DISSIDENTE-X

EQUILIBRIUM

A DEMOLIÇÃO CONTROLADA DAS ECONOMIAS NACIONAIS NA EUROPA

(1) Primeiro, dizem-nos,  aconteceu o excessivo endividamento na concessão de crédito por parte de bancos e entidades que concedem crédito.

(2) Depois, existiu um gigantesco aumento do numero de Hedge Funds.

(3) E para alimentar fenómenos, institui-se uma moda cultural, que afirmava que os gestores dos dois itens anteriores deveriam ser generosamente remunerados com bónus financeiros pelo facto de  conseguirem obter elevados retornos financeiros em curtos períodos de tempo.

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No Jardim do Éden financeiro, milhares de gestores financeiros do mundo inteiro viviam felizes. E inocentes. Não conheciam Friedman nem Keynes . Não conheciam os Credit Default Swaps, nem os derivatives.

Satanás, um anjo ignaro e Neo Con que tinha ciumes de Deus, tomou a forma de uma bolha especulativa do imobiliário, e perverteu os milhares de gestores do mundo financeiro, obrigando-os a aceitar bónus financeiros que não queriam; obrigou-os a criar Hedge funds que nunca quiseram criar, obrigou-os a conceder crédito a particulares e empresas, que não o queriam aceitar.

Tal foi a luta de Satanás e dos seus anjos negros contra as forças do senhor Deus…

Satanás, após ter perdido a guerra contra os Keinesianos de Deus, os anjos  brancos financeiros do Senhor, reuniu-se no G666 com os seus anjos negros financeiros perdidos. A vingança foi preparada – a recuperação do Éden financeiro de Deus – e a criação  da demolição controlada das economias nacionais através da criação de entidades reguladoras novinhas em folha.

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E foi assim que a inocência perdida dos especialistas financeiros aconteceu e eles foram expulsos dos jardins do paraíso…

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E como já não existe paraíso na Terra, apenas existe a demolição controlada das economias nacionais.

E tem um nome. Chama-se ditadura financeira da regulação dos mercados.

Vai ser implementada da seguinte maneira:

Irão ser criados 3 sistemas de vigilância.

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(1) O primeiro chamar-se-á “European Banking Autorithy (Autoridade europeia Bancária) ( Londres) e terá como tarefa regular bancos.

(2) O segundo chamar-se-á ” Insurance Autorithy (Autoridade europeia de seguros) (Frankfurt) e terá como tarefa regular o comportamento de seguradoras.

(3) O terceiro chamar-se-á “”Securities Autorithy” (Autoridade europeia em produtos financeiros bolsistas e derivados) (Paris)  e terá como tarefa regular os problemas nos mercados de acções, obrigações e produtos derivados.

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No post Dissidente-x intitulado “Crise Financeira americana – as teorias Mainstream que a explicam” era a dada altura dito o seguinte, e cita-se:

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As teorias que explicam a actual crise são muito definidas e são apresentadas como sendo muito definitivas.

Tem como características principais (1) a ocultação do caminho a seguir e o (2) propósito de desviar as pessoas do caminho a seguir, caso não se caia, previamente, na armadilha da ocultação.

(1) A ocultação deriva do facto de não se questionar - com a aplicação destas teorias explicativas - a análise e a escolha de quais os modelos económicos (mas dentro do capitalismo, como sistema…) que se podem e devem escolher ou ter a possibilidade de o conseguir fazer.

Um exemplo de “ocultação” será sempre aquele em que se coloca a argumentação, como sendo uma escolha que se quererá implementar, (a existirem eventuais  mudanças) entre capitalismo e marxismo.

(2) o desvio do caminho a seguir significa que se defende que não deverão existir nenhumas mudanças em relação ao que está: que será apenas uma questão de “expurgar” de dentro do sistema os maus elementos e criar novas práticas de funcionamento, mais reguladas e assentes na lei.

Um exemplo de “desvio do caminho a seguir” será aquele em que se colocam as coisas como sendo apenas um problema de regulação dos mercados, regulação essa que falhou, sendo portanto, de novo necessário, regular…ainda mais e melhor…

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Parece que a “opção 2″ foi a escolhida para vencer pelos especialistas financeiros e políticos.

Resta dizer que as “novas autoridades europeias” terão poderes completamente totalitários.

(A) Ditar e implementar padrões comuns de regulação por toda a Europa;

(B) Criação de um European Dinamic System Board (um sistema quadro dinâmico europeu?!?) que visará avaliar (B1) os “riscos sistémicos”, (B2) gerar recomendações; e (B3) verificar da sua implementação.

O Conselho de administração desta nova “coisa “será originário e derivado do actual Banco Central Europeu.

