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Archive for Julho 2008

FÉRIAS.

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De dia 1 de Agosto 2008 a 1 de Setembro 2008 não postarei neste blog.

Estarei incomunicável e insondável numa caverna deserta longe de si.

Apesar de ir de férias só lá para meados de agosto, decidi parar o blog a partir de hoje. Também para ganhar mais distanciamento…

Agradeço a todos os que comentaram aqui durante o tempo de funcionamento e a todos os que visitam – diariamente ou não (e sabe-se lá porquê) – este blog, mas só há mais em Setembro.

Excepto se eu morrer ou for raptado por extraterrestres.

Quem quiser continuar a passar a partir de Setembro, pode continuar a passar. Quem não quiser…

Portanto boas férias, para quem não as teve ainda e para quem as já teve espero que tenham sido boas.

E até Setembro.

E grato pela atenção.

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Written by dissidentex

31/07/2008 at 16:28

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CENARIOS E TENDÊNCIAS PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS -7

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A LISTAGEM COMPLETA DOS ARTIGOS ENCONTRA-SE NA PÁGINA DA BARRA LATERAL CHAMADA Z-CENÁRIOS

SUPER TENDÊNCIAS PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS

MICRO ANÁLISE SOCIAL E ECONÓMICA.

Processo de longo termo analisando os processos em espectro largo e de grandes tendências, ao nível social, e económico a nível mundial.

A intensidade do impacto e o que causa transformações multi dimensionais nas sociedades.

1. Mudanças no trabalho e como este é feito.

  • avanço geral na automação de tarefas.
  • Da tendência para a automação de tarefas apenas nos processos intensivos repetitivos, para a automação nos serviços.
  • Tendência para práticas de trabalho altamente flexíveis (em qualquer altura, em qualquer lugar),
  • Estruturas de trabalho flexíveis e tendencialmente interactivas entre si.

De uma realidade que existe – a automação de tarefas, como por exemplo nas fábricas de montagem de automóveis em que grande parte do trabalho é desempenhado por estruturas computorizadas, apenas vocacionadas para o trabalho intensivo, a automação irá estender-se para outras áreas.

Problemas:

– Aumento do desemprego, alienação social do consumidor, desconectação entre o consumidor e a empresa que lhe presta o serviço – tornando impossível ao consumidor perceber com quem é que está contactar ; se uma máquina, ou uma empresa de carne e osso.

– Problemas ao longo da linha de contactos do consumidor/cidadão com as empresas que lhe prestam serviços. Necessidade a dada altura de “atendimento humano”, derivado das falhas dos “serviços” automatizados.

As práticas de trabalho altamente flexíveis poderão causar problemas e uma total falta de coesão numa sociedade, em que milhões de indivíduos estão “fora” de contacto uns com os outros e com as estruturas cívicas democráticas de um dado país.

As estruturas de trabalho terão tendência a serem interactivas, criando uma aparente flexibilidade e permanente ajustamento ás demandas do mercado, gerando trabalhadores que apenas vivem para o presente, sem estruturas de controlo aparente, nem rígidas hierarquias.

Problemas:

– Chamar-se ao desaparecimento da hierarquia, “liberdade”

– As pessoas começarem as comportar-se dessa maneira nas suas relações físicas e sociais, sempre em permanente fluidez de relacionamentos, sem “algo” de durável nas suas vidas, levando em última análise para a ideia social de um homem autómato,

– O deslize económico -social para a ditadura não oficial, plasmada num “cidadão padrão” – o que é aceitável, sendo visto como o ” cidadão padrão ” que obtém o emprego porque aceita o controlo não rígido que estas estruturas não hierárquicas originam

– A tendência para a criação ou aumento da vídeo vigilância, dos sensores de nano tecnologias, dos chips cutâneos, como forma de monitorização laboral das tarefas dos trabalhadores descentralizados.

– A segmentação social como prática anti democrática “aceitável”

– O ataque a estruturas como os sindicatos, ou grupos informais de trabalhadores; não possuindo estruturas organizadas entre si, a psicologia destas práticas de trabalho elimina teoricamente a necessidade de estruturas do tipo sindicato.

– o desemprego camuflado de “flexibilidade momentânea parada da produção do trabalho”

– Estruturas de trabalho que interagem entre si, em países e áreas diferentes dentro da mesma empresa ou grupos de empresas. Países ou zonas que não consigam criar “núcleos de empresas” terão problemas massivos de criação de emprego, o que originará a tendência para a imigração, dessas populações – ou migrações internas e instabilidade social/económica daí derivada.

  • Exemplo de desestruturação hierárquica ao nível da grande empresa:

Nenhuma sede social, mas 20 sedes (ou 10 ou 30 espalhadas pelo planeta).

A “força estratégica” das 20 sedes ( ou 10 ou 30) variará consoante os produtos serviços que criarem/fabricarem e o seu sucesso.

Problemas para pequenos países:

Não tem força para determinar quais os 20 (ou 10 ou 30) centros de produção/criação interessam atrair, incapacidade negocial ao nível da atracção de projectos de investimento.

Problemas jurídicos de responsabilização a “nível central”

Os países são vistos com países “porta-giratória”.

