DISSIDENTE-X

PROJECTO TOTALITÁRIO. LIBERDADE. DISTOPIA.

leave a comment »

Tipo: Post do legoergosum / José Luís Sarmento.

Tipo: Post do Esquerda Republicana que demonstra o anterior.

Tipo:Post do blog “o Reino da macacada” que demonstra os anteriores.

Tipo: um texto que eu escrevi relacionado com este assunto. O ultimo texto deste post.

1616 palavras. Duas imagens.

Todos os textos estão relacionados embora pareçam que não e são sobre: a construção de uma oligarquia odiosa assente na Distopia totalitária completa e esquizofrénica, à qual chama de democracia, recrutando, no entanto, as características da antiga ordem feudal de há 50 anos atrás.

Põe a questão JLS no primeiro post: como poderemos defender-nos.

No ultimo texto existe um esboço de resposta meu. Não chega, mas é um bom ponto de partida.

Sugestões aceitam-se.

1 ——————————————

À medida que avança, o projecto vai ganhando contornos nítidos. No topo, os Senhores: uma aristocracia de empresários e políticos. Imediatamente abaixo virão os escudeiros: a aristocracia menor dos gestores e dos jornalistas.

Tudo o resto está destinado a ser plebe.

O problema, para os candidatos a Senhores, é que nesta massa imensa se incluem pessoas capazes, por formação cultural e conhecimento técnico, de lhes fazer frente e perturbar a ordem neo-feudal que pretendem construir. Não admira, portanto, que o esforço principal desta guerra se dirija de momento contra as «corporações»: trata-se de proletarizar primeiro, e de submeter a seguir, os juízes, os médicos, os professores, os técnicos – em suma, destruir a classe média e desarmar a sociedade civil.

Veja o leitor por si mesmo, atendendo ao que está a acontecer na sua profissão, se não é isto que se está a passar. E não só em Portugal: a nova Idade Média vai caindo sobre o mundo inteiro como um crepúsculo da democracia.

Como poderemos defender-nos? No ancien régime houve corporações que usaram como arma os conhecimentos técnicos de que dispunham e de que os Senhores necessitavam. Fizeram segredo dos seus saberes e organizaram-se em associações clandestinas, as quais com o tempo tempo vieram a dar origem às maçonarias. Receio bem que de futuro venha a ser esta a nossa única opção, se não conseguirmos agora derrotar a oligarquia.

2 —————————————-

Por exemplo, uma coisa importante nas escolas privadas são os amigos. A possibilidade de controlar com quem é que os nossos filhos se dão é uma vantagem importantíssima na educação deles.

Nos anos do cavaquismo, um amigo meu, a trabalhar numa empresa financeira qualquer, perguntou a um banqueiro amigo do pai porque é que o banco dele tenha deixado sair um determinado gestor (que segundo o meu amigo era extraordinariamente competente e tinha acabado de começar a trabalhar na empresa dele). O banqueiro respondeu que o gestor em questão “era de baixa extracção”. O meu amigo riu-se e perguntou se ainda fazia sentido nos anos oitenta ser-se snob no mundo dos negócios. O banqueiro respondeu-lhe que havia pessoas que eram de confiança – “dos nossos” – e pessoas que não eram de confiança. Por exemplo – dizia o banqueiro – a seguir ao 25 de Abril, uma data de trabalhadores de longa data tinham-se identificado com a revolução e não hesitaram em atacar os interesses do banco e das empresas da família dele. Lugares de responsabilidade deviam ser dados a “pessoas de confiança, com os mesmos valores que nós.”

3 ———————————

Um pequeno texto já com 10 anitos em cima que andava por aqui guardado. Uma certa clarividência não nos pode deixar indiferentes.

David Apter forneceu-nos uma descrição das nossas socieda­des desenvolvidas, prósperas e democráticas, que se pode resumir assim: a modernização e a rápida mutação tecnológica cria­ram três categorias distintas de cidadãos – as elites, que controlam o saber e o dinheiro; uma massa de “funcionalmente significantes”; e os “funcionalmente supérfluos”.

Já não se trata, pois, de uma divisão por classes em que,com mais ou menos benefícios, mais ou menos poder, mais ou menos trabalho, quase todos tinham uma utilidade social. Trata-se de um novo grupo dos “funcionalmente supérfluos”, dos que não servem para nada, dos excluídos, no verdadeiro sentido da palavra. Os que “apenas têm presente” e para os quais os sistemas de aprendi­zagem, que exigem a noção de futuro, não fazem sen­tido. Não interessa se são imigrantes ou autóctones, os imigrantes com especialização (“funcionalmente significantes”) podem ser absorvidos, os outros juntam-se irremediavel­mente ao exército dos “supérfluos”, dos marginalizados. Todos constituem um gru­po de “elevado risco” e acabam por causar “mais custos sociais”, que têm de ser pagos pelo mer­cado politico em con­traposição ao” mercado económico” que os gera.
4 ————————————
ANIMALFARM Há muitos anos atrás, quando eu tinha muitas ilusões acerca do que era Portugal, adquiria regularmente, nos seus primeiros anos de vida, o Jornal Público. Num qualquer artigo de fundo que lá li vinha explicada a seguinte situação que se tinha passado nos EUA. Isto relacionado com direitos cívicos, cidadania, acções concretas que cidadãos podem fazer para alterar “um certo estado das coisas”. Era um caso absolutamente claro de discriminação – racial – mas o que importa para a situação é que era discriminação que tinha um fundo mais amplo do que ser somente a cor da pele. E quem ler isto e pensar que a questão que estava em causa era só a cor da pele está redondamente enganado. O caso era o seguinte.

