DISSIDENTE-X

Archive for Janeiro 2009

FULL SPECTRUM DOMINANCE 3

leave a comment »

serie-24

Começou no dia 29 de Janeiro de 2009, a ser transmitida em Portugal, a nova série de 24 – salvo erro, a sétima temporada sobre as aventuras e desventuras do agente secreto Jack Bauer.

Bauer está na lista negra, foi ostracizado devido ao que tinha feito nas séries anteriores; as suas acções como agente.

E surge uma nova situação – terrorismo electrónico – que motiva a que o FBI chame Bauer. Pelo meio existe uma situação num país africano fictício chamado Kangala ou lá o que é, onde um ditador sanguinário está a realizar massacres com base em valores tribais.

As analogias com o Zimbábue e com os massacres no Ruanda são óbvias, assim como é óbvia a mensagem: os EUA deverão (irão) intervir em África para pararem massacres…

(Nota: não se diz, nunca se dirá, na realidade, ou num argumento de cinema, que o interesse real em intervir em África é o de assegurar o acesso  e o controlo às fontes de petróleo…por exemplo…)

Este é o “pretexto” argumentativo que dá corpo ao inicio da série. Onde isto se observava era numa reunião do Presidente norte americano com os chefes do Estado maior das forças armadas.

O presidente na série, é uma mulher; uma “aposta” sobre a forma de uma metáfora dos argumentistas em como Hillary Clinton seria eleita (aquilo que parecia mais provável quando a série foi feita).

E a dada altura desta situação, na boca da actriz que faz de presidente dos Estado Unidos surge a expressão: Can we achieve Full Spectrum Dominance”?

A pergunta é feita a um militar que está a explicar os pormenores da operação militar de desembarque das forças americanas destinadas a impedirem as acções do ditador sanguinário.

Também é a incorporação de um “vocábulo” e de um “conceito” numa série  popular, vista em todo o mundo, e que está a transmitir “valores americanos” ou a transmitir uma ideia do que serão  os valores americanos (ao resto do mundo).

Como se estivesse de forma publicitária e propagandística a efectuar uma acção de propaganda subliminar sobre o mundo inteiro: Can we achieve Full Spectrum Dominance/ Podemos nós conseguir domínio total e completo?

Tal significa na realidade o acto de se estar a dizer que “nós somos capazes de conseguir Full Spectrum Dominance; não se metam connosco, não tentem impedir-nos…

O acto subliminar está aqui…

Mesmo que colocados no argumento como sendo apenas “cenários”; hipóteses de trabalho teórico destinadas a fortalecer o argumento e a tentar mostrar como seria uma hipotética situação verificada quando o Presidente dos EUA decide algo….

mas existindo uma componente de “propaganda ideológica” e de “persuasão” pelo convencimento de outros , usando “certas lógicas” e certas frases.

Ø

A pergunta era: “Can we achieve Full Spectrum Dominance/podemos atingir controlo completo e total do terreno”?

O militar no filme diz que sim, podemos controlar a situação.

Se especularmos que isto é apenas um jogo metafórico, então esta frase pode ser considerada como sendo, pela boca de uma personagem  de ficção de uma série popular – que faz de presidente dos EUA (daí o simbolismo)  uma forma sofisticada de o dizer, mas dentro de um veículo de cultura popular.

Em “sentido figurado” dizendo ao  resto do mundo ( as pessoas que por todo o lado vêem a série ) que os EUA podem e irão atingir Full Spectrum Dominance…

e dizem-no, directamente… quer através de (1) “documentos “oficiais” , quer através de séries de (2) “cultura popular”.

Ambos os “canais de marketing” são assim ocupados?

Ø

borgNo mundo do Borg já existe “Full Spectrum Dominance” como conceito.

No mundo dos Borg, existe uma frase que eles utilizam quando encontram outras raças: ” a resistência é fútil”. “Preparem-se para ser assimilados”.

Todos em todos os espectros deverão ser assimilados.

Os Borg são uma raça ficcional que existe no mundo da ficção cientifica, descrito na série Star Trek.

O objectivo é o de assimilarem características distintas de uma qualquer outra espécie e juntarem essas características a si próprios – procurando alcançar a “perfeição”.

Os Borg são uma entidade colectiva. Que funcionam apenas alimentados pelo combustível do imperativo. (não o ético, nem o categórico, mas sim o imperativo entendido como uma ordem a obedecer sem discussão.)

A “ordem” é em si mesma “Full Spectrum dominance”. “Preparem-se para ser assimilados, a resistência é fútil”.

Especulativamente e metafóricamente “Can we achieve” Full Spectrum Dominance dita em 2009, poderá corresponder a um qualquer hipotético futuro em que uma qualquer raça (suponhamos que um qualquer híbrido como os Borg se desenvolve na Galáxia) dirá ” a Resistência é fútil, preparem-se para ser assimilados?

O que importa reter é que ambas as frases mas acima de tudo; ambos os conceitos que estão por trás – mesmo que sendo usados em séries de ficção televisivas – emanam dos argumentistas e produtores que nasceram e cresceram numa cultura: a cultura norte americana.

E se existe criatividade, espírito artístico,  etc, nestes conceitos inerentes e próprios das duas séries  e na criação das  duas séries – uma de ficção cientifica e outra de história de agentes secretos, também existe uma lógica cultural de agressividade – de como se vê os outros –  que importa perceber.

O acto de se ver “outros” como sendo passíveis de serem alvo de “Full Spectrum Dominance” ou (invertendo demagogicamente a lógica)  de se dizer que “não permitiremos que os outros nos digam “qualquer resistência é fútil, preparem-se para ser assimilados.

Nota: Existe aqui uma curiosa inversão, no aspecto em que; em Star Trek, existe a “Federação”.

A “Federação” é uma metáfora simbólica para designar o povo da terra e posteriores espécies de planetas que se aliaram numa federação. Presumivelmente liderados pelos antigos países, com os EUA à cabeça, nesse desígnio.

(A inversão está em que, os EUA actuais adoptaram comportamentos idênticos aos dos Borg, mas vêem-se como sendo não os Borg, mas sim a Federação. Que outra coisa não é a doutrina do Full Spectrum dominance, que não possa ser catalogado como “A resistência é inútil , preparem-se para ser assimilados” que é a frase dos Borg? Mas na “cultura popular” (isto é ,televisão e cinema), não se auto retratam assim…)

Os Borg obedeceram a uma necessidade dos argumentistas de Star Trek. Criar um novo e regular inimigo da Federação  para substituir as antigas raças alienígenas que eram as inimigas “oficiais: os Klingon (uma metáfora da URSS) e os Romulans ( uma metáfora simbolizando a China); uma vez que, nas ultimas séries, onde os Borg são mais activos, ambas as espécies eram ausentes (Romulans) e aliados (Klingon).

Logo surge um novo inimigo. O Borg, uma entidade colectiva, semelhante à Internet, sem controlo. (Mais tarde os argumentistas criaram um controlo geral, e uma rainha que controlava os Borg – fazendo com isso uma alusão a planeamento central isto é, ao Estado e ao comunismo, mas sem a URSS, mas sim, já mais recentemente, a alusão é a Rússia actual, com a “Borg Queen” a ser Putin, suponho…)

Seguindo este mesmo tipo de raciocínio, dos argumentistas e que – parece ser – é o mesmo tipo de raciocino dos norte americanos em geral; da cultura norte americana em geral, não espantará que os militares americanos tenham criado o conceito de “Full Spectrum Dominance,” porque também obedece à criação de um novo Borg (inimigo) , que é tudo que esteja dentro do espaço que pretende vir a ser controlado pelos EUA.

É como se, cinematograficamente, o conceito Borg, seja a resposta ou o espelho da estratégia e doutrina militar do conceito Full Spectrum Dominance.

Consideradas só estas duas dimensões, quase que um é o espelho do outro em termos de conceito, só que um é um documento oficial, e o outro é a materialização através de imagens de ficção cientifica do conceito existente no documento oficial.

Só uma cultura, cujos membros estão de algum modo homogeneizados no que pensam acerca de si próprios e do resto do mundo reage em várias dimensões desta forma…

Ø

Nota final: o conceito Full Spectrum Dominance” é amplamente divulgado; até em séries de cultura popular.

Pode ser que ninguém repare e se entranhe nas cabeças das pessoas a aceitação deste tipo de conceitos. É assim que se consegue quebrar a vontade dos (potenciais) inimigos ou potenciais ameaças...através do “convencimento”…

Written by dissidentex

29/01/2009 at 21:13

O GOVERNO DO BRASIL VISITA ESTE BLOG?!?!

leave a comment »

Num assomo de vaidade e incentivo á auto estima mostro uma imagem captada hoje, dia 28 de Janeiro de 2009.
Um site pertencente ao governo do Brasil, andou a analisar durante mais de quatro horas, os dois posts dedicados à crise financeira americana, respectivamente:
Crise financeira americana: as razões
Crise financeira americana: a impressão de moeda.

governo-do-brasil-consulta-dx

Outra explicação alternativa será talvez o facto de a pessoa que entrou nos dois posts ter deixado o computador ligado e ter saído durante várias horas para beber um café e/ou trabalhar e ter voltado depois… para fechar o computador…

Mas, se não for assim, muito mal está o mundo quando o Governo do Brasil visita este blog…

Written by dissidentex

28/01/2009 at 20:33

MORTE

leave a comment »

No dia 15 de Janeiro de 2009, uma senhora de 89  anos, começou a sentir-se mal, por volta das 17.30 horas.

Durante uma hora, sentiu-se mal, com falta de ar, entre outros sintomas.  Passado uma hora, a mãe desta senhora e o neto, e porque os sintomas não desapareciam, decidiram chamar o 112.

Ambos estavam, após uma hora passada, a reconhecer os sintomas de um AVC. A falta de ar tinha-se transformado em paralisia dos membros superiores e incapacidade de falar por parte da senhora de 89 anos.

O neto telefonou para o 112 e esteve sensivelmente 15 minutos ao telefone. Das 18.30 até às 18.45.

Falou com 3 pessoas diferentes; uma do 112, que passou  a chamada para outra pessoa da linha de saúde 24, que, por sua vez, passou de novo para uma terceira pessoa, de novo do 112.

As 3 pessoas pediram, à vez, confirmações e reconfirmações  e triconfirmações da morada, do código postal e de mais uma série de dados burocráticos aparentemente muito necessários.

Tudo isto para solicitar uma ambulância…

Como se perceberá mais adiante, não era o caso, mas se a pessoa necessitasse de rapidez para se salvar  não a teria tido…

Após este debate burocrático, foi enviada uma ambulância, que demorou 15 minutos a chegar.

Às 7 horas da noite do dia 15 de Janeiro de 2009, chegaram os dois paramédicos do INEM. Observaram e medicaram a senhora de 89 anos e decidiram leva-la para o Hospital Amadora Sintra.

E entre as 7.15 – 7.30 da noite a senhora com o AVC deu entrada no serviço de urgências do Hospital Amadora Sintra.

Não conseguia ver, não conseguia mexer-se, não conseguia falar.

Apenas, suponho, conseguia sentir terror de não saber o que estava a acontecer.

Durante 3 horas e meia esteve em triagem – em espera.

Um dia normal, sem surtos de gripe, e com pouca gente na urgência.

Eram 11 horas da noite do dia 15 de Janeiro de 2009, quando finalmente foi observada no Hospital Amadora Sintra.

Da observação conclui-se que teria que ficar internada, e teriam que ser feitos testes e exames. Especificamente um TAC.

Eram 4.00 da manhã do dia 16 de Janeiro de 2009, quando o neto da senhora levou a mãe da senhora para casa. O TAC tinha sido feito mas não existia técnico para fazer o relatório. Teria que ficar para o dia a seguir. Que os familiares voltassem no dia a seguir ás 12.00 horas para verificarem se a senhora estava bem ou não e para a levarem para casa.

No dia a seguir, 16 de Janeiro de 2009, por volta das 11.30 da manhã chegaram os familiares da senhora de 89 anos ao hospital. Esperaram uma hora e souberam que a senhora de 89 anos tinha finalmente falecido. Foi pronunciado o óbito às 12.30. Era um AVC isquémico.

Uma veia tinha rebentado dentro do cérebro, derivado de um coagulo lá alojado e a senhora de 89 anos tinha morrido.

Tendo em conta a idade, era natural acontecer.

Φ

A minha adorada avó morreu no dia 16 de Janeiro de 2009, ao meio dia e meia.

Sinto-me completamente separado da humanidade, como nunca me senti antes.

Este é o texto mais duro e difícil que alguma vez tive que escrever ou virei a escrever.

Adeus avó. Gosto muito de ti.

Written by dissidentex

26/01/2009 at 22:15

Publicado em HOSPITAL AMADORA SINTRA

Tagged with ,

EM PORTUGAL UMA PORTA CUSTA 142 MIL EUROS A REPARAR

leave a comment »

A Câmara Municipal de Matosinhos decidiu atribuir, por ajuste directo, a reparação de uma porta à empresa que dá pelo nome de “A construtora de Pedroso Lda”.

Ø

Fez isso, através da empresa Municipal que dá pelo nome de “Matosinhos Habit”, uma empresa Municipal que ” tem por objecto a promoção de habitação social, tem a sua sede na Rua Alfredo Cunha 99-1º 4450-023 Matosinhos, n.º de identificação de pessoa colectiva 504597221, com o capital social de cinquenta e três milhões de escudos e matriculada na Conservatória do Registo Comercial do Porto, sob o n.º 21/200005529.

Ø

Esta empresa que dá pelo nome de “A Construtura  de Pedroso” é uma empresa com sede em Vila Nova de Gaia. A fonte da imagem abaixo pode ser encontrada AQUI

Ø

porta-custa-142-mil-euros-a-reparar

Ø

José Sócrates, primeiro ministro português,  em 21 de Outubro de 2008, declarava que (Fonte: Jornal Público”:

“Neste momento todas as famílias precisam da ajuda do Estado”, admite Sócrates”.

As famílias dos donos da “A construtora de Pedroso” – sociedade de construção já receberam em Abril de 2008, a ajuda do Estado, durante um dia.

O RATING NEGATIVO DE PORTUGAL EM 2009

leave a comment »

Notícia Jornal de negócios, dia 13 de Janeiro de 2008, (mas outros também noticiaram) sobre a classificação de crédito internacional atribuída ao Estado Português. Ou uma maneira descarada de intervir na situação económica e política de um país supostamente soberano em ano de 3 eleições.

standard-and-poor-coloca-divida-negativa-a-portugal

Isto significa várias coisas.

Que o preço do dinheiro que o Estado português pede emprestado lá fora aumenta; os custos de financiamento do Estado português aumentam, porque o rating (classificação) da credibilidade do Estado português é  visto como sendo mais negativo para o Estado Português.

O que também demonstra a péssima gestão das contas públicas feita pelo actual governo, contrariamente à propaganda em contrário que é despejada sistematicamente sobre os portugueses.

Ø

Contudo, as agências de rating estão pelas ruas da amargura, sem qualquer tipo de credibilidade e a Standard and poor´s é precisamente uma das principais agências que classificou como sendo “excelentes”  e fantásticos e “AAA´S” a Lehman brothers e o Bear Sterns, a AIG e a Freddie Mac e a Fannie Mae, empresas que chegaram ao triste destino que se sabe.

Mas aí era uma questão de “inflacionar expectativas” para depois melhor vender o produto “securitização” de bens no mercado imobiliário.

Aqui, trata-se de desvalorizar – o processo inverso.

Normalmente mente-se, para criar expectativas positivas e diz-se a verdade, para mostrar a realidade.

Ø

Outra forma de ver isto tem a ver com as agências de Rating a servirem (ocultos) objectivos políticos em ano de eleições, procurando condicionar o calendário eleitoral de um pequeno país que se deixa condicionar. O que implica perguntar o seguinte:

Porque é que o rating foi desvalorizado em 2009, e não em anos anteriores?

Os problemas são os mesmos de anos anteriores.

A desvalorização do Rating acontece em 2009.

É claro que é tudo inteiramente por acaso e apenas uma coincidência…

Written by dissidentex

14/01/2009 at 21:19

Publicado em RATING

FULL SPECTRUM DOMINANCE – DOIS

leave a comment »

No post “Full Spectrum Dominance” falava-se a dada altura do senhor George Friedman, director (CEO) da agência privada americana de produção de conteúdos na área da inteligência económica e da análise geoestratégica chamada “Stratfor”( desde 1996).

Fredman, um bom patriota americano, através da fascinante exploração da história e dos padrões geoestratégicos, afirmava, quer no livro, citado no post, quer no vídeo lá colocado várias coisas, e transcreve-se uma parte:

1. Que a guerra EUA – Jihadismo muçulmano terminará. Sendo substituída por uma segunda guerra fria com a Rússia.

Comentário:

É uma necessidade para a América (e para certas partes do mundo ocidental) que a guerra Jihadista termine. Nada melhor do que tentar ajudar a fazê-lo, moldando os que praticam a guerra jihadista; afirmando que num futuro próximo, a guerra jihadista terminará. Dessa forma “corta-se” e anula-se o ímpeto para a guerra.

Pergunta do advogado do diabo: mas e se os Jihadistas não lerem o livro de George Friedman?

Então também o livro e as ideias nele veiculadas tem a sua utilidade. (Um novo argumento de marketing irrompe…) Desde logo para Friedman, e para a Stratfor, quer através dos honorários recebidos, quer através do prestigio e polémica derivadas que acarreta um livro desta natureza com teses tão controversas.

E também, para aqueles que, dentro do campo de Friedman, ou seja, habitantes do mundo Ocidental, estejam “hesitantes” em reconhecer méritos à guerra ao terrorismo actualmente empreendida pelos EUA, (devido ao facto de a “Guerra contra o terrorismo” estar a servir para limitar liberdades civis por exemplo…) por não verem qualquer “lógica concreta” e racionalidade nessa guerra.

Antes, verifica-se que é apenas, parcialmente, a defesa estrita dos interesses dos EUA, nomeadamente no controlo de fontes de produção de energia.

A nova Guerra fria com a Rússia é apenas uma necessidade desesperada dos EUA. É necessário encontrar um novo inimigo “visível” que replique as condições existentes pré 1989, e dessa forma, a existência desse novo inimigo – real ou imaginário – possa fazer os EUA voltarem a  ser ( de um ponto de vista simbólico e legitimador) necessários ao resto do mundo.

2. Que a China irá ter uma importante crise interna, e que o México irá emergir como um importante Poder Mundial.

Comentário:

É absolutamente desejável que a China (do ponto de vista dos EUA) tenha uma crise interna (ou 2 ou 3 crises…). Se a China tiver uma crise interna, o desenvolvimento galopante da China, não acontecerá, e como tal, deixará de poder colocar-se numa posição geoestratégica de contestação ao poder dos EUA.

Não interessa pois, definir qual será o tipo de convulsão interna que a China tenha; apenas interessa que o tenha para que o desenvolvimento chinês seja atrasado. (Seja qual for a definição de desenvolvimento que se queira ter…)

Não existe aqui qualquer altruísmo, mas sim e apenas o desejo de que o “potencial adversário rebente”, mesmo que por exemplo, tal aconteça sendo uma democracia consolidada e estável.

