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Archive for Novembro 2007

AMIZADE.

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TIPO: texto sobre a amizade.

Blog: macroscópio

Dia: 15 Novembro de 2007

“””A amizade, como diria o outro, é uma filigrana de encontros, e cada encontro é uma prova. Mas também pode ser, de facto, uma desilusão, e é aí que as trajectórias dos amigos se diversificam, divergem. Isto entronca com outra coisa maior: nenhuma coisa humana se mantém por si só, apenas existe enquanto renovada, e os amigos encontram-se, renovam-se através desses rendez-vous. Mas, lá está, cada encontro é um risco, pode descambar numa desilusão, mas tem de resultar. E às vezes não resulta. Desde logo porque um se acha superior ao outro: na visão, no talento, na inteligência, enfim, no Poder, e como essa relação é sempre assimétrica, como o amor um dos elos sai enfraquecido. Na política as coisas também não são muito diferentes. Cada intervenção é sempre um risco, por vezes credita-se, outras gera-se débito e às vezes o saldo fica muito negativo. Mas os amigos não se põem à prova, nem a disponibilidade do outro. Só esta ideia turva a amizade. No fundo, a amizade comporta crise, é algo que não dura imutável para sempre, e o pior do pior é quando se deixa de ver as pessoas para sempre. Mas para uns galegos a morte é algo superficial, institucional, banal. E quando isto ocorre significa que um se sente inseguro da amizade do outro, por vezes traído, incompreendido ou mesmo desprezado. Sendo certo que a incompreensão é sempre um sintoma inconsciente de desinteresse, de desprezo ou até de agressividade, como nos explica Alberoni, um mestre deste tema que ora recuperamos. E a regra é simples: quando não se é compreendido, quando não somos compreendidos por um amigo, tal significa que não é amigo, logo que não nos queria bem. Decorre isto do preço do petróleo que anda muito caro e também contribui para muitas animosidades, económicas…”””

Nota mental para mim mesmo: Um bom texto sintético para eu me recordar dele. Desencanto sintético e violência subterrânea acertando à distância.

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Written by dissidentex

15/11/2007 at 12:34

Publicado em AMIZADE

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PORTUGAL.DESEMPREGO.UNIÃO EUROPEIA

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  • Sobre: Portugal,
  • “elite”
  • desemprego, economia aberta.
  • 1433 palavras. Só texto. Uma imagem.

Desde a entrada de Portugal na, então CEE, agora UE, mas péssima na mesma, que este sitio mal frequentado tem sido alvo de um bombardeamento. Baseia-se o bombardeamento numa ideia simples. A ideia de que uma economia aberta – totalmente aberta ao exterior – irá desenvolver-se em velocidade acelerada.

  • Portugal tem as características ideais para ser um “Beta Tester” de luxo, deste conceito.

21 anos depois da entrada na UE, verifica-se que a economia totalmente aberta ao exterior apresentava – em 2005 – uma diferença de 17 % entre o que comprava ao exterior e o que mandava para fora. Entre as importações e as exportações. Se isto fosse medido em número de produtos iguais, a uma escala de 100 como base, teríamos que; comprámos 117 coisas e vendemos apenas 100.

Quem são os beneficiados de termos comprado 117 coisas e apenas termos vendido 100?

Nota mental para me lembrar: Portugal em 2005 era responsável por 0.36 das exportações mundiais. A Finlândia era responsável por 0.66. A Finlândia tem 5.5 milhões de habitantes. Comparando a Portugal a Finlândia vale, na realidade 1.3 das exportações mundiais – o dobro de Portugal, nesta comparação (feita entre 0,36 contra 0.66 dividindo pela população de ambos. Se a finlandia tivesse 10.5/11 milhões de pessoas ao nível actual valeria 1.3 das exportações mundiais…)

Curiosamente, são os membros da liga de amigos chamada UE que mais beneficiam desta desvantagem, misturada, evidentemente, com os peculiares sentimentos de inferioridade dos portugueses, que querendo comparar-se ao seus amigos europeus aceitam tudo o que de lá vem – ideias e modelos económicos.Quando estão distraídos aceitam tudo o que vem dos EUA. E já existiu a ideia de aceitar tudo o que vinha da U.R.S.S

Nota mental para não me esquecer: existirá aqui neste abstruso sitio algum pensamento original?

O problema especial

No nosso caso, para não me esquecer, temos um vizinho político e geográfico, que nos é hostil, sempre foi hostil e sempre será hostil. Esse vizinho vale em termos de população mais de 4 vezes a nossa, mas a alavancagem que isto dá não é de quatro mas de 5 ou 6 por causa das economias de escala que isto lhes gera. Ou seja, os 44 milhões de espanhóis valem(são) realmente 60 milhões, 65 milhões e não 44.

O vizinho espanhol, não tem a sua economia tão aberta como é a nossa economia. Como a nossa economia é aberta – totalmente – e como somos pequenos em tamanho e população, as nossas pequenas empresas, são forçadas; por via da tal economia – totalmente aberta – a competirem, não só com o vizinho forte, mas com a liga de amigos chamado EU, e rebentou.

Como rebentou, o primeiro sintoma visível disso é o desemprego.

Nota mental para não esquecer: que é justificado com as dificuldades de adaptação a uma economia aberta. Argumentação falsa, porque a economia portuguesa é totalmente aberta.

