DISSIDENTE-X

BTUGA 2

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Continuação.

É necessário fazer serviço de memória. No primeiro post era afirmado sobre um cartoon do Jornal “o Jornal, que:

“Lembra-me um Cartoon do Jornal “o Jornal” ( actual Revista Visão…) publicado há quase 20 anos, em que se via um carro da polícia a sair furiosamente de uma esquadra. Em cima o balão dos diálogos dizia: ” vamos a caminho da Pastelaria Versailhes, onde um menor furtou um palmíere recheado”.

Ao mesmo tempo, no resto da imagem, viam-se roubos a acontecer, pedófilos em acção, assaltos, voyeurs, exibicionistas, facadas; enfim todos os crimes ocorriam em série.”

carton btuga2

carton btuga1

 

Exemplo 1

  1. Um belo dia do ano de 2006 ( correcção – 2007), um dos comentadores habituais, de um outro blog que eu fazia, já desactivado, veio dizer-me que esse outro blog até aparecia citado, vejam lá, no Jornal Público.
  2. Foi transcrito, sem me ter sido perguntado absolutamente nada, um excerto de um post que eu tinha feito. Há direitos de autor aqui ou não?
  3. O Jornal Público fez ” P2P sobre o esforço de uma hora para escrever um post” e por via disso melhoraram o seu próprio conteúdo editorial a minhas expensas;
  4. mais ainda, truncando a minha obra prima ( acho eu…)

ARMADILHA-JORNAL PÚBLICOD E 7 MARÇO…2007

( Diga-se de passagem que a única coisa de jeito deste post sobre Santana Lopes que eu escrevi era mesmo apenas o que se vê, o resto não valia nada – No primeiro post de Agosto de 2007 não tinha publicado a imagem; não a encontrava…)

Também no anterior post ( Agosto de 2007):

Exemplo 2:

  1. Querendo eu adquirir uma obra literária de um autor português que morreu há 34 anos, dirigi-me ao único sitio onde ela é vendida – a INCM.
  2. Após ferozes resistências por parte da INCM em me vender o referido livro, descubro uma obra, que se não está já livre de direitos de autor e copyright, deveria estar; descubro dizia, que a referida obra custa só a módica quantia de 26 euros e apenas foi feita uma tiragem de 800 – volto a escrever – OITOCENTOS EXEMPLARES.
  3. E isto que se quer?
  4. É a isto que se quer voltar?
  5. É isto que os autores de software querem?
  6. Micro mercados?”””

Até agora tudo isto parece longe do BTUGA, não parece?

Como tal, cito em baixo, um extracto deste livro, que custou 26 euros; foi somente publicado – inicialmente – em Portugal em 1974 ( a data é importante para se perceber umas coisas…).

O Autor escreveu a totalidade dos textos do livro entre 1954 – 1965. Escreveu-os porque vivia no Brasil e tomou a precaução, à época, de se naturalizar brasileiro.

Acaso os escrevesse cá acontecia-lhe algo. Quando o fez foi despedido do emprego. Passaram 50 anos desde o que vou citar, mas é absolutamente idêntico aos dias de hoje…

“””Portugal vive sob o domínio da arbitrariedade e da violência desde 1926. Desde essa já longínqua data, e sob a alegação de ser necessário manter a «ordem» para bem governar, Portugal tem sido mal governado em beneficio dessa abstracta «ordem». Na realidade, sob o manto diafáno desta solene e severa palavra, transparece a verdade do regime. «Ordem»é os privilégios não sairem das mãos dos privilegiados, «ordem» é aquilo que caracterizava a antiga China:o imobilismo. “””

Apesar do preço ser elevado, confesso: só por este parágrafo vale a pena. E o que é que isto tem a ver com o BTUGA? E com direitos de autor? Tudo.

Desde logo a forma como os “sítios” foram fechados.

  1. 22 corajosos polícias e inspectores da ASAE foram;à casa do Sr Ferreira.
  2. A partir das 7 horas da manhã.
  3. Por lei pode-se fazer isso.
  4. Entraram com mandatos lá dentro, casa onde vive com a irmã e a mãe.
  5. Aprenderam-lhe os dois servidores, e uns 100 dvd´s legais.
  6. Ao que eu li, e se me recordo bem, penso que no primeiro e único comunicado do Sr Ferreira; a polícia Judiciaria sabia perfeitamente quem ele era;
  7. sabia perfeitamente onde vivia;
  8. já tinha tido contactos com ele anteriormente a propósito de outras questões relacionadas com o BTUGA.

