DISSIDENTE-X

Archive for Junho 2008

CENÁRIOS E TENDÊNCIAS PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS.

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PARTE 1

A LISTAGEM COMPLETA DOS ARTIGOS ENCONTRA-SE NA PÁGINA DA BARRA LATERAL CHAMADA Z-CENÁRIOS

SUPER TENDÊNCIAS PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS

MICRO ANÁLISE SOCIAL E ECONÓMICA.

Processo de longo termo analisando os processos em espectro largo e de grandes tendências, ao nível social, e económico a nível mundial.

A intensidade do impacto e o que causa transformações multi dimensionais nas sociedades.

1. Mudanças demográficas → novos estádios de individualização.

  • No ocidente (excepção ao EUA) população envelhecida.
  • No resto do mundo, populações cada vez mais jovens e maiores.
  • Tendência a aumento de populações migrantes.

Problemas:

  • No ocidente, pressão sobre as populações mais velhas consideradas como um fardo.
  • Custos de saúde aumentados.
  • Xenofobia resultante das “soluções” preconizadas pelas elites desorientadas, que prevem aumento de imigração.
  • Custos com segurança e militares com tendência a aumentarem, micro conflitos políticos e diplomáticos com os estados do terceiro mundo.

Paralelamente, o individualismo das populações ocidentais – agora acompanhado pela procura dele por parte das populações dos países do terceiro mundo, irão gerar gerar um tipo de individualismo global

A tendência será para menos relações sérias e estruturadas, assentes em valores como a lealdade, a segurança, a honra – o numero destas na vida de uma pessoa será menor – sendo substituidas por muitas e muitos relacionamentos “soltos” e rápidos como comida rápida pronta a largar e a usar de novo algures.

Os efeitos na psicologia colectiva serão tremendos. As pessoas serão mais superficiais e menos “profundas” na maior parte dos seus relacionamentos. O mesmo nas empresas onde a força de trabalho será incentivada a não ter lealdade.

Pessoas de meia idade serão excluidas – consideradas consumidores desejáveis, mas não cidadãos desejáveis.

O mercado transformar-se-á de um mercado de massas, com produção em massa, para um mercado personalizado, um micro mercado, cada vez mais ajustado ao hedonismo e individualismo globais. Problemas adicionais serão a cada vez maior confusão e falta de pontos de orientação do consumidor/cidadão, cada vez mais “isolado” num mundo que lhe diz que o que ele adquire é pessoal e intransmissível, mas a que a solidão do “consumidor” aparece sempre, porque este está isolado.

Teorias da auto suficiência do cidadão/consumidor ( produção da própria energia, por exemplo…)

2 – Objectivos de saude → qualidade de vida.

  • Crescente tendência especialmente no Ocidente para que as pessoas sejam incentivadas a ter mais cuidado com a sua saúde,
  • Obtém-se com uma indução para o aumento da responsabilidade pessoal, quer nestas áreas, quer noutras áreas.
  • Objectivo: minorar os gastos de saude, e passar para o lado dos cidadãos a responsabilidade por isso, legitimando uma cultura de individualismo nesta área.
  • Saúde e qualidade de vida cada vez mais tecnologizadas, aumentando os custos pela aquisição das mesmas e separando os cidadãos que podem pagar dos que não podem pagar.
  • Tendência para a criação de novas forma de comida – comida bio modificada.

É necessário criar estas lógicas antes. Crises de comida – produção e distribuição – ocorrerão, antes que a solução da bio modificada se apresente como uma alternativa viável.

Os mercados serão de convergência nesta àrea. A saúde dará a mão à produção de comida, para se criarem produtos ( “novas formas de comida”, medicamentos, aplicações laboratoriais, cosméticas) derivadas destes sectores.

Sectores caros em preço de aquisição para o cidadão – largas maiorias deles não o poderão pagar e serão excluidos, embora, ao mesmo tempo a exclusão tenha a forma de individualismo e comportamentos pessoais (cidadãos convencidos que não obtém algo, mas que essa ” não obtenção ” é um acto de individualismo, por si mesmo escolhido como uma “tendência” e não uma criação externa e exterior aos mesmos feita por quem incentiva as próximas tendências.

Continua.

Written by dissidentex

30/06/2008 at 21:32

ESPANHA, CAMPEÂ DA EUROPA DE FUTEBOL.

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Hoje é dia 29 de Junho de 2008. Um dia interessante porque representa mais uma derrota geoestratégica, política, social, de Portugal.

Ainda bem.

Não gosto particularmente dos espanhóis. Não me dizem nada, como povo. No entanto hoje fiquei estranhamente satisfeito por terem ganho um campeonato da Europa, o mesmo campeonato onde uma coisa vagamente parecida com um grupo excursionista de labregos excessivamente bem pagos, conjuntamente com a maior operação de propaganda e de lavagem ao cerebro dos portugueses andaram por aí a pairar e a chatear-nos a cornadura durante mais de um mês. passava por ser a selecção de Portugal.

Quiseram-nos convencer à força que uma selecção ridícula, superiormente mal treinada por um brasileiro do pior que o Brasil tem ao nível do futebol, mas que nasceu com o cu virado para a lua, tal a sorte que tem, um mercenário da pior espécie, um incompetente que sabe vender bem peixe ( estragado ) – que uma selecção de vedetóides imbecis – iria ganhar este campeonato.

Para se ganhar campeonatos é preciso fazer umas coisas um pouco estranhas e fora do comum.

Treinar jogadas entre os jogadores da equipa, escolher os melhores, desenvolver um conceito de jogo que seja posto ao serviço do talento disponível.

Eu sei que é estranho falar em treinar jogadas.

Quando se podem incentivar as pessoas a por bandeiras em janelas – que isso supostamente dará resultado. Ou rezar no balneário. Ou afastar os jogadores menos conformistas e com mais atitude das convocatórias.

Mas pronto. Sou um tipo estranho. Que se há-de fazer?

Ainda sou daqueles tipos que acha que uma equipa de futebol tem que saber – os seus elementos – minimamente o que andam a fazer dentro do campo em vez de jogar cada um por sí.

Tenho que me ir vergastar por ter estes pensamentos impuros acerca de disciplina, trabalho e um conceito de jogo aplicados a tipos que ganham 100 mil euros por mês, os mais mal pagos.

E por isso se sofre uma derrota geoestratégica tremenda. Que também tem influência a outros níveis do país.

Um velhinho de 70 anos espanhol, o treinador, mas que sabe – de facto – de futebol, decidiu construir uma equipa de futebol, baseada num simples conceito de jogo e não alterou os seus planos. Depois a qualidade, o trabalho de estudo dos adversários, a interacção entre os jogadores da equipa espanhola, a atitude e a vontade de vencer, fizeram o resto.

Um brasileiro mercenário fez recuar o futebol praticado neste tugúrio, 10 anos – embora os efeitos do desastre da passagem do senhor em questão só se venham a ver em toda a sua extensão, daqui a uns anos.

Mas gostei da derrota porque senão teríamos PROPAGANDA pró o senhor que é primeiro primeiro ministro e um culto de personalidade à mediocridade do senhor que seria verdadeiramente insuportável.

Os cidadãos portugueses estão a ser colocados na mesma posição dos pretos da África do Sul antes da abolição do apartheid. Quando as equipas estrangeiras de Râguebi visitavam a África do Sul em tournêe, desportiva, os pretos da África do Sul compravam bilhetes e iam para as bancadas apoiar as equipas adversárias da África do sul porque esta só permitia brancos na equipa.

Em Portugal estamos na mesma. Só a uma minoria de cidadãos em lugares chave é permitido usufruírem de benesses que deveriam ser de toda a população. O resto dos cidadãos são os pretos da África do Sul.

Como tal compro bilhetes para apoiar a vitória da equipa estrangeira que dá pelo nome de Espanha.

Querem política da terra queimada? Concerteza, passam a ter política da terra queimada.

Written by dissidentex

29/06/2008 at 22:09

ERSE QUER QUE CIDADÃOS CUMPRIDORES PAGUEM AS DÍVIDAS DE TERCEIROS

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A ERSE, entidade reguladora dos serviços eléctricos, decidiu fazer de todos nós parvos.