Nota mental para não me esquecer: como a natureza tem horror ao vazio e parece que a economia também, o desemprego português tem que ser exportado para qualquer lado.

A solução óbvia

A solução óbvia é exportá-lo (do lado dos desempregados) para o vizinho do lado. Devido a peculiaridades cá da paróquia, também para ex-colónias, Angola e Moçambique, e para Inglaterra. Mas isto é dual.

É dual porquê? Porque a economia menos aberta (a espanhola), precisamente por ser menos aberta cria na economia mais aberta – a do tugúrio Portugal- um ainda maior aumento do desemprego do que o que já seria expectável.

A conclusão a chegar é a de que a Espanha, está na prática a exportar desemprego para cá, precisamente por ser uma economia muito menos aberta que a portuguesa.

A Espanha não tem desemprego ao nível do português, precisamente porque a organização das coisas – da pequena economia regional que aqui está, pressupõe que só exista desemprego (desempregados no sitio geográfico chamado Portugal e desempregados do sitio geográfico chamado Portugal a irem para fora de Portugal) do lado da economia mais aberta – totalmente aberta – a portuguesa.

Nota mental para não esquecer: os acéfalos neo liberais de direita e restantes estúpidos do mesmo estilo são anti patriotas. Preferem defender as posições universalistas da “economia totalmente aberta”, do que encararem a realidade: que estamos a ser drenados desta forma habilidosa. Jogando um jogo, que não podemos ganhar. Nem nunca foi criado para que as peças pretas chamadas Portugal do jogo de xadrez ganhassem.

Nota mental para não me esquecer: o mesmo se passa nos EUA, com as mesmas assimetrias entre Estados. Uns Estados estão a exportar para outros Estados o seu desemprego. Daí as disparidades económicas entre Estados serem tão grandes. Ao ponto de aquilo parecer vários países num só.

Como resolvem os EUA o problema

 

  • O dólar é comum todo o país.
  • fluxos migratórios dentro do país. De um Estado pobre, para, por exemplo a Califórnia.

Na Europa pretende-se tentar o mesmo esquema.

É isso que justifica tentar fazer o europeus imigrarem entre si, dentro dos seus próprios países, como se fôssemos todos iguais e adaptáveis em qualquer sitio da Europa. Isto não funciona, nem funcionará, devido ao nacionalismo, e ao facto de as diferenças culturais bem como o número de povos serem enormes – demasiadas – para não gerarem stress do material. Não há probabilidade estatística ou de bom senso que resista a isto.

Nota mental para não me esquecer: Em Portugal, o erro é ainda maior, a roçar a traição pura e a completa loucura. Por ter aberto a economia toda – totalmente – e demasiado depressa, o tamanho pequeno do país amplificou as dificuldades e conjugado com a “elite”desprezível que parasita este país; rebentou com isto.

A “elite” miserável e traidora está agora a perceber outro tipo de perigo. O perigo de ter aberto demais a porta, o que fez com que muitos portugueses saíssem pela janela. O número de pessoas disponível para sustentar os vícios de gestão e de “vida” da “elite” asquerosa diminuiu.

Não esquecer que

 

  • A “elite” não quer fazer reformas democráticas sérias;
  • Não quer deixar de viver na manjedoura em que o sistema está transformado;
  • Não quer mudar nada;
  • Não quer pôr travões à liga de amigos da UE, fechando ligeiramente a economia.

Então como é que alguém irá pagar os vícios nojentos da “elite”?

Vai-se buscar fora quem sustente a elite. Vai-se buscar brasileiros, ucranianos, moldavos, marcianos, o que seja. Porque é necessário sustentar os mercados protegidos que a elite gere; principescamente bem remunerada.

Porque…… enquanto existir um euro em circulação a elite gastará esse euro em si própria e não a investir para sair do problema.

Nota mental para não me esquecer: a “elite” após perpretar o crime, fez um negócio com os amigos da liga da Europa. O envio de substanciais quantias de dinheiro que permitam fazer com que o desemprego exportado, quer pela Liga de amigos da UE, quer por Espanha não chegue aos 20 ou 30 %.

O que acontece a seguir;nota mental para não me esquecer

  • O deficit, imposto pela Liga dos amigos europeus, de apenas 3 % do PIB
  • E com a graça de Deus e o sofrimento de 8 milhões de pessoas, será alcançado.

Mas depois, daí, não resultará investimento e emprego. Apenas águas paradas, porque a “elite” quer continuar a viver bem sem trabalhar, e a desculpa será a de que os níveis de produtividade são baixos, por isso não há expansão económica.

Após o embuste, terá que se atribuir as culpas: aos trabalhadores portugueses, aos sindicatos, à falta de empreendedorismo, aos patos que vivem no jardim do Campo Grande. Nunca ao facto de existir uma estratégia errada – estar dentro da Europa como se está.

KAOS-SÓCRATES

Para os portugueses isso significa que

apesar de enormes sacrifícios, fomos mandados de novo para os níveis de vida dos anos 80. O desemprego exportado para cá continua a existir, pela dependência, primeiro da economia menos aberta do que a nossa- a espanhola – e acessoriamente pela economia da Liga de amigos da Europa – pela escala/dimensão desta.

