DISSIDENTE-X

Archive for Maio 2008

CENSURA NO AUDIVISUAL. EUA. (2)

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No primeiro artigo “Censura no audiovisual. EUA (1)” falou-se de:

  1. MPAA e o sistema de classificação de filmes;
  2. A forma como a classificação é feita;
  3. o caso da realizadora Kimberley Pierce.

( Continuação) Kimberley Pierce interrogada relativamente aos problemas que teve para ver o seu filme classificado explica que:

tendo em conta que o conceito de orgasmo é maioritariamente definido por homens e os realizadores são quase todos homens, as visualizações cinematográficas são quase todas vistas sob um ponto de vista masculino. A ideia de que, nesse contexto a ideia do prazer feminino será vista como algo redutor.

No decorrer do documentário, percebe-se que este assunto das classificações e questões como esta, de mostrar ou ao orgasmos nada tem directamente que ver com prazer feminino. O que se nota ao continuar a ver o documentário é que existe uma perspectiva religiosa de poder por detrás destas subtis actos de censura e de negação às mulheres do prazer feminino.

A partir desta lógica, da percepção desta lógica (e de outras) na classificação de filmes, passa-se para outros depoimentos de muitos outros realizadores, relacionados com outros assuntos, mostrando-se uma série de realizadores que tiveram ou filmes censurados, ou filmes aos quais tiveram que amputar parte, apenas para não receberem NC-17.

Uma realizadora queixa-se que foi discriminada por fazer um filme gay, outro que lhe disseram para remover tudo que tivesse um dildo, e outros perguntam onde está a definição legal do que é NC-17 E “R”. Ainda um outro pergunta porque não lhe podem dar uma lista de exclusões – mas no inicio do filme…

Uma cena cortada apenas o é, porque é uma cena onde se insinua que uma das raparigas se vai enroscar nas pernas de outra rapariga.

Num outro filme, o corte que foi feito tinha a absolutamente estonteante quantidade de 3 segundos.

Menciona-se que os membros da MPAA dizem aos realizadores que estes não tem que aceitar a classificação; que não é obrigatório…

Uma das formas como esta classificação categoriza e classifica os filmes assenta na seguinte dualidade:

  • Os filmes são classificados antes de serem lançados.
  • Os filmes não são classificados por quem os faz.

Quem faz a classificação permanece secreto. Um grupo de pessoas que se reúne numa sala e…classifica. Isto é a essência do totalitarismo aplicado a um produto-serviço que a todos interessa precisamente porque após classificação, não existe justificação técnica ou outra, publicada e acessível a todos que explique as razões da classificação.

É uma vitória da burocracia. Nos EUA isto é tolerado e aceite como “normal” apenas porque é feito por uma associação de empresas privadas. Como se isso ilibasse do totalitarismo latente que se observa nesta lógica….

Feito por empresas privadas ou entidades públicas são os métodos aqui usados que são totalitários e que prejudicam pessoas, artistas, público e impõem (servem para impor) uma dada visão do mundo. Em vez de ser o “mercado” – ou seja os gostos das pessoas.

Conforme o senhor Jack Valenti, o porta voz da MPAA (falecido em 2006) explica no documentário, os classificadores são “pais, que não são nem deuses, nem loucos” e que tentam obedecer ao critério do que será o “paí americano médio” ou na melhor das hipóteses, o que será o cidadão americano médio.

O que é o cidadão americano médio?

Os classificadores (os tais representantes não eleitos os pais americanos médios vêem um filme e tentam classificá-lo de acordo com o que um “pai comum”, pensaria de um filme.

Isto é uma lógica desde logo do mais arbitrário que existe.

Por exemplo, acontece muito na sociedade portuguesa; uma sociedade especialista em criar sistemas informais injustos de apreciação do mérito baseados na mais absoluta injustiça e falta de critério.

No sistema jurídico, o critério do “pai médio”, também existe na lei. Chama-se “os sentimentos médios de justiça do cidadão médio” ou “os sentimentos médios de justiça do pater familiae/ pai de família. Posso afirmar sem qualquer tipo de auto restrição que é umas das vigarices jurídicas mais bem trabalhadas e inventadas que os sistemas jurídicos produzem – o português em particular.

Serve esta construção de um critério – maleável, flexível e fluída – absolutamente tosca – e servindo para fundamentar decisões absurdas, ilibar juízes de erros, dizer o mesmo e o seu contrário, perante casos notoriamente iguais, criar desigualdades de facto parecendo que se estão a criar equidade e justiça na apreciação de casos em disputa.

Serve também para os digníssimos magistrados pretenderem poder afirmar, dessa forma, que se conseguíram colocar no lugar do que um bom e honesto “pater familiae” decidiria ou ´pensaria sobre um assunto.

Como se um “bom pai de família (qualquer pai de família) auferisse o rendimento dos magistrados, tivesse acesso às fontes de informação destes e possuísse os conhecimentos técnicos de direito que os magistrados tem…ou como se fosse possível uma pessoa conseguir por-se 100% na pele dos problemas de outra, desta forma tão leve…

Seria o mesmo que uma pessoa que nunca partiu um braço ou teve um ataque de coração dizer a outra a quem isso aconteceu que “sabe perfeitamente o que a outra está a sentir”…

É uma técnica social/política passada a técnica jurídica tendo como objectivo exercer um controlo social sobre a população.

No caso português, obtém-se com isso os resultados cretinos e ineficazes que se vêem e o prosperar de um sentimento difuso mas cada vez mais entranhado de injustiça presente na vida das pessoas. Mas não de todas as pessoas.

E estas que sentem esse sentimento difuso, tem cada vez mais consciência disso mesmo, embora tenham dificuldade pessoal em determinar exactamente o que é… e porque é assim.

