DISSIDENTE-X

HEROíNA NO AFEGANISTÃO – REARMAMENTO NA EUROPA.

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No dia 26 de Setembro de 2008, a RTP emitiu um documentário sobre a heroína e o trafico de droga. Era mostrado todo o lado desagradável e o pior das pessoas que se tornam heroínamos.

Eram mostradas as vidas diárias de drogados nos EUA, vistas através do depoimento de uma ex-heroínomana que tinha deixado o vicio.

Tinha começado aos 15 anos de idade, primeiro a snifar linhas de heroína e a fumar, para, um ano depois, já estar completamente viciada a espetar seringas com heroína.

Era mostrado através dessa pessoa como a degradação apática surgia e como rapidamente as coisas na vida de um heroínomano se alteravam – sempre para pior.

A primeira parte da reportagem era sobre os problemas dos drogados americanos e sobre o sofrimento que eles causavam a si próprios e as famílias – quem ainda as tinha e o custo disso para a sociedade. Era este o objectivo desta parte que nos era dado a ver.

Na segunda parte e apesar do documentário não ser exactamente por ordem cronológica, a reportagem evoluía depois para outros locais, especialmente com ênfase nos países produtores da droga e também fazendo uma viagem até à Noruega.

Na Noruega explicavam-se as coisas para fazer o contraponto com os EUA, mencionando um país com o mais alto nível de vida do mundo, com uma segurança social generosa, e que, mesmo assim tinha 14 mil drogados registados.

E mostravam-se extensas imagens sobre a vida de um casal de drogados noruegueses – a triste vida dos mesmos.

Existem duas ideias principais que se pretendiam passar aqui:

A) que o modelo social generoso dos noruegueses (isto é, um “modelo social”) não resolve os problemas de droga ( logo, não vale a pena ter modelo social…)

B) que o problema “está por todo o lado” – não é exclusivo dos EUA ou de qualquer defeito inerente à sociedade americana.

Nota: os americanos são um povo muito dado a estatísticas e a medirem estatisticamente resultados de qualquer coisa, ou a criarem rankings classificativos, mas nesta parte do documentário não incluíram nenhuma estatística que nos explicasse a que percentagem da população norueguesa esse número de drogados corresponderia. A Noruega tem quase 5 milhões de habitantes.

Se era 0.1 por cento ou outro número qualquer. Nem a percentagem de drogados correspondente nos EUA…qual era ela…

E comparar os dados da Noruega em percentagem com os dos EUA em percentagem. Acaso a comparação fosse feita se calhar os EUA perdiam em toda a linha. Já no Irão penso ter visto a percentagem de 2% apontada como sendo a percentagem de drogados.

A terceira parte era sobre o Irão, Afeganistão, e regiões limítrofes. *

Todo o documentário era profundamente demagógico (embora bem feito e procurando não mostrar essa faceta) e não especificamente preocupado com os problemas de quem era heroínomano, (embora o uso das imagens duras fosse feito para propositadamente chocar quem visse ) mas sim com os problemas que isso estava a trazer e a custar aos EUA.

Embora tal não fosse afirmado especificamente, o tema base do documentário era, verdadeiramente, chegar ao problema que interessa aos Estados Unidos resolver.

Ajudar a convencer uma opinião pública mundial, através da influência cultural/mentalização de terceiros que um tipo de mensagem como esta provoca, para que as pessoas se interessem pelo problema da droga e criem uma “vaga de fundo”.

Especificamente motivado porque devido ao facto de, desde a ocupação americana do Afeganistão, a situação se ter degradado a tal ponto que 90% da droga (heroína) produzida no mundo, originar do Afeganistão.

( Parece que o problema é também económico. É “lucrativo” cultivar papoila (1000 dólares/mês por agricultor) em vez de trigo, por exemplo 60 dólares/mês por agricultor) mais a mais quando existem compradores “no mercado mundial” para a papoila mas não existem para o trigo).

E vem do Afeganistão, porque, indirectamente, a política norte americana de ocupação a isso levou. Os Talibans estão – neste momento – a ajudar os agricultores da papoila a manterem as suas colheitas;perceberam que fazendo isso, usam a droga como arma contra o Ocidente.

Como tal isso é terrorismo e como tal os povos civilizados tem que combater a tirania e o terrorismo, portanto tem que combater os talibans ajudando os EUA.

Independentemente disto ser verdade, a ideia é convencer o resto do planeta que a estratégia absurda e a falta de tropas no terreno dos EUA no Afeganistão é responsabilidade de todos – e todos devem resolvê-lo (tradução:colocar lá milhares de tropas).

Usam-se argumentos e factos verdadeiros, para benefícios marginais serem carreados na direcção dos EUA.

(O facto dos Estados Unidos terem problemas sérios de trafico de droga que lhes entra mais ou menos descaradamente em casa é menosprezado aqui…bem como o facto de do lado dos EUA existir gente, isto é, americanos, a ganhar dinheiro com este negócio não foi mencionado.)

E depois chegava-se as rotas do trafico de droga e países por onde essa droga passava. O facto de ser através do Irão que a mesma chegava à Europa – apesar de ser uma verdade inquestionável – também não tem nada a ver com este assunto…nem com os problemas que existem…

* No Irão os clichés e os estereótipos (mas bem feitos para que não se repare) abundavam.

No documentário entrevistava-se um traficante que trazia a droga do Afeganistão. Este dizia que os altos responsáveis provinciais do país eram corruptos e que eles (traficantes) sabiam sempre dos horários das patrulhas e como fugir a elas. E que duvidava que mais de 15 % de droga fosse apanhada.

Depois surgia a “reportagem óbvia” com o coronel iraniano – no terreno – que fazia as investigações e revistava os veículos que atravessavam a fronteira. Honesto, dedicado, trabalhador, bom pai de família, lutando contra probabilidades impossíveis, mas ainda assim dedicado e trabalhador. (A elite iraniana é que é corrupta – os funcionários menores, não. Mesmo sendo verdade observa-se onde se quer chegar).

A conclusão é óbvia: só há corrupção em certos locais e com certas pessoas e nos EUA onde entra a maior fatia de droga (até porque é o sitio onde há mais consumidores) não há corrupção e todo o povo americano luta esforçadamente contra o trafico. O resto do mundo é que não os compreende.

Entre isto e o Adam Smith com as suas teorias económicas das vantagens comparativas para forçar à desindustrialização de países mais pequenos não há quase diferença nenhuma no que diz respeito a criar uma ideia cultural/económica que aproveite à potência que a formula…mas enfim..

Usando um assunto sério faz-se demagogia e propaganda subliminar e tenta-se criar uma corrente de opinião, procurando influenciar opiniões públicas de países ocidentais, para que “ajudem militarmente” os EUA a combater o trafico de droga.

O facto de os maiores países fabricantes de drogas “pesadas” terem disputas sérias e geo políticas com os EUA (Irão, Afeganistão/Colúmbia /Paquistão, por exemplo) nada tem a ver com este assunto ( isto é ironia…)

E o que é que isto tudo em cima tem a ver com o que está em baixo?

Aparentemente tudo e nada.

Há quem ache que nada até ver o senhor Obama – acaso ganhe as eleições – a falar em reforços militares para o Afeganistão…

(nessa altura os anjos caídos esquerda caem das nuvens obamísticas onde andam…)

Chegamos a outra notícia que demonstra como as centrais de propaganda e os responsáveis americanos estão desesperados para que a Europa ou quem quer que seja, (Marte e Saturno também são candidatos) faça o trabalho, isto é, pague a conta, e dê os homens necessários para resolver asneiras que existam para serem resolvidas. JN de 20 de Setembro de 2008

No quiosque de teorias geo estratégicas à venda, vende-se uma nova teoria, aproveitando problemas reais e problemas sérios que necessitam de ser resolvidos.

A nova doutrina/ nova “treta” que se quer vender é a seguinte traduzida:

– Já que não querem pagar os custos de entrar em guerras absurdas para roubar recursos energéticos a países terceiros, devem gastar dinheiro a fazer e comprar armas e deixarem-se de ser “desmilitarizados”.

As alusões na notícia primariamente dirigidas à Rússia, mas não deixa de ser extremamente irónico que os EUA que sempre tudo fizeram para que a Europa fosse relativamente desmilitarizada, (precisamente para criar dependência extrema dos EUA) possuidora de exércitos de brincar e que sempre trabalhou para que toda a estrutura da Nato fosse completamente subordinada aos desejos dos EUA, venham agora os seus responsáveis afirmar em visita aos sultanatos (há 100 anos atrás quando eram os ingleses um império mandavam uma canhoneira disparar uns tiros…) dizer que é preciso “militarizar”.

No final da notícia do JN pode-se ainda ler-se o seguinte:

Devemos ser prudentes com os compromissos que assumimos, mas devemos estar também preparados para respeitar os compromissos que assumimos no passado”, afirmou Gates, referindo-se às perspectivas de adesão da Geórgia à NATO, que dividem a Aliança Atlântica.

O secretário norte-americano da Defesa referiu igualmente que apenas cinco dos 26 membros da NATO consagram dois por cento do seu PIB à defesa.

A NATO “tem dificuldades para reunir mais alguns milhares de homens e algumas dezenas de helicópteros” para o Afeganistão, lamentou.

Segundo Gates, os ocidentais devem, prudentemente, esforçar-se por “modelar o ambiente internacional e as escolhas das outras potências”, evitando uma situação em que subsistam apenas duas escolhas, “o confronto ou a capitulação”.

Isso aplica-se à Rússia, mas também ao Irão, referiu.

Tradução:

  • os senhores tem que aumentar os vossos gastos em material e colocarem homens no Afeganistão.
  • Os senhores tem que se preparar para o nosso ataque ao Irão.
  • Os senhores tem que conter a Rússia sozinhos porque nós não nos vamos meter nisso, para já.

Neste momento, para os EUA, já vale tudo e é uma mostra da enorme decadência daquele país. A propaganda ideológico-cultural é sistemática, tem várias frentes, usa truques sujos e assuntos sérios para se afirmar e continua aí à solta a enevoar as pessoas. Só não vê quem não quer.

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