DISSIDENTE-X

MARCAS NACIONAIS E O SEU DESAPARECIMENTO.

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Jornal Global, sexta feira, 6 de junho de 2008 Editorial. Clicar imagem.

Jornal Global, sexta feira, 6 de junho de 2008 Editorial. Clicar imagem.

O editorial ao lado é exemplar do magnifico estado do país. O jornalista chama a atenção para o desaparecimento de várias marcas nacionais (e a consequente perda de postos de trabalho) que o desaparecimento destas empresas origina ( bem como a perda de competências, de “saber-fazer” nestas áreas, “saber-fazer” que demorou muitas décadas a adquirir…).

E chama a atenção porque mais uma fábrica / marca nacional está com enormes problemas. A fábrica de pneus Camac.

Façamos a lista de marcas que desapareceram ou estão moribundas.

MOLIN – Material de escrita e desenho ( canetas e das boas)

MABOR GENERAL – Pneus.

UMM – Veículos automóveis (Jipes).

PORTARO – Veículos automóveis (Jipes).

SOREFAME – Concepção e fabrico de comboios.

CASAL – Motos.

MAKO JEANS – Calças de ganga , blusões de alta qualidade.

FOGÕES LEÃO: Produção e comercialização de Fogões.

FRIGORÍFICOS ESTRELA: Produção de Frigoríficos.

E ainda, o SABÃO CLARIM, o SABONETE FENO DE PORTUGAL, as Bicicletas VILAR, o leite com chocolate COQUI ( esta ainda existe, com fábrica e tudo, mas residual),

Que me lembre. E existem muitas outras mais. Existem e existiram fabricantes de automóveis em Portugal e produziam coisas de qualidade e mais do que um só fabricante.

Como por exemplo:

Carro português Alba- 2ºsalão do automóvel antigo- Moita 2001
Carro português Alba- 2ºsalão do automóvel antigo- Moita 2001

Existiram sempre possibilidade de produção própria e marcas nas mais variadas áreas industriais de produtos de alta qualidade feitos em Portugal.

Este carro é de 1954.
Sem pretender “glorificar” a ditadura, ou o nacionalismo económico, é necessário reflectir sobre o porquê de em 1954 se conseguir ter capacidade para produzir carros de concepção portuguesa e, actualmente, nem sequer as duas marcas portuguesas de fabrico de pneus, um mísero componente de um carro, conseguem sequer sobreviver.

A Mabor/Continental já foi, e a Camac está com salários em atraso.
No meio “disto”, o país irá gastar dinheiro a construir TGV´s e aeroportos.
O mais espantoso e focalizando no sector automóvel, é o facto de se ir fazer uma espécie de negócio com a Renault -Nissan, e não criar – por exemplo – duas alternativas:

  • Ou o país criava uma marca própria aproveitando estas já existentes e desenvolvendo um protótipo de um carro a energia eléctrica.
  • Ou o país propunha à Renault -Nissan que empresas como a Camac, fossem fornecedoras.
Ou outras hipóteses do mesmo tipo.
Capa Jornal de Negócios- 25 de Julho 2008

Paralelamente a isto escutamos os “brilhantes políticos portugueses” (ironia) a falarem da necessidade de o país ter marcas próprias fortes.
Bom, mas o país já teve essas marcas.
A foto foi retirada do Fórum Autohoje. A imagem é do Jornal de negócios de 25 Julho de 2008.

Mais uma vez interessa perceber-se, porque é que a marca portuguesa (exceptuando evidentemente, problemas de má gestão destas empresas) foi obliterada do panorama do país. (Conferir o que “não aconteceu à marca Claus Porto- Ach Brito).

Isto não aconteceu por acaso ou só por má gestão.

É patético observar a mesma geração de políticos que há 20 anos atrás afirmava que não era importante a política de marcas (e acima de tudo, das empresas / fábricas/ “saber-fazer”, que estava por detrás de todas estas indústrias), e agora babam-se, literalmente, gastando dinheiros infindos na promoção da marca Portugal.
Com campanhas idiotas e totalmente desmioladas e apenas orientadas para o turismo, não para a promoção de empresas e “saber-fazer industrial e comercial. (Porque esse “Saber-fazer” foi arrasado…)
Técnicas e conhecimentos acumulados e aperfeiçoados ao longo de gerações perdem-se, para, em troca, se investir no “turismo e nos serviços”.

Turismo e serviços que nunca gerarão o mesmo volume de emprego que antes existia.
E dizem-nos que isto é bom, e que temos que ter orgulho em Portugal.

Uma certa corrente intelectual de pensamento e gestão, que tem “sucursais” na ciência política, na política activa, na economia, e na Blogosfera portuguesa defende este tipo de lógica do “turismo” e serviços”.

A aplicação deste “discurso” geo político / económico tem servido para destruir empresas nacionais mais pequenas nos mais variados países. Tem servido para legitimar o aumento de tamanho de empresas de grandes países.

Os pressupostos são sempre derivados de Adam Smith. as “vantagens comparativas”.

A versão recauchutada actual de Adam Smith chama-se Michael Porter e sua teoria do diamante competitivo.

Nos anos 90, o governo do senhor Cavaco Silva, encomendou um estudo (um milhão de contos/ 5 milhões de euros) para definir quais os casulos / nichos / “clusters” económicos nos quais a economia portuguesa se deveria “especializar”.

NOTA: sem ter a certeza, e após pesquisa, penso que o estudo em questão é este: PORTER, Michael, “Construir as Vantagens Competitivas de Portugal”, Monitor Company, Edição Forum para a Competitividade, Lisboa, 1993

A equipa de técnicos da Monitor Company (a companhia do senhor Porter) pairou aqui durante uns 4 meses recolhendo informação. Passados seis meses / um ano, apresentaram as suas conclusões.

Algum tempo mais tarde, recordo-me de ter lido uma entrevista de um industrial do norte em que a pessoa dizia que concordava na quase totalidade com o estudo dos técnicos da Monitor, especialmente porque as conclusões do estudo eram idênticas ás de um estudo interno que esse senhor tinha feito para a sua própria empresa. Ele não poderia precisamente por isso, contrariar-se a si mesmo.

O industrial em questão, bastante cavalheiro até, estava na prática a dizer que o que tinha sido feito era anunciar como boa nova aos pacóvios cá do sitio algo que já era conhecido pelos pacóvios cá do sítio.

Imagem retirada da página 9 do ficheiro PDF, que se pode retirar daqui

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Repare-se em quais são os sectores que o estudo “diz” para se investir?
Repare-se quais são os sectores em que o estudo diz para investir e compare-se com o artigo da Claus Porto – Ach Brito e o que lá está escrito sobre o FMI e os “conselhos” de investimento /reestruturação da economia de um país e relacione-se isso com as teorias da vantagem comparativa de Adam Smith…

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