CONCENTRAÇÃO DE BANCOS EM PORTUGAL
Um dos problemas de Portugal e dos portugueses é o facto de – dizem-nos os adeptos do liberalismo na economia – existir “pouca concorrência” nos mercados. Notícia Público – Economia, dia 28 – 05 – 2009.
Isto é, existirem poucos concorrentes nos mercados. E o responsável do Deustche Bank, o banco que despoletou juridicamente a crise financeira norte americana, vem dizer-nos que é bom existir pouca concorrência no mercado. E importa perceber porquê…

(1) É inevitável. Porquê? O responsável do Deustche Bank não diz. E aponta o caminho: absorção ou fusão das instituições mais pequenas.
São aquelas instituições que ocupam os mesmos pedaços “pequenos” de mercado que o Deustche Bank também ocupa.
Fazer publicidade em causa própria é a nova medida de ética.
(2) Fusão das instituições mais pequenas. Entre si, ou com o Deutsche Bank? E por que preço? E por qual quota de mercado a atingir? E quem assume as dividas das instituições mais pequenas? São as instituições que faliram, ou são as outras instituições mais pequenas que não faliram?
(3) Um modelo de negócio mais tradicional é que é necessário ter “mais escala” ou seja, mais tamanho”. Porquê, mais tamanho? Para ocupar que mercados?
Se os bancos portugueses – mais pequenos – estão “entalados” entre os bancos portugueses maiores (estes tem uma quota de mercado à volta dos 85%) então para quê ganhar “escala”?
Para expandir para o estrangeiro? Bom, mas se o bancos portugueses normais não conseguem sair de Portugal, porque seriam os pequenos a fazer isso? E como se ganha quota de mercado, mesmo fundindo-se bancos pequenos com bancos pequenos?
Para expandir em Portugal? Há a questão das sinergias, mas isso não explica ( nem de perto nem de longe) tudo…
Então quem pode beneficiar com isto? O Deutsche Bank, que poderá eventualmente, num determinado futuro comprar um banco eventualmente fusionado (e com um tamanho ajustado aquilo que o Deutsche Bank pretende (adquirir) do mercado português) resultante destas propostas que o seu responsável apresenta….
(4) No ponto 4 que escolhi, o responsável do banco alemão em Portugal tem um leve acesso de marxismo económico. Manifesta-se perguntando qual é o numero de bancos necessário para que as “coisas funcionem”. Julgava eu, que era o “mercado” que determinava isso.
É o mercado que determina isso, excepto quando o Deutsche Bank, não tem quota de mercado que lhe permita crescer (A) organicamente, ou (B) por aquisições e fusões de concorrentes.
Aí o mercado afasta-se para a barra lateral. E entra o intervencionismo retórico, em conferencias do Finantial Times – interesses estrangeiros a fazerem pressão sobre o mercado português…
(5) É claro que são os bancos mais pequenos que sofrem com as condições do mercado, porquê? TBTF (To big to fail – demasiado grandes para falharem) era o mantra que rebentou recentemente com alguns bancos grandes – todos eles maiores que o Deutsche Bank.
Portanto é “claro” porquê? Porque um director regional do Deutsche Bank o diz?
E acreditamos nele porquê?
(6) E diz-nos o ex-director do impostos que voltou para o BCP, que será visível a redução do crédito destinado a particulares e sobretudo, no sector imobiliário.
Os bancos cortam a torneira, não porque seja “visível” a crise do crédito, mas pura e simplesmente porque já estão cheios de perdas nos balanços e não querem mais.
Mas estão a indicar-nos que “acabaram de abortar” contra a vontade de qualquer governo eleito futuramente, qualquer ” ideia leve” de recuperação económica.
Indicam que estão completamente contra a corrente propagandística do actual governo que fala de recuperações económicas que estão a vir.
E indicam que os mais de 2 biliões de euros injectados nos bancos portugueses por causa da crise (de um pacote total disponível à volta dos 20 biliões de euros) afinal não serviram para aliviar a torneira da concessão de crédito.
Os bancos querem as coisas como estão. O seu poder aumenta com as coisas assim, e mais condiciona qualquer governo eleito.
(7) Crescimentos de crédito na área dos dois dígitos ao ano não são desejáveis. Resta dizer, que quem quis ter crescimentos de crédito na área dos dois dígitos foram …… todos os bancos?!?!? ……que se lançaram na concessão louca de crédito por todos os lados.
Ø
De um ponto de vista da “concorrência” o que o responsável do Deutsche Bank esta a postular, dizendo isso ao estado Português; é que o numero de concorrentes no sector bancário ainda deve ser mais reduzido do que aquilo que é.
São as ideias de uma certa “elite financeira e capitalista mundial” que estão aqui plasmadas. Redução dos números dos concorrentes locais, para que os grandes bancos mundiais, possam “ocupar espaço” e salvar as mais recentes perdas que tiveram.
Logo, é necessário “expandir à força” e o Deutsche Bank necssita disso devido às perdas que ainda tem devido à crise financeira norte americana.
“Expandir à força”= persuadir através de órgãos de persuasão (o Finantial Times) veiculando a mensagem que “há crise no sistema, reduzam, os actores…
Ø
Qual é o interesse nacional que é defendido, pela redução do numero de bancos comerciais a operar no mercado?


A adesão ao Euro foi a pior coisa que Portugal fez desde o Tratado de Metween!
O Euro encontra-se totalmente desajustado a Portugal (e não só). Desde que aderimos (1999) a economia ou estagnou ou recuou.
A situação actual só encontra paralelo na estagnação do tempo das guerras liberais no Século XIX.
O que acontece é que a economia portuguesa é muito diferente da alemã e o BCE (como aliás lhe compete) segue a política monetária necessária para a Europa no seu todo, isto é, uma política em que a economia alemã é preponderante.
As franjas tramam-se e nós, infelizmente, estamos nas franjas…
O Raio
29/06/2009 em 17:27
A inflação é natural e não tem nada de mal. A deflação, por exemplo, é muito pior!
Os câmbios flexíveis que provocam a desvalorização de umas moedas e a valorização de outras, são necessários para equilibrar as diferenças de produtividade.
A economia não é uma consequência da moeda, a moeda é que é uma consequência da economia.
Uma moeda forte numa economia fraca destrói-a e impede quaisquer tentativas de recuperação.
O Raio
29/06/2009 em 17:22
Alguns estão com saudades de manipularem a moeda, para fazerem um roubo por caridade, que é a inflação, hiperinflação. Quando passamos bem-estar de credores, para devedores… E só se salvam aqueles que souberem ganhar com a inflação, que não são só alguns dos credores…
Mariel
26/06/2009 em 23:43
Raio:
entre a questão da União e o Euro,apesar de tudo separo as coisas e penso que talvez fosse vantajoso, sair da União ou não estar dentro dela como se está e provavelmente ficar no Euro.O Euro tem alguma utilidades que a União não tem.
E concordo com as suas opiniões acerca da mudança de paradigma: antes iríamos melhorar, agora já é dito que se não fosse isto, iríamos piorar.
Idem sobre Mário soares,um incapaz e incompetente completamente aldrabão que nunca percebeu de absolutamente nada excepto alimentar a sua própria carreira política.
Renegociação da adesão, já.
Essa sondagem não a conhecia, confesso.
—
quanto a sua ideia de “olharmos com saudade” espero que não se materialize,não por si, mas pelo conteúdo da ideia… que é péssimo.
—
“”"Concordo com o futuro proposto, só que não o creio possível sem primeiro haver alguma violência.”"”
Pois, mas estamos lentamente a ser empurrados para soluções dessas. Começa-se a ver a hipótese de usar violência mesmo que o Tratado não seja aprovado.
Quanto aos balkans discordo em parte. Penso que a área não tem a importância que se lhe atribui e embora o eixo Pacto de Varsóvia/Nato servisse como travão, penso que mesmo que a Europa deveria em parte deixar-se estar quieta relativamente àquela zona.
Não valem o esforço e a maior parte das querelas ali são bizantinas. São antigas mas são bizantinas.