DIVULGUE-SE

Pagantes EDP – Consulta Pública até dia 07 de Julho

Caros(as) Amigos(as),

Há planos que pretendem pôr os cidadãos comuns, bons e regulares pagadores, a pagar as dívidas acumuladas por caloteiros clientes da EDP, num total de 12 milhões de euros e, para o efeito, a entidade reguladora está afazer uma consulta pública que encerra dia 07 de Julho. Em função dos resultados desta consulta será tomada uma decisão. Esta consulta não está a ser devidamente divulgada nem foi publicitada pela EDP, pelo menos que se saiba.

A DECO tem protestado, mas o processo é irreversível e o resultado desta consulta irá definir se a dívida é ou não paga pelos clientes da EDP. A DECO teme que este procedimento pegue e se estenda a todos os domínios da actividade económica e a outras empresas de fornecimento de serviços (EPAL, supermercados, etc.).

Há que agir rapidamente. Basta enviar um e-mail com a nossa opinião, o que também pode ser feito por fax ou carta. www.erse.pt/vpt/entrada/consultapublica

Abaixo segue um exemplo de e-mail a utilizar:

_______________________

“Exmos. Senhores,

Pelo presente e na qualidade de cidadão e de cliente da EDP, num Estado que se pretende de Direito, venho manifestar e comunicar a Vossas Exas. a minha discordância, oposição e mesmo indignação relativamente à “proposta” – que considero absolutamente ilegal e inconstitucional – de colocar os cidadãos cumpridores e regulares pagadores a terem que suportar também o valor das dívidas para com a EDP por parte dos incumpridores.

Com os melhores cumprimentos,

Nome…..

________________

O endereço de correio electrónico para onde devem enviar o protesto é o seguinte: consultapublica@erse.pt

APENAS encontrei hoje dia 27 de Junho de 2008 estes blogs que falam do assunto:

Blog sensojurídico

Blog Open Space

Blog “escolaprof

MÉDICOS DE CLINÍCA GERAL DEFENDEM CRUZAMENTO DE DADOS.

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Uma das classes mais protegidas da sociedade portuguesa (europeia?) decidiu deixar cair a mascara.

E, sob a capa da eficiência tecnológica médica defendem uma das mais perigosas medidas que se pode propor: o cruzamento de dados médicos, que depois, andariam a flutuar ao sabor dos interesses económicos.

Parece que a definição é a seguinte.

As tecnologias de informação são uma “ferramenta de partilha de cuidados”. Esta é uma expressão tão vaga, tão cheia de vácuo que percebemos que a médica dinamarquesa que a proferiu estará concerteza a candidatar-se a um qualquer cargo político.

É também uma teoria segundo a qual os cuidados a ter com o doente serão partilhados Deveras ?

Está-se a pretender convencer as pessoas que o médico e o doente, conjuntamente, estarão democraticamente a decidir a solução de uma doença. Na maior parte dos casos, o doente não tem qualquer informação ou conhecimento acerca de terapêuticas.

O próprio clínico – normalmente dotado da maior das arrogâncias e possuído do mais completo mercantilismo – apenas diz e assim se faz.

A ferramenta permitirá ao doente e ao clínico:

(1) rever o historial (2) marcar consultas (3) informar-se sobre medicação (4) ver resultado de exames (5) e a realização de consultas pela Internet.

Isto é extraordinário. Nada disto requer a existência de uma médico. Diria mesmo que pelo andar da coisa, o doente caso necessite de uma operação poderão – através da partilha de cuidados – operar-se a si mesmo sem a necessidade de um médico.

Como já pode ver o resultado de exames, informar-se sobre medicação, rever o historial, marcar consultas a si mesmo através da Internet está(rá) habilitado a operar-se a si mesmo?

A mesma médica dinamarquesa que explicou estas vantagens também explicou logo as desvantagens ( que anulam largamente as vantagens…)

(1) Admitiu a eventual existência de constrangimentos resultantes da concentração de dados em sistemas informáticos (2) sobrecarga de informação (3) susceptibilidade perante cortes de energia (4) necessidade de garantir a segurança dos dados (5) e a eventual redução da avaliação médica limitando-se este maravilhoso sistema totalitário ao armazenamento de dados.

