DISSIDENTE-X

Archive for Abril 2008

UTOPIA.

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Existem dois sentidos ( “oficiais”) de utopia.

(1) Um é a noção de sociedade como sendo uma “sociedade perfeita” – a harmonia perfeita.

Precisamente, pela existência (fictícia) dessa característica de perfeição, desejamos e sonhamos alcança-la. Quer individualmente, quer numa outra dimensão – a colectiva.

O mundo é visto como algo cheio de harmonia e beleza que deverá ser desejado ser alcançado por todos; mesmo que tal seja impossível mas ao qual, na mesma, tentaremos chegar.

Esta noção era “próxima” da utopia comunista.

(2) Outra noção é a utopia capitalista.

A utopia capitalista é uma tentativa de superação pela oferta de um “produto” novo que é apresentado como superação da utopia da sociedade perfeita.

Para se superar uma utopia perfeita baseada numa sociedade harmoniosa que falhou é necessário nesta nova utopia capitalista que “existam” desejos não satisfeitos. Como estão no estado de, “não satisfeitos”, esta Utopia irá encarregar-se de os satisfazer. Esses desejos tem de ser e são apresentados como “estando numa dimensão dos desejos perversos e proibidos.”

Enquanto cidadãos, organizados tendencialmente de forma gregária, todos nós somos não só encorajados a desejar satisfazer esses desejos “perversos e proibidos”, como somos colocados sob uma espécie de ditadura que nos comanda visando fazer-nos aceitar que existe uma “ética correcta”( um comportamento aceitável) para satisfazer esses desejos perversos e proibidos e que essa é a única conduta aceitável e possível para sermos guiados para a satisfação desses desejos.

Somos ensinados a desejar e a desejar satisfazer o que somos ensinados a desejar.

Nenhuma das duas dimensões é a verdadeira utopia. Nenhuma delas é o conceito verdadeiro de Utopia.

HORIZONTE UTÓPICOA verdadeira utopia apresenta-se-nos quando uma situação é impossível de resolver dentro do que são as delimitações possíveis existentes e que conhecemos (é do nosso conhecimento) para a podermos resolver.

Escrito de outra maneira, os dados de um problema que são colocados ao nosso dispor para resolver algo ou alguma situação apresentam-se e mostram-nos que isso é uma uma real impossibilidade.

Tomando nós consciência disso, o nosso pensamento avança até à utopia, a verdadeira. ( Não para a “sociedade harmoniosa”, ou para a “sociedade de desejos perversos e proibidos programados”)

(Imagem retirada daqui)

Essa utopia verdadeira é algo que nos força a tentar criar um novo espaço ( mental ou físico) para lidarmos e resolvermos um qualquer problema utópico e difícil de resolver.

Essa utopia verdadeira não nos diz que existe um mundo perfeito e harmonioso onde tudo corre bem.

E também não nos diz que existe um mundo de desejos proibidos que eliminaremos ou alcançaremos pela simples aquisição de bens apresentados como proibidos ou perversos.

Do ponto de vista político, social, económico é da “utopia verdadeira” que precisamos hoje. Um novo espaço, a criação e materialização de um novo espaço. Que transcenda as falsas utopias.

♦ Ter os pés assentes na terra. Olhar a realidade. Perceber como mudá-la através de acções simples mas eficazes.

A “sociedade perfeita e ordenada”, nos dias de hoje, defendida de uma certa forma argumentativa, nada mais é do que um apelo ao totalitarismo (agora já não o “comunismo” mas apresentando alguns traços dele…).

O “capitalismo”, a “economia de mercado”, a “nova economia”, a “sociedade digitalizada”, a “2.0 qualquer coisa e os outros duzentos mil slogans do mesmo estilo com que somos constantemente atacados, nada mais são do que “novos argumentos de venda”, novos truques de mercado da utopia capitalista, da utopia dos desejos pretensamente proibidos e perversos, que deveremos satisfazer e desejar satisfazer.

Daí a falha. Após satisfazermos a(s) falsa(s) utopia(s), sobrevem sempre a sensação de vazio. O problema mantém-se.

Written by dissidentex

30/04/2008 at 12:28

A CULPA.

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Chegamos à situação em que nos fazem sentir culpados para que nos vejamos obrigados a sentir-mo-nos na obrigação de pagarmos as dívidas deles e da gerações anteriores, e das posteriores e dos erros deles actuais e futuros e pensados e sonhados”
– Gostava de perceber porque é que os portugueses são especialmente vulneráveis a esta culpabilização, a este assumir de um fardo que não é seu e não se viram para uma verdadeira criação de si, confiante e alegre.
“especialmente vulneráveis a esta culpabilização…”

À propósito desta caixa de comentários

Historicamente, porque é um país com “tradição” nessa área de especialização. Festivais de angústia e sonatas de desespero sempre fizeram parte do caldo de cultura português.

Influência da Igreja católica. Uma religião onde a culpa é sempre omnipresente.

Evolução histórica do país e uma tendência 8/80.

Mas com o peso da história pode-se bem.

——

Após 25 de Abril de 1974, tal aconteceu porque (tem acontecido) a auto nomeada “esquerda” vendeu este discurso desde imediatamente a seguir ao 25 de Abril de 1974. *

Embora com algumas nuances que penso que sucederam. A lógica foi sempre muito simples.
Antes (Salazar) existia o mal absoluto ( o que era verdade…).

