GUANTÁNAMO.
No artigo anterior a este, que descrevia o livro “O que resta da Esquerda” do jornalista inglês Nick Cohen, a dada altura mencionava – relacionado com o contexto do livro – o anti americanismo e Guantánamo.
Transcreve-se uma parte:
Uma das religiões que é mais arduamente defendida no livro é a religião do anti-anti-americanismo.
Isto é; quem criticar os americanos, mesmo que salte à vista desarmada que os EUA estão a cometer um qualquer erro ou asneira gigantescos, deverá, por sua vez, ser criticado ferozmente e ser apelidado de “anti americano” em tom absolutamente depreciativo.
Dois aspectos.
- Não só isto constitui uma isenção de critica aos norte americanos;
- Como é também assim constituída uma quase “excepção oficial”:
O resultado é simples.
Todos podem e devem ser criticados, menos os americanos, porque são os “combatentes da liberdade” e os combatentes da liberdade não são passíveis de serem criticados.
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Vistas as coisas assim, tudo isto legitima e torna aceitável o rebaixamento dos padrões democráticos de uma qualquer sociedade democrática – liberal.
Isto é, desde que os padrões de vida e de democracia de uma “sociedade liberal” sejam mais elevados do que os padrões de uma ditadura ( e são sempre ), isso autoriza a que os organizadores de uma sociedade liberal/democrática possam descer os padrões até níveis bastante baixos, mas sempre a um nível acima do das sociedades totalitárias.
E a legitimidade democrática – segundo este padrão falso – é assim criada.
Por exemplo, segundo esta lógica, é aceitável a prática da tortura em Guantanámo, porque é feita por uma sociedade “liberal” , e esta sociedade liberal, supostamente, possui mecanismos de correcção e parte de uma plataforma moral superior.
Por oposição a uma ditadura sanguinária que faça exactamente o mesmo que se faça em Guantánamo.
Portanto, de um lado temos algo de mau, e do outro temos algo de muito mau.
Como a classificação “algo de mau” é melhor do que a classificação de “algo de muito mau”, parece Cohen opinar, é legitimo aceitar isto assim.
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O “infiel tirano anti americano” do qual retirei a imagem colocada a meio chama-se JRV e escreve no blog “Activismo de Sofá”
É obviamente um “malandro” (estou a ser irónico…) que não percebe a luta contra a tirania que é representada por Guantánamo onde se diz que 265 pessoas nunca serão libertadas nem julgadas.



Precisamente.
sabine77
7 07UTC Setembro 07UTC 2008 em 18:27