Pensar ao contrário

Logo, tenho que pensar que existe uma política deliberada, programada, definida de exportação de desemprego para Portugal, feita por Espanha e caucionada pela UE. Perante isto a “elite” de traidores não defende a posição do país, mas sim a sua própria posição – enquanto houver um euro para gastar a manter um sistema obsoleto e paralelamente uma economia totalmente aberta a exportar desemprego para cá, a “elite” defender-se- á desta maneira, sendo que o seu único medo é uma sublevação daqui a 10 ou 15 anos por falta de recursos para pagar prestações sociais.

Preferirão a existência de Mários Machados nas ruas a cederem e imporem á UE mudanças de política.

Nota mental para não me esquecer: estamos a lidar com doidos e corruptos do pior.

Imagem: we have kaos in the garden

 

Written by dissidentex

10/11/2007 at 17:54

PLANETA AMERICANO

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  • Tipo: livro.
  • Titulo: “O planeta Americano”.
  • Autor: o ensaísta espanhol Vicente Verdu.
  • Editora: foi publicado em Portugal pela Editora Teorema, mas já não está disponível no catalogo da editora.
  • Data: 1997.
  • Tema: uma análise da sociedade e do pensamento e maneira de ser dos norte americanos, e da forma como estes se vêem a si próprios e como olham para o resto do mundo.
  • Nota adicional: Pode, ao que me informaram, ser ainda encontrado nas feiras de Lisboa do Cais do Sodré ou em algumas feiras do livro/alfarrabistas bem como em bibliotecas municipais.
  • É um ensaio breve, despretensioso, bem escrito e concreto.
  • 1903 palavras. Dois mapas.
    PLANETA AMERICANO1

O livro está dividido em 12 capítulos.

Estes são os capítulos do livro. No primeiro deles – O orgulho americano – Verdu descreve como os americanos nada conhecem geograficamente do resto do mundo e mesmo da América – isto é onde ficam posicionados num mapa e onde ficam os outros. Isto sucede, segundo Verdu, porque o ensino no EUA é apenas prático. A ideia é dotar os americanos de uma enorme auto confiança, não fortes conhecimentos de matemática, geografia ou história. Como tal é inútil ou pelo menos, pouco útil, saber onde se fica ou se está posicionado no mapa do mundo. Serão os outros povos que se terão que adaptar aos norte americanos e não o contrário. Verdu conclui – da observação – que nenhuma outra sociedade vive tão ensimesmada como a americana.

O sentir popular do americano relativamente ao estrangeiro divide-se em duas partes:

  1. É um produto que se deve suportar com as suas diferenças umas vezes;
  2. e outras vezes deve-se tolerar até este (o estrangeiro) se converter aos modos americanos de viver.

Verdu descreve e explica também que os americanos são muito caseiros e detestam civilizações complexas e sofisticadas. Os outros são vistos apenas como uma entidade exterior – um mercado – a quem vender – uma entidade propicia para o comércio.

No segundo capitulo – O amor a Deus – Verdu explica como em nenhum outro país a vida pública é tão imbuída de religiosidade como nos Estados Unidos. A bíblia é citada por tudo e por nada. Verdu explica que os “Pais Fundadores” criaram uma Nação em que, na ideia original, não concebiam a separação entre Estado e Igreja. Cita ( dentro do contexto temporal em que o livro foi escrito) Newt Gingrich, o ex chefe do senado e um trapaceiro da pior espécie que afirmou que a América é um “Estado Mental”. Este peculiar “Estado Mental” inclui:

  1. A fé em Deus;
  2. A predisposição para o sacrifício;
  3. A ânsia de sucesso;
  4. O respeito pelos outros;
  5. E a esperança na missão redentora da América. (Em relação ao resto do mundo)

Depois Verdu liga isto à várias partes históricas dos EUA e ao renascer do conservadorismo americano nos anos 90. Cujos objectivos seriam:

  1. Menos Estado, mais oração;
  2. Menos prevenção, mais punição.
  3. Menos ajudas publicas aos necessitados considerados como apenas elementos mais preguiçosos; antes maior esforço individual, mais censura nos ecrans de televisão.

Exemplos: Ao reduzir-se ( propor-se uma política de redução) um subsidio a uma mãe solteira isso não é visto como um erro político ou económico, por um conservador, mas sim como uma oportunidade de alguém com dinheiro poder praticar a caridade para com o necessitado. O andrajoso que pulula nas ruas deverá ser incentivado através do esforço individual e da fé no sonho americano (quer este exista ou não exista) para sair do buraco em que está. Caso não saia é porque Deus o fez merecer tal situação.

Nota: Argumentação simplista visando legitimar e tornar aceitáveis aos olhos da grande maioria da população norte americana e mesmo de população exterior aos EUA, as desigualdades sociais extremas. E a existência de pobres, como sendo uma “ideia de Deus” que existam. Porque tem uma função a cumprir.

No capitulo 3 – O amor ao dinheiro – Verdu explica que os americanos respeitam muito o dinheiro. E que o hábito de “vender e comprar” está completamente enraizado. Vendem bem a varias escalas de venda. E que a base cultural que é ensinada a toda a gente é a de passar o tempo a vender algo a outrem … Ou seja, aprender a ser um empresário eficaz, seja lá o que isso for…. seja lá o que for que, “empresário” e “eficaz” signifiquem.

