada em fazer parte de nenhuma elite. o sistema também não estava interessado em mim a não ser para me isolar, me desmotivar, me desmoralizar e assim me empurrar para uma situação em que acabarei por desistir dos meus projectos.

    estou a falar de um sistema concreto e não de teorias de conspiração ou de asbtracções…

    como não desisti porque suporto bem a solidão e há em mim uma espécie de soberba que me impediu de desistir o que seria sentido por mim como uma humilhação, e como o meu trabalho começa a dar frutos, de repente há elementos do dito sistema que passaram a ter interesse em alimentar uma eventual expectativa que pensam que eu tenho em ser aceite pelo “clube”.

    que faço eu? aproveito as migalhas para estabelecer aos poucos a tal rede que me vai permitir continuar a evoluir preservando a minha dignidade e o meu amor próprio.

    não estou interessada em mudar portugal. trata-se de uma tarefa vã e inglória e sei que não passo de um nada.

    mas estou interessada em incentivar pequenas mudanças a um nível micro… tal como tem havido quem me tenha ajudado a abrir os olhos, também eu procuro dar o mesmo empurrão a outras pessoas que julgam erradamente que estão sós, que estão isoladas e que não valem nada.

    o vaclav havel quando era dissidente chamou a isto o poder dos sem poder… a hannah arendt tem também reflexões sobre este âmbito.

    que fazer? pensar é importante, mas pela nossa cabeça. o havel e a hannah arendt, ou o karl popper também pensaram pela deles, e como a vida deles se cruzou com as grandes tragédias mundiais nunca se perderam em expeculações intelectualoides mas souberam sempre manter o contacto com a realidade, essa das pessoas que trabalham 10 horas por dia e eventualmente terão tempo para ler o jornal dica da semana…

    como não ambiciono adquirir um apartamento na ex-sede da PIDE e até sei amassar o pão em casa, não tenho nada a perder mas também não alimento expectativas nenhumas.

    apenas procuro encontrar pessas que também pensam pelas próprias cabeças, para poder comunicar com seres pensantes que partilhem o núcleo básico de valores que eu considero ser indispensável para viver com dignidade.

    ao comunicar com essas pessoas, vou descobrir que pensam como eu e que portanto não estou tão isolada como o sistema me tinha feito crer, ou que pensam em coisas em que nunca pensei e me estimulam a encarar novos problemas ou a ver as coisas por outra perspectiva.

    assim procuro expandir os meus horizontes. depois escrevo e quem quiser ler que leia.

    no fim disto tudo, serei velha, viverei na miséria e irei à sopa dos pobres. mas quem me diz que seria diferente se a minha opção fosse outra? é esse o destino de 80% da humanidade.

    e os 20% que dominam nos seus belos apartamentos na rua antóno maria cardoso continuarão a usar os idiotas úteis do sistema para dar uma sustentação filosófica à vida de privilégio de que usufruem.

  17. DLM said, on Maio 11th, 2008 at 3:13

    Tb sou solitario, e estou me nas tintas para os “belos apartamentos na rua antóno maria cardoso”, a companhia dos ratos e as idas à cantina desmerecem deveras a sua reputaçao, enfim talvez faça isto para desafiar epicteto, já os livros, haverá algo melhor do que deambular de sabio em sabio?

  18. Kl@ndestino said, on Maio 11th, 2008 at 3:37

    Dissindente-X, isto nada tem a ver com o post: Como não tenho o seu mail, vou comunicar via caixa de comentários. Endereço-lhe o convite para fazer parte do painel de contribuidores do Kl@ndestino. Estou à procura de mais 2 contribuidores para o blog, digo-lhe desde já que admiro os seus textos e o seu blog e penso que o Dissidente-X encaixa bastante bem no perfil de blogger que procuro. Também sei de antemão que não “grama” a plataforma BLOGGER, mas acho que não é um entrave significativo que sirva de desculpa para uma eventual recusa. Agradava-me bastante que viesse a fazer parte desta equipa. Qualquer dúvida ou esclarecimento, está à vontade para me contactar através do mail do Kl@ndestino. Caso venha a aceitar o convite, terá de me mandar o seu mail para que eu possa enviar-lhe o convite de acesso ao blog.
    Obrigado e um abraço.

  19. sarahfranco said, on Maio 11th, 2008 at 5:17

    de facto, um dissidentex está mesmo a pedir para ser convidado por um clandestino com K…

    DLM: não achei que fizesse parte dos compradores do magnífico condimínio fechado da antonio maria cardoso, mas

    para mim a questão é:

    ler é bom, mas tem um problema. quando lemos demais, acontece corrermos o risco de absorvermos como esponjas as ideias dos outros.

    assim, muita ge

    nte que lê muito e tem muitos conhecimentos e cultura tem uma enorme dificuldade em enfrentar os problemas práticos da vida, porque tem a cabeça cheia de abstracções e cheia das ideias de grandes génios…ora a vida é sujeita a problemas bem concretos que temos de enfrentar se queremos preservar a nossa liberdade.

    galileu jamais teria desafiado a teoria geocêntrica se fosso como os outros colegas dele lá na universidade, que se babavam pelo aristóteles.

    o aristóteles era um génio, mas numa série de coisas estava errado. só que a reputação dele de monstro sagrado fez com que demorasse uns dois mil anos até aparecer alguém a dizer que ele estava errado e que a velocidade da queda dos graves não depende do respectivo peso.

    noutro dia fui ao mercado e uma vendedora já bem velha disse-me uma coisa muito sábia . se calhar a senhora nem ler sabe…mas revelou uma coisa chamada SABER VIVER que é algo que não vem nos livros.

    ler demais dá cabo dos olhos e serve de alibi para aprofundar um isolamento que parece ser auto-imposto ou produto de uma escolha liver mas que muitas vezes mais não é do que socialmente induzido.

  20. Catarina said, on Maio 12th, 2008 at 1:55

    Absorver ideias não é necessariamente mau. Absorvê-las acriticamente é que é mau. Mas isso só acontece a quem já é acrítico antes de começar a ler. Eu também sei fazer o meu próprio pão - aprendi num livro. E a mnha própria roupa, se for preciso - aprendi noutro livro…

  21. DLM said, on Maio 12th, 2008 at 2:33

    “galileu jamais teria desafiado a teoria geocêntrica se fosso como os outros colegas dele lá na universidade, que se babavam pelo aristóteles.

    o aristóteles era um génio, mas numa série de coisas estava errado. só que a reputação dele de monstro sagrado fez com que demorasse uns dois mil anos até aparecer alguém a dizer que ele estava errado e que a velocidade da queda dos graves não depende do respectivo peso.”

    mas é isto que eu quero, uma peregrinaçao por novas ideias.

    “Absorvê-las acriticamente é que é mau.”

    para usar as palavras de kant, os cepitcos sao “uma especie de nomadas, que tem repugnancia em se estabelecer definitivamente numa terra”

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