No artigo Tabaco Sócratesa dada altura escrevi o seguinte:

Eu sou a favor da democracia e do pluralismo numa sociedade. Acho que o totalitarismo é uma coisa má. Peço desculpa. Estou envergonhado pelo que acabei de escrever;isto de ser à favor da democracia e do pluralismo é algo que está fora de moda e não se enquadra nas sociedades modernas do nosso tempo, que, aparentemente são “pós-modernas e pós democráticas”.

Dissidente-x a purgar-se de forma irónica.

Depois escrevi o seguinte:

Mas é um totalitarismo muito especial.

Paradoxal.

Aquilo ( actualmente) que causa o dano deverá ser aquilo que origina a cura do dano.

Esta médica dinamarquesa é absolutamente excepcional. Causa o dano com as suas ideias totalitárias disfarçadas de avanços tecnológicos e ao mesmo tempo propõe a cura dizendo-nos quais são os perigos que advém das soluções que propôs para melhorar qualquer coisa.

Isto é a pós-democracia em todo o seu esplendor, ou melhor, são os médicos a afirmarem que desistiram de ser médicos e que preferem ser guardiões de um sistema totalitário a implementar, apenas mordomos desse sistema, de um pequeno segmento desse sistema.

As soluções “ferramenta de partilha de cuidados” são todas, mas absolutamente todas, soluções que apenas empurram trabalho e responsabilidade para cima do doente e o retiram do médico.

Os perigos são problemas derivados das “soluções” e impõem gastos de dinheiro gigantescos, isto caso uma sociedade que os adopte queria ser democrática, e continuar a sê-lo.

Como a democracia é um valor em declínio substituído pelos custos e pelo dinheiro provavelmente, se ninguém nada disser, irá avançar-se para as soluções e ignorar os perigos.

A notícia é do Correio da manha – 25 de Junho de 2008

Quem organiza este simpático colóquio totalitário é a Fundação Astra zeneca. A Astra Zeneca são laboratórios de produção de medicamentos.

– Vamos supor que um grupo bancário decide comprar este laboratório.

– Um grupo bancário tem dentro do seu núcleo de negócios companhias de seguros.

– As companhias de seguros vendem seguros de saúde.

– As companhias de seguros tem interesse prévio em saber qual é o historial clínico do doente/cidadão que se quer segurar.

– Com dados informáticos organizados da forma que a médica dinamarquesa explanou NINGUÉM escapa a ser prejudicado na compra de seguros de saúde e no ser ou não ser preterido para fazer tratamentos ou outras formas de intervenção clínica.

FASCISMO EM PORTUGAL IGUAL A SALAZARISMO.

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JORNAL DIÁRIO DE NOTÍCIAS – 23 – 06 – 2008 – Transcrição parcial.

Entrevista. MANUEL LOFF, HISTORIADOR
No seu livro O Nosso Século é Fascista! – O Mundo Visto por Salazar e Franco analisa as ditaduras ibéricas. Houve mesmo fascismo em Portugal?

É claro que houve fascismo em Portugal. O Salazarismo foi a adequação que as direitas portuguesas fizeram de um modelo fascista à conjuntura portuguesa. Neste livro sustento que o Salazarismo é claramente o fascismo.

António José de Brito, que se assume como fascista e de extrema-direita, diz que há apenas afinidades entre o Estado Novo e o fascismo.

A ultradireita do regime defende isso. Não nos esqueçamos de que Jaime Nogueira Pinto sustentava a tese, em 1971 ou 1972, de que Marcelo Caetano era um criptocomunista…

Melhor que António José de Brito, José Hermano Saraiva, em determinado momento, chegou a dizer que Salazar teria sido um antifascista, porque teria mandado prender fascistas.

O Hitler mandou matar nazis, não é nazi, está visto; Estaline mandou matar 700 mil comunistas, entre 36 e 38, então não é comunista. Isto é absurdo, é óbvio que a pluralidade interna do regime incluía sectores, sobretudo da área intelectual e sectores de uma pequena burguesia mais moderna que do ponto de vista cultural imitava directamente o caso italiano ou caso alemão.

Em que base se apoia Salazar para dizer que o seu século, o século XX, era fascista?