Pergunta do advogado do diabo: Se a China for ou tornar-se uma democracia pacifica, e suplante os EUA, isso também não interessa, mas os desejos de que a china tenha uma grave crise interna serão mantidos à mesma ou não? (Suspeito que sim…)

Quanto ao México, tornar-se uma grande potência, é apenas uma lógica argumentativa baseada na persuasão, pretendendo convencer, antes de mais, os mexicanos que será melhor para eles “juntarem-se” aos EUA, para ambos, se tornarem “uma grande potência” – amiga e unida na fraternidade.

Chama-se” amaciar o ego”. Chama-se “tentar passar o México ” para o nosso lado, continuando a pagar-nos a absurda divida financeira que o México tem para com o sistema financeiro dos EUA.

Se isto for assim, porque é que já antes ao se proporcionou ao México que pudesse tornar-se uma grande potência? (Ver Dissidente -x : como se fabricou a crise financeira mexicana de 1982)

E os mexicanos – após terem já sido várias vezes ao longo da sua história prejudicados pelos EUA, irão agora “acreditar” nesta declaração de fé dos analistas norte americanos, ou irão desconfiar?

3. Que em meados do século, uma nova guerra se desenhará entre os EUA, e uma inesperada coligação de forças, da Europa de leste , da Eurásia, e do Extremo oriente, mas os exércitos serão mais pequenos e a guerra “limitada”.

Toda a geo estratégia anglo-saxónica se baseia na origem e a origem chama-se Halford Mackinder.

mackinder-1904

No século 18, a política britânica preocupava-se com a expansão da Rússia pela Ásia Central e de como isso afectava o Império britânico (a Índia).

E depois, após gerações de preocupados políticos, surgiu o Messias  do império, Mackinder.

Este definiu que:

A) Existia um “mundo – ilha” – Ásia, África, Europa, o mais rico e vasto de  todos os territórios.

B) Existiam as “ilhas ao largo do mundo ilha” – ilhas britânicas e as ilhas que compõem o Japão.

C)  E existiam as  “ilhas ainda mais distantes ao largo do mundo ilha” – América do Norte, América do Sul e Austrália.

O “mundo-ilha” chama-se “heartland “/ coração da Terra, na figura  – que Mackinder (ou o Império britânico a falar pela voz de Mackinder)  considerava como sendo o centro do mundo.

E a partir daí definiu que:

A) quem comanda a Europa de Leste (isto é, a Rússia, principal preocupação dos geoestrategas britânicos no séculos18/19)  comanda a “Heartland”;

B) Quem comanda a “Heartland” comanda a Ilha -Mundo”;

C) Quem comanda a “Ilha Mundo”, controla o mundo.

Por causa dos temores infantis de uma teoria que está “algo ultrapassada” mas que é seguida pela geopolítica norte americana (e inglesa) até por necessidade psicológica de o fazer (senão, como iriam arranjar empregos e proveitos todos estes “analistas” pertencentes ao complexo militar industrial americano?), tal explica as afirmações de que uma “coligação” de forças “eurasiáticas” que irá romper a situação actual. (Tradução a um outro nível económico: a Rússia entrar para a União europeia…)

É uma “cópia” do “Mackendirismo” original, e é um “convite” quase provocatório no nariz dos europeus, dos asiáticos e dos que estiverem à mão de semear para que se sintam provocados e “criem de facto” esta “coligação”.

Será também só assim que a “profecia” poderá ser cumprida e o profeta ser canonizado.

Também é uma tentativa de criar “Full Spectrum Dominance” provocando uma guerra (mas uma guerra “prévia” quando quem a instiga está pronto para ela, enquanto que os adversários não o estão) . Existe uma dimensão – a dimensão do armamento nuclear dominada pela Rússia – que escapa aos conceitos de controlo total presentes na doutrina americana de “Full Spectrum Dominance””.

Penso que será por isso que se argumenta que “os exércitos serão mais pequenos e a guerra limitada”. (tradução: pequenos conflitos regionais ou semi regionais…)

Pois… não se pode brincar aos conceitos de “Full Spectrum Dominance” com armas nucleares.

Arriscamo-nos a que o terreno de jogo desapareça.

E também não se pode argumentar, num livro de prognósticos futuristas, outra coisa que não isto, criando uma solução argumentativa: que os exércitos (necessários para que esta aparentemente necessária confrontação exista) terão que ser mais pequenos… (Tradução:  conflitos localizados e regionais não precisam de exércitos grandes…mas sim de atrito constante…)

4. Que a tecnologia irá concentrar-se no espaço, quer para uso militar, quer para procura de fontes de energia.

Comentário:

Esta teoria “espacial” é bastante original uma vez que apenas foi declaradamente formulada no ano 2000, quando PNAC – o projecto americano para o novo século foi lançado ao vivo e em directo.

Na página 66 e 67 do respectivo diz-se que:

“Unrestricted use of space has become a major strategic interest of the United States.” (p. 66) …”space is likely to become the new ‘international commons’, where commercial and security interests are intertwined and related.” (p. 67)

Tradução a martelo: O uso irrestrito do espaço tornou-se um interesse estratégico da maior importância ( página 66) …o espaço irá provavelmente tornar-se o novo standard comum” onde os interesses comerciais e de segurança estarão interligados e relacionados”…( página 67)

Em 2008, somos informados pelo senhor Friedman, de algo que já tinha sido definido em 2000, mas desta vez somos informados disso, como sendo uma novidade… absolutamente nova.

5. Que os EUA irão experimentar uma nova “Idade de Ouro” a partir de meados deste século.

Comentário:

A ideia da nova “Idade de Ouro” deriva de uma ideia original da Grécia antiga. Onde as pessoas viviam em prosperidade e harmonia,. Esta mitologia  carrega dentro de si a ideia de que, para a Humanidade, tudo se tornou pior e pior desde a “ideia original grega”.  E atrás da ideia de “Idade de ouro” vem as ideias de “Idade de prata” onde as coisas já não eram tão boas, da “Idade de bronze” – ainda pior, e a “Idade do Ferro” – a nossa idade actual, onde  a guerra e a violência existem.

Ao lançar a ideia de idade de Ouro, Friedman está a jogar com o imaginário e com  a mitologia.

No post Dissidente-x chamado o “Planeta americano”, a dada altura diz-se que:

” … No segundo capitulo – O amor a Deus – Verdu explica como em nenhum outro país a vida pública é tão imbuída de religiosidade como nos Estados Unidos. A bíblia é citada por tudo e por nada. Verdu explica que os “Pais Fundadores” criaram uma Nação em que, na ideia original, não concebiam a separação entre Estado e Igreja. Cita ( dentro do contexto temporal em que o livro foi escrito) Newt Gingrich, o ex chefe do senado e um trapaceiro da pior espécie que afirmou que a América é um “Estado Mental”. Este peculiar “Estado Mental” inclui:

  1. A fé em Deus;
  2. A predisposição para o sacrifício;
  3. A ânsia de sucesso;
  4. O respeito pelos outros;
  5. E a esperança na missão redentora da América. (Em relação ao resto do mundo)

Afirmar que daqui a 50 anos a América terá uma nova “Idade do Ouro” corresponde a três das cinco coisas que estão ali em cima:

1 – A fé em Deus;

2 – A predisposição para o sacrifício

5 – E a esperança na missão redentora da América. (Em relação ao resto do mundo).

Tradução da profecia de Friedman: Tenham fé em Deus, e predisponham-se ao sacrifício, porque a nossa missão redentora de salvar o mundo conduzir-nos-á a uma nova Idade de Ouro – onde tudo será puro, como a América original assim pensada pelos peregrinos, do Mayflower, livre da corrupção do Velho Mundo…( isto é, a Eurásia…)

Vamos mostrar agora a actual “Idade de Latão” em termos de produto interno bruto mundial,  dados de 2006.

produto-mundial-bruto-dados-2006

De notar também que a China, a nação que se espera e se deseja que venha a ter uma convulsão interna está a aproximar-se rapidamente do segundo lugar desta tabela, e que se espera que lá pelos idos de 2020 ultrapasse em produto interno bruto os EUA. Excepto se tiver uma convulsão interna…

Para deprimir mais as hostes, mostra-se a zona onde se situa esta magnífico país de sucesso que se chama Portugal:

produto-interno-bruto-portugal-2006

Repare-se na Grécia, na Bélgica, na Suécia e na Finlândia… e compare-se com o magnifico êxito que Portugal é.

De caminho compare-se também com o México, o tal país que vai rivalizar dentro de 50 anos com os EUA.

A China irá ter uma convulsão interna que a paralisará, mas o México não, só para  darmos um exemplo comparativo… uma vez que “isto” não paralisa o México…

Written by dissidentex

14/01/2009 at 16:25

FULL SPECTRUM DOMINANCE

leave a comment »

No dia 30 de Maio de 2000 foi publicado pelo departamento de defesa norte americano, um documento chamado “Joint Vision 2000”.

Este documento define um conceito chamado “Full Spectrum Dominance” – um novo conceito de poder e aplicação de poder militar.

O documento proclama a necessidade de se alcançar o domínio pleno, completo e total do campo de batalha, mas em que, o campo de batalha é visto em todas as suas vertentes – ar, terra, mar, espaço e os “bens físicos” ou de outro tipo, contidos dentro das vertentes.

O objectivo é alcançar “domínio completo do espectro”.

A forma de o fazer é investindo em “novas capacidades militares”.

Isso significa que os EUA terão que ter a habilidade de – operando sozinhos – ou em conjunto com aliados, de derrotar qualquer adversário e controlar qualquer situação de “forma total”.

Ø

O conceito de “Full Spectrum Dominance/ domínio completo do espectro” está ligado ao conceito de Network-Centric Warfare“.

A ideia é que seja possível traduzir em novas e melhoradas capacidades de combate as vantagens em termos de informação que uma estrutura de informações moderna (e quem a detém) possui, de forma a que isso possibilite ser transformado e traduzido numa capacidade mais competitiva de fazer a guerra.

1. Que as as forças militares melhorem a troca de informação;

2. Que a troca de informação melhore a qualidade da informação e a consciência da situação em que se está;

3. Que a consciência da  situação em que se está permita mais colaboração e sincronia entre as forças e permita o aumento da velocidade de reacção de quem comanda.

4. Que tudo isto aumente a eficácia das missões.

Ø

Para se chegar a uma situação em que seja possível conseguir fazer aplicar o conceito de “Full Spectrum Dominance”, será necessário, por exemplo, a aplicação da doutrina pressuposta na Network-Centric Warfare”.

Ø

Mas, observemos uma hipótese sinistra.

Se o conceito de “Full Spectrum Dominance” pressupõe o domínio completo de tudo o que há para dominar, então…… será lógico assumir que o conceito também deverá ser aplicado a outras coisas, que não apenas o aspecto militar ou a integração “melhorada” de forças militares diferentes e que se quer que – através da melhoria da informação entre si – que melhorem a sua operacionalidade e vençam o inimigo.

Se será lógico assumir que o conceito também deverá ser aplicado a outras coisas, então será necessário definir quais são as outras coisas.

Então as outras coisas, serão, por exclusão de partes, o resto da vida que não tem directamente a ver com aplicações militares.

O que equivale a dizer que será a vida em sociedade “civil”, a economia e a forma como esta está organizada, a maneira como vivemos, etc.

Se o conceito de “Full Spectrum Dominance é “pleno, e completo, e “totalizante (no sentido de Total) então todas as sociedades deverão “obedecer” aos critérios definidos por quem criou o conceito.

Ø

Quer essas sociedades gostem, quer não gostem, quer sejam democráticas, quer não sejam, quer sejam autocráticas, quer não sejam, quer sejam pobres, quer não sejam…

Ø

Se chamarmos ao conceito Full Spectrum Dominance a palavra “liberdade” , então, como o conceito é “total”, isso significa que apenas uma única liberdade existe; aquela que é definida pelos criadores do conceito.

Ø

Mas… existir uma única forma de liberdade, não é contra a própria essência da palavra liberdade que pressupõe a existência de mais do que uma liberdade, ou de uma visão de liberdade tida ou pensada  por outros que seja diferente da nossa?

Não está esta lógica completamente em contradição?

Ø

O conceito de “Full Spectrum Dominance” significa controlar o mar, a terra, o ar , o espaço e todos os recursos existentes “nesses locais”.

Ø

Um dos recursos existentes “nesses locais” são as ideias.

Não só (1) as ideias por si mesmas, pelo seu valor facial, mas também a forma como as (2) ideias se transmitem e como, (3) através da transmissão de ideias se poderá (4) influenciar quem está “dentro” da área que se pretende cobrir com ” Full Spectrum Dominance” em favor do EUA, o país que “definiu” o conceito.

Ø

george-friedman-forecastUm bom patriota americano chamado George Friedman está a cumprir o seu dever, ajudando a implantar ideias e os conceitos baseados no “Full Spectrum Dominance”, através da magia oracular da previsão especulativa, sob a forma de livro.

Nota: ressalvo que não li o livro, uma vez que este – hoje, dia 12 de Janeiro de 2008, ainda não está sequer à venda ao público.

Contudo, parece que o livro é uma fascinante exploração da história e dos padrões geoestratégicos, e mostra-nos que estamos, no inicio de um novo milénio, no dealbar de uma nova era.

E afirma várias coisas.

1. Que a guerra EUA – Jihadismo muçulmano terminará. Sendo substituída por uma segunda guerra fria com a Rússia.

2. Que a China irá ter uma importante crise interna, e que o México irá emergir como um importante Poder Mundial.

3. Que em meados do século, uma nova guerra se desenhará entre os EUA, e uma inesperada coligação de forças, da Europa de leste , da Eurásia, e do Extremo oriente, mas os exércitos serão mais pequenos e a guerra “limitada”.

4. Que a tecnologia irá concentrar-se no espaço, quer para uso militar, quer para procura de fontes de energia.

5. Que os EUA irão experimentar uma nova “Idade de Ouro” a partir de meados deste século.

Um vídeo de 4.29 minutos, pode ser visto:

E onde a Turquia também aparece, bem como a definição de mais uma série de coisas (curiosamente todas elas extremamente favoráveis aos interesses dos EUA), são também mencionados com um tom de “gravitas” na voz e uma certeza e uma assertividade que, por instantes, convencem.

Written by dissidentex

12/01/2009 at 23:32

IMIGRAÇÃO PORTUGUESA 2005-2006

leave a comment »

Este post é dedicado ao  leitor deste blog chamado “Nuno Correia” à propósito da conversa mantida na caixa de comentários do post chamado “República democrática Liberal Nepotista do Carneiriquistão”, conversa mantida  à propósito da emigração e de o Leitor “Nuno Correia” ter afirmado que estava a começar a ter consciência da dimensão da emigração (do elevado número) de portugueses para fora do país.

Neste post republicado em baixo vamos a uma outra dimensão; que não só o número de imigrantes.

Este post é uma republicação de um outro que eu publiquei em 10 de Agosto de 2006, num outro blog que eu fazia conjuntamente com outra pessoa e que já foi fechado.

É a descrição de um programa de televisão (e do que eu “vi” nele) que a RTP transmitiu a altas horas da noite em 2006 (o programa salvo erro, era uma produção RTP de 2005) sobre a emigração portuguesa no Luxemburgo.

O post foi quase totalmente replicado. (imagens e tudo)

Republiquei também os comentários que o post original tinha – TODOS OS 14 comentários do post original de 2006.

Valem mais a pena ler do que o post.

Publiquei-os TODOS!

Quer os favoráveis, quer os desfavoráveis – sobretudo os desfavoráveis.

Apesar disso tornar este texto longo e o post algo “pesado” penso que vale a pena ler – especialmente pelos comentários…

Desde insultos, explicações moralistas, acusações de eu não ser português, elogios, pedidos de emprego, de ser rico e ter uma grande casa e um grande carro mais um ordenado gordo, sogras desnaturadas… há de tudo…

Para o leitor “Nuno Correia” ( e os outros que lerem) espero que seja ainda mais esclarecedor…

Ø

avestruzSábado, 4 de Agosto. O Pedro Silva está com insónias.
Os seus demónios interiores tentam sair das caixinhas onde vivem.
Tal não pode ser autorizado porque demónios a andar pela casa sujam o chão, logo, liga-se a televisão para compensar.
Uma da manhã, Canal 2.
Apanho 2/3, a contar do fim, de um documentário sobre imigração portuguesa no Luxemburgo.
Observo a imagem da derrota completa deste pseudo país chamado Portugal. O documentário era de 2005. Recente, portanto.


No documentário, entre muitas “informações”, surgem estes dados:
desde 1965 até hoje (2005) saíram de Portugal, esse paraíso incompreendido à face da terra, 2 milhões de portugueses.

  • Desde 25 de Abril de 1974 saíram 1 milhão.
  • Dados oficiais.
  • Em estado de ditadura estúpida e retrógrada, em 10 anos um milhão saiu;
  • em democracia saiu em 30 anos, um milhão.

Fraca democracia que apresenta resultados destes.

A democracia conseguiu expulsar cá da paróquia, 1 milhão de pessoas em dados estatísticos oficiais.

O documentário é bem feito e … simpático, mas desastroso para Portugal.

Eu, que até tinha boa opinião dos imigrantes portugueses no Luxemburgo vá-se lá saber porquê…

Observa-se as imagens da vida dos portugueses lá.
Engomadinhos e a cheirarem a Luxemburgo.

  • Por detrás do verniz polido, estúpidos que nem uma maçaneta.
  • Rudes e com arestas rombas, mas, na sua grande maioria;
  • bem vestidos e
  • com 30 anos em cima de Luxemburgo parecem ser, ao primeiro contacto, mais sofisticados.

A reportagem era variada.

Parece que já não é “fácil” encontrar empregos no Luxemburgo. Parece que existem famílias inteiras de portugueses que vão para o Luxemburgo – esse El dorado. Chegados lá, nada encontram e ou começam a meter-se na droga, ou no comércio da mesma.

No Luxemburgo existem “casas de chuto”.

Diz na reportagem que, geralmente, acontece em determinados dias que a totalidade dos utentes das casas de chuto é portuguesa.
Fazer 5000 km para ir injectar uma agulha, usar um limão e apertar uma borracha é visionário. Em Portugal tal não seria possível…

Também mostra a reportagem que começam a existir outro tipo de problemas de integração, porque, começam a não existir empregos – famílias em que um ou mais membros da mesma não tem emprego.

Percebo pela reportagem, que só agora é que alguns destes idiotas começaram a compreender que … se calhar … talvez … provavelmente … fosse boa ideia mandar os filhos aprender várias línguas.

Para lá do francês e do português. Talvez aprender luxemburguês e alemão.

Parece que aprender essas duas línguas possibilita adquirir qualificações que garantem um emprego que não se baseia só em trabalho manual, mas que dá hipótese de trabalho intelectual. Mas … cretinos que estão no Luxemburgo há 20, 30, 40 ou 50 anos só agora estão a perceber isso…

Um presidente de uma associação de portugueses residente há 25 anos no Luxemburgo percebeu qualquer coisa.

Diz que acha os portugueses – por culpa própria – deveriam ter-se integrado bastante mais na sociedade luxemburguesa, em vez de viverem virados para si mesmos. (Qualquer diferença entre as comunidades muçulmanas na Europa, são só os atentados, mas de resto…)

  • Pelo meio e pelo que eu me lembro, tivemos o surreal costumeiro com os portugueses.