Isto independentemente de existirem lá pessoas de muito valor, na região.
dissidentex
26/06/2009 em 12:06
“Portugal não pode estar tão dentro da União como está, ou até deve considerar sair se for do nosso interesse fazer isso.”
É óbvio!
Qualquer pessoa que tenha a paciência de dar umas leituras ao meu blog vê que essa é a minha opinião.
No mínimo Portugal devia sair da UE e ficar na EEA (European Economic Agreement) tal como a Noruega ou mesmo na EFTA como a Suiça.
A UE e principalmente o Euro são das maiores fraudes da actualidade.
Alguém se recorda ainda que a UE e o Euro iam fazer aumentar o nosso nível de vida, emprego, prosperidade, etc.?
Não, agora o paradigma mudou, Se não fosse o Euro estavamos muito piores!
O impagável Mário Soares, na sua última campanha eleitoral chegou mesmo a dizer que se não fosse a UE estavamos piores do que a Albania!
Infelizmente a classe política que nos meteu neste inferno nunca virá dizer “Ó malta, desculpem mas enganamo-nos e metemos o país num buraco”.
Portugal acabará por sair do Euro e renegociar a sua adesão à UE quando os politicos forem outros e a pressão popular for de tal forma que eles se vejam obrigados a considerar a questão.
Mas a opinião pública está a mudar. Num inquérito do Eurobarometro que citei em http://cabalas.blogspot.com/2009/05/ainda-o-euro.html, 62% dos portugueses declaram sentir-se mais protegidos com o Escudo do que com o Euro, a maior percentagem dentro da UE.
Que eu saiba esta sondagem só foi referida uma vez na Comunicação Social, no Expresso da meia-noite (SIC).
E todos os presentes com a excepção de Oliveira e Costa da Eurosondagem se riram da ignorância do povo português…
“De qualquer forma o seu pessimismo é ainda maior que o meu (talvez por ser mais velho do que eu ,suponho…) ao apontar 1989,como data da queda da democracia.”
Tenho 64 anos mas sou pessimista de nascença…
Acho que 1989 foi o fim do comunismo e o início do fim do sistema democrático mais ou menos social democrata. Claro que antes da queda ser visível teve o seu canto de cisne personificado pelo livro “O fim da História” de Fukoyama.
“não a guerra fria”
Claro, o passado, por definição, nunca volta.
Mas o que eu disse é que num futuro mais próximo do que pensamos, essa era será olhada com saudade pois, comparada com o futuro terá sido uma era de paz e de bem estar, dos dois lados da cortina de ferro!
Concordo com o futuro proposto, só que não o creio possível sem primeiro haver alguma violência.
Se o Tratado de Lisboa não entrar em vigor talvez os problemas se resolvam sem violência mas se entrar em vigor a UE deixará os dentes de leite actuais e adquirirá uma dentadura forte que morderá ferozmente quem a coloque em causa.
Os Balkans são muito importantes pois desmentem um dos mitos da UE, o de que trouxe a paz à Europa.
Quem trouxe a paz à Europa foi a dupla NATO/Pacto de Varsóvia.
Três ou quatro anos depois do Pacto de Varsóvia ruir recomeçaram as guerras na Europa, no caso nos Balkans e não foram mais longe, Bielorússia, por exemplo, porque o dinheiro não chegava para tudo.
O Raio
26/06/2009 em 11:44
Raio: precisamente por isso, Portugal não pode estar tão dentro da União como está, ou até deve considerar sair se for do nosso interesse fazer isso.
De qualquer forma o seu pessimismo é ainda maior que o meu (talvez por ser mais velho do que eu ,suponho…) ao apontar 1989,como data da queda da democracia.
Mas proponho algo mais audacioso: não a guerra fria, mas soluções que afastem os antigo cenário da guerra fria e afastem o actual.
Egoísmo nacional sadio misturado com pragmatismo português + estratégia orientada para a defesa dos nosso próprios interesses + um afastamento maior deste tipo de situação de termos que aturar 70% de legislação.
Como estamos, é um lento triturar do país.
Quanto aos balkans e correndo o risco de parecer cínico, mas não valem os ossos de um granadeiro da Pomerânia para parafrasear Bismarck.
dissidentex
25/06/2009 em 17:07
Respondi a este texto antes de o lêr, no post anterior.
Torna-se também claro que a democracia, curiosamente, deve ter caído juntamente com o muro de Berlim…
As entidades reguladoras são entidades não democráticas e livres de controle democrático. E estas entidades são cada vez mais centrais na nossa sociedade.
Aliás, cada vez há mais entidades não democráticas a mandar em nós.
A Comissão Europeia tem o exclusivo da produção de legislação para a UE (uns bons 70% da legislação que nos atinge cada ano) e é uma entidade só marginalmente sujeita a qualquer tipo de controle democrático.
Quando o Muro de Berlim caíu toda a gente percebeu que o comunismo tinha caído. O que não se percebeu é que as democracias ocidentais, mais ou menos social-democráticas eram a outra face do comunismo e, quando um caíu, a outra face, caíu também.
Quase que apetece dizer, “volta guerra fria, estás perdoada”…
(os milhares de mortos nas guerras da ex-Juguslávia agradeceriam)
O Raio
25/06/2009 em 16:44
Raio: mesmo que seja resolvido o novo problema teórico, o novo sistema( chamemos-lhe pós capitalista) tem demasiados defeitos e é muito anti democrático para ser estável e eficaz.
O que irá originar novos problemas…
dissidentex
25/06/2009 em 16:41
Claro que nem todos ganhavam.
Mas a teoria dizia que sim e era com isso que nos embalavam.
Agora a teoria mudou, já ninguém se atreve a dizer que o capitalismo se auto-regula, agora são necessários os tais reguladores que vão substituindo o Estado, Estado que se quer o menor possível.
O grande problema teórico a resolver pela nova teoria é quem regula os reguladores…
O Raio
25/06/2009 em 16:31
RAIO: mas o dogma produzido por Adam Smith do equilíbrio invisível dos mercados alguma vez, verdadeiramente funcionou?
Essa também é uma questão que devemos colocar…
E deveremos colocar outra ao nível das estruturas de poder: quem controla as entidades “independentes que fazem a regulação?
Ou seja, estamos perante uma nova tentativa de reforma do capitalismo (não creio) ou perante uma tentativa nova de criação de uma forma suave de ditadura económica utilizando um de vários alicerces para isso: a regulação “independente”…
É que essa regulação (o tipo de ) que o Raio menciona leva ao aumento da burocratização (para o estado cobrar licenças e adquirir dinheiro) o que por sua vez leva a exclusões de entrada no mercado, o que por sua vez leva tendencialmente a monopólios disfarçados.
A médio prazo, isto levará ao desastre.
E o Raio sabe que isto, qualitativamente, é um passo para a “não democracia…”
PEDRO FONTELA.
Esse é outro problema deste jogo que se joga: verificar quem ganhou e quem virá a ganhar.
E quem ganhar não serão democratas ou terão qualquer espírito assente na democracia.
dissidentex
25/06/2009 em 12:18
Nem todos ganham raio… O facto de se destruirem estruturas sociais para implementar o sistema de mercado não deixa todos em posição de igualdade. A medição de rendimento não me chega para deduzir um ganho social para todos, é preciso ver a imagem de sociedade que emerge antes e após do capitalismo moderno e depois tirar conclusões sobre quem é que ganhou (e lhe garanto que não foram todos).
ps: o mercado nunca se regulou, desde a sua infância que teve que ser ultra regulado para não acabar em oligopólios e para ter acesso livre a terras e trabalho (deixando a coisa correr sem qualquer intervenção as pessoas não tinham qualquer interesse em tornar-se escravos industriais, só quando lhes cortaram a dignidade e as opções de sobrevivência é que puderam criar um mercado de trabalho – que é algo perfeitamente artificial já que tal comodidade não existe, o que existe é seres humanos que têm todo um contexto que não pode ser ignorado).
Pedro Fontela
25/06/2009 em 11:14
Quando eu digo pós-capitalista é porque o capitalismo era-nos apresentado com alguns fundamentos que desapareceram.