No sistema americano, mas que contamina a Europa, e o mundo, está presente isto.

Está presente e manifesta-se esta mesma lógica completa de arbitrariedade total. Depois de nos termos livrado do comunismo agora temos que aturar uma coisa vagamente parecida…

Dai a frase de David Ansen, o critico de cinema convidado para depor que afirma esse mítico pai americano é uma ficção”.

Concerteza que é. E o português, também.

David Ansen continua e afirma também: “é uma ficção conveniente que alguém tem que inventar e justificar para criar um sistema arbitrário”.

Ansen refere-se ao sistema de classificação de filmes patrocinado por empresas privadas, como ficção conveniente, mas noutras áreas da vida existe o mesmo germe totalitário à solta.

A técnica é simples.
  1. cria-se uma suposta ideia do que será um “conceito”.
  2. Que abranja uma maioria de pessoas.
  3. Dá-se-lhe um nome apelativo e seguro ( neste caso o “pai americano médio” ou o “cidadão médio” e os seus sentimentos).
  4. A partir daí, tudo é feito invocando esse “logótipo” arbitrário, totalitário, absurdo.
  5. Com o objectivo de criar controlo social apertado.
  6. Usando um produto que muita gente adquire e gosta, neste caso,os filmes.

A confusão das pessoas acerca das suas próprias vidas, do seu sentido de estar no mundo, o total esbatimento de valores, sejam quais forem os valores, a confusão cívica surgem.

Esta “confusão” irá aumentar de intensidade, apesar de existirem “estes conceitos” de suposta normalização que acarretarão justiça e que são apresentados como algo que irá funcionar bem.

Continua.

SIC PATROCINA A CENSURA.

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Hoje, dia 29 de Maio de 2008, na democrática República portuguesa, observo um telejornal da estação de televisão SIC. O repórter de nome Medeiros desenvolve aquilo que julga ser uma “reportagem”, sobre “os perigos da Internet”. Fala com Miguel Sousa Tavares e este defende formas de censura sobre a Internet, porque, existiu uma pessoa que publicou um blog onde emitiu calúnias sobre, creio, o livro de Sousa Tavares – Equador.

Devemos parar o país todo apenas e só porque alguém infligiu prejuízos a Sousa Tavares. Devemos adoptar a censura – Tavares exigia que se começasse a aplicar um registo prévio a qualquer pessoa antes desta usar um computador e abrir um blog, se percebi bem a ideia. Só faltou defender um juramento perante um padre.

Em seguida passou-se para o inefável Pacheco Pereira, o campeão da defesa da censura. Este defende que o anonimato deve ser proibido em blogs, excepto nos casos em que as pessoas façam denuncias sobre casos em que pelo facto de as fazerem isso lhes possa trazer perigos ou em casos em que a denuncia sob anonimato vise defender terceiros. Se bem percebi e me lembro.

Defende ainda que os blogs passem a estar registados como órgãos de comunicação social?!?!?!

Após, esta singela defesa do totalitarismo por causa da calunias e difamações em blogs, um problema que aflige particularmente estes dois vultos intelectuais da nossa pátria, que, desde o aparecimento dos blogs em toda a dimensão que estes alcançaram perderam espaço e divulgação na imprensa escrita, e credibilidade por arrasto, e consequentemente, perderam ou podem vir a perder rendimentos precisamente derivados disso, temos o painel de comentadores.

Os comentadores são todos a favor da censura.

Mas antes de estes explicarem porque é que são democraticamente a favor da censura, surge outra peça de pseudo jornalismo. Pelo meio fala-se também de jovens e crianças e dos perigos da Internet e do mais que houvese. Tudo numa salada russa de confusão indescritível.

E passa-se a uma outra peça, escrevia eu, onde uma agente comercial de telemóveis de 30 anos de idade de Albufeira, está muito perturbada porque inseriu fotos suas em fato de banho, num perfil do HI5, e começou a notar ter 60 pedidos de troca de contactos e emails, quando antes tinha 5 pedidos.

Tal deveu-se, porque, salvo erro, a revista 24 horas, publicou ou tem uma rubrica chamada “as miúdas do HI5” e estas fotos lá apareceram e a senhora sentiu-se invadida na sua privacidade. Parece que vai processar a revista por esta ter publicado fotos disponibilizadas num local público de livre vontade pela agente comercial de telemóveis.

Brilhantes reportagens se fazem com toda esta ladainha confusa e destrambelhada onde se misturam blogs com redes sociais, plágios com recusas do anonimato, jovens e adolescentes com terrorismo…

É verdade. Esqueci-me de mencionar que o painel de comentadores é composto por Moita Flores, ex agente da polícia judiciária e actual Presidente da câmara municipal de Santarém, Rogério Alves, ex-bastonário da ordem do advogados e advogado e José Gameiro, psiquiatra – todos reputados especialistas em assuntos informáticos.

Moita Flores, nessa qualidade ou na qualidade de presidente da câmara de Santarém( não ficou claro isso) mencionou também, o facto de existirem terroristas que falam entre si através de blogs. E mensagens cifradas.

Foram 30 minutos de lançamento de pânico, de desinformação, de ataques continuados e sistemáticos à democracia, de exigências de construção de mecanismos de censura.

Em 2006 fazia um blog com outra pessoa. (Foi apagado em parte devido ao que se vai explicar a seguir) Quer eu, quer a outra pessoa que o fazia, fomos ameaçados por um blogger de que este iria falar com “os nossos patrões” acerca do facto de, quer eu, quer o meu parceiro de blog estarmos a fazer artigos que contrariavam as ideias do senhor que nos ameaçou, (e que até tem um blog aberto em nome próprio e é um conhecido militante do partido socialista) situação despoletada, devido a um erro meu num artigo em que troquei o nome desse senhor pelo nome do colega dele de blog, ao transcrever um post do blog deste senhor e do colega dele.

De facto existiu o erro, não propositado na altura e devidamente explicado, mas depois existiu a tentativa de nos induzir quer a mim, quer ao meu parceiro de blog, não só na auto censura, como ameaçando com ataques á vida privada, quer minha, quer do meu parceiro.

Na altura eu assinava com o meu nome próprio – um nome verdadeiro mas que nada dizia (nem diz) a ninguém, uma vez que não sou figura pública (felizmente).

A pessoa que fazia o blog comigo assinava com um pseudónimo (porque eu insisti para tal), uma vez que, dada a natureza da sua ocupação profissional e o facto de depender de um organismo estatal tal assim o obrigava para obter uma certa protecção e privacidade.

Se fosse conhecido o verdadeiro nome da pessoa que fazia o blog comigo – como aliás foi revelado publicamente pelo senhor que nos ameaçou – junto de certas pessoas em certos sítios, e no próprio blog indicando ligação para um artigo publicado em nome próprio dessa pessoa que comigo fazia o blog, esta teria visto 4 anos do seu trabalho serem ameaçados e possivelmente irem por agua abaixo.

No meu caso comecei a detectar nos motores de busca buscas ao meu nome – normal – mas o que já não era normal era o facto de as buscas ao meu nome estarem acompanhadas do nome da localidade onde vivo. Algo que já não é comum. O que quer dizer que o IP foi rastreado e bem rastreado.

É ou não normal eu agora usar um pseudónimo?

Para os defensores da censura como o senhor Pereira, o senhor Tavares, e a estação de televisão SIC e os interesses por detrás dela não é normal.

O pseudo debate de 30 minutos acabou – após 29,5 minutos de lançamento de pânico e ameaças de penas de prisão para tudo que se mexesse – acabou, escrevia, com a publicitação à nova página da SIC, que “ir lá é seguro”, pela voz melodiosa do senhor Rodrigo Guedes de Carvalho, Pivot da SIC.

O mesmo que, salvo erro, na capa de um jornal de ontem aparecia a dizer que a RTP copiou ou plagiou o logotipo da SIC.

Se os blogs retiram público a páginas de empresas, não haverá conflito de interesses, em apresentar-se reportagens falando dos perigos da Internet e mencionando como elementos de perigo, os blogs, que até são quem retira público a páginas de empresas?

ADENDA:

pensando ser eu o único ( mas que pedante…frustrado e narcisista agarrado a um blog para combater a solidão como disseram os especialistas e também algumas pessoas na caixa de comentários do artigo “cartão da selecção nacional”…) a ter reparado na idiotice da pseudo reportagem verifico que afinal existem mais pessoas atentas – bastantes até. Afinal ainda há esperança (e alguns seres que pensam…) para este país de drogados pelo futebol.

No blog ponto sapo, um perigoso terrorista não só fez um post sobre o assunto, para subverter a pátria, como insere o vídeo onde se mostram as asneiras que se dizem no referido programa.

E insere mais ligações para mais 7 ou 8 blogs que repararam no mesmo. Graças a Deus se ele existir.

Alguns posts de outras pessoas relacionados com o programa:

iPhil – Choque…
guronsan – O Cyberterror
Tenho algo a dizer sobre… – Internet, blogs e afins
Ainda pior blog – Difamação na Blogoesfera
lisbonlab – Aqui e agora: os perigos da Internet
Fu-Bar – Artigo Vergonhoso na SIC contra blogs
Sylbiah – Internet
Afectado – Ensaio Sobre a Blogoesfera
Charquinho – Os perigos da Internet e os da Ignorância de Moita Flores

Sugiro leitura de todos especialmente do segundo, onde o seu autor Guronsan já se protegeu num abrigo nuclear contra os blogs.

E desligou o computador.

A bem da nação. Publique-se.

ADENDA 2

A educação do meu umbigo – um blog que foi atacado visualmente no referido programa de patrocínio a censura. Provavelmente e de forma indirecta por questões relativas ás posições e audiências de quem o faz, o senhor Paulo Guinote

CENSURA NO AUDIOVISUAL. EUA. (1)

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Continuação

“CENSURA NO AUDIOVISUAL. EUA (2)”

“CENSURA NO AUDIOVISUAL. EUA (3)”

Artigo de bolinha vermelha.

Em 1968, um senhor chamado Jack Valenti, o chefe da MPAA – Motion Picture Association of América – o conjunto de associados da industria cinematográfica norte americana decidiu criar uma classificação não compulsória de filmes.

Assim começa o filme / documentário “This Film Is Not Yet Rated” do realizador Kirby Dick. Começa também com uns quadros mostrando que as várias associações de críticos cinematográficos existentes aprovaram o filme de Kirby Dick, mas a MPPA não aprovou, nunca aprovará e o quadro termina perguntando “Why not? / Porque não?

A ideia deste documentário é mostrar o totalitarismo / arbitrariedade selectiva inerente à classificação de filmes nos EUA.

Em que é que isto nos afecta?

Afecta-nos em muito dado que 90% de tudo o que é passado em televisões / cinemas / vídeo é feito nos EUA.

O documentário começa como o descrevi, passa depois a uma imagem de 1978 de um noticiário onde se dá conta do trabalho de sistema de classificação, e um noticiário de 1999, onde os diálogos são ao mesmo tempo hilariantes. O noticiário de 1999, diz qualquer coisa como ” Há 30 anos que a MPAA ajuda os pais a decidir quais os filmes que os filhos deverão assistir”.

Os país são pois elevados à categoria de totais mentecaptos aos quais a MPAA , generosamente e de forma altruísta, ajuda a “decidir”…

Ultimamente, nos EUA, as suas decisões tem estado sob fogo cerrado, diz ainda o noticiário. Ao longo do documentário (e, espero eu, deste post/conjunto de posts) perceber-se-á porque …

Antes do “sistema de classificação” estar em vigor a MPAA CENSURAVA directamente e activamente filmes. No país mais livre do mundo censuram-se filmes?