No capitulo 4 – A soberania do capital – Verdu explica que os “Pais Fundadores” acreditaram na existência, isto é na possibilidade da criação de novo de uma sociedade que “rebentaria” com as hierarquias europeias – as sociedades hierárquicas de tipo europeu existentes nos séculos 17 e 18. Mas, acrescenta Verdu, tal ideia fracassou miseravelmente uma vez que, quer a passada e actual dinâmica de acumulação de capital desmente isso. O igualitarismo – ideia utópica dos pais fundadores – é desmentido pela acumulação de capital e os pobres são vistos como excrementos do sistema. Como dejectos. É uma lógica de Darwinismo misturada com sorte que existe e é considerada como sendo, realmente, a filosofia dos pais fundadores.

No capitulo 5 – O medo do crime – Verdu explica que o crime é elevado devido a desinvestimento no seu combate e prevenção, e como o sistema social é organizado de forma darwinista – isso obviamente conduz ao crime. Que serve por sua vez de oportunidade para vender sistemas de segurança (a mentalidade de empresário, de vender em comprar surge aqui) – sendo o Lar uma fortaleza. Equipada como tal……

No capitulo 6 – A paixão pelo medo – Verdu descreve a total tesão pelo medo que os americanos têm e que é potenciada até às extremas pela imprensa. A ideia psicológica subjacente a tudo isto é a de que os EUA estão colocados numa posição de perigo; em que forças humanas ou sobrenaturais ameaçam, atacam e espiam a população. Existe um conceito muito presente ” o disaster never sleeps/ o desastre nunca dorme. Medo, supra medo, injecções de medo umas atrás das outras. Ou seja, o medo e a sua exploração são as imagens de marca daquela sociedade.

No capitulo 7 – O gosto pelo obsceno – Verdu explica que os americanos publicamente são recatados no sexo. Mas em tudo o resto são obscenos na maneira como se comportam. A comer a beber, a falar. Toda a gente come em todo o lado mastigando e fazendo barulho. Ou seja, a um individualismo recatado no lar sexualmente; corresponde um exibicionismo publico excessivo noutras áreas.

Verdu dá um exemplo excelente: os perfumes. As mulheres americanas usam perfumes extremamente fortes sem subtileza nenhuma. Também as “relações de amizade” são calculadas em Horas. Durante o acto de comer tudo é excessivo: um arsenal de molhos deve temperar uma já de si exagerada comida calórica. Na escola, uma que privilegie a erudição é vista com desconfiança.

No capitulo 8 – O ódio aos intelectuais – Verdu demonstra com imensos exemplos que os americanos detestam a sofisticação. Apenas é necessário:

  • simplicidade;
  • discursos que vão directos ao essencial;
  • clareza;
  • simpatia.

A ambiguidade intelectual quando mostrada, desagrada. Só coisas “terra a terra” é que contam.

(Nota: os resultados deste basismo estão aí em todo o seu esplendor…)

No capitulo 9 – A geração sem pais – Verdu fala da geração que conheceu quando lá passou 3 anos no inicio dos anos 90. Uma geração que, quer fisicamente, quer psicologicamente cresceu ou sem pais, ou pelo menos sem “o pai” – elemento masculino da família. Descreve que a instituição família deixou de ser o centro do conflito geracional. Ou seja, que as pessoas permanecem em casa mas não falam como família – apenas vive no mesmo espaço. E que é a cozinha que é colocada como o centro da casa, não uma sala de estar.

Esta geração está nos vídeos jogos, é entendida em violência e electrónica, mas não liga muito à escola. Perceberam muitas coisas acerca do mundo, através da vida concreta e tornaram-se adultos mais cedo quando ainda eram, ou jovens ou adolescentes. O culpado designado oficialmente para ser culpado disto, derivado a tudo o que se escreveu antes é o pai. O tal que para cumprir o “sonho americano” terá que trabalhar muitas horas por dia/semana; logo, não estar em casa para dar atenção aos filhos. Este “pai”, colocado nesta situação é “afastado” do centro familiar. Os professores estão, também dentro desta lógica, cada vez mais fora de jogo.

Verdu explica depois como na escola se formam vários grupos, espontaneamente ( nada mau em termos de resultados para uma sociedade a quem os “pais fundadores” queriam extirpar as hierarquias europeias”…), a saber:

  1. Os “atletas” (que se dão com os “espertos”)
  2. Os “espertos”(que se dão com os acima designados e são os mais populares…)
  3. A seguir os que estudam Artes e Humanidades( mais afastados do centro desta estúpida e redutora vida social escolar…)
  4. A seguir os drogados; isto é, os que fumam charros( ainda mais afastados…)
  5. E por fim os “nerds” , os tipos marrões…

Uma sociedade escolar hierárquica e ordenada de forma semi comunista…

No capitulo 10 – As edge cities – Verdu explica como os americanos vivem. Vão pouco ao café, investem pouco em restaurantes, tudo é feito a correr para se ir para casa, situada, nas periferias ou orlas das cidades. Na casa é investido imenso dinheiro em melhoramentos. Cada um vive fechado no seu habitat. Dai a importância do automóvel para deslocamento para trabalhar no centro das cidades. Isto origina que os brancos e os mais abastados se mudem para a periferia e o centro das cidades seja associado ao mal – ao estrangeiro; as influencias estrangeiras. Daí o americano médio detestar Nova York que associa – a um cidade impura onde tudo o que é má influencia estrangeira está.

O capitulo 11 é dedicado ao – Cibercapitalismo – a parte mais fraca do livro, porque é datada. Ou seja entre a época em que Verdu o escreveu e o actual, muita coisa já se passou. Contudo já naquela altura a lógica era a seguinte: quem não “estava na rede” era retrógrado ou visto como alguém que não interessava. Ou seja, não pertencia à classe social que verdadeiramente contava. Isto “media-se “ na altura pelo simples endereço de email. Por ter um.

Actualmente em Portugal como somos cretinos e não temos pensamento próprio autónomo enquanto sociedade; adoptamos o telemóvel como símbolo de se ser alguém ou não ser. É o substituto do email de há 12 anos atrás. Somos originais realmente…Mas tenhamos esperança: o TomTom promete substituir o telemóvel como novo símbolo

No capitulo 12 – O planeta americano – é uma espécie de fecho do livro e de aviso que Verdu faz a quem o lê. Começa por descrever que nada define mais a América que o Hamburguer. Ele considera o Hamburguer não um produto mas um documento. E quando a Mcdonalds se instala numa localidade começa logo a rodar um filme americano – deixando essa localidade de ser o mesmo que era antes. Mas como Verdu diz na página 133 “aceitar o modelo americano como desígnio do nosso futuro é o equivalente a suicidar-mo-nos no desígnio do seu presente.”

Verdu conclui que o que é bom para os americanos não o é necessariamente para os restantes povos, e que isso tem que ser tido em conta. Verdu explica também que:

PLANETA AMERICANO 2

  • Os americanos não sentem que submergem os outros com a sua cultura.

Ou na página 135 ” a idílica revolução norte – americana é, presentemente, do ponto de vista humano, um fracasso tão grande como o foi a da URSS. A aura das utopias iniciais extinguiu-se na América, com as desigualdades sociais,o controlo policial da vida privada….

E termina dizendo: ” não existe dignidade ideológica que autorize a América a liderar a humanidade”

ADENDA, 12 de Fevereiro de 2008: Graças ao Daniel Marques vem-se a saber que:

” A editora agora é a Terramar, encontra-se à venda na Byblos com 10 por cento de desconto a € 6,73. “

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07/11/2007 at 22:18

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PUBLICIDADE A UM CARRO. Que não se consegue perceber qual é o carro.

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  • Data: Setembro e Outubro de 2007. (Quando eu vi)
  • Tipo: Publicidade a um carro.
  • Forma:Anúncio de televisão. Com “história”.
  • Anúncio feito para o mercado americano, mas standardizado, para o resto do mundo: a agência publicitária deve ser a mesma a fazer a campanha para diferentes partes.
  • Resultado final: um glorioso falhanço.
  • Post com 2591 palavras. Dois mapas a cores e com setas a voar para todo o lado. Fujam.

O cenário e o enredo

Um anúncio publicitário promovendo a venda de um veiculo automóvel extraordinário passou nas televisões portuguesas, nestes dois meses, acima enumerados. O anúncio vinha equipado com uma história. A história era pungente e tinha um tom de drama. Tentava prender o telespectador – o potencial adquirente do carro em questão. Era uma história onde existia um casal jovem, moderno, suburbano – presume-se. Uma história que foi feita desejando a existência de tensão entre o casal jovem; mas, ao mesmo tempo, que existisse um ambiente alegre e desempoeirado, com a visão de campos e espaços verdes. Existia, também, um modelo de avião, daqueles do aeromodelismo, existia uma cena breve em que o jovem casal era apresentado como fazendo uma actividade social feliz e cheia de normalidade. Tudo estava limpo, correcto, estilizado, perfeito, com os tempos de passagem entre as várias cenas do filme publicitário – ai de uns 30 segundos de duração – a estarem totalmente cronometradas e liofilizadas. Um iogurte publicitário com Ómega 3.

Os protagonistas (4) ; dois principais e dois secundários

Os dois jovens actores / figurantes do filme foram escolhidos a dedo. Visavam provocar um impacto, embora diferenciado cada qual. O centro da acção – a personagem principal – era a jovem mulher. Bonita, morena, a cair para o lado mulato da beleza feminina. O jovem acompanhante (o namorado) era suficientemente notado para ser percebida a sua existência no filme publicitário, mas era também suficientemente banal para não deixar mais que uma vaga impressão de que passou por lá. Objectivo: ser ligeiramente apagado para nos demonstrar que são as mulheres que decidem as compras – o anúncio era para elas. O que indicia, que o produto a quem se quer vender – o alvo do mesmo – são jovens mulheres. Seria pois, um “carro de senhora” o objectivo promocional desta venda publicitária. Protagonistas secundários: o “carro” e o “avião”. Representam o papel de si próprios na vida civil e de objectos sexuais na vida encoberta.

A estrutura da narrativa

A história do filme, o enredo era poderoso. Seguía a lógica de montagem da acção, estilo “Quentin Tarantino ” . Um narrativa “não linear”. Começava pelo fim. Como o filme tinha sensivelmente 30 segundos, não podem – evidentemente – existir muitas alterações e mudanças da linearidade do tempo de um spot publicitário com este reduzido tamanho. No “final” do filme (se a narrativa linear existisse seria o final) observava-se o jovem casal em alegre e exterior felicidade num parque público. O elemento masculino do spot, ensinava, carinhosamente, o elemento feminino a pilotar um avião de aeromodelismo. O elemento masculino gentilmente murmurava à jovem morena como pilotar o avião. Este “avião” era para o personagem masculino do anúncio em questão, um “objecto ” ao qual ele – visivelmente – dava imensa importância e do qual retirava imenso prazer. Quase sexual. Era uma alusão sexual a um brinquedo que antes era usado pelo elemento masculino e que este; agora, estaria a ensinar – a 3 – ao elemento feminino.

