DISSIDENTE-X

PSIQUIATRIA MODERNA E AS TÉCNICAS DE CONTROLO SOCIAL

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Fonte da imagem: Jornal Destak, editorial de Isabel Stilwell, dia 28 de Outubro de 2008.

Antigamente, quando alguém aparentava ter comportamentos fora do comum, era perseguído.

Na era moderna, os métodos absolutamente selvagens, como prender ou mandar matar as pessoas com problemas mentais, passaram a fiar mais fino e a serem “ciência” – logo abandonados ao método cientifico. (Atrás da ciência, veio o Estado e especialmente os governos…)

E atrás da busca das ideias cientificas e dos métodos científicos de “fazer”, surge uma nova disciplina. Aquela que nos irá dizer como é que as coisas são, isto é, catalogar as deficiências ou alterações mentais de comportamento ou os estados de alma e posteriormente aplicar o tratamento.

Um dos infelizes percursores desta nova (actual) técnica chamava-se R D Lang.

Na minha modesta opinião e do pouco que sei do senhor não hesito em afirmar que Lang era um idiota irresponsável.

E para lá de ser um idiota irresponsável, é um dos principais criadores de imensos problemas no mundo actual, derivados das teorias e da influência que Lang teve na Psiquiatria enquanto pseudo ciência e no que essa influência originou depois.

Lang era psiquiatra e era critico da forma como a doença mental era tratada nos anos 50. Impressionado com a quase ausência de técnica de tratamento (os médicos apenas acompanhavam os doentes sem fazerem quase mais nada), e após ter feito um estágio numa clínica de Glasgow, onde viu “horrores”, Lang lançou umas teorias novas de como o tratamento deveria ser feito e tornou-se o ícone de um movimento chamado Anti psiquiatria.

Basicamente, Lang defendia que o erro da psiquiatria antes de Lang era ser a doença diagnosticada “pelo comportamento” exibido pelos doentes, mas depois ser tratada “biologicamente” através de “fármacos”. Ou seja, não ser tratada, “psicologicamente”

Devido a esta divergência epistemológica de alto coturno, Lang dedicou-se nos anos seguintes e durante toda a década de 60 a demolir sistematicamente a psiquiatria “normal” acusando os psiquiatras e psicólogos e restante fauna do mesmo género de serem curandeiros (o que até tem a sua ponta de verdade…diga-se…).

Fundou um movimento contra cultura e anti psiquiatria. E escreveu um livro muito famoso de 1967, chamado “a política da experiência” onde defendia as suas ideias do que deveria ser o tratamento psiquiátrico – o terapeuta e o doente vivendo juntos e tratando-se exclusivamente sem fármacos.

Defendeu também que a sociedade algema as pessoas, retirando-lhes a sua individualidade, e que vivendo livres sem constrangimentos as pessoas apenas voltam aos seu estado normal e saem da doença mental por si só, sem precisarem de fármacos.

Ou que, através da família e o Estado (a representação simbólica da família que nos cerca), a sociedade, ou seja nós; todos nós, estávamos a destruir-nos uns aos outros usando a violência mascarada de amor.

Lang foi ainda mais irresponsável e perigoso porque usou modelos matemáticos de Teoria dos jogos para, através dos mesmos, tentar definir e precisar como eram as interacções familiares – como “a família agia dentro dela”.

Através das teorias dos jogos Lang chegou à conclusão que os humanos eram inerentemente egoístas, astutos e geravam de forma espontânea “esquemas” uns em relação aos outros, mesmo dentro da mesma família. (No artigo ligado em cima chamado Teoria dos jogos explica-se o problema…)

Depois, após aperfeiçoamento da teorias e dos modelos que Lang inicialmente usava, e a teoria “avançar”, Lang tentou provar que era o Estado a suprimir – usando as técnicas antigas de psiquiatria – o sofrimento das pessoas, visando assim obter o prémio: controlo social.

As ideias de Lang falharam completamente, uma vez que os governos “usaram” posteriormente o que resultou das criticas de Lang…e não as ideias de reforma dele por si mesmas…

Devido às criticas de Lang e seguidores, e à experiência de Rosenham; durante os anos 70, a psiquiatria estava nas ruas da amargura.

Ø

A experiência de Rosenham foi feita por um discípulo de Lang. Enviou-se 14 pessoas falsamente doentes mentais, para uma série de “instituições mentais” para se ver se os locais conseguíam “filtrar” quem era doido e quem não era.

Não só não conseguíram, como infligiram tratamentos às cobaias que fizeram algumas ter problemas.

As instituições foram assim completamente desacreditadas.

Ø

Algo tinha que ser feito pela comunidade psiquiátrica.

Esta reagiu ao problema de credibilidade que lhe era assacado, retirando o elemento humano da análise.

Testes de comportamento (é daí que vem a expressão “Teste americano”...) foram elaborados para diagnosticar doenças mentais; e as respostas foram “verificadas” através de computadores, para assim eliminar a subjectividade inerente ao Ser Humano que eventualmente corrigisse as provas.

E após isto, era “desta forma automática e certa”, diagnosticada uma qualquer doença mental que supostamente uma pessoa teria.

Isto seria um “aval científico” irrefutável que eliminaria as criticas da escola psiquiátrica de Lang e de muitos outros que criticava a “não cientificidade da psiquiatria”.

Devido a esta “impessoalidade” e a esta “racionalidade (a máquina computarizada como garante dos resultados imparciais) no tratamento, perturbações do dia a dia, perfeitamente comuns a todas as pessoas, que não indicam verdadeiramente, que a pessoa é mentalmente doente, eram assim “apanhadas” nos testes e lá ficavam marcadas como sendo uma “desordem”.

Ø

Nota: o manual de catalogação das doenças psiquiátricas nos EUA já vai, desde os anos 70, na quarta edição (DSM-IV) – sempre a aumentar o numero de “desordens conhecidas”…

Ø

Como as sociedades mais avançadas em psiquiatria nesses anos 8e talvez ainda hoje…) eram as anglo saxónicas, de repente, nos EUA, quase metade da população – através dos testes – passou a ser catalogada como tendo uma “desordem mental”.

Era a “resposta racional” e “sistematizada” do sistema psiquiátrico/informático a 10 anos de contra cultura de RD Lang, aos sistemáticos ataques e criticas feito por este e pelos seus seguidores.

E o que originou a seguir?

Que muitas pessoas atribuíram aos seus estados normais de irritação, derivados das dificuldades diárias da vida em sociedade, como sendo essa irritação, uma doença psiquiátrica, e por via disso, começasse a frequentar consultórios de psiquiatras para que estes “receitassem” alguma coisa que os fizesse ser “cidadãos normais”de novo.

Um “mercado comercial novo” abria-se também desta forma… a psiquiatras e laboratórios de investigação médica.

(Exemplo: alguém que se queixe de estar desempregado, com muita irritação. Num teste, Isto seria possivelmente considerado uma leve perturbação mental, não pelo desemprego da pessoa ser algo de real, mas sim pela demonstração de irritação…que também é real, mas é catalogável num computador como não o sendo…mas sim uma “desordem”… )

Dois jogadores exteriores a este processo viram imediatamente o furo que aqui existia.

  • Os laboratórios médicos
  • Os governos

– Os laboratórios médicos por razões óbvias. Uma novo e muito lucrativo nicho de mercado aparecia inventado literalmente do nada: o receituário de medicamentos para combater ansiedades e depressões – reais ou imaginárias – surgia maravilhoso aos olhos das administrações. O auge desta festa foi atingido com o “Prozac” – um poderoso anti depressivo que punha toda a gente feliz. Era um “antidepressivo confortável..

O principio genérico conhecido de todos dá pelo nome de “Fluoxetina”

– Os governos porque, existindo uma população em sofrimento por causa da forma quase insuportável como se vive, viram nisto uma oportunidade de fomentar o “apaziguamento” e “acalmar” a sociedade.

Através da criação e fomento de uma classe de drogados “light”, (que conseguíam trabalhar…) de pessoas convencidas que estavam cheias de problemas (quer estando efectivamente, quer não estando…), mas que, apenas pela simples toma de um qualquer comprimido mágico, esses problemas desapareciam nas suas cabeças embora na realidade continuassem a existir.

É, afinal, o que aquela senhora lá em cima na notícia do jornal destak nos diz.

Que o Estado português prefere não ter uma verdadeira política de saúde mental, porque não quer e custa caro.

A senhora afirma que custa caro, mas isto também tem sobretudo que ver com técnicas de controlo social – subtis técnicas de controlo social.

É melhor para o Estado português e para os políticos portugueses que as pessoas andem por aí a tomarem Benzodiazepinas, Fluoxetinas e diazepam´s e (metadonas) outros semelhantes. Assim andam felizes e relativamente despreocupados com o estado das coisas e não questionam o modo como se vive.

O mais engraçado disto é a fina ironia que se vive aqui em Portugal, na actual situação.

Ao querer “poupar” em custos com tratamentos a sério, quer “mentais” ou de outro tipo, e, ao querer exercer controlo social subtil, foi sendo fechado, convenientemente, os olhos à sistemática passagem de receitas médicas com anti depressivos nelas contido para resolver tudo e nada.

O mesmo Estado que fomentou esta política nos últimos 15 anos,(fechando os olhos) está agora preocupado com os seus efeitos pelo uso em excesso.

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