FASCISMO EM PORTUGAL IGUAL A SALAZARISMO.
JORNAL DIÁRIO DE NOTÍCIAS – 23 – 06 – 2008 - Transcrição parcial.
Entrevista. MANUEL LOFF, HISTORIADOR
No seu livro O Nosso Século é Fascista! – O Mundo Visto por Salazar e Franco analisa as ditaduras ibéricas. Houve mesmo fascismo em Portugal?
É claro que houve fascismo em Portugal. O Salazarismo foi a adequação que as direitas portuguesas fizeram de um modelo fascista à conjuntura portuguesa. Neste livro sustento que o Salazarismo é claramente o fascismo.
António José de Brito, que se assume como fascista e de extrema-direita, diz que há apenas afinidades entre o Estado Novo e o fascismo.
A ultradireita do regime defende isso. Não nos esqueçamos de que Jaime Nogueira Pinto sustentava a tese, em 1971 ou 1972, de que Marcelo Caetano era um criptocomunista
Melhor que António José de Brito, José Hermano Saraiva, em determinado momento, chegou a dizer que Salazar teria sido um antifascista, porque teria mandado prender fascistas.
O Hitler mandou matar nazis, não é nazi, está visto; Estaline mandou matar 700 mil comunistas, entre 36 e 38, então não é comunista. Isto é absurdo, é óbvio que a pluralidade interna do regime incluía sectores, sobretudo da área intelectual e sectores de uma pequena burguesia mais moderna que do ponto de vista cultural imitava directamente o caso italiano ou caso alemão.
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Em que base se apoia Salazar para dizer que o seu século, o século XX, era fascista?
Salazar usa outra frase: diz que existe uma linha geral europeia que os triunfos da Alemanha nazi e da Itália fascista têm vindo a consagrar. Salazar não gosta de utilizar o termo fascista, porque sabe que está a usar um termo criado por estrangeiros, e um ultranacionalista não gosta de dizer que o seu regime é uma imitação.
Portanto, fala de um nova ordem, como falavam também Hitler, na Alemanha, Mussolini, em Itália, e Franco, em Espanha. A transformação que a Alemanha estava a produzir na Europa, entendia Salazar, iria consagrar o triunfo dessa via. As direitas ibéricas imaginaram no triunfo da Alemanha uma espécie do fim da história: o triunfo definitivo para o resto do século daquilo que seria a nova ideologia.
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Estes pequenos excertos condensam todos os problemas que o Salazarismo coloca a democratas ou a adeptos da democracia.
- O messianismo inerente à figura do homem, convenientemente defendida pelos discípulos do homem que ficaram para trás e a quem os “democratas”, convenientemente, sempre permitiram em nome de um falso conceito de tolerância que pudessem continuar a minar a democracia e a glorificar o homem tentando fazer dele algo que ele nunca foi e que este historiador define: Salazar foi, de facto, fascista.
- Para obter isso, é necessário dizer que o Salazarismo era apenas um primo distante em 4º grau do nazismo e do fascismo italiano e não um irmão da mesma mãe. Razões para tal invocadas: o facto de o homem ter mandado prender fascistas.
Isto deve ser entendido de forma demagógica , ou seja, que o acto de eliminar facções dentro daquele regime ” que queriam ser o chefe no lugar do chefe” é “vendido” como “Salazar mandou prender fascistas”.
Mandou-os prender antes que estas facções o depusessem.
- a “nova linha geral europeia a que o fascismo português pertencia existiu de facto. No caso português também, embora com excepções. Uma delas era o culto da tecnologia que era apanágio dos regimes italianos e alemão, mas que em Portugal não o era. Essa pequena diferença ( é uma das) é invocada para dizer que o Salazarismo não era fascismo.
- o ultranacionalismo de Salazar que teve máxima expressão na frase “Orgulhosamente sós”. OS democratas portugueses pós 25 de Abril querendo combater a lógica que estava por detrás disto adoptaram a entrada na UE, e adoptaram o ” Orgulhosamente cretinos e corruptos” como novo mote a seguir.
O resultado? Os Salazaristas sentem-se à vontade para chamarem corrupta à democracia e para negarem a essência da corrupção do regime Salazarista e a falta de legitimidade do mesmo.
O ultranacionalismo do senhor levava precisamente à negação da palavra fascismo, como atribuível a “uma outra qualquer ideologia, mas não a dele.
É uma pesada herança esta, a de contrariar “isto”quando os ” democratas” não o querem fazer e adoptam alguns dos tiques do Salazarismo. Leva-nos à pergunta: mas alguma vez desejaram mesmo erradicar da memória das pessoas aquilo governando bem?
Leva-nos também à questão do nacionalismo. Quem defende uma ideia de nacionalismo diferente desta, é sempre atacado. Nessa altura onde param os democratas oficiais?



O camarada Manuel Loff não tem própriamente uma isenção de pontos de vista.
Ainda estou para vêr o historiador da nossa praça que tenha isenção e faça uma história séria e não enviesada pelas suas próprias convicções políticas.
Mário da Silva
26 26UTC Junho 26UTC 2008 em 8:16
Mário: mesmo sem isenção de facto do senhor Loff aquilo era fascismo. Tinha pequenas particularidades e era ligeiramente menos violento na questão da repressão e na adopção dos símbolos fascistas ma era uma ditadura fascista.
O que actualmente se começa a ver é pessoas (Pedro Arroja,por exemplo) quase a defenderem que aquilo era uma alegre democracia económica em que o crescimento económico era genial e mais uma série de tretas do mesmo estilo.
dissidentex
26 26UTC Junho 26UTC 2008 em 9:08
Também em nome do aumento da produtividade e competitividade face a outras economias se defendem condições de trabalho cada vez mais desumanas e a caminho da escravidão
A
26 26UTC Junho 26UTC 2008 em 17:21
A: isto é perfeitamente óbvio.
Se na China existem pessoas a trabalharem 14 horas por dia, de forma intensiva, fechadas dentro de fábricas, vigiadas por câmaras de vigilância em circuito interno, pagas miseravelmente, a solução é a União europeia, os EUA , o resto do mundo pressionarem a China( ou outro país qualquer ) para terminar com essas práticas.
Não, o que se faz é o contrário disso; é adequar as nossas condições de trabalho às da China nivelando por baixo. A similitude deste comportamento em termos de raciocínio é idêntica a dos que defendem que o Salazarismo não era fascismo.
Qualquer dia através deste jogo retorcida de palavras 14 horas de trabalho semi escravo serão consideradas democracia e 8 horas de trabalho serão consideradas ditadura
dissidentex
26 26UTC Junho 26UTC 2008 em 17:39
Se me deres a escolher entre “Orgulhosamente sós” e “Orgulhosamente cretinos e corruptos” não sei se a primeira não é mais inteligente
E em Portugal não havia fascismo mas sim corporativismo, o que não são simples diferenças de forma. Mas isso ficavamos aqui semanas a discutir sobre o tema
Ressalvo que não sou Salazarista, não que daí viesse muito mal ao mundo. Se uns podem ser Trotskistas e Maoistas e outros Estalinistas e mesmo assim serem apelidados de “democratas” porque não os “salazaristas”? Sempre preconizava um Estado menos Estadista que os primeiros e sempre matou menos gente.
Mário
27 27UTC Junho 27UTC 2008 em 1:27
Mário: essa do fascismo não corporativismo sim, tem muito que se lhe diga…
Tem sido uma diferença semântica que tem sido usada para supostamente estabelecer umas teóricas enormes diferenças ente fascismo e corporativismo.