Estranho…Dai o documentário chamar-se “This Film is Not Yet Rated” – este filme ainda não foi classificado. As classificações são 5:

  • G (TODOS)
  • PG 13 (MENORES DE 13)
  • PG (MAIORES DE 13 ACOMPANHADOS PELOS PAIS)
  • R ( 17 ANOS )
  • NC-17 (CLASSIFICAÇÃO ANTIGA “X”, OU SEJA, POR EXEMPLO FILMES PORNOGRÁFICOS)

A classificação, como mostra o documentário é feita da seguinte maneira:

um grupo de pais, reúne-se na sede da MPAA em Encino, Califórnia e …… classifica.

As decisões são extraordinariamente controversas nomeadamente no que aos filmes classificados NC-17 diz respeito e é isso que o documentário mostra. São extraordinariamente controversas, fazendo perceber a manipulação e o enviesamento das classificações e de como somos induzidos a ser manipulados – todos os que vemos filmes…

Existem questões relacionadas com classificações relativas a sexo, mas não só. É é todo esse “mecanismo” que é mostrado por este documentário para se perceber como estranhas forças religiosas e do dinheiro atacam deliberadamente a liberdade de expressão e a liberdade artística usando esta classificação pomposa para o fazer.

Não deixa também de ser engraçado que o país auto proclamado “mais liberal do mundo” sinta a necessidade de encorajar um sistema de classificação – na pratica, uma regulamentação. Sendo nos EUA, a regulamentação olhada – quando feita noutros países como sendo uma pratica “comunista ou socialista ou Estatal”; aqui, neste assunto, um conjunto de empresas privadas utiliza essa pratica comunista ou socialista ou estatal para se imiscuir e definir os gostos de terceiros…

Numa determinada parte do filme a realizadora Kimberley Peirce – realizadora do filme “Boy´s Don´t Cry” explica o que lhe sucedeu.

kimberley é lésbica, embora tenha uma filha…de acordo com os seus gostos e liberdade de expressão artística, realizou um filme sobre mulheres lésbicas na cidade de Nova Iorque.

Conhecia o tema e conhecia muitas raparigas que se vestiam de homens e viviam como se fossem homens em Nova Iorque. (Porquê, não sei, nem me interessa por aí além..)

Um belo dia, após ter feito o filme, o agente dela informa-a, que ela recebeu um NC-17. A pior classificação.

“Isso é porreiro”, observamo-la na sua cândida ingenuidade, porque todos os filmes porreiros (para ela) que tinha visto estavam classificados NC-17. O agente explicou que não, aplicando um balde de agua fria.

Não era bom, porque o Estúdio, não lançaria o filme; não o lançaria no canal de distribuição, nem o promoveria, caso o filme recebesse um “NC-17.

A realizadora ficou de rastos porque tinha trabalhado contra todos os obstáculos de: (A) não ter dinheiro para fazer o filme e ter de o procurar ( B ) ir contra as pessoas; as muitas opiniões, segundo as quais ela não poderia fazer um filme daqueles porque aquilo não interessava a ninguém, (C) e depois passar o teste de publico, que gostou do filme.

Todo um esforço e tempo de trabalho desperdiçado, para, depois, aparecer esta misteriosa comissão que classificava o filme como NC-17, na pratica inviabilizando o lançamento comercial do filme. Como ela explica e passo a citar com a mesma linguagem gráfica dela parece que os problemas do filme eram 3: (Bolinha vermelha AQUI O)

1- Depois do Brandon ter feito um minete à Lana ele vem para cima e limpa a boca. Como ela diz, (kimberley)/ we had a strike on that”. (Fomos riscados…nessa).

Posso também explicar que não se vê sexo explicito filmado ao pormenor. Apenas se sugere isso. (No documentário, no filme não sei…) O que é hilariante é que ela pergunta o porquê ao seu advogado (que lhe contou isto) e responde-lhe (que lhe explicaram) que “” não souberam bem porquê, mas é ofensivo””.
Fantástico argumento este para recusar algo…

O mais hilariante no filme é que existe uma cena em que a protagonista principal dá um tiro na cabeça à queima roupa do personagem Brandon e isso não é considerado ofensivo ou chocante.

2 – A segunda cena que levou com NC-17 é uma cena de violação anal.

Ao que parece queriam que ela a cortasse. Como a cena em questão fazia parte do contexto global do filme – contribuía para se perceber a história – ela recusou logo o corte e perguntou qual era a terceira razão.

3 – Parece que a terceira cena a ser cortada e que levou com um NC – 17 é o orgasmo da Lana, a protagonista. Parece que o ” orgasmo dela é demasiado longo”.

Numa nota mais pessoal e de profundo gozo por este tipo de argumentações; diria que a tabela de tempo de duração de orgasmos apresentada pela Sociedade Mundial de Definição do Tempo dos Orgasmos na sua última assembleia geral não conseguiu chegar a acordo entre os seus membros sobre a definição do tempo dos orgasmos longos a adoptar e votou – por unanimidade – não chegar a consenso.
Talvez uma norma comunitária resolva o assunto…

A realizadora do filme replica, perguntando “quem é que já saiu magoado por ter tido um orgasmo demasiado longo”?

Ou seja, o orgasmo era (foi) considerado ofensivo.

Não por ser orgasmo, mas por ser longo. Presume-se. Mas isto foi no dia em que o filme foi classificado. No dia a seguir, suponho, a classificação já teria sido dada de outra maneira.
Kimberley foi voltar a ver a cena do orgasmo e percebeu que o problema daquela cena, não era o orgasmo da LANA, a personagem principal, mas sim o facto de a personagem estar a ter um enorme prazer, isto é, a representar ter um enorme prazer ao ter um orgasmo longo.