MARCA DE CARRO 1


É, também, uma caracterização que visa tentar aproximar quem vê o spot publicitário da ideia / estereotipo que existe e que é sempre alimentada pela publicidade. Segundo a qual, os homens apenas se interessam por assuntos semi mecânicos que não interessam às mulheres. Todo o público potencial se revê nisto. Dessa forma também permite que o público alvo desta mensagem – as jovens mulheres – se sintam identificadas com a situação. Identificadas com a situação, predispõem-se a “escutar”. A primeira barreira psicológica foi quebrada.

Narrativa lateral perversa

Entre a jovem morena/namorada e o avião do aeromodelismo, insinua-se – também – através daquele pequeno pedaço de filme (uns breves segundos) uma “mênage a trois” entre o namorado, a jovem mulher e o avião de aeromodelismo. O avião do aeromodelismo é um “vibrador” nesta lógica – um substituto do prazer físico – semelhante a qualquer outro objecto do género. Ela não tem prazer(com ele), o avião substitui. É também o substituto de uma terceira pessoa. ( Antes o avião ( vibrador) do que estranhos…) (Indicia também que o namorado é impotente. Se é impotente, não compra, ela é que compra ) .

Percebe-se também porquê. O anúncio é ( pretende ser) asséptico, limpo, mas tem que ter nuances sexuais subliminares, precisamente porque é destinado a um público jovem urbano. Que está encharcado em sexo e mensagens publicitárias com sexo. Acaso não apareçam (mesmo que não faça qualquer sentido aparecerem) esse mesmo público alienado é incapaz de reagir a estímulos de publicidade “normal”, isto é, sem alusões a sexo. (Ainda há publicidade normal?) Como a criatividade na publicidade não é muita, ” inventou-se “, neste anúncio, o avião de aeromodelismo. Um “motivo” para o que se passa (irá passar) no fim do anúncio, mas também uma metáfora sexual ( o terceiro elemento).

Em tempos de doenças sexualmente transmissíveis e de perseguição moral institucional a “comportamentos libidinosos”, parece ser melhor definir “moralmente” um objecto como “terceiro elemento”, do que uma pessoa.

A “normalidade” e a pureza de um anúncio publicitário

O avião de aeromodelismo e o jovem que pratica aeromodelismo também tem outra função “escondida” no anúncio: indiciar um “jovem bem formado” que se dedica a “passatempos” não perigosos e não perturbadores da ordem social. O equivalente caseiro a esta actividade ao ar livre são os coleccionistas de selos. ( É claro que isto só é assim até alguém de um grupo terrorista se lembrar de carregar um avião de aeromodelismo cheio de explosivos e explodir alguma coisa. Nessa altura, formar-se- ão grupos de terapêutica e apoio aos aeromodelistas. Os “aeromodelistas anónimos”. Estes irão para uma sala e dirão” olá , sou o Jonas, e tinha um avião. Dormia com ele e tudo.Mas desde o atentado que não o posso ver mais.Perdi o prazer; estou impotente…)

A necessidade da criação de um conflito que faça avançar a acção

No decorrer da acção deste filme publicitário, a jovem mulher responde sempre gentilmente ao jovem namorado quando este a está a ensinar a manobrar o avião, ( a ternura feminina como paradigma antes de espetar uma faca nas costas…) dizendo -lhe que o está a controlar sem problemas, mas enquanto o faz, está, de facto, a impelir o avião na suave direcção do chão. O que efectivamente acontece. O avião despenha-se, a pique, proporcionando assim um primeiro clímax na acção – um pequeno acto de violência e destruição.

Metaforicamente podemos especular que esta acção é apresentada como um sinónimo de adultério. Que as mulheres mentem e enganam. Que está na natureza delas. Que, a jovem mulher já não gosta do avião de aeromodelismo (objecto de prazer sexual inserido dentro do casal ) e como tal sabendo que esse objecto, apenas dá prazer ao namorado, mas não a ela, decide, destrui-lo. Desta forma terrível, porque premeditada. Percebemos, com a velocidade do filme, embora não exactamente porquê, que a jovem mulher tem um sorriso ( tipo Gioconda) sarcástico de satisfação pelo despenhar do aeromodelo.

Metaforicamente podemos especular que a queda do avião simula um orgasmo pela violência da mesma, indiciando agressividade naquele casal e problemas não resolvidos. Existe “normalidade” e existe “Twin Peaks” ( Para as crianças imberbes que aqui chegam por engano, informo que Twin Peaks é uma muito boa série de televisão dos anos 80 que retratava uma simpática comunidade norte americana cheia de pessoas felizes. Depois, uma das pessoas dessa comunidade a teenager/cheerleader Laura Palmer era assassinada. E o detective que investigava o caso, à medida que aprofundava a situação descobria que todos os habitantes eram do pior que poderia existir – longe de serem normais).