E peço desculpa, mas não é comparável apesar de existir muita essa conversa por aí, mas não é comparável o totalitarismo de direita com o de esquerda.
E o Estado menos estadista baseava-se na não existêencia de qualquer tipo de direitos para 9/10 da população.
O Salazarismo não matou directamente , mas sim indirectamente. Mas mesmo que fosse só uma pessoa a ser morta era lamentável.
Totalitarismo é totalitarismo seja qual for a cor.
E não há qualquer comparação de grau entre o estalinismo e o nazismo ou o fascismo.
O nazismo fascismo começou guerras com países terceiros enquanto que o estalinismo começou guerras com o seu próprio povo. Apesar de tudo isso é uma enorme diferença.
E faz toda a diferença.
E quando usas a expressão “democratas” estás a pensar nos pcp´s da tua zona, mas o que a expressão quer dizer é que eles usam as regras da democracia e não a tentam derrubar pela força.Eles jogam o jogo democrático mesmo que dele não gostem.
Só quando chegam ao poder é que o alteram.
Adeptos normais da extrema direita nunca jogam o jogo democrático – antes distorcem e pretendem derrubar a democracia logo, imediatamente.
dissidentex
27 27UTC Junho 27UTC 2008 em 14:48
Penso que se está a abusar do conceito de “totalitarismo”: a sujeição de todos os planos da vida individual e colectiva às necessidades estatais: vida economica, politica, cultural, social. Tal não aconteceu no Estado Novo, e já existem bastantes historiadores que escreveram sobre isto, homens de grande craveira intelectual, tanto da esquerda como da direita: vejam-se os casos de João Medina, Manuel Braga da Cruz, Ernesto Castro Leal e António Costa Pinto.
Assim sendo, o Estado Novo não foi um totalitarismo fascista, mas sim um regime um nacionalismo com componentes de tipo autoritarista, colonialista e corporativista. Salazar parte do pressuposto de que as forças vivas do país deveriam estar sujeitas ao bem-estar da Nação. O modelo de poder utilizado para cumprir tal desiderato escolhido por Salazar, e empregue em TODA a vida do Estado Novo foi o autoritarismo, que se caracteriza por: anti-partidarismo e anti-parlamentarismo, cerceamento das liberdades, defesa do Estado unitário (ou seja, negam-se soluções descentralizadoras e federalistas do poder), fortalecimento do poder executivo sob o legislativo e, por último, recusa do Estado totalitário. Como ? Simples, Salazar considerava que o estado totalitário era essencialmente pagão e anti-cristão, porque penetrava na individualidade e intimidade invioláveis decorrente da relação entre o Homem e Deus. Ou seja, nos planos da vida moral e religiosa, o Estado não tinha margem de acção. Tal decorre da concepção de um nacionalismo de matriz cristã católica defendida por Salazar e na tradição da cultura política de direita em Portugal: uma direita católica e anti-liberal, durante bastante tempo maioritariamente monárquica, crítica do modernismo industrial e seus descendentes políticos, leia-se: fascismo e nacional-socialismo. Para além do mais, Salazar considerava que o Estado português era um estado de direito, pelo que a sua acção legislativa e executiva deveria estar justamente limitada por esse mesmo Direito. (de facto, a Constituição de 1933 serviu precisamente para isso: para constitucionalizar e legalizar juridicamente a ditadura estadonovista). Ao contrário dos totalitarismo comunista, nacional-socialista e fascista italiano, o autoritarismo português não tem problemas em admitir a existência de opositores ao regime, o próprio Salazar, o afirma num dos seus Discursos, a impossibilidade de moldar a opinião pública a um ideário único, negando a afirmação de Rousseau de que a vontade da maioria é a vontade que todos têm de aceitar, por ser válida: havia, porém, uma condição (senão parecia uma democracia lol): os possuídores de opiniões políticas contrárias ao do Estado estavam proíbidos de qualquer tipo de proselitismo político. Porém, não seria fuzilados ou colocados em hospitais psiquiátricos pelo simples facto de possuírem opiniões políticas contrárias.
Correndo o risco de parecer confuso (isto de escrever e ver a final do EURO é complicado), escrevo uma última nota para a razão da não existência de fascismo em Portugal. Como eu já acima afirmei, a cultura política da direita portuguesa, com especial força na década de 10 e agrupada à volta do movimento Integralista Lusitano, tem as seguintes caract: anti-partidarismo, anti-liberalismo, defesa da monarquia. Na década de vinte surgem as primeiras cisões, nomeadamente quando os católicos abandonam o Integralismo, considerando que a melhor forma de defenderem os seus interesses seria dentro da República, agrupando-se assim no Centro Democrático Católico, que teve representação parlamentar. Acima de tudo, na década de vinte, a direita portuguesa afastou o tabu da monarquia, mantendo contudo como componente principal a defesa do modo de vida português, em suma: o Deus, Pátria e Família tão popularizado pelas Lições de Salazar, salvo erro, publicadas em 1938 ou 39. E essa direita portuguesa manteve-se maioritária em Portugal, tendo sido uma das razões para dentro da direita portuguesa o fascismo não ter tido sucesso (algo que já foi notado por vários historiadores: em país onde existia uma direita de cariz tradicionalista e católica, o fascismo não teve grande penetração política: vejam-se os casos de Inglaterra, Portugal e da França de Petain, devedora acima de tudo do pensamento da Action Francaise liderada por Charles Maurras, líder da direita monárquica e católica em França). Esta foi a principal razão pela qual o Nacional-sindicalismo de Francisco Rolão Preto, movimento político de raíz claramente fascista e até, nacional-socialista, e o mais forte do tipo criado em Portugal, não conseguiu chegar ao poder em Portugal. Constituindo uma oposição de direita e à direita do regime, indo contra o autoritarismo salazarista, Salazar ilegalizou o movimento em 1934.direita do regime.
G. Sampaio
29 29UTC Junho 29UTC 2008 em 20:34
G.sampaio:
é muito interessante a sua ideia de que totalitarismo é só a sujeição as necessidades do Estado.
Não sei o que diga de uma Estado como o Estado Novo em que era necessário pedir uma autorização ao Governo civil da área de residência para ser possuidor de um isqueiro ou de uma bicicleta.
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Quanto à sua ideia de homens de grande Craveira intelectual, até podem ser. O problema é que tem grande craveira medidos pelos parâmetros de Portugal e os parâmetros de Portugal são medíocres, como se sabe.
Não sei o que é que vale uma ou 20 pessoas pessoa de grande craveira intelectual num país de terceira categoria. Mas tudo bem, pode-se ter essa opinião.
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Quanto à questão que coloca de o Estado Novo ter umas características diferentes – autoritário, corporativo, nacionalista – de facto é verdade.
Mas e depois?
O resultado final é que 90% da população vivia oprimida.
É muito interessante do ponto de vista semântico de de estudo académico fazer estas destrinças particularmente especificas e é um tipo de estudos que tem alimentado muita gente, e feito muitas carreiras académicas mas a realidade é que aquilo era uma Ditadura e eu não gosto de ditaduras.
Mesmo que uma ditadura se distinga de outra porque uma acerta apenas uma bastonada nas costas dos súbditos enquanto que a outra acerta duas bastonadas.
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Quanto á ideia de que o Estado totalitário de Salazar é uma reacção contra o paganismo e o anti cristianismo para defender a matriz cultural cristã também é muito interessante.
No entanto há um problema prático aí, dividido em duas partes:
A) pode-se defender a matriz cultural cristã sem se implementar a ditadura e o senhor Salazar teve essa hipótese.
Não quis recorrer a essa hipótese porque o que lhe interessava primordialmente era implementar uma ditadura ( ele) – o resto – as justificações divinas e terrenas viriam a seguir.
B) o segundo problema é um de legitimidade.
Fazer um plebiscito constitucional em 1933 – que foi o que aquilo foi – a uma população semi analfabeta, e em que a abstenção funcionava como votos a favor do SIM à constituição de 1933 não é um procedimento democrático em lugar algum do mundo – antes parece os métodos usados pelas ditaduras comunistas para se legitimarem.
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Portanto a coisa começou logo de forma ilegítima o que quer dizer que aquilo era uma ditadura, chame-se nacionalismo de tipo autoritário ou não.
O senhor Salazar por razões internas deste país e da sua história e de diplomacia fez além disso batota, aplicando regras de violência menores, quer em grau quer em género sobre a população do que os regimes europeus da época.Assim parecia “diferente”. Mas natureza do mal estava lá.
O que ainda torna o regime mais desprezível, porque querendo afirmar-se como sendo “algo”, nem sequer fez cair a mascara desse “algo” dizendo claramente o que era – antes jogou o jogo da tergiversação e da camuflagem política, para fazer passar uma imagem que interessava fazer passar.
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Quanto a parte em que diz que o Estado português não tinha problemas em dizer que existiam oposicionistas é verdade.
Mas em contrapartida fazia o que eu acabei de ver hoje num filme chamado “Aldeia da Roupa Branca” em que a propaganda ao regime paga pelo próprio regime nesse filme e em todos os outros na mesma época é uma constante. Aliás este filme é um manual de direito económico corporativo do Salazarismo, diga-se de passagem.Por exemplo…
Já agora também lhe digo que, salvo erro, em 1952, o regime permitiu que os oposicionistas falassem a propósito de eleições livres.
E pediu listas de pessoas que queriam eleições livres para atestar da veracidade do empenho dessas pessoas.
Quem caiu no erro de dar o nome para as listas e ser assim divulgado como não apoiante do governo viu a sua vida andar para trás, e começara ter problemas de emprego e familiares.
De facto não são os mesmo métodos do nazismo e do fascismo italiano, mas são os mesmos efeitos.
É a mim interessam-se são os efeitos, não as construções semânticas da Inteligentsia portuguesa, que é sempre muito interessante a construir explicações para o Salazarismo,
mas lamentavelmente, nunca nos consegue explicar os números económicos absolutamente de merda do Salazarismo , os indicadores de qualidade de vida humana péssimos, a economia do país- isto num Império colonial fechado e de mercados protegidos.
Aí valha a verdade, a mesma inteligentsia que não consegue explicar resultados de merda do Salazarismo é a mesma que não consegue explicar resultados de merda
desta pseudo democracia idiota em que vivemos.
Gsampaio: e quanto à sua ultima parte ok, tudo bem.acerca da direita portuguesa etc e tal.
Isso é aquilo que é considerado “direita” ou pelo menos que se fala como sendo “direita”. Academicamente, historicamente, semanticamente concerteza que sim.
Agora no concreto, no real, no palpável essa gente e esses movimentos não são direita democrática de tipo parlamentar.
Por comparação é o mesmo que dizer que o actual partido socialista é de esquerda, quando no real, no concreto, no palpável é um partido encostado à extrema direita em quase todas as áreas de governação.
Não é por se mandarem umas medidas avulso e uns penachos de medidas sociais que isso permite qualificar “isto” como esquerda.
Mas semanticamente, academicamente, as brilhantes luminárias intelectuais que andam por aí qualificam esta grandessíssima merda como sendo de esquerda. Penso que usam um teste completamente imbecil que circula pela Internet para dizer Às pessoas como é que elas devem pensar a política e definirem-se como é que são.
Porque as pessoas coitadas já não sabem
Quanto À última parte de tudo, Maurras, e estante companhia remeto para o historiador comunista, que goste-se ou não diz o que a coisa é.
Diferenças de semântica e de adopção de procedimentos diferentes na forma como se organizava o Estado e se organizava a violência sobre a população são academicamente interessantes.
Mas os efeitos são ” iguais “aos que seriam se fossem , segundo as classificações que o G Sampaio fez a amabilidade de apresentar , como se fossem feitos por regimes diferentes.
A violência exercida sobre as pessoas era a violência que uma ditadura exerce.
E não é só um ditador mandar matar pessoas directamente que isso constitui violência.
Há muitas outras maneira de exercer violência.
Nota adicional: para mim e isto não é uma classificação académica, totalitarismo é tanto exercido pelo Estado como por empresas privadas.Ou interesses privados de tipo obscuro.
Não faço distinção nenhuma, são todos execráveis.
Chamem-se ou adoptem que nome adoptarem.Ou que correntes “académicas ” os estudem e categorizem como se fossem lições de botânica.
dissidentex
29 29UTC Junho 29UTC 2008 em 21:29
O caro amigo parece ter um certo desprezo pela minha tentativa de construção de um discurso minimamente imparcial, e pelo meio académico em geral. Mas vamos por pontos. E, já agora, para que fique aqui bem claro, eu com os meus dois comentários não pretendo fazer qualquer apologia ou defesa do Estado Novo. Assim como não vejo o interesse da ligação à actual orientação ideológica do PS, que diga-se de passagem, é claramente de esquerda, facilmente evidenciável pela defesa que faz da estatização da sociedade. Adiante:
1. Pode trocar “Estado” por uma qualquer outra forma de poder organizado, o que não invalida a definição que aqui apresentei.
2. Ora, os homens de grande craveira intelectual que eu falei são historiadores com carreiras diversas, muitos dos quais não alcançaram o seu prestígio ligados exclusivamente à universidade portuguesa ou a Portugal em geral. Por exemplo, o professor João Medina, na sua excelente obra Salazar, Hitler e Franco, apresenta mto bem as razões pelas quais em Portugal não houve fascismo. Estamos a falar de um homem ligado à esquerda estudantil de inícios dos anos 60, ainda na mesma década exilado em França e na Bélgica, e que escrevia igualmente na Seara Nova. Não propriamente um homem com poucas razões de queixa do regime de Salazar… Mas eu já percebi que você faz uso de uma certa postura redutora do que foi o Estado Novo, talvez porque isso lhe agrade, ou pelas suas conotações políticas (que não sei quais são, nem quero saber, e digo isto sem sarcasmo.
3. Em lado nenhum eu disse que o Estado Novo não foi uma ditadura, e em lado nenhum escrevi que a corrente política de direita portuguesa maioritária na década de vinte tinha um cariz democrático: anti-liberal e anti-parlamentarista são adjectivos bem claros, penso eu. Assim como também em lado nenhum eu afirmei que o Estado Novo era uma democracia, ou que não fez uso da violência sobre opositores políticos, mas lembre-se da minha ressalva, “a menos que se manifestassem políticamente”. E quanto às eleições de 52, tal não aconteceu apenas nessas eleições, mas em todas.
Já agora, para que fique aqui bem claro, eu com os meus dois comentários não pretendo fazer qualquer apologia ou defesa do Estado Novo.
4. “Não quis recorrer a essa hipótese porque o que lhe interessava primordialmente era implementar uma ditadura ( ele) – o resto – as justificações divinas e terrenas viriam a seguir.” Ouça, o Salazar não implantou nenhuma ditadura, apenas a legalizou. Entre 1925 e 1933 Portugal viveu em período de ditadura militar. Obviamente, não contesto a falta de democraticidade das eleições no Estado Novo, mas em 1933, Salazar gozava de uma grande aceitação na opinião pública nacional: analfabeta ou não: era o salvador das Finanças e o restaurador da autoridade na sociedade, face “à anarquia partidarista da República” (estou a citar o Oliveira Salazar). Dava jeito você dar uma vista de olhos por dois livrinhos escritos pela Helena Matos: Salazar: A Construção do Mito e Salazar: a Propaganda.
