MARCAS NACIONAIS E O SEU DESAPARECIMENTO.
O editorial ao lado é exemplar do magnifico estado do país. O jornalista chama a atenção para o desaparecimento de várias marcas nacionais (e a consequente perda de postos de trabalho) que o desaparecimento destas empresas origina ( bem como a perda de competências, de “saber-fazer” nestas áreas, “saber-fazer” que demorou muitas décadas a adquirir…).
E chama a atenção porque mais uma fábrica / marca nacional está com enormes problemas. A fábrica de pneus Camac.
Façamos a lista de marcas que desapareceram ou estão moribundas.
MOLIN – Material de escrita e desenho ( canetas e das boas)
MABOR GENERAL - Pneus.
UMM - Veículos automóveis (Jipes).
PORTARO - Veículos automóveis (Jipes).
SOREFAME – Concepção e fabrico de comboios.
CASAL - Motos.
MAKO JEANS – Calças de ganga , blusões de alta qualidade.
FOGÕES LEÃO: Produção e comercialização de Fogões.
FRIGORÍFICOS ESTRELA: Produção de Frigoríficos.
E ainda, o SABÃO CLARIM, o SABONETE FENO DE PORTUGAL, as Bicicletas VILAR, o leite com chocolate COQUI ( esta ainda existe, com fábrica e tudo, mas residual),
Que me lembre. E existem muitas outras mais. Existem e existiram fabricantes de automóveis em Portugal e produziam coisas de qualidade e mais do que um só fabricante.
Como por exemplo:
Existiram sempre possibilidade de produção própria e marcas nas mais variadas áreas industriais de produtos de alta qualidade feitos em Portugal.
Este carro é de 1954.
Sem pretender “glorificar” a ditadura, ou o nacionalismo económico, é necessário reflectir sobre o porquê de em 1954 se conseguir ter capacidade para produzir carros de concepção portuguesa e, actualmente, nem sequer as duas marcas portuguesas de fabrico de pneus, um mísero componente de um carro, conseguem sequer sobreviver.
A Mabor/Continental já foi, e a Camac está com salários em atraso.
No meio “disto”, o país irá gastar dinheiro a construir TGV´s e aeroportos.
O mais espantoso e focalizando no sector automóvel, é o facto de se ir fazer uma espécie de negócio com a Renault -Nissan, e não criar – por exemplo - duas alternativas:
- Ou o país criava uma marca própria aproveitando estas já existentes e desenvolvendo um protótipo de um carro a energia eléctrica.
- Ou o país propunha à Renault -Nissan que empresas como a Camac, fossem fornecedoras.
Paralelamente a isto escutamos os “brilhantes políticos portugueses” (ironia) a falarem da necessidade de o país ter marcas próprias fortes.
Bom, mas o país já teve essas marcas.
A foto foi retirada do Fórum Autohoje. A imagem é do Jornal de negócios de 25 Julho de 2008.
Mais uma vez interessa perceber-se, porque é que a marca portuguesa (exceptuando evidentemente, problemas de má gestão destas empresas) foi obliterada do panorama do país. (Conferir o que “não aconteceu à marca Claus Porto- Ach Brito).
Isto não aconteceu por acaso ou só por má gestão.
É patético observar a mesma geração de políticos que há 20 anos atrás afirmava que não era importante a política de marcas (e acima de tudo, das empresas / fábricas/ “saber-fazer”, que estava por detrás de todas estas indústrias), e agora babam-se, literalmente, gastando dinheiros infindos na promoção da marca Portugal.
Com campanhas idiotas e totalmente desmioladas e apenas orientadas para o turismo, não para a promoção de empresas e “saber-fazer industrial e comercial. (Porque esse “Saber-fazer” foi arrasado…)
Técnicas e conhecimentos acumulados e aperfeiçoados ao longo de gerações perdem-se, para, em troca, se investir no “turismo e nos serviços”.
Turismo e serviços que nunca gerarão o mesmo volume de emprego que antes existia.
E dizem-nos que isto é bom, e que temos que ter orgulho em Portugal.
♦
Uma certa corrente intelectual de pensamento e gestão, que tem “sucursais” na ciência política, na política activa, na economia, e na Blogosfera portuguesa defende este tipo de lógica do “turismo” e serviços”.
A aplicação deste “discurso” geo político / económico tem servido para destruir empresas nacionais mais pequenas nos mais variados países. Tem servido para legitimar o aumento de tamanho de empresas de grandes países.
Os pressupostos são sempre derivados de Adam Smith. as “vantagens comparativas”.
A versão recauchutada actual de Adam Smith chama-se Michael Porter e sua teoria do diamante competitivo.
Nos anos 90, o governo do senhor Cavaco Silva, encomendou um estudo (um milhão de contos/ 5 milhões de euros) para definir quais os casulos / nichos / “clusters” económicos nos quais a economia portuguesa se deveria “especializar”.
♦
NOTA: sem ter a certeza, e após pesquisa, penso que o estudo em questão é este: PORTER, Michael, “Construir as Vantagens Competitivas de Portugal”, Monitor Company, Edição Forum para a Competitividade, Lisboa, 1993
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A equipa de técnicos da Monitor Company (a companhia do senhor Porter) pairou aqui durante uns 4 meses recolhendo informação. Passados seis meses / um ano, apresentaram as suas conclusões.
Algum tempo mais tarde, recordo-me de ter lido uma entrevista de um industrial do norte em que a pessoa dizia que concordava na quase totalidade com o estudo dos técnicos da Monitor, especialmente porque as conclusões do estudo eram idênticas ás de um estudo interno que esse senhor tinha feito para a sua própria empresa. Ele não poderia precisamente por isso, contrariar-se a si mesmo.
O industrial em questão, bastante cavalheiro até, estava na prática a dizer que o que tinha sido feito era anunciar como boa nova aos pacóvios cá do sitio algo que já era conhecido pelos pacóvios cá do sítio.
Imagem retirada da página 9 do ficheiro PDF, que se pode retirar daqui
Repare-se em quais são os sectores que o estudo “diz” para se investir?
Repare-se quais são os sectores em que o estudo diz para investir e compare-se com o artigo da Claus Porto – Ach Brito e o que lá está escrito sobre o FMI e os “conselhos” de investimento /reestruturação da economia de um país e relacione-se isso com as teorias da vantagem comparativa de Adam Smith…






[...] post Dissidente-x intitulado ” “Marcas nacionais e o seu desaparecimento” era explicado como tinham desaparecido uma série de marcas [...]
O DECLÍNIO PROGRAMADO DE PORTUGAL E A ESQUERDA POLÍTICA « DISSIDENTE-X
24/06/2009 em 20:51
A: Não são só as “reformas” no ensino , mas também as ” reformas ” no resto da actividade económica.
A maior parte das pessoas não vê, não quer ver, e acha que é por ignorar o problema que este se irá resolver.
Não há abismo nenhum: nós até somos um país com 800 anos de história e restante conversa de chacha e portanto somos invulneráveis.
Junte-se a isto os “fazedores de opinião” e a propaganda que jorra de todos os lados e está organizado o sistema de novos escravos.
O nossos filhos e netos e bisnetos merecem isto?
Não, mas é a geração 25 de Abril que merecemos.
Estas pessoas fizeram uma espécie de revolução pra mudar de chefe; não para implementar democracia.
Agora estão aí a explodir todos os problemas …
dissidentex
05/08/2008 em 11:19
“A Europa “aceita” estas alterações porque é do enorme interesse dos países europeus do centro da Europa que a periferia inculta e semi fora de tudo se especialize em turismo e serviços.(…) Dessa forma , os empregos a sério irão ser colocados na Europa a sério. (…) uma periferia pobre, cheias de velhos , sem industria ou empregos de valor acrescentado de qualificação alguma ”
É exactamente ISTO que tem sido preparado e executado com as “reformas” no ensino (falo desta parte porque tenho obrigação de a conhecer melhor).
Espanta-me muito que poucos, além de alguns dos envolvidos, o tenham visto e não se perceba o abismo em se está a cair.
Também estou a gozar férias no inferno só de imaginar(saber) o que se vai passar no ano que vem e nos outros.
Os nossos filhos, netos e bisnetos merecem ISTO?
A
05/08/2008 em 9:23
Rui David:
eu lembro-me bem dos governos de Cavaco Silva.Muito bem até. É um personagem que eu execro.
No entanto, as criticas que devem ser feitas ao senhor não são as tradicionais.
Existem 3 períodos diferentes. O primeiro que durou dois anos com o governo minoritário, o segundo governo dele( 1ºmaioria absoluta) que foi dele longe o melhor e o 3º governo que foi um completo desastre.
As leis de protecção do ambiente forma feitas antes dos governos dele e umas coisas foram feitas no primeiro e segundo governos dele sobre o que já estava feito.
——
O que o actual governo do partido socialista fez, foi ir retirar as protecções leagais de decreto e legislação feita no inicio dos anos 80 criando nova legislação com excepções a isso que tinha sido feito.
Quando perguntas e colocas a questão segundo a qual, a Europa está atenta e a fiscalizar essa é uma má colocação da pergunta.
A Europa “aceita” estas alterações porque é do enorme interesse dos países europeus do centro da Europa que a periferia inculta e semi fora de tudo se especialize em turismo e serviços.
Dessa forma , os empregos a sério irão ser colocados na Europa á sério.
Esta é a estratégia que existe e à qual o estado português , isto é a pseudo elite de corruptos e cabrões que passa por ser o Estado Português não contraria .
Este é o negócio que está em cima da mesa.
E eu sei isto porque tive acesso a alguns dos estudos de prospectiva a duas décadas e o que está reservado para Portugal é ser uma periferia pobre, cheias de velhos , sem industria ou empregos de valor acrescentado de qualificação alguma , apenas centrado no turismo para ricos do norte da Europa e nada mais.
Um país que não produz nada.Excepto ser o bordel e o casino dos tipos ricos da Europa irem cá passar férias.
E não é necessário apresentar “números” de áreas de ocupação.Porque a “jogada” não vai ser feita assim.
Vai ser feita da seguinte maneira. Primeiro retiram-se certos limites e proibições estabelecendo uma clausula legar que estabelece excepcionalidade.
Depois dos factos estarem consumados, chega a novidade, por via de lei: pode-se ainda construir mais do que aquilo que já estava feito e previsto.
E será assim que enormes partes de Portugal especialmente no litoral serão turisticalizadas.
——–
Quanto ao teu amigo que diz que colocarão uma pressão sobre as pessoas tem razão.
Não irá recolocar estabilização demográfica nenhuma, nem de há 50 anos atrás.
Quem tem capacidade para fazer isso são industrias e empresas de outros sectores.não o turismo.
——-
O partido socialista já passou da fasquia de partido para se tratar de um conjunto de escroques.
Quanto a questão da alternância, isto é do PSD, eles estão absolutamente felizes com este governo actual do PS.
Abriu-lhes todas SEM EXCEPÇÃO, todas as portas que eles precisavam de ver serem abertas e que o PSD nunca teve coragem para fazer.
O psd quando chegar ao poder apenas irá acabar o trabalho que o PS começou e criar uma sociedade horrível baseada apenas no dinheiro e em quem o tem e quem não o tem.
Portanto o PSD estará numa posição confortável, uma vez que o PS abriu as portas do sistema e lançou o país para uma situação semelhante à que existia antes do 25 de Abril
E porque não lançaria, se grande parte das pessoas do PS antes do 25 de Abril eram de direita?
—
Quanto à questão da democracia existir ou não, as formas de totalitarismo actuais são diferentes das de há 70 anos.
O totalitarismo agora manifesta-se pela rigidez da mobilidade social, isto é por impedir que pessoas de classes e origens humildes subam na escala social por eventuais méritos que tenham.
Obtém-se isso criando barreiras à frequência de escolas e formação de alto nível, uma vez que os “bons empregos” estão já alocados para os que se consideram membros das classes superiores.
Manifesta-se pela completa subversão da lei , manifesta-se pelo desencadear de ideias como a do imposto único, manifesta-se pelo desigual acesso aos serviços de justiça, de saúde e outros por parte da maior parte da população.
Manifesta-se pla existência de uma forma simplificada de democracia que é o que esta efectivamente é , e que está de acordo com as teorias de uma escola americana de pensamento que define que apenas ode existir democracia em certas regiões do mundo de forma simplificada e que , cá foi adoptada pela”elite” corrupta e asquerosa que temos.
Portanto os pacóvios tem direito a eleições livres, a liberdade de expressão e a mais duas ou 3 coisinhas na prática, inúteis.
O resto que faz parte de uma democracia e que a torna completa não existe.
E se a situação se degradar para lá de um certo ponto, de facto poderá existir uma revolução ou no mínimo uma cada vez maior instabilidade social.
dissidentex
01/08/2008 em 10:22
admitimos então que num momento histórico, os governos do cavaco levianamente associados ao grande capital tentaram impedir a especulação imobiliária, um inequivoco designio estratégico nacional.
mas agora o governo socialista torpedeou tudo. Mas como é possível, se a europa continua a existir e a fiscalizar? como é que se concretiza esse torpedeamento ? onde estão estabelecidos os indices de ocupação, as áreas de intervenção, os parâmetros urbanisticos que caracterizarão esses empreendimentos?quais são os projectos? qual a sua dimensão? que percentagem significam da área construída em Portugal? sem isso poderemos continuar ad eternum a discutir sem se chegar a algo de concreto.
É que uma coisa é “ter a impressão” de que as coisas se passam de determinada maneira, outra é ver os números.
É como o gajo meu amigo que discutia comigo que estes projectos no alentejo vão provocar uma carga humana incomportável.
Expliquei-lhe que eventualmente recolocarão as condições demográficas de há cinquenta ou sessenta anos, ou seja, inverterão a tendência para a desertificação. Pois é, respondeu-me, mas quando lá passo “vejo muita gente”…
o bacano, quando vai ao alentejo montado no slk200 kompressor quer ver a paisagem desimpedida para ele poder apreciar. Eventualmente aceitará um pastor ou um gajo de colete e chapéu debaixo de um chaparro.
Tanto quanto sei, os planos regionais de ordenamento que estão a ser revistos impõem severas restrições à ocupação, ou seja, mais restrições do que os anteriores do tempo do Cavaco…, quando muito aceitam projectos previstos em instrumentos de ordenamento do território nalguns casos desde há décadas. Há sempre formas de furar a lei? certamente que sim. daí ao seu incumprimento generalizado…
é que não é 1/5 do território nacional que está dedicado ao ambiente. 1/5 estará praticamente bloqueado, mas os outros 4/5 estão já sujeitos a grandes restrições ambientais. e isso até é positivo, mas não permite sustentar uma perspectiva tão catastrófica
O Partido Socialista é o pior partido? enfim, podemos não o gramar, mas… o pior? vamos ver o que nos reservará a “alternância democrática”.
O Alqueva… vejamos, se nos quisermos colocar numa perspectiva radical, quem eram os “agricultores” que reclamavam água se não os grandes latifundiários? OK, agora há também o turismo a beneficiar, mas onde está a essência da diferença?
Não podemos basear raciocinios politicos em meras coincidências, ou acabamos enterrados em teorias da conspiração estéreis.
Bom, se não acreditamos que existe democracia em Portugal, a unica alternativa de facto é a revolução. assim o povo oprimido esteja disposto a ela. Estará? Não sei… os pobres de hoje, mesmo pobres são diferentes dos de há cinquenta anos. a situação é mais nuanceada. o problema é que não se entende como é que os poderes internacionais eventualmente interessados em impedir o povo de tomar o poder pela via democrática, permitirão que isso aconteça pela via armada. Mas pode sempre tentar-se.
rui.david@gmail.com
01/08/2008 em 0:22
Rui davd: não sei se é do interesse dos outros países ou não é do interesse dos outros países que reservemos 1&/5 do território nacional para ambiente.
Ou até que seja do interesse nacional.
O que sei, é que a legislação dos anos 80 fazendo essas reservas, tinha uma determinada lógica – impedir a especulação imobiliária, e impedir que se estragassem áreas naturais do país de norte a sul.
Actualmente toda essa legislação foi torpedeada e sabotada e o actual governo é dos maiores responsáveis por isso, precisamente porque serve certos e determinados interesses.
—
Questão da macrocefalia de Lisboa, parece-me uma falsa questão, Não penso que seja exactamente disso que se trata em relaçã ao ambiente ouq ue tenha ver com lisboa ou não.
Quato aos projectos e ao facto de terem sido bem preparados, esse é um argumento lógica, mas quanto a mim, não se aplica a esta situação que estamos aqui a debater.
O facto de algo ser tecnicamente bem feito e bem preparado não implica que mesmo assim, deva ser realizado, por questões de estratégia e do que se quer fazer do país.
Este avanço para uma economia de turismo e serviços vai condenar o país à mais completa e absoluta irrelevância em termos internacionais, seja qual for o prisma em que se veja a situação. E no entanto os melhores projectos foram feitos da melhor maneira…
Só que uma economia de um país não pode assentar em 15% de PIB no turismo, dos quais desses 15%; 90% de 15% irá ser dinheiro que irá para fora, para as grandes multinacionais do sector.
E o facto de terem sido escrutinados pelas entidades públicas vale pouco ou nada.Isso é garantia de quê?Em Portugal?
E quanto ao ALQUEVA, de facto, somos forçados a concluir que aquilo apenas foi acabado porque surgiram “necessidades especiais” ao nível dos campos de golfe no Alentejo.
Nada mais
Quer dizer, desde os anos 80 que a barragem estava parada.De repente em 2/3 anos foi construída , curiosamente na mesma altura histórica em que se lançaram projectos de turismo que necessitam de muita agua.
É uma espantosa coincidência esta…
O Alqueva de facto até foi pensado ainda no Salazarismo e foi mandado para debaixo do tapete pelos variados governos democráticos, não obstante os protestos de inúmeros agricultores por causa da falta de agua.
E a questão que eu coloco não é a do alqueva secar por causa dos campos de golfe, mas sim de nível económico.
Quanto aumenta a procura de um recursos, neste caso, a agua,mesmo quando ela existe em abundância, o preço da mesma sobe.
E será isso que irá suceder prejudicando todos no país que a terão que pagar mais cara e levará a um novo tipo de feudalização que será a privatização da agua.Não quero a agua privada.
—-
Quanto à democracia não acredito que a democracia portuguesa é uma democracia. Os exemplos são mais que muitos.
É um sistema podre, corrupto, asqueroso, e pela minha parte que rebente o mais depressa possível. Não sustento “isto” , o estado a que isto chegou de forma alguma.
Eu compreendo esse discurso do “chegar ao poder por via democrática através de novos partidos” -até porque eu próprio já pensei assim há muito tempo atrás, mas actualmente não acredito que a corrupção do sistema democrático que temos permita a quem quer que seja que chegue ao poder assim.
E mesmo que chegue , os poderes internacionais impedirão.
E a questão não está em como sair disto, mas sim em rebentar com isto enquanto é tempo de se poder rebentar.
A situação está a ficar insustentável e um destes dias rebenta mesmo de forma violenta.
Nesse aspecto o Partido socialista tem enormes responsabilidades porque é de longe o pior partido e o partido com as pessoas mais incompetentes e desonestas que existem na política portuguesa.
É um partido sem ideologia, sem princípios excepto proclamar umas vagas merdas acerca da liberdade e da democracia, um partido que apenas quer chegar ao poder e manter-se lá o maior tempo que for possível e produzir uma enorme quantidade de erros e equívocos e vigarices umas atrás das outras.
