FRANKLIN D. ROOSEVELT,STANDARD OIL, VIAGRA, MANUEL PINHO.
The liberty of a democracy is not safe if the people tolerate the growth of private power to a point where it becomes stronger than their democratic State itself.
That in it’s essence, is Fascism – ownership of government by an individual, by a group or by any controlling private power.”
Franklin D. Roosevelt, Message proposing the “Standard Oil” Monopoly Investigation, 1938
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TRADUÇÃO A MARTELO.
“A liberdade de uma democracia não está a salvo se o povo tolerar o crescimento de poderes privados a um ponto em que eles se tornam mais fortes que a própria democracia.
Isso, na sua essência constitui o fascismo – o governo é propriedade de um individuo, de um grupo, ou de qualquer grupo privado que o controle”.
“Franklin D. Roosevelt (1882-1945), mensagem propondo a investigação da standard Oil”.
FONTE EM INGLÊS : AQUI:
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A Standard Oil era uma empresa de produção, extracção e comercialização de petróleo que se tornou monopolista nos EUA.
Após ter sido “partida” em várias partes, precisamente para impedir o monopólio, deu origem a 7 outras companhias americanas…
Em Portugal estamos a ter claramente um oligópolio de companhias petrolíferas (interesses privados que controlam o governo ) a dizer que fazem o que querem quando querem e como querem, da forma mais absurda e anti mercado livre (que dizem defender) possível.
Na notícia da RTP, de onde foi retirada a imagem existem umas declarações estranhas e inquietantes daquela Abelha Maia tropêga que dá pelo nome de Manuel Pinho e, supostamente, é o ministro da economia. Cita-se:
Manuel Pinho quer combustíveis mais baratos
O anúncio da alteração dos preços na BP surge poucos horas depois de o ministro da Economia, Manuel Pinho, ter apelado para que os preços dos combustíveis baixem o mais rapidamente possível.
Ontem, em declarações aos jornalistas, o ministro da Economia considerou “positiva a descida dos preços do petróleo” mas defendeu que essa descida “deve ser reflectida nos preços dos combustíveis”.
Segundo Manuel Pinho, “há alguma carga especulativa feita pelas petrolíferas internacionais” que tem impedido a redução dos preços dos combustíveis, apesar da baixa dos preços do petróleo.
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É com imensa ternura e com enorme carinho que vemos um ministro a fazer apelos em vez de tomar medidas e actuar…
Tendo em conta este notório problema de impotência sugere-se:



J.dias:
regulação de mercado é diferente do Estado intervir.
Para mim, não considero a “regulação de mercado” como sendo o Estado a intervir. Mais ainda como é feita em Portugal. Parece-me uma solução ainda mais corrupta e inefizxa do que se for o Estado a fazê-la.
Mesmo juridicamente não são consideradas coisas iguais.
A regulação de mercado como figura foi uma “invenção do neoliberalismo” numa primeira fase. Depois , por exemplo com a actual administração americana, que aboliu quase todas as formas de regulação ou fechou os olhos as asneiras das que existem.
–
Quando eu falei em ressentimento não me estava a referir a ti.
Os rendimentos dos funcionários públicos são públicos porque isso deriva precisamente fo facto de a condição de funcionário público ser diferente da condição de outros profissionais.
Tem obrigações pessoais e profissionais diferentes das outras profissões. Foi precisamente por isso que se criaram diferenças.
O argumento de privacidade é verdadeiro.O Estado só deve intervir mediante mandados de tribunal devidamente especificados para quebrar sigilo bancário.
A concepção de uma sociedade aberta em que o sigilo bancário é completamente aberto é uam concepção de origem totalitária.
Embora pareça o contrário precisamente por se abrirem a todos ; conhecimentos sobre todos.
Isso não é próprio de uma sociedade saudável.
O sigilo bancário que actualmente existe não é barreira nenhuma como concepção.
O que é “barreira” é a forma como a lei foi feita destinada precisamente a tornar as coisas lentas.Isso é uma coisa diferente.
E oargumento que tu usas involuntariamente ao dizeres que não tens problemas, é o mesmo do ditado popular “Quem não deve não teme”
Mas eu não aceito esse “principio” aplicado à organização de uma sociedade seja qual for o partido que o aplique.
Ou há provas ou suspeitas sérias sobre eventuais crimes ou não há.
Com a “lógica” quem não deve não teme, qualquer entidade pública ou privada pode achar que tem o direito de interferir na vida privada das pessoas por dá cá aquela palha…
Não concordo nada com isso como principio.Seja qual for o partido político que aplica isso.
—
quanto À tua solução para os off shores claro que está relacionada. O problema é que tu controlas Off shores AQUI e as pessoas vão até aos EUA meter dinheiro em Offshores ou para as bahamas.
—
Funcionários públicos e os meios. Penso que não é uma questão de meios mas sim da forma como a lei e a burocracia são construídas para tornar os funcionários e a acçãod eles ineficaz.
—
Quanto À energia: pois passa pelas universidades.
Mas também passa por medidas concretas tomadas pelo Estado, ou seja pelo governo que estiver a governar ,que se deixe de merdas e comece a plicar penalizações a empresas que produzem produtos que são dispendiosos em energia.
Eu sei que os exemplos que dás da eólica(e das outras) são verdadeiros.Já vi uns calculozinhos a tentar fundamentar o nuclear e o fóssil e a vigarice daquilo é notável.
Precisamos de políticos para isso: pois concerteza…
Onde estão? Especialmente à esquerda?
dissidentex
22/09/2008 em 22:14
Não és a favor da regulação do mercado mas achas bem que o Estado defina os intervalos dos preços a estabelecer…humm…ok.
“Sou contra a quebra do sigilo bancário. Não vejo como é que isso resolve o problema.
Resolve o ressentimento de algumas pessoas da esquerda relativamente á privacidade financeira de alguns, mas isto – os problemas que temos que enfrentar- está para lá dos problemas de ressentimento pessoais de algumas pessoas de esquerda.”
Não resistes a entrar novamente no domínio da politiquice, sempre que careces de argumentos para contrapor vais por esse campo, mas para esse eu não dou a palmatória.
Ainda esboçaste ai um argumento de privacidade, mas pergunto-te, qual é a privacidade dos rendimentos? Quem recebe o que é justo e o merece que receio tem que isso seja público? Se comprares um carro esconde-lo para não indiciares qualquer sinal de riqueza? Sabes que os rendimentos dos funcionários públicos são públicos? Além disso, fazes uma confusão básica entre quebra do sigilo bancário e tornar público as finanças das pessoas, a quebra de sigilo bancário prevê que as autoridades competentes possam aceder a essa informação para combater o crime fiscal e financeiro.Já hoje é possível aceder às contas quando há suspeita, o que está profundamente errado é que para as autoridades acederem a um meio de prova tem de ter outro. Acontece que o acesso às contas é meio de prova primordial, portanto, criar essa barreira à investigação é facilitar o crime. Eu não tenho problemas que tenham acesso à minha conta, não cometi crimes fiscais, nem financeiros, e estando eu e imensa gente nessa posição seria espectável que o sigilo fosse quebrado quanto antes porque revela-se do interesse de quem cumpre a lei.
“Acabar com os off-shores?
Pois. Concerteza. Resta saber é como.”
A quebra do sigilo bancário está relacionada com a solução, repara, Portugal controla todos os fluxos internos de dinheiro, os que saem e entram, e só aceita dinheiro de fontes claras, dinheiro que venha de fora deve ser claramente justificado, mesmo que venha de fonte credível, isto para evitar que se usem bancos como intermediários. Tens declarações de rendimentos, tens o controlo das aplicações financeiras, se controlas todos os fluxos e crescimentos por via de investimentos, tudo o que fuja desses campos…é suspeito. Tens todas as ferramentas para fazer isso internamente, e a questão mais interessante é que a sociedade enriquece mais se controlar os fluxos financeiros do que se não os fizer, a treta de que o dinheiro foge é isso mesmo uma treta, além de ter uma interessante premissa de que tudo que é capital é criminoso, caso contrário porque fugiria?
“Existem 700 mil funcionários públicos para quê?”
Se não lhes dás os meios até podes ter biliões que estes nada podem fazer. Os meios
é por exemplo a quebra do sigilo bancário…
Repara que os próprios já se queixaram dos meios institucionais para combate ao crime são fracos, eu diria que tão fracos que são complacentes com a criminalidade.
” 96% de importações de energia e não existirem concretamente medidas para ultrapassar esta situação.
Ninguém falou em nada sobre este assunto da esquerda à direita. Basicamente porque não tem ideias acerca do assunto.”
Olha, isso passa muito pelas universidades, os políticos apenas devem ser bons veículos do conhecimentos e dos projectos. Apesar de tudo, as energia eólica é uma das poucas medidas positivas deste governo, e com rentabilidade bastante superior ao que se diz. A energia das marés, a energia eólica e também as barragens são claramente as algumas das soluções, existem projectos para obtenção de energia a partir de microalgas, a co-geração.
Epá eu por exemplo, mete-me impressão que nos ginásios não haja acumuladores de energia, o que um gajo malha naquele sítio dava para reter em acumuladores para fornecer energia eléctrica (basicamente é um gerador). Nos ginásios e em casa. Neste caso tens de perceber que é natural que haja um fluxo da sociedade para os políticos mais forte que o habitual, dado que há aqui uma componente técnica ainda considerável, “apenas” precisamos de políticos que sejam bons veículos, abertos a essas propostas e temo-los, alguns dos quais na gaveta.
João Dias
22/09/2008 em 19:45
J:dias: não sou a favor do conceito da regulação de mercado em certas áreas económicas pela simples razão que a regulação de mercado não regula nada.
Ou seja, o problema de fundo fica como está com a regulação de mercado.
No caso dos combustíveis sou claramente a favor do sistema antigo: o Estado fixava o preço dentro de um intervalo de preços.E nem me venham dizer que isto é estatização e outro tipo de tretas do mesmo género.
Sou contra a quebra do sigilo bancário. Não vejo como é que isso resolve o problema.
Resolve o ressentimento de algumas pessoas da esquerda relativamente á privacidade financeira de alguns, mas isto – os problemas que temos que enfrentar- está para lá dos problemas de ressentimento pessoais de algumas pessoas de esquerda.
——
Acabar com os off-shores?
Pois. Concerteza. Resta saber é como.
Essa é muito fácil de dizer,e de apresentar como proposta política, mas é um tanto ou quanto difícil dizer aos EUA e á Inglaterra, que respondem por 3/4 dos mercados bolsistas mundiais, para acabarem com o Off-shores.
E a transparência de contas: que se proíba na lei certas práticas, e que se aumente a fiscalização feita pelo estado às contas da empresas.
Existem 700 mil funcionários públicos para quê?
E quanto eu me referia a problemas de fundo estava-me a referir ao facto de Portugal depender aí a uns 96% de importações de energia e não existirem concretamente medidas para ultrapassar esta situação.
Ninguém falou em nada sobre este assunto da esquerda à direita. Basicamente porque não tem ideias acerca do assunto.
dissidentex
22/09/2008 em 19:06
Já agora a esquerda tem a solução de fundo, chama-se regulação de mercado e visa a transparência de contas, a quebra do sigilo bancário, o fim dos off-shores…
Agora se não queres ver, não vejas, não digas é que não existem soluções, nem que ninguém as propôs porque em última instância estás a faltar à verdade.
João Dias
22/09/2008 em 18:55
“E para mim são todos a mesma esquerda, precisamente pelo exemplo que dás dos combustíveis. Nada disso resolve os problema de fundo.
E com a esquerda portuguesa é sempre disso que temos: não resolução de problemas de fundo.
O BE propõs isso apenas como táctica política para embaraçar o PS.”
É engraçado que critiques os políticos e a politiquice, e constantemente feches os olhos à política e dês relevo à politiquice, e no campo das intenções do BE o que disseste pode ser verdadeiro como até completamente falso, em política não é isso que interessa, mas em politiquice sim. A questão essencial é que de políticas e medidas concretas (que dizes que precisamos) não dizes nada, preferes sempre proclamar putativas intenções escondidas que são opinião pessoal tua e longe de factuais.
Mas falando de coisas reais, a proposta do Bloco previa que os lucros derivados da especulação do mercado de futuros que jogam com o “efeito stock” revertesse a favor dos consumidores.
“O BE critica, em comunicado, a “confusão do Governo e a especulação desenfreada” com os preços dos combustíveis e propõe um regime de controlo de preços “fixando com transparência as margens [de lucro] das empresas e transferindo para os consumidores a totalidade dos ganhos com o ‘efeito stock’”.”
João Dias
22/09/2008 em 18:50
Hopes:
as esquerdas portuguesas não são iguais mas os resultados do que propõe são igualmente todos maus.
O pcp é um projecto totalitário.
O BE descai para lá, misturado com propostas totalmente irrealistas.
O PS é aquilo que se sabe.
E para mim são todos a mesma esquerda, precisamente pelo exemplo que dás dos combustíveis. Nada disso resolve os problema de fundo.
E com a esquerda portuguesa é sempre disso que temos: não resolução de problemas de fundo.
O BE propõs isso apenas como táctica política para embaraçar o PS.
As alternativas ás fantasias idiotas são a esquerda mudar.
Não se pode ser a favor da imigração como a esquerda é;
Não se pode ser a favor da política de segurança que a esquerda é;
Não se pode ter uma visão do mundo apenas baseada em anti americanismo como uma parte da esquerda portuguesa é
Não se pode achar que se deve continuar com o actual modelo administrativo de organização do país como a esquerda acha.
E por ai em diante.
E acima de tudo a “esquerda” não é solidária. Isso é o que mais me incomoda.
Apesar de me considerar de esquerda, não concordo com quase nada do que a esquerda portuguesa defende sobre os mais variados assuntos.
Até porque a maior parte da classe dirigente de esquerda são pessoas com uma certa e determinada idade, e são quase todos uns grandes sacanas do pior.
São pessoas – a maior parte delas e em todos os quadrantes políticos – que derrubaram
a ditadura, não por acreditarem na democracia, mas sim porque queriam privilégios no novo regime a emergir.
E o resultado disso está à vista.
dissidentex
21/09/2008 em 19:03
Não, não sinto que seja verdade. As esquerdas não são iguais. Já percebi que não concordas comigo, não percebo é porque não usas exemplos concretos.
Falas dos projectos totalmente irrealistas do BE, mas não dizes quais são. Será o projecto-lei da regulação do mercado dos combustíveis que o João falou? O que tem isso de irrealista? Tem alguma coisa de idêntica ao que o PS propõe? Apesar disso dizes que é a mesma esquerda?
E as alternativas às fantasias idiotas de esquerda que falas? Gostava de te ver pensar nisso. Mas já te perguntei isso várias vezes e não obtive resposta. Acho que vou desistir de perguntar…
Hopes
21/09/2008 em 18:08
Hopes: preocupa-te eu que coloque a esquerda toda no mesmo molde,
(1) porque te preocupa que eu faça isso,
ou (2) porque sentes que é verdade?
O actual governo faz o habitual jogo da esquerda- – que esta sempre fez. Na oposição é de esquerda, no poder é quase de extrema direita.
Quanto À lógica do BE nunca ter estado no poder, isso responde-me a mim próprio.
O BE está numa posição confortável. Tem muito poucos votos e a elite dirigente do BE sabe perfeitamente bem que nunca chegará ao poder por crescimento orgânico.
Portanto pode-se dar ao luxo de propor tudo e mais alguma coisa – mesmo coisas totalmente irrealistas.
—
Quanto aos projectos de esquerda falhados à partida, são-no efectivamente porque a esquerda – na generalidade dos casos – só tem ideias de merda acerca de assuntos concretos.
E pior, tem ideias CARAS e DISPENDIOSAS sem qualquer garantia de resultados.
Isto quando tem ideias, porque nas áreas da educação por exemplo ,não existem ideias nenhumas, excepto pactuar com as tretas sociológicas que se vendem por aí…
A falta de projecto político do BE mede-se pelo facto do BE ter estuda o mercado eleitoral e ter andado á pesca de grupos sociais cheios de insatisfação com qualquer assunto e a partir dai ter-se formado em partido, juntando grupos de pessoas o mais heterogéneos possível.
Agregados nos mais díspares assuntos.
Mas concretamente relativamente a governar o BE não tem uma ideia original acerca do que fazer.
—
quanto à questão de os regimes não serem eternos, infelizmente, o neoliberalismo económico está ainda a em estado de ascensão e vamos ter que os aturar durante muito tempo.
—
O projecto político é terminar com as fantasias idiotas de esquerda feitas pela própria esquerda. Uma pseudo área política que está completamente permeada por ideias e conceitos de direita e que decidiu chamar a isso “ideias de esquerda”.
dissidentex
21/09/2008 em 11:30
Muito interessante esta troca de argumentos, li até ao fim… Até porque já tive este tipo de discussão com o Dissidente, não tão aprofundada mas basicamente na linha de argumentação do João Dias, e acabei chamada de Proto-BE…
O que me preocupa na posição do Dissidente é a insistência em colocar toda a esquerda no mesmo molde, como se o actual governo fosse esquerda e julgar quem nem esteve ainda no poder, como automaticamente falhada. E mais como se qualquer projecto de esquerda, estivesse já falhado à partida. E no caso do BE, em tantas frases não te vi fundamentar a ideia que não há projecto político. Podes ser mais específico?
Eu compreendo que não há motivos para sermos optimistas, mas a crise estalou agora e os regimes/ideologias/teorias económicas não são eternos. Alguma coisa irá mudar e é preciso apresentar alternativas. Não chega gritar que estamos condenados à partida.
E tinha imensa curiosidade em saber que alternativa ao actual sistema político propõe o Dissidente…
Hopes
21/09/2008 em 0:53
J.Dias: não fazia nada parte do programa de governo terem sido feitas inumeras coisas , mas elas foram feitas e estão em vigor.
O comboio está a andar e não foi parado. Foram desencadeados processos que – agora -serão impossíveis de parar.
Interessa-me pouco ou nada que um governo com legitimidade popular caia, após ter criado condições e ter feito leis que estabelecem determinadas condições que não se podem alterar.
Porque o “governo” cai por vontade popular, mas a merda que o governo fez durante 4 anos de mandato não cai – continua a vigorar.
Não há qualquer tipo de correcção ao que foi feito.
E o próximo governo continua a fazer as asneiras deste.Portanto como é?
Ficamos todos muito contentes porque a ” esquerda “derrotou ideologicamente por 10 a 0 em combate retórico os neo liberais, mas as coisas – no concreto – ficam na mesma ou pior?
Lamento, não jogo esse jogo.
Isso está a ser feito – esse jogo – há 20 anos pela esquerda e os resultados são aqueles que estão a vista.
Neoliberalismo totalmente aplicado á sociedade.
E para mim isto não é uma questão de ideias, mas sim de actos. A população está amorfa e eu não vejo a esquerda a motivar as pessoas a saírem da inércia, vejo a esquerda a tentar motivar as pessoas para assistirem a comícios e sessões de retórica.
Para esse peditório já dei.
Há novas formas de protesto que não passam por só ter-se blogs e fazer-se proclamações, mas sim por estar sistematicamente a acossar o poder e não vejo a esquerda a lançar mão disso, antes pelo contrário.
E isto em relação a dezenas de assuntos.
—
E quanto à questão da participação, recuso-me a participar “nesta democracia”.
Ou eu vejo mudanças democráticas a sério, que passem pela não exclusão de 9/10 da população ou comigo não contam e obviamente desgasto o mais que puder o actual sistema político.
João , é que eu acompanho política, já desde antes do senhor Cavaco Silva ter chegado ao poder como primeiro ministro e lembro-me relativamente bem do que eram as coisas antes e do que são agora e lembro-me ainda melhor das grandes proclamações dos partidos de esquerda a propósito da sociedade portuguesa, e quem está em dívida com os portugueses é a esquerda.