5. “E a mim interessam-se são os efeitos, não as construções semânticas da Inteligentsia portuguesa, que é sempre muito interessante a construir explicações para o Salazarismo,
mas lamentavelmente, nunca nos consegue explicar os números económicos absolutamente de merda do Salazarismo , os indicadores de qualidade de vida humana péssimos, a economia do país- isto num Império colonial fechado e de mercados protegidos.”
Todo o seu comentário anda à volta disto. Qual é o problema de se encontrarem explicações para o Salazarismo ? Não é esse o objectivo da História ? O porquê, como, quando ? E com que raízes, com que antecedentes ? Ou será que devemos reduzir 50 anos da nossa história a um vazio na nossa memória colectiva.
Quanto à questão económica: basta dar uma vista de olhos pelo que o Fernando Rosas tem andado a escrever. Uma economia proteccionista, onde o capital estava concentrado nos grandes grupos económicos, intimamente ligados e dependentes da iniciativa do poder político. Uma economia asfixiadissima pela legislação estatal e por um modelo corporativo que asfixiava a liberdade de produção, um poder político que impedia ao máximo a entrada de capital estrangeiro, quer ao nível do crédito que ao nível de empresas (algo que só começa a mudar nos anos 50/60), o que impediu uma real industrialização portuguesa, dependente acima de tudo do capital nacional, provindo da produção agrícola, metropolitana e colonial. Uma economia de cariz ruralizante e em que a maioria da produção industrial era feita por via artesanal. Quanto às colónias: utilizadas até aos anos 60 quase como meras abastecedoras de matérias-primas da Metrópole, com o início da guerra colonial viram o seu desenvolvimento económico-social acentuar-se a olhos vistos: a necessidade de justificar a presença portuguesa para além do “direito histórico” a isso obrigava. Mas atenção, a verdade é que no Estado Novo se observa a um incremento dos indicadores económicos, de qualidade de vida e de alfabetização em Portugal relativamente à Primeira República, o que não invalida o facto de estarem abaixo de países como a Alemanha ou a Inglaterra.
6. Por último, “quanto às diferenças semânticas”. Qualquer acto injustificado de violência é absolutamente condenável. Estamos de acordo. Mas a questão reside em até que ponto a violência do Estado era exercida. E “essas diferenças semânticas” de que fala consistiam na diferença de, em Portugal, você poder acreditar em Deus ou não, ir a culto protestante ou não, optar por comprar legalmente um jornal que o poder político sabia que pertencia à oposição: República ou o Expresso, e até o Diário de Lisboa ao invés do oficioso Diário de Notícias; conforme as taras da Censura, poder ler um Virgilio Ferreira, de poder percorrer livremente o País sem quaisquer tipo de entraves, de não ser obrigado a aderir a um Partido único, monopolizador da “verdade” e inculcador da mesma numa opinião pública. Pode parecer muito, muito pouco, mas são estas pequenas coisas que separam o Estado Novo dos regimes da Alemanha, Itália e União Soviética, assim como não acontece na China (nomeadamente a liberdade de circulação interna). E são estas pequenas coisas que nos obrigam às tais diferenças semânticas, porque um carro não é o mesmo que um camião, compreende ? Por último, uma pequena nota, convém não confundir “salazarismo” com Estado Novo. Salazar possuía, de facto, um projecto tendencialmente totalitarista para Portugal, baseado sobretudo num ideário neo-medieval, baseado numa vivência católica e rural muito mais acentuada do que o se veio a verificar na prática, assim como a completa erradicação da vida parlamentar e de qualquer tipo de opinião pública contestatária. Na prática, porém, o respeito pelo direito falou sempre mais alto em Salazar, o que não era alheio ao facto de ser um homem estruturalmente dotado de uma mentalidade jurídica, decorrente da sua formação académica. Assim se manteve, embora bastante condicionada, a vida parlamentar, assim como o Estado Novo se manteve separado da Igreja: e atenção, porque as relações entre Estado Novo e Igreja foram marcadas quer por períodos de sintonia, quer por graves conflitos, caso da questão dos feriados religiosos ou da célebre expulsão do bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, por ter endereçado a Salazar uma carta crítica à sua governação.
G. Sampaio
29 29UTC Junho 29UTC 2008 em 23:31
Caro G sampaio: você parece pensar que o meu comentário de resposta continha algo de ataque pessoal , coisa que não é verdade.
Já agora acrescento que não parti do principio que o G.Sampaio estava a fazer a apologia do Salazarismo ou do Estado.
O que eu parti do principio foi o seguinte: se lhe perguntarem academicamente esse tipo de questões, o G sampaio deve responder exactamente como o fez no meu comentário.
Se quiser saber outras coisas, deve pensar por si próprio e não ir exactamente pela cartilha académica portuguesa, que , quase toda ela, é composta por pessoas que se “fizeram” dentro de ma sistema académico que é em tudo idêntico ao que era nos primeiros tempos do Salazarismo.
Agora há computadores e salas com ar condicionado e mulheres na Universidade, mas o pensamento médio é todo o mesmo que era há 80 anos.
E a forma média de pensar quase escolástica é a mesma. Micro feudos, tendências de amigos, temor intelectual reverencial e por aí fora.
Quanto às minhas conotações políticas elas são absolutamente simples,( não simplistas) como aliás está ali na página ao lado onde diz “acerca deste blog”.
Eu sou só de esquerda , mas não considero “de esquerda” ou como sendo de esquerda estas 3 pseudo coisas políticas que dão pelo nome de PS, BE, PCP. Que são 3 pseudo movimentos políticos absolutamente execráveis sob vários pontos de vista.
Situo-me apenas no magnifico e vastíssimo espaço que vai da direita do BE até ao centro político, onde não considero que o actual governo/ partido socialista está.
Acho-os mais ao nível dos escroques e da máfia calabresa do que propriamente no centro político… E não se preocupe que eu não achei que havia sarcasmo da sua parte
O que eu quis dizer, simplesmente é o seguinte:..
Isto cobre mais ou menos os pontos 1 e 2. Não vou falar da obra do Medina porque não a li, apenas excertos da obra dele e já há muito tempo, e estou agora a recordar-me que ele de facto tinha essa opinião.
No entanto e não fazendo juízos de valor sobre o carácter do senhor Medina, já sobre aquilo que se chama esquerda dos anos 60 é algo do qual eu tenho imensas dúvidas,a acerca da “validade intelectual ” e da nobreza de carácter das pessoas dessa época, que tenho apenas na conta de medíocres.
São eles afinal os magnifico responsáveis pelo actual estado das coisas, e eu afirmo isto pela simples razão que nunca quiseram verdadeiramente impor uma democracia parlamentar, mas sim depor o “chefe Salazar” e trocá-lo por uma oligarquia de pseudo democratas de várias cores.
Importarem-se com Portugal ou com o seu desenvolvimento futuro? Claro que não.
O resultado é “Isto” que temos.
Ponto 3 :
Eu não parti do principio que o GSampaio tinha dito que o Estado Novo era uma democracia ou que estava a fazer apologia – esteja descansado.
Eu dei o exemplo de 52, porque uma vez li a descrição da coisa muito pormenorizadamente, há muito tempo e fez-me particular nojo a maneira como as coisas se passaram – a indução a uma determinada coisa, a atracção de pessoas honestas a exprimirem-se livremente apenas para “depois de meterem a cabeça de fora” serem esmagados da forma mais tiranica possível.
