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SALAZAR CABELEIREIRO.

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Durante 48 anos, de 1926 até 1974, o salão de cabeleireiros António Queiroz do Valle, também conhecido como “o Salazar” ou o “Botas”(em 1969 o estabelecimento foi trespassado para o senhor Marcelo, que, verificando a decadencia óbvia do conceito de madeixas coloridas; tentou imprimir uma dinâmica mais comercial ao estabelecimento, tentando revitalizá-lo. embora sem sucesso, tendo posteriormente fechado as portas em 1974) marcou a dinâmica da moda em Lisboa e porque não dizê-lo no país.

Caracterizava-se o estilo do salão de cabeleireiros António Queiroz do Valle ( ou “Salazar”) pelo ar austero e rígido, monocórdico e sempre igual baseado no totalitarismo da moda e por uma absoluta e visceral repulsa relativamente à democracia capilar occipital e frontal dos cabelos. Cabeleiras frondosas e extensas eram também desincentivadas, sendo antes preferido um estilo mais sóbrio e curto aplicado à força de secador.

A grande inovação era a face, sempre muito colorida embora austera, camaleónica, diria, onde assim, quaisquer sentimentos, como a mentira, a hipocrisia, a vaidade, a pobreza, eram incentivados a serem adoptados de acordo com classe social a que se pertencia. Daí a imagem e as cores das faces da capa ” Os anos de Salazar”.

Também não eram tolerados cabelos rebeldes, ou desalinhados com o pente ou a escova, antes uma rigidez de linhas sempre muito marcada e defendida através dos polícias da linha rígida.

É a história deste cabeleireiro famoso e das suas concepções ultrapassadas de penteados que o Correio da Manhã nos apresenta com a colecção ” O asno Salazar”, ehhh… perdão “Os anos de Salazar”.

O NOVO VELHO ESTILO DE CABELEIREIROS Mais uma tentativa recente de nos convencer que o estilo dos penteados de António Queiroz do Valle, cognome Salazar era uma boa opção para o presente e que o senhor era” nem bom nem mau, apenas incontornável”.

Esta tentativa vem apenas no seguimento de outras tentativas visando mostrar que é possível existirem evoluções do Salazarismo capilar clássico e rígido, em direcção ao “Salazarismo capilar esquerda moderna”, reciclado, aerodinãmico e sempre sorridente, por contraponto ao estilo rígido e austero do seu antecessor.

No entanto, como críticos capilares que somos, e observadores da tendência da frondosa cabeleira, não podemos deixar de reparar em tal pormenor. O que é apresentado como novo é apenas uma velha cópia do antigo estilo, e mal feita.

Em resumo, não se deve adquirir esta nova fashion occipital capilar.

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Written by dissidentex

14/04/2008 às 11:27

Publicado em JOSÉ SÓCRATES, SALAZAR

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