DISSIDENTE-X

Archive for Setembro 2008

A PRIVATIZAÇÃO DOS 7% DA GALP – RAZÕES

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Com o partido socialista português as coisas são realmente “diferentes”

Primeiro:

espera-se que os mercados financeiros estejam numa enorme crise, como é o caso da recente crise financeira americana e as razões para ela ter acontecido.

Segundo:

Depois faz-se o que é descrito aqui no blog “O país do Burro/Filipe Tourais”

“…O Governo de José Sócrates ressente-se do incómodo de que o Estado tenha em carteira acções de uma empresa que gera lucros chorudos e, depois de ter feito de Américo Amorim o homem mais rico de Portugal (ver gráfico), prepara-se para, novamente, distribuir felicidade com a privatização de mais 7% da mesma empresa. E esses 7% da Galp serão “socializados” por ajuste directo, permitindo a escolha do comprador e favorecimentos no preço, numa altura em que as bolsas estão em forte baixa.”

De facto governar tendo em carteira acções de uma empresa que gera lucros brutais é muito desagradável. Como é desagradável vamos vender a um privado, por ajuste directo.

Terceiro:

O privado compra ao Estado Português por um preço substancialmente inferior, as acções da empresa Galp que ainda restam na posse do Estado. As acções são avaliadas ao preço de mercado e o preço de mercado está baixo. O privado embolsa 400 milhões de euros, isto é, deixa de pagar 400 milhões de euros, isto é paga a menos.

Citando de novo Filipe Tourais:

“…E quanto nos vai custar o negócio? São um pouco mais de 58 milhões de acções. À cotação actual, 12,03 euros, valem cerca de 698,69 milhões de euros. À cotação do máximo de há uns meses, que não é um máximo potencial porque nessa altura as bolsas estavam já em queda acentuada, 19,3 euros, as mesmas acções valiam mais de 1105,25 euros. A diferença é de 406,55 milhões. Uma perda que deverá ser somada aos lucros que o Estado deixa de arrecadar e tem que compensar com mais impostos sobre os contribuintes.”

Este simpático gráfico acima é das cotações da Galp por volta das 13.45 do dia 30 de Setembro de 2008, ao vivo, e ainda tem um preço mais baixo do que aquele indicado pelo Filipe Tourais.
Quando o “negócio” da venda dos 7% for finalmente efectuado, ainda o será numa altura mais estrategicamente escolhida para ser ainda mais baixo e fazer o privado que vai adquirir as acções embolsar, isto é, deixar de gastar na aquisição das mesmas uma valor mais para os 500 milhões de euros do que para os 400 milhões de euros.

E mostra também que no inicio de Janeiro se esta “transacção fosse feita o dinheiro que o Estado português embolsaria, seria substancialmente maior.

De facto o partido socialista é mesmo diferente e outra coisa.

Quarto:

o privado que tem acesso a este generoso negócio é o Sr Américo Amorim, accionista da Galp, (conjuntamente com a empresa italiana, Eni e com a CGD)

e ira ser beneficiado com isto, ficando a gerir um monopólio.

Quinto:

E cito de novo Filipe Tourais:

…quem, mais uma vez, se insurgiu contra mais esta negociata foi Francisco Louçã. O seu partido, o Bloco de Esquerda, segue com cerca de 10,9% nas sondagens. Quem, mais uma vez, está a conduzir um negócio ruinoso para o Estado e muito proveitoso para um particular – que até vai ter o privilégio de poder escolher – é José Sócrates. O seu partido, o PS, segue destacado na dianteira das intenções de voto dos portugueses com 36,1%.”

Sexto:

São estes os “negócios” da esquerda moderna:

Aviso: este artigo não significa apoio ou desapoio ao BE. Que diga-se de passagem, fez um pedido na assembleia e protestou com uma coisa com a qual eu concordo que se devesse protestar. Estas negociatas do partido socialista e do primeiro ministro.

UM RETRATO DE PORTUGAL – UMA ALDEIA

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E a propósito de se terem percebido umas coisas nas férias…

Vai-se de férias para uma aldeia. Vê-se um jogo de futebol. Na associação local, cultural desportiva e recreativa do sitio. Onde as forças vivas e os espíritos das forças mortas se reúnem em amena cavaqueira e melhor bebedeira quando calha. Começa-se a falar com o parceiro do lado que até já se conhece de vista.

Lentamente, o futebol passa para segundo plano. Com o decorrer da conversa obtém-se um retrato de Portugal, das misérias do país, do completo vazio, decadência e total sentimento de perca e de esquecimento psicológico de si mesmo enquanto país em que esta coisa que dá pelo nome de Portugal, está.

Fala-se de “cultura”. O meu interlocutor diz que não há. Explica porquê.

Para incentivar a “cultura” a câmara municipal da área construiu um sumptuoso centro cultural. Amiúde existe teatro barato, cinema barato com bilhetes a 2.5 euros, bons filmes seleccionados. E outros, como espectáculos itinerantes ou orquestras que passam lá em digressão ou festivais dos mais variados assuntos e temas.

E porque diz o meu interlocutor que não há? Porque a população não corresponde.