Como conclui a realizadora, é isso – algo nisso – que “os está a assustar, e a enervar”.

Além disso, a senhora que está a ter o orgasmo longo é “muito vocal”. A imagem cinematográfica é bem feita e descreve uma mulher – ainda por cima, a actriz em questão é loura e bonita, a ter prazer.

Continua.

NEO LIBERALISMO ECONÓMICO E A DECADÊNCIA PROGRAMADA

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Em 1990 escutei um senhor chamado Arlindo Alegre Donário, Sub secretário de estado da segurança social do primeiro governo de maioria absoluta (1987-1991) do actual Presidente da República – que dá pelo nome de Cavaco Silva, não sei se alguém conhece?

É aquele senhor que fala e se comporta como se nunca tivesse sido primeiro ministro durante 10 anos (1985-1995).

O senhor Donário, quando questionado sobre o que aconteceria às empresas portuguesas da área têxtil, mas não só, submetidas as liberalizações dos mercados, que seriam totalmente abertos no ano 2000 e com as consequências dos acordos que alegremente se assinam e se assinaram pelos sucessivos governos portugueses, respondeu que a grande maioria delas – umas 90% delas – iriam fechar.

E que isso geraria imenso desemprego. ( Dito num tom despreocupado)

Isto aconteceu em 1990.

Já antes dessa data a situação do país tinha sido desenhada para dar um certo resultado.

O que está a acontecer agora e a explodir a céu aberto é apenas a visualização da dimensão de uma traição.

A situação, de acordo com os dados que eu, modesto cidadão disponho, irá piorar enormemente, porque fomos colocados, como país e como cidadãos numa posição de ultra periferia, de sitio semi totalitário e, terra de ninguém, completamente abandonada onde nada será investido.

A classe política/económica portuguesa a troco de aceitar vender o país, também porque é absolutamente incompetente para o gerir de forma séria e eficaz, viu ser-lhe concedida a manutenção de uma espécie de casulo de poder e de relativo fluir de dinheiro.

Situação confortável onde estar relativamente subtraída à concorrência internacional destinando aos portugueses o acto de fazerem o papel de escravos dóceis e bem comportados a quem apenas será permitido os privilégios habituais dos escravos.

Que são viver em casa de segunda qualidade e pagá-la a preços exorbitantes, ter alguma comida, sexo, prazeres de alienação vulgarizados como futebol, música e religião, espectáculos de cor e luz e……mais nada.

É também por isso que temos actualmente – Maio de 2008, este folclore relacionado com a selecção nacional como teremos no futuro festarolas semelhantes.

Cito o senhor José Medeiros Ferreira, na minha opinião, um ilustre Maquiavel de sofá, membro do partido socialista e membro do actual estado de coisas, pseudo democrata que pactua com a censura de caixas de comentários em blogs, em 16 de Dezembro de 2005, no blog Bichos-Carpinteiros:

” Referi no programa televisivo Prós e Contras que Portugal teria tendência a especializar-se na realização de eventos internacionais que exponenciassem o cluster do turismo e dos serviços.Pois a UEFA acaba de atribuir à Federação Portuguesa de Futebol a organização do Campeonato Europeu de sub-21, a realizar entre fins de Maio e princípios de Junho do próximo ano.Lá voltaremos a ter estádios cheios, hoteis com elevado grau de ocupação, comércio solicitado numa época intermédia.
Alguém tem alguma coisa contra?”

O tom totalitário da ultima frase é notável. Apresenta-se uma situação desta forma e depois coloca-se a pergunta “- alguém tem alguma coisa contra”.

Voltando atrás;ás festarolas: Isto é ainda mais grave, num país que não tem indústria, não tem pescas, não tem agricultura, não tem uma única actividade produtiva seja ela qual for que se veja.

É aliás por isso que nos é dito propagandeado para irmos viver de turismo e serviços.

  1. Plano estratégico nacional de turismo 1
  2. Plano estratégico nacional de turismo 2
  3. Plano estratégico nacional de turismo 3
  4. Plano estratégico nacional de turismo 4

Cito André freire no jornal Público de 2-10-2006, referindo-se à direita neo liberal que na altura grasnava através de um pseudo projecto de marketing político/comunicação social, chamado “Compromisso Portugal” e cito uma parte onde o senhor Freire explica exactamente o que esta direita neo liberal e anti democrática quer. Que se entenda a dimensão do que ela quer.

“…Não sei de que cartola tiraram a ideia de reduzir 200 mil funcionários públicos pois, conforme noticiava o PÚBLICO (24/9/06), segundo os dados do Eurostat os 14,3% de funcionários públicos portugueses (face à população activa) estão dentro da média da UE (dados de 2002)! Há um excesso de despesas com o sector público que é preciso reduzir, com certeza. Mas tal dever-se-á mais a uma gestão ineficiente e a problemas na estruturação das carreiras, que aliás estão a ser alvo de reformas.”

” Além disso, tais senhores pretendem fazer o Estado recuar na saúde e na educação para que o capital privado possa expandir-se em áreas relativamente protegidas da concorrência internacional e, ainda por cima, com financiamento público garantido. Ou seja, um recorrente desejo de investimentos privados com pouca exposição à competição internacional e, ainda por cima, protegidos pelo financiamento estatal… Mas se, como frequentemente nos dizem, o país deveria exportar mais, quem iria depois fazê-lo, já que os privados se querem virar sobretudo para o mercado (social) interno? O Estado? ”

HOSPITAL AMADORA SINTRA. RECLAMAÇÕES. INCOMPETÊNCIA.