Associações com ranchos folclóricos e pessoas de 50 a 60 anos de idade a dizerem que aquilo é “cultura portuguesa” e “são as nossas tradições”.

  • Uma cultura desenvolvida e formatada pelo Salazarismo sobrevive e, é acarinhada ali.
  • (E pelo próprio Estado actual…) Cultura padronizada pelo formato provinciano de há 30, 40, 50 anos atrás é o que conhecem.
  • Estática e monolítica, nada criativa e desconhecedora da cultura actual e mais;
  • adversa e hostil à cultura actual que se faz no país.
  • O país actual cultural (ou outro) é absolutamente desconhecido para aquela gente, embora julguem que não.

Muda o âmbito da reportagem, fala outro português – o único que é deputado no Parlamento do Luxemburgo.

Diz que existem pessoas que não perceberam que ser português no Luxemburgo em 2005 não é o mesmo que ser português no Luxemburgo em 1980. Foi simpático e caridoso em só ter ido até 1980, para qualificar aquele bando de idiotas.

  • Está a “ lutar” para que o Luxemburgo aceite fazer uma lei da dupla nacionalidade.

Curiosamente, pensar-se-ia que seriam só luxemburgueses a oporem-se.
Não, existem portugueses que se opõem.
Enfim, os portugueses até fora de casa, num país que os acolheu, são estúpidos que nem uma porta.

O surreal continua.
Portugueses de lá mandam para cá mobílias.

Mas em quantidades gigantescas.
Porquê?

Desconheço.

(Em baixo: português disfarçado de esquilo em pleno acto de acumulação primitiva marxista de bens materiais, neste caso específico, uma “avelã capitalista -materialista…”)
esquilo-marxista-materialista
Deve ser uma qualquer “acumulação primitiva marxista de bens materiais” que escapa ao meu vulgar e “elitista” raciocínio.

O mais “giro” é que mandam, mas, muitos, não tencionam voltar.
Enfim … palavras para quê…
Conclusão: não tenho.

Antigamente ou desde sempre, os portugueses eram rudes e broncos.

  • Mas compensavam isso com humildade, trabalho e subserviência.

Agora, ali (e cá também…) nem isso.

Apenas existe uma arrogância estúpida e sem objectivos. Exceptuando a compra de mobílias e envio para Portugal, o vestir roupas caras e posar com elas apresentando-se a terceiros como um “imenso vencedor”.

  • Pelo meio da reportagem, lá aparecia a inefável estátua de gesso da senhora de Fátima e o seu culto,
  • os clubes e associações de futebol cheios de portugueses a beber cerveja Sagres,
  • as idas à igreja com padres portugueses e italianos de propósito destacados no Grã – ducado.
  • A indústria do conforto espiritual de carneiros está sempre activa.

A formatação Salazarista das mentes em todo o seu esplendor, vinda dos anos 40 e 50, até 2005 perdura.
Aquela gente saiu de Portugal porque isto era uma grandessíssima merda.
Agora estão ali, e replicam as mesmas coisas – mas desta vez “em rico” – no Luxemburgo.

  • Mas não perceberam nada.

Continuam a não demonstrar ter interesse quer para si próprios, quer para os filhos em evoluírem.

Socialmente em Portugal (e nos portugueses) não existe o menor incentivo para se evoluir. Estes portugueses do Luxemburgo estão ao mesmo nível, mas, paradoxalmente, por escolha própria escolheram não evoluir.

A pouca aprendizagem é encarada apenas como uma maneira de ganhar dinheiro para comprar mobílias e mandar para a terra ou vir cá de férias para ter – adquirir – mais bens materiais e deslumbrar os conterrâneos com a prosperidade.

  • Conceitos como cidadania,
  • felicidade;
  • satisfação pessoal;
  • orgulho de si;
  • evolução para um patamar superior estão totalmente ausentes.

Pelo contrário, o conceito de êxito é adquirir bens materiais, viver a mesma vida “mentalmente reduzida “ que, no fim de contas, também poderiam viver cá.

Por falar em reduzido:

jorge-sampaio

quase no fim do programa, Jorge Sampaio também apareceu na reportagem aquando da sua visita ao Luxemburgo.

A derrota da esquerda politica portuguesa pós 25 de Abril estava ali exemplificada como um mural vivo.

  • Os apertos de mão.
  • As bandeirinhas.
  • Os filhos de portugueses que dizem na escola, que, apesar de falarem português, não pensam voltar.
  • Mas ali porque os carneiros pais os mandam, estavam de bandeirinhas na mão a gritar Portugal.

Estava a ver aquilo tudo e estava na quinta dimensão.

  • Mas que povo é este em que eu nasci?

No fundo, no fundo aquela gente decidiu ser um zero absoluto. Fugiram para um casulo que lhes ofereceu a hipótese de evoluírem materialmente e intelectualmente mas decidiram antes ter algum dinheiro e continuar a ser boçais.

(Imagem em cima: Jorge Sampaio com um ar dinâmico e determinado…)

Perante a boçalidade, o casulo de nome Luxemburgo diz: “ok, sejam lá labregos”.
Em troca, os naturais do casulo ( o Luxemburgo ) que permite aos portugueses serem boçais, guardam para si as tarefas técnicas e intelectuais de alto calibre e empurram, dessa forma, os filhos dos esclarecidos portugueses (ironia) para tarefas manuais, para trabalhos manuais.

  • Mas Sampaio o representante da república que lá foi e ex – combatente anti regime totalitário fascista foi ali “legitimar” a derrota.
  • Legitimar a rudeza disfarçada de êxito material e potlach.
  • Disfarçar e mistificar quem vê, o triste estado em que estamos como povo.

Uma nação, sem projecto colectivo de espécie alguma.

Que apenas neste momento é um conjunto de pessoas arrogantes, um país arrogante sem que, verdadeiramente, tenhamos qualquer razão lógica para sermos arrogantes.

Ø

14 Comments:

sabine said…
Bom texto. Agora já entendo as reações portuguesas e luxemburgesas. Lembra-se de uma polemica por causa das bandeiras portuguesas no Luxemburgo durante o mundial?

Quinta-feira, Agosto 10, 2006

pedro silva said…
Isso deve-se ao facto de os portugueses no luxemburgo só terem caca na cabeça…

Quinta-feira, Agosto 10, 2006

Pedro Fontela said…
O esquilo está de morte. A imigraçao pouco (ou nada) qualificada sempre teve tendencia para ficar isolada e presa ao gueto. É até uma questao de ter contacto social com os nativos (embora admita que em certos países a coisa é mais complicada).