Explicou-me que na semana anterior um determinado espectáculo tinha passado por ali e ele tinha ido ver. 60 pessoas estavam lá. Numa zona, apesar de tudo, com 4000 pessoas ao redor e mais 35 mil a 8 quilómetros de distancia, seria esperar um pouco mais. Mas não.

O terror continuou. Explicou-me que gosta de ler, gosta de livros e gosta de oferecer livros. E ofereceu livros. Perguntam-lhe os vizinhos se “isso” (um livro) é uma prenda que se ofereça…

Afirma que ninguém lê o que seja, quase nem jornais. Quando o fazem, o que passa por ser jornais são o Correio da manhã e o Record. Esses paradigmas do lixo pseudo desportivo e da defesa do Salazarismo encapotado…

Este herói solitário explica-me que faz imensos convites aos “companheiros de aldeia” para irem ver quaisquer espectáculos que estejam em exposição no centro cultural sumptuoso. Até hoje (penso que já passaram 7 anos desde que iniciou os convites) ninguém aceitou. Isto elimina as razões económicas que poderiam ser o obstáculo para se evitar ir aqui ou ali.

O nosso querido e estimável governo (estou evidentemente a ser irónico) decidiu lançar um projecto de “difusão da Internet de banda larga” pelos caminhos e lugarejos de Portugal chamado acesso livre à banda larga ou lá o que é.

Para tal estabeleceu protocolos com inúmeros sítios, no país todo, um dos quais, a associação, cultural, recreativa e desportiva deste lugar. A diarreia da banda larga originou dois computadores topo de gama e uma impressora, no local.

Explicou-me o meu interlocutor, que desde que estão ali os computadores, nunca nenhum miúdo da escola ou alguém sem ser da escola usou os computadores para algo diferente do que seja jogar jogos online ou combinar engates e aquisições de preservativos no Messenger.

O grande projecto de difusão da Internet pelas aldeias do interior serve para se jogar jogos online e combinar engates e aquisições de preservativos no Messenger…

E absolutamente mais nada.

(Confesso que depois de saber isto até me senti mal por duas vezes ter usado a maquina para consultar o correio electrónico e ver as notícias – que herege demoníaco eu sou…por andar a profanar as maquinas…obrigando-as a desempenharem tarefas diversas daquilo que estão destinadas…)

O mais espantoso no meio desta pocilga anárquica que dá pelo nome de Portugal é o pseudo liberalismo do Estado e interesses privados (que vem depois a assassinar a criação de serviços ou empregos logo à nascença) misturado com a (falta de) ética misturados com paternalismo, filosofia da esmola, assistencialismo cristão misturado com proselitismo ( é uma troca…) e abandono completo do interior, mas parecendo não estar isso a ser feito, misturado com o pior do Estado burocrático, mas tudo feito sempre de uma forma “especial”.

Reorientando para trás e voltando ao protocolo: este protocolo dura um ano. A partir dai corre por conta de quem tem pontos de acesso Internet. Tradução: pagam as contas. No caso desta associação corre por conta própria. Esta associação é paga pelo dinheiro da exploração do Bar e pelos próprios sócios.

Exemplo de problemas: com um contrato Netcabo, com limites de tráfego internacionais, e com um preço fixo de 22 euros, no mês anterior a esta conversa tinham pago 46 euros de Internet devido ao excesso de tráfego internacional. (os sítios de jogos online)

O meu interlocutor – que fazia parte da direcção – já tinha avisado o tipo do pelouro especifico para mudar o tipo de contrato. Mudar de fornecedor não se pode – só existe aquele naquela zona. (A “magnífica “concorrência” empresarial no interior é assim, que os cidadãos das grandes cidades desconhecem…)

Este é o “liberalismo económico” que se quer implementar em Portugal; nenhuma concorrência, feudalismo comercial, preços absurdamente caros por um serviço péssimo na generalidade dos casos.

Só agora estão a chegar ( caros e com uma falta de qualidade de serviço, como o raio que os parta) os fornecedores de Internet móvel, mas isso não é o adequado àquilo…

E pergunta-se: e não se pode cortar aquilo – a Internet? Deixando de pagar os 4o e tal euros?

Não, porque isso geraria um motim de proporções irreversíveis. O direito a jogar online é um direito constitucional inalienável…se em Lisboa jogam…aqui também!

Como sou um ingénuo ainda perguntei:

– então, mas os pais não percebem que aquilo também serve para outras coisas?

Resposta: percebem lá…nem se interessam. O rendimento escolar é péssimo aqui. É extraordinariamente difícil ensinar os miúdos da escola, até pelo problema da consanguinidade…

Desculpe, mas… então mas as pessoas daqui não sabem que não devem casar primos com primos… Resposta: sabem lá disso ou de alguma coisa.

As pessoas são muito pouco esclarecidas (a população também é envelhecida e foi completamente formatada no Salazarismo) e tem muito poucos interesses por mais do que apenas certas coisas.

