DISSIDENTE-X

EQUILIBRIUM

Archive for Outubro 2008

JOSÉ SÓCRATES, O EMPREGADO DO MÊS DA JP SÁ COUTO

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A crise é algo que toca a todos. Aquele senhor que é primeiro ministro de Portugal também sente os efeitos da crise. Como muitos portugueses que passam dificuldades, o senhor que é primeiro ministro de Portugal, arranjou um segundo emprego. Para ajudar a pagar as contas da agua e da luz.

É vendedor. Sai do emprego como primeiro ministro e vai vender material informático.

A empresa que o contratou decidiu, recentemente, devido à dedicação que o senhor que é primeiro ministro tem, atribuir-lhe o prémio de “EMPREGADO DO MÊS”.

A inspiração para este cartaz originou de Wo Have Kaos in The garden. Que pode ser encontrado AQUI.

Isto vem a propósito do senhor que é primeiro ministro ter participado na Cimeira Ibero Americana. Onde decidiu deixar de ser o primeiro ministro (o seu primeiro emprego) e passar a ser um vendedor comercial (o segundo emprego) de computadores.

Com o tacto que o caracteriza, decidiu oferecer um computador Magalhães aos chefes de Estado e de governo. Ofereceu um computador para crianças a chefes de Estado adultos.

Nas rádios portuguesas, era explicado qual era o objectivo da visita: José Sócrates ia para vender Magalhães. José Luís Zapatero ia para convencer os outros países a adoptarem uma posição de apoio à entrada da Espanha para o grupo G20.

Zapatero faz política.

Sócrates faz propaganda e vendas.

20 PORTAS GIRATÓRIAS E NENHUM QUARTEL GENERAL

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No dia 29-05-2008, os senhores CK Prahalad e Hrishi Bhatacharyya, respectivamente um professor de estratégia empresarial muito conhecido e um ex presidente da Unilever ( a empresa dos detergentes Omo, Sunlight e Confort, do sabonete Dove e das marcas Knorr, Calvé e Lipton entre muitas outras coisas…) fizeram sair um artigo na Business + Strategy que demonstra para onde a Globalização e a marcha das empresas multinacionais se está mover – e, indirectamente, contra os Estados nacionais.

No artigo apresentam uma tese.

Uma empresa global e moderna, não mais deverá ter uma sede central onde tudo se decide em relação às filiais. Antes devem escolher 20 países no mundo considerados como “portas giratórias” de onde operar, e de onde os produtos e serviços fabricados e prestados pelas multinacionais deverão sair e “girar”.

As motivações primárias desta tese são as seguintes:

- As perspectivas de crescimento para as corporações multinacionais estão a expandir-se, mas em países/áreas da América latina, Ásia, África, Europa de leste – mais de 4 biliões de consumidores.

- As pessoas destes locais querem possuir casas, serviços e opções.

Os dois analistas afirmam que:

Os líderes das multinacionais reconhecem este fenómeno. Mas poucos estão a lidar com ele. A razão para tal é que persistem em ver a economia nestes mercados como “mercados emergentes” e não mercados já autónomos…

Seguidamente na linha de raciocínio do artigo oferecem o exemplo de uma multinacional que já tem 1/3 da sua facturação e e quase 2/5 dos seus lucros a provirem destes “mercados emergentes”.

Perante estes dados argumentam que o centro de gravidade desta(s) empresa(s) multinacionais continua a ser o mesmo que sempre foi: A Europa e os Estados Unidos.

Porque é que é assim:

Explicam que é assim, porque os executivos de topo estão formatados culturalmente e psicologicamente pelo facto de terem sempre vivido na Europa e nos EUA e portanto resistem à mudança.

Isto são os “dados do problema”.

A partir daqui evoluem para o lançamento da hipótese segundo a qual, os executivos de topo deveriam organizar as suas empresas de acordo com os “desejos destes novos consumidores globais”.

Para satisfazer os “desejos” ,lançam a ideia de “Portas giratórias” (Hub´s).

Os países são – vistos pelo prisma destas empresas – apenas portas giratórias de circulação de mercadorias serviços e eventualmente pessoas. (Para isso corromper-se-à, presume-se, o poder político…)

  • Esta lógica exclui a democracia como forma de organização da sociedade.

Prahalad e Hrishi não estão a fazer um artigo que debata isto,e se concentre nesse problema, mas é a conclusão que se deve tirar desta teoria.

O passo seguinte é lógico – após revelar a ideia “porta giratória” é definir quais são os países “porta giratória”. Escolhem designar 20 países que melhor sirvam como “porta giratórias” para as empresas.

- Podemos obviamente pensar que países não democráticos terão, segundo esta lógica, mais hipóteses de serem escolhidos do que países democráticos.

O que quer dizer que na prática, as empresas multinacionais estão a favorecer a continuação da “não democracia”.

A inversa também pode ser verdadeira, mas não é plausível como hipótese. Duas razões:

Uma de ordem prática:

1. as empresas multinacionais respondem perante os seus accionistas e pelos lucros que fazem e não pelos governos democraticamente eleitos dos países onde actuam.

Outra de ordem analítica:

2. Existe sempre a ideia argumentativa de apresentar o facto de empresas multinacionais fazerem negócios em ou com ditaduras, como sendo uma “vacina” democrática que é aplicada a esses países e que fará (através de artes mágicas) com que a população desses países deseje ” democracia”.

Esta ideia é parcialmente falsa:sucede com alguns países, não sucede com outros. O exemplo actual clássico, é a China, uma ditadura que permite livremente as empresas multinacionais, mas não se transforma em democracia.

Não compreender isto e não compreender que este é o problema principal é não compreender nada.

O autores avançam com a ideia de recrutamento de talentos. Isto é, se estas companhias que adoptassem esta visão das coisas tal possibilitaria a atracção de talentos desses países “portas giratórias”e paralelamente, deveriam montar escritórios dotados de capacidades ao nível do marketing, logística, etc. Isso possibilitava que pudessem manter uma poderosa presença nos países da região de influencia destas “portas giratórias”.