Mas também é normal. A maior parte destas geração antes do 25 de Abril não era democrata nem gostava de democracia; mas quando sentiu o vento a mudar reciclou-se…
dissidentex
31/07/2008 em 17:36
entretanto boas férias e boa estadia na tal caverna remota
Rui David
31/07/2008 em 16:45
plenamente de acordo mas deduzo da tua resposta quanto às leis europeias que é do interesse de outros países que sejamos nós a reservar um quinto do País rigorosamente para ficar abandonado a pretexto de protecção dos “valores ambientais”. Que a população local não tenha possibilidades de encontrar outros empregos e tenha de alimentar a tal “macrocefalia” de Lisboa. ( o pessoal quer “preservar” o interior, e quer impedir a macrocefalia de Lisboa, em simultâneo).
Concordo com a afirmação sobre a questão do empreendimento mal pensado. Por isso mesmo acho estranho que os projectos que eu vejo mais serem combatidos nos media são precisamente aqueles que eu sei que foram mais sérios, preparados com mais cuidado e os que mais foram escrutinados por todas as entidades públicas.
O Alqueva feito para campos de golfe… não invertamos as coisas. Uma coisa é os campos de golfe servirem-se do Alqueva o que acho positivo e natural (olha a desertificação…) lembrando de caminho que o Alqueva foi pensado quando ainda estavam para nascer os pais dos golfistas que hão-de usar os golfes que vai alimentar.
Nessa época dizia-se que apenas serviria os latifundiários…
Até pode acontecer uma catástrofe natural, mas não estou a ver o Alqueva a secar por causa dos golfes. E a água do Alqueva está destinada também a muitas outras coisas. Outra o contrário.
Quanto aos bloqueios da democracia… felizmente que podemos pelo menos discutir alternativas. E se as alternativas ganharem força podemos formar partidos e mesmo… tomar o poder pela via democrática. O problema é, como tu dizes e bem, quando alguém toma o poder democraticamente começa a pensar em coisas muito parecidas com os outros (quando estão na oposição também pensam todos muitas coisas fantásticas). Como sair disto?
Rui David
31/07/2008 em 16:44
Rui david:
“As leis europeias: não são fruto também de jogos de poder a um nível mais “elevado”?”
Não exactamente.
Cada país da união europeia tem uma “quota” obrigatória de funcionários nacionais a serem colocados em instituições europeias.
Portugal não preenche essas quotas desde há mais de uma dezena de anos. O resultado é que assuntos que deveriam ser decididos no que diz respeito a Portugal, são decididos por funcionários de outras nacionalidades , a quem o estado Português pediu para representar os nosso interesses.
Como é óbvio esses funcionários irão privilegiar primeiro os seus interesses nacionais e só depois os de países que estejam na mesma situação de Portugal.
Isto é “acesso à informação” e o Estado português não tem acesso total à informação, nem pode influir sobre ela.
Consequentemente as directivas comunitárias e demais legislação são produzidas de acordo com padrões mais favoráveis a certos e determinados países e também por influências económicas por detrás.
Misturadas evidentemente com índices de aumento de qualidade e padrões de exigência.
O Estado potuguês através dos seus governos deveria contrariar esta lógica uma vez que ela é totalmente prejudicial ao país. Não contraria.
Durante muito tempo pensei que era descuido. Agora estou a começara crer que é de propósito.
Ninguém consegue ser tão descuidado durante tanto tempo.
——
E o nosso governo é intensamente corrupto.Especialmente porque o país é intensamente corrupto.
Quanto a PIN´s e aviões.
É muito mais prejudicial um empreendimento turístico mal feito ou erradamente localizado do que uma fábrica de aviões.
E lamento desapontar-te mas Portugal não tem gestores de alto nível, nem tem multinacionais nenhumas em sectores que contem para o campeonato.
É o único país da Europa Ocidental que não tem nem nunca teve uma multinacional de origem a nível global.Quer em democracia , quer em ditadura.
Quanto à desertificação do país ela acontece de propósito.É uma estratégia desenhada para justificar o abandono de serviços públicos em áreas de inferior população.
—
Quanto ao isto:
“Achas que alguém irá fazer uma barragem com dinheiros PÚBLICOS para alimentar campos de golfe???”
já foi feita.Chama-se Alqueva.
Enquanto não existiu qualquer tipo de projectos turísticos para o Alentejo e Algarve que justificassem a existência de muita a agua, a barragem não foi construída.
Mal eles sucederam a barragem foi logo concluída, sob o conveniente pretexto de “fomento da agricultura”.
Esta barragem = dinheiros públicos , foi feita precisamente para justificar que nenhum atrasado mental construísse campos de golfe sem ter agua disponível.
——
Quanto à questão de existirem governos eleitos democraticamente tenho muitas dúvidas acerca do conceito de democracia.
Eleições livres são apenas um dos aspectos da democracia. Não considero que existem eleições livres quando todos os concorrentes defendem a mesma coisa.
Em Portugal os dois principais concorrentes defendem exactamente a mesma coisa.
E os outros 3 são muito próximos de defenderem a mesma coisa.
A mensagem é sempre de caminho único e de se dizer que não há alternativa.
dissidentex
31/07/2008 em 15:39
Quanto à questãqo do “pior governo” não é preciso insistir. As considerações são exactamente as mesmas que justificaram as classificações dos governos anteriores e justificarão as dos seguintes.
As leis: idem.
As leis europeias: não são fruto também de jogos de poder a um nível mais “elevado”? Porque deveriam ser mais sérias quando emanando da “Europa”? É curiosa esta reacção de as pessoas darem de barato que o NOSSO Governo é corrupto e aceitarem como boas as leis europeias impostas de um sistema que resulta dos arranjos entre governos de outros países de orientação política ainda mais retrógrada e onde a corrupção ( a acreditar nos jornais e nos blogs deles) rebenta por todos os lados. Porque é que a “protecção da natureza ” é séria se imposta pelo sistema europeu e truque para enganar papalvos quando formulada em documentos legais legitimos nacionais ( é um pouco a lógica da tua argumentação sobre as masrcas nacionais).
O perigo do americano ir para a antártida ou para o Dubai é o mesmo (é menor) do que o empresário deslocalizar para a Índia ou para a Ucrânia.
Os projectos turisticos ( não todos claro, mas pelo menos os dos PIN) serão construídos em terrenos privados e com financiamentos oprivados, terão de construir infra-estruturas publicas como contrapartidas e terão de financiar a conservação dos espaços naturais que lhes sejam limitrofes e pagarão impostos e segurança social. Não é paleio, está escrito em contratos de urbanização, em Regulamentos de Loteamentos, em relatórios do ICN, das Comissões de Coordenação Regional, da DGOTDU, etc., etc.