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Consequências práticas disto?

Qualquer companhia europeia, poderá ser “apreendida” e expropriada por esta nova “entidade” se se considerar que existe “risco para o sistema”.

Sob o ponto de vista de “PODER” – uma quantidade massiva de poder é assim transferida dos governos nacionais para um órgão não eleito em Bruxelas, controlado por 3 grandes países e por uma burocracia de rosto desconhecido.

Um cartel privado de bancos e elites financeiras (que se oculta atrás de Bruxelas) irá  – efectivamente – tomar conta da regulação e “regular” só quem lhe interessa regular.

5 Respostas

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  1. Pedro Fontela: sou contra habituações com duração de 20 anos ou de menos anos.
    Não é inevitável que a nossa vidas seja destruída de 20 em 20 anos ou menos.

    Não podemos andar de crise em crise, apenas para satisfazer os interesses de uma reduzida minoria de pessoas.

    O discurso enganador tem a ver com a venda de algo pior ao que actualmente está reduzindo as coisas a um maniqueísmo narcisista.

    E enquanto legiões de medíocres vendidos se afadigam a reduzir isto a um maniqueísmo esperando vir a ser recompensados (nunca o serão!) o que interessa: a economia, continua a subalternizar a política.

    dissidentex

    24/06/2009 em 13:20

  2. Dissidente e Mariel,

    Essa conversa tem um pouco o ar do “habituem-se que é inevitável que a vossa vida seja destruida de 20 em 20 anos”. Tudo para o bom funcionamento do sistema económico (as pessoas como elementos reais desapareceram da equação há muito tempo, são meros factores estatisticos – como se as deslocações sociais pudessem ser ignoradas de forma tão leviana).

    Além disso a conversa de alternativa do socialismo é enganadora. É a tal polarização artificial de que falo há muito tempo (o discruso de “nós somos maus mas os outros comeme crianças ao pequeno almoço). Qualquer alternativa viável tem que ter um sistema que não baseie a sua análise da realidade em termos meramente económicos, que aliás os considere mero reflexo de outras prioridades. No fundo para uma mudança para algo mais saudável é preciso restaurar a esfera económico ao seu lugar normal (subalterno) dentro de todas as civilizações humanas.

    Pedro Fontela

    24/06/2009 em 13:11

  3. Tem tudo a ver… Porque quando há insegurança estão sempre prontos a arranjar comissões, organismos, guardas, para supervisionarem o mercado. Mas esquecem-se
    que ninguém tira as falhas, com mais organizações de pessoas. É como a igreja, com todas as virtude e defeitos, é feita por Homens.

    Mariel

    24/06/2009 em 10:57

  4. MARIEL:
    duvido muito da sua afirmação de que não há segurança mais distribuída do que nos mercados.

    E o post não tem a ver com a procura de lucro nos mercados, mas sim com a criação de supra entidades reguladoras sem controle democrático, transversais a dois continentes, que passarão a ter o poder de “fechar” empresas apenas porque sim.

    Além disso não entendo bem a sua ideia.
    Diz que os mercados são o sitio onde a segurança está mais bem distribuída e depois pergunta onde andam os auditores,as agências de rating, etc?

    Essas são algumas das medidas de segurança dos mercados, que, pelos vistos não andaram em lado nenhum nos últimos anos.

    dissidentex

    24/06/2009 em 9:06

  5. Há necessidade de haver mercado para todos os agentes que lhe permitam ter estabilidade. Um incêndio precisa de agentes que o combatam. Há bombeiros privados, públicos e voluntários. Também há agentes de segurança para manter a ordem. Não há segurança mais distribuída do que nos mercados… Todos os bancos de investimento, todos os investidores particulares, fundos, etc eles procuram lucro, como sempre, só o lucro porque se alguém não quer fazer o trabalho sujo, existe sempre alguém lá fora à espera, para fazer o trabalho do “lucro a todo o custo”. Pronto isto é um problema e já foi dezenas, centenas de vezes propalado pelos socialistas (sem calcular o peso da sua dose): o capitalismo morre pela boca, os lucros não são eternos e geram crises. OK. Mas e quais são as alternativas? Feudalismo FORTE E FEIO ou uma economia em que as pessoas todas possam aprender com os erros e que os erros cometidos pelo lucro a todo o custo, sejam severamente punidos… Já agora alguém me sabe dizer onde andam os auditores, as agências de rating, esses interpostos de DEUS na Terra, quais protectores dos accionistas, dos trabalhadores e da restante economia… É uma vergonha, o que se passa na TERRA, “alguém acaba por fazer o trabalho sujo” e a culpa é dos “30 dinheiros”!!!

    Mariel

    24/06/2009 em 2:57


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