Isto é um jogo em que se perdeu antes de se começar a jogar e que países como Portugal aceitaram jogar.

Um país vê assim completamente limitada a sua capacidade de atrair qualquer investimento sério.

Um país vê assim completamente limitada a vontade de poder influir sobre a criação de emprego dentro do seu próprio território.

Um país vê assim os seus fornecedores nacionais condenados a terem que adoptar métodos e técnicas de funcionamento, não autónomas, mas apenas orientados em função de “padrões” comerciais ou técnicos das multinacionais que estão nos Hub´s à sua volta…

De acordo com esta teoria defendida pelos dois autores, os 20 países “porta giratória” já estão decididos em função do seu peso e influência e quaisquer outros nunca terão hipóteses – joguem como jogarem este jogo de abismos económicos…

Portugal joga este “jogo” porquê?

(Nota dissonante: constitui batota argumentar que apenas pode jogar este jogo…)

Outra ideia dos autores é a de criar uma “rede global” entre os executivos dos 20 países “porta giratória” onde todos interagem com todos, tendo apenas 20 escritórios básicos e normais.

O objectivo económico – de gestão – comercial visa atacar a complexidade dos mercados todos através destas “estrutura flexível”. A suposição será a de que; através dos países “porta giratória” esta complexidade seria reconhecida e tratada de forma mais eficiente.

Razão de ser da complexidade? Porque existem mais de 190 países no mundo.

Nota lateral: o ataque à democracia como sistema será assim completo. O posicionamento do país “porta giratória” e das empresas multinacionais nele estacionadas condicionará os países adjacentes a esse, condicionará as decisões políticas desse país. Não entender isto é não entender nada.

Explicam ambos os autores como se faz actualmente:

As empresas tentam ser globais de duas maneiras:

  • centralizadamente
  • descentralizadamente

O (1) sistema descentralizado pressupõe que o mundo tem um quartel general e 5 ou 6 escritórios centrais – presumivelmente para cada continente. Com gestores separados para cada continente.

Estes, por seu turno, fazem de alfaiates comerciais e adaptam produtos aos gostos peculiares de cada país. É aliás isso que explica algumas das coisas mais estúpidas que se costumam ver, e como exemplo temos – a Coca cola com sardinhas – o que demonstra bem o desespero comercial da marca em Portugal e a tentativa desesperadamente imbecil de adaptação aos gostos locais.

Os autores não o dizem explicitamente, mas argumentam que isto (a diversidade cultural) é péssima.

Apresentam como exemplo uma empresa de produção de sopa de tomate na Europa que tem mais de 50 sopas diferentes.

Nota venenosa: se a diversidade cultural é péssima, e se a democracia, é diversidade cultural, política e social então, por analogia, a democracia é péssima?

O (2) sistema centralizado procura uma aproximação unificada ao mercado. Isso significa que as oportunidades perdidas de negócio, precisamente pelo facto de a empresa ser centralizada são imensas.

É para combater os defeitos das duas estruturas que surge esta ideia nova de pais “porta giratória”. Um sistema hibrido.

Nota de biologia híbrida: se é um sistema híbrido, e por definição algo híbrido não é definido; é uma mistura de duas ou mais coisas, então um sistema híbrido não se importa com qual regime político trabalha?

Nota estratégica: esta organização comercial – decidida em exclusivo por empresas multinacionais – constitui, também, estrategicamente, uma forma de atacarem os países nacionais e os seus governos e os condicionarem cada vez mais.

Nota reflexiva-eleitoral: os reflexos são enormes nas eleições democráticas em cada pais. Vote-se no “A” ou no “B” ou no “C”, o paradigma económico está a ser decidido num qualquer pipeline de informação / país “porta giratória” algures localizado e não no local onde se realizaram eleições.

Nota de traição. os políticos que ajudaram “este sistema” a impor-se desistiram de mudar o mundo através da sua acção como políticos. Em vez de tal fazerem, gastam energias a manter a ilusão de que tudo isto é verdadeiramente uma democracia e que todos podemos decidir sobre aquilo que nos afecta, o que não é verdade.

Prometem agora proteger-nos de perigos que nós não vemos e nós não conseguimos compreender… Ver “os políticos e a venda de pesadelos”

Prahalad e Hrishi designam os países – “mercados emergentes”

  1. China
  2. índia
  3. Brasil
  4. Rússia
  5. México
  6. Coreia do Sul,
  7. Indonésia
  8. África do sul
  9. Tailândia.
  10. Turquia
  11. 3.1 Biliões de pessoas.

Países dos mercados maduros

  1. EUA
  2. Japão
  3. Alemanha
  4. Reino Unido
  5. França,
  6. Itália
  7. Espanha
  8. Canada
  9. Austrália
  10. Holanda.
  • A base da pirâmide de produção foi atribuída aos países emergentes.
  • A produção “de topo” aos países dos mercados maduros.

Seguno os autores estes são os países países que tem “valor” (entendido como utilidade) para as multinacionais.

Razões:

Nos países mercados emergente: os trabalhadores são (1) muitos, (2) a custo baixo e (3) com competências, bem como (4) existem infraestruturas e (5) sociedades dispostas a fazerem parte do sistema de comérico internacional( Isto não é inteiramente verdade, mas percebe-se porque é que os autores dizem isto…)

E juntos os 20 países “HUB” contam para 80% da actividade económica do mundo e por 70% dos seus habitantes.

- Uma da partes importantes relaciona-se com o risco. Neste sistema” HUB” o risco é disseminado por 10 ou mais locais.