Era necessário aparecerem às 7 horas da manhã com mandatos para apreender material informático a uma pessoa que era perfeitamente identificável e onde, manifestamente, não existia perigo de fuga?

E no entanto… No entanto fizeram o que está citado.

Honraram a boa tradição portuguesa de se viver sob o domínio da arbitrariedade e da violência desde 1926.

Existiam pelo menos 6 P2P portugueses mas apenas 3 foram escolhidos para fecho; porque sob “a alegação de ser necessário manter a «ordem» para bem governar, Portugal tem sido mal governado em beneficio desta abstracta «ordem»”.

Tradução: a desordem está espalhada (pelo BTUGA e restantes P2P). Logo é necessário ser arbitrário e não olhar a meios ( isto é; exercer tremenda violência aparentemente legítima) para impor a «ordem».

A jogada é estrategicamente simples: existe assimetria na informação por parte de quem é “fechado”( BTUGA e restantes P2P) e por quem os fecha ( PJ, televisões, associações fonográficas e de artistas que interpuseram a providencia cautelar, etc ).

Por assimetria entenda-se que estas associações tem mais informação ao seu dispor para gerir este tipo de situação do que os utilizadores dos P2P e do que os administradores dos P2P. Logo perceberam ( porque tinham as informações para isso) como atacar e onde.

Objectivo: impor a “ordem” de alguns sobre todos os outros.

Lições a tirar: aprender, sempre aprender, como esta gente funciona. Como é o pensamento médio desta gente. Aprender que não hesitarão em montar uma operação a coberto do Estado Português – que assim é colonizado – para fazer “fretes” a minúsculos interesses económicos estritamente privados. Com a “ajuda” da «imprensa» «livre» que temos…

Benefícios reais para a economia portuguesa:nenhuns. A economia da Suécia agradece.

Como reagir: a comunidade informática portuguesa ( a sociedade?) da próxima vez que se mexer relativamente a estes assuntos deve ter um plano de reserva – sugiro servidores de reserva também; e um domínio comprado no estrangeiro que é por causa das coisas – se possível. Deve também retaliar em aspectos específicos.

  1. À comunicação social exigindo direito de resposta; o qual tem direito e está previsto na lei.

  2. Deve retaliar sobre os “artistas” portugueses ( os de música) num próximo sistema P2P a realizar. Beneficiaram do P2P sem se queixarem quando eram desconhecidos. Quando se tornam conhecidos proclamam-se contra a cópia.

  3. Fazendo uma análise custo beneficio e tendo em conta que SÓ O BTUGA tinha 135 MIL utilizadores registados; cada vez que um ficheiro de um artista português era inserido no sistema de troca de ficheiros isso significava que – SEM QUALQUER CUSTO para o artista; um potencial mercado de 135 mil pessoas…

  4. O potencial de publicidade gratuita que isto tem é absolutamente incrível. Só para dar um exemplo comparativo, o blog português com maior numero de visitas; numero de visitas da área / política / sociedade talvez chegue às 5 mil por dia. O BTUGA chegava a ter 800 ou 1000 pessoas por hora.

  5. É esta enorme capacidade de atracção de utilizadores que verdadeiramente foi atacada. Quais são os medíocres oficialmente estabelecidos em Portugal que conseguem captar tanta gente para os seus sítios Internet?

Cite-se:

“Todos os clientes, retalhistas e consumidores precisam de conhecer o produto, nomeadamente o nome e a qualidade. Todos estes milhões de pessoas têm que ser empurrados ao longo de uma curva de aprendizagem do consumidor.

…A longo prazo, um produto bem sucedido construirá uma rede de experiências, associações e hábitos de compra entre os consumidores finais e a distribuição. Estes são recursos intangíveis que a empresa tem fora de si nas cabeças dos consumidores e naqueles que tomam decisões no sector da distribuição.

…A estes valores chamamos «mindspace» e «shelfspace». Uma peculiaridade dos mercados de bens de grande consumo é que o «mindspace» e o «shelfspace» são fontes cruciais de vantagem sustentável. São-no porque ambos levam muito tempo a construir e ambos são finitos: soma zero significa mais para si e menos para o seu concorrente.

A mente do consumidor e a prateleira do retalhista tem capacidade limitada. Se um concorrente toma o espaço mental, outro, correspondentemente é posto de lado. Se um concorrente domina as prateleiras de um supermercado, outro é menos notório.