Não é a direita ,que disse sempre o que ia fazer e na generalidade dos casos fez.
dissidentex
20/09/2008 em 19:26
“Nem isso constitui uma visão da democracia muito pobre como queres fazer crer. Por essa lógica uma pessoa que nada perceba de pintura tem uma visão pobre da pintura?”
Não, uma pessoa que não perceba nada de pintura nem sequer tem visão…não é? Se não sabes nada de nada sobre algo, parece abusivo até falar em ter visão.
“Se as estruturas governativas não quiserem que essas entidades que estão de fora não participem , como é o caso aqui , então como se faz?
Uma qualquer governo entra no discurso da “legitimidade do voto” para justificar a não aceitação dessas propostas.”
Mas meu caro, o governo não consegue aplicar esse pretexto da legitimidade democrática neste caso, porque apesar de ter sido eleito não fazia parte do programa sufragado “exterminar os sindicatos”…portanto, isso cai facilmente em saco roto, é uma falsa questão. É bastante óbvio, que a legitimidade democrática não admite que após a sua obtenção o governo desrespeite a vontade da poulação, se efectivamente a vontade popular for essa, aí sim temos problema. Até me espanta que levantes isso como se fosse um imbróglio real, que fique claro o governo tem legitimidade democrática para cumprir o programa que foi sufragado, se o governo se portar mal pode cair por vontade popular.
“Eu não vou fazer a papa indicando ideias de participação política.”
Se tens ideias assim tão boas e não partilhas, enfim, se não as queres perder, e pá regista a patente, cria um partido, mas se sabes que são boas acho muito mal que faças o possível para as pores em prática.
“Estou algo farto que na esquerda se apele ás pessoas em termos de participação, para depois trair as pessoas ou entrar em negociatas com total falta de princípios.”
Há aí estória para contar.
Assumes que todos querem o mesmo, sejam eles quem forem, afinal, para que precisas de democracia? Venham de onde vierem, parece que vão atirar-se às malhas do negócio.
É óbvio que se só acreditas em ti, ou em pouquíssimas entidades, não podes valorizar a democracia ou a participação. Mas eu não estou aqui para te fazer acreditar nas pessoas que estão na politica ou o contrário, independentemente da tua suspeição generalizada, os movimentos sindicais, os partidos políticos já conseguiram (pequenas, grandes) vitórias…isso quer queiras quer não, nem a tua suspeição pode desmentir.
Joao Dias
20/09/2008 em 0:38
João: eu não tenho que fazer propostas.
Nem isso constitui uma visão da democracia muito pobre como queres fazer crer. Por essa lógica uma pessoa que nada perceba de pintura tem uma visão pobre da pintura?
E falas-me em democracias participadas: mas Portugal não é os países nórdicos.
Os cidadãos portugueses não são os dos países nórdicos.
E essa ideia das estruturas não governativas é um mito. Se as estruturas governativas não quiserem que essas entidades que estão de fora não participem , como é o caso aqui , então como se faz?
Uma qualquer governo entra no discurso da “legitimidade do voto” para justificar a não aceitação dessas propostas.
Então as estruturas de fora terão que fazer o quê? entrar na completa subversão? E depois da subversão como se faz?
Ou vamos viver em permanente estado de semi anarquia?
—–
Eu não vou fazer a papa indicando ideias de participação política.
Além disso as ideias que eu tenho de participação política são diferentes das ideias do Bloco de esquerda ou dos partidos em geral e portanto…
Eu não simpatizo com o Bloco nem com movimentos de esquerda em geral porque não lhes reconheço qualquer projecto político.
As pessoas apenas querem fazer arraiais, comícios e greves e eu entendo que isso não chega nem pouco mais ou menos para criar qualquer tipo de contestação social que tenha eficácia.
Portanto corro por fora.
Tento explicar o melhor que sei certos factos completamente fora das correntes dominantes em relação a certos assuntos.
O discurso da participação para mim não pega. Já ouvi esse discurso da participação dito por forças de esquerda nos anos 80 e o que daí resultou foi nada.
Portanto estou vacinado.
Estou algo farto que na esquerda se apele ás pessoas em termos de participação, para depois trair as pessoas ou entrar em negociatas com total falta de princípios.
dissidentex
19/09/2008 em 18:43
“Eu faço um blog. Existem posts de protesto e existem outros que não o são.Mas isto é um blog, não é um projecto político ou de partido político, como é o Bloco.”
Olha DissidenteX, não é por não seres um partido, ou por não aspirares a líder que justificas a tua ausência de propostas para a vida em sociedade, acho essa visão de democracia muito pobre. As democracias participadas e pró-activas, em que a sociedade se organiza não só em partidos mas em estruturas não governativas que participam nos desígnios, escolhas e alternativas políticas, são as que apresentam um nível de satisfação da população mais alto..sim, os nórdicos outra vez. Mas o eu acho curioso é tanto se criticar, e nada se fazer para alterar…
Mas olha temos visões bastantes distintas de democracia e responsabilidade…o que é que se vai fazer. Eu simpatizo com o Bloco e com movimentos de esquerda em geral, tu não…paciência.
João Dias
19/09/2008 em 17:01
J.dias:
“”Sem a vitória no campo do debate político não tenhas dúvidas que o Capitalismo viverá até andarmos a matarmo-nos uns aos outros.”"
João , já acreditei mais nisto em cima.
Não creio que o debate político seja a solução ou seja SÓ aquilo que importa. Penso que estamos a entrar numa era em que as coisas estão um pouco para lá disso.
Além disso a lógica dos think tanks não é inteiramente de desprezar e tem sido isso na esquerda que tem originado a que a direita permeie completamente o pensamento social e económico.
Mas isso não significa só ir pelo caminho do debate político.
A maior parte da população não tem qualquer interesse no debate político sem ver medidas concretas após o debate político.
E as pessoas em Portugal, pelo menos, estão completamente saturadas de políticos ,quer de esquerda,quer de direita a fazerem discursos ideológicos e após os mesmos quando se chega a eleições a conversa ser a de que não se podem mudar as coisas porque isto é assim ou assado.
A sociedade não ” aguenta ” este tipo de pressão de de sistemático defraudar de expectativas.
–
Não gosto por aí além do BE e mantenho que não tem programa. Há muito pouco de concreto no programa político do BE e não é por se limitar a apresentar propostas sobre temas que surgem que isso leva a que se diga que isso é parte do programa.
-
Eu dei a J Amaral Dias como exemplo.
E de facto há uns 6 a 10 anos atrás a comunicação social deu um protagonismo fora do comum ao Bloco.
11% de voto: é esse o principal problema do Bloco. Deixaram-se empurrar para essa área e agora não sabem como hão-de sair de lá.
