DISSIDENTE-X

EQUILIBRIUM

NEO LIBERALISMO ECONÓMICO E A DECADÊNCIA PROGRAMADA

Em 1990 escutei um senhor chamado Arlindo Alegre Donário, Sub secretário de estado da segurança social do primeiro governo de maioria absoluta (1987-1991) do actual Presidente da República – que dá pelo nome de Cavaco Silva, não sei se alguém conhece?

É aquele senhor que fala e se comporta como se nunca tivesse sido primeiro ministro durante 10 anos (1985-1995).

O senhor Donário, quando questionado sobre o que aconteceria às empresas portuguesas da área têxtil, mas não só, submetidas as liberalizações dos mercados, que seriam totalmente abertos no ano 2000 e com as consequências dos acordos que alegremente se assinam e se assinaram pelos sucessivos governos portugueses, respondeu que a grande maioria delas – umas 90% delas – iriam fechar.

E que isso geraria imenso desemprego. ( Dito num tom despreocupado)

Isto aconteceu em 1990.

Já antes dessa data a situação do país tinha sido desenhada para dar um certo resultado.

O que está a acontecer agora e a explodir a céu aberto é apenas a visualização da dimensão de uma traição.

A situação, de acordo com os dados que eu, modesto cidadão disponho, irá piorar enormemente, porque fomos colocados, como país e como cidadãos numa posição de ultra periferia, de sitio semi totalitário e, terra de ninguém, completamente abandonada onde nada será investido.

A classe política/económica portuguesa a troco de aceitar vender o país, também porque é absolutamente incompetente para o gerir de forma séria e eficaz, viu ser-lhe concedida a manutenção de uma espécie de casulo de poder e de relativo fluir de dinheiro.

Situação confortável onde estar relativamente subtraída à concorrência internacional destinando aos portugueses o acto de fazerem o papel de escravos dóceis e bem comportados a quem apenas será permitido os privilégios habituais dos escravos.

Que são viver em casa de segunda qualidade e pagá-la a preços exorbitantes, ter alguma comida, sexo, prazeres de alienação vulgarizados como futebol, música e religião, espectáculos de cor e luz e……mais nada.

É também por isso que temos actualmente – Maio de 2008, este folclore relacionado com a selecção nacional como teremos no futuro festarolas semelhantes.

Cito o senhor José Medeiros Ferreira, na minha opinião, um ilustre Maquiavel de sofá, membro do partido socialista e membro do actual estado de coisas, pseudo democrata que pactua com a censura de caixas de comentários em blogs, em 16 de Dezembro de 2005, no blog Bichos-Carpinteiros:

” Referi no programa televisivo Prós e Contras que Portugal teria tendência a especializar-se na realização de eventos internacionais que exponenciassem o cluster do turismo e dos serviços.Pois a UEFA acaba de atribuir à Federação Portuguesa de Futebol a organização do Campeonato Europeu de sub-21, a realizar entre fins de Maio e princípios de Junho do próximo ano.Lá voltaremos a ter estádios cheios, hoteis com elevado grau de ocupação, comércio solicitado numa época intermédia.
Alguém tem alguma coisa contra?”

O tom totalitário da ultima frase é notável. Apresenta-se uma situação desta forma e depois coloca-se a pergunta “- alguém tem alguma coisa contra”.

Voltando atrás;ás festarolas: Isto é ainda mais grave, num país que não tem indústria, não tem pescas, não tem agricultura, não tem uma única actividade produtiva seja ela qual for que se veja.

É aliás por isso que nos é dito propagandeado para irmos viver de turismo e serviços.

  1. Plano estratégico nacional de turismo 1
  2. Plano estratégico nacional de turismo 2
  3. Plano estratégico nacional de turismo 3
  4. Plano estratégico nacional de turismo 4

Cito André freire no jornal Público de 2-10-2006, referindo-se à direita neo liberal que na altura grasnava através de um pseudo projecto de marketing político/comunicação social, chamado “Compromisso Portugal” e cito uma parte onde o senhor Freire explica exactamente o que esta direita neo liberal e anti democrática quer. Que se entenda a dimensão do que ela quer.

