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GLOBALIZAÇÃO E CENÁRIOS PARA PORTUGAL.

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Hoje é dia 23 de Abril de 2008. Vai ser ratificada a constituição europeia que não se chama constituição e que vai alterar, para sempre, a natureza de ser dos Estados europeus.

No dia 29 de Maio de 2006, aconteceu uma edição do programa de suposto debate “Prós e Contras”. Aparentemente discutiu-se os caminhos que Portugal iria, eventualmente seguir, no futuro.

Várias dimensões e questões se colocaram. Ou o país fica fechado sobre si mesmo, ou fica aberto e integrado dentro de uma região como a Europa. Ou fica integrado na Europa, mas com algum proteccionismo interno ou não, etc.

Ou Portugal deverá poder ou não poder escolher diferentes (ter capacidade de escolha) estatutos estratégicos, ou conseguirá escolher diferentes estatutos estratégicos. Ou a “elite” portuguesa quererá escolher estatutos estratégicos. Ou terá interesse nisso.

Blog Macroscópio, 30 de Maio de 2006 – uma análise a esta questão. 4 cenários apresentados relativamente à qual é a posição relativa e absoluta de portugal no que toca á Globalização e questões conexas.

Os 4 modelos provém da tese de doutoramento do autor do blog. São hipóteses teóricas de cariz técnico baseadas no planeamento por cenários. É indicada a fonte (o post) e é indicada a obra original, na transcrição. Em baixo, transcrição do 4 cenários teóricos:

QUATRO CENÁRIOS DE PORTUGAL EM CONTEXTO DE GLOBALISMO PORTUGAL GLOBALIZANTE.

Cenário 1

FUNÇÃO EUROPEIA GLOBALIZANTE E UM PORTUGAL PRÓSPERO (AUTÓNOMO)

Isto corresponde a um cenário idílico que só tem lugar em sonho

Cenário 2

PORTUGAL GLOBALIZADO DENTRO DUMA FUNÇÃO EUROPEIA COM UMA FUNÇÃO DELEGADA (subordinação do País e da Europa ao mundo)

Cenário 3

PORTUGAL GLOBALIZADO E FORTEMENTE DEPENDENTE. RESULTADO: INTEGRAÇÃO NA PENÍNSULA IBÉRICA SOB COMANDO POLÍTICO DO REINO DE ESPANHA (COM GRANDE DUALIZAÇÃO SOCIAL)

Cenário 4

PORTUGAL GLOBALIZADO DE TIPO REGRESSIVO, ISOLADO E AUTO-DESTRUTIVO E INVIÁVEL COMO PROJECTO NACIONAL. É O BLOQUEAMENTO INTERNO E PERDA DE IDENTIDADE. CONSEQUÊNCIA: DISSSOLUÇÃO DE PORTUGAL E SUA INTEGRAÇÃO EM ESPANHA COMENTÁRIO DAQUELES 4 CENÁRIOS QUE SE COLOCAM A PORTUGAL:

O 1º cenário corresponde ao estatuto de Portugal globalizante e representa uma posição estratégica (de tipo-ideal), mas não corresponde à sua realidade económica e social nem coincide com a sua dimensão política. A verificar-se este estatuto significaria que Portugal disporia das condições gerais de viabilidade e sustentabilidade dos seus próprios projectos de modernização e desenvolvimento, independentemente da posição estratégica da União Europeia.

O 2º cenário estratégico de Portugal é mais realista com as condições de viabilidade e sustentabilidade do país: o cenário de Portugal globalizado. Pondo de lado a função europeia de Portugal, cometendo à cultura lusíada um papel verdadeiramente grandioso que a nação não pode assumir, o país teria uma função europeia “delegada” onde se procurariam fazer uma de duas coisas, ou ambas: continuar a afirmar a posição da UE no mundo e, para compensar a dependência de Portugal neste cenário estratégico, estabelecer redes de associação em ordem a reunir os recursos e as vontades necessárias para o desenvolvimento das estratégias do país.Este caminho passaria, naturalmente,pela intensificação dos laços de cooperação com os PALOPs. Coisa que hoje não existe ou só está materializada em aspectos empresário pontuais, sem expressão permanente ou estrutural na relação Portugaç-África – que deveria ser um dos pilares da sua política externa.

O 3º cenário inscreve Portugal numa situação de grande dependência face à envolvente, designada de globalização competitiva. Esta configuração toma como ponto de partida o verdadeiro estatuto estratégico de Portugal presentemente. Correspondente a um papel limitado ao espaço europeu, mas sem qualquer protagonismo ou vocação globalizante (excepto na língua, embora até aí o papel maior cabe – ironicamente – à “ex-colónia” – o Brasil) e fortemente dependente do sucesso (pleno) da sua integração europeia e dos Quadros Comunitários de Apoio (QCA) na sociedade nacional sem os quais não se efectivaria a modernização desejada.

Vistas assim as relações entre a política e a geografia, entre Portugal e o mundo – como se do Espírito das Leis de Montesquieu se tratasse, a localização periférica de Portugal no contexto europeu significa que o país perdeu capacidade de iniciativa (por falta de recursos, dimensão política e escala económica) e depende profundamente dos projectos (e dos recursos) de modernização europeia para viabilizar as suas próprias condições de modernização e desenvolvimento.Logo, se a Europa não cresce Portugal fica bloqueado – como, de resto, se encontra há quase meia dúzia de anos.