…Todavia, tanto para o espaço mental do consumidor como para as prateleiras do retalhista, existe um limite. O que existe tem que ser disputado pelos concorrentes ….
….o espaço na prateleira e o espaço mental estão ligados e complementam-se.”

Não vou citar o livro de Marketing de onde tirei isto. Os dois autores do mesmo são profundos especialistas na área.

BTUGA-MEDIDA CAUTELAR

O livro teoriza e explica as práticas de comércio das grandes superfícies e do retalho. Serve de modelo aproximado para comparar e analisar o que aqui se passou, na questão dos P2P.

Existia um pormenor que marcou a diferença: o projecto BTUGA ocupou espaço mental, pulverizando toda a concorrência incluindo a “institucional”.

Mais: alterando algumas das premissas dessa mesma concorrência – a favor do modelo BTUGA ou de projectos semelhantes que existiam ou pudessem vir a surgir.

Todos os retalhistas, consumidores e clientes precisam de conhecer o produto: o BTUGA possuia todas essas características. Estava a eliminar a necessidade dos “retalhistas profissionais” existirem nos moldes em que existem. Estava a ajudar a eliminar a maneira como dão a conhecer o produto aos clientes, ou seja, todos nós, os consumidores.

Verdadeiro crime 1: ousar o Btuga, de forma independente, fornecer um serviço não ilegal de forma ( quase) gratuita apoiando-se nos seus utilizadores.

A ” curva de aprendizagem do BTUGA” em relação ao consumidor e deste em relação ao BTUGA foi rápida – 3/4 anos. A motivação da ignição do ataque ao Sr Luís Ferreira foi a alteração técnica ao programa que este fez há coisa de 8 meses ( em 2006).

  1. Aumentando as velocidades no “tracker”;
  2. introduzindo “regras” mais profissionais que exigiam rácios positivos aos utilizadores na relação de upload/download (um utilizador tinha sempre que ter deixado copiar de si mais do que tinha copiado para criar uma comunidade assente na partilha);
  3. expulsão de utilizadores com maus comportamentos,
  4. regras nos fóruns para inserir mensagens, etc.

Estas inovações duplicaram, calculo por alto, o numero de utilizadores, para os actuais (isto é, à época) 135 mil e melhoraram a velocidade geral de download/upload, acabando com uma série de abusos de alguns utilizadores.

Verdadeiro crime 2: O BTUGA tornou-se semi profissional no que fazia.

O “longo prazo”, descrito no texto azulado; estava a ser reduzido pelo BTUGA, precisamente, derivado do seu êxito.

A rede de experiências de consumo e hábitos de compra (entendidos aqui como partilha de conhecimentos pelos seus utilizadores de forma irrestrita e sempre disponível) dos utilizadores do BTUGA estavam a perturbar. ( o BTUGA tinha um fórum de troca de experiências dos utilizadores que faziam tutoriais de programas – feitos de forma a conseguir-se perceber como usar algum software. Tutoriais gratuitos.

É este acesso a conhecimento e troca de experiências que é também atacado. A fonte de conhecimento que dai derivava para as pessoas – gratuita e bem feita – era uma ameaça incrível para o sistema social/económico absurdo que temos instalado nesta coisa chamada Portugal ( no mundo?).

Verdadeiro crime 3: O BTUGA estava a ajudar pessoas que não tinham conhecimentos profundos de informática.

Estes são os tais “recursos intangíveis”. Sabia-se que indo ali se encontrava a informação necessária o que tornava esta plataforma temível para todas as outras.

Exemplo comum: uma pessoa tem um particular vírus no computador; indo ali beneficiava da informação existente para o remover eficazmente, dentro da enorme base de utilizadores sempre dispostos a dar alguma ideia que ajudasse a resolver o problema

Os tais recursos que estavam na cabeça dos utilizadores do BTUGA; o espaço mental conquistado pela comunidade.

Acresce a isso o investimento feito pelo Sr Ferreira na época: a compra de dois servidores novos e mais potentes. Possuia «Mindspace » ocupado, e «Shelfspace» ocupado.

Era um concorrente extremamente perigoso para a industria tradicional mas não só. Mesmo ao nível político da questão; não se deve permitir; num país moralmente corrupto; que um rapazola vindo do nada “invente” uma nova industria ou serviço seja ele qual for e ainda por cima útil e tendencialmente gratuito.