Ponto 4:
O g Smapio tem razão quando diz que “ele apenas a legalizou”. De facto o regime que existia desde 1926 era uma espécie de ditadura militar de generais broncos.
Mas o que eu queria dizer( aqui o lapso a explicar a minha própria ideia é meu) é que ele queria implementar uma ditadura “dele mesmo” – uma ditadura absolutamente centrada apenas numa única pessoa – ele mesmo.
Há um discurso dele da altura em que ele é primeiramente chamado ao governo e em que esteve lá muito pouco tempo que ele escreve no boletim da faculdade de direito de Coimbra em que ele já nessa altura “diz ao que vêm” e ninguém repara no que ele diz.
É óbvio que depois os métodos foram aqueles que foram…
Quanto a parte em que ele tinha grande aceitação nacional na época, não disputo isso, era uma evidência.(Isso não é contra argumentável, sequer…)
O problema é – para mim – a origem da grande aceitação nacional à época. Em termos de legitimidade.Ela surge de onde? Porque o homem pôs as contas em ordem.
Mas isso chega para justificar que depois se avance para uma ditadura?(Ou que se legalize uma ditadura?
Obviamente que para mim não.(E para si também penso que não…)
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A partir do ponto 5 vou responder num outro comentário para não tentar tornar isto muito longo.
dissidentex
30 30UTC Junho 30UTC 2008 em 13:26
Ponto 5:
Objectivo da história e encontrar explicações.
No caso do Salazarismo as explicações que são geralmente encontradas são péssimas.
Vou tentar explicar dando um exemplo paralelo e peço que o G.Sampaio não interprete isto como uma critica a si ou como um ataque pessoal.
Você cita Helena Matos e Fernando Rosas.
Quer uma quer a outra pessoa são execráveis e duvido muito que tenham qualquer imparcialidade a escrever sobre a história portuguesa recente.
Até o senhor Manuel Loft que é do PCP deve ser mais imparcial( é difícil eu sei) do que esses dois.
Representam as franjas das franjas da sociedade portuguesa.
E tudo isto para chegar onde: ao facto de não se dever branquear 50 anos da nossa história.
Do meu ponto de vista quando pessoas como essas duas falam de história de Portugal estão a branquear certos e determinados aspectos de assuntos que não lhes interessa falar.
Porque a maior parte da classe académica portuguesa é incapaz de ser verdadeira e é muito corrupta e “produz” ao serviço dos grupos que a sustentam ou da moda política dominante.
E outra nota: a “esquerda política oficial”, aquela que emergiu após o 25 de Abril fechou sempre os olhos ao ensino correcto de história no ensino secundário.
Especialmente à parte que vai de 1933 até aos dias actuais.
Especialmente à parte do Salazarismo. Nisto foi sempre secundada pela direita política. Não penso que isto tenha sido por acaso, pela simples razão que considero que a maior parte das pessoas que são actualmente filiadas em partidos de esquerda antes do 25 A eram simpatizantes do Salazarismo ou da direita.
Fecharam foi muito bem os rastos a que se percebesse isso.
É aliás isso que explica o enorme fracasso da actual democracia portuguesa porque ela nunca foi desenhada para ter exito, não por culpa de ser demasiado estatizada ou social ou o que seja, mas sim porque quem arquitectou o que se está a passar apenas quis gerar cosmética democrática assente em eleições regulares e livres e mais duas ou 3 coisinhas de somenos importância como liberdade de expressão, mas
em tudo o resto – manteve tudo o que vinha do Salazarismo.
É por isso que o G-.Sampaio se alguma vez estiver para aí virado , perceberá que o sistema político administrativo da nossa gloriosa república após o 25 A, foi mantido no seu essencial de acordo com o Marcelo Caetanismo administrativo.
Nunca este tipo de questões e se calhar mais umas 200 que eu aqui pusesse foram sequer debatidas pelos partidos e pela sociedade civil.
Este tipo de assuntos foram sempre “afastados” da agenda publica de discussão.
Porque a ideia era manter um embrião em tudo semelhante ao que antes existia.
O resultado económico e político? Este que temos.
———————
“”Quanto à questão económica: basta dar uma vista de olhos pelo que o Fernando Rosas tem andado a escrever. “”
Sobre isto aqui e a partir desta parte !aquilo” era uma economia de tipo fscista relativamente à produção e ao comércio, um local fechado e que visava impedir a influência estrangeira e as modas estrangeiras de se instalarem aqui e começarem a ajudar a mudar mentalidades.
A ideia económica do Salazarismo era tornar o país em algo totalmente rural , mas isso era feito apenas e só por ideias políticas.
A política do Salazarismo moldada pelo líder queria objectivamente uma não industrialização até porque isso impedia o pcp/comunismo de expandir influência e é mais fácil controlar uma população de tipo rural que está mais distribuída por todo o território do que uma população concentrada em ares industriais À volta de cidades.
E tudo isso explica os resultados medíocres da economia portuguesa e o seu atraso . Era esse o conceito, isto é, o conceito do ditador.
Eu falei no filme da aldeia da roupa Branca num anterior comentário porque aquilo é pura ideologia anti concorrência( duas carroças de transporte de roupa das lavadeiras de caneças entram em conflito -mensagem subliminar: estão a ver como a concorrência é má e destrói a harmonia do povo?
Além disso Gsampio vamos ser claros: isto não é uma critica a si, mas fazer comparações entre a educação do Estado Novo e a da primeira República é de uma desonestidade total.
Os defensores do Salazarismo usam sempre esse argumento, mas nunca fazem comparações entre os países europeus que foram arrasados na 2ºguerra mundial com o Salazarismo e aí -não há volta a dar-lhe – perdem em toda alinha na comparação.
Se aquilo era um autoritarismo, não uma ditadura , argumentam essas pessoas então cnclui-se que não teria os defeitos da ditadura.
Se não teria os defeitos de uma ditadura “Pura” então porque é que quando comparado com países europeus os resultados são uma grandessíssima merda?
A questão é esta simplesmente e só.
Fazer comparações com o passado, especialmente com a primeira república não é sério. Senão, qualquer comparação seria sempre feita com o passado e concluir-se-a sempre a mesma coisa: que antes era pior que agora e que os resultados agora são melhores que antes.
PONTO 6:
Olhe, a minha avó tem 89 anos. Explicou-me um destes dias que no dia primeiro de Maio, o meu avó nunca trabalhava.
Mas ia ao emprego. Sabe porquê? Porque ele tinha a liberdade de acreditar no primeiro de maio como feriado destinado ao trabalhador , mas caso exercesse a liberdade efectivamente de acreditar nisso, de forma concreta,
era despedido
e era metido numa listagem da pide ou pior.
Tudo isto, claro, era feito “juridicamente” e legalmente.
Há de facto uma diferença na aplicação da força estadual, mas os efeitos dessa diferença prejudicavam as pessoas.
dissidentex
30 30UTC Junho 30UTC 2008 em 16:21
Este “arejamento” sobre os termos e as definições que se referem ao estado novo é importante porque, sobre ele, há demasiadas sombras e fantasmas putrefactos. É importante perceber a extrema perversidade daquele regime. Foi este ser(brutal) sem o ser aparentemente e de frente, este autoritarismo “quase” totalitário, associado a um sistema de ensino subserviente e incompetente que, aplicado a um povo num estado de acentuado analfabetismo, criou cidadãos medrosos, incultos, inseguros e uma academia (quase toda) medíocre. E foi tão eficiente que permaneceu como que num veio de memória inconsciente que, ainda hoje, produz efeitos insanos.