A narrativa tem que ser explicada recorrendo ao passado

Chegados a este ponto a acção muda – tem de mudar para que os bovinos (parvos como eu) que ainda vêem anúncios de televisão entendam alguma coisa. O soar do apito para a mudança é o aparecimento de uma rotulagem com as palavras ” na semana anterior”. A acção volta ao passado ( o passado é tornado equivalente a ser só uma semana de memória histórica) e somos convidados a visualizar o que terá acontecido na semana anterior que originou o que nos é mostrado no inicio do anúncio publicitário. Embora com uma narrativa deslinearizada.

A narrativa surge completa após a explicação que é dada para os actos da jovem mulher.

Na “semana passada”; num ambiente de felicidade e comunhão espiritual, o jovem casal vem das compras. Sempre muito ternos e bem dispostos. Tão bem dispostos que o elemento masculino leva os sacos das compras, à jovem namorada. Um acto de cavalheirismo muito raro nos dias que correm, diria mesmo, fora de moda. Não só é isso tudo do ponto de vista publicitário que é mostrado, como visa atestar que o jovem em questão é “bem equilibrado”, se calhar até é cristão (caso isso signifique ser-se equilibrado, coisa que duvido…), mas do ponto de vista da imagem que perpassa para quem vê, este jovem é uma autentico “Golden Boy”. Candidatas a sogras; posicionem-se na linha de partida e ponham os olhos neste jovem.

A ignição do conflito começa e tem origem num simples gesto.

Contudo o jovem bem equilibrado tem uma acção que o condena às fogueiras do inferno e a expiar para toda a eternidade o mal absoluto que fez. Ao pegar nos sacos das compras, na sequência do seu acto de cavalheirismo ( fora de moda), o jovem, com as mãos ocupadas, fecha a porta do carro usando um pé! E diz qualquer coisa como “eu venho já querida, deixa-te estar”.

Sacré bleu! Sacrilégio! (Sacré Bleu é francês; é necessário dar um “tom” internacional a esta prosa).

Nessa altura é-nos dado a ver o rosto da jovem morena muito bonita e verificamos que Medusa existe na sua face. O ressentimento levanta a sua feia cabeça e deixa-se ver através de um ar profundamente ressentido, vingativo, de quem foi e se sente profundamente atingido pelo simples acto do namorado – o acto de fechar a porta do carro com o pé.

A justificação para o acto da senhora uma semana depois.

É este simples acto que ocorreu uma semana antes, que funciona como ignição para o que vimos no inicio do filme – o acto em que a jovem destrói, parecendo fazê-lo involuntariamente; o avião de aeromodelismo do namorado.

Um sentimento negativo, de vingança move uma personagem do filme, para outra das personagens, por causa de um carro. O tal carro que é o objecto que se quer vender através deste anúncio publicitário. Estamos por portas e travessas a chegar ao argumento de venda.

O argumento de venda

Pretende-se querer dizer que o dono ( a) de um destes carros é de tal forma apegado ao “seu carro” que até se dispõe a praticar actos de vingança mesquinha e violência com outras pessoas às quais – assim nos é apresentado – até gosta e tem amor (presume-se).

O que os publicitários pretendem mostrar (com esta elaborada trama shakesperiana) é que o carro é tão bom, tão fantástico, tão excepcional, que até suscita preferências e escolhas usando meios agressivos para exercer essas escolhas. Entre o carro e o namorado a jovem escolhe o carro exercendo uma pequena vingança contra o namorado. O carro é o “objecto sexual de prazer” da jovem morena, enquanto que o avião de aeromodelismo é o “terceiro elemento ” introduzido pelo namorado no relacionamento ( a destronar o carro?). Se o “namorado” danifica, por falta de cuidado e desleixo ( falta de amor) o objecto de prazer da jovem morena – o carro – então esta, tem “casus belli” (casus Belli é Latim; assim as pessoas julgam que eu sei Latim…) deverá fazer o mesmo ao objecto de prazer introduzido no relacionamento – o avião de aeromodelismo.

O mais engraçado disto é a “inversão” de papeis – de estereótipos que aqui é feita. O “homem “ é substituído como o “adepto” dos carros, passando a ser a “mulher”. E o homem é infantilizado porque ainda anda a brincar com pequenos brinquedos ( sexuais?). O homem do filme – é isto que se pretende vender, dado que o alvo – o público alvo são mulheres jovens e supostamente desinibidas e modernas é apenas um figurante, infantilizado, imaturo, enquanto que a mulher jovem faz o papel de “homem” da casa e isso é que é considerado como sendo ” emancipação”.

Terás um carro fantástico e serás emancipada, podendo tratar abaixo de cão o teu namorado, que, presumivelmente, não terá um carro, mas sim um brinquedo. Esta publicidade faz das mulheres jovens, supostamente, pessoas adultas e emancipadas. (Até já lutam por carros, vejam lá…) Mas, na realidade apenas as transporta para a classificação de parvas idiotas, ao prometer-lhes liberdade apenas e só pela aquisição de um carro. No fundo representa um enorme conservadorismo e conformismo fazendo equivaler liberdade à simples aquisição de um carro e não à manutenção de uma relação normal com um namorado. Entre a pessoa e o objecto, a publicidade diz-nos que a pessoa não presta, mas o objecto é que é bom. A pessoa só presta se comprar o carro. (Só assim será emancipada…)

MARCA DE CARRO 2

Nota lateral: Nos anos 70 a publicidade promovia a venda de carros maiores e os homens compravam carros maiores porque existia a ideia simbólica não escrita que um carro maior simbolizaria o membro sexual masculino; logo; ao comprar um carro grande, um homem estaria a sinalizar exteriormente possuir um grande membro sexual, daqueles que se montam usando um tripé e dois engenheiros especializados. Aqui estará-se a dizer (a publicidade) que no caso das senhoras o que interessa é demonstrar que quanto mais pequeno for o órgão sexual feminino, será isso que é bom? Um caso a investigar…

O produto, onde fica?