Verdadeiro crime 4: O BTUGA ocupar espaço mental na cabeça dos seus utilizadores, “expulsando” da cabeça dos seus membros todas as outras estruturas privadas gordurosas e ineficientes que lucram tremendamente por conta da ideia dos direitos de autor.

Ingenuamente e inadvertidamente, O Sr Ferreira atacou, sem ter percebido sequer que o estava a fazer, a vantagem sustentável de «Mindspace/Shelfspace» das grandes empresas do sector cá em Portugal.

E de muitos artistas que recusam serem “comparados”antes de o CD ou o que seja saia cá para fora. Se o público percebe que não vale nada, não vai comprar, depois de ter passado pelo P2P. É também por receio de avaliação que os artistas consagrados recusam o P2P.

Verdadeiro crime 5: O p2p (Btuga) mostrar antes de tempo a face dos consagrados.

Funcionando desta maneira, sem o perceber, o Sr Luís Ferreira originou o seguinte problema: mesmo que estas “entidades” « legais» optassem – de repente – por irem para o P2P directamente, já teriam que estar a concorrer com um P2P muito forte e implementado no “mercado”( o BTUGA) ; e, com experiência adquirida, base de dados de clientes habituados, a terem hábitos de frequência deste P2P e, paralelamente a tudo isso; com mais 5 ou 6 outros P2P que também ocupavam espaço de mercado.

Provavelmente a ideia seria mesmo lançar, afastando um concorrente; serviços pagos P2P. Usou-se a táctica administrativa em vez disso.

Verdadeiro crime 6: O BTUGA desinflacionava e ocupava “espaço”; aquilo que as «entidades» … sérias … arrotam pela comunicação social como sendo copyright.

Porquê? Porque o verdadeiro motivo não é (era) o copyright e suas eventuais violações mas sim a luta pela ocupação de espaço mental – no «mercado».

  1. O BTUGA não levou muito tempo a construir;
  2. não estava a ser finito, como o descreve o texto que cito lá em cima; antes a ser expansionista;
  3. e a funcionar ainda por cima com “convites” feitos por membros já existentes a novas pessoas para lá entrar.

O “utilizador” era dotado de poder de escolha e de funcionamento autónomo próprio. De benefícios pessoais por ser membro de uma comunidade e era o utilizador que escolhia a quem dar convites para entrarem novos membros.

Em quantos serviços ou produtos é um utilizador/consumidor dotado desta possibilidade de decisão?

Verdadeiro crime 7: O BTUGA dava “Poder” aos seus utilizadores. O sistema tradicional recusa “Poder” aos utilizadores/consumidores.

Paralelamente a isto, o BTUGA estava a ser de “soma nula”.

O mercado estava a ser reduzido para outros – os medíocres institucionais. A soma zero deste jogo estava a significar mais para o BTUGA e menos para os institucionais. Precisamente pelo que o texto azulado menciona.

  • A capacidade mental do utilizador/consumidor é limitada.

Não temos memória nem tempo para procurar muitas coisas. Ali elas existiam todas e disponíveis.

Verdadeiro crime 8: O Btuga possibilitava tudo num só sitio, acessível a todos, uma democracia real, mesmo que um pouco anárquica, mas real.

  • O BTUGA “dominava as prateleiras do supermercado”.

Como poderiam as editoras institucionais lançar um serviço pago, digamos 10 euros por mês com downloads ilimitados, se, hipoteticamente, coexiste no mesmo mercado delas um serviço melhor que não é pago, numa comunidade auto organizada de utilizadores que funcionam sem controlo e de forma democrática?

Epilogo:

BTUGA-BTNEXT

Retirado DESTE SÍTIO

O sítio que se chama BTNEXT encontra-se AQUI

Verifica-se que a polícia, a ASAE e o Governo gastaram alegremente tempo, recursos, dinheiro de impostos a chatear a vida de uma pessoa, para servirem interesses privados minoritários sem que esta pessoa seja culpada de nada, apenas para que, dois meses depois, estar a funcionar, de novo um serviço em tudo semelhante.

Alguma análise custo benefício foi feita disto?

Está tudo exactamente na mesma excepto que o senhor Ferreira respondeu à acção em Tribunal, e viu os seus servidores serem-lhe apreendidos.

Disclaimer: não conheço o Sr Luís Ferreira. Nunca falei com ele. O texto foi escrito apenas como utilizador do Btuga.

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Written by dissidentex

01/03/2008 às 8:32

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