– Se, porventura, a Europa se fechasse ao mundo (neste 3º cenário de Portugal fortemente dependente e vulnerável) e aparecesse como uma configuração fragmentada, aí o cenário ainda seria pior para Portugal. Emergia um país a duas velocidades, dual do ponto de vista social e repleto de clivagens entre as classes muitos ricas e as classes muito pobres (pelo efeito de ausência da classe média).

– Naturalmente, o que é válido para Portugal em termos de cenarização das condições de modernização e desenvolvimento por efeito do contexto de globalização competitiva, também se aplica às outras sociedades europeias, embora estes desafios se coloquem com maior acuidade a Portugal por causa das suas condições geográficas, de recursos e de pobreza e de atraso estrutural crónico relativamente aos demais países da Europa com quem hoje nos queremos (estatísticamente) comparar. O mesmo é dizer que a sua periferização dificulta a sua consequente integração nas redes europeias de que dependem os níveis de modernização (continuados) indispensáveis ao progresso das sociedades. Talvez por isto, meia dose de ironia, o TGV custe tanto a levantar vôo ou a OTA ainda não tenha entrado nos carris. Razão tem Belmiro de Azevedo quando diz que não se preocupa com estes dois abcessos porque tem confiança que os portrugueses já se tenham esquecido deles. Os tugas agora querem é bola, e com a ajuda de Marcelo no fute-comentário ainda melhor.

O 4º cenário – é o mais pessimista para a economia e sociedade nacionais. Ou seja, configura um estatuto estratégico em que Portugal apareceria (ou aparece) numa situação altamente globalizada e regressiva. Naturalmente, este cenário configura a pior situação possível para o país. Significaria que a comunidade nacional, agora numa posição de fatalismo e descrença, encontado aos 3Fs – (Fado, Futebol e Fátima) não conseguiria apenas acompanhar os níveis mínimos de modernização soprados pelos ventos da Europa, como também a identidade política, teria perdido toda a capacidade de iniciativa política ficando, neste caso, absolutamente dependente dos inputs vindos do exterior.

– Chamaria a este cenário – o cenário Mr. Maggo, ou seja, o cenário Medina Carreira que, aliás, como disse, é o único advogado a fazer as contas ao país e cuja apreciação estrutural – em termos de diagnóstico – me parece sábia e realista. Portanto, não creio, como referi, que Mr. Magoo – e até é afectuosamente que assim o designamos, esteja a levantar labaredas para que Sócrates lhe dê um tacho. E quem diz um tacho diz uma panela ou a presidência duma qualquer Comissão de Avaliação daquilo que todos nós já sabemos: o Estado está gordo e banhudo, cheio de adiposidades, não consegue correr.

– Perante esta situação regressiva, Portugal não teria qualquer contributo a dar à Europa, mesmo que esta se abrisse ao mundo e aí mantivesse uma posição relevante. O país seria automaticamente “engolido” pelas redes ibéricas tornando-se uma mera província da Península. E no caso ainda mais problemático de a Europa se fechar e fragmentar ao mundo, mantendo um estatuto de Europa-fortaleza, Portugal ficaria totalmente bloqueado restando-lhe a autodestruição da sua própria identidade nacional.

– Conclusão: temos de reinventar Portugal.

Notas: esta cenarização foi extraída da n/ tese de doutor/ denominada – Globalização – a crise do Estado soberano?, Lisboa, ISCSP, 2004, págs. 547-554

MAPA DE TELECOMUNICAÇÕES 2000 - TELE GEOGRAPHYPor falar em “Portugal ser engolido pelas “redes Ibéricas”. Observe-se um mapa de 2000, apesar da diferença de 8 anos; onde já se pode perceber muita coisa.

É um “mapa de fluxo” de telecomunicações na Europa medido no ano de 2000. Como a progressão da aquisição de equipamentos e o aumento do número dos consumidores será mais ou menos estável entre os vários países e, apesar do esforço português, de tentar apanhar os mais desenvolvidos, reduzindo a diferença, penso que se demonstra que a diferença, já naquela altura, demonstrava muita coisa.

O autor do texto e da tese de doutoramento pensa que Portugal está no 3º cenário. A conclusão é minha.

Creio que está no quarto cenário, com os governantes portugueses e a “elite” a venderem (tentarem vender) a ideia aos portugueses que Portugal está no primeiro cenário, ou na pior das hipóteses, no segundo cenário. Notícia Expresso de 19-04-2008 – onde podemos ver uma declaração exemplificativa de cariz estúpido-político de que Portugal está no primeiro cenário, mostrada uma parte, em baixo.

Creio que está no quarto cenário aqui descrito, mas só em algunsExpresso-19-04-2008 aspectos, noutros não. Nesses outros aspectos estará ainda em pior situação e com outro tipo de nuances e problemas para resolver. (Nota: o facto de eu achar que está no 4º cenário nada tem  directamente que ver com o post do Blog Macroscópio ou deve ser entendido como crítica ao mesmo e ao autor.)

Veja-se, outra vez, por exemplo, neste simples mapa acima mostrado, o tamanho das redes de fluxo comunicacional, da Suécia, da Bélgica, da Holanda, da Finlândia, da Dinamarca.

Só para dar um pequeno exemplo. Países, sensivelmente em termos de população, da mesma dimensão (excepção à Holanda) ou menor dimensão.

No ano 2000 vê-se, claramente, que estão extraordinariamente adiantados nesta área.

Não é “normal” que estejam tão adiantados. Já nesta altura!

Isto é por acaso?

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Written by dissidentex

23/04/2008 às 10:53

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