Um supermercado no sul do Estados Unidos, numa determinada cidade, não pertencente a nenhuma cadeia de supermercados, tinha a política “oficiosa” de não contratar pretos. O dono, por razões que já não me lembro, mas que lembro que não eram só de índole racista não contratava pretos para trabalhar no supermercado. Pura e simplesmente não contratava.

Um belo dia uma associação cívica de pretos da área fartou-se da brincadeira e decidiu dar uma lição ao dono do supermercado. Contratou um tipo que era, salvo erro, advogado especializado, ou pelo menos que tinha experiência em problemas de discriminação laboral ou outras semelhantes para que ele resolvesse o problema a contento das partes.

O tal especialista podia ter entrado de forma “normal”a funcionar, de acordo com a mentalidade típica portuguesa que é a seguinte: só através de manifestações, barulheira e chinfrim é que se vai lá. Felizmente para ele e para os pretos da associação que representava, ele olhou para o caso em questão e percebeu que aquilo tinha outro tipo de nuances.

Como tinha outro tipo de nuances, decidiu acertar um directo em cheio no estômago da discriminação praticada pelo supermercado. E como fez?

Contratou por um dia 200 pretos. Pretos é a palavra politicamente incorrecta. Para que conste sou incorrecto politicamente. E para quê os contratou? Para escavacarem as instalações? Fazerem comícios à frente do supermercado? Andarem com carros e megafones à volta a gritar palavras de ordem?

Nada disso. Deu-lhes a seguinte missão. Entrariam a partir das 9 da manhã na loja, passeariam dentro dela entre 5 a 10 minutos, comprariam uma pastilha pagando com muitas moedas e assim perderem tempo – algum tempo na caixa a pagar – e sairiam. Após sair um, entrava outro e assim sucessivamente durante o dia todo. Parece que isto durou uma semana inteira. Finda a qual, o dono do estabelecimento começou a contratar pretos para lá trabalhar.

Parece que a visão de jovens pretos, como clientes que vagueavam durante um dia inteiro, no supermercado, começou a afastar os clientes normais, tradicionais e regulares do supermercado e começou a afectar fortemente as vendas. No mesmo artigo do Público; se bem me lembro vinha a ideia e a descrição de como isto – um acto semelhante a este – seria danoso aplicado a um banco comercial – a uma simples sucursal.

Parece que, se 100 pessoas abrirem conta durante um dia e 100 pessoas a fecharem durante um dia isto é suficiente para engasgar um sistema informático inteiro de um banco. Pelo menos à época em que eu li a história era. Penso que actualmente ainda é.

Isto é a versão …… suave …… e bem educada …… do que certo fundamentalismo faz. Guerra assimétrica para destruir a civilização ocidental. (O que não significa que eu apoie o tipo de guerra assimétrica fundamentalista em questão, note-se.)

Contudo, nós cidadãos individualmente considerados estamos – quase todos – colocados na mesma posição de ter que fazer guerra assimétrica. A posição de quem está a ser lentamente escravizado, por um poder autocrático e de tendência totalitária. Por uma oligarquia que quer criar uma distopia e chamar a isso “democracia”.

A denominada classe política – empresarial – elite brasonada, despreza intensamente aquilo que se denominou chamar de “o povo”. São chamados de “cidadãos” apenas para fins propagandísticos. Como “despreza” o povo, não tem por ele qualquer tipo de respeito e comporta-se exactamente como se comporta um rufia que faz intimidação. A única resposta à dar à intimidação é responder – inteligentemente; organizadamente; sistematicamente, regularmente – a ela.

Vivemos num mundo, eficaz. Dizem-nos. Então o que importa “é a maneira” como respondemos à intimidação – é a classe e a eficácia de como respondemos, e não o barulho inconsequente. Se existir pressão, sistemática, regular, consistente, inteligente, feita por muitas pessoas ao mesmo tempo, de vários lados e de vários sítios do país, sobre vários assuntos diferentes, a cobardia do poder aparece imediatamente.

  • Sobre o tratado constitucional europeu
  • e sobre funcionalismo público.
  • Sobre saude
  • e sobre educação.
  • Sobre objectivos estratégicos deste país
  • e sobre inteligência ecónomica.
  • Sobre empresas privadas e sobre concessões feitas a empresas privadas.
  • Sobre muita coisa.
  • Afastando os partidos políticos de quaisquer tentativas de interferência nisto.

    Já tiveram 33 anos de oportunidades e falharam todas gloriosamente.

    Não são de confiança.

    Resta saber se as pessoas estão dispostas a auto organizarem-se.

    Resta saber se as pessoas NÃO estão cansadas de liberdade.

    Anúncios

    Written by dissidentex

    29/11/2007 às 15:37

    Deixe uma Resposta

    Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

    Logótipo da WordPress.com

    Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

    Imagem do Twitter

    Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

    Facebook photo

    Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

    Google+ photo

    Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

    Connecting to %s

    %d bloggers like this: