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KEYNESIANISMO E NEOLIBERALISMO NOS JORNAIS

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Uma pergunta privada que me foi feita era a seguinte:

Todos os jornais têm apresentado as coisas como neokeysianismo vs. neoliberalismo. E os comentadores evocam longamente Keynes, Reagan (Hayek passou de moda). Existem alternativas para além destes dois?

À propósito de uma conversa privada importa esclarecer o seguinte:

A teoria geral de economia proposta pelos astrólogos curandeiros económicos como explicação, diz que, em economia de mercado – pela própria natureza do mesmo – não existem falhas no que se oferece ao consumidor, devido ao mecanismo inerente à dinâmica da “oferta- procura”.

Isto acontece assim, precisamente por ser uma economia de mercado (por oposição à economia marxista-comunista onde não há mercado) onde existe uma local virtual ( o “mercado”) onde quem quer comprar se encontra com quem quer vender, e dessa dinâmica surge o acerto de preço do produto entre ambos e dá origem à lógica da oferta e da procura”.

A “Teoria média normal” de economia, (o principal expoente disto foi originariamente o senhor Paul A. Samuelson – o dos manuais (mas não só o senhor Samuelson) diz que, (1) não existem falhas do mercado; este é auto regulável; mas (2) quando ocorrem falhas, se por acaso elas ocorram, por divina intervenção, ou por “um azar”qualquer, isso ( a ocorrência de falhas ) deve-se a “uma excepção momentânea” ou “especifica” do tipo de mercado de que estejamos a falar, e não a um defeito do sistema.

Ou seja, o sistema económico segundo esta ideia está organizado segundo o óptimo de Pareto, que diz que:

Um Óptimo de Pareto (também conhecido com Eficiência à Pareto) corresponde a uma situação de afectação de recursos e/ou factores de produção ( para resolver problemas ou satisfazer necessidades ) que fazem ser impossível uma nova reafectação de recursos. Que origine uma forma de melhorar a situação de alguns consumidores sem prejudicar simultaneamente qualquer outro.

“Isto” acima é a “teoria média” e depois existem mais uns milhares de sub teorias e sub explicações.

Os mercados (isto é, os consumidores e os produtores/vendedores ) ajustam-se uns aos outros e todos vivemos felizes e contentes.

O problema é que isto não acontece sempre assim. Esta teoria do ajustamento mutuo origina de Adam Smith no século 19, e do seu livrinho “História da Riqueza das nações, que era um esforço de explicar economia e mercados, mas também era uma teoria económica ideológica destinada a criar uma forma de organização económica que favorecesse a potência económica dominante – o Império Britânico.

Se se “implementasse” esta teoria, o que se dizia era que, a uma crise corresponderia uma “abundância” e consequentemente, a uma alta taxa de desemprego, corresponderia uma situação de pleno emprego.

Dessa forma, e segundo esta lógica, o Estado, apenas afectaria recursos para as funções (na época) conferidas ao Estado, porque os empregos e a demais vida social-económica se “autoregulariam”.

Isto era a conversa há 150 anos.

Nos anos 20 e 30 do século 20, por causa da Guerra mundial – a primeira – e por causa de a Grâ Bretanha ESTAR FALIDA em 1914, no inicio da Guerra Mundial, e após 5 anos de Guerra Mundial que geraram ainda mais dividas, deixando a Grâ Bretanha no final da mesma a dever aos EUA, a estonteante quantia de 4.7 Biliões de Libras esterlinas (mesmo a valores actuais isto é alto…), na Inglaterra o que começou a acontecer, foi que, as teorias (na altura apenas liberais, actualmente conhecidas por neoliberais) chocavam com a realidade.

Mesmo após uma guerra, e necessidade de reconstruir, a economia não gerava investimento e sobretudo emprego, que possibilitasse “ajustar a economia” de acordo com o que os “clássicos” (Adam Smith e o resto da fauna…) diziam que aconteceria.

E nas Universidades inglesas e americanas, continuava-e a dizer que a economia ajustava, isto mesmo quando lá fora, milhões de pessoas estavam desempregadas e existia recessão económica.

E não existia investimento público( obras, estradas barragens…) porque a teoria clássica dizia que não deveria existir investimento público porque o mercado auto regular-se-ia( vá-se lá saber porquê…)

E então o senhor Jonh Maynard Keynes, (e uma série de outras pessoas na altura), defendeu, num livrinho publicado em 1936, chamado” Teoria Geral do emprego, do Juro e do dinheiro” – uma obra fantástica que nem sequer está traduzida em português, creio…. – que o Estado Central deveria, para “gerar dinamismo na economia”, gastar dinheiro de impostos a mandar construir estradas e barragens, ruas e casas, para com isso criar emprego directo e indirecto e tirar a economia do fundo onde estava e combater o desemprego.

Também defendeu que o Estado, deveria garantir, horas de trabalho mínimas, benefícios sociais (salário mínimo, salário desemprego, assistência médica, férias obrigatórias, etc).

E toda esta “lógica” gerava dois aspectos fundamentais na organização da economia.

Uma tendência para a descida das taxas de desemprego, que gerava quase sempre uma tendência para a subida das taxas de inflação.

(inflação: a subida continuada e regular dos preços dos bens ou das matérias primas ao dispor dos consumidores…)

(Deflação: a descida sistemática , regular , continuada, dos preços dos bens e produtos ao dispor dos consumidores, e uma descida dos salários dos produtores, a um ponto tal que provoca algo mais que somente uma recessão. Provoca uma deflação, com aumentos gigantescos de desemprego e de preços (numa primeira fase) para depois provocar aumentos massivos de preços (numa segunda fase)

Ou seja no Keynesianismo, normalmente há desemprego baixo, conjugado com inflação tendencialmente alta.

Nota: o cenário “inflação” foi o que surgiu na Alemanha pós 1918, que rapidamente degenerou em deflação profunda, que rapidamente degenerou em golpes de estado, que rapidamente degenerou em Hitler.

Nos anos 70 o século 20 (embora a coisa já venha mais de trás…) um conjunto de psicopatas liderado pelo senhor Milton Friedman, da escola de economia de Chicago, dedicaram-se à tarefa de explicar porque é é que o Keynesianismo falhava, e daí surgiu o monetarismo, ou seja, o neoliberalismo.

A partir daí o enfoque deveria ser nos Estados reduzirem o o seu peso( ou seja todas as tarefas a que o Estado se dedicava deveriam ser passadas para privados) e a prioridade da política económica dos Estados deveria ser a de garantir que a inflação ( subida continuada e regular dos preços) não se manifestasse.

Passou a ser, portanto, “aceitável”, que existissem quantidades enormes de desemprego numa economia. E o desempregado passou a ser o “culpado” de ser desempregado.

Não a organização da economia feita desta maneira.

Isto sucedeu, devido aos choques petrolíferos dos anos 70, em que – pela primeira vez- originaram uma situação em que a economia estava organizada sob moldes Keynesianos, mas coexistiam – simultaneamente – preços altos e altas taxas de desemprego (na América, mas não só).

E a economia americana estava completamente na sarjeta.

E daí surgiu toda uma nova teoria económica péssima, misturada com combate ao comunismo e com objectivos políticos, chamada neoliberalismo económico, que usa o discurso da “liberdade” para incentivar ao fim do salário mínimo, ao não investimento do Estado na economia, defendendo princípios de “Estado mínimo” e demais teoria conexas.

Respondendo à pergunta lá em cima:

o que se está a passar , com donos de bancos, corretores, e demais fauna a roubarem descaradamente, tem alguma coisa a ver com Keynesianismo, ou até mesmo mesmo com liberalismo?

Conceder avais bancários estatais ao bancos privados é neoliberalismo?

Conceder avais bancários estatais são actos de investimento keynesianos?

Acho que não.

Dou um conselho: as pessoas que não percam tempo a escutarem as teorizações dos economistas e gestores que pululam pelas televisões. A remuneração que recebem para dizerem o que dizem foi paga por alguém.

Este artigo foi escrito à pressa em meia hora. Reclamações não aceito.
Quem quiser Ópera, vá o São Carlos.

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Written by dissidentex

18/12/2008 às 17:40

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