Mas depois, os”democratas” trouxeram a luz, o Sol, a liberdade, a democracia, etc e tal e restante parafernália argumentativa.

Aqui importa fazer um pequeno desvio deste tema e da culpa:

A “técnica” usada consistiu em afirmar-se que, com o advento da liberdade e da democracia, etc e tal, por obra e graça divina de uma santo qualquer, o país se iria desenvolver automaticamente, toda a gente recitaria Kant e Hegel ao pequeno almoço sabendo o que significavam ambos, e tudo estaria bem, e o país recuperaria a sua grandeza no concerto das nações.

Os portugueses seriam os mais erectos da Europa e arredores.

No entanto é óbvio e salta imediatamente à vista desarmada, que qualquer planificação estratégica para fomentar o desenvolvimento ( atenção que estou a dizer desenvolvimento, não crescimento, que são duas coisas diferentes) nunca foi feita.

Quando e se alguém, independentemente da sua filiação política, ideológica ou outra questionava isto – este pseudo modelo de desenvolvimento – a partir daí avançava-se para a técnica da culpabilização das pessoas.

Estas novas pessoas culpabilizadas seriam então colocadas numa nova categoria, seriam lançadas no mais vil óprobio possível, em que toda a carga negativa lhes seria associada vinda do antigamente: a de fascistas ou saudosistas do antes, ou pessoas de extrema direita, ou de extrema esquerda, ou radicais ou o que seja que fosse conveniente no momento para alcunhar as pessoas.

E as pessoas, os cidadãos, crentes na sua maior parte em quem julgavam e achavam que os tinha salvo e a cima de tudo a confiarem na “protecção”, naquilo que julgam ser a protecção que retirariam dessas pessoas deixaram-se levar pelo discurso da culpa.

Discurso esse que vinha, como memória próxima, do Salazarismo, e que os democratas de esquerda e de direita, nunca combateram em tempo algum e situação alguma. **

Ou seja, os democratas de esquerda e os de direita, sabedores de que poderiam vir a precisar de explorar essa “fragilidade” que tinha sido sempre produzida quer historicamente, no passado distante, quer no passado recente, isto é, no Salazarismo, em vez de fazerem um corte radical com esses métodos, usaram-nos.

É por isso que esta “ilusão” se mantém. E a “culpa”, como factor de formação profissional e pessoal continua alegremente a ser explorada com todos os requintes e de todas as formas pela suposta classe e elite dirigente.

Precisam dessa predisposição latente nas pessoas, nos portugueses para existirem e parecerem alternativas.

Este “jogo” de culpas e de jogar com as culpas, foi feito quer pela esquerda, quer pela direita políticas.

Na direita percebe-se que o tenham feito, porque, até 1985, nunca aceitaram o jogo democrático de eleições ( excepção aSá Carneiro, mas esse era outra louça…), porque não as ganhavam.

Fim do desvio

Técnicas de culpa – alguns exemplos.

1.

– Vamos alterar as condições laborais para nos aproximarmos do modelo laboral chinês?
– Não, não queremos!

Se os senhores não querem é porque não são de esquerda, são fascistas.

2.

– Vamos impor gravações de dados pessoais e câmaras de vigilância por todo o país, para combater o terrorismo?
– Não, não queremos!

Se os senhores não querem é porque fazem parte da esquerda sectária e anti democrática, anti americana que põe em causa o 25 de Abril de 1974 e gostaria de viver em Cuba.

3.

– Vamos meter o país na Europa à força, não perguntando a ninguém a opinião?

– Não, não queremos!

Se os senhores não querem a Europa, é porque são perigosos nacionalistas de extrema direita e tem a culpa de quererem atrasar o desenvolvimento português que nos foi trazido pela Europa, querendo instituir a ditadura.

É assim e milhares de outros exemplos como este se poderiam dar e que ilustram como as coisas se passam.
Chantagem permanente apoiada em poderosos meios de comunicação social, por sua vez apoiada numa mensagem totalitária de demonização do outro, de constante comparação com o antigamente para
dessa forma,
não resolver os problemas do presente, e para nos condicionar a (quase) todos em nome de uma pseudo esquerda que nos defende; aceitarmos viver numa situação de semi escravos. (Isto é válido também para a maior parte da direita portuguesa…)

É precisamente por este tipo de razões e pela culpa adjacente a elas que nunca se governou bem neste país.

As motivações.

Nunca se tendo governado bem neste país foi necessário deixar viver o partido comunista português.

Acaso se tivesse governado bem ou existisse esse objectivo, as pessoas, os cidadãos, deixariam automaticamente de considerar ser necessário votar no PCP.

Mas não. Como é necessário fomentar – sempre – esta “culpa” latente as coisas são o que são e é necessário que as pessoas se sintam devedoras destes magníficos heróis.

Toda a busca de um herói deve começar com algo que um herói requere: um vilão.

Para existir vilão, deve existir medo nos que serão as potenciais vitimas do vilão auto designado para o efeito.

Se existe um vilão, e as correspondentes vitimas nomeadas para tal, não sentem medo, é necessário instilar-lhes culpa, para que sintam medo.