Questão: quem não conseguir ser porta giratória, será o quê?

Questão: como conseguir fixar quadros técnicos de qualidade superior, num cenário como este num país que não é porta giratória?

Questão: o remanescente populacional fica em que situação?

2. Novos padrões de consumo emergem

O terceiro mundo entra no jogo. Foi-lhe destinado ser a base da Piramide.

10 países porta giratória perfilam-se no horizonte: China, índia, Brasil, Rússia, México, Coreia do Sul, Indonésia, África do sul, Tailândia. 3.1 Biliões de pessoas.

Este terceiro mundo participa no crescimento económico. Tendência , para que,devido á sua enorme população, lhe seja atribuido o papel de base da piramide.

Problemas:

Porque é que a base da pirâmide aceitará ser a base da pirâmide?

A base da pirâmide produz o que o tendencial topo consome, criação de um dilema estratégico assente na necessidade de criar incentivos à manutenção do status quo da base da pirâmide. Através de guerras?

Os países topo da pirâmide são: EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Espanha, Canada, Austrália, Holanda.

A colocação destes países como portas giratórias permitirá fazer “girar” a colocação de bens e serviços para os outros países industrializados.

Problemas:

– os países mais pequenos ou com menor força económica, industrializados, pagarão uma taxa oculta de acesso, a estes bens ou serviços, aos países porta giratória.

– Pagarão uma outra taxa de porta giratória, se contactarem com os países porta giratória da base da pirâmide.

– Acentuação da periferia dos mais periféricos em relação aos menos periféricos, ataques à democracia como conceito nessas zonas

-Tendência para o “acordo por detrás” entre os responsáveis dos países periféricos e os países porta giratória da zona industrializada para a aceitação nessas áreas de modelos não democráticos de sociedade – embora paralelamente, os países porta giratória industrializados continuem a fornecer bens e serviços.

– Respostas da políticas nulas como reacção a situações destas, democracia como fachada.

O luxo em países da base da pirâmide – China, índia, Turquia, Brasil,Rússia cria o seu próprio mercado. Tendência para o aumento das desigualdades sociais nessas áreas combatidas com restrição aos direitos civis e políticos.

Tendência no Oeste (segmentado e diferenciado entre quem é país porta giratória e quem não é) para três tendências:

  1. Estilos de vida sustentáveis (LOHAs)
  2. Eco chic
  3. Comércio justo e moral

Problemas:

– Conseguir convencer as pessoas dos países “não porta giratória” a aceitarem estilos de vida que serão quase insustentáveis?

Continua

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30/07/2008 at 22:20

MARCAS NACIONAIS E O SEU DESAPARECIMENTO.

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Jornal Global, sexta feira, 6 de junho de 2008 Editorial. Clicar imagem.

Jornal Global, sexta feira, 6 de junho de 2008 Editorial. Clicar imagem.

O editorial ao lado é exemplar do magnifico estado do país. O jornalista chama a atenção para o desaparecimento de várias marcas nacionais (e a consequente perda de postos de trabalho) que o desaparecimento destas empresas origina ( bem como a perda de competências, de “saber-fazer” nestas áreas, “saber-fazer” que demorou muitas décadas a adquirir…).

E chama a atenção porque mais uma fábrica / marca nacional está com enormes problemas. A fábrica de pneus Camac.

Façamos a lista de marcas que desapareceram ou estão moribundas.

MOLIN – Material de escrita e desenho ( canetas e das boas)

MABOR GENERAL – Pneus.

UMM – Veículos automóveis (Jipes).

PORTARO – Veículos automóveis (Jipes).

SOREFAME – Concepção e fabrico de comboios.

CASAL – Motos.

MAKO JEANS – Calças de ganga , blusões de alta qualidade.

FOGÕES LEÃO: Produção e comercialização de Fogões.

FRIGORÍFICOS ESTRELA: Produção de Frigoríficos.

E ainda, o SABÃO CLARIM, o SABONETE FENO DE PORTUGAL, as Bicicletas VILAR, o leite com chocolate COQUI ( esta ainda existe, com fábrica e tudo, mas residual),

Que me lembre. E existem muitas outras mais. Existem e existiram fabricantes de automóveis em Portugal e produziam coisas de qualidade e mais do que um só fabricante.

Como por exemplo:

Carro português Alba- 2ºsalão do automóvel antigo- Moita 2001
Carro português Alba- 2ºsalão do automóvel antigo- Moita 2001

Existiram sempre possibilidade de produção própria e marcas nas mais variadas áreas industriais de produtos de alta qualidade feitos em Portugal.

Este carro é de 1954.
Sem pretender “glorificar” a ditadura, ou o nacionalismo económico, é necessário reflectir sobre o porquê de em 1954 se conseguir ter capacidade para produzir carros de concepção portuguesa e, actualmente, nem sequer as duas marcas portuguesas de fabrico de pneus, um mísero componente de um carro, conseguem sequer sobreviver.

A Mabor/Continental já foi, e a Camac está com salários em atraso.
No meio “disto”, o país irá gastar dinheiro a construir TGV´s e aeroportos.
O mais espantoso e focalizando no sector automóvel, é o facto de se ir fazer uma espécie de negócio com a Renault -Nissan, e não criar – por exemplo – duas alternativas:

  • Ou o país criava uma marca própria aproveitando estas já existentes e desenvolvendo um protótipo de um carro a energia eléctrica.
  • Ou o país propunha à Renault -Nissan que empresas como a Camac, fossem fornecedoras.
Ou outras hipóteses do mesmo tipo.
Capa Jornal de Negócios- 25 de Julho 2008

Paralelamente a isto escutamos os “brilhantes políticos portugueses” (ironia) a falarem da necessidade de o país ter marcas próprias fortes.
Bom, mas o país já teve essas marcas.
A foto foi retirada do Fórum Autohoje. A imagem é do Jornal de negócios de 25 Julho de 2008.

Mais uma vez interessa perceber-se, porque é que a marca portuguesa (exceptuando evidentemente, problemas de má gestão destas empresas) foi obliterada do panorama do país. (Conferir o que “não aconteceu à marca Claus Porto- Ach Brito).

Isto não aconteceu por acaso ou só por má gestão.

É patético observar a mesma geração de políticos que há 20 anos atrás afirmava que não era importante a política de marcas (e acima de tudo, das empresas / fábricas/ “saber-fazer”, que estava por detrás de todas estas indústrias), e agora babam-se, literalmente, gastando dinheiros infindos na promoção da marca Portugal.
Com campanhas idiotas e totalmente desmioladas e apenas orientadas para o turismo, não para a promoção de empresas e “saber-fazer industrial e comercial. (Porque esse “Saber-fazer” foi arrasado…)
Técnicas e conhecimentos acumulados e aperfeiçoados ao longo de gerações perdem-se, para, em troca, se investir no “turismo e nos serviços”.

Turismo e serviços que nunca gerarão o mesmo volume de emprego que antes existia.
E dizem-nos que isto é bom, e que temos que ter orgulho em Portugal.

Uma certa corrente intelectual de pensamento e gestão, que tem “sucursais” na ciência política, na política activa, na economia, e na Blogosfera portuguesa defende este tipo de lógica do “turismo” e serviços”.

A aplicação deste “discurso” geo político / económico tem servido para destruir empresas nacionais mais pequenas nos mais variados países. Tem servido para legitimar o aumento de tamanho de empresas de grandes países.

Os pressupostos são sempre derivados de Adam Smith. as “vantagens comparativas”.

A versão recauchutada actual de Adam Smith chama-se Michael Porter e sua teoria do diamante competitivo.

Nos anos 90, o governo do senhor Cavaco Silva, encomendou um estudo (um milhão de contos/ 5 milhões de euros) para definir quais os casulos / nichos / “clusters” económicos nos quais a economia portuguesa se deveria “especializar”.

NOTA: sem ter a certeza, e após pesquisa, penso que o estudo em questão é este: PORTER, Michael, “Construir as Vantagens Competitivas de Portugal”, Monitor Company, Edição Forum para a Competitividade, Lisboa, 1993

A equipa de técnicos da Monitor Company (a companhia do senhor Porter) pairou aqui durante uns 4 meses recolhendo informação. Passados seis meses / um ano, apresentaram as suas conclusões.

Algum tempo mais tarde, recordo-me de ter lido uma entrevista de um industrial do norte em que a pessoa dizia que concordava na quase totalidade com o estudo dos técnicos da Monitor, especialmente porque as conclusões do estudo eram idênticas ás de um estudo interno que esse senhor tinha feito para a sua própria empresa. Ele não poderia precisamente por isso, contrariar-se a si mesmo.

O industrial em questão, bastante cavalheiro até, estava na prática a dizer que o que tinha sido feito era anunciar como boa nova aos pacóvios cá do sitio algo que já era conhecido pelos pacóvios cá do sítio.

Imagem retirada da página 9 do ficheiro PDF, que se pode retirar daqui

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Repare-se em quais são os sectores que o estudo “diz” para se investir?
Repare-se quais são os sectores em que o estudo diz para investir e compare-se com o artigo da Claus Porto – Ach Brito e o que lá está escrito sobre o FMI e os “conselhos” de investimento /reestruturação da economia de um país e relacione-se isso com as teorias da vantagem comparativa de Adam Smith…

PORTUGAL E O FUTURO. DIVISÃO EM ZONAS.

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MAPA DE PORTUGAL "GLOBALIZADO". CLICAR IMAGEM PARA VISÃO "GLOBAL"

MAPA DE PORTUGAL "GLOBALIZADO". CLICAR IMAGEM PARA VISÃO "GLOBAL"

Quando um ministro… ou melhor, alguém que chegou ao cargo por troca de favores e conhecimentos, disse, há uns meses atrás, que a margem Sul era um deserto onde não existia nada, lembrei-me de fazer uma coisinha destas.

Agora encontrei-a. Paralelamente inseri mais algumas “opiniões” acerca do que era a “ideia” de Portugal que se estava e está a trabalhar para “vir a acontecer”.

Um país inclinado para o mar, totalmente desequilibrado economicamente. E desequilibrado, também.

