DISSIDENTE-X

2008. CORRUPÇÃO.

leave a comment »

Tipo: Retoma.

Assunto: Este blog retoma as suas emissões dissidentes no novo ano. Same old shit.

O país: continua na mesma evoluindo para pior.

Tema:corrupção, sobre os mais variados ângulos.

Palavras: 1606 – Nenhuma imagem.

Ora numa das tais “cafézadas” com amigos em Lisboa sai-me uma pérola da boca de um deles : eu arranjei um óptimo emprego porque a minha mãe está a dormir com um dos directores dessa empresa. Se não foram estas as palavras exactas andaram lá perto.

Numa recente conversa com o carteiro do Inferno, um dos meus correspondentes no submundo e arredores lembrei-me deste pedaço de post acima transcrito, e sobre o qual o correio do inferno me explicou que o Mortal Fontela está no inicio. Muito mais lhe será dado a ver. E que o Mortal Fontela é uma criatura estranha que vagueia por aí em cafés e bistrots a ler?! Ai Mortal Fontela, Mortal Fontela, como andas enganado…

Mudando para uma conversa mais deprimente.

No ano passado tive que levar a minha mãe a um dentista. Enquanto procurava lugar para estacionar nos arredores de Benfica, essa cosmopolita cidade dos arredores de Lisboa, no meio de pracetas decadentes com jardins cheio de cocó de cão e raízes de arvores a rebentar com o passeio, a minha mãe lá foi fazer o que tinha a fazer. E encontrou uma antiga vizinha nossa que entretanto tinha mudado de casa para a outra banda. Calma, que não é para Cascais, mas sim para a Costa da Caparica.

Começaram as duas a falar, ( minha mãe até debaixo de agua fala e a outra também) e entretanto eu cheguei e fiquei à espera, e …… esperei. E ouvi tudo o que tinha para ouvir.

E quando finalmente já estava naquela fase, em que desejava que algum satélite de comunicações se avariasse, deixasse a órbita baixa fixa onde paira a transmitir merd* para as televisões e rádios e caísse mesmo ali em cima da minha cabeça, para me aliviar o sofrimento, eis que a amiga da minha mãe me despertou do torpor letárgico incognoscível.

E como foi? Foi quando a minha mãe lhe perguntou pela saudinha da sogra, a senhora “Y” e da mãe, a senhora “Z”, que coitadas , caminhando vigorosamente já para os 90 anos estão já assim um pouco para o senil-Alzheimer, entre outras coisas. E a outra responde com candura, que “só estão como estão, porque pagámos 1000 contos para as meter num lar”. De repente voltei à vida, e despertei escutando atentamente o restante. – Mil contos cada uma foi o que nos custou – respondeu a senhora explicando depois que foi essa a única maneira de conseguir colocar a mãe e a sogra num lar decente (O lar da Santa casa da misericórdia de Pedrogão Grande) e que – para lá de pagar ainda 100 contos por mês por cada uma o resto (medicamentos , fraldas,etc) é à parte… e a reforma das senhoras- as duas fica lá ainda. (A outra apenas falava em contos…)

———————–

Tás a ver, ò Mortal Fontela como estas coisas são todas simples? (O carteiro do Inferno que comigo estava abanou a cabeça em sinal de concordância…) Andas tu para aí a indignares-te com a senhora maezinha do teu amigo que avia o director Geral do departamento de física nuclear para arranjar o lugar para o filho e afinal com mil contos ( 5000 euros) isto resolve-se.

Como as conversas com os carteiros do Inferno são como cerejas apodrecidas eis que soube nestas “miniférias”, como alguém arranja um emprego em Portugal profundo, daqueles, dos tais, dos bons, caro Fontela e , ninguém teve que dormir com ninguém, nem existiram corpos suados nem posições que impliquem lesões nas vértebras, nem nada que se pareça. Obrigado ò carteiro do Inferno, pelas informações…

( Os casos de corrupção e ética repugnante que eu apresento são tão mais prosaicos e simplistas – apenas pura corrupção baseada no vil metal e nada dessas cenas “buè de elaboradas ” que te chegam aos ouvidos, caro Mortal Fontela ) . (citado a partir do “Diário do inferno” – best seller do carteiro do Inferno a publicar brevemente na nova Dom Quixote…)

Um tipo, que começa um curso difícil no ISEL de Lisboa. No final do segundo ano do curso desiste do mesmo. Estamos a falar de um aluno que era o melhor de Abrantes no ensino secundário com uma média a oscilar entre os 13/14 valores.

O artista desta história mudou de curso, para um mais fácil chamado “Engenharia de gestão” ( quanto mais nomes tonitruantes como “engenharia” e “gestão” ou “ambiente” ou “direito” um curso tiver no titulo menos aquilo vale…) onde lá terminou às 3 pancadas o novo curso, presumivelmente mais fácil que o primeiro que tinha tentado fazer. Sabes como arranjou agora emprego Mortal Fontela? Simples, pá. Porreiro, pá.