Estes são os métodos das ditaduras normais e comuns. **

E são os métodos da democracia portuguesa que sempre precisou dos vilões e da culpa a eles associada e da culpa feita sentir a quem não se junta aos “democratas” para lutar contra os vilões.

Essa culpa foi sempre “trabalhada”.

Cito Adolfo Casais Monteiro, nos anos 50:

Pré 25 de Abril de 1974

Página 46.

” Infelizmente, eu não consigo esquecer- eu que tão pobre memória tenho! – as palavras há muitos anos proferidas por um outro alto dignitário da Igreja, o cónego Correia Pinto. Pois disse ele (e não há notícia de que a igreja tivesse condenado as suas declarações) que a humanidade futura seria constituida por «ricos generosos e pobres agradecidos»…”

“…E isto mostra que a responsabilidade da Igreja na instauração do Estado Novo não foi um acidente, mas correspondeu a uma «política» por ela seguida ao longo de muito anos.

——-

“Tinha eu 18 anos incompletos quando a ditadura se instalou no poder…”

“… Eu tinha grandes discussões com o dono de uma banca, um dos mais activos propagandistas do partido.

Nem ele deixou de o ser, nem eu me «converti». Éramos todos sobretudo adversários dos broncos militares reaccionários, que se tinham apoderado do poder com a conivência tácita de uma grande parte dos políticos, sem terem que disparar um tiro.

Não se falava ainda no »perigo comunista», mas só no perigo que seria a permanência da ditadura.

Conto isto para lembrar que a arma psicológica chamada «anti comunismo » só viria a surgir por obra e graça da própria ditadura, e que não exprimia qualquer problema real da vida política portuguesa.

Embora ilegal, o comunismo não era visto por nós, jovens liberais” … “como um inimigo.”

Página 84

“… Discussão política propriamente não havia. Pelo seu lado, a confusão intencionalmente criada pelos porta vozes intelectuais ( ? ) do governo sobre as tendências de esquerda, todas englobadas sob a cómoda designação de bolchevistas, incluindo as liberais, não podia deixar de criar uma tácita solidariedade entre as vitimas, por mais violentamente se degladiassem – nas prisões por exemplo, numa das quais estive dois meses sem falar ao único companheiro de cela, que era um Estalinista ferrenho e tacanho…

Pagina 85

…Mas acresce também que só falsos oposicionistas poderiam ir na onda do »anti comunismo» artificialmente insuflado pela política e pela imprensa oficial.

E nem vou citar mais:

Disclamer: isto não significa qualquer apoio ao partido comunista da minha parte.

O ponto é outro: é necessária esta culpa de tamanho gigante e estes “inimigos úteis” ( o partido comunista serve como serve o bloco de esquerda…como serve a associação recreativa da Pontinha e Alfornelos caso exista.

O ponto é que se demonstra que os “democratas” utilizam a culpa como arma de arremesso, tal e qual a ditadura o fazia.

O que leva a seguinte questão: acreditam mesmo estas pessoas na democracia?

NOTA: Já agora esclareça-se: o texto de Adolfo Casais Monteiro é escrito, nos anos 50, mas reporta a acontecimentos passados em 1926.

NOTA: nada, mas absolutamente nada do que se está a passar neste país é novo ou original.

VAMPIROS

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Chegamos à situação em que temos que dizer que estamos fartos deles.

Chegamos à situação em que estamos fartos de que alguns deles, outros deles, quase todos eles nos tentam fazer sentir culpados.

Chegamos à situação em que nos fazem sentir culpados para que nos vejamos obrigados a sentir-mo-nos na obrigação de pagarmos as dívidas deles e da gerações anteriores, e das posteriores e dos erros deles actuais e futuros e pensados e sonhados.

Chegamos à situação em que já estamos todos absolutamente fartos de sermos usados como material dos sonhos dementes de outros, quer os outros tenham sido combatentes nos seus próprios sonhos, contra uma determinada situação, quer tenham sido efectivamente as vitimas dessa situação.

Esta culpa induzida, que apenas serve para perpetuar o poder destes, de que estamos fartos, não se deve carregar, porque apenas permite que se aproveitem de nós e da nossa confiança para nos trair.

Chegamos à situação em que estamos fartos dos vampiros, dos oportunistas, dos incompetentes, que apenas vivem, existem e vegetam na sua mediocridade, alimentando-se de nos tentarem fazer sentir culpa, sempre culpa, enquanto nos espetam a toda o segundo, a toda a hora, todos os dias, facas nas costas.

Chegamos à situação em que estamos fartos dos vampiros que apenas se sentem felizes por nos fazerem sentir culpados por não os apoiarmos naquilo que julgam ser a sua grande obra.

Imagem e post “we have kaos in the garden

AZEDUME E AMARGURA.

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A PROIBIÇÃO.

Em Portugal é proibido ter azedume.
Em Portugal é proibido ter amargura.

É proibido tudo isto especialmente em duas situações.
Na primeira situação foi prometido a duas gerações de portugueses que eles não mais iriam ter azedume e amargura, se apoiassem uma revolução que mudou o país de um sistema político totalitário, para outro sistema político que se chama de… democrático. Não podem portanto sentir azedume e amargura.