Cite-se Zygmunt Bauman em “Livro:Globalização,as consequências humanas”

Consequências:

A elite extraterritorial não sente os espaços geográficos onde nasceu; por exemplo, como sendo algo que lhe diga respeito. O sentido de comunidade (e de interesse pela comunidade) desaparece na elite.

Os centros de decisão (a capital, o governo, etc) estão longe, mas as consequências das tomadas de decisão desses centros de decisão caem directamente em cima das populações “localizadas” que estão impossibilitadas de se mexerem.

Consequências 2

O “poder” passa a ser livre para explorar, sem temer quaisquer tipos de consequências por fazer isso.

Bauman conclui que essa mobilidade não pressupõe que as comunidades “localizadas” tenham tolerância ou aceitação perante isto ou as desenvolvam como conceitos a utilizar…

Os autores tratam também da (1) questão de marketing. Isto é, se será possível o marketing feito num país “Hub” chegar à áreas adjacentes que esse país “influencia” sem existirem barreiras culturais.

O truque é criar uma situação em que a “marca” multinacional, tem uma imagem de alta qualidade e excelência, mas um preço baixo, sendo”desenhada” para países ou mercados emergentes e populações de baixos recursos.

Outra questão; (2) mexer na actual estrutura da multinacional e sendo isso um factor de problemas, é também focado. Se o facto de existir “outsourcing/ contratar fora não criará problema a empresa multinacionais.

O truque é que isto não será um grande problema, argumentam os autores, uma vez que o risco será dividido por 10 hub´s ou mais.

E agora importa citar a cereja no topo do bolo, precisamente para se perceber que o que foi escrito antes significa exactamente o que significa, e que as minhas impressões acerca disto – para os cépticos – são de facto verdadeiras.

A dada parte dizem que:

Underlying the gateway–hub structure is a basic management principle for worldwide enterprise: Neither local responsiveness nor global integration should be based on ideology. This represents a new model for global corporations based not on the priorities of home, but on the needs of the marketplace and on locating work wherever it can be conducted most efficiently and managed most profitably.

Tradução a martelo:

Subjacente à estrutura Hub” como porta giratória está um princípio básico para a empresa multinacional.

Nem a resposta local nem a integração global DEVEM SER BASEADAS EM IDEOLOGIA.

Isto representa um NOVO MODELO para as corporações globais baseado não nas PRIORIDADES DO PAÍS CASA, mas nas necessidades do mercado e em localizar o trabalho onde ele possa ser produzido MAIS EFICIENTEMENTE E GERIDO COM MAIS RENTABILIDADE.

Nota 1: existem excepções á lógica dos HUB admitidas pelos próprios autores. Certos negócios , como a moda, ou outros negócios que requeiram matérias primas naturais, estarão fora da lógica do Hub´s.

Nota 2: Também recomendam que, mesmo dentro da lógica dos Hub´s não se coloquem todos os centros de investigação e desenvolvimento só num país e toda a produção noutro país. (Dessa forma mais autónoma é a multinacional e mais “agarrado” está o país…)

O artigo foi escrito em Maio 2008.

– Para quem tem dúvidas que foi decidido internacionalmente muita coisa, e que isso que foi decidido afecta países que nada de especial tenham para oferecer ( como é o caso de Portugal) e que a lógica por detrás de tudo isto é pouco ou nada democrática, visando um controlo de pessoas e populações penso que a leitura crítica( isto é , como análise critica) dirá bastante acerca do que se está a passar e daquilo que estamos a enfrentar.

– Venham-me falar de “democracia” e multinacionais, quando os principais analistas e estrategas da gestão defendem abertamente um modelo de empresa que ataca as noções de democracia.

Este artigo Dissidente-x é dedicado ao blog My Hopes and Dreams

à propósito de uma conversa privada.

DEFICIENTES VOLTAM A TER MAIS BENEFÍCIOS FISCAIS EM 2009 – É MENTIRA…

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O blog o país do Burro, lançou uma iniciativa meritória mas absolutamente votada ao fracasso.

Mas primeiro precisa-se de fazer uma breve introdução à história.

Em 2007 o actual conjunto de políticos que se disfarçam de governo mas ainda não chegaram lá, nem sequer ao conceito do que deve ser um governo; decidiu combater o mal sob todas as suas formas e libertar os portugueses da tirania.

Para tal efeito aplicaram uns toques na parte fiscal e alteraram o regime dos trabalhadores deficientes e dos deficientes em geral, pondo-os a pagar mais impostos.

Como “ratio” (razão para isto) argumentou-se que existiriam benefícios ilegítimos usufruídos por pessoas com deficiência. Os canalhas…

Com efeito todos nós conhecemos pessoas que se auto mutilam de forma selvática, para ficarem deficientes e posteriormente obterem estes benefícios que antes eram legítimos e que agora passaram a ser ilegítimos de novo graças à acção do conjunto de pessoa que estão no governo.

E todos nós conhecemos exércitos de tropêgos e coxos, de surdos e prostéticos a viver à conta do Estado português com as deficiências que tem…

De facto deve ser muito agradável não ter uma perna ou um braço e ser considerado privilegiado por isso…

Como se o facto de alguém ter uma deficiência já não fosse um problema suficientemente grande e complicado de resolver, ainda por cima serem estas pessoas acusadas de usufruírem de benefícios ilegítimos por terem uma problema grande é complicado de resolver atesta bem para a falta de carácter e personalidade do conjunto de pessoas que fingem que estão a governar.

Como se o facto de alguém receber benefícios fiscais evitasse ou fizesse desaparecer a deficiência que tem.

Existe também uma divulgação deste assunto num blog ligado ao movimento dos trabalhadores portadores de deficiência.

Pelo meio existiu a conversa encomendada feita por órgãos de comunicação social falando em reduções de pagamento de impostos por parte dos deficientes,(esses malandros oportunistas que se aproveitam da deficiência que tem para sacar dinheiro ao Estado), embora a realidade seja, que irão pagar mais impostos.

