DISSIDENTE-X

CRIME VIOLENTO EM PORTUGAL.

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Um carpinteiro de Faro possuído do demónio do Yogurte e da garrafa de chocolate decidiu subtrair ao convivio das prateleiras de uma superfície comercial um par de yogurtes e uma solitária garrafa de chocolate.

Parece que essa subtracção ao convívio das prateleiras implica uma adição de remuneração sob a forma de conta a pagar à respectiva superfície comercial.

A superfície comercial, decidiu processar criminalmente o referido carpinteiro pelo vicioso e horrendo crime de furto de 2 yogurtes e uma garrafa de chocolate.

O total do vicioso crime monta a 4.23 euros.

Existem aqui algumas dimensões a esclarecer. A incompetência, o totalitarismo, a estupidez, mais o despesismo descontrolado que este país é.

Desde logo, o facto de um crime pecuniário de 4.23 euros ir a tribunal. Só mesmo nesta República de bananas isto acontece.

Depois temos a dimensão da justiça.

MP DE FARO-DEVANEIOS DESINTÉRICOS

Uma justiça que se presta a aceitar ir “julgar e condenar casos destes” já não é uma justiça, mas sim um totalitarismo disfarçado de justiça.

Este caso deveria ser resolvido ou, pelos factos provados, ficarem em cadastro do carpinteiro em questão ou, em alternativa, pelo pagamento de uma multa pecuniária. Ou ambas, consoante a lei/equidade e a gravidade do caso

Nunca, mas nunca em tempo algum “isto” deveria sequer ir a Tribunal.

Agora vamos supor que temos o seguinte portfólio de gastos.

Um indeterminado conjunto de horas de trabalho – vamos supor 4 ( ou 10 ou 20…) – do delegado do ministério público, e respectiva estrutura que o acompanha, o que escreve a pérola acima – um notório incompetente, mas já lá vamos.

A secretária do dito, ou o serviço que produziu o documento escrito. Mais um indeterminado número de horas a fazer isto.

O uso de maquinaria – computadores- ocupada em horas de trabalho e desgaste de material a produzir isto.

A criação de serviços informáticos para entrega das peças processuais em questão ou o gasto de correio (envelopes/selos) para enviar e notificar o perigoso carpinteiro.

O gasto em termos de custo de oportunidade. Ao estarem a alocar-se meios e horas para resolver esta chacha, não se estão a alocar meios e horas de trabalho para resolver um crime ou um assassinato, ou uma crime de corrupção, etc.

(Se calhar somos levados a pensar que é esse verdadeiramente o objectivo:não resolver casos importantes e andara resolver estas chachas…)

Acessoriamente, se existirem “X” número de casos semelhantes a acontecer pelo país todo, teremos “X” número de gastos semelhantes, mas ainda mais problemáticos, por exemplo, quando acontecerem em tribunais mais pequenos com menos pessoal. Que serão forçados a escolher deixar de lado outras coisas…

Porque estarão ocupados a “brincar à justiça” ocupando tribunais com coisinhas destas.

Quanto ao delegado do Ministério Público é incompetente. Quem produz uns articulados como aqueles é incompetente. Note-se o seguinte:

…e fazer seus sem pagar tais produtos, sem proceder ao seu pagamento…”

Existe “eco” nesta frase, dado que é a primeira vez que vejo alguém “sem pagar tais produtos, sem proceder ao seu pagamento”.

Parece um sketch humorístico de alguns anos atrás do Herman José, creio que no programa “Tal Canal”.

O sketch era:

“Se beber não beba!”

Aqu será:

“Sem pagar tais produtos sem proceder ao seu pagamento!”

Excelentes faladuras disfarçadas de juridiquês, mas que apenas escondem um nabo que não sabe escrever português em condições.

———–

A imagem e este artigo foram feitos devido ao MSD do Devaneios desintéricos ter feito um artigo sobre o mesmo assunto presumivelmente porque foi um magnifico caso que lhe chegou às mãos, e que o encheu de orgulho por ser advogado e tratar de um assunto com a poderosa dignidade que este tem.

Com efeito não é todos os dias que se discute hermenêutica e interpretação autêntica, costume e “in dubio pró réu”, CRP e oportunidade de acção penal e mais duzentas outras coisas, tendo como objectos materiais do crime yogurtes e garrafas de chocolate praticados por um vicioso carpinteiro – um mestre do crime ao nível da tríades chinesas ou da Yakuza…

De facto deve dar gosto ser-se advogado assim…a lutar contra o crime violento…a perseguir pelas ruas da cidade à alta velocidade yogurtes raptados e garrafas de chocolate amordaçadas…

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Written by dissidentex

09/04/2008 às 13:29

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