Na segunda situação também é proibido ter azedume ou amargura quando um dos partidos que ajudou a mudar o país para outro sistema político que se chama democrático, ganha as eleições. E forma governo.

Em ambas as situações as pessoas que sentem azedume, ou amargura, ou desagrado profundo pelo estado das coisas e o manifestam, são apelidadas de “inimigos da liberdade”; ou” fascistas”, ou “intolerantes”.

Se o outro partido que também concorre às eleições, mas não ajudou a mudar o país, ganhar eleições, o azedume e a amargura devem ser livremente expressas pela generalidade dos cidadãos.
É, até, um dever patriótico.

O MECANISMO.

Existe um mecanismo rígido de divida e de gratidão presente na sociedade portuguesa.
Chama-se a “divida do eterno agradecimento”
Manifesta-se da seguinte forma.

Devemos estar eternamente agradecidos porque um conjunto de pessoas ajudou a fazer uma revolução; que criou um sistema político e social que está a levar o país para um completo beco sem saída.
Essas pessoas estão isentas de critica. Consideram-se isentas de critica. Existe um elemento místico, quase de cariz religioso nesta crença.
Com religiões não se discute. É a palavra de Deus.

Não admitem sequer a hipótese, tal é aquilo que julgam ser a grandeza da sua obra, que possam existir pessoas que estão insatisfeitas pelo estado das coisas.
Que essas pessoas “ingratas” sintam azedume. Ou amargura.

As pessoas que mudaram um sistema para criarem outro a que chamam democracia fizeram-no, dizem, para implementar a liberdade.
Mas esta nova liberdade tem limites.

O novo “cidadão democrático” é obrigado, em relação aos seus sentimentos pessoais, ou outros, a não ter azedume, nem sentir amargura.
É proibido por lei ter azedume.
É proibido por lei ter amargura.

O cidadão democrático está proibido de ter pensamentos impuros e de divulga-los, isto é, não pode sentir azedume e amargura, nem em publico nem em privado.

O PAGAMENTO.

O pagamento da divida é feito de duas maneiras.

Através da “não critica”, e através da gratidão eterna.
Mais os efeitos secundários.
Não ser autorizado a sentir azedume ou amargura.

EM NOME DA LIBERDADE.

Em nome da liberdade, as livres pessoas que foram libertadas da opressão de um sistema autocrático, são de forma livre, proibidas de sentir azedume e amargura; agora que se vive num regime a que se dá o nome de democrático.

Caso sintam azedume e amargura, pelo estado das coisas, deverão ser reeducadas e forçadas a admitir que são felizes e bem dispostas.

Mesmo que só sintam azedume e amargura.

Estranha liberdade esta que comanda toda a gente a ser feliz.

E a não sentir azedume e amargura.

25 DE ABRIL DE 1974. 34 anos de nada.

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A primeira virtude de um povo que quer modificar o seu destino deve ser conhecer-se, para ser capaz de se modificar, e poder modificar as condições de vida que lhe impedem a conquista da autonomia política.”

” Como se definiu Salazar desde o primeiro momento? Como um ser superior que se digna a descer ao nível dos míseros humanos para os fazer beneficiar das suas luzes. É assim que ele se vê, e de acordo com isso procede. E, desde que desceu à terra, ele foi o professor caracteristicamente coimbrão: indiscutível. A sua palavra é «revelação». Por isso ele nunca foi capaz de resolver qualquer problema limitando-se a eliminá-los.”

25 DE ABRIL 74 - 34 ANOS DE NADA

“Que lição podemos tirar daqui, senão esta:que só apoiam realmente o regime aquelas forças que nunca apareceriam na cena política…mas estiveram sempre por detrás dela? Essas forças que beneficiaram com o chamado corporativismo, traduzido do italiano: aquelas forças que, no campo económico e financeiro, engordam enquanto o povo emagrece: o alto capital, a finança internacional. A igreja e o exército foram os seus instrumentos.”

Adolfo Casais Monteiro. Anos 60.

34 anos anos passados sobre uma espécie de revolução que tudo mudou para quase tudo ficar na mesma, é arrepiante, frustrante e abismal ler o que uma pessoa lúcida escreveu sobre Portugal.

A experiência, a frio, à maneira do gelo que queima, de fazer um exercício comparativo, com a péssima e nojenta realidade actual; faz perceber que apenas fomos todos enganados.

Temos 34 anos de uma pseudo democracia totalmente falhada.

Uma farsa medíocre interpretada, por chantagistas de almas e vampiros cobradores da eterna divida de gratidão, apenas vocacionados para serem parasitas e proxenetas.

Incapazes de resolver problemas, tal qual Salazar, apenas os eliminam, utilizando a chantagem e a intimidação com os cidadãos, insinuando ou afirmando que quem não gosta do 25 de Abril não é democrata.

Os métodos do Salazarismo ainda são usados.

Todos tem a obrigação de serem felizes à força, de viverem satisfeitos com esta grandiosa porcaria criada; e, quem não o faça apenas será um herege e considerado como estando a defender o antigo regime.

Gostaria de explicar que não defendo o antigo regime, mas estou farto do actual.

Não aceito ser chantageado. Menos ainda por sucedâneos do Conde Andeiro.