Um dos principais era a auto-regulação. O Mercado capitalista regulava-se automaticamente, o laissez faire, laissez passer era suficiente para a sociedade evoluir para o bem de todos. O sistema poupava os custos de uma economia centralizada e enriquecia todos, uns mais e outros menos, mas no fim, todos tinham a ganhar.
Ora o pós-capitalismo ou o novo capitalismo nega totalmente este dogma, o sistema não é capaz de se autoregular, são necessárias entidades reguladores “independentes”.
Depois nega também outro, o tal laissez faire, laissez passer, para qualquer actividade económica são necessários alvarás, licenças, autorizações, etc., etc. O que obriga a que mesmo para lançar um negócio pequeno se disponha de muito capital.
Cada vez mais só grandes empresas ou empresas associadas a grandes grupos é que podem sobreviver.
Este pós/novo capitalismo não tem nada a ver com o capitalismo anterior. Claro que é uma nova fase mas é uma fase qualitativamente diferente. E naturalmente precisa de um novo nome.
O Raio
25/06/2009 em 10:29
Para já o caminho que se está a seguir parece-me inevitável.
Há nitidamente uma engenharia de controle das massas populares extremamente eficiente que as faz aceitar o inaceitável.
Por um lado as teorias económicas “oficiais” são-nos apresentadas como verdades científicas inquestionáveis.
E, pior, as pessoas aceitam-no.
Por exemplo, isto de que tudo o que uma geração gasta e desperdiça tem de ser pago inevitavelmente pelas seguintes é aceite por tuda a gente. Só que me deixa muitas dúvidas.
É que há falhas no raciocínio.
Alguém sabe que geração é que pagou a II Guerra Mundial?
Durante uns seis anos foi desperdício e um endividamento astronómico. Só se produziu e investiu para se destruir. Em teoria as gerações seguintes deviam viver miseravelmente para pagar aqueles seis anos de loucura.
Mas não, uns meros quinze anos depois de acabar a guerra o nível de vida nos países desenvolvidos era maior do que nunca.
Outro caso, a China de Maozedong que também era um reino de desperdício.
Estive em Cantão pouco tempo depois da morte de Maozedong.
Nessa altura não havía lá turismo. O hotel em que fiquei tinha um lobi cheio de gente inútil e depois um lóbi por andar, com duas velhinhas onde estava a chave dos quartos e onde eram pagas as despesas.
Não havia a mínima racionalidade económica.
No entanto, quando Deng Xao Ping mudou o modelo económico o nível de vida disparou imediatamente. Que geração pagou os desperdícios da era Maozedong?
Por outro lado a população é sistematicamente assustada com catástrofes que vão vir e que nunca acabam por aparecer.
É a gripe das aves, são as vacas loucas, é a SIDA, é o aquecimento global, etc. Há sempre uma catástrofe à nossa espera para nos destruir.
Isto tudo mantem-nos quietinhos e calados como ovelhas num rebanho.
Uma explosão social que coloque em causa o sistema não me parece possível para já.
E sem explosão social o tal sistema a que chamei pós-capitalista aprofunda-se e aruina-nos a nós, simples cidadãos.
O Raio
25/06/2009 em 9:43
[...] cita-se a partir desta caixa de comentários o Pedro Fontela que diz o [...]
O DECLÍNIO PROGRAMADO DE PORTUGAL E A ESQUERDA POLÍTICA « DISSIDENTE-X
24/06/2009 em 20:50
Pedro Fontela:
o grande problema foi a conversa da liberdade. a palavra “liberdade” foi usada tantas vezes e subvertida com o uso e o passar do tempo que actualmente a palavra e o conteúdo são destituídas de qualquer sentido.
Em caso de dúvida fundamenta-se como afirmaste: lá fora fazem isso.
A questão é que não vivo lá fora,mas aqui!
Deixei de gostar de processos de validação feitos através de processos de mimetização externa.
E no que ao cosmopolitismo culto diz respeito,não aceito de maneira alguma a rotulagem segundo a qual – não se sendo pró cosmopolita se será obrigatoriamente “nacionalista”pró nazi ou semelhantes coisas.
Só uma corrente intelectual pró narcisista e intensamente desonesta com laivos de ascensão social e luta pelo poder pensa assim e nos impõe isso como lógica.