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A competência da gestão privada dos hospitais portugueses especialmente do Hospital Amadora-Sintra mede-se de forma clara, cristalina, concreta.

Um cidadão otário deste país no dia 7 de Novembro de 2007, marcou um exame no magnifico hospital Amadora Sintra .

O exame foi passado pelo respectivo médico do hospital, no mesmo dia.

A habitual medida da incompetência do Hospital Amadora Sintra para marcar este tipo de exames mede-se em 3 meses. Tradução: costumam demorar 3 meses a fornecerem uma data da efectivação do exame.

É o padrão médio da ( in) competência.

Na altura em que marcou o exame, o cidadão até requereu que o mesmo ATÉ FOSSE efectivado nos meses de Abril ou Maio de 2008.

Acrescentou dessa forma, mais 3 meses de prazo ao que é o costume do Hospital amadora Sintra; o tal de gestão privada, competente e perfeita.

Passou o mês de Abril de 2008 e nada aconteceu. No dia 7 de Maio de 2008 e porque já sabe o que a casa gasta, o cidadão dirigiu-se ao departamento onde foi marcado o exame, para saber qual era a data do mesmo.

Tendo sido informado que não existia qualquer exame marcado em seu nome.

Previamente, no dia 7 de Novembro de 2008, o cidadão dirigiu-se ao Gabinete do Utente do referido hospital, derivado de uma outra questão, para fazer aquilo que qualquer pessoa que lá vá deveria fazer: apresentar uma reclamação por escrito.

Ficou combinado com a funcionária do Gabinete do utente, de nome Laura Lopes, que ela própria iria falar com o departamento responsável pelo exame e transmitiria TAMBÉM E DE NOVO o mesmo recado que o cidadão já tinha transmitido presencialmente, nesse mesmo dia.

Duas pessoas diferentes, uma das quais é funcionária do hospital;

transmitiram o mesmo recado ao mesmo departamento do Hospital no mesmo dia 7 de Novembro de 2008.

Em cima disso, a funcionária Laura Lopes, ainda, como se poderá ver na imagem mais abaixo, escreveu à mão, NA FOLHA DE MARCAÇÃO DO EXAME, no canto superior esquerdo – a zona de visão mais definida que há – o seguinte:

” Marcar Abril de 2008″

“O senhor pede para ser avisado por carta s.f.f”

e assinou.

Voltemos a Maio de 2008.

No dia 9 de Maio de 2008, o cidadão volta ao Hospital Amadora Sintra para saber dos desenvolvimentos do caso.

É informado pela funcionária Laura Lopes, que esta teve que se chatear com o departamento do referido exame, para obter uma data, mas que podia informar o cidadão que seria ainda enviada uma carta com a nova data na semana a seguir.

Competência. Profissionalismo. Rigor da gestão privada.

O cidadão solicita ainda à funcionária Laura Lopes – a única pessoa que parece saber alguma coisa do que anda a fazer no Hospital Amadora Sintra – que investigue qual é que foi o obstáculo insuperável que impediu que um exame fosse marcado e já com o prazo diferido em mais 3 meses.

No dia 12 de Maio recebe o cidadão efectivamente, uma carta em correio azul (mas para quê, em correio azul?!) informando-o da nova data.

A nova data é 30 de de Junho de 2008.

Apenas sensivelmente 7 meses e 3 semanas a contar da data 7 de Novembro de 2007.

Competência. Rigor. Profissionalismo. Gestão privada. Cidadãos de Braga, preparem-se. O grupo Mello vai para aí gerir o vosso hospital.

Voltando um pouco atrás.

Quando requereu a efectiva marcação de nova data o cidadão solicitou que a mesma fosse feita ou nos finais de Maio de 2008, ou nos princípios de Junho de 2008.

Como acto de retaliação pelo facto de o cidadão já ter apresentado uma 15 reclamações por escrito e mais algumas verbais em 4 diferentes sítios da administração pública ou no próprio hospital, sem que o assunto fosse efectivamente resolvido,

suspeita o cidadão que esta não efectivação de marcação de exame

é apenas uma tentativa de retaliação por isso mesmo.

Como tal afixa-se neste blog.

Também se afixa neste blog a mensagem de resposta da responsável pela entidade que supostamente põe na ordem a gestão  do Hospital Amadora sintra.

Uma senhora chamada Isabel Teodoro, que respondeu no feriado de dia 15, de um organismo qualquer (escreve-se qualquer porque cidadão que já contactou previamente com este lugar, começa a não perceber exactamente para que serve, uma vez que os problemas não são resolvidos e nunca são resolvidos) entre muitos que existem no Estado português chamado

Observatório regional de apoio ao SIM – cidadão, que supostamente trata destas coisas.

Importa também dizer que considero que toda a gente que tenha problemas destes ou semelhantes ou noutras áreas deverá apresentar reclamações sistematicamente, e não ceder em nada.

UNIVERSIDADE PRIVADA NOS ANOS 90 DO SÉCULO 20.

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MANUAL PRÁTICO DE CORRUPÇÃO – LIÇÃO 1.

1.Numa Universidade privada de Lisboa no final dos anos 80, principio dos anos 90 ( não, não era a Universidade Independente…), num curso “técnico”, chamado “curso de gestão”, aconteciam coisas engraçadas.
Numa determinada parte do curso, a partir do 3º ano, existia a opção de escolher, quais as cadeiras a fazer, quais as cadeiras opcionais e, evidentemente, ter que fazer as que faziam parte do corpo do curso.

2. Numa determinada cadeira, os alunos eram poucos. A cadeira era, de algum modo, mais difícil que a média, e tal “status” desfavorável gerou que, mais ainda do que o comum, vários alunos “fugissem” dessa cadeira indo para outras teoricamente mais fáceis.