Depois lembrei-me de legendar certas partes, e dividir o país em bantustões ou zonas – numa hipotética ideia do que seria cada zona e do que a cada uma delas seria atribuído, como “especialização económica/social”, num futuro próximo.

Infelizmente a realidade não me está desmentir. A nada ser feito caminharemos para uma situação relativamente “parecida” a esta. O Estado português, isto é, o governo português, isto é, o grosso dos interesses económicos que se concentram por detrás doe Estado Português, isto é, os oportunistas que andaram a dizer ás pessoas que elas deveriam estudar uma série de coisas em “profissões duras” com conhecimentos duros, porque daí viriam empregos bem qualificados, concentra afinal os seus esforços na criação de empregos bem remunerados no estrangeiro.

JORNAL PÚBLICO DE 28-07-2008- NOTÍCIA ACERCA DA PEDINCHICE TURÍSTICA.OU COMOS E TRANSFORMA UM PAÍS NUM CASINO TURÍSTICO

Para que portugueses pertencentes a esta “elite”, presume-se, possam “vender” Portugal como um paraíso turístico especial.

Do qual, supostamente, todos nós vamos viver e comer…para quê ensinar Filosofia ou História, nas escolas?

Para quê, exigência de qualidade em estudos que se façam no secundário se vamos todos fazer serviços ligados ao turismo e actividades adjacentes?

Empregados de mesa de bares e restaurantes e Caddies de golfe, não precisam de estudos elevados, nem de uma coisa tão simples como a noção de “fazer carreira na profissão que escolheram”…

JORNAL PÚBLICO DE 28-07-2008- NOTÍCIA ACERCA DA PEDINCHICE TURÍSTICA. Clicar imagem…

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29/07/2008 at 7:08

CLAUS PORTO – ACH BRITO.

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Em Portugal a questão das marcas/empresas nacionais sempre foi um assunto muito interessante e sob muitos pontos de vista. Não só porque existem poucas marcas nacionais, mas também porque as que existem sempre foram atacadas. Existiu sempre uma “cultura” destinada a atacar a marca nacional e a defender a marca estrangeira- o que vinha do estrangeiros mesmo que fosse igual ao que era feito cá, era sempre considerado melhor.

Isto independentemente da má gestão dos responsáveis por marcas nacionais, muitas vezes ter originado que as marcas, e as empresas que lhes davam corpo terem falido.

O resultado disto está à vista; a extinção de marcas e a extinção de sectores nacionais de produção já específicos e com um “saber-fazer” bastante interessante.

Mas existe uma marca interessante que funciona como caso de estudo, até pelo tipo de produtos que fabrica.

A Claus Porto. Ligação wikipedia. Ligação Claus Porto, nome da empresa que produz “Ach Brito”. Ligação DN com uma peça curta com o gestor da ACH Brito.

É uma empresa de fabrico e sabões e sabonetes, primordialmente.

Lembro-me, quando era pequeno, que estes sabonetes eram vendidos na drogarias e perfumarias. Mas já na época eram mais caros do que os sabonetes normais, embora fossem melhores dos que os normais.

A partir de 1987, com a introdução de grandes superfícies, as drogarias e perfumarias começaram a perder rapidamente clientes. Produtos semelhante aos da Ach Brito eram considerados como sendo de segunda categoria – não o sendo – enquanto que as pseudo coisas com marcas internacionais e actrizes conhecidas dentro de banheiras em anúncios publicitários, é que eram o novo padrão do sublime…

Também devido a problemas – dificuldades de “negociação” – com os sectores de compras das grandes superfícies, porque estas querem descontos de quantidade e outro tipo de exigências que, muitas vezes, não são aceitáveis para uma empresa.

Provavelmente por uma conjugação destes factores a Claus Porto/Ach Brito começou a ter dificuldades que se materializaram a partir do inicio dos anos 90. Nessa altura foram-lhes contar uma história muito engraçada que alguns empresários portugueses levaram – erradamente – a sério.

Na Ach Brito souberam pensar pela própria cabeça e não ir em cantigas de consultores e gestores e não embarcaram nessa lógica…

Exemplo:

”Um estudo da altura dizia que ou fechávamos ou tínhamos de comprar máquinas novas xpto, para podermos exportar, tudo na base das quantidades da produção. Se tivéssemos feito isso estávamos condenados.”
Os irmãos Brito não seguíram nenhum destes conselhos (…)»

Revista up (TAP), n.º 8, Junho 2008, artigo intitulado Sucesso em português / A leveza da tradição.

Algures nos anos90, vi um determinado documentário (quis aqui ligar, apresentado pelo comediante/actor inglês Alexei Sayle, mas não consegui determinar qual era…) em que este ia a vários países do mundo em reportagem. Objectivo: investigar quais eram os planos de investimento/reestruturação do FMI apresentados a esses países.

Numa dada altura falava com um agricultor de uma ilha das caraíbas, cujo país inteiro tinha sido aconselhado pelo FMI, a dedicar-se apenas e só a uma cultura agrícola – neste caso o café – e a privatizar simultaneamente todo o sector publico, virando-se para a exportação do café como meio de subsistência do país.

