DISSIDENTE-X

TONY BLAIR.1.

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TONY BLAIR- O REINO ENCANTADO - FNAC

PARTE 1/3

INTRODUÇÃO.

Em 2006, a revista francesa Marianne, edição em papel, fez uma ensaio/análise critica, ao reinado de Tony Blair, que viria a terminar em 2007.

O número da revista com este ensaio era o 467 (01 a 07 de Abril 2006) e feito a propósito do livro de Phillipe Auclair, da Editora Fayard, 262 páginas, 19 euros de preço, chamado “Le Royaume Enchanté de Tony Blair”.

Os resultados são devastadores, de tão maus são em relação à pobreza da governação da “esquerda (terceira via) Blairista”.

Mais: a revista fornece números comparativos entre a França ( apelidada de estatizada…) e a Inglaterra Blairista (apelidada de “Liberal de esquerda”) onde esta perde em toda a linha.

Em Portugal acha-se (ainda) que Blair é a quinta essência do perfume.

Parece pois, ser útil voltar a lembrar (até para comparar com a “actual esquerda moderna portuguesa”…cheia de sociólogos e outras aves de arribação do mesmo estilo…) que o Blairismo é e foi apenas um desastre neoliberal emanado da direita profunda.

Pior ainda, aquela maneira tortuosa e cheia de esquemas e sorrisos de plástico de fazer as coisas fica associada e de que forma negativa, à ideia de esquerda na sociedade.

PONTO 1.

Isto é um resumo feito a partir do ensaio de análise critica feito pela Revista Marianne do livro de Phillipe Auclair (Auclair foi correspondente da BBC em Londres tendo lá vivido muitos anos; saiu da BBC para ser o correspondente da revista Marianne para o Reino Unido) .

Citação inicial do livro de Auclair…reveladora.

” Même dans ses pires moments M.tatcher avait aou moins le mérite de ne pás avancer masquée”.
Tradução a martelo feita por um pobre Dissidente x- sem grandes conhecimentos de francês: mesmo nos seus piores momentos a senhora Tatcher tinha ao menos o mérito de não avançar usando uma mascara”.

Segundo a Revista Marianne, o livro começa, pela caracterização de M. Tatcher sobre o que é “interesse geral”.

  • Tatcher considerava o conceito de interesse geral numa sociedade uma invenção marxista”.
  • Tatcher considerava que a Europa era ” uma conjura anti grã-Bretanha”.
  • Já os desempregados eram ” uns parasitas que vivem à conta da classe média”.

Este era o “tom” do tatcherismo e da direita neo liberal/conservadora inglesa, que retirou a sua inspiração dos anos Reagan ( 1980-88) nos EUA.

O livro analisa tudo isto nas suas mais variadas vertentes explicando como o clube de fans francês de Tony Blair – a esquerda mole e frouxa tipo “esquerda moderna”, os “neo liberais” franceses e o medef (a organização patronal francesa) viviam todos em êxtase com o Blairismo.

A expedição punitiva desastrosa no Iraque, por exemplo, nunca abalou, junto desta gente, a reputação de Blair que era visto como um visionário. (5 anos após o começo da Guerra do Iraque, “a visão está aí…”)

Os dados de análise da revista compilados a partir do livro, mais as estatísticas oficiais permitem tirar a exacta fotografia negativa do Blairismo.
O livro de Auclair afirma (e prova) que o Blairismo é (apenas foi) política da simulação e estatísticas manipuladas. (isso é provado com números oficiais ingleses).

Analisava ainda Gordon Brown, o homem que queria ser chefe no lugar do chefe e que estava à espreita (à data em que o livro foi escrito), aguardando que o “Estilo Blair” se desvanecesse na floresta de enganos e decepção que, no fundo, é aquilo que o “Estilo Blair” é.

FINALMENTE VOU OCUPAR O LUGAR DO CALIFA

Em Portugal temos neste momento e ao retardador o “Estilo Sócrates” que é uma cópia e mal feita, do estilo Blair + recalcamentos do Guterrismo + pseudo afirmação de liderança poderosa pela demonstração de uma agressividade extrema + cópia mal amanhada do betonismo Cavaquista + uma adenda.

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Adenda: Desde 29 de Março de 2008, passamos a ter, também, José Sócrates, antes Cyborg, agora humano

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O livro ( artigo da Marianne) mencionava àquela data e apesar da barragem de propaganda pró Blair na Inglaterra e na Europa, que, pelo menos metade do eleitorado, estava já a exigir que Blair fosse embora.