Não comemoro este dia.

Não apoio incompetentes encharcados do mais puro sentimento maléfico que se possa conceber; que apenas trabalham para impedir a modificação das condições de vida que impedem a conquista da autonomia política, por parte dos cidadãos deste país, como diria Adolfo Casais Monteiro.

Apenas sinto um virulento e descontrolado sentimento de desprezo por estes canalhas.

Morram. Desapareçam. Extingam-se.

Passaram 34 anos de quê, afinal?

Comemora-se o quê?

Quais é que são as razões para comemorar?

Deverei comemorar os benefícios de alguns por contraponto às dificuldades de todos os outros?

GLOBALIZAÇÃO E CENÁRIOS PARA PORTUGAL.

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Hoje é dia 23 de Abril de 2008. Vai ser ratificada a constituição europeia que não se chama constituição e que vai alterar, para sempre, a natureza de ser dos Estados europeus.

No dia 29 de Maio de 2006, aconteceu uma edição do programa de suposto debate “Prós e Contras”. Aparentemente discutiu-se os caminhos que Portugal iria, eventualmente seguir, no futuro.

Várias dimensões e questões se colocaram. Ou o país fica fechado sobre si mesmo, ou fica aberto e integrado dentro de uma região como a Europa. Ou fica integrado na Europa, mas com algum proteccionismo interno ou não, etc.

Ou Portugal deverá poder ou não poder escolher diferentes (ter capacidade de escolha) estatutos estratégicos, ou conseguirá escolher diferentes estatutos estratégicos. Ou a “elite” portuguesa quererá escolher estatutos estratégicos. Ou terá interesse nisso.

Blog Macroscópio, 30 de Maio de 2006 – uma análise a esta questão. 4 cenários apresentados relativamente à qual é a posição relativa e absoluta de portugal no que toca á Globalização e questões conexas.

Os 4 modelos provém da tese de doutoramento do autor do blog. São hipóteses teóricas de cariz técnico baseadas no planeamento por cenários. É indicada a fonte (o post) e é indicada a obra original, na transcrição. Em baixo, transcrição do 4 cenários teóricos:

QUATRO CENÁRIOS DE PORTUGAL EM CONTEXTO DE GLOBALISMO PORTUGAL GLOBALIZANTE.

Cenário 1

FUNÇÃO EUROPEIA GLOBALIZANTE E UM PORTUGAL PRÓSPERO (AUTÓNOMO)

Isto corresponde a um cenário idílico que só tem lugar em sonho

Cenário 2

PORTUGAL GLOBALIZADO DENTRO DUMA FUNÇÃO EUROPEIA COM UMA FUNÇÃO DELEGADA (subordinação do País e da Europa ao mundo)

Cenário 3

PORTUGAL GLOBALIZADO E FORTEMENTE DEPENDENTE. RESULTADO: INTEGRAÇÃO NA PENÍNSULA IBÉRICA SOB COMANDO POLÍTICO DO REINO DE ESPANHA (COM GRANDE DUALIZAÇÃO SOCIAL)

Cenário 4

PORTUGAL GLOBALIZADO DE TIPO REGRESSIVO, ISOLADO E AUTO-DESTRUTIVO E INVIÁVEL COMO PROJECTO NACIONAL. É O BLOQUEAMENTO INTERNO E PERDA DE IDENTIDADE. CONSEQUÊNCIA: DISSSOLUÇÃO DE PORTUGAL E SUA INTEGRAÇÃO EM ESPANHA COMENTÁRIO DAQUELES 4 CENÁRIOS QUE SE COLOCAM A PORTUGAL:

O 1º cenário corresponde ao estatuto de Portugal globalizante e representa uma posição estratégica (de tipo-ideal), mas não corresponde à sua realidade económica e social nem coincide com a sua dimensão política. A verificar-se este estatuto significaria que Portugal disporia das condições gerais de viabilidade e sustentabilidade dos seus próprios projectos de modernização e desenvolvimento, independentemente da posição estratégica da União Europeia.

O 2º cenário estratégico de Portugal é mais realista com as condições de viabilidade e sustentabilidade do país: o cenário de Portugal globalizado. Pondo de lado a função europeia de Portugal, cometendo à cultura lusíada um papel verdadeiramente grandioso que a nação não pode assumir, o país teria uma função europeia “delegada” onde se procurariam fazer uma de duas coisas, ou ambas: continuar a afirmar a posição da UE no mundo e, para compensar a dependência de Portugal neste cenário estratégico, estabelecer redes de associação em ordem a reunir os recursos e as vontades necessárias para o desenvolvimento das estratégias do país.Este caminho passaria, naturalmente,pela intensificação dos laços de cooperação com os PALOPs. Coisa que hoje não existe ou só está materializada em aspectos empresário pontuais, sem expressão permanente ou estrutural na relação Portugaç-África – que deveria ser um dos pilares da sua política externa.

O 3º cenário inscreve Portugal numa situação de grande dependência face à envolvente, designada de globalização competitiva. Esta configuração toma como ponto de partida o verdadeiro estatuto estratégico de Portugal presentemente. Correspondente a um papel limitado ao espaço europeu, mas sem qualquer protagonismo ou vocação globalizante (excepto na língua, embora até aí o papel maior cabe – ironicamente – à “ex-colónia” – o Brasil) e fortemente dependente do sucesso (pleno) da sua integração europeia e dos Quadros Comunitários de Apoio (QCA) na sociedade nacional sem os quais não se efectivaria a modernização desejada.