Pura e simplesmente a maezinha e o paizinho meteram umas cunhas e pagaram uns trocos ( penso que uns dois mil contos/10000 euros) a não sei quem, para que esta criatura méritocratica ascendesse. Não imaginas o ar de gozo que me deu a escutar o paizinho da criatura a regurgitar peneiras e vaidade pelo facto de o filho ” já estar a trabalhar” e, mal terminou o curso ter logo “arranjado emprego”, com um estágio pago de dois meses (quem paga estágios em Portugal a alguém sem ser com cunhas? ) e estar num sitio qualquer no estrangeiro a trabalhar e já ter ido à Suíça, à França e a mais uma série de sítios maravilhosos, etc e tal.

Este senhor é uma daquelas pessoas que foi imigrante nos USA, durante uns 30 anos, e diz que “lá todos trabalham e quem não trabalha não recebe nada do Estado” e restante conversa de merd*. Também é uma daquelas pessoas que enquanto lá esteve, esqueceu-se sempre, lamentavelmente, sem dúvida alguma por estar distraído, de pagar um seguro de saúde LÁ. Apesar de trabalhar muito e etc e tal.

Há coisa de 4 anos ficou doente de um rim. Apesar de trabalhar muito etc e tal, isso não o impediu de ficar doente de um rim. Posteriormente, teve que fazer a transfusão de um rim e subsequentes tratamentos, e apesar de não ter trabalhado nada em Portugal e não ter direito a receber nada do Estado Português. O mesmo Estado Português – generosamente – pagou-lhe a merd*a do rim novo e correspondentes tratamentos.

  • Que ainda paga e continua a pagar.

Ou seja, os compatriotas dele, que descontam alto e pagam impostos dos proporcionalmente mais altos da Europa, que servem para que, depois, esses mesmos impostos lhe paguem um rim e correspondentes tratamentos.
Como bónus o tipo ainda tem direito a insultar os compatriotas dele que entendem não ser do seu próprio interesse trabalharem a recibos verdes por 400 euros por mês, recusando empregos, como é comum serem apresentadas as ofertas de emprego na região de Abrantes e arredores. Que patriota temos por aqui.
É claro que para ele ter direito a um tratamento e a um rim, alguém ( um desempregado, talvez?) não teve direito a um tratamento e a um Rim, dado que isto é um jogo de soma zero, como sabes, Mortal Fontela.

Mas adiante que se faz tarde e ainda tenho que ir beber um doce de enxofre com o meu amigo carteiro do Inferno ao “Hades Bar” perto da montanha de Sulfúria…

O partido político do qual faz parte o senhor Luís Filipe Meneses ( Não, não é o partido dos doidos que eu estou a pensar ) é o feliz locatário de uma das câmaras municipais da região de Lisboa e Vale do Tejo – neste caso a CMS, câmara municipal do Sardoal. Nesta zona existe muita merd*a. E existia uma empresa chamada Sarplás. Uma pseudo fábrica de fábrico de plásticos. A Sarplás, que durante 20 anos andou a balões de soro e após 20 anos a dever a toda a gente (salários em atraso) e à segurança social fechou portas deixando o conselho e a freguesia consternados.

Contra todas as expectativas das forças vivas do conselho e das forças mortas também; a camara municipal PSD do Sardoal “Nacionalizou” a Sarplás. Isto é, absorveu o património e os trabalhadores da empresa, que eram pelo menos 50.

O capitalismo é, de facto, uma coisa engraçada. É diferente o capitalismo se a mesma coisa for feita por partidos diferentes. Pelo meio deste circo escutamos o líder do partido chamado PSD ( o Sr Meneses), a cuja secção regional pertence a câmara do Sardoal, a dizer que em 6 meses privatizava tudo o que pertence ao Estado.

Quais devem ser as Funções do Estado?
O Estado deve sair do ambiente, das comunicações, dos transportes, dos portos, e na prestação do Estado Social deve contractualizar com os privados e acabar com o monopólio na saúde, educação e segurança social.

Nas costas nacionalizamos as Sarplás cá da terra…

Enfim, é a alegria de viver em Portugal que eu tenho…

Como Bónus e para terminar ò mortal Fontela, uma outra amiga da minha mãe, explica à minha mãe que a filha dela ( um cepo estilístico de 23 anos , que durante 12 anos de vida teve direito a explicadores particulares e que entrou num super curso de “marketing e publicidade”) já termina o curso este ano.

Outstanding! Mother fucker! Already? What a gall….

A minha mãe” Já? , e a outra inchada que nem um balão. “- Claro, as boas alunas é assim , terminam antes do tempo”.

O processo de Bolonha e a redução dos cursos um ano não tem nada a ver . Vês como é simples, ò mortal Fontela?

Isto é tudo simples, agora andar para aí a ler livros em Bistrots e a fazer análises…tss,tss…

Carteiro do Inferno, leva-me contigo… vamos lá ao Hades bar então que as ruivas esperam-nos…

Anúncios

Written by dissidentex

02/01/2008 às 20:05

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: