UNIVERSIDADE DE LISBOA – FACULDADE DE DIREITO – CORRUPÇÃO.
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Hoje, dia 16 de Julho de 2008 iremos ver a acontecer um exemplo de algo que não devia acontecer neste país.
Um senhor de nacionalidade portuguesa, vai prestar provas de doutoramento na Universidade de Lisboa, Faculdade de direito.
Nada de anormal ou fora do comum aqui.
Já o que é anormal é o facto de dois membros do júri que o vai aprovar ou não aprovar serem sócios numa empresa da qual este senhor também é sócio.
Existe um óbvio e notório conflito de interesses entre as posições de independência que estas pessoas deveriam ter, e as provas a prestar pelo senhor.
O senhor chama-se Carlos Lobo e é secretário de estado do actual governo do partido socialista.
O orientador da tese do senhor Carlos Lobo é o senhor Eduardo Paz Ferreira, um dos sócios do senhor Carlos Lobo.
É ainda mais espantoso e revelador da falta de seriedade deste processo que o senhor Carlos tenha decidido aceitar um cargo de secretário de Estado, e ao mesmo tempo, esteja a fazer um doutoramento, uma actividade plenamente preenchida. Supõe-se.
Das duas, uma.
- Ou o senhor está-se a borrifar para o doutoramento e para as provas que tem que prestar porque sabe – já sabe antecipadamente - que as provas de doutoramento serão positivas, uma vez que tem dois amigos no painel de membros do júri que o irão aprovar.
- Ou o senhor esteve nos últimos 3 anos a fingir que estava a trabalhar como secretário de estado dos assuntos fiscais – sendo remunerado o seu ordenado pelo dinheiro dos contribuintes – que estiveram a pagar um principesco ordenado a uma pessoa que não trabalhou.
Não é lícito acreditar que uma pessoa que empreende estas duas tarefas consiga fazer bem qualquer uma delas.




Desde o momento da entrega da tese até à sua discussão medeiam vários meses (o júri tem de ser constituido, os arguentes têm de ler a tese e preparar a arguição, etc). Carlos Lobo entregou a tese bem antes de se tornar Secretário de Estado (só o é desde a remodelação do início deste ano, há alugns meses apenas), pelo que convém perceber os factos antes de tirar ilações disparatadas…
Quanto à acusação de corrupção, também voltamos a não ser usar os conceitos – corrupção envolve a obtenção por parte dos corruptos de um benefício ilegítimo para a prática de um acto. Aqui o que temos é um problema de impedimentos: a existência de uma relação de proximidade deve determinar o afastamento de determinadas pessoas da possibilidade de praticar certos actos.
Júlio Machado Correia
16 16UTC Julho 16UTC 2008 em 23:58
Julio Machado Correia.
mesmo que o senhor tenha entregue a tese há uns meses e só tenha aparecido nesta história desde a ultima remodelação e não faça parte do governo desde há 3 anos o problema é exactamente o mesmo.
Ou fazia uma coisa ou fazia outra.
Como compreenderá nem sequer estive na disposição de ir pesquisar o percurso do senhor em termos políticos, uma vez que as remodelações feitas pela porta do cavalo que este governo tem feito, bem como as movimentações dos políticos quando são deputados saindo pouco tempo depois de eleitos dos cargos, são elevadas.
Como não sou omnipresente nem omnisciente não tenho tempo nem sequer estou particularmente interessado nestas mudanças que para mim simbolizam a imensa corrupção e o atoleiro político em que este país está mergulhado.E que é independente do PS estar no poder,note-se.
E eu francamente não percebo os factos relacionados com alguém que tem dois sócios de negócios num júri de doutoramento.
lamento muito mas não percebo esses factos.
Nem sequer os acho justificáveis.
E quanto ao conceito de corrupção o que está aqui como noutras situações é isso mesmo.
Legalmente é a obtenção de benefícios ilegítimos por parte de um corrupto para a prática de um acto.
Mas existe uma diferença entre legalidade e seriedade – no mínimo – aqui.
Ou o senhor Carlos Lobo não beneficia( ou)indirectamente do facto de saber antecipadamente que dois membros do Júri votam a seu favor? E que puxam por ele?
Até mesmo psicologicamente dá(deu) outro tipo de garantias ao senhor Coelho.
As outras pessoas que se vão doutorar tem lá sócios nos membros do Júri?
————
E aqui temos um problema de impedimentos segundo me diz: Só que diga-me?
Os impedidos afastaram-se do problema? Ou foram lá servir de júri?
Parece que foram lá servir de júri, não foi?
Se, medeiam vários meses entre a entrega da tese , a discussão da mesma etc, os impedidos deveriam ter visto que estavam impedidos? Ou não? Ou estavam distraídos?
Além disso os impedidos já foram membros de júri anteriormente, presume-se e são professores de direito com titulo de catedráticos, portanto conhecem muito bem o sistema de impedimentos ou não?
Olhe o que eu acho fantástico é o relativismo e a desculpabilização que é feita perante uma situação destas pela sua parte.
Nem sequer está em causa o senhor aparentemente ser do actual governo PS, mas a estas técnicas de actuação useiras e vezeiras por uma ” certa classe ” de políticos e técnicos que falsificam com estes comportamentos uma coisa que deveria ser séria.
isto é corrupção.
Não a definida legalmente mas é corrupção.
O problema parece-me é que se quer convencer as pessoas que se isto for feito por um político está certo e se não for feito por um político é corrupção.
Lamento, não aceito uma sociedade em que existem conceitos aplicados a umas pessoas e a outras não.
dissidentex
17 17UTC Julho 17UTC 2008 em 8:22
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