Vistas assim as relações entre a política e a geografia, entre Portugal e o mundo – como se do Espírito das Leis de Montesquieu se tratasse, a localização periférica de Portugal no contexto europeu significa que o país perdeu capacidade de iniciativa (por falta de recursos, dimensão política e escala económica) e depende profundamente dos projectos (e dos recursos) de modernização europeia para viabilizar as suas próprias condições de modernização e desenvolvimento.Logo, se a Europa não cresce Portugal fica bloqueado – como, de resto, se encontra há quase meia dúzia de anos.

– Se, porventura, a Europa se fechasse ao mundo (neste 3º cenário de Portugal fortemente dependente e vulnerável) e aparecesse como uma configuração fragmentada, aí o cenário ainda seria pior para Portugal. Emergia um país a duas velocidades, dual do ponto de vista social e repleto de clivagens entre as classes muitos ricas e as classes muito pobres (pelo efeito de ausência da classe média).

– Naturalmente, o que é válido para Portugal em termos de cenarização das condições de modernização e desenvolvimento por efeito do contexto de globalização competitiva, também se aplica às outras sociedades europeias, embora estes desafios se coloquem com maior acuidade a Portugal por causa das suas condições geográficas, de recursos e de pobreza e de atraso estrutural crónico relativamente aos demais países da Europa com quem hoje nos queremos (estatísticamente) comparar. O mesmo é dizer que a sua periferização dificulta a sua consequente integração nas redes europeias de que dependem os níveis de modernização (continuados) indispensáveis ao progresso das sociedades. Talvez por isto, meia dose de ironia, o TGV custe tanto a levantar vôo ou a OTA ainda não tenha entrado nos carris. Razão tem Belmiro de Azevedo quando diz que não se preocupa com estes dois abcessos porque tem confiança que os portrugueses já se tenham esquecido deles. Os tugas agora querem é bola, e com a ajuda de Marcelo no fute-comentário ainda melhor.

O 4º cenário – é o mais pessimista para a economia e sociedade nacionais. Ou seja, configura um estatuto estratégico em que Portugal apareceria (ou aparece) numa situação altamente globalizada e regressiva. Naturalmente, este cenário configura a pior situação possível para o país. Significaria que a comunidade nacional, agora numa posição de fatalismo e descrença, encontado aos 3Fs – (Fado, Futebol e Fátima) não conseguiria apenas acompanhar os níveis mínimos de modernização soprados pelos ventos da Europa, como também a identidade política, teria perdido toda a capacidade de iniciativa política ficando, neste caso, absolutamente dependente dos inputs vindos do exterior.

– Chamaria a este cenário – o cenário Mr. Maggo, ou seja, o cenário Medina Carreira que, aliás, como disse, é o único advogado a fazer as contas ao país e cuja apreciação estrutural – em termos de diagnóstico – me parece sábia e realista. Portanto, não creio, como referi, que Mr. Magoo – e até é afectuosamente que assim o designamos, esteja a levantar labaredas para que Sócrates lhe dê um tacho. E quem diz um tacho diz uma panela ou a presidência duma qualquer Comissão de Avaliação daquilo que todos nós já sabemos: o Estado está gordo e banhudo, cheio de adiposidades, não consegue correr.

– Perante esta situação regressiva, Portugal não teria qualquer contributo a dar à Europa, mesmo que esta se abrisse ao mundo e aí mantivesse uma posição relevante. O país seria automaticamente “engolido” pelas redes ibéricas tornando-se uma mera província da Península. E no caso ainda mais problemático de a Europa se fechar e fragmentar ao mundo, mantendo um estatuto de Europa-fortaleza, Portugal ficaria totalmente bloqueado restando-lhe a autodestruição da sua própria identidade nacional.

– Conclusão: temos de reinventar Portugal.

Notas: esta cenarização foi extraída da n/ tese de doutor/ denominada – Globalização – a crise do Estado soberano?, Lisboa, ISCSP, 2004, págs. 547-554

MAPA DE TELECOMUNICAÇÕES 2000 - TELE GEOGRAPHYPor falar em “Portugal ser engolido pelas “redes Ibéricas”. Observe-se um mapa de 2000, apesar da diferença de 8 anos; onde já se pode perceber muita coisa.

É um “mapa de fluxo” de telecomunicações na Europa medido no ano de 2000. Como a progressão da aquisição de equipamentos e o aumento do número dos consumidores será mais ou menos estável entre os vários países e, apesar do esforço português, de tentar apanhar os mais desenvolvidos, reduzindo a diferença, penso que se demonstra que a diferença, já naquela altura, demonstrava muita coisa.

O autor do texto e da tese de doutoramento pensa que Portugal está no 3º cenário. A conclusão é minha.

Creio que está no quarto cenário, com os governantes portugueses e a “elite” a venderem (tentarem vender) a ideia aos portugueses que Portugal está no primeiro cenário, ou na pior das hipóteses, no segundo cenário. Notícia Expresso de 19-04-2008 – onde podemos ver uma declaração exemplificativa de cariz estúpido-político de que Portugal está no primeiro cenário, mostrada uma parte, em baixo.