Como tal há que reconhecer que estamos dentro de um sistema de poder que tem que ser contrariado, já que não o podemos controlar…
dissidentex
24/06/2009 em 13:15
Raio,
Eu não discordo da maior parte das coisas que afirma mas faço ressalvas. Em primeiro lugar a mudança que refere não é para algo além do capitalismo, é a continuação do processo que temos há 150 anos da destruição do poder não económico desta vez levado a uma escala mais opressiva porque as barreiras que protegiam os cidadãos comuns desapareceram ou estão em vias disso (tudo em nome da tal competitividade que queremos ter neste mundo capitalista e de laissez faire). E em segundo lugar, como não vejo qualquer descontinuidade no caminho que seguimos (apenas uma mudança de intensidade), não tenho qualquer apego ao sistema actual (o tal que você define como ainda capitalista) nem lhe reconheço qualquer traço meritocrático. O que temos há muito tempo é uma oligarquia, importa reconhecer isso, e agora estão a apertar o cerco a todos os outros actores que lhes podem disputar o poder.
Dissidente,
Sentes-te menos livre tu, sinto eu, sente o raio e enfim… toda a gente que pára para pensar um minuto. E sim com a conversa da liberdade muita coisa foi vendida e imposta que é anti-social ao extremo (no sentido de corroer a própria sociedade) e a resposta sistemática é: lá fora fazem isso. O facto de andarmos nesta dança de imitações do exterior há mais de 2 séculos (com resultados que vão de mal a pior) parece não fazer ninguém parar para pensar sobre a validade de um simples processo de imitação. Estão a dar-nos para a mão as correntes que nos irão prender e nós, como bons cosmopolitas cultos que somos, aceitamos pô-las de bom grado. Estamos dentro de um esquema de poder que não podemos controlar…
Pedro Fontela
24/06/2009 em 13:04
Raio:
porque escreveu como se isso fosse “inevitável”?(isto não é uma critica, note-se…)
dissidentex
24/06/2009 em 12:57
Pedro Fontela: eu também mencionei “pós capitalismo ” apenas como expressão; se desejarmos chamar a isto algo que está após e supera o capitalismo.
Mas importa-me é saber o que isto é, e aí discordo de algum modo do “Raio” que penso que usou a expressão apenas para querer dizer que já não estamos no estado normal conhecido por capitalismo, e assim usou a expressão “pós capitalismo”.
—-
Quanto ás pessoas que foram lá fora buscar ajuda, terão efectivamente dificuldades em nos explicar as grandes vantagens de sermos um protectorado pobre de potencias e uniões financeiras.
É claro que para as pessoas que foram buscar ajuda lá fora, os benefícios disso mesmo – para essas pessoas e grupos – são inegáveis.
Para o resto da população e do país resta esperarmos pela demonstração das grandes vantagens – que não se vêem.
Eu também espero – sem ansiedade, mas com determinação que nos expliquem exactamente o que se ganhou mas nos consigam explicar isso sem nos aborrecerem de morte coma retórica do discurso da “liberdade” bla,bla,bla, que tem sido sistematicamente produzido.
Sinto-me cada vez menos livre.
dissidentex
24/06/2009 em 12:36
O capitalismo, tal como o conhecemos, morreu.
O que irá acontecer é o entrarmos numa era pós-capitalista.
Note-se que isto de ser pós-capitalista não tem nada a ver nem com esquerda, socialismo ou comunismo.
A meu ver iremos ter um Mundo muito mais controlado, um mundo em que os ricos serão ainda mais ricos e os pobres mais pobres.
Um Mundo em que só os grandes podem fazer negócios e ganhar dinheiro. Os outros, a grande maioria da população terá de trabalhar para os grandes até ter direito a uma reforma miserável ou a ficar no desemprego, também miserável.
Um Mundo em que o capitalismo do tempo da guerra fria ou mesmo o comunismo parecerão paraísos inatingíveis às massas trabalhadoras e miseráveis do futuro.
Mas esse Mundo acabará por si pois a mobilidade social tenderá a ficar reduzida.