“…Não sei de que cartola tiraram a ideia de reduzir 200 mil funcionários públicos pois, conforme noticiava o PÚBLICO (24/9/06), segundo os dados do Eurostat os 14,3% de funcionários públicos portugueses (face à população activa) estão dentro da média da UE (dados de 2002)! Há um excesso de despesas com o sector público que é preciso reduzir, com certeza. Mas tal dever-se-á mais a uma gestão ineficiente e a problemas na estruturação das carreiras, que aliás estão a ser alvo de reformas.”

” Além disso, tais senhores pretendem fazer o Estado recuar na saúde e na educação para que o capital privado possa expandir-se em áreas relativamente protegidas da concorrência internacional e, ainda por cima, com financiamento público garantido. Ou seja, um recorrente desejo de investimentos privados com pouca exposição à competição internacional e, ainda por cima, protegidos pelo financiamento estatal… Mas se, como frequentemente nos dizem, o país deveria exportar mais, quem iria depois fazê-lo, já que os privados se querem virar sobretudo para o mercado (social) interno? O Estado? “

12 Respostas

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  1. [...] Ver Dissidente-x – Neo liberalismo económico e decadência programada. [...]

  2. Cara Ana:é lamentável é o seu comentário, que apenas indica que ou você é muito novinha ou você está completamente fora da realidade.

    O Sr Donário é apenas mais um dos milhares de supostos pseudo insubstituíveis que andam pelas faculdades.
    Ele é importante para a economia portuguesa concretamente porquê?
    Sabe dizer?
    É algum Deus que não possa ser colocado em causa?

    EU OUVI O SENHOR DONÁRIO A DIZER AQUILO QUE ESCREVI NO POST.

    E na altura até era sub secretário de estado da segurança social.
    Deixe-se de reverências que ainda tem idade para deixar de ser reverente para com pseudo figuras.

    Já agora: não sei se sou iluminado ou não, mas você como aparentemente é professora deveria ser um pouco menos dogmática e beneficiar os seus alunos com isso.

    E perceber as criticas no post em vez de afirmar banalidades pseudo auto evidentes como essa de o senhor Donário ser um nome importante das finanças e economia portuguesa.

    dissidentex

    20/10/2008 em 12:24

  3. É lamentável colocar em causa um nome tão importante das finanças e economia portuguesa como o do Dr. Arlindo Alegre Donário.

    Esse Sr é um iluminado, pena não lhe darem o devido valor.

    Ana

    20/10/2008 em 11:48

  4. Podes usar o slideshow incluído à vontade.

    Mário da Silva

    03/06/2008 em 15:50

  5. Mario: de facto às vezes o sistema manda para Spam coisas algo estranhas para se mandar para spam…

    dissidentex

    29/05/2008 em 14:48

  6. Falas do filtro? Está quatro comentários acima. O link da “porra” é que se foi sabe-se lá porquê. Deve ter ficado a faltar algo e o sistema cortou-o :)

    Mário da Silva

    29/05/2008 em 14:41

  7. Mário: referes-te a qual?

    (penso que trocaste o post onde querias comentar).
    Até eu próprio já começo a perder a noção dos posts… :-)

    dissidentex

    29/05/2008 em 14:36

  8. Boa! Boa! Gostei do filtro da verve popular ;-)

    Mário da Silva

    29/05/2008 em 14:32

  9. [...] tipo de visão triste e menor é o que nos leva ao estado de coisas tão bem explicitado neste artigo. A decadência de ideias é [...]

  10. Olha a pôrra!

    Cada vez mais a revolta pela força se começa a impôr como a única solução constitucional para a cloca em que estamos naufragados, já que esta autoridade se demonstra cada vez mais uma grande put*.

    E estou mesmo chateado.

    Mário da Silva

    28/05/2008 em 17:52

  11. O problema é que é sempre possível recorrer à autoridade pública… mesmo que a resposta demore dez anos e quando chegar já não sirva para nada >:-[

    Mário da Silva

    28/05/2008 em 17:46

  12. [...] Parece-me que não! Parece-me que não! [...]


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