ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS 2009 – VENCEDORES E VENCIDOS
VENCEDORES
VENCEDOR 1
Partido socialista.
Obteve uma vitória tanto mais estranha quanto gloriosa. Teve mais votos e conquistou mais câmaras municipais do que as que tinha, manteve a Câmara de Lisboa.
Um partido desgastado por 4 anos e meio de péssima governação, com dois prévios maus resultados nas anteriores eleições europeias e legislativas consegue sobreviver a isso e ter um excelente resultado nas eleições autárquicas, com mais de 2 milhões de votos.
Manteve as principais autarquias que já tinha e conquistou algumas que não esperava (Leiria, Beja) perdendo apenas Faro.
Conquista terreno autárquico ao PCP e ao PSD.
Evita desgaste autárquico derivado da péssima actuação governativa anterior.
Saiu-lhes do céu esta vitória sem perceberem muito bem exactamente porquê isto aconteceu.
E assim chegamos a algo estranho.
Um partido que perde legislativas, mas ganha eleições autárquicas com 15 dias de diferença…
Nota lateral: uma excelente opção do PS foi dada nestas eleições e que ajuda a explicar algumas coisas. Concorrer sozinho sem coligações em todos os lados foi uma boa opção.
Ø
VENCEDOR 2
A inércia e a falta de memória, bem como a falta completa de civismo…
A generalidade dos portugueses na generalidade dos locais esqueceu-se de penalizar – também – o facto de um governo influir nas autarquias – todas – através da orçamentação que exige a estas mesmas câmaras municipais.
Apesar de as eleições autárquicas terem características diferentes de umas eleições legislativas existem responsabilidades do PS enquanto partido de governo na definição de todo o sistema autárquico no que a dinheiros diz respeito.
Teoricamente as Câmaras municipais do PS deveriam ter sido mais penalizadas por isso. Não o foram.
Também os candidatos com problemas criminais ou de outro tipo deveriam ter sido penalizados – TODOS – pelos eleitores. Não o foram.
Como alguém que eu conheço afirma “ a constante tomada de más decisões é constante” parece ser o mote da generalidade dos eleitores portugueses e parece ser o mote de alguns eleitores de alguns conselhos, com especial ênfase em Oeiras e Gondomar, por exemplo.
Dá a nota da falta de “educação cívica” dos eleitores (que, curiosamente, nunca foi algo que a esquerda política pós 25 de Abril 1974 se dignasse a cultivar como aspectos essenciais a promover na cultura cívica e política dos cidadãos…) que votam alegremente em pessoas condenadas a pena de prisão por uma multiplicidade de crimes.
Tendo em conta os estratos sócio económicos da área de Oeiras, por exemplo, percebemos claramente onde se esconde e onde começa a corrupção e a desonestidade…em que classes sociais…
Mas isto até é o normal, no país manicómio em que vivemos.
Por exemplo:
Eleitores que escolhem não votar são atacados por esse acto.
Eleitores que vão votar em pessoas que são acusadas e feita prova em tribunal de que são corruptos e condenados por tal, são glorificados porque fizeram o deu dever democrático.
Quem recusa votar por não querer pactuar com várias coisas é estigmatizado e demonizado.
Quem vota em pessoas notoriamente corruptas é elogiado. (por ter ido votar…)
Esta é a nova medida do politicamente correcto em que a (esta) democracia portuguesa se deixou deixar ficar.
Fiquem felizes assim.
Ø
VENCIDOS
VENCIDO 1
A”DEMOCRACIA PORTUGUESA”.
É “poderosa”, justa e “dá confiança”, uma democracia e um regime democrático que permite que Isaltinos, Fátimas Felgueiras, e Valentins Loureiros concorram a eleições, depois de se ter provado que estas pessoas cometeram crimes.
Dá uma nota de despojamento e serenidade interior por parte de um regime político como este que assim permite que a corrosão democrática continue eficazmente a funcionar.
Com efeito é …… “credível”…… fazer chantagens emocionais sobre os cidadãos fazendo apelos ao voto e contra a abstenção e depois de obter o acto de votar dos cidadãos oferecer-lhes como “prato político a deglutir” uma “sopa de marisco Isaltino” em Oeiras ou pratos do mesmo estilo ou semelhantes, noutros locais.
Políticos julgados e condenados por corrupção são autorizados a concorrer a eleições autárquicas como se nada se passasse.
República que não se dá ao respeito é uma república morta…
Ø
VENCIDO 2
PSD
Um partido bastante estranho onde se perdeu a noção de qualquer realidade concreta. Como herdeiros de algum Salazarismo embora nunca o admitam, herdaram também alguma noção de grandeza imperial que, não corresponde à realidade.
É apenas isso que explica os discursos de dirigentes do Psd na noite eleitoral afirmando com o peito cheio de ar que ” somos um grande partido com uma enorme implantação autárquica”.
E depois?
Ganhar 30 ou 40 câmaras municipais que tem por exemplo 4 ou 5 mil eleitores ou até menos, é uma “enorme implantação autárquica?”
E quanto à qualidade do que se ganha?
Estalinismo económico, colectivismo e subsidiocracia, que é aquilo que na generalidade das Câmaras municipais do PSD se passa são traços de “uma grande partido com grande implementação autárquica?”
É que não coincide este discurso e esta pratica com o discurso feito pelo PSD para ganhar legislativas em que os apelos ao neo liberalismo e às privatizações de áreas publicas são constantes.
Perderam, além disso, votos e câmaras para o PS. E no entanto “ganharam” as eleições nos discursos dos seus lideres…
Outro erro estratégico tremendo do PSD, foi permitir que o partido de demagogos betinhos chamado CDS entrasse em coligações com o PSD. Foi um magnifico balão de oxigénio dado (oferecido) ao CDS, precisamente o partido que quer “comer” eleitorado ao PSD.
Enfim, é um partido que vive lá em cima, na nuvem numero 9, tentando ocupar esse espaço de lunaticismo com pundunor…
Ø
VENCIDOS 3
o BE
Um partido de criaturas tenrinhas e ternas, mas também, cheio de oportunistas e arrivistas tinha que levar um soco nos cornos em eleições autárquicas.
E levou.
É necessário que as vedetas intelectuais que andam de cachimbo e só lhes falta trazerem um livro de J.P Sartre debaixo do braço, para parafrasear uma pessoa que conheço, deixem de aparecer nos locais e alturas “culturais” em que dá jeito aparecerem e metam a cara nos locais – no poder local.
Mas isso não é parte da cultura esquerda caviar do Bloco de esquerda. E como é óbvio levaram na cabeça. Os resultados do Bloco são ridículos, mas isso deve-se à vários factos, especialmente ao facto de o Bloco não ter nenhuma ideia de como apresentar uma mensagem que penetre em eleitorado local. (Promover o consumo responsável de charros junto desse target demográfico constituído por camponeses de 70 anos no interior de Portugal é atirar ligeiramente ao lado…)
Também se deve ao facto de o Bloco não ter percebido a natureza volátil do seu próprio eleitorado e já ter começado a adquirir os tiques arrogantes e autocráticos dos outros partidos “normais” , tendo já começado a achar que os votos que teve são seus e cativos.
Este resultado é uma verdadeira amostragem d o que vale o bloco:150 mil votos. Não os 500 mil das ultimas legislativas.
Deveria talvez ser dessa “base” que ali se deveria começar a pensar.
Isso, e mandar fora os arrivistas (quer os que tem cachimbo, quer os outros…)
O BE também deveria sair fora do negócio das tautologias. Vir dizer que “temos muito que trabalhar no poder local é uma evidencia”. Porquê? Pensavam que não?
Cresçam e apareçam e não fumem muitas substancias psicotrópicas…senão ficam na nuvem 10 ao lado da nuvem 9 do PSD…
Ø
Vencido 4
O CDS.
Para disfarçar o facto de saber que iria perder, o CDS engendrou (com a gentil colaboração do PSD uma táctica engenhosa: coligar-se em inúmeros locais com o PSD, exigindo pela coligação um quinhão de lugares bastante generoso.
ASSIM SE GARANTIA PREVIAMENTE, que no discurso eleitoral uma vitória seria dita. Subiriam sempre à boleia. Promoveriam isso após.
Isto foi feito para não mostrar que o agrupamento de interesses dos ricos (conhecido por CDS- pp) NO FUNDO não tem implantação autárquica nenhuma. Para lá de umas coisas residuais…aqui e acolá.
Agora, e com este subterfúgio, as clientelas eleitorais do CDS estão salvaguardadas – os seus “homens” estão colocados no “terreno”.
Perdem, mas colocam as toupeiras no terreno a trabalhar para o futuro…
Ø
VENCIDO 5
O PCP.
O PCP voltou a aguentar-se e teria sido um dos vencedores da noite acaso não tivesse perdido a Câmara de Beja. Isso desequilibrou um pouco a relação de perdas/ganhos e desequilibrou a favor da atribuição de uma derrota.
Ver-se-á se no futuro esta tendência se mantém – a perda progressiva, ou se conseguem aguentar-se ou até subir eleitoralmente.
Mais uma vez é um partido que defende uma ideologia que está obsoleta e morreu, mas que o sistema político português sempre cultivou com carinho.
Assim pode o PCP ser apresentado como “a ameaça” , o papão que se deve combater. Enquanto os cidadãos combatem o papão, não olham para as isaltinadas, nem as felgueiradas, nem as Valentim loureiradas e quejandos do mesmo estilo.
É precisamente por isso que este partido foi sempre artificialmente mantido: nunca ninguém governou em Portugal de forma a criar condições para que os portugueses considerassem desnecessário votar neste partido.
E serve para distrair de outras coisas, mais importantes.


Sabine: o artigo do Domingos Amaral não é para ser levado a sério.
dissidentex
13/10/2009 em 6:50
Fui votar, não estou nada arrependida de ir. Mas tens razão em te queixar da perseguição aos abstencionistas: já estou farta dessa conversa.
Eis a solução do Gonçalo Amaral (filho do Freitas do Amaral) para o PS e PSD:
http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=3D7DAFB5-76CB-4C4D-B896-EF03C8439FB8&channelid=00000093-0000-0000-0000-000000000093
sabine77
12/10/2009 em 17:52