Ironizava-se no livro de Auclair, dizendo que os apoiantes franceses, caso ele se fosse embora do cargo, estariam em vias de lhe oferecer asilo político em França…

PONTO 2.

O correspondente da Marianne propriamente dito e o texto da revista.

Começo por duas citações do correspondente + 2 traduções minhas a martelo: “les prosélites francais du blairisme sont de une naiveté desarmante, au fond” – os prosélitos franceses do blairismo são dotados de uma ingenuidade desarmante, no intimo… (acrescento eu: e os portugueses da esquerda moderna e do ” inexistente liberalismo de esquerda” também…)
“Ils ne s´arretent qu´a quelques chiffres, et encore, sans les interroger, comme si l´on pouvait juger un filme et visionnant son générique”. Pour cês transis de tony blair, le royaume uni n´est pás un object d´étude ou de reflexion, mais de désir; on ne analise pás, on transfere…” – eles apenas olham para alguns dados, sem se interrogarem, como é possível avaliar um filme somente visionando o seu genérico … no transe Blairista o Reino Unido não é um objecto de estudo ou reflexão, mas de desejo; nós não analisamos, nós transferimos ( o objecto de desejo Reino Unido…)

O correspondente conclui que se calhar os franceses ainda se vão rir bastante (entre muitas outras coisas) por Paris não ter ganho os Jogos Olímpicos a realizar em 2012.

Devido aos problemas económicos de criação de receitas para sustentar (posteriormente) tão megalómano empreendimento. ( É o velho princípio de “quem vier atrás que feche a porta…)

Parte para uma analise demolidora – com números – da economia e sociedade inglesa blairista em contraposição à supostamente medíocre (ironia) sociedade francesa.

As justificações para isto (à data 2006) aparecem porque a Inglaterra é apresentada num bonito embrulho com – resultados estatísticos fantásticos – bem como, ainda por cima, “roubaram” aos franceses a realização dos jogos olímpicos em Paris, sendo estes atribuídos à Londres.

PONTO 3.

Desemprego, funcionários públicos e estatísticas.

Começa o correspondente da Marianne, desde logo, pela baixa taxa de desemprego inglesa. É baixa porque esconde uma taxa paralela de não empregados (mas não definidos como tal), compensados (estatisticamente) como sendo desempregados de longa duração, que não são considerados para as estatísticas.
Também existe outro logro no Blairismo: o de que existe uma redução do numero de funcionários públicos.

Percebe-se, no entanto é que existem mais 600 mil nos dias de hoje ( isto é, 2006) – do que antes da entrada de Blair em funções. E paralelamente a isto existe (ao mesmo tempo) uma massiva subcontratação ( em Portugal temos o mesmo fenómeno da subcontratação…) a empresas privadas de tarefas que eram realizados (antes de Blair) só por funcionários públicos.

E que eram mais baratas feitos no “sector público”. Tudo isto acontece ao mesmo tempo que, os serviços públicos ingleses, especialmente o serviço de saúde estão de rastos.
Toda esta pseudo prosperidade esconde, também, um endividamento publico colectivo colossal (entre outras coisas, concessões a privados dão este resultado…), ao ponto de começar a criar o espectro de uma crise no sistema financeiro e social inglês.
Também ao mesmo tempo que tudo isto se passa, o sistema blairista ataca as liberdades civis em Inglaterra.
O correspondente oferece exemplos:

  1. o projecto de carta de identidade biométrica, tendo como desculpa (argumento) conveniente o terrorismo;
  2. a interdição de greves de solidariedade;
  3. a suspensão do direito de ser julgado pelos seus pares, etc.

Tudo consequências directas da metodologia blairista. Isto acontece no país da Magna Carta e do Bill of rights

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Qualquer semelhança com o “socratismo neoliberal socialista- esquerda moderna perlimpimpim” e o seu cartão de identidade único, bem como a hostilidade a apoiantes de Manuel alegre na altura da campanha eleitoral é pura coincidência…ou o incentivo à denuncia ou o sistema de queixas electrónicas de “conteúdos” ou a tentativa de avaliar a predisposição dos cidadãos a deixarem que lhes insiram chips em automóveis, ou mandar gravar telefonemas e emails de toda agente para combater o terrorismo etc, são mera coincidência…

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Continua.

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Written by dissidentex

01/04/2008 às 8:01

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