ROCK IN RIO 2008. ASAE. JORNALISMO DE PROPAGANDA.
Este vai ser um artigo a várias dimensões.

Dimensão 1.
No dia 4 de Junho de 2008, o jornal diário gratuito Global, na sua página 2, trazia uma secção de cartas de leitores. Numa dessas cartas uma leitora que assinava Elisabete Silva” explicava a sua magnifica experiência no recente Rock in Rio 2008. Queixa-se dos preços especulativos dentro do recinto, queixa-se da falta de condições das casas de banho em termos de higiene. Queixa-se da falta de agua nas mesmas.Queixa-se e legitimamente.
Onde está a ASAE? Onde?
Alguém sabe? Alguém tem alguma ideia?
Foram previamente tomadas medidas para obrigar a organização a aumentar o número de casas de banho, por exemplo?
A ASAE interviu?
Está talvez a descansar após ter estado ocupada a fechar 22 padarias no dia 27 de Maio de 2008.

Não se toca no Rock in Rio nem nos magníficos eventos que estão destinados a transformar esta terra num país de comércio e serviços. Conferir “Portugal, traição e mistificação nacional”
Esta entidade chamada ASAE está a ser usada como arma de arremesso contra as pessoas. A lei é usada como cobertura para subverter a actuação desta entidade e para lhe dar pretensa legitimidade induzindo todas as pessoas a pensarem que “isto” que a ASAE está a fazer é que são legitimas acções de fiscalização.
Legítimas acções de fiscalização não incluem fechar os olhos a falhas cometidas por grandes organizações ou empresas e não fechar os olhos a falhas cometidas por pequenas organizações ou empresas.
Legítimas acções de fiscalização não implicam que a lei sobre a qual se apoiam defina multas desproporcionadas em relação aos eventuais prevaricadores, consoante eles sejam de enorme dimensão, quer de pequena dimensão.
Dimensão 2.
Na mesma notícia do jornal Global vem uma outra carta de outra pessoa, José Amaral de Vila Nova de Gaia, que nos explica a situação relativamente ao país da liberdade e da democracia em que Portugal está transformado.
Tão bom é este país e tanto nos pedem para sentir orgulho nele que deveremos ficar extasiados pelo facto de existirem umas 40 mil pessoas em lista de espera para serem operadas às cataratas em Portugal.
Até acontece que na casa dos meus pais tenho uma, a minha avó de 89 anos, que não vê absolutamente nada do olho esquerdo. Mas que importa?
Vê do olho direito… que continue em espera. Não vamos privilegiar quem não deve ser privilegiado.
Por isso, todos em uníssono, sintamos o orgulho de sermos portugueses a invadir-nos pelo facto de Cuba, um país a cair aos bocados conseguir fazer operações enquanto que o dinâmico Portugal do desenvolvimento democrático – do qual devemos sentir orgulho – não o consegue fazer.
Isto é uma nova nova noção de fracasso até mesmo para este país.
Dimensão 3.
Em Portugal o jornalismo está transformado em jornalismo idiota, canalha, manipulador e propagandista.
Na mesma página 2 do Jornal Global temos uma situação de “encher chouriços” – ocupar uma parte da folha uma foto da Grécia. Não é uma foto qualquer;nela vêem-se imagens da sopa dos pobres na Grécia e explica-se que mais de dois milhões de naturais da Grécia vivem na pobreza e que 100 mil pessoas na Grécia são alimentados, em cozinhas humanitárias como esta mostrada na foto – por instituições municipais ou religiosas.
A marca Global notícias pertence a Controlinveste, uma sociedade que detém muitas outras empresas e na qual a Opus Dei tem também uma quota.
O que não percebo é porque se insere uma imagem de um país estrangeiro com pobres no meio de cartas de portugueses a reclamarem pelos mais variados assuntos. Foi para “encher” papel de jornal ou foi para esvaziar as cartas – o efeito delas perante quem a ler?
Foi para “encher” papel ou foi para demonstrar que as queixas dos portugueses na página 2 são “amendoins”, pequenas coisas sem importância ao lado dos “verdadeiros problemas de pobreza dos gregos, dos dois milhões globais, ou dos 100 mil que são auxiliados pelas cozinhas religiosas e humanitárias?
Então porque não se inseriram imagens de pobres portugueses?
Era necessário ir até à Grécia para descobrir pobres?
Cá não há pobres? Os pobres de cá não são dignos de serem fotografados na sopa dos pobres?
Ou é para “encher chouriços” ou é jornalismo manipulador. De ambas a maneiras é mau e mostra o estado de como, através de pequenas coisas se caminha para o que se caminha.
Dimensão 4.
Enviado por mão amiga através de correio electrónico recebo pérolas muito bem feitas do blog “A pente fino”
Sobre o Jornal Público e as deformações noticiosas que regularmente aparecem lá. Muito se forçam e contorcem as as palavras e as situações naquele jornal. Cita-se o artigo quase todo.