Os habitantes da ilha/país foram incentivados a fazer isso. Após privatizações, passaram a não poder pagar os serviços antes públicos, agora privados.

Também ficaram todos globalmente mais pobres porque os preços do café; a tal matéria prima que tinham sido aconselhados a produzir e exportar em exclusividade – não paravam de descer no mercado mundial.

Sayle levava um dos agricultores a ver, ao vivo, a bolsa de futuros de Chicago. O agricultor estava surpreendido e irritado por perceber que o café que ele ia produzir daí a ano e meio estava no momento em que ele lá estava a ver; a ser transaccionado por um preço, que, explicava o agricultor, nem sequer cobria os custos de produção que tinha.

O documentário depois mudava de país e ao ir-se a vários países de África, fazer-se a mesma pergunta, descobria-se que os “conselheiros do FMI”, tinham dado os mesmos conselhos aos governantes desses países – especializarem-se numa monocultura – e exportarem. Sendo que a monocultura era, curiosamente a do café……

A “jogada” consiste em aconselhar as empresas e os países a irem num determinado sentido……

O mesmo sentido em que a Ach Brito foi aconselhada.

“Um estudo da altura”

(Provavelmente feito pelo mesmo tipo de consultores que “vendem” um certo tipo de conversa… a países)

“aconselhava a que fechássemos ou em alternativa, a comprar-se máquinas novas”

( Os consultores nas entrelinhas afirmam que; ou saem e os nossos mentores internacionais abateram um cliente ao efectivo industrial e reduziram a concorrência, (eliminando à nascença hipotéticos perigos) ou ficam e compram máquinas novas para produzirem em quantidade e, consequentemente, não terem hipótese de concorrer – porque o aumento da quantidade e do produto mandado para o mercado o impede. Concerteza existiriam outras empresas noutros países a serem aconselhadas a fazer isto que foi aconselhado à Ach Brito…através de “estudos da altura”…)

“para podermos exportar, com base nas quantidades de produção”.

(a conversa da exportação, é apenas dita, para incentivar alta quantidade de produção; isto é, o seu aumento massivo. Se for dito a 100 empresas do mesmo sector para fazer isto, 100 empresas começam a lançar quantidades industriais do produto para o mercado e o preço do produto baixa drasticamente…e aí ninguém ganha)

Como quem compra mais são os países ricos ( isto é aqueles que (“os consultores”) dizem a quem produz para exportar produtos médios) daqui resulta que os países ricos compram barato produtos médios, enquanto que os países mais pobres – no caso Portugal – continuam a comprar produtos de importação caros e a exportar – segundo esta lógica, produtos de fabrico intensivo baratos e cada vez mais sujeitos à concorrência.

A ACH Brito/Claus Porto sensatamente, não foi na conversa e preferiu apostar num nicho de mercado – no qual tinha perfeito conhecimento e saber fazer e não ir nas cantigas dos “estudos da altura” que andam por aí à solta.

Nas operações de propaganda se for preciso são os mesmos “estudos actuais” que, actualmente até apresentarão a ACH brito como um “exemplo de excelência”… e de grandes opções estratégicas …

AVISO: Este post não significa nem é publicidade encapotada à Claus Porto/Ach Brito, antes é uma empresa/ marca que tem uma história correcta e da qual gostei.

LIVRO BLOGUES PROÍBIDOS – O CONTEÚDO.

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Ontem escrevi sobre o Livro “Blogs Proibidos”, do jornalista Pedro Fonseca e sobre a capa.

Hoje, é sobre o conteúdo propriamente dito do livro.

O livro é escrito em 2007, e versa, principalmente, sobre 6 casos de liberdade de expressão vs difamação.

Dois dos casos na minha opinião, não são sobre isso. Um desses dois é um caso que, manifestamente, não tem o mesmo grau de importância dos outros discutidos no livro.

O livro está dividido em 6 partes e apresenta 6 casos principais, embora um dos capítulos dê mais exemplos de mais blogs regionais alvo de perseguições e forçados a fechar.

De um deles, o último não irei alongar-me.

Os seis casos referem-se aos Blogs

  1. Freedom to copy (desactivado)
  2. Abrupto (activado, mas é como se não esteja)
  3. Diário de um jornalista (Desactivado)
  4. Do Portugal Profundo (Felizmente activado)
  5. Chicken Charles – o anti herói( Fechado)
  6. Muito mentiroso. (Fechado e ainda bem)

1.Freedom to Copy.

Este blog produziu posts onde afirmava que o senhor Miguel Sousa Tavares tinha plagiado um livro de 1976, escrito por Dominique Lapierre e Larry Collins, chamado Cette nuit la Liberté. O blog surgiu a 20 de Dezembro de 2006.

O blog citava várias partes que teriam sido supostamente plagiadas e fazia comparações. Três dias depois do blog estar aberto o Correio da manhã descobriu o blog, veiculou o assunto e fez a defesa de Sousa Tavares. Sousa Tavares (MST) por pura estupidez ou aproveitando-se da situação começou a fazer uma campanha contra o anonimato em blogs e a prestar declarações públicas sobre o assunto em entrevistas a jornais.

O assunto extravasou e desenvolveu-se.

MST fez uma queixa crime contra anónimos e afirmou que suspeitava de duas pessoas; uma um escritor falhado e outra um militante do bloco de esquerda. Pelo meio atacou a blogosfera em peso.

Página 13 do livro do Pedro Fonseca:

” Por seu lado MST indignou-se novamente afirmando que” um blog não pode ser uma manifestação de liberdade se não houver liberdade.Assim é “mera libertinagem”, defendendo que “não devia ser possível abrir um blog sem o autor estar devidamente identificado.”

A blogosfera reagiu criticando MST especialmente porque nessa altura na China policiava-se blogs e bloggers activamente duramente.

A coisa arrastou-se para outros blogs e para os jornais desembocando numa polémica quer na blogosfera, quer nos jornais, criando também uma guerra entre o Provedor do leitor do Público, e duas jornalistas do mesmo jornal.

Dos seis casos este é dos mais interessantes pelos contornos do mesmo e também porque dá para perceber como certas pessoas estão mal habituadas a que se questionem os seus pedestais honoríficos – mesmo que os métodos utilizados para o fazer sejam péssimos.

2. Abrupto.

Este é – de longe – o menos interessante caso.

Devido uma falha de serviço, do Blogger, conjugada com as mexidas no template do mesmo feitas pelo amador Pacheco Pereira, conjugadas com um hacker que se aproveitou do tráfego do blog para realizar dinheiro com os cliques nos anúncios que instalou, tudo se falou. O que se passou foi que o blog de Pacheco Pereira era substituído a dadas hora do dia por um falso blog Abrupto.

O capítulo todo são apenas as citações cronológicas das mensagens/posts pelo senhor Pereira a queixar-se de que a pátria estava em perigo por o Abrupto estar a ser atacado, num discurso de completa vitimização e falando em invejosos ( todos são invejosos dele, na cabeça do senhor Pereira).

É evidente que não é agradável que alguém veja o seu blog a ser ocupado, mas as reacções de Pacheco ali transcritas são algo de incrível…

Pacheco “pagou” aos inúmeros bloggers que deram sugestões e ajudaram a resolver o problema ou a minorá-lo escrevendo posteriormente artigos nos jornais e no blog criticando bloggers, o anonimato na blogosfera, e a qualidade do que se fazia, muito do qual feito por alguns dos bloggers que o ajudaram com sugestões. Aprendam.

Nunca se soube exactamente o que se passou, porque P.Pereira não forneceu informações, relativamente ao deslindar do caso.

Página 51 do livro Blogs proibidos

“a confidencialidade garantida pelo autor do Abrupto não permite qualquer resposta credível”

Penso que este “assunto” foi também inserido porque o nome Pacheco Pereira é o que é, mas é claramente dos 6 casos o de menor importância.

3. Diário de um Jornalista.

Este era um blog de jornalistas do jornal “o Primeiro de Janeiro” e visava contar o que se passava dentro do Jornal.

Era feito a várias mãos e originou o despedimento dos jornalistas que nele escreviam.

Como cita na Página 56 o Pedro Fonseca:

“Pode a liberdade de expressão num blogue servir para despedir pessoas? A inquietante pergunta teve uma resposta cabal em 2004”.

Este capítulo é bastante interessante porque faz uma viagem histórica. Descreve vários despedimentos nos EUA, não só de jornalistas, mas também de funcionários de empresas, que, por escreverem em blogs, quer durante as horas de expediente, quer não; quer não mencionando a própria empresa, quer mencionando foram despedidos.

Explica a origem do termo “Dooced”- uma senhora chamada Heather Hamilton que foi despedida da empresa onde trabalhava como web designer por escrever num blog chamado DOOCE.

No Diário de um Jornalista o que causou celeuma, mesmo entre jornalistas, era o facto de terem sido escritos artigos – explicado pelas pessoas que escreviam neste blog à troco de publicidade a empresas. Ou seja, publicidade metida dentro de artigos. Em troca as empresas que faziam estas práticas metiam publicidade no jornal.

As limitações à independência jornalística são óbvias.

O debate depois passou para os blogs de jornalismo e para os jornais. Tudo explicado cronologicamente no livro.

Tudo isto também relacionado com o facto de existirem pessoas com o curso de jornalismo, carteira profissional, etc mas que faziam (fazem) trabalho que nada tem a ver com jornalismo.

Página 62

“os delegados comerciais contactam as empresas ou as instituições ou entidades a estarem presentes num determinado trabalho e , em troca de um valor pago em publicidade, o jornal oferece-lhe um espaço redactorial, no qual os responsáveis dessas empresas podem falar do trabalho que fazem e dos projectos que tem.”

Acho que se percebe…

4. Do Portugal Profundo.

Este é um caso de um blog em que existiu uma clara ameaça á liberdade sendo usadas as forças policiais e o aparelho de justiça estatal para o fazer.

Página 69.

Sete horas, ainda de noite. Bateram à porta. Sem medo, ainda meio estremunhado, abro. Três vultos. O primeiro diz:

– polícia judiciária de Leiria. Temos um mandato de busca da sua residência.”

António Balbino Caldeira (ABC), o autor do blog tinha escrito posts sobre o caso Casa Pia, denunciando existir um conluio entre diversas e determinadas forças na sociedade relativas à pedofilia.

Determinadas a provar que ele não tinha razão nenhuma, tinham duas opções: (1) ignorá-lo ou (2) persegui-lo.

Mesmo que ABC, não tivesse razão nenhuma a forma como foi esclarecido o assunto foi esclarecedora.

E foi constituído arguído pelo crime de desobediência – pelo crime de ter reproduzido as peças processuais do processo Casa Pia no blog.

A tese de defesa de ABC foi a de que não tinha sido notificado (verdade) para não reproduzir as peças processuais.

Daí a levarem-lhe computadores pessoas, e utilizarem 3 mandatos de busca e apreensão em 3 casas, uma das quais a da sua mãe, vai uma grande distância.

Após ter sido absolvido, o Ministério público – uma entidade que funciona paga pelos nossos impostos – decidiu recorrer da absolvição.

Foi de novo absolvido. Uma parte do texto dos seus advogados de defesa é publicada neste livro de Pedro Fonseca. Onde se pergunta porque “é que vários jornais que também fizeram o mesmo que ABC – publicar excertos do processo, não foram alvo de buscas”.

5. Chicken Charles -o anti herói.

Este é também um dos casos mais interessantes e que revela o que é o poder dos presidentes de camara deste país.

Existiu um blog na Covilhã chamado “Chicken Charles- o anti-herói”. O personagem principal do blog era um galo – uma metáfora supostamente aplicável ao Presidente da Covilhã, um senhor chamado Carlos Pinto. A Covilhã era retratada como um galinheiro nesse blog. O autor ironizava com o senhor Carlos Pinto sem nunca o referir directamente.

Depois verificou-se que em 2006, após queixa, a polícia judiciária – paga pelos nossos impostos – andou a alocar recursos para verificar quem era o autor do blogue que incomodava de forma tão cruel o senhor Carlos Pinto.

Entretanto, o senhor Carlos PInto conseguiu receber uma chamada anónima que dizia que o autor do blog era uma determinada pessoa.

O senhor Carlos Pinto, não aceitava criticas “anónimas” feitas num blog, mas aceitou recorrer a uma denúncia anónima para identificar uma pessoa nomeando-a, sabendo perfeitamente que ao fazê-lo estaria a criar problemas à pessoa e a divulgá-la publicamente.

Mais a mais quando depois veio a saber-se que não era esta a pessoa que escrevia o blog Chicken Charles.

Também é interessante verificar – O Pedro Fonseca fez isso – que o autarca simples humilde e honesto; um verdadeiro homem rústico e campestre foi defendido pela PLMJ – uma das duas sociedades mais poderosas de advogados deste país e que não saem nada baratas.,..

Este capítulo é um dos mais interessantes porque fala de muitos outros casos de blogs quer cá, quer lá fora, que foram forçados a encerrar por divulgarem situações relativas a autarquias e empresas.

6. Blog muito mentiroso.

Este foi um blog dedicado à contra informação e à desinformação sobre o caso Casa Pia. Não vou por isso – pelo assunto – explicar uma vez que o Blog veiculava coisas falsas em paralelo com coisas verdadeiras, criando a confusão em quem lia acerca da verdade e da mentira. Mais tarde comprovou-se através da judiciária que o computador de onde era feito pertencia à Cofina, entidade que é dona do Correio da manhã. Embora a Judiciária não tivesse aparecido Às 7 horas da manhã na Cofina com o mandato de busca e apreensão como aconteceu com o senhor António Balbino Caldeira—

O livro Blogues proibidos é uma compilação/cronologia versando 6 casos, embora um dos capítulos- o do Chicken Charles mencione inúmeros outros casos “mais pequenos”. É interessante como análise e documento histórico do fenómeno. Também é interessante do ponto de vista de quem nada saiba de blogs e do que se tem passado nos últimos 6 anos – é uma boa introdução ao assunto.

LIVRO BLOGS PROÍBIDOS – o bom Marketing da capa.

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SEGUNDA PARTE pode-se encontrar – blogs Proibidos – o conteúdo.

Como cheguei ao conhecimento de um livro; agora republicado e reescrito após texto por mim feito num outro blog há perto de um ano atrás.

Este artigo (Uma parte hoje, outra amanhã) é dividido em duas partes.

A primeira parte do texto é sobre publicidade. A segunda parte é sobre o livro e o seu conteudo propriamente dito.

Uma imagem bem produzida pode ajudar imenso a vender um produto. Neste caso um livro. Compare-se algo bem feito em termos de conceito, e de design, perfeitamente adaptado ao produto e compare-se com a generalidade do que se vê por aí.

Esta imagem ao lado foi retirada, do blog “Marketing de Busca – o senhor SEO.

(Publicidade Lateral: à vontade, mas à vontade, um dos 10 melhores blogs portugueses em termos de conteúdo )

Há perto de um ano atrás ( 16/17 Julho 2007) entrei no Marketing de Busca. Posteriormente estava com este aspecto. Inicialmente (imagem em baixo) onde estava o logotipo verde “Especial presidência europeia” estava a imagem “blogs proibidos”.

Quando entrei com este formato que se vê ao lado – a imagem do livro colocada no lado direito do blog; chamou-me imediatamente à atenção. Porque a imagem é (era) extremamente forte – esta imagem vale pelo menos 500 exemplares vendidos mesmo que o conteúdo do livro não valha nada.

Quem desenhou isto pensou muito bem na concepção de capa. Existem duas referencias poderosas nesta capa: o adesivo vermelho e a palavra blogs escrita a branco, bem como a conjugação das cores, destas duas cores, que é extremamente poderosa.

O adesivo vermelho simboliza censura e está colocado em forma de “x” para simbolizar impedimento de falar, liberdade ameaçada… É um vermelho suficientemente carregado para chamar à atenção e suficientemente discreto para não ser berrante e cortar o efeito.

A palavra a branco ( blogues) é a segunda mais poderosa imagem na capa/logotipo. Precisamente porque, como está colocada em contraste num fundo castanho/bordeaux sobressai mais.

A expressão “proibidos” consegue-se perceber também. Devido a quem escolheu a “Fonte” das letras ter escolhido algo de muito miudinho, mas suficientemente visível e que não colide em contraste (suponho que a ideia era essa) com os outros aspectos da capa.

O colarinho branco tem várias funções: associar o blogger ( proibido, censurado, perseguido), a alguém “novo”, “profissional das novas tecnologias”, dinâmico, etc, indicando, na realidade, qual o alvo demográfico/de público, da edição do livro, (embora obviamente existam bloggers muito mais velhos, note-se). Tem ainda outra função adicional: também serve de contraste; colocar uma segunda parte de branco, que assim não torna toda a capa aos olhos de quem vê demasiado escura, logo mais invisível e “cinzenta”.

Esta capa é muito boa porque é muito, mas muito poderosa como imagem. Eu, que sou uma das pessoas mais adversas à publicidade e à imagem e normalmente vejo o que se quer e rejeito, em relação a perceber o que quer ser-me vendido ou não, confesso que cai imediatamente nesta.

Ao entrar no blog Marketing de busca, disparei imediatamente, para a caixa de comentários ao lado da anterior colocação desta imagem.

E inseri um comentário perguntando ao António Dias, qual era a razão de ser da imagem, alguma campanha a favor da liberdade de bloggers, etc.

Nem sequer carreguei em cima da imagem. O enorme poder de atracção da imagem levou-me directo à caixa de comentários pensando que era algo novo lançado pelo blog Marketing de Busca ou alguma campanha a que o blog tinha aderido.

Era algo de novo, só não aquilo que eu pensava. Mas o efeito estava atingido. A imagem captou a minha atenção.

Sob o ponto de vista publicitário esta imagem passa com distinção. Num mundo de capas banais, cheias de Margaridas Rebelos Pintos na capa com ar sonhador de quem pensa em caixas registadoras; aqui optou-se por criar uma imagem poderosa, sóbria, extremamente apelativa, que, caso o conteúdo do livro valha menos que a imagem, mesmo assim garante que as pessoas, algumas, de certeza, comprarão e/ou abrirão o livro, ou falarão dele, etc.

É uma imagem – também – extremamente “aproveitadora” da situação actual – é o que se chama uma venda de oportunidade( à época) aproveitando a situação que se vivia em Portugal, na Blogosfera, com dois blogs e um jornal processados por delitos de opinião.

O mais espantoso desta imagem, é outro pormenor que aconteceu comigo. Normalmente são as imagens colocadas à esquerda de quem vê, especialmente num ecrã de computador, as mais “olhadas” em primeiro lugar e as mais vistas – as que chamam imediatamente a atenção.

Contudo esta imagem era tão poderosa que quando estava colocada no lado direito do Marketing de Busca (1º imagem em cima) conseguía ainda ser mais poderosa do que colocada no meio do Blog. Porque a imagem colocada sozinha – em qualquer ponto – é assassina. É um “assassino em série de marketing. Lembra aquelas arvores que secam tudo ao seu redor.( Tanto que o António Dias depois mudou-a naquela altura…e actualmente já não está lá obviamente…)

Já aqui nesta imagem da capa do livro, verifica-se que apesar da capa completa ser mostrada alguma da força da imagem lá em cima – naquele contexto específico – se perde. ( O que quer dizer que esta imagem de capa ainda é mais forte colocada entre quaisquer outras imagens)

Precisamente pela colocação de texto entre o titulo em branco/bordeaux “blogues proibidos”e a definição dos blogs em questão. Contudo ainda existe “poder” de atracção nesta capa. Quem a fez teve o extremo cuidado e rigor de seguir a linha de cores ou seja, repetir o branco, o vermelho e o bordeaux entrelaçados com uns sinais de “proibido”, mais um delicioso pormenor que faz logo perceber que a pessoa que fez esta capa, tem elevado sentido estético e faz associar estes sinais ao título/conteúdo do Livro.

Amanhã: Blogs Proibidos – o conteúdo.

Written by dissidentex

24/07/2008 at 7:43