“E são estas pequenas coisas que nos obrigam às tais diferenças semânticas, porque um carro não é o mesmo que um camião, compreende ?”
Pois, um camião tem mais probabilidades de matar de vez, enquanto um carro, quando atropela, pode até não matar mas deixar alguém a viver uma vida, com sequelas tais, que se tornará num inferno e numa prisão.
O meu ponto aqui é que os dois são veículos muito perigosos e nenhum deveria nunca ser utilizado.
A
1 01UTC Julho 01UTC 2008 em 7:26
A: o Gsampaio, tem razão quando diz , por exemplo que existe uma aplicação da palavra totalitarismo em relação a quase tudo.
E tem razão em quase tudo quando explica as diferenças e os diferentes métodos usados pelo Salazarismo e como o regime de auto definia. Isto quando comparado ao nazismo e ao fascismo italiano.
No entanto, o problema é o seguinte( e aí concordo com o historiador que citei) : aquilo era uma regime totalitário.
Utilizava era maneiras e formas diferentes de se afirmar e em parte era mais perigoso sobre a sua própria população do que o nazismo e o fascismo italianos.
E os adeptos daquilo , nos quais não incluo o Gsampaio, note-se tem estado sistematicamente perante a complacência geral a vende a ideia que aquilo era um regime quase democrático apontando as formalidades legais daquele regime como sendo uma coisa que o diferenciava para melhor dos outros.
Coisa que não é verdade. O regime era péssimo.
E a única razão pelo qual o regime não surge aos olhos das pessoas como sendo aquio que efectivamente era- péssimo – é porque a actual democracia portuguesa é um estrondoso falhanço.
E como não o poderia ser?
Grande parte das pessoas que a fizeram e que a cavalgaram a seguir nunca quiseram estabelecer um regime extremamente democrático.
Ficaram-se pelo afastar do partido comunista do poder e ficaram-se pela existência de eleições livres e mais umas quantas coisas, mas mais nada.
E é isto que permite o ressurgimento destas correntes e destas precisões terminológicas que estão, de facto, a branquer o totalitarismo inerente ao Estado novo.
Um exemplo paralelo negativo para o actual regime é dizer-se que todos tem acesso À justiça actualmente.
E não se dizer que todos implica dizer “Todos que tem dinheiro” para isso.
No entanto qualquer historiador daqui a 100 anos dirá convictamente que a República portuguesa de princípios do século 21 era justa e proporcionava a todos os seus cidadãos condições iguais de acesso à justiça
Quando sabemos que não é assim.
dissidentex
1 01UTC Julho 01UTC 2008 em 10:56
Viva! E desculpe a demora em responder ao seu comentário. Na generalidade, concordo consigo e fico satisfeito pela sua honestidade e franqueza ao afirmar que não me pretendia atacar: infelizmente, a falta de respeito pela liberdade e diversidade de opiniões é um dos grandes vícios que corroem a blogosfera, especialmente alguns blogues que se julgam detentores dessa mesma “liberdade”/verdade, e que todos sabemos quais são.
Apenas, porém, duas ou três ressalvas.
Apesar da Helena Matos e, sobretudo, o Rosas, serem personagens que despertam muita desconfiança por não sabermos onde reside o ténue limite entre o homem político e o homem historiador, a verdade é que ambos – quando não estão a dizer parvoíces – escrevem algumas coisas de jeito. E o Rosas é dos tipos que mais tem escrito sobre a História Económica do Estado Novo. Quanto ao Medina: é um caso que me “toca” um pouco, porque fui provavelmente um dos membros da última turma a que ele deu aulas e é precisamente um daqueles casos de alguém que foi vítima do conformismo que, em geral, reina no nosso meio universitário. Alguém que abandona a universidade portuguesa sem o reconhecimento devido às suas grandes qualidades. Quanto ao meio universitário português: não diria que existe uma mediocridade – pelo menos na História -, existindo sobretudo imobilismo e conformismo. Porque continua aí a haver professores muito bons (talvez o Fernando Catroga seja o melhor de todos), independentemente das suas preferências políticas, assumidas ou não; assim como há muitos outros, que, menos conhecidos, continuam, quais formigas, a trabalhar arduamente sem a publicidade devida. E isto sem falar dos novos valores que surgem por aí como cogumelos, quase sempre sem qualquer tipo de apoios para além da boa vontade de alguns professores mais atentos e mais humanos (literalmente). Agora a moda anda nas bandas das relações internacionais, ciência política… Claro que tal não deixa de ter por trás uma agenda política. (No fundo: História, Ciência Política e R. Internacionais deveriam estar interligadas.) Infelizmente, a História portuguesa nos meios de comunicação social resume-se ao Rosas, ao Rui Ramos e, desde o último ano, à Flunser Pimentel: isto sem por em causa os méritos devidos às pessoas mencionadas, mas põe seriamente em causa a imparcialidade que a representação e o ensino da História deveria ter em Portugal.
- Quanto à questão dos índices de alfabetização e outros entre a 1ª Rep. e o Estado Novo. Não era minha intenção ser desonesto, pois apesar de não o ter escrito – lapso meu – tinha bem presente que os maiores índices apresentados pelo E. Novo decorriam da sua maior duração, e, sobretudo no caso da Educação, de uma estratégia de educação muito agressiva e bem delineada pelo poder central, sobretudo ao nível do ensino primário. De qualquer modo, não poderia ser de outra forma, comparando os curtos dezasseis anos de Rep. com os cinquenta anos de Estado Novo. Além disso, a comparação era legítima, especialmente porque existe a tendência para endeusar a suposta democraticidade da 1ª Republica quando ela, na prática, não foi mais do que uma ditadura do Partido Democrático, liderado pelo Afonso Costa em Portugal ou no exílio. E eu refiro claramente que os indicadores portugueses eram inferiores aos da Europa, nem poderia ser de outra forma, nem eu pretendo justificar seja o que for.
- Parece-me que partilha da ideia da “revolução falhada” do 25 de Abril. Pessoalmente, considero que o 25 de Abril é muitas vezes considerado uma “revolução falhada” pelas erroneas expectativas nele depositadas. Caso o golpe de 16 de Março de 1974, organizado maioritariamente por oficiais afectos a Spínola, tivesse sido bem sucedido, muita coisa teria sido diferente. Provavelmente não teria existido um “Verão Quente”, e sobretudo a dimensão pluri-continental do Portugal da época poderia ter tido muitas possibilidade de ser mantida, quiçá ao nível de federação, ao de mera associação simbólica. Ou simplesmente teria sido empreendido um processo descolonizador muito mais pacífico e responsável. Isto para dizer que, primevamente, o 25 de Abril reside na iniciativa de um grupo de oficiais apolitizados, com o objectivo de fazer uma transição pacífica. As revoluções não têm que ser necessáriamente compostas por grandes saneamentos, veja.se o sucesso da transição pacífica espanhola. Resumidamente, considero que aquilo que se passou entre a saída de Spinola da Presidência da República e o Novembro de 75 não foi mais do que um processo, de certo modo, exterior aos objectivos iniciais da revolução: democracia, fim da guerra, e, se fosse necessário para cumprir este ultimo objectivo: descolonização. Foi uma deriva, pois nunca houve nas mentes de homens como Costa Gomes e Spínola – que apesar de não terem conduzido in persona o processo revolucionário, foram, sem qualquer dúvida, os grandes catalisadores do movimento das forças armadas – promover ataques aos grandes industriais, desbaratar as finanças, colectivizar a propriedade, etc.
Mas, por outro lado, e se bem compreendi, você refere-se talvez antes ao facto de não se ter feito o suficiente na adopção de novos critérios de exigência e seriedade na formação das novas elites políticas, de não existir em Portugal uma real cultura política da vivência em democracia e de não se ter feito o suficiente para promover essa mesma cultura. Pois bem, as elites do pós-25 não são mais do que herdeiras das tricas, estreiteza de carácter e provincianismo dos seus antecessores: desde os liberais da Primeira Republica até aos republicanos da 1ª Rep. Essa tendência chega até aos nossos dias , visível, entre muitas outras coisas, no carácter arrogante com que certos indivíduos tratam os seus conterrâneos, por os julgarem incapazes de pensar e entenderem tudo se resolve via grandes projectos e medidas predefinidas prontamente transpostas do papel para a prática. Algo que afecta tanto os antigos marxistas, como os socialistas e a nossa direita liberal, com a qual, eu, porque mais que tente e por esse motivo, não me consigo plenamente identificar. No fundo, bom senso da nossa classe política é o que pedimos e exigimos. (Existe até para aí um blogue que trata a restante população portuguesa por “bovinos” e se declara “contra o estado de bovinidade geral”. Simpático, no mínimo. Pelo menos não nos chama de camelos.)
- Último ponto. Referiu a questão da legitimidade política do Estado Novo. Eu esqueci-me de o mencionar, mas a melhor pessoa que tratou a questão foi o próprio Marcello Caetano, um indivíduo com bastante valor e seriedade, tratado da maneira inversa nos nossos dias. O Marcello afirmou, salvo erro, nos anos cinquenta, que o Estado Novo não era mais do que a reunião das condições ideais para se exercer o poder. Daqui se depreende que a legitimidade residia tão só no carisma e prestígio do Salazar, com o apoio, como não poderia deixar de ser, das forças armadas. Convém ter em conta que a legitimidade pode não ser apenas de tipo democrático, mas também poder ser de tipo carismático (à la Max Weber). A verdade, porém, é que a legitimidade democrática, com base no livre exercício da escolha popular, numa democracia com representação proporcional (e não directa!) é bastante mais saudável.
Grande abraço
G. Sampaio
1 01UTC Julho 01UTC 2008 em 23:04
Apenas uma pequena correcção a este meu último comentário. Quando afirmo “desde os liberais da Primeira Republica até aos republicanos da 1ª Rep”, queria dizer : “desde os liberais da monarquia constitucional até…”.
G. Sampaio
1 01UTC Julho 01UTC 2008 em 23:08
Gsamapio: apesar de parecer que eu estava a ser truculento ou agressivo não era esse o caso. Normalmente não pessoalizo, e além disso não é necessário estar a preocupar-se com a rapidez na resposta.
( Parece que o patrão desta coisa chamada WordPress abre 24/24
)
——
“…especialmente alguns blogues que se julgam detentores dessa mesma “liberdade”/verdade, e que todos sabemos quais são.”
Quais?
Rosas/Helena Matos: eu percebo o ponto neste comentário, mas e não é para ser teimoso ou para afirmar um ponto de vista, mantenho o que disse no anterior sobre os dois.
Isto demorava a explicar e eu tinha que fazer analogias e comparações com outras pessoas e a conversa teria que se algo privada. Analogias e comparações com outro tipo de questões políticas e com situações indirectamente relacionadas por exemplo, com o conteúdo do post acima deste , por estranho que isso possa parecer.
Quero dizer com isto que a minha opinião não é só ou estritamente só sobre a história ou sobre o mérito específico do trabalho histórico destas pessoas.
Penso que dadas as áreas ideológicas de onde provém os dois é absolutamente impossível serem imparciais ou sequer remotamente tentarem sê-lo.
E quanto à qualidade de escrita, já li coisas de ambos e o emaranhado de assuntos e frases é atroz de tão mau. Pessoas que ainda conseguem escrever pior que eu.
Por exemplo o artigos da senhora Matos no Público são um festival de confusão mental…
Eu sei algumas coisinhas de história do Estado novo porque estudei algumas coisinhas de economia política e acabei a ler umas coisas sobre economia corporativa nazi e a organização da mesma,etc.
E o decalque que se pode tirar para a situação portuguesa é bastante similar, salvo as devidas distancias de a nazi por exemplo, se orientar para uma economia de guerra,etc.
Mas vejo a coisa cá como uma questão política da parte do regime e acerca de tudo , como uma questão de “Poder” , de um conceito de poder.
É por isso que Salazar gera tanto fascínio: porque o homem tinha um conceito de poder.
A democracia actual portuguesa não tem um conceito de poder democrático.
É isso que faz suspirar muita gente pelo Salazarismo.
——–
Medina: eu li ou vi uma grande reportagem/entrevista sobre o Medina e recordo-me que aquilo que o Gsampaio escreveu no comentário sobre ele é coincidente com aquilo que me lembro – a tal ideia dele que o regime não era exactamente uma ditadura igual à outras.
Mas sinceramente e sem ter conhecido o homem, penso que essa opinião se deveria a alguma generosidade pessoal dele, e ao distanciamento/saída de Portugal que o levaram a ter essa opinião.
Penso que ele não esteve cá talvez o tempo suficiente para ver em plenitude o regime em acção.
Dai a generosidade dele a catalogar o regime.
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Meio Universitário: existe alguma mediocridade inerente – isto é, em linha com o que se passa na U. portuguesa. Não há renovação de gerações na história e há assuntos que são pouco estudados.
Mas a nível de investigação há muita investigação e de acordo com padrões internacionais de qualidade.
No entanto e comparativamente com outro cursos parecem-me bem melhores.
Rui Ramos: execrável. Não é historiador, é outra coisa.
É uma versão reloaded do senhor Freire Antunes , o grande “novo historiador” do Cavaquismo…
O combate de boxe Rosas/Ramos tem a ver com uma mistificação imbecil que existe desde há uns 15 anos em Portugal que consiste em tentar convencer as pessoas que micro correntes minoritárias que representam 5 pessoas e um cão são afinal a maioria do sentir e do pensar dos portugueses.
A comunicação social e as manipulações comandadas a partir de Carnaxide amplificam isso.
Uma provocação grosseira, para si, Gsampaio: então esse grande historiador P. Pereira? Não o menciona?
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Educação E. novo vs 1ª República. esteja descansado que eu percebi que não estava a fazer a comparação.
O que eu pretendi dizer é que não me parece honestamente possível comparar os tais 16 anos temporalmente localizados muito antes do Estado Novo com os 48 do E. Novo.
isto por um lado. Por outro os defensores do Salazarismo fazem isso,desonestamente , e nunca comparam com dados europeus.
Há muito tempo vi índices escolares da Suécia na altura da 1`república a nível de alfabetização. Eram miseráveis, piores que os nossos. A partir dos anos 30 eles começaram a ir-se embora.Nos anos 60 já eram os nórdicos dos melhores da Europa.
A estratégia de educação agressiva do Estado Novo visava criar pessoas capazes de saber ler o mínimo, contar o mínimo, ter hábitos de disciplina a nível de horários, saber usar relógios e vender a parte ideológica (Portugal do Minho até Timor e restantes tretas…)
Uma jovem ditadura queria solidificar-se em “modo rápido”. Nada melhor do que lançar programas agressivos de construção de escolas primárias todas iguais e segmentar a partir daí por escolas comerciais, etc.
Era uma aproximação à lógica do antigo regime: todos na sociedade devem ter a sua posição definida como os órgãos do corpo humano… Só assim a sociedade será harmoniosa…etc..
