IPHONE 3G DA APPLE
A APPLE, uma empresa que sempre foi conhecida por conseguir criar um “barulho publicitário” enorme em relação aos seus produtos, em que muitas vezes são apenas produtos de tipo “a montanha pariu um rato”, fez mais uma vez o mesmo relativamente ao IPHONE, uma espécie de novo telemóvel, mas com mais umas trezentas novas funcionalidades e conceitos de WEB 2.0 nele integrados.
No dia 11 de Julho de 2008, após a criação de enormes expectativas relativamente ao produto, um país em crise, aguardou, após já ter esperado vários meses e ter continuado a ser aumentada a sua expectativa, pela ligação e activação do produto À APPLE.
O produto custa 599 euros.
Algumas notas.
- O serviço de activação do mesmo falhou na origem, na APPLE. O mau jornalismo português simbolizado pelo Jornal Público dedica imensa atenção a este assunto, querendo parecer convencer-nos que isto é que é jornalismo e que isto tem algum interesse como notícia.
- A lógica da APPLE é a mesma da lógica do carro eléctrico Nissan-Renault de Sócrates. Os primeiros consumidores a entrar na compra do produto/serviço são aqueles que pagam o custo de investigação e desenvolvimento do produto e pagam os erros – os primeiros erros – que qualquer empresa comete ao lançar um produto novo.
- Precisamente pelo facto de existirem (sempre ) os primeiros erros conjugados com os custos de investigação e desenvolvimento, o produto quando sai de fábrica, construído em economia de escala deveria ser mais barato, deveria ser muito barato. Não o é, precisamente porque é necessário “amortizar” aqueles erros e custos iniciais bem como investigação e ainda aplicar uma margem de lucro sobre esses erros e sobre a investigação e desenvolvimento.
- O consumidor português ou o outro consumidor de um país onde seja lançado um produto destas características irá pagá-lo mais caro, em várias vertentes: erros + investigação + a taxa de o lucro aplicada pela empresa sobre estes defeitos estruturais do produto + o marketing e publicidade necessários para ocultar estas realidades anteriores, o que origina 599 euros e consumidores apenas muito satisfeitos porque pagaram uma quantidade enorme de dinheiro por um produto com esta lógica a ele aplicada.
- É especulativamente possível pensar que os problemas na origem para activar o produto são propositados: apenas visam criar a ansiedade no consumidor. Que não pode reclamar recusando o produto porque já o comprou e porque não existe alternativa dentro do mesmo género. Logo para quê investir em melhores servidores para proceder à activação?
No meio disto tudo temos o paroquialismo dos portugueses que, ficam cheios de peneiras e vaidade por fazerem parte de um grupo de 22 países ao qual a APPLE fez o amável favor de começar a vender o Iphone.
Não conseguem sequer perceber que isto não significa nada; antes estão a pagar um preço de custo alto por um produto que não é de primeira necessidade, num país pobre – embora onde não existem todos o membros da população em estado de pobreza.
O jornal Público, para supostamente criar audiências ou motivar “audiências tecnológicas” eleva o assunto quase à categoria de assunto de estado.
Só faltou um editorial exigindo medidas de apoio psicológico às famílias que ficaram devastadas e com profundos traumas psicológicos por não conseguírem activar um brinquedo de 599 euros.
Que os batalhões de psicólogos, sociólogos e demais ornitólogos se apresentem ao serviço, se fazem favor.
Temos no entanto uma nova oportunidade de negócio à vista. Uma nova oportunidade de criar um “cluster de empreendedorismo”. Cursos profissionais de 3 anos de duração, com possível mestrado posterior, para ensinar a superar o trauma de se ter adquirido um Iphone da APPLE e não se ter conseguído activá-lo.

Se já existem cursos do Instituto do emprego em formação profissional para jogadores de futebol, porque não cursos de 3 anos de superação do trauma psicológico por não se conseguir activar um Iphone 3g?



Este post está repleto de bom humor: humor baseado na realidade.
Quanto ao jornal O Público, tenho boa impressão dele e acho que é dos melhores em Portugal. Contudo, estão sujeitos a, de tempos a tempos, nos presentearem com situações destas.
Claro que existem. Vários telemóveis da série N da Nokia são superiores ao iPhone. Outro exemplo é o OpenMoko, que utiliza software livre.
Bruno Miguel
13 13UTC Julho 13UTC 2008 em 14:05
Bruno: Uma pessoa tem que desenvolver o sentido de humor ao falar destas coisas.
Quanto ao Jornal Público: repara , é de facto dos melhores em Portugal – pelo menos tem uma grande preocupação em termos tecnológicos e em acompanharem as tendências na parte online, etc.
Mas, tendo em conta a qualidade que já tiveram em papel quando começaram digo-te já que estão a anos luz de distância do que já foram. O ideal seria serem tão bons em papel como já foram há 15 anos atrás e conseguírem duplicar isso na Internet.
Ai garanto-te que tinhas um super jornal e que vendia…
Quanto a existirem melhores produtos da apple, de certeza que existem e acredito na tua palavra. O problema é que a tremenda propaganda que a apple faz é qualquer coisa de incrivel.
E eu queria-me referir aos alucinados que foram comprar aquilo que – na cabeça deles – só existe aquilo, por isso nem sequer lhes passa pela cabeça em reclamar em relação aquele produto.
Quando eu quis dizer mesmo género era no sentido mais estético/de moda do que propriamente na parte técnica.
Aí acredito que a Nokia é melhor, pela simples razão que a apple até faz algumas coisas boas e é uma empresa que inova mas também são uns arrotadores de publicidade e de barulhos à volta de qualquer coisa que lançam que faz impressão…
Mas ainda bem que comentaste. Olha por exemplo do Openmoko desconhecia a existência. Da Nokia tinha a ideia que eles tinham qualquer coisa muito boa nesta área até porque tinha lido uma entrevista do CEO em que ele dizia que o Iphone era um concorrente de peso e que a Nokia estava atenta.
Ora isso indica logo que eles tinham produtos na mesma área.
dissidentex
13 13UTC Julho 13UTC 2008 em 14:18
Mesmo com o sistema de activação a funcionar, garanto-vos que muita gente não consegue pôr o iPhone a funcionar.
O meu «iPhone» até tem funcionalidades a mais: permite efectuar e receber chamadas, o que até dispenso dado que não gosto de falar ao telefone.
Daniel Marques
14 14UTC Julho 14UTC 2008 em 22:15
Daniel: acredito que sim.
A complexidade deve ser de algum modo elevada.
E percebo o teu ponto: as funcionalidades que interessam, efectuar e receber chamadas parece que estão a mais nestes aparelhos.
dissidentex
14 14UTC Julho 14UTC 2008 em 22:50