Creio que está no quarto cenário aqui descrito, mas só em algunsExpresso-19-04-2008 aspectos, noutros não. Nesses outros aspectos estará ainda em pior situação e com outro tipo de nuances e problemas para resolver. (Nota: o facto de eu achar que está no 4º cenário nada tem  directamente que ver com o post do Blog Macroscópio ou deve ser entendido como crítica ao mesmo e ao autor.)

Veja-se, outra vez, por exemplo, neste simples mapa acima mostrado, o tamanho das redes de fluxo comunicacional, da Suécia, da Bélgica, da Holanda, da Finlândia, da Dinamarca.

Só para dar um pequeno exemplo. Países, sensivelmente em termos de população, da mesma dimensão (excepção à Holanda) ou menor dimensão.

No ano 2000 vê-se, claramente, que estão extraordinariamente adiantados nesta área.

Não é “normal” que estejam tão adiantados. Já nesta altura!

Isto é por acaso?

Written by dissidentex

23/04/2008 at 10:53

HIPERMERCADOS CARREFOUR NA CHINA. E O APPESEAMENT…

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SUPERMERCADOS CARREFOUR -BBC- CONQUISTA DE MERCADO-CHINA(1) No ano de 2007, notícia BBC, os hipermercados Carrefour, tiveram problemas na China. Sendo o segundo maior retalhista mundial, apenas atrás da norte americana Wall Mart, a administração do Carrefour está desejosa de encurtar a distancia para a líder. Para tal, lançaram-se, no mais absoluto neo liberalismo económico e com a maior agressividade comercial possível, sem regras de qualquer tipo.

Foram para a China.

A agressividade deles é notória, para conquistar quota de mercado na China que antecipam vir a ser o maior mercado mundial de retalho e que tem taxas de crescimento de consumo, entre 20 a 30% ao ano.

Suponho que, estrategicamente, os Chineses estarão, de algum modo, a bloquear americanos e/ou outros, para darem uma pequena vantagem ao Carrefour. Suponho.

Neste momento o Carrefour ja vai nos 100 hipermercados abertos an China. Em portugal até há pouco tempo tinham 12 Hipermercados abertos, que venderam ao Modelo- Continente. Uma das razões também se prende com a necessidade de arranjar dinheiro e financiar a expansão em mercados com estas taxas de crescimento, e potencial, enquanto que, um mercado pequeno, periférico, e saturado como o mercado português, por exemplo, não tem interesse ou é negligenciável.

Para se expandirem a esta velocidade, começaram a subornar,assim o entenderam as autoridades chinesas. Ou começaram a subornar ou foram convidados a subornar pelos altos dirigentes do partido, que, quando lhes conviesse dariam a ordem para “entalar o Carrefour” e deixar sair as notícias de que esta organização estaria sob investigação/suspeita. Apesar disso o Carrefour continua a abrir supermercados…

Em 2007, o Carrefour foi analisado pelas autoridades chinesas por suspeitas de corrupção.

SUPERMERCADOS CARREFOUR- 3 MORREM EM CORRIDA AOS SALDOS(2) Para se dar uma ideia do aumento de consumo na China, e no grau de loucura misturado com o capitalismo desenfreado, misturado ainda com o relativismo pela vida humana que acontece na China – o novo campeão dos direitos humanos designado como tal – volta-se de novo às notícias da BBC.

No dia 10 de Novembro de 2007, saiu a notícia que 3 pessoas morreram, devido a uma “corrida às promoções” num dos hipermercados Carrefour. Parece que havia óleo alimentar para cozinhar em promoção.

Nada disto perturba ninguém… suponho até que existirão defensores por aí a dizer que isto é uma situação perfeitamente normal e que até se deveria evoluir para a mesma em Portugal…alterar o código do trabalho, etc…

No entanto e como as ironias das coisas são o que são, o Carrefour continua a ser o que é e continua a fazer asneiras e a sentir na pele o que é o relativismo e a falta de princípios a fazer-se negócios. Bem como, a demonstrar como o appeseament político e económico em relação à China tem preços a pagar elevados.

Por todos nós, e não só por estas empresas e os seus accionistas gananciosos…

Isto porquê?

Morreram 3 pessoas no Carrefour de Chongking ( China), numa venda de óleo alimentar em saldo.

(3) Porque, recentemente existiram boicotes à passagem da chama olímpica por Paris, capital da França. Isto relacionado com as recentes repressões sangrentas da revolta tibetana. (A) Manifestantes chineses muito chateados pelo facto da chama olímpica e o seu trajecto terem sido recentemente boicotados na viagem até à China, começaram a protestar contra esse facto.

Escolheram o Carrefour para o fazer – um símbolo conveniente. Embora, analisando de outro modo, o Carrefour merece-o porque é uma empresa, como se comporta, absolutamente detestável, ao nível das patifarias que a wall Mart e outras do mesmo estilo faz.

