DISSIDENTE-X

POLÍTICA – E NOVOS PROJECTOS

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Existe uma corrente( voluntariosa) que diz “intelectuais de nova geração, uni-vos”- se não quereis ser esmagados pela mediocridade e pelo caos reinante. A corrente diz (também com verve), que é preciso algo mais do que só despejar veneno acerca do estado das coisas (penitenciando-se o próprio) e não estar numa onda de resignação ou comodismo permanente.

Reorientando este texto, vou citar a personagem interpretada pela actriz Glenn Close/condessa de Merteuil, no filme “Ligações Perigosas” baseado no livro do escritor Choderlos de Laclos. A dada altura a Condessa diz a propósito de outro personagem do filme «o Cavaleiro Danceny» o seguinte: “Danceny como todos os intelectuais é intensamente estúpido”.

  • Significa isto no contexto do filme que o intelectual Danceny não estava ver o óbvio.
  • Não significa isto que eu estou a chamar estúpido ao proponente da corrente ” Intelectuais,uni-vos.”

Apesar de existirem (alguns) intelectuais que não são intensamente estúpidos devemos partir do princípio que não é esse o caso generalizado em Portugal.

Logo, como “confiar” em qualquer corrente ou grupo de intelectuais que pretendam fazer uma “Fronda”, se a experiência demonstra que, quase todos, historicamente, são intensamente estúpidos e mal preparados?

Que tem pouca ou nenhuma cultura histórica e que apenas emprenham pelos ouvidos de ideias importadas directamente do estrangeiro?

Este é desde logo o principal problema de qualquer “corrente” política aqui.

Essa fronda de intelectuais, ou corrente, apesar de tudo, permite (deverá permitir) sonhar com a construção de novos horizontes. E desses novos horizontes nascerá a mudança social, política e económica que de que este país carece.

Crítica: para se criarem novos horizontes, é necessário afastar pessoas que ocupam os velhos horizontes.

Problema: Essas pessoas recusam sair pelo seu próprio pé; antes pelo contrário agarram-se cada vez mais ao poder, seja qual for a forma em que este é entendido.

Método: Como não se pode fazer uma revolução sangrenta, porque não é fino, não tem estilo, as ruas ficam sujas de sangue, e além disso cheira demasiado a comunismo ou a esquerdismo jacobinista ( deverá ser quando as pessoas estiverem em estado de escravatura que alguém, eventualmente, talvez, comece a pensar que talvez se tenha que usar a força…para aí deixar de ser considerado como não tendo estilo…), então devemos apontar para existir a ideia de mudança, através de um projecto político.

Mais crítica: para se fazer um projecto político sério, é necessário abandonar ideias “estrangeiras” – é um imperativo neste momento para Portugal, desligar-se o máximo que se puder de certas influências. Isto significa que deverá fazer-se um afastamento, um corte claro.

* Mas as condições desse afastamento deverão ser, (1) não de tipo Salazarista, (2) deverão basear-se na criação de condições democráticas reais, (3) não cair nos esquerdismos tipo PCP ou BE, (4) recusar posição aos grupos de amigos PS/PSD e (5) afastar os cds-pp e restantes forças que nada representam, (6) impedir qualquer influência do poder económico.

Afastar tudo.

Habituada toda uma população a ” referências ” e a “marcas comerciais políticas” que já conhece, porque terá êxito – agora – uma marca nova? Porque terá êxito uma Fronda de intelectuais que proporá uma «posição» nova, que substituirá com vantagem, pressupõe-se, o que existe?

Quais são as garantias disto?

Porque é feita por intelectuais que não querem ser engolidos?

Cito em baixo uma caixa de comentários a contrariar parcialmente estas criticas.

Dissidente,

eu penso que já te disse isso mas por essa lógica só há 3 hipóteses, nenhuma delas agradável:

1) Cometer suicídio.
2) Assassinar a classe política, económica e intelectual em massa.
3) Ir para fora e não voltar e dar o país como perdido.

Não me parece que nenhuma seja razoável.

Daí a minha resposta: A quarta hipótese é continuarmos com este sistema em que todos se desgastam uns aos outros, criando um ambiente irrespirável.

Será esse o sistema político português a vigorar.

A razão pela qual será esse a vigorar é a seguinte.

A maior parte das pessoas não está, nem sequer minimamente, disposta a abandonar o conforto – a zona de conforto – em que vive e disposta a fazer algo – o mínimo que seja, para contestar o actual estado de coisas. Correndo o risco de ser acusado de marxismo diria que o vídeo gravador e a maquina de lavar venceram sobre a necessidade de as pessoas se baterem através de acções concretas contra um certo estado de coisas.

Acções concretas que não passem pelo acto inútil de ir votar.

* Uma vez que não se quer ou pode fazer o que está exposto lá mais acima.

Pré nota lateral: Quem faz o jogo argumentativo de exigir mudança e depois, nem sequer ao nível de uma debate de caixa de comentários trata em pé de igualdade, respondendo a comentários baseado nessa mesma lógica, antes tentando colocar-se num ponto e numa distância superior, tentando criar “plataformas” em que so comentadores estarão em planos diferentes perde imediatamente a credibilidade.

Pré nota lateral 2: existe uma coisa que se chama Double Speech. Com conhecidos ou amigos diz-se algo muito menos polémico do que se diz noutros sítios, sítios esses onde o radicalismo e a a abertamente demonstrada hostilidade à democracia são explanados com todo o vigor. Depois existem os sítios Inbetween onde se oscila e se flutua, usando o dono do sítio como cobertura para fazer isso mesmo.

O dono do sítio que sabe que eu sou um casca grossa com muitos defeitos, também sabe que normalmente digo o que penso, e também sabe que nada deste artigo é contra o dono do sítio; só uma chamada de atenção ao dono do sítio para o facto de que eu não ando a tentar convencer ninguém a embarcar em projectos políticos, não ando a recrutar conspiradores.

O dono do sítio é um rapaz inteligente; percebe isto.

Nota lateral:

O discurso dos que discordam do funcionamento em rede porque isso era “cacofonia” e multiplicidade de ideias é o discurso idêntico aos que defendiam a ditadura Salazarista, especificamente e também, o próprio, clamando contra a desordem que uma multiplicidade de vozes e ideias geraria – assim justificando que só uma voz falasse.

Também é o discurso dos que aspiram a chegar ao poder sem terem que combater o mínimo que seja, para lá chegar – esperam que outros lhes aplainem o caminho – e uma vez lá chegados, receberem o poder «intacto» sem mossas ou danos de qualquer espécie.

Podendo assim começar do zero e vender a ilusão de uma nova era que – imagine-se só – começou precisamente quando estas pessoas chegaram ao poder.

E também é o discurso dos que pretendem « atrair para a sua esfera de influência» pessoas interessadas em projectos políticos novos e sérios, mas não o parecendo estar a fazer, isto é, não parecendo estar a atrair as pessoas interessadas em projectos políticos novos e sérios para a sua esfera de influência.

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Written by dissidentex

09/05/2008 às 19:37

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