Repare, se dissermos para não se fazer certas coisas ou para fazer outras e o porquê, as pessoas não ligam. Ou nem sequer percebem porque não devem ou devem fazer. No caso da Internet se cortarmos o serviço ou passar a ser pago, temos um coro de protestos. As pessoas exigem o serviço como está e não querem saber das contas. Se há noutros lados aqui também tem que haver…

E no que aos filhos diz respeito é ainda pior. Se se diz que alguém tem problemas de aprendizagem as pessoas ficam melindradas com isso e ainda reagem menos ao problema escolhendo antes ignorar…

Ao mesmo tempo, as pessoas, dizia-me o meu interlocutor, (1) habituaram-se a coisas de borla, e não as querem pagar. Mas se as coisas deixarem de existir (2) protestam imenso porque as coisas não existem. Se existe em Lisboa ou noutro lado, então ali também tem que existir…Ponto Final!

Continuou a dizer: depois temos problemas de dinheiro na associação. Terminamos o ano com 7 euros de orçamento. A câmara municipal fez protocolos connosco mas não paga. Estamos há 1 ano sem receber nada deles, do que nos é devido. E as nossas receitas são cada vez menores porque estamos a ter menos clientes no bar- é o bar que nos paga as contas. (As pessoas também morrem…reduzindo o número de clientes…)

Já protestamos com o Presidente da câmara e ele até ficou chateado connosco. Mandamos-lhe 3 ofícios para lhe dar a conhecer a situação e ele nunca respondeu. Então fomos levar o assunto à assembleia municipal e ele ficou ainda mais chateado por não termos falado com ele privadamente.

Dissemos-lhe que aquilo não era uma coisa privada, mas sim de instituição para a instituição. Além disso era culpa dele: mandámos 3 ofícios e nunca respondeu a nenhum…

Temos uma escritura para fazer da associação que está há mais de 10 anos suspensa, porque ninguém tinha tratado do assunto. Agora queríamos fazer, mas apresentaram-nos 1640 euros de IMI para pagar. Como não há dinheiro, está em espera até haver. Vamos lá a ver com as festas de Setembro… .

Então, mas não podem reduzir custos? Sei lá acabar com o desporto, por exemplo?

Resposta: pois, vamos ter que acabar com o futebol, ou passarmos para o futsal porque não temos hipótese, aquilo é um desporto caro. Está a ver, até ali o clube “x” está com dificuldades e não paga aos jogadores… Mas isto vai ser muito complicado dizer-se que vamos acabar com isto.

O que nos vai safar é que teremos mesmo que acabar até porque não temos suficientes jogadores. Mas conseguimos recrutar 22 e alguns até faltam a treinos e muitas vezes até temos dificuldades em conseguir ter uma equipa de onze jogadores…

Então e a câmara, pergunto eu? Como é que ela faz para criar emprego) Eles até absorveram os trabalhadores da “Empresa Y” que fechou…

Resposta: a câmara está com problemas de dinheiro. Estamos em crise. Além disso tem excesso de empregados e de despesas.

Repare, eu até sou a favor que uma câmara municipal tenha mais empregados do que devia para tentar fomentar a fixação de populações em lugares como este. Quem é que vem aqui investir? Mas aqui nem sequer existiram cuidados de outro tipo.

A câmara criou empregos em excesso e recentemente absorveu empregados da “Empresa y”. Mas ele não lhes pode pagar (o presidente da câmara) metendo-os dentro do quadro – o Tribunal de Contas não deixa. Então, paga a recibos verdes.

Mas meteu todas as pessoas em gabinetes da câmara, quer antes, no inicio, sem existirem despedimentos, quer depois, (agora) quando estas, recentemente, saíram da “Empresa “y”. Se precisarmos de alguém para vir desentupir canos ou outro tipo de serviço, não há pessoal dizem-nos lá, ou estamos imenso tempo à espera… para resolver assuntos destes.

Continua o meu interlocutor: Olhe, nem sequer concordo com a existência de câmaras municipais tão pequenas. Resposta minha: pois olhe que eu também não. Isto nem sequer devia ser considerado uma câmara municipal e no caso aqui da aldeia nem sequer deveria ter presidente da junta de freguesia.

Interlocutor – Isto deveria ter aqui dois ou 4 funcionários públicos ou os que fossem necessários, para tratarem de assuntos e não autarcas. Eles não produzem nada…e ganham até bastante e só causam confusões, exclamou o meu interlocutor…

O que temos aqui é :

O pior do liberalismo económico

conjugado

com o pior da burocracia e do desleixo na organização administrativa do país.

Isto é uma aldeia em que (certos) serviços são pagos pelos próprios. Não é o Estado. Quando é o “Estado Local”, a pagar, isto é, a autarquia e toda a lógica clientelar desta as asneiras são constantes, misturadas também com os interesses dos pequenos “empresários ou empresas privadas” que aproveitam para sacar subsídios…

O autarca eleito desta Câmara Municipal foi-o pelo PSD. ( Mas que interessa, na câmara Municipal a 8 KM de distância e 40 mil habitantes, o autarca é do PS e a javardice é a mesma…)

Na frente política as coisas são hilariantes. E os lunáticos que falam de ética na política ou de “projectos” são isso mesmo: lunáticos…

A pessoa que falou comigo ainda me explicou que o autarca da câmara que supervisiona a aldeia, irá recandidatar-se a mais um mandato, mas apenas se o senhor “xpto”, do qual o autarca não gosta se candidatar pelo PS. Como me disse o meu interlocutor: – ” quer dizer, ele diz que está farto e este é o último mandato, e apenas se recandidata se o senhor “xpto”, que é arquitecto e eventualmente concorrerá pelo PS se candidatar. Tá a ver, isto não há aqui nenhum programa político nem coisa nenhuma, é tudo pessoal…”

Perante este estado das coisas, considero que não há aplicação de sufrágio censitário que resolva isto, ou aplicação de penalizações a quem se abstenha que resolva um caso destes ou qualquer outra solução do mesmo tipo.

Apenas uma completa reestruturação do mapa eleitoral alterando e reduzindo freguesias e câmaras municipais e acima de tudo deixando o mapa autárquico de seguir a lógica pelo qual ele foi inicialmente organizado em 1976: de acordo com os sítios onde se situavam as igrejas da Igreja católica. / O mapa segue fielmente a divisão administrativa da Igreja católica…/

Foi esse o “critério cientifico” seguído pelos grandes revolucionários de esquerda (estou a ser irónico) do pseudo sistema eleitoral autárquico. (o que demonstra bem para algumas das pessoas mais novas que ainda resistem a ler o que se escreve neste blog, o enorme conjunto de caca que existia na cabeça dos esquerdóides e direitóides revolucionários ou lá o que eles eram… ou acham que eram…)

Não só seguíram um modelo adverso à formas democráticas de viver a vida como demonstraram que não tinham – concretamente a porra de ideia nenhuma acerca de como organizar eficazmente e com critérios claros um país, administrativamente.

Agora temos toda esta situação a explodir: autarcas que para manterem o poder e interesses caciqueiros privados que gastam sempre mais do que tem para gastar e não criam nada nos sítios, gerando, paralelamente, um desordenamento do território descomunal.

Isto é uma localidade no centro do país.

ASAE E A BUROCRACIA

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Este artigo é sobre a Burocracia e sobre a ASAE – a autoridade de segurança alimentar e económica – e de como esta “burocracia” especial é usada pelo governo (é este como poderia ser outro qualquer…). E usa o governo, também.

Também é sobre uma organização burocrática, que, deixada à solta e sem controlo, se autonomiza, muito mais do que devia; das estruturas que a deveriam controlar e ganha vida própria.

De como quem cria entidades destas, julgando estar a fazer uma grande coisa, ou a “lutar contra a tirania” apenas faz surgir mais um desagradável micro totalitarismo – mais uma pequena estrutura totalitária burocrática, (que se desvia do seu objectivo original) aplicada aos cidadãos e à sociedade portuguesa com os correspondentes problemas para estes.

Esta “burocracia especial” – as ideias e os conceitos que estão por detrás disto – são apenas uma má aplicação (deliberada má aplicação?) do que deveria ser uma burocracia deste tipo.

Uma outra dimensão emerge aqui: como se transforma numa “aliança” entre os interesses da (1) “burocracia especial” conjugados com (2) os interesses de poder de um “governo que se diz de esquerda”, (mas não é), e como esta burocracia conjuntamente com este governo, se tornam – na prática(3) aliados de grandes interesses económicos * – como protegem fortes (pela omissão de nada fazerem) e atacam fracos (pelo facto de agirem). A origem da imagem é do We have Kaos in the garden

No livro “Globalização, as consequências Humanas”, do sociólogo Zygmunt Bauman, na página 40, Bauman cita e elabora a partir de Michel Crozier. Isto à propósito da (1) organização administrativas das sociedades pré modernas, por comparação às (2) modernas burocracias modernas e as formas como estas se tentam movimentar e ganhar poder, e cita-se:

” ...em qualquer colectividade estruturada (organizada), a posição dominante pertence àquelas unidades que tornam a sua própria posição opaca e suas acções impenetráveis aos forasteiros – ao mesmo tempo que as mantêm claras para si mesmas, livres de pontos enevoados e seguras contra surpresas.

Em todo o mundo das burocracias modernas, a estratégia de cada sector existente ou com aspirações a existir consiste invariavelmente e de forma consistente em tentativas de desatar as próprias mãos e na pressão para impor regras estritas e rigorosas para a conduta de todos os demais dentro da organização.

Tal sector ganha o máximo de influência quando consegue tornar o seu comportamento uma variável desconhecida nas equações que outros sectores formulam a fim de fazer opções – ao mesmo tempo que consegue tornar constante, regular e previsível a conduta de outros sectores.

Em outras palavras, maior poder é exercido por aquelas unidades capazes de permanecer a fonte da incerteza de outras unidades. A manipulação da incerteza é a essência e o desafio primário da luta pelo poder e influência dentro de toda a a totalidade estruturada – antes e acima de tudo na sua forma mais radical,a da moderna organização burocrática e particularmente da burocracia do estado moderno.”

Verdadeiramente, durante os últimos 3 anos, a ASAE nada mais tem feito do que aquilo que Bauman descreve acima. Procedeu com a completa conivência e ajuda do actual governo que – incapaz de governar ou de ter qualquer tipo de ideias concretas acerca do que deveria ser governar – decidiu fazer “contratação por fora”/Outsourcing.

