DISSIDENTE-X

Archive for Novembro 2008

DARFUR E O PETRÓLEO

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Em 1991 o New York Times noticiava que a companhia petrolífera Exxon tinha caído nos rankings classificativos das maiores companhias petrolíferas do mundo. Para número 4.

Nessa data a companhia americana Chevron, era a número 7 do ranking, (a 6º era a Mobil, a 8º era a BP). A número 13 era a Texaco. Mais tarde viria a fundir-se com a Chevron, tornando-se na Chevron-Texaco.

E qual é o interesse disto?

A Chevron foi a companhia petrolífera, que, nos anos 70, lançou um ambicioso programa de prospecção de jazidas de petróleo no Sudão.

O Darfur fica no sul do Sudão. 500 mil quilómetros quadrados, no sul do país, foram testados pela Chevron. E descobriu-se que, efectivamente, existiam enormes reservas de petróleo. A partir daí, o Sudão nunca mais teve sossego e passou a ter guerras sistemáticas, por causa do petróleo.

A Chevron, acabou por desistir da exploração do petróleo, porque as suas instalações eram sistematicamente atacadas por rebeldes patrocinados por qualquer interesse religioso, político ou financeiro do momento ou Super potência.

Em 1992 vendeu as suas concessões. Em 1984 já tinha suspenso o projecto de prospecção. Em 1999 a China “pegou” nas concessões e começou a desenvolve-las.

A partir de meados do século 21, a China, tentando projectar-se como grande potência e tentando – acima de tudo, corresponder aos problemas que a sua economia tinha – uma voraz necessidade de petróleo – para continuar a crescer acima da média, lançou-se numa política agressiva de obtenção de fontes fiáveis ( na origem) de fornecimento de petróleo.

A solução lógica apontava para África. A ideia era “assegurar” através de acordos comerciais generosos; fornecimentos de longo prazo de petróleo, que não pudessem ser perturbados.

Tinha a China o dinheiro para isto?

Tinha, precisamente pelo facto de “exportar massivamente” quantidades de produtos fabricados na China, e através do lucro brutal daí derivado; tal gerar um superavit orçamental chinês, parte do qual era constituído por moeda estrangeira (dólares e euros ) em reservas no banco central chinês – um poderoso músculo financeiro à disposição.

Com as costas aquecidas por muitos milhões de dólares das suas reservas, a China programou a sua estratégia geopolítica-económica e começou a investir parte desse dinheiro (uma outra parte vai para compras e fabrico de armas…) em aquisição de matérias primas. África era o objectivo, e dentro de África especialmente a região que vai do Sudão até ao Chade – rica em hidrocarbonetos.

E uma nova guerra fria entre os EUA e a China começou – localizada aqui neste local.

Clicando nos 2 primeiros mapas abaixo da galeria, pode-se perceber porquê:

Os mapas são divididos em dois, por razões de espaço. O original é um simples mapa feito pela Usaid em 2006 – uma NGO norte americana que serve, também de guarda avançada exploratória dos interesses dos EUA (do governo dos EUA), no que toca a influenciar países; “através da ajuda humanitária” que mostra quem são os donos dos campos de exploração petrolífera no Sudão. Em 8 dos campos marcados, não existem companhias norte americanas a trabalhar e 3 deles são explorados pela CNPC – China National Petroleum Corporation.

Ø

O cinismo Chinês assente no pragmatismo sem princípios.

Os chineses optaram por uma ” técnica” bastante cínica, mas mais verdadeira (passe o estranho paradoxo desta afirmação) para conseguírem convencer os chefes (democratas ou ditadores, neste campeonato geoestratégico que importa…) destes países a concederem à CNPC, concessões de campos petrolíferos.

Propuseram contratos “suaves” e com imensos benefícios, sem quaisquer clausulas obrigatórias (políticas ou económicas) anexas a esses contratos.

E que tipos de clausulas?

Por exemplo, obrigar esses países a (A) “fazerem reformas democráticas” ou a (B) “criarem condições para a existência de imprensa livre” ou (c) “esses países terem que abrir mercados à investidores estrangeiros” ou (D) “liberalizar a economia”, nomeadamente feitas tais clausulas para beneficiar as empresas multinacionais ocidentais (isto é, americanas) para (E) “impulsionar o comércio livre”.

Os Chineses não só concederam generosas linhas de crédito sem estas clausulas anexadas, como, de caminho, construíram escolas e caminhos de ferro nestes países onde investem, sem se preocuparem com o tipo de regime político que lá existe.

É uma falta de princípios total, mas é “mais séria”, por paradoxal que pareça, do que as “técnicas” dos países ocidentais – à cabeça e por grande distância os EUA.

Ø

O cinismo Ocidental assente numa técnica de engano dos outros com pseudo princípios.

A técnica “ocidental” ( EUA + Banco Mundial + FMI – especialmente estes) é apresentada como sendo mais limpa e legitima do que a chinesa, embora sejam ambas muito más, e a ocidental seja péssima pela lógica de logro e decepção que encerra.

O método usado especialmente desenhado e feito pelos EUA (um jogo de controlo) é feito através do Banco Mundial e do FMI – fundo monetário internacional.

Tal como os chineses fazem, são oferecidas “linhas de crédito” a estes países, MAS com taxas de juro “difíceis” (isto é, injecções de dinheiro que se fazem bem pagar) e em troca, estes países tem que “democratizar, abrir mercados, privatizar a economia, reduzir o peso do Estado (isto em países onde o Estado e as suas estruturas são completamente incipientes…) e permitirem que as empresas ocidentais (no caso que interessa, as petrolíferas) possam obter concessões de exploração.

Esta “cura” económica aplicada a estes países gera uma dolorosa adaptação (que muitas vezes não chega a acontecer) das populações destes países e dos regimes que as suportam, o que, por sua vez, gera pobreza e problemas de toda a espécie, nomeadamente a incapacidade de muitos destes países alguma vez se transformarem em democracias.

É precisamente por isso, que daí derivam guerras civis e regimes despóticos, golpes de estado, regimes musculados, matanças em guerras tribais, delapidação de recursos, pobreza geral, vagas de emigração para a Europa, etc

Ø

Como, apesar de tudo, já estamos numa nova era, a pergunta que muitos líderes africanos (tiranetes ou não) puseram a si mesmos foi: quem precisa das dores económicas propostas pelo FMI e pelo Banco Mundial, se podemos ter o mesmo (e mais) oferecido pela China, sem termos que fazer nenhumas mudanças (políticas ou outras) e sem sofrermos consequências políticas ou económicas?

– A china dá condições suaves e ainda constrói escolas e estradas.

– O FMI e o Banco Mundial( os EUA, por detrás) oferecem condições duras, e fazem-se pagar caro pela construção de 5 escolas…

Nota: os países africanos estão ao mesmo tempo a criar “concorrência” entre os EUA (Ocidente) e a China, tentando obter “o melhor negócio possível”. Um mecanismo típico da economia de mercado.

O que leva à pergunta retórica: os EUA não gostam de economia de mercado quando funciona contra?

Perante tão difícil escolha, (entre o FMI e a China), os líderes cleptocratas e demais espécimes africanos de todos os tipos demoraram 5 segundos a escolher um lado.

Até agora a China (infelizmente) tem jogado muito melhor este jogo geopolítico. Com as consequências (parciais) que se tem visto no preço do petróleo durante o ano de 2008.

Em Novembro de 2006 a China convocou uma cimeira em Pequim, com 40 chefes de estado africanos. A ideia era fazer uma operação de charme – e arranjar contratos de concessão e exploração de petróleo em África.

E o “comércio” com África, aumentou, como se pode ver nesta parte de uma notícia transcrita do People´s Daily.

Um exemplo das condições suaves que a China oferece é:

“…China has given zero-tariff treatment to 190 export items from the 28 least developed countries in Africa that have diplomatic ties with China, he said.

By the end of 2005, China’s investment in Africa totaled 6.27 billion U.S. dollars. So far, China has signed investment protection agreements with 28 African countries, and agreements on avoiding double taxation with eight African countries, he said.

Under the framework of the FOCAC, China undertook 176 whole-set projects concerning roads, schools, hospitals and stadium in 42 African countries, offering timely humanitarian aid to some African regions hit by natural disasters, he said.

China has canceled debt totaling 10.9 billion yuan (1.4 billion U.S. dollars) owed by the heavily indebted poor countries and the least developed countries in Africa that have diplomatic relations with China, signed 27 framework agreements on preferential loan, and trained about 10,000 professionals for African countries, he said.

Basicamente a China fez o seguinte:

1. Tarifas a pagar por 28 países que exportam para a China são zero. Os produtos não sofrem taxas alfandegárias exportados desses países para a China.

2. Acordos para evitar a dupla taxação com oito países africanos.

3. Lançamento de 176 projectos de construção de infraestruturas em países africanos.

4. Perdão da divida externa no montante de 1,4 biliões de dólares aos países mais pobres do continente com os quais a China tem relações diplomáticas.

Em 2006, a China despejou só 8 biliões sobre a Nigéria, Angola e moçambique. O Banco Mundial despejou 2.3 biliões para toda a África subsariana.

E conforme se pode ver clicando nos 2 primeiros mapas lá em cima existe uma linha vermelha – que representa um pipeline/oleoduto, construído pelos chineses, que leva o petróleo extraído do sul do Sudão até ao Norte do Sudão – até Port Sudan, onde os petroleiros chineses o levam de volta para a China para ser refinado; o petróleo das suas 3 explorações.

bloco-6-darfur1Um dos blocos que a China detém está situado junto à fronteira com o Chade. É o bloco 6.

E este problema geoestratégico foi amplificado (o que quer dizer que a guerra nunca terminará ali) porque em 16 de Abril de 2005, o governo do Sudão anunciou que tinha sido descoberto uma nova reserva de petróleo no Darfur, capaz de produzir 500 mil barris por dia.

Entre riquezas em petróleo enormes, outros assuntos misturadas aparecem. O norte do Sudão é predominantemente muçulmano, com um regime feudal e déspota. O sul é cristão animista (penso que com um regime feudal, mais anárquico e também déspota…).

No Sul existem as maiores reservas de petróleo do país e foi onde foram descobertas estas novas.

E curiosamente, no Sul do Sudão, existe uma longa guerra civil (que é parcialmente financiada pelos EUA), com o objectivo de “partir” e separar o norte predominantemente islâmico, mas com poucas riquezas, do sul cristão animista e mais francófono (perto do Chade).

E é assim que o perigo do fundamentalismo islâmico “alastrar” (um problema verdadeiro, mas que aqui é usado como “camuflagem”…para resolver outros assuntos) é usado como uma causa pela qual combater, visando chegar-se a outros interesses: controlar a exploração e o acesso ao petróleo do Sudão, por parte dos EUA.

Temporalmente as datas dos acontecimentos coincidem com a estratégia que também foi seguida para com o Iraque, com excepção de que, aí, existiu uma invasão.

A lógica é simples: libertar o Iraque da tirania de Saddam Hussein.

A lógica é simples: libertar o sul do Sudão, do norte do Sudão, e libertar os poços de petróleo que ajudam um regime tirânico a manter-se no poder, para ser substituído por outro regime tirânico, mais amigável aos interesses geopolíticos dos EUA..

Uma dos grandes problemas aqui é que se afirma sempre – para influenciar opiniões públicas ocidentais – que “primeiro está o combate à tirania” e não que “primeiro está o combate para obter recursos – criando com isso uma guerra de obtenção de recursos, mas falando de “crise humanitária”, ou “genocídio”.

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Pelo meio existe (existiu) a palavra genocídio. usada para tentar justificar outras coisas. Existiram evidentemente atrocidades cometidas pelos combatentes na guerra de guerrilha em luta pelo controlo da região, mas a palavra genocídio é muito forte e manifestamente exagerada. O único governo que através da sua diplomacia o usou foram os EUA.

genocidio-sudao-sauerbrey

É caso para se pensar porquê.

Quem quiser pensar porquê.

O governo americano afirma isto desde o ano de 2003. Em 2004, um painel de observadores da ONU – “Notícia washington Post de 1 Fevereiro de 2005” – liderado por um juiz de direito italiano, chamado Antonio Cassese, analisou o Darfur e não encontrou provas de genocídio, deliberadamente planeado pelo governo muçulmano do Sudão, mas sim de graves violações das milícias Janjaweed patrocinadas pelo Governo, que podem constituir crimes contra a humanidade. Mas não genocídio. (como é óbvio que tal não significa que se apoie estas acções da milícias…)

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Então porque é que o governo americano fala sistematicamente em genocídio?

Porque os EUA, treinaram o senhor Jonh Garang, antigo líder dos rebeldes.

Porque Garang era cristão (animista) tal como a maior parte da população do sul do Sudão.

(Indirectamente) Porque a ideia era fazer a Nato intervir no Sudão.

(Ver á propósito a magnifica intervenção da candidata derrotada às eleições 2008, a senadora Hillary Clinton, actual secretária de Estado (2008), incitando o Presidente Bush a “intervir no Sudão, para parar o genocídio…)

(Os motores de busca também indicavam que o Senador Joe Biden, actual vice Presidente, também tinha feito uma declaração idêntica; a ligação já estava no entanto indisponível…)

E existe uma resolução do Senado norte americano chamada Senate Resolution 383, introduzida pelos senadores, Biden (actual vice presidente do EUA), Brownback, Obama (actual presidente dos EUA), Lugar, Feingold, Dodd que defende que a Nato devia intervir no Sudão.

E eis como, questões humanitárias são misturadas com questões de petróleo, com o uso da Nato a intervir “fora de área”…usado como “solução”

É um pequeno exemplo que serve para demonstrar que em matéria de política externa, e de interesses dos EUA, o que vale são as ideias da política norte americana, e não o facto de os senadores serem democratas ou republicanos…

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O ping pong geoestratégico norte americano continua, para contrabalançar as ofensivas em busca de recursos feitas pela China, através da CNPC.

Existe o interesse de criar uma base militar norte americana em São Tomé e Príncipe. Os radares já vieram primeiro.

Para controlar a zona do golfo da Guiné. Golfo da Guiné onde a actividade chinesa, económica e diplomática tem sido fervilhante.

Mas decerto que isto é apenas uma coincidência espantosa.

A SUPREMACIA DO PENSAMENTO UNICO

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Vivemos numa época extraordinária.

É uma época onde existe o “medo”, como sentimento difundido por todo o lado e sobre todas as pessoas. E existe o “cinismo” como sentimento que acompanha o medo. Ambos são algumas das novas religiões que existem por aí, e as pessoas fazem turnos nas suas vidas, para alternadamente, sentirem medo uns dias e cinismo noutros.

Se por acaso algumas pessoas estiverem despertas para esta realidade, e decidirem criticar a pobreza espiritual, material e intelectual que uma vida vivida alternadamente em turnos de medo e cinismo lhes provoca, quer a si mesmos, quer a outros, imediatamente aparecerá alguém que lhes dirá que isso é bom e que isso é ser democrata e viver em democracia.

Também nos é passada a mensagem:

  • Que o medo e o cinismo em democracia são diferentes do medo e do cinismo em ditadura.
  • Que “ver inimigos por todo o lado” (e ter medo deles e ser cínico em relação à situação) é bom.
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Quem isto faz está a promover (conscientemente ou inconscientemente), uma boa maneira de deixar passar em claro os verdadeiros inimigos da democracia.

Nas sociedades de tradição democrática, o fenómeno é ainda mais desenvolvido e “sofisticado”. Manifesta-se através de um “sentimento no ar”, “difuso”, “que se entranha suavemente”,mas entranha-se nas sociedades e na vida dentro delas.

É uma chantagem permanente que se manifesta nas formas do medo e do cinismo que condiciona a livre escolha dos cidadãos.

Que se manifesta em dizer: “ou “isto” ou o caos”. (Pouco importa que isto já esteja a ser o caos, claro…)

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Politicamente tal é o que todos os políticos (e por trás o poder económico…) em Portugal fazem. A mensagem é: nós não somos o caos, os outros é que são o caos.

Em Portugal um exemplo prático foi, por exemplo, o “não” referendo ao tratado europeu.

O principal argumento contra a realização de um referendo seria a de que “não existem alternativas”. A alternativa seria “o caos”. (Teoria que exclui, obviamente, o facto de isto já estar próximo do caos…)

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Aplicada esta lógica à sociedade, dai retira-se que quando uma pessoa critica algo, será (a causa efeito é esta) imediatamente rotulado de extremista e “contra a democracia”.

Logicamente, vem aí o seguinte passo.

Esta lógica é levada ao extremo, e ninguém poderá criticar o que quer que seja. E a partir daí estabelece-se uma supremacia indiscutida de um pensamento único.

Que aqueles que o defendem apelidam de “democracia”.

Ø

Os verdadeiros extremistas (defensores do nazismo, por exemplo) riem-se até às lágrimas por esta magnifica oportunidade que lhes está a ser dada…

A marginalidade próxima da delinquência onde estão transforma-se, em vitimização, o que lhes dá imediatamente a possibilidade de adquirir apoiantes…

Ø

E é através desta “técnica” baseada em medo e cinismo + chantagem psicológica exercida sobre as pessoas ameaçando-as de lhes chamar “radicais” que se inviabiliza qualquer mudança no sistema político administrativo português.

E esta não mudança, por sua vez, cria a corrupção, especialmente nos lugares e posições onde estão as pessoas que mais defendem este actual sistema.

Existe medo difuso de se contestar “isto” precisamente porque “isto” é uma porcaria corrupta.

As pessoas tem medo de ser (ainda mais) apanhadas no meio da lama corrupta que as cerca. As pessoas estão condicionadas por esta lógica e “como não se sentem radicais ou extremistas, (especificamente porque não o são!) acham não ser capazes de tomar posições contra – precisamente com medo de poderem vir a ser acusados de serem “extremistas” ou radicais”:

A pessoa “não radical” ou não extremista” fica assim condicionada psicologicamente dentro do sistema social em que vivemos. Logo fica “inferiorizada” quando quer exercer os seus direitos políticos.

Quer mudanças, mas não as pode exigir. Uma panela de pressão com pernas sempre de tampa fechada, à espera de autorização de alguém para ser aberta…

Ø

Estas pessoas são sistematicamente apelidados de extremistas, porque falam de coisas das quais a sociedade não quer ouvir falar, porque a sociedade – algumas pessoas dentro da sociedade – ganham com isto, com esta “não mudança”.

Com este silêncio…

No estado actual das coisas, alguém que diga que é contra a corrupção é – arrisca-se a ser – rotulado de “extremista”. Ou “negativista”.

Ou quem fale de coisas às quais os principais forças políticas »moderadas» (no caso português, todas…) não querem falar, porque é contrário aos seus interesses.
Ø

Os verdadeiros radicais, ou as pessoas desonestas são assim colocadas numa posição em que são toleradas.
Servem um objectivo: fazer com que as forças políticas »moderadas» possam aparecer como moderadas perante a comunidade internacional, e perante a própria população do país.
E para que alguém pareça ser moderado é necessário que existam (pessoas apelidadas de) “radicais” para a comparação minimamente fazer sentido.

Assim se garante que o sistema não (nunca) muda alienando qualquer dissidência dentro do mesmo. Se existir discurso dissidente (não confundir com o nome deste blog) dir-se-á que é “fascismo ou manifestações anti-democracia” a quem não aceita o estado a que isto chegou.

Esses são aqueles que não aceitam viver sob a chantagem baseada na seguinte lógica: ou esta falsificação de democracia ou o caos.

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Já as pessoas e os grupos de interesses que efectivamente trabalham para minar a democracia a partir de dentro são sempre tolerados pacificamente.

É como uma receita de cozinha. Receita essa que necessita da existência dessas pessoas – o ingrediente “mágico” – que permite a quem defende a supremacia do pensamento único dizer que não existe pensamento único, até porque os cidadãos podem pensar de maneira diferente…
É aquela frase celebre (descontando a cristandade da mesma e não fazendo a apologia de religiosidades…) “o maior truque do Diabo foi fazer as pessoas acreditarem que ele não existia”.

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Todo este “jogo” é brutalmente perigoso também pelo seguinte:

O cidadão tem tendência a perder este jogo.

– Perde se as coisas se mantiverem como estão.

– Perde se as forças anti democraticas escaparem ao ainda tenue controlo que sobre elas existe e virem a mesa de jogo definitivamente transformando isto de ditadura não oficial a ditadura real.

E assim estamos a entrar em zonas cada vez mais sombrias.

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A solução: não aceitar, especialmente dentro da nossa própria cabeça, que este sistema seja aceitável, por ser o menor de todos os males.

Aceitar algo por ser o menor de todos os males é estar a pelar ao pior de nós próprios e não ao melhor.

Aceitar a supremacia do pensamento único é estar a exigir o pior e dizer que é o melhor.

CRISE FINANCEIRA AMERICANA – O DEUTSCHE BANK

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A lista completa de artigos relacionados com este assunto pode ser encontrada na página da barra lateral ” Z – Crise financeira norte americana”

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O Deutsche Bank como “detonador”.

Em Novembro de 2007, o Deutsche Bank foi o detonador que accionou o aparecimento “formal” da crise financeira americana e por acréscimo; a ampliação e exportação de uma parte dessa mesma crise para o resto do mundo, via “produtos “tóxicos” já adquiridos pelos bancos, governos e investidores privados do resto do mundo.

O Deutsche Bank é um grande banco de origem alemã, mas tem enormes interesses comerciais nos EUA. Tendo negócios nos EUA; lógico seria que um deles fosse o empréstimo de dinheiro ás empresas ou particulares que quisessem dinheiro (crédito) para iniciar negócios ou compra de casa.

Quando em 2007 começam a aparecer as primeiras famílias que não conseguem pagar os pedidos de empréstimo (que tinham sido induzidos a fazer), o normal é que quem concede o dinheiro para empréstimo accione as garantias no empréstimo e exija; ou o pagamento ou a devolução do bem.

O que quer dizer que, por exemplo, um banco que emprestou dinheiro, tem o direito de exigir a restituição da hipoteca que tinha com o cliente que não paga e, por via disso, exigir a restituição do bem.

Em Novembro de 2007, o Deutsche Bank fez isso mesmo, nos EUA, e em tribunal.

Exigiu a cobrança executiva (foreclosure) do crédito, sobre as casas de 14 moradores no estado americano do Ohio; que eram proprietários de casas compradas através dos esquemas de concessão de crédito que já foram mencionadas na “Crise financeira Americana – as razões” (e outros artigos que estão localizados na barra lateral chamada Z-Cenários) e que não estavam a conseguir pagar as prestações – entraram em “default”.

O Banco (Deutsche Bank) sofreu um duro choque, após decisão judicial, e isto pode, à primeira vista, parecer ser uma coisa pequena, um assunto insignificante, para um banco tão grande. Mas como este negócio estava organizado em “bundles” /”maços” de milhares de hipotecas de empréstimos para compra de casa, por todos os EUA, o problema do Deutsche bank e dos outros bancos era (tornou-se) real em 2007.

E era real porquê?

Porque o Juiz C.A. Boyko do distrito federal – Cleveland Ohio, decidiu rejeitar o pedido (a acção executiva por dívidas) do Deutsche Bank com base no seguinte e lógico argumento. (Data da ligação – 15 de Novembro de 2008 * ).

A companhia subsidiária do Deutsche bank nos EUA organizada para fazer estes negócios chamava-se Deutsche bank national Trust company, e tinha feito os negócios das hipotecas. Foi esta subsidiária que apresentou o pedido em Tribunal para se reapossar das 14 casas, afirmando que era a dona das mesmas, e que os seus ocupantes tinham falhado os pagamentos.

O juiz do caso, o senhor Boyko, perguntou à subsidiária do Deutsche bank, se podia mostrar os documentos que provavam que era efectivamente a subsidiaria do Deutsche bank a dona legal e perfeitamente intitulada das 14 casas.

A “escritura” da casa – era aquilo que o Juiz pedia aos advogados do Deustche bank.

E os advogados do Deutsche bank apenas conseguíram produzir um documento legal, muito bonito e harmonioso, que dizia que “existia a intenção de transmitir os direitos de propriedade nas escrituras da hipotecas” que a subsidiária requeria em tribunal, à subsidiária. (E que isso fazia dela a “dona” das casas”).

Não conseguíram apresentar a “hipoteca real”, o documento real, mas sim um outro documento passado por uma qualquer outra entidade que era um das donas da hipoteca, e documento esse que “prometia transmitir os direitos de propriedade à subsidiaria do Deutsche bank.

Quase como se isto fosse uma contrato promessa, virtual, de futuras transmissões de hipotecas a serem realizados…para a subsidiária do Deutsche Bank…

O que define o direito de propriedade no Ocidente é o documento que define o titular desse mesmo direito de propriedade.

Aqui tínhamos uma situação em que quem afirma ser o titular, não produz a escritura de propriedade, mas sim um documento onde está escrito que tem “um direito a que lhe venha ser transmitida num futuro próximo, o direito de propriedade, por um terceiro que o venha a fazer no âmbito destes contratos feitos neste sistema extremamente complexo”.

Confuso e escorregadio, não?

Mas porque é que o Deutsche Bank e a sua subsidiaria não conseguíram produzir as escrituras?

Porque estamos aqui colocados num mundo virtual, exótico, cheio de contratos complexos e confusos, desenhados e criados por criaturas muito jovens saídas das principais escolas de gestão e economia dos EUA e de Inglaterra que são pagos – muito mais bem pagos ( à comissão e aos bónus de fim de ano) – se criarem produtos financeiros que obtenham “mais rentabilidade” e mais lucros às instituições para as quais trabalham e portanto o incentivo a “atalhar caminho” existe…

Este mundo virtual chama-se “Global securitization” ou numa tradução livre “a criação e apresentação de garantias globais”.

Façamos agora um pequeno interlúdio geográfico e vamos até Cleveland – Ohio.

Uma pequena nota esquemática mostrando um sistema normal de crédito, retirada do Callahan Cleveland Diary.

bancos-esquema-normal-de-emprestimos

Existe quem pede o empréstimo (o borrower) e quem concede o empréstimo (o Bank) que sofre as consequências, e recebe os juros( interest) desse empréstimo.

Tudo normal, aqui.

Já aqui em baixo temos o mundo exótico da “Global Securitization”

ancos-esquema-de-securitizacao

Penso que o gráfico do “esquema de securitização” das garantias e do risco, sobre a forma como estes contratos de pedidos de empréstimo eram feitos, é esclarecedor … acerca da complexidade e da confusão, nomeadamente acerca de se saber, quem era o dono da garantia e da hipoteca da casa…

No post deste blog de Cleveland, o autor mostra uma fotografia de uma casa, localizada em Cleveland, e faz uma descrição do negócio em que esta casa esteve metida neste esquema de compra e venda por securitização.

O autor consegue mostrar que não se consegue perceber quem é o dono da casa – aparentemente é o Deutsche Bank, mas as entidades que tem ou tiveram pedaços da casa e das garantias sobre a mesma são tantas que dá dor de cabeça ler o post…e tentar perceber no meio de entidades que venderam a outras que venderam a outras quase ad infinitum, quem é o dono…

No artigo “Crise financeira americana – as razões” (Ver barra lateral chamada Z-Cenários), bancos como o Deutsche Bank, (1) compraram a outros pequenos bancos centenas de milhares de maços (bundles) de hipotecas de empréstimos bancários, (2) muitos deles com riscos de cobrança enormes, que depois (3) foram “credibilizados” pelas (4) agências de rating, como a Moody, a Ficht e a Standard and poors, que afirmavam que (5) ” tudo naqueles negócios era credível”.

Após este processo, alguns destes bancos (6) vendiam estes maços de hipotecas já transformados no produto financeiro chamado (6A) “Obrigações” ou também como (6B) investimentos a serem feitos por fundos de pensões (na própria constituição da carteira do fundo), ou então vendiam a (7) outros bancos ou a (8) outros bancos de investimento ou a (9) investidores particulares, que, através de todo este “mecanismo” eram ingenuamente “feitos acreditar” que estavam a (10) comprar obrigações com boa (11) rentabilidade ( isto é, acima do nível médio do mercado…).

(12) Boa rentabilidade essa atestada pelas agências de rating que (13) classificavam estes produtos como “AAA”, a mais alta das classificações, e (14) nunca perceberam (ou quiseram perceber…) que em 1000 hipotecas, que foram convertidas em obrigações, por exemplo, 20% das 1000 eram hipotecas que tinham alto risco associado ( era certo e seguro perceber-se que as pessoas não as iriam nunca conseguir pagar) e portanto o que estes investidores nestas “obrigações topo de gama” (15) compraram era algo completamente fictício e fraudulento e artificialmente valorizado de forma extrema.

Uma das razões para esta cegueira generalizada chama-se ganancia amplificada. Há várias outras mas esta é um dos combustíveis poderosos.

Durante os sete anos anteriores a 2007, os lucros com este negócio, (1) foram tão altos, para a maior parte das instituições norte americanas( Chase Manhatan, Citicorp, Morgan stanley, etc,) e foram (2) tão impressionantes que (3) nenhuns dos profissionais de análise dos modelos de risco usados via software altamente sofisticado, (não tão sofisticado que não avisasse do problema…) (4) conseguíram analisar ( com olhos de ver) o risco que continham estes produtos e (5) verificassem que existia um risco real de colapso.

A ganância amplificada tem culpados principais. Os que menos tinham interesse em fazer esta “análise critica”. E foram certamente as 3 companhias de atribuição de credibilidade/”Rating – a Fitch, a Standard and poor´s e a Moody´s que estavam “claramente ” em conflito de interesses neste negócio.

(A) Se dessem classificações (A1) mais baixas, perdiam as (A2) comissões altas que os seus serviços pagos apresentam como preço a pagar pelo serviço prestado.

(B) Se dessem classificações (B1) como deram, continuariam a (B2) ganhar dinheiro em altas quantidades e a falsear o mercado, sabendo perfeitamente que mais tarde ou cedo as coisas rebentavam.

É a clássica frase que exemplifica isto: ” a sua decisão beneficiou o infractor…”

Desde Agosto de 2008, as “classificações positivas atribuidas pelas agencias de rating, alteraram-se “para baixo” e passaram a dar classificaões negativas – o que por si só ainda potenciou mais a crise…

E os relatórios mensais e trimestrais dos bancos que operavam nos EUA, passaram já a trazer lá incorporadas ” algumas das perdas desastrosas…”

A semântica mudou.

As coisas passaram a chamar-se; não “perdas desastrosas”, mas sim activos tóxicos financeiros”.

E porque é que a decisão do tribunal do Ohio, mencionada acima, é extremamente desastrosa, para os bancos?

Porque no sistema americano de tribunais e de justiça existe a regra do “precedente”.

Se um caso for julgado e a decisão que daí sair abrir um determinado precedente (nunca ter sido decidido assim, e passar doravante a ser decidido assim), esse mesmo precedente passará a valer nos outros casos semelhantes decididos nos restantes tribunais no resto do país, daí em diante.

No sistema jurídico americano( anglo -saxónico), o precedente é o instituto jurídico que vincula as decisões proferidas nos tribunais superiores pelo tribunais tribunais inferiores nos casos em que- futuramente – a mesma matéria vier a ser analisada.

Possibilita dois objectivos:

– Criar uma nova norma (que servirá para ser seguida em futuros casos).

– Definir a interpretação da norma actual em vigor.

** Outra das razões para o pedido da acção executiva do Deutsche bank era o seguinte. O Deutsche bank (a sua subsidiária)  actuava como Trustee (administradora) de grupos de casas “securitizadas” ou em nome de grupos de investidores que poderiam residir em qualquer lado.

Só que o Trustee ( o Deutsche Bank – a sua subsidiária) nunca ficou com o documento conhecido pelo nome de”hipoteca”.

Quanto tiveram que  produzir a hipoteca, não o fizeram.  Alegaram – para justificar a entrada da acção executiva em tribunal pedindo aos 14 moradores a restituição das casas – que até aí, os bancos tinham sempre feito acções executivas e que não tinham sido contrariados durante anos.

Tal levou o juiz a concluir que o facto de fazer-se isso durante anos, não significava estar-se de acordo com alei, logo o pedido era recusado, devido aos fracos argumentos legais.

A decisão do juiz do Ohio significava, como efeito prático, que se algum outro banco ou o Deutsche bank decidissem continuar a meter processos em tribunal exigindo a devolução de casas cujas prestações não tivessem sido pagas, a decisão dos juizes noutro local seria a mesma – julgaria contra os bancos que tal quisessem fazer.

Esta decisão ” mostrou ” a dimensão da crise. Os contabilistas e analistas dos bancos perceberam que “não podiam cobrar”, sem batalhas judiciais à vista (aumentando os custos e a dimensão do problema).

As razões são duas:

(1) as complexidades da estrutura destes instrumentos financeiros.

(2) a dispersão da propriedade (vários ou muitos proprietários) das garantias das hipotecas da compra de casa.

Não exactamente as hipotecas, mas sim as garantias sobre as mesmas (é como se existissem 300 mil fiadores sobre um pedido de empréstimo e não se soubesse quem são e quantos são e onde estão…)

O documento fisico que estabelece a garantia e o direito de propriedade, acaba por não ser facilmente identificável com esta confusão de donos…

Quem criou estes produtos esqueceu-se deste pequeno pormenor, na sua concepção, mas continuou a dizer que estava tudo bem, enquanto a sua entidade patronal/bancária continuava a “amontoar” maços de hipotecas para melhor depois vender… ou directamente ou convertidas em obrigações…

Em Janeiro de 2007, 6.5 biliões de hipotecas com este tipo de problemas – garantidas com este esquema absurdo existiam…

Estes produtos chamavam-se Arm´s – Adjustable rate morgages – hipoteca de taxa ajustável/variável.

Foi quando a taxa “ajustável/variável aumentou, que os proprietários das casas deixaram de pagar e tal aconteceu mesmo no meio da crise económica em que os EUA já estavam mergulhados (juntou-se a fome com a vontade de comer)…

** E uma das respostas do Deutsche Bank a esta confusão em que se meteu foi a seguinte, descrita abaixo: o Deustche Bank fez sair um memorando interno para os seus empregados a recomendar que “exercessem contenção” ou pelo menos discrição quando estiverem a fazer as acções de despejo, das casas, e mais importante ainda, a nunca incluírem o nome do Deutsche Bank nos formulários de acção de despejo ou de hipoteca; que não diga que o Deustche Bank é apenas o Trustee ( o que administra, não o dono da coisa…) (Dessa forma o “odioso” da questão é “diluído”… tentando-se evitar, que mais donos de casas entrassem em processos judiciais, atrasando ainda mais as cobranças…)

Fonte DEUTSCHE BANK WATCH: AKA Inner city press. (Data da notícia na ligação – 24 de Dezembro 2008 * )

Update of December 24, 2007: As the subprime foreclosure wave continues to gather strength, a major Wall Street (and Frankfurt) player, Deutsche Bank National Trust Company, has issued a memorandum purporting to urge its servicers to exercise restraint or at least discretion in evicting tenants from rental properties, and, apparently most important to it, to never include the name Deutsche Bank on any foreclosure or eviction filing without emphasizing that DB is only the trustee. Of course, it’s an enabling role that Deutsche Bank chose and profits from. But Deutsche Bank wants it both ways. At least the memo has Deutsche Bank National Trust Company’s contract numbers, which desperate consumers often call Inner City Press to request. They are, in Santa Ana, California, Tel 714 247-6000, Fax 714 247-6009. Inner City Press is putting the DB memo online, here.

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22/11/2008 at 16:59

KEENAN – TEMOS 50% DA RIQUEZA MAS APENAS 6.3% DA POPULAÇÃO

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kennanEsta é uma citação em Inglês do antigo embaixador americano na Rússia, e ex secretário de Estado, George F.Keenan, retirada do documentos “memo pps23” de 28 de Fevereiro de 1948

“…Furthermore, we have about 50% of the world’s wealth but only 6.3 of its population. This disparity is particularly great as between ourselves and the peoples of Asia. In this situation, we cannot fail to be the object of envy and resentment. Our real task in the coming period is to devise a pattern of relationships, which will permit us to maintain this position of disparity without positive detriment to our national security. To do so we will have to dispense with all sentimentality and daydreaming; and our attention will have to be concentrated everywhere on our immediate national objectives. We need not deceive ourselves that we can afford today the luxury of altruism and world benefaction…
In the face of this situation we would be better off to dispense now with a number of the concepts which have underlined our thinking with regard to the Far East. We should dispense with the aspiration to ‘be liked’ or to be regarded as the repository of a high-minded international altruism. We should stop putting ourselves in the position of being our brothers’ keeper and refrain from offering moral and ideological advice. We should cease to talk about vague — and for the Far East — unreal objectives such as human rights, the raising of the living standards, and democratization. The day is not far off when we are going to have to deal in straight power concepts. The less we are hampered by idealistic slogans, the better.”

Tradução a martelo.

Mais ainda, possuímos 50% da riqueza do mundo, mas apenas 6.3 % da população. Esta diferença é particularmente grande quando comparada com os povos da Ásia. Nesta situação não podemos falhar e deixar-mo-nos ver como o objecto da inveja e do ressentimento. No período que se avizinha, a nossa verdadeira tarefa é a de engendrar um padrão de relacionamentos, que nos permita manter esta disparidade, sem que exista erosão da nossa segurança nacional.

Para alcançar isto temos que dispensar todos os nossos sentimentalismos e sonhos. e a nossa atenção terá que ser concentrada em todos os lados em que estejam presentes os nosso objectivos. Não nos podemos auto enganar pensando que podemos praticar o luxo do altruísmo e fazer bem ao mundo.

Em face desta situação, faremos melhor em dispensar já os inúmeros conceitos relacionados com o extremo oriente.Devemos dispensar a “aspiração” a que gostem de nós ou a sermos vistos como o Alto Depósito de boas intenções a nível as relações internacionais.

Devemos deixar de nos colocar-mos na posição de sermos o “protector do nosso irmão” e retrair-nos de oferecer conselhos morais e ideológicos.

Devemos deixar de advogar objectivos vagos – e no que respeita ao Médio Oriente – irrealistas tais como direitos humanos, a elevação dos níveis de vida, e a democratização. Não está longe o dia em que teremos que lidar com estritos conceitos de poder.

Quanto menos estivermos amparados por conceitos idealistas, melhor.

Parte da filosofia contida no documento, (sermos egoístas e não altruístas) ajuda a explicar a lógica que está por detrás da recente crise financeira americana e muito do comportamento dos EUA, nas relações internacionais.

Parte da filosofia contida no documento é não só aplicada pela elite financeira americana, nas suas relações com países ou empresas terceiras, como começa a ser aplicada nas relações dentro do próprio país, entre americanos “comuns” e a própria elite.

Parte desta filosofia é altamente contagiosa.

Foi “exportada” utilizando as palavras “liberdade” e mercado livre”, e foi “transmitida” para fora dos EUA, para algumas da elites europeias, financeiras e não só.

Em Portugal esta filosofia foi completamente absorvida pelos responsáveis políticos e económicos que tem – mal lhes deram este espaço para jogar – utilizado todas as políticas ao dispor do Estado e das empresas privadas, segundo os princípios que ali em cima estão expostos.

A própria ideia original de Keenan era aplicável à geoestratégia. A ideia por detrás desta filosofia, transmutou-se para outras áreas.

Onde em Keenan existia uma ideia de auto protecção e retraimento, uma ideia defensiva, foi a ideia subvertida, existindo – agora – uma ideia de ataque e hostilidade, mas já contra partes ou segmentos do próprio povo que não concordem com o que as elites preconizam.

Essa é a diferença fundamental.

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21/11/2008 at 14:08

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MANUELA FERREIRA LEITE E A APOLOGIA DA DITADURA

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«Eu não acredito em reformas quando se está em democracia, quando não se está em democracia, é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se; e até não sei, se a certa altura, não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então, venha a democracia», afirmou a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite.

Tradução: Eu não acredito na democracia, porque é impossível obrigar as pessoas a aderirem a algo injusto, por sua livre e espontânea vontade. Só quando se está em ditadura é que a conversa é outra; podemos obrigar as pessoas pela força, dizendo como é que as coisas são e obrigando a fazer . Devíamos instaurar a ditadura durante tempo suficiente para que consigamos torná-la algo de definitivo, prometendo, no entanto que será apenas para o bem de todos por um tempo limitado e até pôr as coisas na ordem. As pessoas já se esqueceram de 1926.

Ø

Cito agora alguém (Pedro Fontela) – cheio de boas intenções – mas que (na minha modesta opinião) não percebeu como é que o seu próprio discurso “sério” é e pode ser “ocupado” precisamente pelo grupo de gente representado pela senhora Manuela Ferreira Leite, e sucedâneos do mesmo estilo e que o seu próprio discurso é efectivamente contra pessoas.como MFL que também praticam este tipo de conversa, mas com intenções autocráticas.

“…Um poder que dissolvesse temporariamente todos os outros (ou que pelo menos permitisse a sua substituição enquanto são reorganizados segundo outros moldes)..”

Fontela: já nos anos 90 isto se passava. Estas pessoas sempre trabalharam contra a democracia. Quem fizesse há 20 anos, numa qualquer conversa “normal”; um discurso “sério” falando contra corrupção e contra, por exemplo, figurinhas semelhantes à senhora Ferreira Leite, corria o risco de ver esse mesmo discurso “devolvido” como se fosse um espelho.

E devolvido como um espelho no qual pessoas notoriamente incompetentes ou corruptas, faziam o mesmo e exacto discurso contra a corrupção, e a favor da “ordem” para assim se “mascararem melhor” dentro deste regime podre – que pactua; sempre pactuou desde há 34 anos, pelo menos, com isto..

Este é o discurso “modernizado” e “enhanced/ intensificado” de Salazar e do Salazarismo sob novas roupagens….

Ø

Outro dos problemas de quem faz este tipo de discurso, mas em “sério”, está no facto se se estar a expor sem absoluta necessidade nenhuma.

Está no facto de se estar a correr o risco de se ser comparado a anti democráticos ou totalitários (e eles pululam por aí) como esta senhora e o gang que a acompanha.