♦
1. Pobreza e desigualdades sociais estão a agravar-se em Portugal diz a capa do Público de hoje. Como este jornal de referência já nos tem habituado, não há um único resquício de verdade nos títulos principais. Repare-se no tempo verbal, o jornal não diz que há pobreza ou desigualdade, diz que elas estão a agravar-se.
Pobreza: nas páginas 2 e 3, onde este tema é tratado só há uma única referência à evolução da pobreza… e indica exactamente o contrário. Diz o autor do estudo em causa, que os índices melhoraram de 2004 para 2005. A subida é irrelevante por ser pequena e ser apenas de um ano, mas quem diz que a coisa está a piorar é o Público.
Desigualdade: o título interior apenas diz que Portugal “continua a ser” um país com desigualdades. Houve aqui sim um agravamento, mas de 2000 para 2004! Nós estamos em 2008, e o Público lá saberá porque usa o presente na capa. (Mais uma vez as medidas mais recentes até indicam uma diminuição numa outra medida de desigualdade – mas altamente correlacionada com o índice de Gini – o rácio dos rendimentos do 20º e do 80º percentil, mas a melhoria é insignificante e irrelevante… apenas questiono a atitude do Público).
2. A conclusão sensacionalista que os pasquins gostam de tirar daqui é que “os pobres estão cada vez mais pobres”. Não há absolutamente nenhuma razão para que isto seja verdade, quando a desigualdade aumenta. É o que faz o Portugal Diário, que também lá saberá porque usa o presente quando fala de valores de 2004.
♦
Penso que o texto fala por si só acerca da manipulação e da constante desinformação que este Jornal pratica. Que é aquilo em que está transformado o jornalismo português.
Pérola 2, transcrita parcialmente.
1. O “Sexta” (julgo que vem incluído no Público) diz na capa “Vamos pagar mais portagens em 2011″.
As portagens vão subir acima da inflação em 2011? Não!
Vai haver mais estradas onde as portagens vão ser introduzidas? O Sexta também não o diz!
O que acontece é que em 2011 vai haver mais auto-estradas, e as novas são pagas. Tão ridículo como dizer que em 2011 vamos pagar mais pela internet, apenas porque vai haver mais pessoas com internet em casa.
♦
Não querendo entrar em teorias da conspiração, mas é estranho e estatisticamente improvável que tantos jornais com especificidades e características próprias, destinados a públicos diferentos e diveros tenham todos, ao mesmo tempo, tanta manipulação, tantos erros, tantas imprecisões, tantos disparates e mau jornalismo em tantos artigos, ora fazendo favores de um lado, ora fechando os olhos a outras actividades de outro.
Além disso desagrada-me que se façam criticas ao actual governo, ou melhor, que o Jornal Público faça criticas ao actual governo, mas sendo incompetente a fazê-las. Estes incompetentes devem e merecem ser criticados sem se recorrer a expedientes como os que o Jornal Público recorre.
A quem não esteja muito informado sobre os assuntos isso dá o benefício da dúvida sobre o actual governo. Não devemos ter dúvidas sobre o actual governo, mas uma única certeza: é muito mau, péssimo, imbecil.
Os jornalistas sao mesmo livres?



Parece que anteontem se andou a estoirar gasolina com as acelaradelas secas no Marquês de Pombal, e que esse recinto onde o petróleo a água custava 2 euros estava de lotação esgotada.
As viagens para a Suíça quase que esgotaram superando a procura do Mundial da Alemanha.
Crise? Qual crise? Não há crise nenhuma! Pelo que vejo até estamos mais ricos! Está tudo porreiro, pá!
Daniel Marques
9 09UTC Junho 09UTC 2008 em 8:33
Daniel: é uma crise selectiva. Só atinge algumas( muitas) pessoas e deixa outras de fora dessa crise.
Ou isso, ou então existe um grupo de loucos e não é pouco em número neste país.
dissidentex
9 09UTC Junho 09UTC 2008 em 9:53
E esta “autoridade” não esteve no Creamfields, que também foi no parque da bela vista. Quem lá foi viu a pouca vergonha que foi a organização daquilo. Haviam apena três ou quatro barracas de comeres e bberes e a dada altura, já não havia nada para comer. O meu jantar nesse dia foi um magnum branco. Uma dualidade de critérios no mínimo, nojenta.
O mais giro disto tudo é esta autoridade assumir contornos de polícia política com os seus objectivos mínimos (assunto esse que ainda ficou por explicar).
Conheço quem tenha negócios na restauração e contam histórias de rusgas por brigadas da “autoridade” armadas até ao dente. Autoridade esta que põe em causa métodos de fabrico tradicionais para benefício de certos fabricantes de equipamento. No entanto não se fazem estudos independentes sobre se estes métodos tradicionais realmente são de facto uma ameaça à saúde pública. Esta “autoridade” obriga os produtores a adquirir equipamento caríssimo de uma determinado modelo e marca. O que seria conveniente para alguém nesta “autoridade” que tivesse ligações ao fabricante desse mesmo equipamento.
Não vejo esta “autoridade” a banir os tais iogurtes bio-activos como o actimel, que são bem mais prejudiciais que um chouriço caseiro. Ou os leites enriquecidos que na verdade, são bem empobrecidos, uma vez que os nutrientes são removidos aquando do processamento do leite, para depois mais tarde serem “repostos”. Naturalmente, muitos outros ficam pelo caminho. Ou os milhares de produtos com adoçante, muitos deles com sucralose que é um organoclorado. Ou os outros milhares de produtos com aspartame, adoçante este que é nocivo a fenilcetonúricos.
Onde está a esta “autoridade” que deveria zelar pela nossa segurança alimentar (e saúde) junto dos grandes mixordeiros?
Este sábado à noite, uma vaga de idiotice varreu o marquês…e todos os jormais fizeram disso os seus directos especiais. Anda tudo a dormir.
Rezaf
9 09UTC Junho 09UTC 2008 em 11:19
Rezaf: esta ” autoridade” tem contornos de Stasi. Depois são as aquisições de material a certos fornecedores.desde quando se “indicam ” fornecedores para se adquirir maquinas?
dissidentex
9 09UTC Junho 09UTC 2008 em 13:25
“Tem algum jeito, numa altura em que se fala de crise mundial de fome, andarmos a deitar fora compotas que eram de instituições de caridade?”
“O que estarão a fazer os médicos veterinários da Agricultura, que o senhor ministro está mortinho por os pôr naquela coisa que se chama mobilidade? Por que é que não se põe esses médicos à procura das soluções ideais, junto das câmaras, criando espaços colectivos para a realização de inspecções sanitárias que assegurem o cumprimento dos requisitos legais?”
Fátima Araújo, ex-directora regional da Gestapo. Ou algo parecido.
Minar as bases. Devíamos começar a corromper a máquina a partir de dentro. A minha ideia de génio é:
1. Arranjam-se uns tipos incorruptíveis, honestos e dedicados.
2. Infiltram-se os ditos tipos nas instituições que queremos “corromper” para melhor.
3. Com o tempo o castelo cai e constrói-se outro melhor mas sem tantos luxos. Para que é que queremos salões de banquete?
Faltam é armas. O voto é feito de pólvora seca e já nem sequer assusta!
Quintas
9 09UTC Junho 09UTC 2008 em 16:32
Quintas:
“”"1. Arranjam-se uns tipos incorruptíveis, honestos e dedicados.”"”
Isto é impossível.É o mesmo que arranjar adolescentes virgens. Não há.
dissidentex
9 09UTC Junho 09UTC 2008 em 20:48
Esta visão da realidade a várias dimensões parece-me bastante produtiva. E há aqui um tema que me interessa particularmente: o rigor e o realismo com que se deve olhar para as coisas, não engolindo a primeira “imagem ” (teoria) enganadora que se nos deparar. Por exemplo: o rigor da ASAE (afinal estranhamente selectivo) ou o jornalismo de referência (às vezes desleixado e com imprecisões indesculpáveis) É muito arriscado dar-se benefício de dúvida.
Por outro lado não concordo com o Dissidente quando diz que não há pessoas honestas e dedicadas. Há e eu conheço algumas bem decentes. O problema é que para as estrelas e as pessoas de sucesso o perfil exigido é o oposto do dos “tipos incorruptíveis honestos e dedicados”.
A
9 09UTC Junho 09UTC 2008 em 21:22
A: eu sou um descrente na raça humana. Cada vez mais. Daí achar que existem poucas ou nenhumas pessoas honestas e dedicadas.Nesse aspecto não sou de esquerda, acho que as pessoas não são naturalmente boas e tem que existir sempre alguns constrangimentos
sociais a comprimi-las. Poucos mas devem de existir.
E depois que adquiri um gato siamês ainda mais.
Até o gato tem mais gentileza,dignidade e ética que a maior parte das pessoas que conheço.
dissidentex
10 10UTC Junho 10UTC 2008 em 10:51
Nem de esquerda, nem de direita, pouca ingenuidade mas também pouco esquematismo, foi o que fui aprendendo com a vida. Quanto aos gatos, de que não gosto particularmente, é natural que sejam mais ethicos, Os humanos perderam essa qualidade quando começaram a achar-se feitos à imagem e semelhança de Deus
A
10 10UTC Junho 10UTC 2008 em 19:35
A: os humanos estão cheios de defeitos. Os gatos menos.
Deus não sei se existe, tenho sérias dúvidas…
dissidentex
10 10UTC Junho 10UTC 2008 em 20:00
“Os jornalistas sao mesmo livres?”
Não! E são muito maus, péssimos, imbecis… tal qual o governo.
Mário da Silva
11 11UTC Junho 11UTC 2008 em 2:25
Por falar em jornalistas da tanga: Vamos lá a lixar os ricos! ou, para os amigos, mais um sapo estúpido e ignorante que nos forçam a engolir.
Mário da Silva
11 11UTC Junho 11UTC 2008 em 3:23