As pessoas que votaram neste governo julgaram que votaram para que este governasse. Obtiveram como resposta do actual governo a ideia de largar da mão/abdicação de vários sectores da administração.

Como? Através do fomento e criação de estruturas semi fantasmas (embora formalmente integradas na estrutura estatal) e totalmente a funcionarem em roda livre para fazer aquilo que seria da competência própria do governo/Estado.

Estas estruturas respondem a esta atitude “moderna” do Governo/Estado; ganhando vida própria e criando ainda mais problemas ao governo do que este teria se fosse ele a tomar a responsabilidade DIRECTA pela fiscalização alimentar ou outra. Lista de exemplos em baixo:

Por exemplo em 26 Maio de 2008, o Jornal Expresso noticiava que a ASAE , com risco da própria vida dos seus funcionários iria perseguir perigosas sardinhas e malvadas bifanas. Um novo desígnio nacional. Os critérios para tal? São internos.

Uma das exigências dos cidadãos relativamente á administração pública é a transparência. No caso da ASAE existem “critérios internos”. Cite-se Bauman de novo:

“…em qualquer colectividade estruturada (organizada), a posição dominante pertence àquelas unidades que tornam a sua própria posição opaca e suas acções impenetráveis aos forasteiros…”

“(…)A manipulação da incerteza…”

No dia 2 de Agosto de 2008, o secretário de Estado do Consumidor, um político medíocre, igual a tantos outros políticos medíocres, chamado Fernando Sarrasqueiro decidiu vir a público defender a burocracia publico/privada criada através de Outsourcing que dá pelo nome de ASAE numa entrevista institucional ao Expresso.

O secretário de Estado involuntariamente ou de forma medíocre, trai-se. Afirma que a ASAE nasce de várias culturas ( dentro da administração pública ). Isso é bom? Porquê?

A isso deve-se juntar a permeabilidade e a influência das empresas privadas ( mas não todas) a exercerem pressão para que se investigue por uns lados (provavelmente para dar cacetadas em concorrentes) e se aplique as correspondentes multas, mas não se investigue por outros.

Para simbolizar um suposto “aumento da produtividade” o secretário de Estado afirma que a ASAE produz mais notoriedade com menos pessoas. A falácia argumentativa é óbvia: ao ” atacar” tudo e mais alguma coisa com sentido de perseguição e objectivos ilegitimamente quantificados ( apesar de isso se ter falsamente negado – ver final do artigo) é natural que tais acções chamem a atenção da opinião pública e publicada. Mas no “concreto” os resultados são zero. Mais adiante demonstro porque é que são zero.

No dia 22 de Julho de 2008, saia uma notícia em que a ASAE também estava a atacar lojas de sexo. A ideia aqui é “jogar” com a relativa repulsa e desagrado que o sexo (que é associado desta forma, à prostituição) causa, em “Lojas”. As “Lojas” não são de sexo, mas sim de venda de artigos ligados ao sexo…

O que é espantoso nisto e fundamenta de forma clara aquela ideia passada para a comunicação social é a ideia que a ASAE tinha objectivos a cumprir em termos de multas a passar e fechos de lojas a aplicar. Verifica-se isso aqui.

O “aumento da produtividade” que o secretário de Estado menciona na sua entrevista está também aqui: em Janeiro deste ano existiram “X” problemas. Em Julho, os problemas em vez de diminuírem, aumentaram. Seria de esperar que as pessoas, durante o espaço de tempo que vai de Janeiro de 2oo8 até Julho de 2008, corrigissem erros.

Verifica-se o contrário: mais erros detectados.

Das Três uma: (1) ou a ASAE não fez bem o seu trabalho em Janeiro de 2008, ou (2) os donos de Lojas de venda de artigos sexuais são estúpidos que nem uma porta (não é provável) ou (3) os critérios foram alterados de forma aleatória, para justificar a aplicação de mais e mais multas.

Mais uma vez cita-se Bauman:

“…Tal sector ganha o máximo de influência quando consegue tornar o seu comportamento uma variável desconhecida nas equações que outros sectores formulam a fim de fazer opções…”

Os “outros sectores” aqui (no contexto desta explicação) serão as lojas de sexo, que viram, na prática ser introduzida uma variável desconhecida nas “equações” relativas as obrigações que tem de cumprir. É isso que explica que a taxa de incumprimento da segunda operação (em Julho de 2008) tenha sido maior que a taxa de incumprimento da primeira operação de Janeiro de 2008.

Isto configura uma lógica de extorsão, praticada por representantes burocráticos do Estado, precisamente pelo facto de as “Lojas de sexo”, dada a natureza do seu negócio, não irem revoltar-se contra esta manifesta arbitrariedade – a alteração de critérios – que a ASAE aqui faz. Preferiram ficar caladas e aguentar o prejuízo.

Isto não significa o meu apoio aos contestários da presença do Estado na sociedade, mas sim ao facto de certas áreas do Estado, terem sido capturadas por poderes ilegítimos e totalitários que agem sem transparência e fora da lei.