Colocados entre a ambição de gerar lugares de governo para satisfazer os desejos dos militantes do bloco e chegar ao governo ou colocados na posição de serem apenas um partido nessa fazia de peso eleitoral.
Esse é o dilema da administração do Bloco. Decidir o quê? Ir para onde?
J.Dias: é claro que eu ou alguém não consegue provar cientificamente que o voto é meramente de protesto mas ele é.o efectivamente , uma vez que as pessoas que votam no bloco começaram a faze-lo porque não querem votar no PCP nem no PS.
Nunca foi inicialmente porque aderissem espontaneamente às ideias do bloco.
Há voto de protesto desinformado e há voto de protesto informado.
E não tem que ver com o blog ou com o que eu escrevo,João.
Eu faço um blog. Existem posts de protesto e existem outros que não o são.Mas isto é um blog, não é um projecto político ou de partido político, como é o Bloco.
As responsabilidades e a dimensão das coisas são totalmente diferentes.
Eu não posso nem devo apresentar alternativas. Nalguns casos não as sei; noutros não há e noutros acho que não devo apresentar alternativas.
Além disso existem limitações de tempo e de conhecimentos. Eu sou só um a fazer um blog.
Eu não escrevo muitos posts, eu publico um por dia geralmente mas não sempre.
dissidentex
19/09/2008 em 16:11
“O que me interessam são resultados.”
Sem a vitória no campo do debate político não tenhas dúvidas que o Capitalismo viverá até andarmos a matarmo-nos uns aos outros. Repara que uma das grandes vitórias foi trazer isso a debate, porque o se faz constantemente é fingir que não existe ideologia capitalista, que existe o mercado, um força sobrenatural que nos comanda.
Portanto se interessas pelos resultados tens de perceber que eles não aparecem por “osmose”, é através das vitórias políticas e intelectuais que se conseguem os resultados práticos. Olha e se tens dúvidas pensa lá porque raio é que os gajos têm a mania dos “think tanks”, pois é que eles não andam a dormir à espera que os resultados apareçam.
Podes me dizer que não gostas do programa do BE, agora se dizes que o BE não tem programa já estás a aldrabar, ainda agora fizeram propostas claras como água sobre o controlo dos preços dos combustíveis. Se há coisa que o BE trouxe para a política portuguesa foi o debate sobre o concreto, a discussão da política feita sobre a realidade social, mas se tu não queres ver nada a fazer. Agora não, mas se quiseres ir por aí começo a apontar as medidas concretas e propostas de lei, tanto do BE, como de outros partidos de esquerda…
Tu e a Joana Amaral Dias, eu já disse meu caro, isso é amor.
Se bem me lembro o protagonismo da Joana Amaral Dias foi quando ela apoiou o Mário Soares, e pá de facto eles queriam mesmo era dar protagonismo ao Bloco… Acredito sinceramente que o BE fosse visto pela direita com esses olhos, agora que tenham sido levados ao colo pela comunicação social é falso. Ainda por cima quem se estaria a tramar era a comunicação social, porque o Bloco não ficou por onde eles quereriam que ficasse.
11% de voto de protesto? Oh Dissidentex, também és muito esperto, tudo o que o Bloco consiga tu desvalorizas, apesar de não poderes provar de forma alguma que o voto no Bloco é meramente de protesto, ou até assumindo que um voto de protesto é desinformado e que o protesto não pode ter projecto político. Por essa lógica escrevias menos posts, é que tu protestas muito, mas olha que não te vejo propor muito, cuidado, ainda te confundem com um bloquista. :-p
Sobre o Chavez convém relembrar que felizmente as suas intenções foram furadas, as alterações constitucionais foram referendadas e malta da Venezuela não pareceu querer ditadorzecos vitalícios.
João Dias
19/09/2008 em 15:28
J:dias repara no seguinte.
Do meu ponto de vista não me interessa absolutamente nada saber se a ideologia foi ou não foi derrotada, no campo do debate das ideias ou não.
O que me interessam são resultados.
E o resultado prático das coisas é que a ideologia neoliberal está por todo o lado como um vírus que não despega e não vai embora.
Desde as práticas comerciais das grandes empresas até aos gestos aparentemente mais insignificantes do quotidiano e do dia a dia das pessoas temos ideias neoliberais contidas dentro de tudo isso.
Por isso interessa-me pouco saber se os neoliberais tem ou não tem receio de debater.
Esse é um “luxo” a que se podem dar precisamente porque as ideias deles continuam a ser calmamente implementadas por todo o lado e no caso português ainda mais implementadas.
E portanto perguntarmos á generalidade das pessoas se elas concordam com “A” ou “B” e elas dizem que discordam do desemprego,etc é muito bonito mas não resolve problemas concretos.
E menos ainda debates ideológicos.
A realidade dos factos é que qualquer partido político chega ao poder e não só não muda nada, como quando muda é para pior e para defender o neo liberalismo.
E falas-me tu de programas: o BE não tem um programa. O BE tem slogans e tem medidas á maior parte delas avulsas em relação a muitas coisas e o BE tem acima de tudo uma flutuação de defesa de temas ou de mudança que é notável.
——-
Joao, quanto à comunicação social:
tu estás a falra dos tempos recentes. Mas antes do BE ter eleitoralmente3 deputados, o BE foi levado às costas pela comunicação social ,que achava imensa piada a tudo oque as pessoas do BE diziam,e faziam em todos os lados.
Serviu para patrocinar pessoas sem qualquer interesse como a Joana Amaral Dias por exemplo. Na altura o BE foi usado para dar uma facada no PS e no PCP e impedir uma eventual ascensão de cada um dos dois partidos no seu segmento eleitoral.
Quando a direita( e a maior parte da direita controla a maior parte dos jornais…) já achou que chegava tiraram o tapete ao BE.
Agora as pessoas do BE estão a berrar por causa disso.
—
E quanto ao crescimento do Bloco é apenas uma ilusão. Em 2009 provavelmente o BE irá fazer um erro de proporções cósmicas – coligar-se com o PS e a partir daí o BE irá ser um partido igual a tantos outros – os defeitos irão ver-se.
Mas mesmo que não se coligue: o BE não tem projecto político.Esse é o grande problema do BE.
Para fora é isso que as pessoas vêem.
E ter 11% de voto de protesto é BOM, mas não chega para se ter um projecto político.
–
América do sul:
Penso que o Brasil e a Costa Rica serão uns exemplos mais interessantes do que o Chavez apesar de tudo.
O Chavez é apenas um sub produto derivado das asneiras dos americanos.
Ele ainda está atempo de parar se apenas nacionalizar SÓ algumas coisas mais e ficar-se por aí retomando o controlo do país.
Se começar a brincar às alterações constitucionais para alterar completamente a natureza do regime vai mal.
Dito isto, quem se opõe ao Chavez na Venezuela são pessoas do mais detestável que há.
dissidentex
19/09/2008 em 14:23
“Não concordo com a tua visão de que o Estado intervém para manter essa situação. O estado americano intervém para despejar dinheiro para cima de empresas privadas que deveriam ir á falência.Tem pouco a ver com as garantias á população ou não.”
Pois, mas eu tb nunca disse que era para dar garantias à população, disse o oposto disso.
Manter a situação, é tramar a população…compreenda-se.
“Continuo a ver privatizações por todo o lado e interesses económicos privados a comandar o sector público por todo o lado, mas enfim se tu dizes que já está derrotada é porque estás cheio de confiança…”
Acho que não percebeste o que quis dizer, o que eu quis dizer era que intelectualmente, no campo do debate a ideologia tinha sido derrotada, como prova disso eu referia que eles têm receio, não querem debater com quem tem visões opostas porque sabem que são cilindrados. Agora o neoliberalismo no poder continua a existir, essa é a batalha que é preciso travar, porque se perguntares à generalidade das pessoas elas querem muitas coisas que são lutas da esquerda e, por consequência, anti-neoliberais, isto é, combater o desemprego (o capitalismo precisa de desemprego), saúde pública de acesso universal (oposição à privatização), ensino público universal, combate à fraude e evasão, fim dos privilégios para a banca…
Agora o problema é que a maioria das pessoas é como tu, concordas comigo em toda uma agenda de esquerda que tem de ser feita, mas não podes ver à frente quem tenha um programa para por isso em prática…assim fica complicado.
“Houve um tempo em que a mesma comunicação social que sempre fez favorzinhos aos neo liberais (afinal de contas essa mesma comunicação social pertence a pessoas que são da direita mais à direita…) patrocinou o BLOCO.”
Pronto, não se pode falar a sério que tens mandar logo uma graçola. O Bloco, com patrocínio da comunicação social…oh, Dissidentex, essa só pode ser mesmo para rir. Queres me explicar essa? Sabes que o Bloco tem continuado a crescer, mesmo sem essa ajuda imaginária?
“E a América do Sul não é grande exemplo AINDA.”
Nem eu disse que era, apenas disse e repito, é de certeza a prova do seguinte, que o capitalismo não é unânime. Mas até podia falar do modelo nórdico, repara que tanto a América do Sul como os nórdicos estão no mercado global, portanto não põe em causa o mercado global, mas repara que uns de uma maneira e outros de são o contraponto ao capitalismo, porque o mercado global não é sinónimo de capitalismo por muito que a direita troglodita os tente confundir. Os nórdicos tem Estados presentes correctores das assimetrias, a América do Sul passou de zona explorada e dominada por ditaduras patrocinadas pelo tio Sam para agora usar as suas riquezas para benefício da população.
PS. Apesar de tudo não acho que Chavez seja a solução para o socialismo, mas quer queiram quer não ganhou eleições democraticamente.
João Dias
19/09/2008 em 13:55
J.Dias: a regulação americana é desenhada para favorecer os interesses dos EUA.
Como lá a ideia de que proteger os negócios, e impor as quotas de importação que lhes interessam é aquilo que conta, os norte americanos fazem isso.Mas isso é um problema ou um desejo deles.
E isso leva à desregulação de tudo o resto – leis laborais , protecção ambiental o que se quiser.
O que agora está a acontecer não é nem sequer isso, mas sim , o Estado americano – isto é, a elite económica a transformar o país numa economia/república das bananas e a adulterarem completamente as regras de um mercado.
Porque o interesse deles é em continuarem em proeminência política, económica e geo estratégica.
Não concordo com a tua visão de que o Estado intervém para manter essa situação. O estado americano intervém para despejar dinheiro para cima de empresas privadas que deveriam ir á falência.Tem pouco a ver com as garantias á população ou não.
Mesmo que estas empresas fossem todas à falência o sistema económico americano permaneceria igual.
Eles continuam assim, a serem teimosos e a terem ideias fixas e a quererem manter supremacia desta forma.
Até porque já provaram desta dose em Setembro de 1929 e na altura foi o que se viu.
Isto partindo do principio que até tem alguma estratégia ali, coisa que começo a duvidar…
Quanto À ideologia neo liberal veremos se está amplamente derrotada ou não.
Continuo a ver privatizações por todo o lado e interesses económicos privados a comandar o sector público por todo o lado, mas enfim se tu dizes que já está derrotada é porque estás cheio de confiança…
Em Portugal certamente e infelizmente que não está derrotada.
Quanto à comunicação social: concordo. Mas tu repara, que as pessoas do BE tem pouca autoridade moral para falar da comunicação social, Louça incluído.
Houve um tempo em que a mesma comunicação social que sempre fez favorzinhos aos neo liberais (afinal de contas essa mesma comunicação social pertence a pessoas que são da direita mais à direita…) patrocinou o BLOCO.
Agora essa comunicação social que patrocinou o bloco está a apresentar a conta ao Bloco disso mesmo ignorando e boicotando o Bloco.
Concerteza pois, que aparecem pseudo analistas. Todos eles falam para ver se alguma das empresas privadas os contrata , lambem as botas ao chefe ou ao pseudo emprego que querem vir a ter.
E discordo, a ideologia não está derrotada. Continuo a achar que estas pessoa são extremamente perigosos e que dispõem de dinheiro e poder suficiente para voltarem a dar a volta ao assunto de novo.
Sempre com a passividade da sociedade que lhes atura isto.
E a América do Sul não é grande exemplo AINDA.
dissidentex
19/09/2008 em 13:22
Conheço…
Dissidentex, não confundas a “regulação” americana que protege os negócios, o proteccionismo das quotas de importação, etc, com o mercado desregulado lato. Quando falamos em mercado desregulado é esta expansão pseudo infinta dos mercados para o consumo infinito, é a desregulação das leis laborais… Os EUA só regulam para manter o status quo do mercado desregulado, porque ele é desregulado nas garantias à população, é ausente de responsabilidades, mas o Estado intervém para manter essa situação, não nacionalizou para distribuir os lucros, não actua sobre os salários auferidos por gestores de empresas falidas. Eles só actuam para manter a farsa de que um mercado desregulado é sustentável, mas o problema é esse, é que ao actuarem a farsa fica exposta.
Enganaste, a ideologia neoliberal está amplamente derrotada, não vês um neoliberal em Portugal que aceite discutir com alguém de esquerda. Ou achas que na discussão dos mercados financeiros aparecem pseudo-analistas sem contraditório por acaso? Porque é que achas que não aparece o Louçã que é economista e que tem uma visão diferente do mercado? Porque é que achas que o João Rodrigues foi do Ladrões de Bicicletas para o Jornal de Negócios e não o contrário?