De resto quanto aos PIN, meu Deus, a demagogia que se tem vertido ao longo dos últmimos dois anos…
Não sei onde é que uma equipa técnica que projecta constrói ou mantém um empreendimento de turismo de qualidade pode ser menos competente do que os técnicos que constroem aviões. Não sei onde é que os gestores hoteleiros de uma moderna unidade de turismo de luxo se podem dar ao luxo de ser menos competentes do que os gestores de uma fábrica.
Como é sabido Portugal já tem gestores de alto nível e até grupos económicos multinacionais nesta área.
A desertificação é um problema do País, sim, mas começa por ser desertificação humana que é uma realidade, não é pelos campos de golfe, uma dedução não comprovável. Os golfes não são para aqui chamados, independentemente dos problemas que possam causar se forem geridos de forma deficiente. E só um atrasado mental vai construir um golfe sem se assegurar primeiro de que tem água para irrigá-lo, privatizada ou não. e não me parece que se vá privatizar a água por causa dos golfes e não me parece que o país esteja ameaçado de desertificação pelos campos de golfe. Por muitos que construam e não serão tantos como isso, porque nem mesmo o PENT “Obriga” a que se construam, é uma área infima comparada com a área de exploração agrícola. Homem, acreditas mesmo que alguém vai fazer uma p&%$a de uma barragem por causa de meia dúzia de campos de golfe? O caudal do douro num minuto dava para afogar todos os campos de golfe de portugal e mais alguns…. Achas que alguém irá fazer uma barragem com dinheiros PÚBLICOS para alimentar campos de golfe??? Isso nem num país governado directamente pelo Toto Rina. Quanto muito haverá centrais de dessalinização financiadas pelos privados para pouparem nos custos da água.
Como eu já disse, os campos de golfe se quiserem ser viáveis têm de poupar drasticamente um recurso que vai ser caríssimo quer seja publico ou privado com golfes ou serm golfes.
Como eu já disse, e só para não perdermos a perpectiva, não sou fanático do turismo ou dos golfes. O que eu acho é que são actividades económicas lícitas sujeitas às mesmas contingências e críticas de toda e qualquer actividade económica e que até trazem mais beneficios do que muitas.
Cada um pode fazer o escalonamento económico que muito bem entenda. Que o País defina prioridades e só pode defini-las com governos eleitos democraticamente quer pensemos deles bem quer pensemos mal, acho muito bem. E o País aparentemente definiu-as: pretende-se que o Turismo gere 15% do PIB, menos de um sexto do total. De quarta ou quinta ordem, portanto, tal como tu defendes. Com a vantagem de ocupar apenas terrenos privados e só poder ser feito se quem o quizer tiver o guito e se achar que será rentável, não há aqui obras públicas faraónicas de espécie nenhuma.
Rui David
31/07/2008 em 15:10
Rui David:
“Pior governo classificado desde o 25 de Abril.”
Percebo o argumento.
Contudo importa dizer que, as consequências da políticas do actual governo irão estender-se por um período entre 10 a 20 anos. Consequências negativas.
Foi o primeiro governo em que, por pura incompetência e arrogância, mexeu em certas e determinadas estruturas da administração – estruturas técnicas – que definem como é que um país civilizado e organizado deve funcionar e mexeu indo dar “conselhos” a sectores acerca de como é que deveriam funcionar.
Ou seja aprendizes foram dar ordens/conselhos a técnicos experimentados acerca de como coisas nas quais não se mexe e nas quais qualquer estado tem e não mexe, quer sejam estados liberais ou não.
Penso que isto “explica” o grau de loucura e de incompetência destas pessoas.
Quanto á pergunta: para que é que precisam estes gajos de leis?
Simples. Porque é preciso ganhar a aparência da legitimidade democrática, quer perante os cidadãos deste país, quer perante o estrangeiro.
É aliás isso que explica a cada vez maior conflitualidade existente na lei, precisamente porque existem cada vez mais inúmeras leis contraditórias entre si, que se anulam umas á outras e nas mais variadas áreas.Tendência essa que só vai aumentar.
Leis de protecção da natureza:
As primeiras leis foram criadas antes dos governos Cavaco, ou no primeiro governo minoritário dele.E “apoiadas” pela transposição das directivas comunitárias,que vinham elevar o nível de exigência nessa matéria, em relação ao que se fazia cá.
Actualmente está-se a criar legislação que contorna as directivas comunitárias e a lei nacional, legislação desenhada á medida dos grandes grupos mundiais de turismo e serviços que terão “livre autorização ” para construírem onde quer que seja.
Como estratégia é muito mau porque basta um americano rico decidir que passar ferias no Gelo é que é bom, para os mercados irem todos atrás e depois países como o nossoficam de mãos a abanar.
Aí terão o pior dos dois mundos; nem turismo, nem conservação da natureza.
Depois dir-se-á aos contribuintes que eles terão que pagar os estragos, quer em perda de postos de trabalho, quer em arranjos na natureza.
Quanto aos PIN,
Pura e simplesmente nunca deveriam ter sido criados. Apenas o foram, porque o actual governo – incapaz de gerar criação de emprego – lembrou-se de inventar isso para satisfazer certas e determinadas clientelas.
Aconselho-te a procurares na Internet pelo nome de “SAER”. Vê quem é que está á frente dessa empresa e vê quem é que – periodicamente – lança para a comunicação social sound bytes de propaganda falando no cluster de turismo e serviços…
Ele também aparece neste blog na página lateral, uma página, e irá aparecer em Setembro de novo…( E já agora o senhor em questão é da Opus Dei…)
Quanto aos 50 milhões: penso que foi verdade o investimento através de 3 offshores de 50 milhões.
Golfe:
É muito perigoso, especialmente porque existem projecções climáticas a 30 e 50 anos que designam metade de Portugal como sendo passível de ter secas prolongadas se nada se fizer.
Ou seja, perante estes cenários e posso dizer que o governo português – qualquer governo – conhece esta realidade, faz-se o acto criminoso de criar um decreto lei chamado “plano estratégica nacional de turismo” onde se prevê a construção de campos de golfe em todos os lados, campos esses que drenam agua de forma imensa.
Quando faltar a agua, serão as populações as atacadas com preços mais altos e privatizações de agua, não os golfistas.
Se isto é democracia e liberdade, vou ali e já venho…
Um campo de golfe é nocivo precisamente pela quantidade de recursos a nível de agua que consome.É mais nocivo. Cria problema de abastecimento e cria problemas de investimentos massivos em instalações( barragens, por exemplo) que são pagos por todos, mas depois quem beneficia não são todos.
É uma privatização encapotada de recursos e investimentos que aqui está.
Quanto aso técnicos especializados de que falas, isso é uma ideia interessante ,mas eu estava mais a pensar na linha da alta gestão e da estratégia e do acto de gerir empresas multinacionais por exemplo.