Os filhos dos ricos ou ficarão ricos ou espatifarão a herança e cairão na miséria de onde não se poderá sair.
Quanto aos filhos dos pobres continuarão pobres.
E, sociedade sem mobilidade social elevada acaba por ruir.
Alguém chamou uma vez a atenção de que as instituições mais antigas do Mundo eram a China e a Igreja e que estas tinham algo em comum. Em ambas um filho de pobre capaz podia ascender aos mais altos lugares. Fazendo exames como na China ou subindo na hierarquia como na Igreja.
Isto não acontecerá na sociedade pós-capitalista que nos espera.
O Raio
24/06/2009 em 12:33
Pós-capitalismo? lol Era boa ideia mas estamos a anos luz dessa realidade. Aliás a maioria das pessoas nem tem preparação mental para mudar de “paradigma” de forma tão radical.
Dissidente,
Quem foi buscar “ajuda” lá fora (ou os que defendem o sistema que temos hoje em dia) que nos explique as grandes vantagens em ser um protectorado de potências e uniões financeiras – e não haja ilusões que é isso que somos cada vez mais.
Pedro Fontela
24/06/2009 em 12:09
RAIO: talvez seja um pouco prematuro, ainda , afirmar que o capitalismo morreu.
Mas até podemos afirmar isso…
Quanto à auto regulação concordo.
Quanto a liberdade concordo.
E em como entrámos na era pós capitalista também concordo.
Resta saber é o que é que é DE FACTO a era pós capitalista.
Nota: eu linkei o post acima para que o Raio fale sobre o assunto….
MARIEL:
economia e capitalismo são duas coisas diferentes.
dissidentex
24/06/2009 em 9:02
A economia é feita de agentes que são pessoas. As pessoas não são perfeitas. As teorias não são perfeitas.Andam à procura da teoria unificada, na física, mas pelo que se encontra por explicar, ainda falta muito mais…
http://boomeria.org/physicslectures/secondsemester/standardmodel.jpg
A economia só pode ser feita com pessoas e não com automatos aonde se lhe põe o software de uma ideologia.
A economia não morreu, o capital continua a ser forma de acumulação de valor, forma de contagem e um magnífico lubricador das transacções comerciais.
Mariel
24/06/2009 em 2:40
O que aconteceu com esta crise é que o capitalismo morreu.
É preciso não esquecer que a vantagens do capitalismo sobre os outros sistemas é que se autoregulava e que dava uma grande liberdade aos cidadãos, a liberdade de iniciativa.
Quanto à autoregulação foi chão que deu uvas. Agora pretendem-se entidades reguladoras a torto e a direito para fazer aquilo que o capitalismo era suposto fazer naturalmente.
E quanto a liberdade também foi chão que deu as uvas todas. Com estas entidades reguladoras todas, criteriosamente distribuídas pelos grandes, irá ser mais difícil montar um negócio por cá do que é na Coreia do Norte…
Entramos na era pós-capitalista e o sistema que se adivinha deverá fazer as antigas ditaduras comunistas do leste europeu parecerem paraísos de iniciativa e leberdade.
O Raio
23/06/2009 em 23:00
Pedro Fontela: várias questões se colocam enquadradas no teu comentário.
a) porque é que há necessidade tão “elevada” de pedirmos aos tipos de fora para definirem as nossas necessidades?
b) porque é que foi criada essa necessidade de sentirmos necessidades de pedirmos aos tipos lá de fora para definirem as nossas prioridades?
c)porque existe muita gente a ficar surpreendida por eles – os tipos lá de fora – nos mentirem tão descaradamente esperando virem a ser beneficiados por isso?
d) porque existem tantas pessoas a defender movimentos “políticos” pseudo internacionalistas (na realidade são apenas seitas medíocres de académicos ou wannabe académicos)que defendem que – na prática- situações como esta acima descrita no post se materializem?
e) precisamos exactamente do Deutsche Bank para quê?
dissidentex
23/06/2009 em 13:18
Se pedimos aos tipos de fora para definirem as nossas prioridades podemos ficar surpreendidos quando eles nso mentem descaradamente de forma a sairem beneficiados?
Pedro Fontela
23/06/2009 em 12:56