DISSIDENTE-X

JOGOS DE PALAVRAS POLÍTICOS.

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Um assassino profissional dispara uma arma.

A bala que dela sai atinge o seu alvo pré-destinado.

Pode-se fazer a pergunta: a bala que atinge a vitima é de esquerda ou de direita?

Nos últimos 3 anos, pelo menos descobrimos algumas coisas novas. Um novo jogo de palavras que é feito pelos políticos portugueses tem acontecido de forma mais definida. Chama-se “Liberalismo de Esquerda”, também conhecido por “Esquerda Moderna”.

Com a inevitável passagem do tempo, descobriremos, extasiados, e acaso a doutrina se desenvolva de forma sociológica e harmoniosa que isto é tudo normal e que, historicamente ( ser-nos-à assegurado isso) até já existiu o nazismo de esquerda – por oposição ao nazismo de direita.

Ou que até já existiu o fascismo de direita por oposição ao fascismo de esquerda.

Contorcendo mais e mais as palavras, provavelmente, viremos a descobrir que existiu um regime Cambodjano “Khmer Rouge” de direita e o regime Cambodjano”Khmer Rouge” de esquerda.

Embora “rouge” seja um sinónimo de “vermelho” e de vermelho no sentido de esquerda comunista/maoísta.

Ambos os regimes Khmer, o de esquerda e o de direita foram responsáveis por um massacre de 3 milhões de pessoas.

Algumas dessas pessoas eram mortas, apenas pelo simples facto de terem óculos.

Isso indicava que eram intelectuais, aos olhos dos dirigentes Khmers, quer os considerados da tendência esquerda moderna/liberal quer os da tendência direita moderna/liberal.

Tinham óculos, eram intelectuais, deviam ser exterminados.

Qual é a necessidade por parte dos ideólogos da esquerda ( nesta altura já começo a estar confuso para conseguir classificá-los…) de quererem esmiuçar com toda esta precisão metodológica e especificidade semiótica as palavras?

É um problema de orfandade e de infantilidade política.

Incapaz de competir com a produção de fumo intelectual e retórico da Direita neo liberal, com o discurso desta, com o discurso demagógico e simplista desta, a solução é partir para a orfandade.

Após a orfandade ser superada passa-se à comparação.

Se os “outros” usam a expressão “liberalismo” e a associam à Direita, dizendo “Liberalismo de direita” ou só “Liberalismo” então nós também a usaremos e falaremos em “Liberalismo de esquerda” para”salientar as diferenças”.

Este processo psicológico poderoso de auto convencimento permite fazer crer aos próprios que, assim, com estas novas definições, poderão lutar melhor e mais eficazmente, diria mesmo, até ideologicamente, contra a Direita neo Liberal.

Tenho que dar a mão à palmatoria.

Quem criou esta “nova ciência de fumo ” chamada Liberalismo de esquerda” ou “Esquerda Moderna” é um conjunto já razoável de excelentes ilusionistas e prestidigitadores.

Atrever-me-ia mesmo a dizer “Magos do hipnotismo político virtual”.

Quando este produto mostrar as suas insuficiências, especialmente porque é um produto inexistente, existirá sempre um novo segmento de mercado político a explorar.

Especulativamente direi que o “liberalismo de esquerda” corre sérios riscos de ser transformado numa nova fase conceptual de retórica política: a “inteligência emocional de esquerda”.

Desta, um novo Uppgrade tecnológico/retórico conceptual poderá advir daí: “a libertação do feminino escondido na pessoa de esquerda”.

Caso a pessoa de esquerda seja um homem.

Se for uma mulher será ” libertação do masculino escondido na mulher de esquerda”.

Enfim ……. meros jogos de palavras para esconderem o que efectivamente acontece.

Uma prática e um discurso neo liberal. Privatizações sistemáticas. Impostos elevados.

Antes (ou será depois?! que isto já começa a ser difícil cronologicamente de definir…) já tivemos a celebre “Terceira Via” ( que evoluiu para o Liberalismo de esquerda, etc…)

Nota de término: o grupo humorista “gato fedorento”, tinha um sketch assassino na sua série Lopes da Silva.

Num dos sketches existia um candidato político; chamado Doutor “Lopes da silva”.

Gongórico e pretensioso está num comício a falar às massas. Não diz nada de relevante. Mas a multidão entusiasmada acaba – com os gritos que dá de apoio – por não o deixar falar.

Após pedidos insistentes para o deixarem falar a multidão apenas repete a última palavra que ele disse, até que ele inicia uma frase dizendo – NADA.

A multidão interrompe-o, de novo, e grita incessantemente – NADA.

O candidato perante a impossibilidade de continuar junta-se a eles e grita – NADA.

Após isto, no fim do sketch, um transeunte vê numa rua um cartaz de propaganda eleitoral do candidato “Lopes da silva” com o seguinte slogan “NADA PARA PORTUGAL”.

Será este “Nada para Portugal”, de esquerda Liberal ou de direita Liberal”? Alguém sabe?

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Written by dissidentex

21/03/2008 às 14:50

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