Um dos “critérios internos” – aparentemente – é a “rotulagem escrita em português. (Escrevo aparentemente, porque os critérios estão sempre a mudar…consoante a necessidade de mais multas e mais poder para esta “burocracia especial”). Observe-se em baixo:

Na imagem em cima tínhamos a expressão (um dos “critérios da ASAE” ?!) a falta de rotulagem em Português.

Observe-se agora um pacote de leite magro vendido a 62 cêntimos o litro, nos supermercados LIDL, desde há pelo menos 6 meses. (Noutros hipermercados e supermercados há exemplos semelhantes)

Do lado esquerdo temos a parte de um pacote de leite cujo outro lado é também igual. Ambas as faces deste pacote são iguais.

O rotulo vem todo – nestas duas faces – escrito em língua inglesa.

Do lado direito temos uma das lombadas do pacote onde vem – sempre em língua inglesa – indicada a percentagem de leite magro( 0,3) etc.

Na outra lombada vem indicados as percentagens de hidratos de carbono, vitaminas, proteínas, por 100 gramas – sempre rotulados em inglês.

Seria de esperar que o produto viesse escrito em português – já no pacote. Não vem.

É verdadeiramente espantoso e completamente desafiador da lei das probabilidades que nenhum inspector da ASAE tenha reparado na falta de rotulagem em português. Estamos perante um milagre estatístico…

Cito Zygmunt Bauman de novo:

“…ao mesmo tempo que consegue tornar constante, regular e previsível a conduta de outros sectores.”

* Penso que é constante, regular e previsível percebermos que nunca, em tempo algum, os supermercados Lidl serão incomodados por esta manifesta e gritante falta na rotulagem, porque a ASAE nunca intervirá neste assunto. Os supermercados Lidl tem poder. A conduta do Lidl ( ou de outros supermercados) será mais ou menos a de impor certas situações sem ser incomodado pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica.

O Lidl pode contratar advogados bons e pode ameaçar ir-se embora de Portugal. O vendedor de peixe ou o dono da Loja de produtos sexuais, não podem fazer isso.

Forte com os fracos, fraca com os fortes: Pelo menos, passamos a perceber que um dos “critérios internos”, constantes, regulares e previsíveis da ASAE é este

Cite-se de novo Bauman:

…A manipulação da incerteza é a essência e o desafio primário da luta pelo poder e influência dentro de toda a a totalidade estruturada…

Cite-se o burocrata sem controlo da tutela a explicar ao Jornal Expresso no dia 10 de Maio de 2008:

... que consistia apenas num ficheiro de trabalho com “resultados previsíveis”

… estarem fixadas num documento de trabalho tendo sido enviado a todas as direcções regionais, mas por engano…

… jura que nunca ditou resultados aos seus serviços, até porque isso seria ilegítimo…

e voltemos a recordar que “os critérios da Asae são internos…

Esta manipulação da incerteza feita por esta organização burocrática atinge também o governo – qualquer governo que vá nesta “conversa”. É a ASAE que manipula, mas é o governo que fica com o ónus desfavorável.

E quando este artigo já estava feito surgiu hoje – dia 26 de Setembro de 2008 – mais uma constatação de como as coisas são feitas – perante a apatia geral dos cidadãos. Notícia Jornal Público de 26 de Setembro de 2008.

Faça-se o amável favor de comparar a rotulagem dos pacotes de leite vendidos nos supermercados LIDL e com os vendidos no supermercado Chinês.

E pense-se nos “critérios internos” da ASAE em relação a este assunto relacionados com o que está escrito acima e perceba-se como esta “instituição burocrática” é tudo menos séria e honesta e obedece a interesses económicos e políticos do momento.

Citemos Bauman:

“(…)A manipulação da incerteza…”

O problema aqui é que esta incerteza afecta-nos a todos, e não só pelos pacotes de leite chineses.

Isto não significa que não se deva fazer fiscalização e proibir os pacotes de leite chineses.

O problema é que os critérios usados por esta “burocracia especial”, são critérios anti democráticos, não transparentes, e que funcionam ao sabor dos humores do chefe da ASAE. São critérios que tornam a posição desta estrutura burocrática opaca.

E se em vez de fiscalização de produtos alimentares esta organização fiscalizasse pessoas?

Alguém quereria sofrer na pele a imposição destes critérios (internos)?

MOVIFLOR – A COMPRA DE MÓVEIS EM PRÉ PAGAMENTO.

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Uma destas semanas fui à Moviflor.

Nunca tinha lá ido.

Uma amiga da minha mãe encarregou-nos de adquirir uma magnifica cadeira de baloiço estilizada e aerodinâmica especial de corrida, em saldos, etc e tal.

Confesso que antes de lá ir, tinha boa ideia acerca da empresa. Após, lá ir conclui que jamais lá irei.

O negócio está organizado da seguinte maneira:

Salão de exposição de produtos, amplo, com os mais variados tipos de coisas na área dos moveis/artigos para o lar. Produtos para a classe média alta, já com preços a dar para o elevado, mas aparentemente bem feitos e com um relativo bom design dos produtos.

Os empregados estão impecavelmente fardados (por oposição à Ikea, por exemplo),penteados, com um ar “limpo” e afinado.

Percebi, depois de comprar, que o “Ar Limpo” existe para esconder outros problemas (da gestão, não dos empregados). É um caso comercial de engano; de ” quem come com os olhos já enche a barriga”, mesmo não tendo efectivamente comido nada.

Lá se descobriu onde estava a cadeira, e …

a partir daí começa o festival do absurdo Moviflor.

Tendo em conta a maneira como está organizado este “negócio”, o cliente não pode levar o artigo,na altura em que o vê, porque está ali apenas para exposição.

Dirige-se à uma funcionária (de ar limpo) em frente a um terminal de computador (o modernismo empresarial…) e a senhora preenche um papel após lhe terem sido dados os dados do produto, as referencias,etc…

A partir daí, munidos do papel A4, somos informados para irmos à recepção do estabelecimento, para tratar do assunto.

Sai-se do piso superior desta loja, e vai-se para o piso inferior, até à recepção. Nada burocrático…

Lá entrega-se o papel a outra senhora que digita umas coisas, faz uns voodoos, preenche mais umas coisas, hipnotiza o papel e emite a factura para se pagar o “material”:

E paga-se.

Após pagamento, (PRÉVIO PAGAMENTO) somos convidados a sair do edifício, munidos de um papel mágico, já diferente do primeiro que nos foi dado, pela primeira recepcionista, e dirigimo-nos ao lado direito da loja, a 300 metros de distância, para irmos à zona de expedição levantar o produto cadeira espectacular.

E assim foi.

Na zona expedição somos informados, que temos que nos dirigir ao gabinete ao lado do armazém/expedição.

Objectivo: reverificação de novo do papel mágico, e ser passada uma guia de transporte e mais um outro papel – a factura definitiva se bem percebi, que nos será entregue para que nos dirijamos dois metros ao lado – ao armazém – e entreguemos o papel que nos foi dado nesta ( 3º) recepção, aos funcionários do mesmo para que estes vão buscar o artigo em questão.

E seguindo o ritmo burocrático deste destino manifesto os funcionários pegam em monta cargas e empilhadores e vão buscar o produto.

Isto tudo – os pormenores burocráticos – demoraram uns 40 minutos…

O deus dos empilhadores e dos monta cargas ajudou o empregado e este lá chegou com a caixa da cadeira embalada, que é entregue à saída do armazém, e o ótario cliente (isto é EU) lá carregou a caixa mágica da cadeira para o porta bagagens do carro. A 10 metros de distância. Estava pouca gente.

Tendo em conta que, do final do parque de estacionamento desta empresa até à porta do armazém, distam uns 250 metros, imagine-se, um parque de estacionamento cheio, mas com uma pessoa que tenha estacionado o seu carro no final do mesmo.

E que leve até ao seu carro – a 250 metros de distância – caixas com produtos pesados que vai levantar…

Pelo meio um dos funcionários confidenciou, que existem pessoas que, aos fins de semana e à noite chegam a estar duas horas à espera da entrega de material. E que o sistema de papeis é absurdo.

E também existem casos de extravios ou erros informáticos de material que é dado como estando em stock, não estando.

Mas já foi pago.

Negócios destes não gosto.

Mas isto é o capitalismo tipicamente português.

Muita imagem e glamour e nenhuma substância.

 

Written by dissidentex

25/09/2008 at 22:40

IGREJA DOS FUMADORES DE DEUS

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Existem atitudes interessantes nas sociedades Ocidentais. Interessantes e totalitárias. Cada vez mais totalitárias. Uma dessas atitudes consiste em tornar a vida desagradável para pessoas que tenham certos e determinados vícios que foram actualmente designados como “não bem vistos” pelo Estado e pela sociedade.

” Os que bebem álcool, os que fazem sexo, os que comem gordura, os que não fazem exercício físico, os que não sorriem e não estão sempre bem dispostos, os que não consomem ou adquirem bens materiais são pessoas que devem ser hostilizadas.” Em TABACO SÓCRATES”

Uma das maneiras de atacar os “viciados” divide-se em duas partes.

(1) é tratá-los como “o outro perigoso”, de hábitos estranhos e não assépticos que deixaram de ser considerados socialmente aceitáveis.

(2) Outra é “passar a acção” e fazê-los sentir-se desconfortáveis proibindo-os de “satisfazer o seu vício” em locais públicos e privados a um ponto tal que a pessoa declarada viciada (seja ou não isso) se sente cercada.

Numa outra dimensão surge outro perigo.

Este tipo de atitude totalitária dá origem a que os verdadeiros maus prazeres praticados de forma irrestrita, como o consumo de drogas duras, para dar um exemplo; são apresentados à sociedade como não perigosos.

Enquanto tal acontece, o tabaco, entre outras coisas são demonizados.

O resultado: o sinal enviado para a sociedade é confuso e híbrido.

Fazes extremamente mal em fumar, mas proporcionalmente não fazes mal em tomar drogas.

Fazes mal em comer gordura em excesso, mas não fazes mal em fazeres implantes de silicone, ou apanhar sol em solários ou qualquer outro “negócio” actualmente considerado aceitável do mesmo estilo.

A falta de sentido lógico das leis e de uma ideia de sociedade origina (alguma) resistência a estas formas subtis de condicionamento e totalitarismo.

Apesar da passividade geral relativamente a estes assuntos – uma vez que é difícil marcar manifestações contra isto…

Apesar de tudo considero que deveriam existir mais reacções e mais “engenhosas” de boicote social.

E aqui chegamos a um proprietário de um café na Holanda que decidiu fazer isso mesmo.

Subverteu uma lei, que por sí só já está subvertida.

Criou uma igreja, com uma nova religião: fumadores. Jornal Destak de 16- 07 – 2008

Written by dissidentex

25/09/2008 at 13:12

EX-ADMINISTRADOR DA SIEMENS ADMITE SUBORNO A SINDICATO.

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O capitalismo tem ideias muito simples e concretas.

Fonte: Jornal Público de 24 de Setembro de 2008

Primeiro: cria-se um sindicato fantasma, em que, no nome exista a palavra “Independente”, para simbolizar afastamento dos sindicatos conotados com ” a esquerda”.

Segundo:o responsável e gestor que o faz, executa isso não autonomamente, mas com o perfeito conhecimento da administração, que apoia a manobra.

Terceiro: por cada trimestre paga-se meio milhão de euros ao sindicato fantasma e as “iniciativas que este resolve fazer”. (De notar que se este dinheiro fosse usado para melhorar as condições dos trabalhadores, tal já não seria feito…)

Quarto: faz-se isto durante 6 anos, sendo o montante total de 30 milhões de euros. Não sendo eu muito dado à matemática penso que as contas do jornal público estão mal feitas. Ou não é por trimestre ou são 12 milhões de euros, ou não são 6 anos , mas sim 3 anos, mas nesta altura do campeonato da incompetência quem quer saber…

Quinto: a AUB, o sindicato “Independente” assina acordos laborais visando “flexibilizar” o trabalho.

Sexto: tal permite a Siemens poupar imensos milhões em horas de trabalho.

Sétimo: o chefe sindical do sindicato AUB, o sindicato independente, quando ainda era chefe, ganhava dois milhões de euros anuais, como chefe de sindicato. Agora está detido por fraude entre outras coisas.

Oitavo: agora – na Alemanha está este caso em julgamento.

Em Portugal todos vemos as tristes figuras que a UGT – central sindical “Independente” ou os sindicatos Independentes na classe médica fazem.

Na Alemanha o sindicato que parece que obstruía o progresso é o IGmetal.

SATÉLITE ESPANHOL VIGIA A COSTA PORTUGUESA

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Notícia Diário de Notícias de 27- 05 2008 onde nós é explicado que nada mandamos…

Mudando ligeiramente de assunto e falando de Olivença, aquela localidade que é portuguesa – existe um tratado internacional que estabelece que a localidade deve ser entregue a Portugal, há uns 150 anos – nada ainda aconteceu.

Mas há uns 5 anos atrás, o governo espanhol colocou “marcos” na zona que considera ser a fronteira – incluindo Olivença em território espanhol, aquando da construção de uma ponte numa área que ligava os dois países.

O governo português de Durão Barroso, (o fujão) reagiu não colocando nada, nenhum “marco” e ignorando o assunto.

O padrão deste “jogo” é sempre o mesmo.

Agressividade extrema do lado espanhol forçando situações e fingimento do lado português olhando-se para o lado. É a frase ali ao lado ” Madrid dá como certo – mas Lisboa não confirma.

(1) Lisboa não confirma por várias razões. Porque não quer confirmar, dado que ao fazê-lo está a dizer ao mundo que aceita a soberania espanhola, mesmo que tenha feito este acordo.

(2) Também não confirma porque o “acordo” prevê um centro em Lisboa, mas o comando central nas Ilhas Canárias. Uma posição de subalternidade e a política externa portuguesa, mesmo quando é subalterna nunca mostra ao povo português que é isso que se está a passar.

(3) As tropas portuguesas quando em missão internacional, no âmbito da Nato ou de outra qualquer organização nunca são colocadas numa situação em que estejam sob comando directo espanhol. É por isso que são colocadas normalmente com tropas italianas.

Aqui, neste pequeno pormenor, parece abrir-se um precedente, relacionado com satélites de vigilância ( que servirão para uso militar?), mas também demonstra a imensa pressão e o desejo da Espanha de garantir uma posição no território português e um poder de influência que nunca teve em 800 anos.

Como é óbvio, não estou a sugerir que invadamos Espanha, mas sim que tenhamos mais vergonha na cara enquanto país. Isto ainda é um país, não é?

Acresce a isto, o recente investimento em Sines, com direito a megalomania do senhor que é primeiro ministro.

Isto é por acaso, ou representa, de facto, a diminuição da pequena influência que Portugal tem – nem sequer conseguindo impor-se às portas de casa?

Isto é por acaso ou representa de facto “um abraço de urso” que Espanha nos está a dar, perante a complacência das elites? (Elites é uma ironia…)

Written by dissidentex

24/09/2008 at 17:42