3. Dentro do contexto geral do curso, estas pequenas…anomalias…geravam a existência de alunos que começavam a sentir ser necessário ter um qualquer “incentivo” e “pressão” a descobrirem uma maneira “rápida e expedita” de fazer não só essa cadeira, como também, algumas das outras.

4. Esses incentivos, e pressões no sentido de formas rápidas e expeditas de “solucionar os problemas” criaram um forma peculiar de corrupção.

Manifestava-se essa corrupção pelo “estabelecimento” de relacionamentos privilegiados e preferenciais com alguns dos funcionários da secretária da referida Universidade Privada do centro de Lisboa.

5. Essas relações privadas e preferenciais por parte de alguns alunos (apenas uma casta elitista que conhecia o segredo de como fazer as coisas e estava na disposição para isso… ) levaram, curiosamente, a que alguns dos alunos possuidores desse conhecimento secreto de como fazer as coisas, obtivessem, geralmente com uma semana de avanço, os enunciados dos testes a realizar, quer os de Fevereiro, quer os de Junho, ou até mesmo – em situação de emergência – os de Setembro.

6. Consequentemente, alguns alunos ( por exemplo de uma turma de 40, 6 ou 7 dos alunos) já sabiam quais as respostas a dar às perguntas que eram feitas – com uma semana de antecedência – em algumas das cadeiras.

Tal passava-se porque os senhores professores deixavam os enunciados na secretária na semana anterior para que existisse …… “tempo” …… de serem fotocopiados.

7. Numa determinada sub turma à qual pertencia a tal “cadeira difícil” APENAS existiam 9 (nove) alunos inscritos.

8. Um desses alunos teve a “ideia luminosa” de pagar um suborno pela porta do cavalo e adquirir o “teste” a realizar. (Salvo erro foram 50 contos/ 250 euros)
Após aquisição de tão precioso bem, e, como…auto compensação…por dois fins de semana que já não dava para ir para a borga na 24 de Julho e Bairro Alto, devido a ter sido despojado de alguma quantia em dinheiro, e não tendo garantias de que, mesmo sabendo o teste e fazendo-o “bem”;
– não tendo garantias, escrevia eu;
– de que “esse movimento” lhe iria gerar uma nota “interessante”;
– devido ao comportamento “desfavorável” e “acintoso” ,”prepotente” e de quem apenas queria criar dificuldades para provar que era um competente pequenino tiranete; exibido pelo professor da referida cadeira;
– este aluno que ofertou o suborno a alguns funcionários da secretária, e para recuperar as perdas propôs aos outros 8 colegas restantes um “negócio”.

Proveitoso, para ….. todas as partes.

9. O “negócio” consistia em “cobrar ” uma “quantia” a cada um dos 8, (Salvo erro 10 contos a cada um) em troca do enunciado do teste, para dessa forma tão tipicamente capitalista liberal; recuperar” o investimento…… inicial……

10. Dos 8 restantes, 7 aceitaram a proposta e pagaram a quantia pretendida pela obtenção do enunciado do teste.

11. Um único aluno, o “otário” desta história, não aceitou. ( Quem ler até ao fim percebe porque é que eu não acredito nem por um instante em Portugal e considero isto é um dos tugúrios mais nojentos e corruptos que existem…)

12. No dia do teste apresentaram-se 9 alunos para o fazer, dos quais, 8 conheciam o enunciado previamente e um não conhecia.

13. O professor em questão – um mestre pedagógico da maior qualidade ( que merecia levar um tiro…) – passou 3 ou 4, logo na correcção de nota escrita e levou os restantes a exame oral.

14. Aqui o enredo adensa-se.

O aluno que não quis comprar o teste, antes do mesmo falou com o professor dizendo-lhe que sabia que os colegas dele já conheciam o enunciado e perguntou: “como é que é” ?

– O mestre pedagógico, disse-lhe que não se preocupasse que depois tudo seria resolvido a contento.

– O aluno que tinha alertado o professor após publicação de notas ficou “espantado” por terem, mesmo assim, sido passados de ano – logo nas pautas – alguns colegas. Parecia-lhe “incompreensível” a situação….

– Este aluno que tinha alertado o professor para a anomalia perguntando “como é que é”? foi a exame oral (surpresa….) e foi (surpresa, outra vez … ) chumbado ( e humilhado forte e feio) na oral. Todos os outros 8 passaram. Todos os que tinham “comprado” o teste e todos os que tinham sido metidos na “oral”.

15. O professor da cadeira, este emérito mestre pedagógico, mesmo depois de saber de toda a situação, manteve todas as notas na mesma. Ou seja passou todos, e “atacou” quem não quis “alinhar” com o “esquema” chumbando-o na cadeira.

16. Dessa forma, ao “isolar” este aluno, fazia com que nenhum dos outros 8 se sentisse “inclinado” a dizer a verdade e admitir que tinha participado na fraude.

Ao mesmo tempo, criava o cerco à volta do único que não tinha aceite pagar um suborno.

Qualquer protesto deste era assim e desta forma …… desvalorizado …… insinuando-se desta maneira venenosamente indirecta, que esta pessoa levantava “acusações falsas” apenas e só, por ter chumbado à cadeira.

NOTAS:

(A). O aluno que não quis pagar o suborno não era eu, nem eu era algum dos outros 8.

(B). Isto eram algumas das muitas situações que se passavam na referida universidade privada de Lisboa cujo reitor era o senhor Luis Arouca, ex- reitor da U. Independente.

(C).Foi para isto que se quis criar o ensino privado em Portugal?

O DISCURSO CORRUPTO SOBRE A POBREZA E A RIQUEZA.

