DISSIDENTE-X

CLAUS PORTO – ACH BRITO.

leave a comment »

Em Portugal a questão das marcas/empresas nacionais sempre foi um assunto muito interessante e sob muitos pontos de vista. Não só porque existem poucas marcas nacionais, mas também porque as que existem sempre foram atacadas. Existiu sempre uma “cultura” destinada a atacar a marca nacional e a defender a marca estrangeira- o que vinha do estrangeiros mesmo que fosse igual ao que era feito cá, era sempre considerado melhor.

Isto independentemente da má gestão dos responsáveis por marcas nacionais, muitas vezes ter originado que as marcas, e as empresas que lhes davam corpo terem falido.

O resultado disto está à vista; a extinção de marcas e a extinção de sectores nacionais de produção já específicos e com um “saber-fazer” bastante interessante.

Mas existe uma marca interessante que funciona como caso de estudo, até pelo tipo de produtos que fabrica.

A Claus Porto. Ligação wikipedia. Ligação Claus Porto, nome da empresa que produz “Ach Brito”. Ligação DN com uma peça curta com o gestor da ACH Brito.

É uma empresa de fabrico e sabões e sabonetes, primordialmente.

Lembro-me, quando era pequeno, que estes sabonetes eram vendidos na drogarias e perfumarias. Mas já na época eram mais caros do que os sabonetes normais, embora fossem melhores dos que os normais.

A partir de 1987, com a introdução de grandes superfícies, as drogarias e perfumarias começaram a perder rapidamente clientes. Produtos semelhante aos da Ach Brito eram considerados como sendo de segunda categoria – não o sendo – enquanto que as pseudo coisas com marcas internacionais e actrizes conhecidas dentro de banheiras em anúncios publicitários, é que eram o novo padrão do sublime…

Também devido a problemas – dificuldades de “negociação” – com os sectores de compras das grandes superfícies, porque estas querem descontos de quantidade e outro tipo de exigências que, muitas vezes, não são aceitáveis para uma empresa.

Provavelmente por uma conjugação destes factores a Claus Porto/Ach Brito começou a ter dificuldades que se materializaram a partir do inicio dos anos 90. Nessa altura foram-lhes contar uma história muito engraçada que alguns empresários portugueses levaram – erradamente – a sério.

Na Ach Brito souberam pensar pela própria cabeça e não ir em cantigas de consultores e gestores e não embarcaram nessa lógica…

Exemplo:

”Um estudo da altura dizia que ou fechávamos ou tínhamos de comprar máquinas novas xpto, para podermos exportar, tudo na base das quantidades da produção. Se tivéssemos feito isso estávamos condenados.”
Os irmãos Brito não seguíram nenhum destes conselhos (…)»

Revista up (TAP), n.º 8, Junho 2008, artigo intitulado Sucesso em português / A leveza da tradição.

Algures nos anos90, vi um determinado documentário (quis aqui ligar, apresentado pelo comediante/actor inglês Alexei Sayle, mas não consegui determinar qual era…) em que este ia a vários países do mundo em reportagem. Objectivo: investigar quais eram os planos de investimento/reestruturação do FMI apresentados a esses países.

Numa dada altura falava com um agricultor de uma ilha das caraíbas, cujo país inteiro tinha sido aconselhado pelo FMI, a dedicar-se apenas e só a uma cultura agrícola – neste caso o café – e a privatizar simultaneamente todo o sector publico, virando-se para a exportação do café como meio de subsistência do país.

Os habitantes da ilha/país foram incentivados a fazer isso. Após privatizações, passaram a não poder pagar os serviços antes públicos, agora privados.

Também ficaram todos globalmente mais pobres porque os preços do café; a tal matéria prima que tinham sido aconselhados a produzir e exportar em exclusividade – não paravam de descer no mercado mundial.

Sayle levava um dos agricultores a ver, ao vivo, a bolsa de futuros de Chicago. O agricultor estava surpreendido e irritado por perceber que o café que ele ia produzir daí a ano e meio estava no momento em que ele lá estava a ver; a ser transaccionado por um preço, que, explicava o agricultor, nem sequer cobria os custos de produção que tinha.

O documentário depois mudava de país e ao ir-se a vários países de África, fazer-se a mesma pergunta, descobria-se que os “conselheiros do FMI”, tinham dado os mesmos conselhos aos governantes desses países – especializarem-se numa monocultura – e exportarem. Sendo que a monocultura era, curiosamente a do café……

A “jogada” consiste em aconselhar as empresas e os países a irem num determinado sentido……

O mesmo sentido em que a Ach Brito foi aconselhada.

“Um estudo da altura”

(Provavelmente feito pelo mesmo tipo de consultores que “vendem” um certo tipo de conversa… a países)

“aconselhava a que fechássemos ou em alternativa, a comprar-se máquinas novas”

( Os consultores nas entrelinhas afirmam que; ou saem e os nossos mentores internacionais abateram um cliente ao efectivo industrial e reduziram a concorrência, (eliminando à nascença hipotéticos perigos) ou ficam e compram máquinas novas para produzirem em quantidade e, consequentemente, não terem hipótese de concorrer – porque o aumento da quantidade e do produto mandado para o mercado o impede. Concerteza existiriam outras empresas noutros países a serem aconselhadas a fazer isto que foi aconselhado à Ach Brito…através de “estudos da altura”…)

“para podermos exportar, com base nas quantidades de produção”.

(a conversa da exportação, é apenas dita, para incentivar alta quantidade de produção; isto é, o seu aumento massivo. Se for dito a 100 empresas do mesmo sector para fazer isto, 100 empresas começam a lançar quantidades industriais do produto para o mercado e o preço do produto baixa drasticamente…e aí ninguém ganha)

Como quem compra mais são os países ricos ( isto é aqueles que (“os consultores”) dizem a quem produz para exportar produtos médios) daqui resulta que os países ricos compram barato produtos médios, enquanto que os países mais pobres – no caso Portugal – continuam a comprar produtos de importação caros e a exportar – segundo esta lógica, produtos de fabrico intensivo baratos e cada vez mais sujeitos à concorrência.

A ACH Brito/Claus Porto sensatamente, não foi na conversa e preferiu apostar num nicho de mercado – no qual tinha perfeito conhecimento e saber fazer e não ir nas cantigas dos “estudos da altura” que andam por aí à solta.

Nas operações de propaganda se for preciso são os mesmos “estudos actuais” que, actualmente até apresentarão a ACH brito como um “exemplo de excelência”… e de grandes opções estratégicas …

AVISO: Este post não significa nem é publicidade encapotada à Claus Porto/Ach Brito, antes é uma empresa/ marca que tem uma história correcta e da qual gostei.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: