DISSIDENTE-X

MARX E OS ERUDITOS.

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Notícia do Jornal de notícias, de hoje, dia 15 de Outubro de 2008.

É uma notícia que revela o pior do jornalismo, e o pior das sociedades europeias.

O pior do jornalismo, porque além de ser uma notícia totalmente ridícula sobre um não facto – “um suposto ressurgimento de Marx” – através do aumento das suas obras, é também uma notícia mistificatória.

Ao que julgo saber, mas posso estar enganado, Marx, numa das suas obras, chamada “O capital” onde refere a autodestruição do capitalismo e muitas outras coisas, escreveu-a em inglês, russo e alemão, salvo erro, e consiste em 18 volumes.

É uma coisa assim a dar para o extenso…

1500 exemplares este ano, na Alemanha, um país de 80 milhões de habitantes… De facto Marx está aí pujante…( alguém deve ter alguma estante vazia para ornamentar com livros de capa dura…)

Depois o que ainda é mais patético a julgar pela notícia, é o facto de “uma nova geração de eruditos” (que espécie rara e mitológica será esta que vem aí?) reconhecer que as premissas neo liberais não se realizaram.

Que novidade. Ninguém tinha reparado. Somos umas bestas elevadas ao quadrado.

Somos informados, que não percebemos nada que se passa. É uma nova geração de seres sobre humanos, criaturas voadoras do espírito e, pasme-se, “eruditos” que nos diz aquilo que todas as pessoas já observam todos os dias com efeitos concretos péssimos nas suas vidas.

Que o neo liberalismo económico como filosofia política e económica aplicada à sociedade é uma enorme vigarice com custos pesados para quase todos.

E os eruditos, concerteza eruditos que julgam que o mundo só tem 40 anos, não contentes por terem dado o benefício da dúvida ao neo liberalismo económico, decidiram agora voltar a pegar no marxismo como nova fonte de inspiração.

A droga mais recente falhou, volta-se à droga mais antiga. Pode ser que “o rush” seja mais forte…

Pobres coitados, e pobres de nós se estes eruditos chegarem a lugares de responsabilidade e poder. Qual é mesmo a credibilidade destes eruditos?

Uma das coisas que estes eruditos deveriam fazer era dizer à pseudo jornalista que assina CMJ no fim do artigo, que MARX nasceu no século 19 ( lá está, temos aqui mais uma criatura que julga que o mundo terá só 4o anos…) , que nós estamos no século 21, e que uma simples consulta à wikipedia, se verificará que Marx nasceu no dia 5 de Maio de 1818.

Apenas 100 anos de diferença. Pouca coisa.

Portanto, agora temos que aturar crises de redenção de idiotas “eruditos” que acham que mudando de opinião com um duplo salto mortal passam do liberalismo económico mais abjecto para o marxismo. Isto é como saltar do tacho para a frigideira…

E citemos Zygmunt Bauman, no artigo “Livro – Globalização:as consequências humanas” para demonstrar o que é esta notícia de jornal, ou, seja o que é que representa a materialização do conteúdo da notícia, em termos do significado, do acto que ela reflecte.E o acto/significado tem a ver com sentimentos difusos e controlo…

Digo eu por interposto Bauman, o seguinte:

“…E é relacionado com um sentimento difuso, mas real de que “tudo está a fugir ao controlo”.

(1) Fugindo ao controlo é a tradução da palavra (2) Globalização. E Bauman questiona se deveremos ser Globalizados ou Universalizados.

Define o que era Ordem (antes) e um Estado dotado dela:

...”ordenar um sector do mundo passou a significar:estabelecer um estado dotado de soberania para fazer exactamente isso. (Define a concepção de Max Weber como o Estado sendo o agente que tem o monopólio dos meios de coerção…)

Mas explica que, com a actual morte ou tendencial morte do Estado soberano, despido de muitas das suas “capacidades” de impor ordem dentro do seu espaço, isso – paradoxalmente – gerou Estados que tentam desistir dos seus direitos soberanos, mas de forma não forçada.”

Outra maneira de ver as coisas é perceber que ” Os eruditos” que andam a adquirir obras de Marx em quantidades industriais (isto é uma ironia) estão a ter um sentimento difuso de “perda de controlo”. Como estão a ter esse sentimento, para eles “não familiar e desconhecido”, (e a possibilidade de perdas materiais substanciais) sentem medo e o medo leva-os a procurar a antiga droga de que ouviram falar pelos mais antigos, mas de cuja ideia já tinham abandonado de poder vir a usar; para usufruírem da nova: o neo liberalismo económico.

É um misto de medo e perda de sentimentos de identidade intelectual, (e poder e prestígio) com a tentativa de ganhar “vantagem comparativa” no novo mundo que julgam poder estar a vir aí.

É mais ainda por isto que estes eruditos são detestáveis. Não interessa se as teorias (as drogas) são boas e eficazes ou más e ineficazes, mas sim se os eruditos tem poder dentro de um qualquer dos dois sistemas a adoptar.

Prostitutas são mais honestas que estes eruditos.

A novidade é que já sabemos o que se irá passar para a semana.

Teremos uma nova notícia: “a obra de Max Weber, e as suas concepções do Estado e da sociedade estão de novo a ser vendidas como chocolates ou pãezinhos quentes. Até existe mesmo uma empresa que decidiu comercializar aspirinas Max Weber.

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Written by dissidentex

15/10/2008 às 23:23

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