DISSIDENTE-X

DE ONDE VEM AS “REFORMAS DA EDUCAÇÃO”.

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Em 1957/1958, os EUA entraram em recessão – uma profunda e inesperada recessão. Foto: Time Magazine.

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Devido à decadência do sistema social e económico americano, nessa altura; tal contribuiu para um sentimento de perda de identidade; de o país estar a caminhar para se enredar num “nó” , de falta de alternativas e de esperança para os cidadãos americanos e para a “elite política” e económica.

A elite política norte americana, reagiu ao problema de várias formas. Uma delas foi o lançamento de grandes “programas” de desenvolvimento da nação. Um desses programas foi o Equal/economic Opportunities Act.

Lindon Johnson, na altura o Presidente afirmou: “Hoje, pela primeira vez, na história da raça humana, uma grande nação é capaz e tem a disposição de se empenhar a erradicar a pobreza da sua população”.

Nada pretensioso.

Johnson pertencia ao “Partido Democrata” – aquilo que passa por ser a “esquerda”… nos EUA.

Inseria-se dentro de uma programa chamado “Great Society Program” , e “War on Poverty”.

Eram ideias que retomavam algumas das linhas de orientação do programa político de John Kennedy, chamado Nova fronteira.

O programa de Johnson (1) nunca erradicou a pobreza e (2) apenas constituiu uma desculpa adicional para criar um deficit nas contas públicas americanas.

Ø

Uma das características desse programa visava “conceder educação” aos norte americanos – valorizá-los.

E dessa forma, precisamente pelo que – também – tinha acontecido na recessão de 1957-58, ou seja, milhões de desempregados, no país que em 1958 era a indisputada potência económica, rebanhos de norte americanos forma incitados a serem agregados em colégios e escolas.

Prologando-se a “coisa” até aos anos 60. O “truque” visava mascarar a taxa de desemprego. Torná-la “oculta”.

De 1960 até 1975, a população universitária norte americana mais que duplicou. Segundo os dados que disponho passou de 4 milhões para 10 milhões.

Ø

Tal serviu para que os banqueiros de Wall Street e demais interesses financeiros do país desviassem “investimentos” para a construção de mais Universidades, feitos também, com a ajuda de generosos subsídios estatais.

As pessoas daí derivadas estavam – embora não o soubessem – grande parte delas, a ser atiradas para um mundo de sub empregos.

O investimento em tecnologia feito nas Universidades americanas, para gerar de novo novas formas de criação e parar a obsolescência da industria americana, foi assim travado, em beneficio de uma nova teoria que foi “vendida” – a sociedade pós industrial como conceito.

Os estudantes passaram a ser encorajados a perseguírem carreiras em cursos de papel e caneta- relações sociais, ou sociologias e “carreiras conexas do mesmo estilo”.

A “transformação” visava obter o seguinte:

– uma baixa qualidade produzida em massa, que por sua vez originava mais padrões “baixos” de qualidade.

Os investimentos que aquela sociedade deveria ter feito na melhoria da vida urbana, nos transportes públicos, nos serviços de agua e saneamento e demais estruturas a eles agregadas.

Ø

A”lógica” por detrás disto era: ” se não se está orientado para investir em produtos industriais e a sociedade já não é predominantemente industrial, então para quê investir em infraestruturas físicas que levem os produtos derivados dessa mesma( inexistente) produção industrial para o mercado?

Ø

Para vender isto mais eficazmente era necessário alterar a percepção de como era visto o conhecimento cientifico e o progresso industrial. E foi por isso que a cultura das drogas e do psicadelismo apareceu. Existiram “projectos” para fomentar ou ajudar a fomentar estas teorias.

E até surgiram “correntes filosóficas novas” baseadas em misticismo esotérico e irracionalidade mágica, para consubstanciar os novos tempos. Como é óbvio “esta treta” acabou a ser exportada por todo o mundo Ocidental…

E o empenhamento do governo americano com o progresso cientifico foi restringido, até porque uma nova “elite” que começava a sair das Universidades imbuída deste mesmo “estilo” novo de olhar o mundo, apenas o via numa lógica de preocupação apenas com o seu bem estar pessoal, e uma visão cínica do mundo.

Enquanto que, paralelamente, era incentivado o “psicologismo” – o treino da sensibilidade. Onde as pessoas eram treinadas para estarem mais preparadas para se preocuparem e serem mais compreensivas com os defeitos dos outros do que em verem que a nação e a população – olhadas como um todo – que estavam a perder o seu sentido de colectivo e de objectivo.

Ø

Enquanto isto ocorria – paralelamente – a economia americana estava a ser organizada em função dos interesses dos banqueiros e não em função dos interesses industriais. Como tal, indústrias inteiras começavam apenas a preocupar-se com o retorno (o lucro) e não coma evolução tecnológica. E dentro dos EUA, começaram a deslocalizar-se dos centros industriais do Norte, para o Sul mais pobre.

E ao mesmo tempo, começaram a deslocalizar-se para fora dos EUA.

Operários especializados do Norte dos EUA, tinham agora que competir com operários pouco especializados do Sul, quase como se fossem Pitbulls a serem atiçados uns contra os outros, por um número cada vez mais pequeno de empregos.

Isto originou um crescente desemprego, e todos os problemas a ele associados: drogas, má qualidade de vida, Guetos.

Os sindicatos pobres do Norte dos EUA, foram também atacados. Impedidos de se expandirem para Sul e exigirem “direitos”

Lá também se jogou a carta do racismo. Os operários do Sul eram predominantemente negros, os do norte predominantemente brancos. Se um sindicato protestasse era “racista”.

Esta situação tinha sido despoletada pela forma como a economia foi organizada e surgiram os antecedentes: o “modelo” a partir do qual o Presidente Johnson retirou as ideias para a sua Guerra à pobreza (aparte ter ido também buscar algumas ideia a Kennedy…) e que tinha sido desenvolvido por uma Fundação em nome do Presidente Ford.

Foi também criado um “Gabinete da oportunidade económica” que visava enfraquecer as vozes tradicionais da política americana. Os trabalhadores industriais sindicalizados eram assim constituídos em alvo, e e os meios de comunicação “de esquerda” (liberals) apelidavam-nos de “racistas” e “reaccionários” por estes não aceitarem reduções de ordenado nem deslocalizações – sendo que o argumento para tal era dizer-se que estavam a “empobrecer” os pretos do Sul.

E brancos contra pretos, desempregados contra empregados foram assim atiçados uns contra os outros nesta nova “Grande sociedade”.

Quem beneficiou disto foram os banqueiros:

– Beneficiaram dos enormes cortes nos salários.
– Beneficiaram dos cortes no investimento público.
– Canalizaram investimento para o estrangeiro com mais elevadas taxas de retorno .

Ø

Em Portugal as semelhanças são sistemáticas, mas duplas.

No inicio dos anos 90 fez-se exactamente o mesmo em Portugal, que no final dos anos 50, nos EUA.

Massificação do ensino Universitário, com o consequente rebaixamento da qualidade dos cursos e com o aumento explosivo e exponencial dos cursos em papel e caneta.

Para quê produzir licenciados em “ciências duras” se ao mesmo tempo estavam a ser assinados tratados comerciais visando (1) desindustrializar, (2) acabar com a agricultura e com as (3) pescas?

Actualmente estamos numa segunda fase: um Uppgrade reloaded”.

Os PitBulls “atiçados uns contra os outros” são os professores – dentro da classe – com a criação de duas carreiras – a de professor titular e a de professor não titular, e para fora da classe, atiçando os professores contra o resto da população.

Noutras classes profissionais passa-se o mesmo fenómeno. E todos somos “atiçados” contra todos…

E também temos – para contrariar o desemprego galopante – a “formação”.centro_novas_oportunidades

Já agora: faça-se a “comparação” com os nomes “Nova Fronteira” , o programa político de John Kennedy, – a palavra “Nova” e a palavra “Novas” oportunidades”. (E os congressos sócraticos chamados de “Novas Fronteiras”)

E misture-se isso com o programa americano dos anos 60 – “Equal/Economic Oportunities Act”, e veja-se de onde vem os conceitos e de onde vem a “total falta de originalidade” dos nossos políticos que nem sequer se preocuparam em disfarçar de onde vem e o que querem…

A fonte de inspiração é claramente a mesma. Os objectivos são – transpostos para a escala portuguesa – os mesmos dos objectivos do programa original norte americano dos anos 50/60.

Reduzir-nos a nada.

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