Salazar usa outra frase: diz que existe uma linha geral europeia que os triunfos da Alemanha nazi e da Itália fascista têm vindo a consagrar. Salazar não gosta de utilizar o termo fascista, porque sabe que está a usar um termo criado por estrangeiros, e um ultranacionalista não gosta de dizer que o seu regime é uma imitação.

Portanto, fala de um nova ordem, como falavam também Hitler, na Alemanha, Mussolini, em Itália, e Franco, em Espanha. A transformação que a Alemanha estava a produzir na Europa, entendia Salazar, iria consagrar o triunfo dessa via. As direitas ibéricas imaginaram no triunfo da Alemanha uma espécie do fim da história: o triunfo definitivo para o resto do século daquilo que seria a nova ideologia.

Estes pequenos excertos condensam todos os problemas que o Salazarismo coloca a democratas ou a adeptos da democracia.

– O messianismo inerente à figura do homem, convenientemente defendida pelos discípulos do homem que ficaram para trás e a quem os “democratas”, convenientemente, sempre permitiram em nome de um falso conceito de tolerância que pudessem continuar a minar a democracia e a glorificar o homem tentando fazer dele algo que ele nunca foi e que este historiador define: Salazar foi, de facto, fascista.

– Para obter isso, é necessário dizer que o Salazarismo era apenas um primo distante em 4º grau do nazismo e do fascismo italiano e não um irmão da mesma mãe. Razões para tal invocadas: o facto de o homem ter mandado prender fascistas.

Isto deve ser entendido de forma demagógica , ou seja, que o acto de eliminar facções dentro daquele regime ” que queriam ser o chefe no lugar do chefe” é “vendido” como “Salazar mandou prender fascistas”.

Mandou-os prender antes que estas facções o depusessem.

– a “nova linha geral europeia a que o fascismo português pertencia existiu de facto. No caso português também, embora com excepções. Uma delas era o culto da tecnologia que era apanágio dos regimes italianos e alemão, mas que em Portugal não o era. Essa pequena diferença ( é uma das) é invocada para dizer que o Salazarismo não era fascismo.

– o ultranacionalismo de Salazar que teve máxima expressão na frase “Orgulhosamente sós”. OS democratas portugueses pós 25 de Abril querendo combater a lógica que estava por detrás disto adoptaram a entrada na UE, e adoptaram o ” Orgulhosamente cretinos e corruptos” como novo mote a seguir.

O resultado? Os Salazaristas sentem-se à vontade para chamarem corrupta à democracia e para negarem a essência da corrupção do regime Salazarista e a falta de legitimidade do mesmo.

O ultranacionalismo do senhor levava precisamente à negação da palavra fascismo, como atribuível a “uma outra qualquer ideologia, mas não a dele.

É uma pesada herança esta, a de contrariar “isto”quando os ” democratas” não o querem fazer e adoptam alguns dos tiques do Salazarismo. Leva-nos à pergunta: mas alguma vez desejaram mesmo erradicar da memória das pessoas aquilo governando bem?

Leva-nos também à questão do nacionalismo. Quem defende uma ideia de nacionalismo diferente desta, é sempre atacado. Nessa altura onde param os democratas oficiais?

Written by dissidentex

25/06/2008 at 14:31

SELECÇÃO NACIONAL, SCOLARI E SAM, A AGUIA.

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Na série “Os Marretas/ The Muppet Show” existia um personagem delicioso que eu adorava, talvez mais ainda do que os outros todos – todos igualmente doidos – que era o personagem “Sam a águia”.

Sam, a águia era um insuportável moralista, um censor que estava sempre a tentar aplicar uma chancela de qualidade (a sua qualidade) ao que os outros personagens dos Marretas faziam.

Ficava sempre mal visto e era sempre sabotado pelos outros bonecos que gozavam imenso com ele. Nas primeiras séries, Sam, infelizmente, aparecia pouco, mas sempre que aparecia era uma verdadeira risada com as suas insuportáveis tentativas de censurar e moralizar as coisas mais idiotas que eram feitas no programa.

Uma vez, Sam obrigava o Sapo Cocas a inserir um momento moralista para as crianças e os adultos. Sam, a águia, iria explicar “as massas” numa edição especial, a fábula da cigarra e da formiga. Começava com um tom sempre moralista, vendo-se uma cigarra a tocar guitarra ( rock) e a divertir-se durante o verão. E a voz grave de Sam a águia, a censurar a cigarra. Depois via-se uma formiga a fazer um intenso esforço a carregar uma qualquer noz ou peça de comida excessivamente pesada para a formiga trabalhando arduamente e escutava-se a voz de Sam, paternalísticamente moralista a aplaudir a formiga que estava a amealhar para o Inverno.

E Sam dava aquilo como exemplo a seguir. Sempre com a sua voz grave e moralista.

Depois o cenário mudava e Sam, já a antecipar a sua vitória moral falava da vinda do inverno prometendo enormes dificuldades para a Cigarra que não amealhou nada durante o verão passando-o a tocar rock,e elogiando a formiga por ir conseguir resistir ao frio e ter comida. A cena muda e de repente quando Sam pergunta à cigarra o que é que ela vai agora fazer que o inverno chegou; surge um outro narrador a explicar que a Cigarra pegou no seu Ferrari descapotável vermelho e vai passar o inverno à Flórida, enquanto a formiga ficava por ali a apanhar uma pneumonia.

Isto enquanto Sam a águia balbuciava e estrebuchava dizendo” mas não é assim que a história é”, mas não é assim que deve ser contada a história”, isto evidentemente gerava um gozo imenso em quem via e punha a ridículo Sam, a águia, e o ar austero mais a voz grave.

E lembrei-me desta história à propósito da nossa querida selecção nacional e do exército de toupeiras e morcegos a voar de dia que, coitados, apoiaram tanto e tantas vezes os nossos “heróis”, os nossos “incríveis”, os nossos “estratosféricos” e estão agora de ressaca, após a droga que tomaram. Já os “incríveis” foram de férias até à próxima altura em que possam voltar a enganar o pessoal enquanto o resto das pessoas está a ressacar e faz o papel de formiga na história de Sam a águia.

A cigarra são os jogadores da selecção que vão e foram à sua vidinha.

O Sr Scolari é o Joker desta história. É um misto de cigarra que toca rock, (no caso de Scolari, Roberto Leal e restante música pimba nos autocarros da selecção) e de Sam a aguia, a dar lições de moral( não se discutem transferências antes do final do Euro 2008 disse ele aos jogadores) acerca de contratos .

É claro que é sempre bom não se discutir contratos de outros quando o nosso já foi arranjado antes do Europeu. E quando o nosso vale 15 milhões de euros por dois anos de contrato.

E no vídeo em baixo podemos ver um bom exemplo “do não faças aquilo que eu faço, mas sim aquilo que eu digo” num outro filme de Sam a águia.

Onde este vai fazer um discurso contra os ecologistas e os conservacionistas e a dada altura diz que tem uma lista onde estão expostas as espécies em extinção dizendo isso de forma depreciativa. O discurso é feito para defender a industrialização. E Sam a águia ao ler os nomes dos animais que não interessam que estejam em extinção fica muito surpreendido quando descobre que a “American Bald Eagle”, ou seja a espécie a que ele pertence, está em vias de extinção. Exclamando o que está em baixo:

“The American Bald Eagle! The American Bald Eagle?! Excuse me, this list is now inoperative!”

O que nos vale é que o senhor Scolari irá continuar a fazer a figura de Sam, a águia. Ficando cada vez mais em extinção.

O problema é que os adeptos portugueses(e os portugueses) também continuam a fazer a figura de toupeiras ridículas e morcegos a voar de dia. Apenas conseguem ser Sam a águia, mas só na parte só ridícula do mesmo.

Written by dissidentex

24/06/2008 at 16:26

ALBERT COSSERY – 1913-2008 – MORTE A 22 JUNHO DE 2008

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Morreu Albert Cossery. Escritor francês de origem egípcia. Morreu com 95 anos dedicados quase na totalidade à preguiça. Mas uma preguiça muito especial. Muito difícil de compreender.

Cossery só escreveu 8 livros em toda a sua vida. Poucos tendo em conta que a sua vida durou 95 anos.

A filosofia pessoal de Cossery é bastante simples. Mas não simplista. Existe o Bem e o existe o Mal.

O Bem é a preguiça, a reflexividade, a calma interior.

O Mal é o trabalho. Não o trabalho por si só, mas o trabalho encarado apenas como a única coisa que existe na vida, a corrida para o trabalho, a agitação das pessoas parecidas a armários com pernas correndo desesperadamente para a frente como galinhas sem cabeça, convencidas que tem algum objectivo diferente do que apenas correr para a frente. E depois morrer a correr para a frente.

Cossery viveu desde 1945 em Paris num quarto de hotel. É egípcio de nascimento. Não ambicionava possuir uma bela casa ou um potente carro. Não viajava. Quase nunca saia de França ou até mesmo de Paris.

Apenas saia de dia para a rua e observava o movimento das pessoas e reflectia sobre isso. Para simbolizar a sua ideia de preguiça reflexiva Cossery decidiu apenas escrever uma linha por dia, relacionada com cada livro que escrevia. Daí,evidentemente, apenas ter escrito 8 livros desde 1945 em diante. Um livro a cada 8 anos.

Escrevia apenas para afirmar a presença de si próprio no Planeta, na terra. Nas suas histórias não há história, argumento, guião. Existe apenas um acidente (um assassinato, um prédio que cai, uma situação num bordel…) que gera o resto da narrativa e gera as personagens.

E as personagens de Cossery são qualquer coisa de muito especial. Como são qualquer coisa de especial, e Cossery situa-as no Egipto, são pessoas que conheceu, misturadas com escárnio e ironia. Quando se lê um livro de Cossery somos desafiados em todas as nossas certezas e percebemos que estamos a levar um soco no estômago, quer em relação às nossas próprias atitudes, quer em relação a atitudes que vemos nos outros.

Num livro de Cossery que tenho existem inúmeras (todas) personagens bizarras. Um delas é um funcionário público que quer fazer uma revolução. Nunca mais olhei para os funcionários públicos da mesma maneira nem para revolucionários após ter lido Cossery.

Existem bombistas anarquistas, prostitutas virgens, chefes de polícia corruptos, funcionários públicos candidatos a revolucionários, mendigos, prostitutas, transeuntes irónicos, pequenos burgueses desconfiados, candidatos a poeta, etc.

A desconstrução de Cossery não é feita usando a ideologia, não existe ideologia em Cossery. Apenas existe a qualidade da escrita do senhor, que era de tal forma elevada, que a maneira como o funcionário público revolucionário é retratado fazem imediatamente perceber que o que ali estava nada era.

E depois comparamos com o que vemos por aí. Este é um dos méritos de Cossery. Era irónico, caustico, observador, reflexivo. Tudo ao contrário do que a sociedade actual pede.

Cultivava as personagens do anti herói nos seus romances. Detestava os arrivistas, os candidatos a protagonistas heróicos. Tinha especial predilecção por escrever cenas de livros que se passavam em bordeis, onde o conjunto de personagens que lá se encontravam e os diálogos que travavam apenas nos deixam perplexos.

As personagens mais pobres ou afastadas da sociedade ocupavam um enorme lugar de destaque em Cossery, mas eram personagens sempre cheias de sentido de humor, ironia, escárnio e quase sempre optimistas.

Cito uma parte de uma entrevista em 1990.

“No Oriente, as pessoas não tem pressa, dispõem de tempo para reflectir. Olhe, qualquer pé descalço, no Egipto, precisamente por ter tempo para reflectir, saí-se com coisas formidáveis. Porque a vida é muito simples, e tudo é feito para que pareça complicada.As personagens que descrevo viviam assim, como as descrevo. A partir do momento em que uma pessoa não tem qualquer ambição de dinheiro,de orgulho, ou de poder, a vida torna-se de repente formidável. Há quarenta e cinco anos que estou em França e nada fiz para que os meus livros fossem traduzidos. Nunca dei um passo para o sucesso. São os editores que vem ter comigo”.

Cossery escrevia para que quem o lesse não fosse trabalhar no dia seguinte.

Aconselho para começar a Leitura do “Livro Mendigos e Altivos” – Editora Antígona. Um soco no estômago.

Não aconselho a pessoas muito novas, porque podem interpretar erradamente o que ali está.

Written by dissidentex

24/06/2008 at 11:02

Publicado em ALBERT COSSERY, PERSPECTIVAS

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