DISSIDENTE-X

TABACO. LIBERDADE. FUTUROS.

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No dia 5 de Agosto de 2006, devido à inspiração do totalitarismo que insidiosamente se instala na Europa e, como uma consequência disso, um comissário europeu pensou e inspirou a criação de uma legislação especial feita em nome da liberdade. Uma legislação que impedisse eventuais candidatos a emprego de serem contratados por empresas, caso fossem fumadores.
Até hoje, não se conhece nenhuma proposta de legislação feita por um comissário europeu, que impeça as empresas de contratar viciados em drogas.

Além desta situação infringir o direito ao trabalho, e interferir directamente na vida privada das pessoas e na sua liberdade individual é uma norma discriminatória. Combate-se o tabaco com discriminação – uma campanha negativa, estigmatizando os fumadores como criminosos em vez de se incentivar de forma positiva as pessoas a não fumar.

Reorientando este post, mas relacionado com o tema acima, passemos a um ângulo ligeiramente diferente de análise.

Cinema. Como exemplo, um filme que sempre me fascinou.

STALLONE1


Globalmente não é um grande filme. Nem sequer no género e público para o qual foi feito.

Realizador, argumentista, alguns actores não tiveram unhas para fazer uma obra clássica do género, para produzirem uma distopia eficiente.

O filme, de 1993, chama-se Demolition Man.

Actores principais: Sylvester Stallone (Jonh Spartan), Sandra bullock (Lenina Huxley) , Wesley snipes (Simon Phoenix) e Nigel hawthorne. (Dr.Cocteau)

3/4 do filme são apenas pancadaria e boçalidade exercitada pelas personagens de Stallone e Snipes – em constante combate um com o outro e destruindo milhões de adereços.
Quando a acção passa a Sandra Bullock e Nigel hawthorne (especialmente este) e alguns dos restantes secundários; as coisas mudam de figura.

Estas personagens secundárias são as melhores, mas o enredo do filme foi apenas orientado para a destruição por destruição, o que estraga o filme e as possibilidades do argumento serem imensas caso fosse bem trabalhado.

Uma parte do filme, a única que interessa para este post ( e no próprio filme, diria), mostra uma visão distópica totalitária muito interessante, do que seria uma sociedade orientada segundo os padrões de comissários europeus ( e outros do mesmo estilo) que querem fazer leis anti fumadores e anti tabaco (e anti sexo, e anti comida e anti qualquer outra coisa…).

No filme, existe uma aproximação descritiva a um tipo de sociedade semelhante.
Insidiosamente está-se a implementar. Ou a serem feitas tentativas para isso.

Para demonstrar e explicar isso é necessário contar, brevemente, a história do filme.

Ano de 1996.

  1. Caos descontrolado na ruas de Los Angeles.
  2. Anarquia social e crime galopante.
  3. Violência urbana intensa.

Policia e criminoso defrontam-se. Métodos completamente destrutivos ( Stallone e Snipes).

Na sequência do ” confronto final” entre ambos; após uma destruição imensa, a personagem de Snipes ( criminoso) é preso e Stallone (polícia) … também.
Os métodos policiais de Stallone originam mais de 100 vitimas ao perseguir o criminoso Snipes. Stallone é, dessa forma, condenado a ser alvo de “criogenia”. Posto a dormir ( A criogenia como tecnologia é ainda incipiente…).

Stallone (a sua personagem) será reavaliado para eventual libertação, algures em 2046. Conjuntamente com Stallone, a outros criminosos irá acontecer o mesmo.

Mudança de cenário.

No futuro, em 2046 a sociedade “evoluiu”.
Não existe crime;
Tudo é asséptico, limpo e asseado.
Devido a prévias guerras, epidemias e violência, o Dr cocteau ( personagem de Nigel Hawthorne), o líder supremo – também ditador benevolente e paternalista desenvolveu uma “Cidade Estado” a que chamou “San Angeles”.

Onde tudo parece funcionar de forma perfeita. Demasiado perfeita.

Toda esta ordem asséptica gera cidadãos infantilizados.

A “ordem” é tão certa que origina o seu reverso. Excluidos. Marginalizados, Sub cidadãos. Origina um movimento de “resistência” contra a ordem asséptica.

  • Asséptica, mas controladora e totalitária.
  • Anti pulsões emocionais e sociais.

Resistência essa que, segundo o personagem “Dr Cocteau”,”perturba a ordem e a paz universal”.

Há que tomar medidas.
A resistência é continua, regular e chata.
Pior: ameaça criar dissidência organizada e adquirir mais apoiantes .
O Dr Cocteau tem a infeliz ideia de ressuscitar Simon Phoenix, o criminoso – mor(Snipes), do seu sono criogénico.
Trabalho de Phoenix: terminar com a “resistência e especialmente com o seu líder”.