A ideologia está derrotada, o neoliberalismo é que não, a sua presença no está marcada no Estado, mas olha para a América do Sul e vais perceber que neoliberalismo está longe de ser consensual.
Sim, mas o capitalismo não está em causa, vai continuar.
João Dias
19/09/2008 em 12:57
“Sim eu sei, aliás não simpatizas com nenhum movimento de esquerda em Portugal…ou simpatizas?”
João, mas existe algum? Com ideias sustentáveis?
——
E quanto ao mercado: não é só uma questão de engolir um sapo, mas também política.
Agora o petróleo vai baixar e as pessoas do dinheiro vão ser safas através da intervenção do estado norte americano, pelo menos até às novas eleições.
Se o NMcain ganhar – é esse o objectivo disto – estará feito o trabalho e grande parte das coisas ficarão na mesma.
Se o Mcain perder fica a herança para o Obama que apenas fará mais do mesmo como tem sido feito até aqui.
Além disso o mercado desregulado deles não é tanto assim. O que é desregulado é a ideia exportada para outros lados, nomeadamente a Europa.
Quanto à ideologia neoliberal está muito longe de ter ido embora ou ter sido derrotada.
dissidentex
19/09/2008 em 12:34
Sim eu sei, aliás não simpatizas com nenhum movimento de esquerda em Portugal…ou simpatizas?
Sim, não é só um problema ideológico, aliás porque o Estado norte americano sempre serviu como garante do sustento do mercado das assimetrias, agora ter um engolir o sapo de deixar isso tão claro é que é fodido. Porque a manutenção do mercado desregulado só subsiste como ideologia irracional, na vertente da realidade não tem o mínimo sustento da lógica, por isso a crise financeira trouxe consigo a clareza do vazio racional e ideológico que é a CRENÇA no mercado livre. Eu sou ateu, não acredito, prefiro pensar e debater, e desconfio que já à muita gente que não substitui a lógica e a razão pelas crenças, e isso pode ser dramático para a ideologia neoliberal.
João Dias
19/09/2008 em 12:28
João: tu já sabes que eu tenho pouca simpatia pelo BE…
E eu chamei esquerda ao PS porque eles auto denominam-se como sendo de esquerda. Enfim, são ilusões onde vivem…
E mesmo quanto ao ladrões de bicicletas mencionar isso é pouco, muito pouco.
Olha que já li capitalistas hard core norte americanos perfeitamente lixados, mais danados até do que a generalidade das pessoas, pelo que se está a passar e pelo facto dos mercados estarem a ser nacionalizados lá.
Aqui se só é o Ladrões de bicicletas é pouco, muito pouco.
Isto já não é só um problema ideológico que se está a passar nos EUA.
dissidentex
19/09/2008 em 11:26
Dissidentex:
É um problema sério, mas quando passa na televisão passa a calamidade, e conheço imensos problemas mais graves, mais prementes para a sociedade: Desemprego, crise dos mercados financeiros, assalto diário e massivo por parte das gasolineiras aos consumidores, crise na educação, inexistência de casamento civil para homossexuais (gays e lésbicas), o Ministro da Economia tb é um calamidade para a economia portuguesa…etc.etc.
A esquerda política tem responsabilidades? Ai têm, a esquerda tem um azar do caraças, nem chega ao poleiro mas já é responsável pela criminalidade…a não ser que estejas a chamar esquerda ao PS, mas se assim for não compactuo com insultos ao PS.
“Penso também, que , mais uma vez a esquerda está a falhar – como é aliás a sua natureza – ao não mencionar sistematicamente o comunismo de Estado dos EUA relativamente aos assuntos que estão diariamente a suceder nos mercados financeiros.”
Pois é, não lês o Ladrões de Bicicletas…
João Dias
19/09/2008 em 11:18
J.dias: apesar dos discursos em relação aos assaltos serem a constante conversa da direita, isso não exclui que se reconheça que existe um problema sério nessa área e que tem que ser resolvido.
É que a esquerda política neste país tem enormes responsabilidade nesse assunto.
Penso também, que , mais uma vez a esquerda está a falhar – como é aliás a sua natureza – ao não mencionar sistematicamente o comunismo de Estado dos EUA relativamente aos assuntos que estão diariamente a suceder nos mercados financeiros.
E acima de tudo que o Estado Português não ataque a especulação.
Falas-me do mercados de futuros: concerteza. Claramente que os aumentos massivos de preço de petróleo se devem ao mercado de futuros.
dissidentex
18/09/2008 em 11:45
A direita é que anda caladinha, prefere falar de assaltinhos a falar deste assalto nacional. Mas percebo que é incómodo, lá se foi a porra da teoria da “lei” da oferta e da procura, o sacana do barril está mais barato e o preço na bomba sobe e os Chineses não bebem petróleo as refeições, porra lá se foram os argumentos da treta que a direita tanto gosta.
Pois é, é mesmo especulação, os especuladores do mercado de futuros foram denunciados em hasta pública, e as empresas agora em vez de especularem sobre o valor inflacionado especulam sobre o barril desvalorizado. Desconfio que o facto de o mercado de futuros ter sido apresentado como a bolha de especulação terá contribuído para esta baixa, denunciaram o negócio e muitos devem ter saltado antes que fosse tarde. A especulação imobiliária já teve melhores dias, por isso foram para os combustíveis, tudo negócios de alto risco dado que ninguém usa carro, nem as empresas precisam desse vil líquido.
João Dias
18/09/2008 em 0:03
Pedro: eu não estava a ir directamente a questão de se saber quem é o compadre de quem.Nem tinha ido por aí.
Estava apenas a dizer que , mesmo que não existisse compadrio, as multas são de tal forma desfasadas da realidade (e foram de facto feitas assim) que tornam “interessante” infringir.
Temos que saber claramente as relações de poder, mas para as saberes teria que se mudar de sistema e de regime.
Claro que não há nenhum sociólogo que tenha trabalhado nisso.
os sociólogos portugueses são todos maus, só tem teoria e caca na cabeça e qualquer ideia concreta de investigação sobre a sociedade não existe.
dissidentex
17/09/2008 em 20:22
Dissidente isso não funciona (a questão das multas como está agora defininda) porque não é transparente quem é dono do quê ou trabalha em quê ou é familiar/amigo de quem. Esta falta de transparência entre o político e o económico torna a tarefa da opinião publica impossivel. Qualquer possivel acusação de favorecimento desaparece debaixo do manto opaco da “plausible deniability”. Temos que saber claramente as relações de poder antes de podermos perceber as interacções – curiosamente não conheço nenhum sociologo que se tenha dedicado a um estudo em Portugal destas relações.
Pedro Fontela
17/09/2008 em 20:07
Pedro: nós não percebemos. Falas do país.
Pessoalmente e penso que tu também já entendestes que o equilíbrio natural não existe.
Aliás equilíbrio natural é uma grande treta , uma brilhante invenção conceptual do Adam Smith para fundamentar uma ideologia imperial expansionista – a inglesa do século 17.
Nunca há pleno equilíbrio natural, defina-se como se definir.
Porque leva exactamente ao que apontas: o comportamento pouco ético das empresas se daí resultar enormes benefícios monetários.
É por esse tipo de razões que também não concordo com as ideias de regulação ou reguladores para o mercado.
Qual é o interesse de uma entidade reguladora , por exemplo aplicar , vamos supor 800 mil euros de multa a dois concorrentes que se cartelizam, se os dois concorrentes, cada um ganha 15 milhões de euros de lucro extraordinário por “não respeitar regras éticas”?
A diferença NUNCA é tida em conta na legislação.
Há 6,7 anos atrás tive que me debruçar sobre esses tipo de assuntos. A disparidade de multas , dos valores de multas a aplicar em relação a abusos de posição dominante ,cartelização, oligópolio etc, funciona sempre a favor das empresas que optam pela cartelização.
Ou seja o infractor é DE FACTO beneficiado se infringir.
Repara: a maior derrota dos fanáticos anti empresa é pelo facto de terem concedido aos fanáticos anti estado a posição de interlocutores. Coisa que eles não são.
Embora eu também concorde que alguma da ideologia deixou de ter significado real. mas transmutou-se em diferentes problemas que requerem nova ideologia( não é nova no sentido da esquerda moderna e merdas do mesmo género…)
Eu sou a favor da economia de mercado, mas não desta, porque isto não é mercado.E não vejo qualquer tipo de problemas em intervenções do Estado/Governo, quando se justifique ara por as empresas em ordem.
O que temos actualmente nestas áreas não é nada disso…
dissidentex
17/09/2008 em 19:08
É isso mesmo Dissidente! Mas a questão é que nós ainda não percebemos a diferença entre o comportamento ideal do mercado (as ditas teorias de equilibrio natural) e o mercado real (que tem em conta o comportamento pouco ético das empresas se isso compensar em termos financeiros). Esta diferença tem que ser tida em conta na legislação! O resto que se discute são fanáticos anti-estado e fanáticos anti-empresa a gritarem uns cons outros sem ter em conta a realidade – por isso é que suspeito que muita gente já “desligou” das discussões ideológicas… deixaram de ter significado real.
Pedro Fontela
17/09/2008 em 18:56
Pedro: sobre o complexo militar industrial, obviamente falharam … no controlo do mesmo.
Sobre o controlo administrativo de preços feito pelo governo por uma vez concordo com o BE.
Este gozo pegado tem que acabar.Ou bem que isto é mercado ou bem que não é. Sr mercado livre nas subidas de preço de combustíveis mas ser cartel de impedimento de descida de preços nas descidas penso que não.
dissidentex
17/09/2008 em 18:30
Citando outro presidente americano: cuidado com o complexo industrial-militar antes que este tenha oportunidade de abafar todas as outras vozes.
Já agora parece que alguém mais à esquerda encontrou um tom de voz mais rispido: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1343080
Pedro Fontela
17/09/2008 em 18:19
Rezaf:
os jornais noticiaram, mas noticiaram metido num emaranhado de outras notícias para criar confusão.E concordo com a ideia “pecualiar” de economia de mercado que há neste país…de facto é mesmo peculiar…
Hopes:
o governo não quer actuar , porque com as receitas altas, mais impostos recebe por via disso.
Eu citei o Roosevelt porque da dada altura -a Standard oil estava de tal maneira a controlar a economia americana , que estava descaradamente e interferir com o poder político.
Quando a companhia foi dividida em 7 outras mais pequenas, mesmo assim as outras 7 eram as maiores companhias do mundo…
E há 100 anos atrás os EUA eram no petróleo o mesmo que hoje é a arábia saudita
dissidentex
17/09/2008 em 15:57
Na minha opinião o que está acontecer com sucessivas privatizações e liberalizações de mercado, é que estamos a ser governados pelos lobbies económicos e não pelo Estado. O caso dos combustiveis é flagrante, as petrolíferas agem sem controlo, impondo os preços que querem, sem que o Estado actue. O Governo ainda tem mecanismos para actuar, no entanto não o faz e porquê?
Gostei muito da citação de Roosevelt, ele tem toda a razão. Espero que esta questão dos combustiveis e a crise financeira tão comparada à de 1929, façam com que muitos neoliberais iluminados percebam o que acontece quando se deixa o poder económico nas mãos dos privados sem qualquer regulação do Estado.
Hopes
17/09/2008 em 15:51
Há cerca de dois dias o Presidente executivo tentou atirar areia para os olhos do pessoal com um “não é bem assim”. Deve pensar que temos memória de 3 segundos e que ninguém se lembra da celeridade com que a Galp aumentava o preço dos combustíveis logo após um aumento do barril de crude. Era quase diário e imediato. Agora para baixar já “não é bem assim”, porque o sacrossanto e infinitamente benévolo Deus Mercado apenas serve para aumentar preços para nós e lucros para eles. Quando esse mesmo Deus diz para baixar preços e lucros, esses senhores já são todos ateus.
Os jornais, esses blogs não-oficiais de certos empresários, também não ajudam. apenas noticiaram a subida dos preços mas esqueceram-se de referir que o petróleo desceu mas as petrolíferas de cá não acompanharam.
Os nossos ministros só fazem apelos mansinhos para ver se não perdem o poleiro bem-pago que os espera no privado depois de serem corridos à batatada do governo.
Claramente o governo apenas se governa a si próprio.
Baixar os impostos não dá pois iria acontecer mais um “fenómeno ginásio”, aquela chico-espertice tão tipica do empresário português.
Rezaf
17/09/2008 em 13:10
Sabine: Quero chegar ao facto de as companhias estarem claramente a cartelizar os preços com a conveniência tácita do governo, precisamente porque os interesses privados já se sobrepuseram ao actual governo e controlam-no.
É normal um ministro da economia vir fazer “apelos” a baixas de preço?
Quem é que manda afinal?
Para termos um ministro a fazer estas figuras e uma organização económica como esta, então não precisamos de ministros, não é?
Paga-se ordenado aquele senhor para quê? Para fazer apelos?
dissidentex
17/09/2008 em 12:20
Mas há outras companhias a actuar em Portugal sem ser a BP! De facto o governo quer que os combustiveis baixem mas não baixa os impostos. Onde queres tu chegar com este post?
sabine
17/09/2008 em 11:19