É assim a justiça social de esquerda…

FREITAS DO AMARAL, O ANTIGO DEVOTO DE SALAZAR…

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Artigo do blgo Activismo de Sofá, sobre Freitas do Amaral, ou sobre a mudança de opinião – de adepto daditadura, para adepto da democracia, após passar um dia chamado 25 de Abril de 1974.

De facto isto é fácil, e para conhecer o esquema é necessário fazer parte do esquema…

O posto do blog Activismo de Sofá encontra-se AQUI. A notícia do Diário de notícias encontra-se AQUI.

Citemos para terminar Adolfo Casais Monteiro e a partir dum artigo chamado 25 de Abril de 1974 , 34 anos de nada

Que lição podemos tirar daqui, senão esta:que só apoiam realmente o regime aquelas forças que nunca apareceriam na cena política…mas estiveram sempre por detrás dela? Essas forças que beneficiaram com o chamado corporativismo, traduzido do italiano: aquelas forças que, no campo económico e financeiro, engordam enquanto o povo emagrece: o alto capital, a finança internacional. A igreja e o exército foram os seus instrumentos.”

Adolfo Casais Monteiro. Anos 60.

Escrito por dissidentex

29/10/2008 em 8:07

ERIC HOBSBAWM – ENTREVISTA À BBC – 21 DE OUTUBRO DE 2008

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Transcrição de uma pequena entrevista do historiador marxista Eric Hobsbawm relacionada como o momento actual em que o mundo vive. Fonte BBC Brasil.
Áudio em inglês (14 minutos e meio) pode ser encontrado AQUI
- Hobsbawm que viveu a primera e a segunda guerras mundiais faz a pergunta do milhão de dólares, que é “Onde está a esquerda?
E afirma que a actual crise apenas fortalece a direita.
(está é óbvia para toda a gente, menos para os tótós de esquerda… mas ainda bem que Hobsbawm a diz… assim tão claramente. Pode ser que alguém perceba…)
O britânico Eric Hobsbawm, considerado um dos historiadores mais influentes do século 20, disse à BBC nesta terça-feira que o maior perigo da atual crise financeira mundial é o fortalecimento da direita.

“A esquerda está virtualmente ausente. Assim, me parece que o principal beneficiário deste descontentamento atual, com uma possível exceção – pelo menos eu espero – nos Estados Unidos, será a direita”, disse Hobsbawn, em entrevista à Rádio 4.

O historiador marxista comparou o atual momento “ao dramático colapso da União Soviética” e ao fim de “uma era específica”.

“Agora sabemos que estamos no fim de uma era e não se sabe o que virá pela frente.”

Hobsbawn diz não acreditar que a linguagem marxista, que lhe serviu de norte ao longo de toda sua carreira, será proeminente politicamente, mas intelectualmente, “a análise marxista sobre a forma com a qual o capitalismo opera será verdadeiramente importante”.

Abaixo, os principais trechos da entrevista.

Muitos consideram o que está acontecendo como uma volta ao estadismo e até do socialismo. O senhor concorda?

Bem, certamente estamos vivendo a crise mais grave do capitalismo desde a década de 30. Lembro-me de um título recente do Financial Times que dizia: O capitalismo em convulsão. Há muito tempo não lia um título como esse no FT.

Agora, acredito que esta crise está sendo mais dramática por causa dos mais de 30 anos de uma certa ideologia “teológica” do livre mercado, que todos os governos do Ocidente seguiram.

Porque como Marx, Engels e Schumpter previram, a globalização – que está implícita no capitalismo -, não apenas destrói uma herança de tradição como também é incrivelmente instável: opera por meio de uma série de crises.

E o que está acontecendo agora está sendo reconhecido como o fim de uma era específica. Sem dúvida, a partir de agora falaremos mais de (John Maynard) Keynes e menos de (Milton) Friedman e (Friedrich) Hayek.

Todos concordam que, de uma forma ou de outra, o Estado terá um papel maior na economia daqui por diante.

Qualquer que seja o papel que os governos venham a assumir, será um empreendimento público de ação e iniciativa, que será algo que orientará, organizará e dirigirá também a economia privada. Será muito mais uma economia mista do que tem sido até agora.

E em relação ao Estado como redistribuidor? O que tem sido feito até agora parece mais pragmático do que ideológico…

Acho que continuará sendo pragmático. O que tem acontecido nos últimos 30 anos é que o capitalismo global vem operando de uma forma incrivelmente instável, exceto, por várias razões, nos países ocidentais desenvolvidos.

No Brasil, nos anos 80, no México, nos 90, no sudeste asiático e Rússia nos anos 90, e na Argentina em 2000: todos sabiam que estas coisas poderia levar a catástrofes a curto prazo. E para nós isto implicava quedas tremendas do FTSE (índice da bolsa de Londres), mas seis meses depois, recomeçávamos de novo.

Agora, temos os mesmos incentivos que tínhamos nos anos 30: se não fizermos nada, o perigo político e social será profundo e ainda mais depois de tudo, da forma com a qual o capitalismo se reformou durante e depois da guerra sob o princípio de “nunca mais” aos riscos dos anos 30.

O senhor viu esses riscos se tornarem realidade: estava na Alemanha quando Adolf Hitler chegou ao poder. O senhor acredita que algo parecido poderia acontecer como conseqüência dos problemas atuais?

Nos anos 30, o claro efeito político da Grande Depressão a curto prazo foi o fortalecimento da direita. A esquerda não foi forte até a chegada da guerra. Então, eu acredito que este é o principal perigo.

Depois da guerra, a esquerda esteve presente em várias partes da Europa, inclusive na Inglaterra, com o Partido Trabalhista, mas hoje isso já não acontece.

A esquerda está virtualmente ausente, Assim, me parece que o principal beneficiário deste descontentamento atual, com uma possível exceção – pelo menos eu espero – nos Estados Unidos, será a direita.

O que vemos agora não é o equivalente à queda da União Soviética para a direita? Os desafios intelectuais que isto implica para o capitalismo e o livre mercado são tão profundos como os desafios enfrentados pela direita em 1989?

Sim, concordo. Acredito que esta crise é equivalente ao dramático colapso da União Soviética. Agora sabemos que acabou uma era. Não sabemos o que virá pela frente.

Temos um problema intelectual: estávamos acostumados a pensar até então que havia apenas duas alternativas: ou o livre mercado ou o socialismo. Mas, na realidade, há muito poucos exemplos de um caso completo de laboratório de cada uma dessas ideologias.

Então eu acho que teremos de deixar de pensar em uma ou em outra e devemos pensar na natureza da mescla. E principalmente até que ponto esta mistura será motivada pela consciência do modelo socialista e das conseqüências sociais do que está acontecendo.

O senhor acredita que regressaremos à linguagem do marxismo?

Desde a crise dos anos 90, são os homens de negócio que começaram a falar assim: “Bem, Marx predisse esta globalização e podemos pensar que este capitalismo está fundamentado em uma série de crises”.

Não acredito que a linguagem marxista será proeminente politicamente, mas intelectualmente a natureza da análise marxista sobre a forma com a qual o capitalismo opera será verdadeiramente importante.

O senhor sente um pouco recuperado depois de anos em que a opinião intelectual ia de encontro ao que o senhor pensava?

Bem, obviamente há um pouco a sensação de schadenfreude (regozijo pela desgraça alheia).

Sempre dissemos que o capitalismo iria se chocar com suas próprias dificuldades, mas não me sinto recuperado.

O que é certo é que as pessoas descobrirão que de fato o que estava sendo feito não produziu os resultados esperados.

Durante 30 anos os ideólogos disseram que tudo ia dar certo: o livre mercado é lógico e produz crescimento máximo. Sim, diziam que produzia um pouco de desigualdade aqui e ali, mas também não importava muito porque os pobres estavam um pouco mais prósperos.

Agora sabemos que o que aconteceu é que se criaram condições de instabilidades enormes, que criaram condições nas quais a desigualdade afeta não apenas os mais pobres, como também cada vez mais uma grande parte de classe média.

Sobretudo, nos últimos 30 anos, os benefíciários deste grande crescimento têm sido nós, no Ocidente, que vivemos uma vida imensuravelmente superior a qualquer outro lugar do mundo.

E me surpreende muito que o Financial Times diga que o que se espera que aconteça agora é que este novo tipo de globalização controlada beneficie a quem realmente precisa, que se reduza a enorme diferença entre nós, que vivemos como príncipes, e a enorme maioria dos pobres.

Escrito por dissidentex

28/10/2008 em 16:50

JOÃO CÉSAR DAS NEVES E MAIS UM ATAQUE À DEMOCRACIA…

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Temos aqui (um pequeno exemplo) de como a materialização no concreto e na prática de como os conceitos de (falsa) tolerância adoptados pelas esquerda política após os 25 de Abril permitiram que abominações como este senhor do qual transcrevo uma notícia do Jornal Metro de 23 de Outubro de 2008, emerjam e sistematicamente pratiquem um discurso anti democracia e anti pensamento científico. (Apesar dos defeitos que ambos tem…)

São os “ressaltos” disso, do falso conceito de tolerância, que se materializam 30 anos depois, na prosa repugnante deste senhor, no asco que este discurso mete, pela apologia constante do totalitarismo, pelos ataques sistemáticos á democracia, como sistema político e social.

Nesta coluna de veneno, o senhor Neves decide escrever sobre cuidados paliativos, isto é, ajudar uma pessoa que está a morrer, a morrer com menos sofrimento e com mais dignidade.

O senhor Neves odeia os cuidados paliativos.

Odeia que uma pessoa possa morrer com dignidade. Porque a Igreja Católica e a corrente dentro da Igreja católica a qual o senhor Neves odeiam a dignidade e odeiam o actual conceito de morte que existe nas sociedades actuais.

Para eles, (Neves e companhia) todos devem viver e morrer cheios de sofrimento. Só assim alcançarão algo de melhor na vida do além…

Por isso, e como é óbvio, o senhor Neves odeia a ciência e a medicina em particular por esta ter permitido que se possa morrer, apesar de tudo, actualmente melhor, do que nos tempos gloriosos da Inquisição e das pessoas mandadas queimar na fogueira pelos antepassados cristãos do senhor Neves.

É apenas e só pelo facto da ciência criar um pensamento “científico” que afasta a crendice que o senhor Neves e os amigos do senhor Neves gostam muito que o senhor NEVES ARROTA O VENENO:

“O nosso tempo tem uma confiança cega nas possibilidades cientificas de regulação da nossa existência”.

Pergunta-se?

E porque não deveria ter?

A resposta, de acordo como senhor Neves, deve-se ao facto de a ciência condenar as pessoas a uma situação em que “ a vida tem de ser vivida dentro de um espartilho de teorias e modelos, técnicas e diagnósticos , regulamentos e sondagens, rigor cientifico e solidez epistemológica .

O senhor Neves é economista e professor Universitário de profissão.

Estará o senhor Neves a dizer-nos que a vida não deve ser vivida na Economia ( o senhor Neves é professor de economia) com esta coisas todas acima enunciadas?

Pelo meio fala de modas culturais do momento ( por oposição à Igreja católica e aos seus 2000 mil anos de existência e às doutrinas da mesma com igual idade…) como se algo relacionado com a morte e com a maneira como se morre fosse uma “moda do momento”.

E como se fosse o senhor Neves o autorizador mor de alvarás que decretam qual é a moda do momento aceitável e qual não é.