Phoenix é liberto, encarregue de destruir o líder da resistência
Mas, como personagem psicopata que efectivamente é, começa imediatamente a matar e a destruir tudo o que vê de forma aleatória; apenas violência gratuita.

O feito numa sociedade, destituída de qualquer tipo de violência é tremendo.
Numa sociedade onde o conceito foi erradicado é enorme.
Uma sociedade onde as pessoas não estão habilitadas e habituadas a lidar com violência.
Um sociedade onde não existe um crime há 20 anos.
Os conflitos não existem.

Percebe-se daquela descrição a existência de uma forma de Estado misto neo liberal/comunista; mas, onde os conflitos são arbitrados não pelo Estado, como entidade, mas sim pela “Empresa privada” e respectivos associados do Dr Cocteau que faz o papel de “Estado personalizado nele mesmo”.

  • O resultado de toda aquela normalização, por exemplo, origina uma única empresa de pizzas.
  • Maquinas colocadas nas ruas ordenadas de simétricas; disponíveis para “dizer a pessoas” frases de conforto psicológico – que elas são as melhores pessoas do mundo.
  • Através destes quiosques de bem estar combate-se quem se sente mal, deprimido psicologicamente.

A estação de musica local apenas transmite jingles promocionais de produtos vendidos nos anos 50 do século 20.
Como esses jingles são de tal forma ingénuos (pertencem aos primeiros tempos da publicidade) na sua concepção que apenas parecem e são infantis.
Próprios para crianças.

O acto sexual é asséptico.

Existe um capacete virtual que produz estímulos neurológicos aos dois participantes no “acto”.
Ali isso é sexo.
Não há contacto físico.
“Sexo limpo”.

Extractos do diálogo do filme retirados do fractura.net

——

Lenina Huxley: The exchange of bodily fluids, do you know what that leads to?
John Spartan: Yeah, I do! Kids, smoking, a desire to raid the fridge.

Simon Phoenix: All right, gentlemen, let’s review. The year is 2032 – that’s two-zero-three-two, as in the 21st Century – and I am sorry to say the world has become a pussy-whipped, Brady Bunch version of itself, run by a bunch of robed sissies.

Edgar Friendly: You see, according to Cocteau’s plan I’m the enemy, ’cause I like to think; I like to read. I’m into freedom of speech and freedom of choice. I’m the kind of guy likes to sit in a greasy spoon and wonder – “Gee, should I have the T-bone steak or the jumbo rack of barbecued ribs with the side order of gravy fries?” I WANT high cholesterol. I wanna eat bacon and butter and BUCKETS of cheese, okay? I want to smoke a Cuban cigar the size of Cincinnati in the non-smoking section. I want to run through the streets naked with green Jell-o all over my body reading Playboy magazine. Why? Because I suddenly might feel the need to, okay, pal? I’ve SEEN the future. Do you know what it is? It’s a 47-year-old virgin sitting around in his beige pajamas, drinking a banana-broccoli shake, singing “I’m an Oscar Meyer Wiener”.

——

Tabaco e álcool foram banidos.
Gordura na comida também.
É proibido praguejar.
Máquinas colocadas por todo o lado emitem uma multa e uma declaração “violação do código de conduta moral” – multa de 20 créditos.

A descrição da mentalidade totalitária impondo a perfeição absoluta a todos.
Padrões iguais para todos.
Comportamentos estilizados para todos.
Queiram ou não queiram.

A lógica social ali descrita é invertida.

Todos tem o dever – primeiro – de seguir as regras .
Não tem o direito – depois – de as quebrar.

Caso quebrem são considerados dissidentes perigosos que querem subverter o Estado – a empresa privada que controla aquilo ali descrito.
———————————————————————–
Actualmente.

Os fumadores estão a ser vistos desta maneira.
Como perigosos subversivos em potencia de um Estado que se quer “limpo” de impurezas.
Como argumentativamente , é difícil de fazer passar isto, é necessário por os cidadãos uns contra os outros.
Como?
Sobrepondo o direito do não fumador sobre o do fumador.

Estigmatizando o fumador como culpado, por lei.
E sujeito a coimas altas e perseguição.
Patrocinando o conflito entre cidadãos – os que fumam e os que não fumam.

Apresentando razões de saude pública, como imperativo para proibir fumo e fumadores.
——

Termino citando o post do Fractura:STALLONE2


E é por isso que o guru da cidade ressuscita o vilão interpretado por Wesley Snipes – para os eliminar, para acabar a revolta dos que querem viver livres da higiene. E porque a sociedade civilizada não é violenta, abomina a violência, a falta de saúde, a fealdade, a falta de educação, a comida gordurenta, o fumo. São limpos, limpinhos.
Mas não são livres. E não querem ver os outros livres.
Um grande filme, o Demolition Man.

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Written by dissidentex

10/01/2008 às 0:37

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