Esta senhora, faz parte de um grupo de pessoas, que pertencem a vários partidos e seitas, que deveria, pura e simplesmente levar um pontapé no traseiro e ser-lhe retirada a nacionalidade e posta a correr daqui para fora.

Esta senhora gosta muito de cartas de Tarot.(Perceba quem quiser…)

É uma pessoa autoritária – notoriamente incompetente – basta ver o “trabalho dela como, respectivamente, Ministra da educação e Ministra das finanças e além disso é politicamente do mais estúpido que há.

É também pelo facto de a sua “formação” política ser a formação política da ditadura (isto é, feita nela), mas no caso dela ser apenas um sucedâneo, um placebo falhado, que ainda intensifica mais a sua incompetência.

Agora apenas teve um “lapsus linguae” e disse directamente o que era, sob a forma (pretensamente) de ironia: que é a favor do desmantelamento da democracia como sistema, mesmo a democracia portuguesa, que de democracia tem muito pouco…

Ainda outro dos problemas é o seguinte: uma pessoa fascinar-se ou influenciar-se pelas “impressões”de intelectuais portugueses do século 19, ou do 20 que preconizam soluções duras do tipo do descrito acima, apenas dá alegrias aos Ferreiras Leite deste país.

E apesar de Portugal ser uma choldra, este país fez-se de pessoas a sério e não de Ferreiras Leite e sucedâneos do mesmo estilo – que sempre tiveram acesso á comunicação social para veicularem as suas “ideias”….

Do ponto de vista pessoal não se ganha nada com este tipo de coisas.

Há 20 anos atrás a retaliação feita sobre quem criticasse o regime, especialmente em certos sítios, era o ataque declarado a essa pessoa, prejudicando-a onde quer que fosse.

Actualmente o regime e as pessoas “instaladas” dentro dele, já não precisam de fazer retaliação. São “pós-retaliação”.

Apenas contam que o “criticador” acabe por sair do país (ou viva esquecido) e esperam uma ou duas dezenas de anos para – quando esperam – voltar a contactá-lo oferecendo-lhe uma cargo ou posição para “ajudar” a pátria mãe (isto é; a choldra…em que isto foi transformado).

Caso não esperem que o ” criticador ” saia e não volte, isso também é aquilo que desejam. É uma “Win/Win situation… Imagem: We Have Kaos in the garden, numa manipulação de imagem e de palavras irónicas e satíricas extremamente acertada.

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CAPA DO CORREIO DA MANHÃ – O PSEUDO JORNALISMO DE EXTORSÃO

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correio-da-manha-no-name-boysUma das formas de atacar a democracia consiste no uso da liberdade de expressão.

Na subversão da democracia usando a liberdade de expressão para o fazer.

A capa de hoje, 18 de Novembro de 2008, do jornal Correio da manhã, mostra como se faz.

A Cofina, empresa que é dona do Jornal Correio da Manhã, esteve recentemente, em negociações com o Benfica.

O objectivo por parte da Cofina, era o de fazer um contrato com o Benfica pelo qual esta empresa seria a responsável por fazer e emitir as transmissões e notícias do novo Canal de televisão do Benfica” – que o Benfica pretendia lançar.

Devido a não entendimento entre as partes, as negociações foram rompidas e terminadas.

O Benfica decidiu avançar para outras opções que achou serem melhores para si, enquanto SAD e clube.

A Cofina é dona do Jornal Record – um jornal desportivo.

Após quebra das negociações a “agressividade” contra o Benfica aumentou, também ali no jornal Record.

São também conceitos de “guerra económica” que estão aqui. O “outro” não nos concede um contrato comercial, logo, o “outro” torna-se o nosso inimigo e deve ser atacado.

Independentemente de ser verdade que esta claque – que o Benfica não reconhece – pratique actos ilegais, o que se deve notar é que uma empresa privada está a coagir outra empresa/clube de futebol utilizando estes métodos.

Se uma empresa privada coage outra utilizando estes métodos, poderemos assumir que também o fará a pessoas individuais, e a órgãos do Estado – a julgar por esta amostra…

Parece que existe uma entidade reguladora da comunicação social. Mas regulará alguma coisa?

Nota: isto passa-se com o Benfica, mas em circunstâncias idênticas relacionadas com qualquer outro clube/Sad, a minha opinião era a mesma.

O que aqui está não é jornalismo, mas sim outra coisa, a roçar a extorsão e a guerra económica “oficializada”.

A EFICIÊNCIA DOS SERVIÇOS DE SAÚDE EM PEQUENAS COISAS

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Apesar do atraso – só agora reencontrei o que publico abaixo – observe-se a “eficiência” dos serviços de saúde portugueses em pequenas coisas.

dermatologia-1

dermatologia-2

A pessoa que requereu – via centro de saúde – que lhe fizessem a excisão de uma lesão benigna, não se recordava se a mesma lesão benigna e o pedido de remoção, teriam sido originalmente feitos em 1996 ou 1997…

A lesão benigna que precisava de ser extraída consistia na complexa e extraordinariamente difícil “operação a uma verruga”.

A ser realizada por um comando anfíbio aerotransportado de cirurgiões anti verrugas…

Em 30 – 06 – 2006, já a verruga tinha sido retirada lá pelos idos de 2001, recebe a pessoa este “aviso” perguntando se ainda estaria interessada em aniquilar com requintes de crueldade a verruga…

O objectivo é o de “limpar”as listas de espera, não de resolver problemas.

Esta pergunta – ainda está interessado em remover uma verruga – é até ofensiva…tendo em conta o tempo que já decorreu…

Politicamente, temos que ver as coisas da seguinte maneira.

Com o PSD no governo, nem sequer alguém receberia uma carta como esta. Apenas esperaria até que a pessoa morresse.

Com o PS recebem-se cartas destas, pretendendo com isso fazer crer que “são diferentes” e se interessam pelos problemas das pessoas.

Embora os resultados finais – o concreto – o que interessa – sejam idênticos com qualquer destes partidos a governar.

Aproximadamente 10 anos para se remover uma perigosa e escorregadia verruga.

Viva Portugal.

Este é o “estado”, concretamente, da democracia portuguesa.

Written by dissidentex

18/11/2008 at 9:14