Imbuído também do mais alto grau de loucura ainda diz que ” Que vida tão boa que eles querem que nos vivamos”

Eles quem? Os mesmos especialistas de economia e gestão que criaram os modelos econométricos que o senhor Neves não gosta? Mas o senhor Neves não é economista?

(ao usar a expressão “eles” o senhor Neves deve estar a fazer um exercício pessoal de cariz prático, libertando-se a si mesmo da canga dos espartilhos e das teorias… e libertar-se assim pessoalmente e simbolicamente desses malandros cientistas e ateus que nos obrigam a morrer de acordo com as modas do momento…)

Está a pensar demitir-se da profissão? Renegar o “poder mágico dos números” como solução para organizar a vida em sociedade?

O mais espantoso é que ainda termina, dizendo que não quer morrer afogado em peritos que andaram anos na Universidade para aprenderem a maneira como eu devia “bater a bota”.

Senhor Neves. Faço-lhe um apelo. Demita-se da sua Universidade em protesto! Faça greve de fome! Organize uma manifestação!

De cada vez que estiver com gripe e quiser tomar uma aspirina, não o faça, uma vez que a aspirina foi produzida de acordo com:

“um espartilho de teorias e modelos, técnicas e diagnósticos , regulamentos e sondagens, rigor cientifico e solidez epistemológica.

Não tome vacinas, senhor Neves!

As teorias e os espartilhos são maus…especialmente porque são ciência e o senhor Neves odeia uma parte do pensamento científico.

Só a doutrina da igreja misturada com o neoliberalismo económico misturada com pensamento neo medieval é que são bons e desde que seja o senhor Neves a afirmá-lo.

TEORIA DOS JOGOS E OS PÉSSIMOS SUB DERIVADOS

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Artigo Teoria dos jogos.

As teorias dos jogos são técnicas matemáticas. O objectivo é demonstrar que tomando decisões estritamente racionais, e numa situação em que dois intervenientes façam tal, ambos sairão a ganhar ou pelo menos ambos a não perder.

As teorias dos jogos baseiam-se em “números”. São uma análise fria de quais opções a tomar baseadas na contabilização de probabilidades matemáticas e lógicas. Através do uso destas técnicas chegamos às múltiplas hipóteses originárias das teorias dos jogos.

Uma dessas hipóteses originadas das teorias dos jogos, como conceito, é a seguinte: e se pudermos medir emoções humanas, comportamentos humanos, a vida das pessoas, usando modelos matemáticos e números? (Um exemplo “totalmente claro” desta sub variação é a nova lei do divórcio…)

E a partir dessa hipótese, construir modelos matemáticos que “digam” como as pessoas são, e que “meçam” comportamentos e produtividades?

A partir daqui, da criação de modelos matemáticos e das lógicas inerentes, rapidamente se dá um salto para uma “cultura dos números”. E quando esse salto é dado, e dessa forma, um certo limite foi ultrapassado.

Quando em qualquer actividade ou conceito, um qualquer “limite” que exista, se ultrapassa, os gostos, sentimentos, práticas e ideias acerca do assunto que esteja em discussão, ganham – misteriosamente – vida própria e libertam-se da sua concepção inicial. Passam da dimensão de uma mera ideia experimentada ou a ser experimentada, para uma outra dimensão; está já mitológica e cheia de magia; isto é, a nova ideia ganha “magia e poder próprio”.( mesmo que seja intensamente estúpida e totalitária, por exemplo)

Isto é a “magia mítica dos números”…

Umas das magias mitológicas derivada das teorias dos jogos, consiste na crença nos números como factor de análise de tudo o que se mexa. Este sub produto derivado das teorias dos jogos, levou à criação de mais e mais sub rotinas matemáticas de análise e com uma lógica totalmente baseadas em números.

Pior, levou à crença de cariz mágico/fenomenista/mitológica assentes em crenças (irracionais, por estranho que pareça) que era possível “só através de números” conseguir medir pessoas e os seus comportamentos.

E assim surgiram ideias de “medição” cientifica de tudo.

Esta cultura impregnou-se nas sociedades ocidentais desde os anos 50, atingiu o seu ponto de expansão a partir anos 70, em que se afirmou como Teoria Dominante nas várias ciências, e explodiu em influência a partir dos anos 90, após vitória de uma certa concepção do mundo (e do que seria a verdadeira liberdade).

Produziu-se mais estragos que benefícios, (embora sempre ao retardador e diferido de forma a que não possamos estabelecer uma relação causa efeito…entre aquilo que os criou e os estragos propriamente ditos) e criou uma legião de adeptos, que nós conhecemos por “neo liberais”…

Por exemplo, o construtor principal das versões económicas de teoria dos jogos, e da “cultura dos números” mas para a área económica foi um senhor chamado James Buchanan, que inventou a teoria da escolha Pública (por oposição à teoria do interesse público).

Qualquer teoria que seja construída de novo (visando obter poder para uma certa classe) e que defende a aplicação em exclusivo de modelos matemáticos de análise aos comportamentos das pessoas tem que ter “expressões próprias”. Uma “linguagem” e um “corpo “doutrinal” que aparente ser “novo e excitante”.

E assim nasceram muitas expressões idiomáticas “mágicas”; uma das quais, que dou como exemplo, chama-se “o Benchmarking” – uma “medição de performances” e produtividades “cientifica” através da medição comparativa.

(É claro que os critérios de avaliação inseridos em qualquer “benchmark”, para qualquer área não são nunca discutidos e debatidos por quem os define, para quem os irá realizar, como sendo efectivamente alcançáveis ou válidos…)

(é claro que se alguém no seu emprego ou na sociedade quando confrontado com o acesso a serviços públicos ou privados, questionar os critérios do benchmark, mesmo que eles sejam manifestamente doidos ou prejudiquem pessoas ou a sociedade no seu conjunto, estará a ser colocado numa posição em que é acusado de pôr em causa a “ciência e os altos sacerdotes da mesma que definem os critérios científicos”, acusado de por em causa a “produtividade” e a eficiência…)

E chegamos às farmácias neste artigo.