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NO dia 18 de Dezembro de 2007 publiquei um excerto do blog esquerda-Republicana escrito por Filipe Castro (vive nos EUA), chamado “Escolas privadas, corrupção e acesso ao poder” :

Cito:

“””A qualidade do ensino, por si só, não é determinante para o sucesso dos estudantes na vida profissional. Por exemplo, uma coisa importante nas escolas privadas são os amigos. A possibilidade de controlar com quem é que os nossos filhos se dão é uma vantagem importantíssima na educação deles.

Nos anos do Cavaquismo, um amigo meu, a trabalhar numa empresa financeira qualquer, perguntou a um banqueiro amigo do pai porque é que o banco dele tenha deixado sair um determinado gestor (que segundo o meu amigo era extraordinariamente competente e tinha acabado de começar a trabalhar na empresa dele). O banqueiro respondeu que o gestor em questão “era de baixa extracção”.

O meu amigo riu-se e perguntou se ainda fazia sentido nos anos oitenta ser-se snob no mundo dos negócios. O banqueiro respondeu-lhe que havia pessoas que eram de confiança – “dos nossos” – e pessoas que não eram de confiança.

Por exemplo – dizia o banqueiro – a seguir ao 25 de Abril, uma data de trabalhadores de longa data tinham-se identificado com a revolução e não hesitaram em atacar os interesses do banco e das empresas da família dele. Lugares de responsabilidade deviam ser dados a “pessoas de confiança, com os mesmos valores que nós.””””

No dia 29 de Novembro transcrevi 3 artigos para o post “Projecto totalitário. Liberdade.Distopia.”,- o de cima e dois outros. De um dos outros do blog Lergosum” cito uma parte:

À medida que avança, o projecto vai ganhando contornos nítidos. No topo, os Senhores: uma aristocracia de empresários e políticos. Imediatamente abaixo virão os escudeiros: a aristocracia menor dos gestores e dos jornalistas.

Tudo o resto está destinado a ser plebe…

Como poderemos defender-nos? No ancien régime houve corporações que usaram como arma os conhecimentos técnicos de que dispunham e de que os Senhores necessitavam. Fizeram segredo dos seus saberes e organizaram-se em associações clandestinas, as quais com o tempo tempo vieram a dar origem às maçonarias. Receio bem que de futuro venha a ser esta a nossa única opção, se não conseguirmos agora derrotar a oligarquia.

No dia 13 de Fevereiro de 2008, publiquei o primeiro de uma série de 4 artigos intitulado, “Bibliotecas, empréstimo pago. Não. 1º “, onde citava uma parte de Aldous Huxley:

Secundo – um conhecimento cientifico e perfeito das diferenças humanas que permita aos dirigentes governamentais destinar a todo o individuo determinado o seu lugar conveniente na hierarquia social e económica – as cunhas redondas nos buracos quadrados (expressão metafórica inglesa que designa um individuo que está num lugar que não lhe é próprio.

(Nota do Dissidente-x, tradutor/violador dos direitos de autor deste texto….) possuem tendência para ter ideias perigosas acerca do sistema social e para contaminar os outros com o seu descontentamento.

Transcreve-se :

Bruce Charlton, um investigador académico britânico, considera que a “distribuição desigual” de classes sociais em universidades de renome incide num “processo natural” de diferenças no QI.

A diminuta percentagem de estudantes de classes sociais média-baixa em conceituadas universidades tem por base um “processo natural” de diferenças substanciais no QI. Quem o defende é Bruce Charlton, um investigador académico britânico, que lançou a polémica durante uma entrevista esta semana à revista especializada em educação “The Times Higher Education”.
Segundo Charlton, “o governo do Reino Unido, gastou tempo e esforço em declarar que universidades, em particular Oxford e Cambridge, estão a excluir injustamente pessoas de classes sociais
mais baixas privilegiando as de classes sociais mais elevadas”.
Para o professor de psiquiatria evolutiva na Universidade de Newcastle, o debate apresentou uma falha ao excluir um factor importante do padrão verificado: “o de o QI ser significativamente maior em pessoas de classes altas”.
Charlton considera que a “distribuição desigual observada em universidades de renome” não está relacionada com
preconceito no processo de admissão dos alunos. Ao invés, defende que tal acontece em resultado “natural do mérito”.
As afirmações publicadas no artigo desencadearam duras críticas no sector da educação do Reino Unido.
A União Educacional de Estudantes (em inglês National Union of Students – NUS) emitiu um comunicado para classificar os argumentos de “equivocados, irresponsáveis e insultuosos”. “Claro que a desigualdade social define a vida das pessoas, muito antes delas entrarem na universidade, no entanto, o sector educaciona
l não se pode absolver da sua responsabilidade em assegurar que estudantes de todos os grupos sociais têm as mesmas oportunidades para desenvolverem o seu potencial, afirmou a presidente Gemma Tumelty.

Também o ministro do Ensino Superior, Bill Rammel, reagiu às afirmações de Charlton considerando que nelas estará implícita a ideia de que “cada um de nós deve saber qual é o seu lugar”.

Notícia Expresso 24 Maio de 2008.

Este é o tipo de discurso destinado a “convencer pessoas” que os ricos apenas o são porque lá chegaram por mérito, e assim, dessa forma. legitimar a pobreza como conceito aceitável na sociedade e – ao mesmo tempo – culpabilizar os pobres por o serem -são inferiores.

Entre isto e as teorias nazis de raças inferiores não há diferença nenhuma excepto que o senhor Charlton está-se também a referir a brancos ingleses de classe média, por exemplo.

Também consiste em possibilitar ao senhor Charlton, a legitimação académica para subir na carreira, ou através de subsídios que lhe serão concedidos ou através favores que lhe serão feitos.

É uma forma sofisticada de corrupção praticada por quem tem dinheiro para atacar o conceito de igualdade e de democracia numa sociedade.

O alvo actual é o sistema de ensino acessível a todas as pessoas.
Pensem.