É isso não há em Portugal nem virá a haver.
Uma fábrica de aviões é diferente, porque são bens de segunda necessidade que geram “saber-fazer” e especializações muito próprias que o turismo não gera.
O turismo é uma necessidade de quarta ou quinta categoria.
dissidentex
31/07/2008 em 10:59
dissidentex, lembro-te só que desde que me lembro não houve um único governo que não fosse a dada altura classificado como “o pior desde o 25 de Abril”. Este não é excepção.
Apresentas a questão da corrupção do governo de uma forma que uma pessoa pode perguntar-se: mas afinal, se é assim, para que precisam estes gajos de leis?
Claro que as coisas, peço desculpa, mas não se passam assim com essa facilidade.
as leis de protecção da natureza foram criadas nos anos 80 e 90 por governos “do grande capital” e sobre essas leis na altura, não faltou quem se queixasse da traição que representavam. o que é certo é que em determinadas zonas se limitou drasticamente o problema da urbanização selvagem.
Aquilo que sei é que os planos que estão em revisão são obrigados a cumprir uma série de princípios que não são apenas internos, decorrem de compromissos europeus.
o que está previsto construir-se é o que já estava há 10 anos.
Quanto aos PIN, penso que a ideia que tem passado para a opinião pública não é correcta.
A afirmação de que se ppetende construir em áreas protegidas também merece reflexão: uma área não pode ser considerada intocável ad eternum porque num determinado momento foi delclarada como tal num determinado gabinete, com boas intenções mas muitas vezes completamente a leste da realidade no terreno. é por isso que encaro com algumas reservas a história dos 50 milhões. pode ser verdade, ou ter algo de verdade mas não estou suficientemente dentro do processo para me pronunciar com tanta segurança só porque li umas tretas sensacionalistas nos jornais. ( a imprensa “burguesa” só é sensacionalista para o que convém…) .
Quanto ao golfe tens um ponto. Por exemplo no Algarve, muitos golfes viveram à farta de água que seria da colectividade apenas porque abriram furos nos seus terrenos. Hoje, com a água a ser contaminada pela intrusão salina devido à deplecção das reservas de água doce, estão a ter problemas que se vão agravar com novas leis da água que vão obrigar esse pessoal a pagá-la com custos que podem andar para cima de 1 euro por metro cúbico. ora se um golfe gastar – como gastam alguns porque gastam água irresponsavelmente – cerca de 500 mil metros cúbicos por ano, estás a ver as contas que os gajos têm de fazer. Provavelmente para alguns poderá ser atractiva a construção de centrais de dessalinização que podem produzir água potável basicamente a um euro por metro cúbico com tendência para descer sobretudo se a energia necessária for obtida por métodos alternativos, tipo eólica ou solar térmica. O que quer isto também dizer é que poderá mudar o paradigma do aldeamento com o campo de golfe à volta. Quem quiser abrir um campo tem de fazer bem as contas para não se dar mal. Por outro lado, e do que acabei de expor, um campo de golfe pode não ser mais nocivo para o ambiente do que uma exploração agrícola, por outro é uma espécie de fábrica altamente eficiente que requer diversas funções altamente especializadas. No início, provavelmente será necessária mão de obra estrangeira mas já há técnicos muito expreientes e Portugal e haverá mais. Há shapers portugueses ( os bacanos que andam numas escavadoras a fazer a modelação final do terreno e são os gajos mais bem pagos em toda a linha de produção de um golfe incluindo o director ou gestor ou que se quiser) a trabalhar por todo o mundo. Não são muitos claro, porque é um trabalho altamente especializado.
Penso por isso que as pessoas têm uma ideia muitissimo errada do quer é hoje o turismo de qualidade. Vivem fixadas na imagem traumatizante da caricatura que mostras num dos posts do empregado algarvio semi analfabeto de cócoras perante os estrangeiros e correndo com os portugueses.
É certo que, sejamos realistas, é turismo para ricos, sem dúvida, mas o que é uma fábrica de aviões, uma de automóveis, uma de relógios de precisão, etc..? São para se rocnsumidas pelo “povo”.
bom tenho de ir trabalhar, um abraço
rd
rui.david@gmail.com
31/07/2008 em 7:43
Rui David:
o Plano de turismo é um decreto lei deste governo – habilidosamente feito – diga-se. De 2007.
É uma construção jurídica engraçada que tem como objectivo verdadeiro possibilitar a construção de campos de golfe em todos os lados possíveis e imagináveis.
O “resto” está lá apenas para criar um “pacote” engraçado e tentar fazer passar a ideia de que o turismo é em todas as suas funcionalidades olhado seriamente.
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Eu coloco-me na perspectiva que apelidas de radical de recusa de qualquer compromisso precisamente pela leitura do decreto lei que estabelece o plano.
Isto numa vertente .
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Noutra vertente, não levo absolutamente nada a sério deste governo que considero absolutamente o pior desde que existe esta coisa que se chama democracia portuguesa desde 1974.
Em 3 anos este governo já conseguiu fazer mais estragos e causar mais disrupções idiota no país do que 10 anos de Cavaco Silva que foram muito maus e portanto nada dali me agrada.
São completamente desonestos e canalhas.
Já agora : sou de esquerda, mas abomino intensamente os actuais 3 partidos de esquerda que não considero que me representem nem considero que representem uns 4 ou 5 milhões de portugueses – pelo menos.
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Quanto à questão de fazer a comparação com as outars áreas de actividade
(agricultura,etc) não penso que se coloque.
Vou tentar explicar porquê.
AS “outras áreas de actividade pressupõe “produção”, tecnologia, investimento em investigação e desenvolvimento, comercialização de produtos e circuitos comerciais, etc.
O Turismo não pressupõe nada disso, uma vez que a maior parte dos técnicos e especializações nessa área serão de nacionalidade estrangeira.
Além disso os principio da especialização do trabalho a nível internacional que foram atribuídos a Portugal pressupõem que Portugal aceite tornar-se um país de serviços e turismo.
Já vi estudos e análises que estabelecem para Portugal cenários em que Portugal terá a população mais velha da Europa.
Apesar de tudo, a população portuguesa não está a envelhecer a esse ritmo.
Portanto conclui-se que se existem duas dezenas de think tanks a terem todos o mesmo resultado nos estudos que fazem; conclui-se dizia, que isso indica que uma grande parte dos reformados do norte da Europa virão viver para Portugal em turismo residencial de habitação e quererão ter ao seu dispor “serviços” (golfe e outros).
Portanto a dimensão da traição observa-se ao perceber-se que certas disciplinas de estudo no ensino secundário e superior são extintas , que certas areas de estudos são abandonadas porque não interessam para formar pessoas com conhecimentos abrangentes, mas sim para formar “lacaios” semi indigentes que julgam que são cultos, mas a quem é apenas dado como profissão as áreas mais rascas dos futuros trabalhos.
Com esta estrutura demográfica/ social futura APONTADA para isto, quem serão os investidores estrangeiros ou portugueses que criarão empregos aqui?Em áreas de produção e comércio de produtos?
Se não há matéria prima (isto é, pessoas com qualificações superiores) então nada se desenvolverá a não ser a economia “normal” , o turismo residencial de luxo e depois – porque irão muitas pessoas ficarem de fora do circuito, a economia de casino e de bordeis,
como de resto já se começa a ver suceder.
É para este poço sem fundo que este governo tem estado a acelerar o país.
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Falas algures no comentário da construção.
Pois.
O problema é muito simples:terminar com o IM,ex-contribuição autárquica.
A Esquerda” política foi por aí? Claro que não.
Aumentaram esse imposto e deram-lhe um novo nome.
Como tal, o incentivo à construção por parte das câmaras municipais continua uma vez que, quanto mais prédios existirem no seu território mais imposto estas cobram, e mais clientes eleitorais angariam.
Quanto à Costa alentejana, o actual governo em 2006, no meio da conversa totalmente demagógica acerca das “reformas” e restante discurso imbecil de quem não fez reformas nenhumas sérias acerca de coisa nenhuma publicou alguns decretos leis, a desbloquearem todas as protecções legais que tinham sido criadas entre 1984 e os anos 90 para a costa alentejana e para o resto do país, e depois deu a machadada final com o Plano estratégico nacional de turismo
em que passa a ser possível construir aldeamentos turísticos em certas e determinadas áreas onde antes não se podia fazer.
Aliás, o próprio plano nacional de turismo estabelece isso como documento definidor dessa calamidade disfarçada de investimento.
O mais recente é o PIN, também, que já provocou sangue, no Algarve,isto porque um grupo russo despejou 50 milhões de euros através de Offshores para construir um aldeamento turístico especial de corrida, mas em terrenos que estão classificados como parque natural da ilha formosa.
Zona onde não se pode construir qualquer investimento.
Os parques naturais foram decretos leis feitos nos anos 80 para se impedir a destruição através do turismo de recursos naturais.
O partido do actual governo de canalhas e vigaristas nos anos 80 gritava muito acerca do ambiente e propunha muitas leis de protecção da natureza.
Actualmente , propõe PINs – mais de 30 pelo país todo onde se pode construir em áreas protegidas.
Ou seja, a legislação de protecção ambiental deixa de ter qualquer tipo de validade ao existir uma lei que permite que qualquer projecto de construção chamado PIN (decidido sabe-se lá com que critérios) decida que se pode construir ali ou acolá.
É o mesmo que dizer por lei que é proibido matar , mas criar outra lei que abre uma excepção a 100 assassínios por ano, dentro de áreas demarcadas
Isto , a nível do turismo é uma privatização encapotada por zero dinheiro dos melhores recursos do país e um ataque ao espaço público
dissidentex
30/07/2008 em 19:10
Dissidentex, ainda bem que curtiste o nome do meu blog.
Voltando ao turismo, e embora tenha sido uma leitura rápida, estive a ler os teus posts sobre o PENT (documento que eu nunca li, confesso) para tentar perceber a tua perspectiva.
Há, como é evidente, um esforço de interpretação da tua parte do que se lê nas entrelhinhas. Provavelmente até terás alguma razão, tens com certeza relativamente a determinados aspectos. De certo modo depende da “perspectiva” em que nos colocarmos.
Se nos colocarmos numa perspectiva radical de recusa de qualquer compromisso, é evidente que todo este documento do governo é todo ele uma farsa. Como todos os documentos do governo sobre todas as matérias. Nem vale a pena lê-lo(s), quanto mais comentá-lo(s).
Se nos colocarmos numa perspectiva “reformista”, ou seja a perspectiva que eu adopto com algum desconforto intelectual mas é a única que posso assumir na minha qualidade de “pequeno burguês” sem me sentir um hipócrita, sou obrigado a levar minimamente a sério os documentos do governo ( não se tratando de um governo fascista, de partido único ou imposto por uma ditadura militar).
Mas mesmo nesta perspectiva não consigo perceber onde é que o turismo é mais corrupto do que outros (ou todos) os outros sectores da economia.
A agroindustria é melhor?
A produção de energia é melhor?
A industria automóvel é melhor?
OK… podemos deleitar-nos a denunciar as negociatas à volta do imobiliário e do turismo ( enão são poucas e algumas portentosamente imaginativas e que ultrapassam em muito em engenho e arte a historieta estafada dos “off shores” embora não os descartem), mas como destacá-las pela sua perniciosidade no universo das actividades económicas?
Não é que eu seja um fanático do turismo, ou um crente ou apóstolo. Não é que eu acredite em tudo ou nalguma coisa do que o governo diz, o que me faz impressão é que toda a gente neste país quer “progresso”, “desenvolvimento” ou mesmo “outro progresso” ou “outro tipo de desenvolvimento”, mas na prática ninguém se define, do tipo:
Eu quero que se implante a industria tal que tire partido da localização de Portugal como charneira entre este ponto e aquele. Ou quero um polo de industria aeroespacial no sitio tal, a fazer com dinheiro daqui ou dacoli, com os técnicos e know how oriundos de tal e tal… ou outra porra qualquer. Mas que não se limitem a sonhos feéricos de silicon valleys mais ou menos ecológicos, mais ou menos habitats de nobelizáveis e ggoglecriativos disseminados aí pela paisagem. Ou então que venha um com tomates e que proclame: eu quero o fim do trabalho assalariado que engendra escravatura, alienação, etc..
Até agora não vi. O que vejo habitualmente vai muito bem até à “denúncia” mas pára à porta (stops short) de qualquer proposta concreta. Proposta concreta plausível e realizável, claro, não é como o bacano que pretende que 70% do território português seja integrado na rede natura 2000 quando se sabe que nem os poucos Parques Nacionais existentes têm hoje dinheiro para funcionar e o ex-ICN, entidade que é suposto geri-llos está na falência.
E o que acontece?
Acontece que o turismo tem as costas largas. Fala-se muito no Algarve, mas as pessoas esquecem que quer na área metropolitana de Lisboa quer na área do Grande Porto, construiu-se só durante a década de 90, o nosso boom económico, o equivalente à totalidade de toda a construção feita no Algarve desde sempre. É sintomático, talvez, que o pessoal que se lamenta pelo Algarve “de antanho”, se esqueça de que o Algarve a Norte da 125, e com excepção da zona urbana de Loulé – e mesmo assim… é o mesmo Algarve deserto e semi-abandonado, paraíso dos viajantes que não gostam de andar em manada. Ou seja, o pessoal que se queixa é pessoal que vai para o Algarve PARA A PRAIA, isto é, eles próprios são a raiz do problema que denunciam. Iguais aos idiotas que passam horas no IC19 todos os dias interrogando-se sobre o que OS OUTROS estão ali a fazer.