Pretende-se mostrar que o carro é absolutamente fantástico. Que a pulsão sexual da senhora pelo carro é superior à pulsão sexual da senhora pelo namorado. Da mesma maneira que a jovem morena é ” quente ” em termos de aspecto físico , e quente em amor pelo carro, já o é menos – bastante menos – pelo namorado. O estereotipo de mulher fria vem aqui ao de cima – um estereotipo comummente atribuído às mulheres jovens actuais, (em muitos casos justificado) e que as próprias nada fazem para contrariar. O namorado, apenas exercita a sua libido cristã bem comportada com aviões do aeromodelismo. (Eu que nada sei de Bíblia até sei que o onanismo vem na Bíblia…)

Recordação mental para mim próprio

Consegui lembrar-me de tudo isto à propósito do anúncio. Fantástico. Espantosa memória. E numa demonstração de onanismo ainda me dei ao trabalho de comunicar isto.

Vi anúncio umas 8 vezes. Demorei 3 ou 4 a perceber a subtileza da vingança da jovem ao namorado. Concerteza que sou muito estúpido. Toda esta intrincada narrativa ficou.

Contudo

Não me lembro de qual é o carro. Não me consigo lembrar de qual é o carro, de qual é a marca, ou outras características do produto que este spot publicitário pretende vender.

Este anúncio é tão bom que

Os medíocres publicitários que produziram isto conseguíram submergir o produto = carro dentro de uma história cheia de drama e acção, com reviravoltas na narrativa, (James Bond, és um amador…) que por sua vez, também é uma narrativa não linear, e conseguíram com tudo isso não atingir o que interessa.

  • Promover o produto “carro”.
  • A marca do carro.
  • Conseguir definir, isto é, fazer com que quem vê o spot publicitário.
  • Perceba qual é o produto.
  • E queira comprar.

Como é que se consegue comprar uma coisa que nem sequer se conseguiu perceber o que é?

Percebe-se tudo e mais alguma coisa, menos o essencial: o produto.

Written by dissidentex

05/11/2007 at 19:07

PORTUGAL. TRAIÇÃO E MISTIFICAÇÃO NACIONAL.

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  • Micro ensaio inaugural .
  • 416 palavras.

Como povo, somos vitimas de uma mistificação nacional.

Foi “decidido” internacionalmente; com a ajuda do sentimento de inferioridade, desejo de agradar, recompensas em bens materiais e prestígio, e temor reverencial dos políticos portugueses – da actual classe política – que deveria Portugal aceitar ser pobre, ser um país de “serviços”, um país de turismo, um país de mão de obra apenas qualificada para esses sectores.

Os políticos portugueses – aquilo a que se chama “a elite”, decidiu trair.

Trair é o nome do jogo.

Para trair com eficácia é necessário desmantelar todas as áreas que impliquem investimento de dinheiro formando pessoas extremamente qualificadas em áreas que não estas acima descritas.

Pelo meio, alguns dos sectores destas áreas a transformar serão, nalguns casulos e nichos específicos, retirados da concorrência internacional e “oferecidos” aos privados portugueses para que estes continuem a produzir mau serviço, mas com lucros altos garantidos e quotas de mercado asseguradas.

Uma falsa concorrência.

Esta estratégia pressupõe – logo à cabeça – que 2 milhões de portugueses serão considerados “dispensáveis”, e que mais 6 milhões sejam extremamente pobres mesmo vivendo em Portugal.

1,5 milhões viverá extremamente bem e dirá que a culpa dos pobres serem pobres é dos próprios. Que a culpa é apenas deles. 3,5 milhões de outros portugueses viverão num novo patamar de classe média, pobres mas que lutarão para manter esse estatuto de pobreza disfarçada. Assim se garante um país assimétrico de 12 milhões de pessoas – a meta a atingir.

É por isso que o ano passado – 2006 – saíram 100 mil pessoas deste tugúrio e ninguém se importou minimamente com isso.Há imigrantes para importar em quantidade suficiente e a política de aquisição de nacionalidade portuguesa é legalmente generosa.

Quando isto estoirar o mesmo grupo de adeptos de 1580, mas actuantes no inicio do século 21, que agora defende “isto” e defende privatizações e liberalização da economia, mudará radicalmente de discurso e passará a defender as preocupações – muitas – com “o social” e a solidariedade e os pobres e desvalidos, fazendo apelos à unidade de todos os portugueses para – todos juntos – lutarem por um Portugal melhor……

Entretanto o caos é lançado para fora da lâmpada onde está. E não restará pedra sobre pedra de uma organização social “normal”..

Pelo meio temos a paisagem exótica.

Temos os sindicatos e os partidos políticos das margens, bem como os movimentos estilo “Compromisso Portugal”.

Representam aquilo que Eça de Queiroz dizia que os monges e os frades representavam no século 19.

Dão colorido à paisagem.

Um tom pitoresco.

Written by dissidentex

03/11/2007 at 22:01