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Democraticidade da primeira república: pouca , muito pouca. Um República que permite voto cencitário….batatas
Essa foi logo um das formas de se começar a falhar…
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“”Parece-me que partilha da ideia da “revolução falhada” do 25 de Abril. Pessoalmente, considero que o 25 de Abril é muitas vezes considerado uma “revolução falhada” pelas erroneas expectativas nele depositadas”"
Gsampaio: se eu fosse a dizer o que penso ( mais sobre uma apreciação política do que histórica,note-se) sobre essa gloriosa revolução …
Você deve ser muito boa pessoa ao dizer erróneas expectativas nele depositadas…
Eu li um livro que me abriu completamente os olhos acerca do que foi o 25 de Abril embora tenha sido escrito o seu conteúdo muito tempo antes dele acontecer, por uma pessoa do melhor que há.
Há outro livro/filme que explica o que é o 25 de Abril português: o leopardo do Tomaso di lampeduza…
Nem consigo pensar no número de insultos e palavrões para qualificar o regime político administrativo absolutamente imbecil que saiu daquilo e que deu como resultado “isto” que temos.
Até mesmo para se fazer uma revolução é necessário ser-se competente e nós, como povo, colectivamente não o fomos.
É um acto falhado, um coito interrompido, um espermatozóide com hemorróidas que não atinge o caminho certo…enfim uma grande bosta que deu origem a isto…
Perante um regime “novo ” falhado alguém reage e corrige? Claro que não…
A questão das expectativas: passo a outro comentário para isto não ficar muito longo
dissidentex
2 02UTC Julho 02UTC 2008 em 0:20
Gsampaio: expectativas.
Era absolutamente legítimo que existissem expectativas por causa do 25 de Abril.
Os políticos que comandaram o pós revolução conseguíram destrui-las todas.
Não fizeram qualquer esforço de projecção do que seria Portugal daí a 20 ou 30 ou 50 anos.
Apenas chegaram e afirmaram que a democracia desabrocharia , existiriam eleições livres , etc e tal, e a partir daí – por artes mágicas e influência de santos e profetas – o páis desenvolver-se-ia , sabe-se lá porquê.
Apenas porque passávamos a viver num regime de eleições livres, com partidos políticos e restante parafernália e os problemas iriam desaparecer por arte mágica.
Esta teorização aplicada pelos democratas de pacotilha que ainda aí temos, não só é intensamente estúpida como foi perigosa e totalmente irresponsável.
E foi por causa dela que andaram aos papeis durante 10 anos sem fazerem a merda de ideia nenhuma acerca de como governar o país.
Como não faziam porra de ideia nenhuma e isso estava a colocar o regime em perigo , pediu-se a adesão a CEE para que esta nos governasse.(Umas vez que os próprios eram uns merdas incapzes…)
Pelo meio disto surgiu o senhor Cavaco e este alterou a natureza do regime e cometeu um conjunto inacreditável de erros básicos, que nos vão custar caro nos próximos 100 anos.
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“”Mas, por outro lado, e se bem compreendi, você refere-se talvez antes ao facto de não se ter feito o suficiente na adopção de novos critérios de exigência e seriedade na formação das novas elites políticas, de não existir em Portugal uma real cultura política da vivência em democracia e de não se ter feito o suficiente para promover essa mesma cultura.”"
Não foi feito porque nunca existiu qualquer intenção de fazer isto e outras coisas.
A elite política portuguesa – aquilo que se chama a elite política portuguesa – é apenas um conjunto de traidores e de vendidos, comerciantes de almas que param de porto em porto sempre em busca do cliente mais favorável aos seus próprios interesses para poderem vender Portugal.
Como tal, não lhes interessa, nunca interessou promover uma real forma de política em democracia.
Não vão promover algo que os desmistifica.
Caso o fizessem todas as pessoas veriam a dimensão da traição. Veriam que apenas se trabalha para trair a população e os cidadãos.
O Gsampaio verifica isto com um exemplo analítico simples.
Se houvesse interesse em real desenvolvimento a todos os níveis, qualquer governo teria governado de forma eficiente tornando desnecessário que o eleitor, por exemplo, considerasse necessário votar PCP.
Na realidade , verificamos que qualquer governo governou e governa tornando a existência na cabeça do eleitor , do PCP, como sendo uma inevitabilidade.
Assim, pode-se afirmar que “ali estão os radiais de esquerda” e aqui( nós os democratas) somos calmos e ponderados.
Acaso existissem novos critérios de formação de elites políticas, isso significaria que as novas daí resultantes considerariam “indigno” e anti democrático continuar a favorecer situações que favoreceriam a continuada existência deste partido político assente num modelo de sociedade idiota.
É isso que explica o não investimento histórico no Alentejo, precisamente para criar uma “zona de exclusão” para onde se pudessem acantonar “os radicais”.
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Quanto a questão de me dizer que se tenta identificar com a nossa direita liberal mas não consegue.
Eu detesto os gajos, por isso sou suspeito, mas deixo um conselho (vale o que vale) : não será melhor sair dessa área e comer um frango assado numa sombrinha debaixo de um pinhal?
A nossa direita liberal tem dois grandes problemas: não são de direita , nem são liberais.
São apenas parvos gananciosos.
Tem ainda o grande complexo de quererem ter sido da JCP durante os anos 80, mas pediram ao pai e ele disse que não.
Frustrados por causa disso, passaram a comprar Ralph Lauren e tornaram-se da direita liberal, não sem antes terem ido cortar o cabelo.
Direita liberal era o que estava a mão, quando iam a passar. Se fosse a associação recreativa da defesa do ovo a cavalo nos restaurantes tornar-se-iam dessa associação…
Quanto ao blog da agricultura bovina, sei quem é e quem são.
Medíocres, desonestos, quase todos, e cheios de apetite de poder.
Representam uma micro tendência ultra minoritária na sociedade portuguesa ( 5 pessoas, um cão e um faisão) mas julgam que representam 3 milhões de pessoas.
É um blog para publico acefálo onde se cita Adam Smith nas partes que convém ,mas não se cita nas outras e se cita Stuart Mill .
Pessoalmente considero que a aplicação de teorias económicas / políticas de gajos que estão há 200 anos a fazer tijolo é apenas uma grandessíssima merda e desonestidade intelectual, mas como a maioria dos acéfalos que lá vão gosta…
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Quanto á nossa classe política: não lhes peço nada; apenas que façam o favor de se extinguírem sem deixarem muitos detritos no chão. Não significa que detesto partidos políticos, mas esta cambada de atrasados mentais mete-me imenso nojo e asco.
Morram!Extinguem-se! Pereçam em agonia!
——
Legitimidade E.Novo:eu estava referir-me a isso com o seguinte sentido.
Pelo simples facto de o homem ter chegado ao poder da forma que chegou isso fere de morte a legitimidade do regime-
Como é óbvio – depois – uma pessoa intelectualmente superior como era o M Caetano, forjou uma teoria explicativa poderosa da legitimidade do regime.
Mas eu referia-me ao acto fundador daquilo. Um grupo de generais labregos faz merda e decide ir buscar um civil à F. de Coimbra para limpar as casas de banho e fazer intendência.
É aqui que começa a “pobre” legitimidade do homem.
Isto está despido de “história” e de exegese histórica, mas nu e cru é disto que se trata.
Depois a CRP de 33 , as leis, etc são a argamassa para construir o regime.
Quando se escreve a palavra argamassa, às duas da manhã é sinal que é melhor uma pessoa ir-se deitar
Já não está escrever nada de jeito…
dissidentex
2 02UTC Julho 02UTC 2008 em 0:59