CHINA- ARTISTAS CHINESES PROTESTAM COM A FRANÇAE é assim que temos uma manifestação e protestos corporizados no Carrefour ( a empresa merece-o), mas onde se está a jogar já um outro jogo, que é o jogo da acusação (B) dos meios de comunicação ocidentais serem parciais na cobertura dos acontecimentos; de (C) o Ocidente estar por detrás do separatismo tibetano.

Outras reacções incorporam o facto de artistas Chineses cancelarem uma exposição em França, como forma de protesto, pela maneira como a chama olímpica teria sido não dignificada na sua passagem por Paris.

Sem dúvida porque as autoridades chinesas estariam à espera que em países apesar de tudo democráticos, se mandasse o exército disparar contra manifestantes como se faz na China, ou outra coisa de tipo semelhante…

Isto representa a cedência ao appeseament desta feita, feito à China e ao seu comportamento.

A “atitude” que os dois artistas chineses – na notícia acima – demonstram; é de uma incomparável arrogância perante o facto de existirem franceses que dão o seu apoio ao boicote contra os Jogos Olímpicos. Tal deveria deixar as pessoas a pensar.

Especialmente pelo que deixa mostrar da parte chinesa e da”mentalidade média” da mesma. Que é a ideia de que acham que não existem quaisquer limites ao que quer que façam.

Isto também representa outro problema. O de estarmos todos a deixar que estas empresas de vampiros como o Carrefour, sejam, na prática, quem está a “representar” o Ocidente em termos de política externa.

A imagem que transmitem para fora é aquela que é.

A China está a usar os Jogos Olímpicos e a sua economia em crescimento gigante, bem como algumas empresas europeias, para fazer intimidação; tentando evitar que a Europa os pressione, sobre a repressão no Tibete, e que a Europa tome a decisão de boicotar os Jogos Olímpicos. Ameaçando nas entrelinhas que as principais empresas europeias perderão “negócios” na China.

(4) A China serve-se também do “conteúdo” que foi escrito neste artigo sobre China, Jogos Olímpicos, Tibete de alguns dias atrás:

MULTINACIONAIS CHINESAS E DE PAÍSES EMERGENTES

A China está a usar o crescente peso das suas empresas e do seu comércio/produção de serviços/produtos para intimidar Geoestrategicamente os blocos económicos- políticos que a contrariem naquilo que a China julga ser os seus direitos naturais – perante a complacência e o appeasemet da Europa(e dos EUA…). Dito de outra forma, das empresas europeias e dos seus accionistas gananciosos… e de vistas curtas…

(5) Quanto ao Carrefour e ao facto de serem umas “peças” do pior que há, o assunto já tinha sido aqui tratado no Dissidente-x uma vez.

CARREFOUR- EGIPTO

À propósito o Rally Paris Dakar e dos caso dos cartoons dinamarqueses.

Relativamente ao caso dos cartoons dinamarqueses, na altura o Carrefour, meteu “contra cartazes” nos hipermercados que tem no Egipto pedindo desculpa pela publicação de cartoons feitos por dinamarqueses.

É uma empresa “5 estrelas” esta…

O Carrefour constitui dos piores exemplos do capitalismo predatório mundial e da total falta de valores e princípios da sua administração cedendo de forma cobarde; sem sequer ter que justificar algo que não lhe dizia directamente respeito; ao appeasement.

INTERNAUTAS CHINESES -NACIONALISMO(6) Tendo-se ainda mais razões para desconfiar da China e das suas intenções está a prova nesta notícia de hoje,dia 21 de Abril de 2008- Jornal Destak.

Um ataque concertado, fazendo-se valer do número de utilizadores de Internet, despoletam o pior do pior. Uma campanha de orgulho nacionalista ferido (pseudo ferido) relativamente a este assunto.

A imprensa estrangeira é criticada por estar a veicular notícias falsas, os protestos durante a passagem da chama Olímpica são criticados e já existem à venda T-shirts com os dizeres ” Eu amo o Tibete, mas odeio o Dalai Lama” e “I do not love CNN”/não amo a CNN.

Goste-se ou não se goste de budismo ou do Dalai lama, isto é preocupante a vários níveis. Os cidadãos chineses, e os que aderem à Internet, apesar de tudo, são mais instruidos, sabem – mesmo na China – que existe censura.

Ora, se os cidadãos chineses sabem que existe censura, também deveriam, por maioria de razão, raciocinar e perceber que, se calhar, o seu governo lhes estará a mentir ou pelo menos a deformar de alguma maneira, a apresentação da realidade.

Como tal, deveriam desconfiar do que lhes é dado. Mas não. Antes pelo contrário, estão a reagir exactamente contra os supostos interesses ocidentais que estarão a manipular o que se passa e passou no Tibete, ofendendo a “China”.

Isto demonstra um sentimento nacionalista perigoso, agressivo, xenófobo, e anti estrangeiros, mas pior, representa a ideia de que não sentem qualquer tipo de restrições nem de que “outros” fiquem incomodados com atitudes chinesas.

Este assunto era facilmente enfrentado com um boicote aos Jogos Olímpicos. Não só por causa do Tibete, mas também. Em vez disso, contemporiza-se.

É necessário que accionistas ganhem dinheiro. É necessário que a organização da economia mundial gere desempregados na Europa e na América, por causa da China. Quando for necessário enfrentar a China serão os accionistas a fazê-lo ou os cidadãos desempregados?