Porquê às farmácias?

Porque foram um dos primeiros sítios em Portugal onde a cultura impregnada da teoria dos jogos e da “sub crença mágica no valor dos números” se manifestou nas suas sub formas designadas pelo ” poder mágico dos números”.

Mas antes vamos passear um pouco de forma lânguida e sensual pela avenida da memória…

Há uns 20, 25 anos atrás, em Portugal, quando o leite ainda era racionado e vinha em pacotes/embalagens de plástico que pareciam plasticina e era vendido directamente pela Ucal (União das cooperativas de leite de Lisboa) já existiam as farmácias. Até aqui tudo normal.

E ia-se a uma farmácia e estas não tinham senhas de contabilização de ordem de entrada. Entrava-se e ficava-se na fila. As pessoas sabiam qual era a sua ordem de chegada.

Isto também acontecia, porque existia “civismo” e existia um mínimo de respeito social e dignidade em quase toda a população. Características essas que impunham um comando social relativamente as regras de educação, que era “esperava-se pela sua vez”. Existia “cortesia” nas relações entre as pessoas. (Depois as coisas começaram a mudar) Nos dias de hoje, todas as farmácias citadinas tem senhas.

Mais ou menos nessa época, há 25 anos atrás, as senhas começaram a ser introduzidas não especificamente vocacionadas para se atingir objectivos e critérios de produtividade ou análise estatística benchmarkiana de comparação relacionados com “o poder mágico dos números”.

Começaram a ser introduzidas pelas simples razões que escrevo a seguir.

Para evitar que existissem umas pessoas (as primeiras gerações de pessoas sem qualquer tipo de ideal cívico e também moldadas pela mentalidade pseudo revolucionária logo a seguir ao 25 de Abril de 1974) que passavam ilegitimamente (fora da sua vez) à frente de outras. A falta de civismo e cortesia conjugada com a escassez de recursos começou a existir e desenvolver-se.

Isto sucedeu, primariamente, porque existia escassez de oferta, quer em número de farmácias disponíveis, quer nos horários de atendimento. Existia pressão sobre os recursos.

Politicamente, a “elite política da época” nunca achou que uma das condições de modernização e de implementação da democracia, de fuga ao ambiente da ditadura e de combate à corrupção do país fosse o alargamento da oferta disponível em todos os sectores. ( e depois como é que se conseguiria criar e manter negócios vantajosos para certas “famílias” e para certos sectores e interesses específicos?)

Mais ainda no caso das farmácias, neste exemplo específico, que estou aqui a dar.

E assim se começaram a inserir máquinas de disponibilização de senhas de presença.

(Foram depois usados os argumentos de marketing justificativos do costume: que isso era a “modernização” do comércio português. De facto era, mas que tipo de modernização nunca se perguntou.)

E assim, devagar mas com segurança, a cultura impregnada da teoria dos Jogos e dos seus sub derivados começou a espalhar-se.

Agora essas mesmas máquinas de senhas estão, lentamente e suavemente, a exercer uma pequena pressão sobre os farmacêuticos no sentido de se “apressarem” a produzir mais “senhas” por dia (supostos indicativos/ benchmarkings/mais produtividade, isto é, mais atendimento e mais supostamente, receitas…)

(Outro exemplo clássico disto são os centros de saúde…)

A cultura impregnada da teoria dos jogos manifesta-se nestas pequenas coisas, que acumuladas em muitas outras coisas em todos os outros lados da actividade económica e social levam ao estado em que as coisas estão.

Também podemos ver isto de outra forma.

Como uma ideia útil, e socialmente justa, utilizada para impedir que pessoas roubassem a vez de outras demonstrando falta de civismo e cortesia, acabou por levar à inserção de uma técnica de controlo e pressão no sentido de “produtividade” (neste sentido) de quem trabalha em determinado local.

Argumentar-se-á (e é verdade) que os clientes serão beneficiados por isto. Existirá ordem nas filas e existirá “produtividade”, maneiras de a medir e isso permitirá aferir quais são os maus funcionários.

Mas o sub efeito que ninguém menciona é a tendência para se perder qualidade de atendimento.

Os clientes perdem o que antes tinham, a ordenação numérica das filas de atendimentos, que é em parte; apesar de ainda continuar a existir, (também) substituída (ou acompanhada) pelo atendimento ligeiramente feito mais depressa. A (1) lógica da Teoria dos jogos – (2) (sub) poder mágico dos números – (3) (sub benchmarking) – a isso obriga, uma vez que tudo isto cria a existência e a necessidade de uns critérios comparativos que dizem precisamente isso – que fazer as coisas mais rapidamente é aumentar a produtividade por empregado.

(O mais irónico disto é que o cliente é desta forma subalternizado, e posto de lado, subjugado à velocidade…isto feito precisamente por uma ideia que defende que estes controlos são para o bem do cliente e para o aumento da produtividade…quer em farmácias, quer noutros negócios)

E assim a qualidade de serviço terá (A) tendência a diminuir e (B) a aumentar a rapidez em que é prestada.

E quanto mais rápido é o atendimento, mais o consumidor perde, (C) porque não pensa naquilo que compra.

(Quem ganha com isto? A mesma corrente ideológica/económica que promoveu intelectualmente estas teorias. Um consumidor ( ou um votante?) atendido depressa não questiona o que compra…ou questiona menos e portanto tem tendência a comprar mais…)

E depois temos a parte psicológica para criar o convencimento de que isto é que é bom: “o poder mágico dos números” afirma que a produtividade é grande.

O mais espantoso e paradoxal destas (sub) ideias derivadas das teorias de jogos é que a replicação de supostos mecanismos de mercado e de eficiência introduzindo “mecanismos de mercado” através de controlos e números são apenas incentivados (pelos responsáveis políticos e pela ideia impregnada na sociedade) a serem usados em empresas ou serviços próximos do Estado ou para estatais.