Quanto ao Alentejo é uma palhaçada: o que se construiu no Alentejo, chateia os sujeitos como eu, habituados a ver Milfontes reduzida a uma vilita que parava no castelo, mas é ridículo em comparação com qualquer uma das outras zonas. Ex-Semi-marginais como eu fui… indignam-se porque há terreolas onde até já nem se circula por caminhos de cabras e não tem de se ir buscar água ao poço.
Ora a muito do que se contruiu e que contribuiu para a sensação de caos urbano foi de forma dispersa sem levantar ondas, sem levantar indignações ou escândalos.
As pessoas habituam-se a falar do governo com desprezo e a ler os documentos como treta demagógica, mas paleio roto por paleio roto quem está minimamente informado sabe que hoje já não existiria Costa do Alentejo, por exemplo, se o governo não tivesse publicado (também por influência europeia) a partir do início dos anos 90 uma série de leis bastante restritivas.
Muito mais há a dizer sobre este tema e não vou alongar-me ainda mais. Na realidade limitei-me a aflorar questões gerais mas não há espaço para debater ponto por ponto os múltiplos caminhos de discussão que tu abriste.
pode ser que aos bocados…
Rui David
30/07/2008 em 16:42
Ruio David: antes demais os meus parabéns pelo escolha do nome “bidão vil” como corruptela portuguesa de bidonville. É absolutamente genial como nome afazer alusões a um sítio “Vil ” e conspurcado, incomodando as certezas conceptuais de pensamento de quem aparece no”bidão”
(Que grande frase filosófica a de cima cheia de panegíricos…)
((que grande palavra no comentário acima; a palavra” panegírico” ))
(((neste blog( dissidente-x) respira-se cultura e palavras “caras” …)))
Rui David: quanto ao turismo:
Sugiro a consulta aqui, na barra lateral dos 4 posts sobre o “plano estratégico nacional de turismo”.
Perceberás melhor a razão de ser da hostilidade. Sugiro também ires a Novembro de 2007 ,ao primeiro post do blog, chamado “Portugal, traição e mistificação nacional” – e a correlacionares uns com os outros.
Isto também está ligado a umas informações que eu obtive , embora ainda não tenha postado, sobre o que está NA REALIDADE reservado a este país.
Daí a minha hostilidade ao turismo pela simples razão que o turismo apenas irá servir para defender umas certas áreas e interesses económicos e nunca irá gerar o volume de emprego nem a competitividade necessária do país para com o estrangeiro.
A 90% da população serão oferecidos trabalhos semi qualificados no turismo e nos serviços, nada mais. É isso que está a ser preparado.
A ideia da valorização do que é exclusivamente nosso é um mito – eu percebo porque tens essa ideia mas é uma mitologia.
Portugal tem tantas vantagens quanto 20 ou 30 países no mundo.
A “mitologia oficial” vendida pela esquerda política e pela direita política é a e que nós somos um país especial em matéria de turismo quando não somos nada disso.
A ideia da promoção de certos valores( ambientais e outros) é muito bonita, mas não é isso que se quer em Portugal.
O objectivo vai ser fazer o mesmo que os gafanhotos do norte de África fazem quando chegam à Europa: comem , deixam tudo vazio e saem para outro lado,
Aqui é a mesma coisa. Explorar até ao tutano esta nova “panaceia” do turismo e quando isto estiver completamente esgotado, sair, e deixar os estragos para trás.
Para a população portuguesa esta estratégia será péssima porque nos deixará sem quaisquer hipóteses de defesa no mercado de trabalho que aí vem.
Isto mais a mais , num país envelhecido, com poucas competências técnicas na maior parte da população sem, industrias ou serviços de ponta( coisas como a Ydreams são excepções…), com uma administração pública, totalmente corrupta e obsoleta, que vai de par a par com a corrupção da maior parte das empresas privadas deste país, e sem qualquer tipo de qualidade nos políticos que temos – quer dos que se auto denominam de esquerda, ou de direita.
dissidentex
30/07/2008 em 11:40
Penso que são pontos de vista interessantes e identifico-me com algumas das ideias expressas neste blog, particularmente na aversão ao pensamento único ultra-liberal que é hoje apresentado não já, sequer, como panaceia, mas como inevitabilidade.
Apenas não percebo uma certa hostilidade latente contra “o turismo” baseada numa visão muito limitada do que pode ser hoje em dia o turismo de qualidade.
É certo que no turismo existe sempre uma componente de mão de obra menos qualificada: a empregada da limpeza, o caddie, o jardineiro, etc..
Tal e qual como na Carmac, ou na Ach Brito ou todas as outras.
Por outro lado o turismo de qualidade, não estou a referir-me ao aluguer clandestino de apartamentos ou a estabelecimentos de exploração do turista dos “pacotes”, pode ser uma forma positiva de valorizar algo que é exclusivamente nosso: a localização, a paisagem, o clima, as pessoas, a cultura, a arquitectura, a gastronomia, etc..
E só pode fazer isso, que é o mesmo que dizer, que só pode sobreviver economicamente, se se inserir de forma responsável num determinado local, se respeitar e promover os valores ambientais e se oferecer um conjunto muitissimo diversificado de opções, apoiado numa grande variedade de profissionais qualificados e na produção de produtos tradicionais de grande qualidade.
Apesar das limitações, comuns, aliás, a qualquer actividade humana (talvez que o ideal fosse que não houvesse turismo, mas talvez que o ideal fosse que também não existissem carros poluidores – eventualmente necessários nem que seja para transportar parte da produção da Ach Brito- para os quais são necessários pneus Carmac (uma indústria poluente, de resto)), eu acho que tudo isto pode ser mais vasto, mais complexo, mais interessante, mais intelectualmente exigente, mais benéfico, não só para accionistas, proprietários e promotores (que ganham sempre mais seja industria tradicional ou moderna, “nossa” ou estrangeira) mas para toda a economia, do que a imagem de turismo – o turismo javardo que fez um certo Algarve – que incomoda tanta gente. Gente que, e isto não é sequer uma crítica pretenciosa porque eu também o faço quando empurrado pelas circunstâncias, na grande maioria dos casos não se exime a fazer turismo quando calha, e de massas, se necessário, quando faltam as “massas”.
Rui David
30/07/2008 em 11:22