Olhando para os serviços não estatais, as políticas de benchmarking como estas tem tendência a desaparecer no que diz respeito ao atendimento ao público ou não existirem e a tornarem-se apenas aquilo que eram no país chamado Portugal há 25 anos atrás – uma maneira de contar quantos chegaram em primeiro ao serviço.

Isto indica que a ideia original do “benchmarking” foi – também – uma criação ideológica visando transportar esta cultura assente no poder mágico dos números para o Estado e assim atacar conceitos de bem público e a própria lógica que diz que devem existir certos serviços a serem prestados pelo Estado.

São raros ou quase nenhuns, os locais privados em que observamos a existência de senhas de atendimento (não considero a farmácia, algo de inteiramente privado (só na propriedade da mesma) devido à natureza do local e do que vende…e a farmácia é apenas atacável e apetecível porque o negócio que tem é muito lucrativo).

A lógica é simples. Extremas obrigações para tudo o que é serviço público ou aparentado (ignorando as naturezas especificas do serviço público) e isenções dessas mesmas obrigações nos serviços privados. (Exemplo:rankings nas escolas…)

  1. (Aí existe a argumentação; é o mercado que resolve, ou “a magia do mercado)
  2. (Nesses casos dir-se-á que as empresas privadas tem “controles internos)

Exemplo: caixa de comentários do artigo “Asae e a burocracia” e transcreve-se uma parte:

“…Outra ainda: sabia que a ASAE fechou diversos Hipers por questões de incumprimento de horários e abertura ao público enquanto decorriam obras. Tal como alguns MaxMat?
Mas mesmo assim, V. compara um peixeiro ou um dono de um tasco, que ignora as regras mais elementares de higiene, com grandes cadeias que, muitas vezes, têm os seus próprios serviços de auditoria interna?”

A mentalidade da pessoa que escreveu este comentário é um bom exemplo do que tenho estado a descrever em cima.

Ou seja, existe neste comentário do qual eu transcrevi uma parte, a cultura impregnada de Teoria dos jogos e seus sub derivados, que (não por culpa da pessoa que proferiu o comentário, note-se) isenta as empresas privadas de controlos exteriores, ou pelo menos à ideia de que isso deva acontecer.

As empresas privadas tem controles internos (isto é dizer-se que tem “benchmarkings…”), logo são inatacáveis. Mas não são todas, só algumas empresas privadas (as maiores).

É também por isso que as empresas privadas não usam senhas benchmarkianas. (Dá mau aspecto e é conotado com o “Estado”…)

Optam por fazer mau serviço de outra forma; (uma das formas para onde se fugiu da parte das empresas privadas para o mau atendimento são os call centers…) uma em que exista “distância” entre o consumidor e o atendimento.

Se nos tornarmos reféns desta lógica mais ainda do que já estamos, seremos devorados vivos e a vida em sociedade torna-se insuportável, quase neo feudal dado que, como consumidores estaremos a trabalhar para os benchmarks alheios. Exemplos aqui no Dissidente-x

Ver: Hipermercados jumbos lançam sistema em que os clientes trabalham de graça para o supermercado.:

Ver:Moviflor. a compra de móveis em pré pagamento

Com a diferença que, o actual senhor feudal pós moderno, são os manejadores de marionetas que falam a linguagem mágica fenomenista e mitológica dos números.

Escrito por dissidentex

23/10/2008 em 13:14

6 FOTOGRAFIAS, UM MILHÃO DE EUROS.

com 6 comentários

No blog Denuncia coimbrã 2, aparece um pequeno post sobre um assunto grande que interessa divulgar o mais amplamente que for possível.

O querido governo português (ou deverei escrever “os interesses por detrás do governo português?”) decidiu continuar a promover Portugal no estrangeiro com mais uma quase gratuita e acessível campanha de promoção do país.

A campanha é barata e módica. A página da “agência financeira” – 18- 10 – 2008, explica também o assunto.

Apenas custa um milhão de euros. Consiste em 6 fotografias. Cada uma paga a 170 mil euros. Os direitos de utilização das fotografias por parte do governo português terão, ao que notícia a página da agência financeira, apenas dois anos.

O contratado cheio de sorte parece que é este senhor chamado Steven Klein que já fez campanhas publicitárias para Madonna entre muitos outros.

Há um ano atrás, o mesmo governo português decidiu pagar 300 mil euros por uma campanha pseudo publicitária para promover Portugal como destino turístico, chamada Portugal West Coast-dinheiro mal gasto, aqui neste blog já mencionada.

O Instituto de Turismo de Portugal é o organismo de parasitas que dão a cara por mais este estouro de dinheiro e é um organismo que depende do Ministério da economia e o seu chefe o, estapafúrdio aéreo Manuel Pinho. O chefe do Instituto do Turismo, nomeado pelo actual ministro é o senhor Luís Patrão.

Ainda aqui em cima, temos uma notícia do jornal online, “observatório do Algarve” de 2006.

Mas falta aqui uma indicação acerca do senhor Luís Patrão. Este senhor foi também o chefe da Deco – associação portuguesa de consumidores, entidade da qual fui sócio, desde 1992 até 2001 e da qual deixei de ser sócio e à qual em tempo algum futuro voltarei a ser sócio, especialmente depois de perceber como é que funcionam na realidade…

Espero que as pessoas percebam bem a dimensão do que estamos a enfrentar e como este tipo de pessoas raptaram a democracia e estão em todo o lado, e servem para todos os cargos e são sempre igualmente maus e incompetentes e corruptos em todos os lados em que estão ou aparecem.

E de como a todo o custo se quer promover um país de serviços e turismo, enquanto pelo meio se dá a ganhar a chicos espertos quantias absurdas de dinheiro. Dinheiro esse que falta noutros lados.