Sexta-feira, Agosto 11, 2006

Max Spencer-Dohner said…
“Isso deve-se ao facto de os portugueses no luxemburgo só terem caca na cabeça…”

Além de concordar, gostei do emprego do “caca”, pedro :))) Foi pueril :))))

Sexta-feira, Agosto 11, 2006

pedro silva said…
Pedro fontela:
Começa ser, pelo menos no que eu vi, não só a de “low quality” mas também a outra.
Aquilo foi incrivel de ver de tão mau que foi…

Também gostei do esquilo com a sua lógica de apropriação marxista primitiva de uma avelã capitalista…os olhos esbugalhados como um corrector de bolsa que acabou de ganhar uma comissão choruda no mercado de futuros…

Sexta-feira, Agosto 11, 2006

Hopes&Dreams said…
É de facto um bom texto. Eu estava a fazer zapping e vi um bocadinho do documentário, disse para mim «ça vas… bah!» e mudei de canal. Lá se foi uma boa oportunidade para escrever um belo post sobre a emigração postuguesa. Ainda bem que tu o escreveste. (Um aparte: É o que distingue um bom blogger de uma imberbe da blogosfera… lol). Espero que a ideia de “fechar” o armadilha tenha sido posta de lado…

Domingo, Agosto 13, 2006

tosilva said…
Claro que o Pedro Silva nunca esteve no Luxemburgo.
Consegue ser mais idiota do que os tais imbecis do Luxemburgo.
Há, no Luxemburgo, portugueses de várias matizes (imbecis e inteligentes, drogados e pessoas de bem). Claro que a visão do Pedro Silva só lhe permite olhar para um lado. Do cérebro do Pedro Silva, só metade funciona.
Claro que os emigrantes dos anos 60/70/80, que agora têm filhos lá, levaram, a maior parte deles, uma bagagem cultural muito pobre (era a que havia em Portugal). Nestas condições era muito difícil evoluir. Tratava-se de trabalhar em empregos pouco qualificados (a nada mais poderiam aspirar), ganhar e poupar o mais possível (o dinheiro é uma coisa muito importante para quem nunca o teve).Os portugueses começam por se juntar aos italianos (já lá estabelecidos há muito) com quem temos inúmeras afinidades. E criam-se, sob os auspícios da igreja católica, organizações “populares” festinhas e festarolas, com santos e padres à mistura; eles até gostavam, já que a isso estavam habituados. Depois os cantores, mais ou menos “pimba” para matar saudades da terra. Apesar da cultura elevada do país de acolhimento e dos esforços do Governo Luxemburguês (o Governo Português abandonou-os, o Consulado, mais tarde Embaixada, só serviam para recepções do jet-set local)o facto é que a maioria dos n/ emigrantes, devido ao trabalho duro e à pressão económica, não se integraram. “Preferiram” manter-se portugueses, mesmo aqueles que, em Portugal, detestavam o regime e a saua triste condição. Os filhos desses emigrantes, que hoje terão 20, 30 anos, já são outra coisa: Qualquer criança portuguesa de 12 anos fala fluentemente 5 idiomas (o Luxemburguês,o alemão, o italiano, o francês e o inglês. As escolas, lá, servem para ensinar. As pessoas de segunda geração têm uma qualificação muito superior à média portuguesa. Regra geral estão integrados. A segurança social funciona (o desemprego é reduzido, mas existe). Claro que os velhotes pensam regressar a portugal (imaginam que isto está exactamente como o deixaram, há muitos anos atrás). Mas mal chegam cá não se sentem bem. Os jovens, regra geral vêm cá pelas férias, por pressão familiar.
A diferença entre o Luxemburgo e a maioria dos países europeus (a França, por exemplo), é que no primeiro caso o governo de lá preocupou-se com a integração dos emigrantes, e a França não se incomodou. Hoje, em França, a segunda geração tem muita gente, portugueses incluídos, desenraizada, incapazes de se integrarem quer na sociedade de acolhimento, quer no país de origem. No Luxemburgo este problema é diminuto. De realçar que, em ambos os casos, o governo português os ignorou.
… Para a próxima vez, Sr. Pedro Silva, veja se não fala “por ouvir dizer”, se lhe for possível, raciocine. Investigue. De contrário mais vale estar calado do que dizer baboseiras.

Quarta-feira, Agosto 16, 2006

Raimundo_LULIO said…
Talvez há quatro ou cinco anos, conheci um tipo dos seus quarenta anos que trabalhava como barman, já alguns anos, no Luxemburgo. Conheci-o no casamento de um familiar. Tipo era um espertalhão e desenrascado, o parolo ensinava tudo e todos à sua volta.Tinha deixado a mulher porque esta metera-se na droga e fugira com italiano. Arrotava cifrões por todo lado, o ignorante passava atestados de estúpidez a todos os nativos daqui do bairro. Gabou-se que chegou a namorar a filha do Maire lá do sítio e quando o patrão um italiano (pelos vistos mafioso) ia de férias confiava-lhe a chave da discoteca. Toda esta conversa era intercalada com meia dúzia de palavras que não percebia muito bem se eram termos franceses ou alemães.

Estou cconvencido que o Pedro Silva não tem razão,porventura, há gente honesta e culta entre os emigrantes portugueses no Luxemburgo, mas de facto o ÚNICO emigrante portugues do Luxemburgo que conheci, coincide com toda a caracterização do Pedro Silva.

Estranho não é ?

Sábado, Agosto 19, 2006

dorean paxorales said…
Caro Pedro Silva,

O retrato que faz lembra-me as emigracoes actuais para o Reino Unido. Onde, por sinal, existe um racismo anti-portugues que so’ em Belfast e’ assumido sem pudores.

Apenas um reparo, quanto ‘a parte que diz respeito ‘a Igreja: parece-me uma distorcao um bocadinho forcada da natural religiosidade/tradicionalismo de quem emigra.

Caro tosilva,

Uma critica frequente no seu comentario e’ celebre tiro ao “o governo portugues que abandona os emigrantes”.

Desculpe-me alguma rudeza mas… se a incompetencia do governo por ca’ ja’ levou aqueles senhores a emigrar, acha que e’ em territorio alheio e’ que vai finalmente tomar conta dos meninos?
Olhe que ja’ e’ ma’-vontade…

Quinta-feira, Agosto 24, 2006

Weytjens said…
Ó, Pedrito, fala daquilo que conheces e deixa-nos em paz! A RTP chegou cá e só se interessou por mostrar as realidades que confirmassem exactamente o que se pensa em Portugal dos tristes emigrantes. O resto – os casos de sucesso, de luta associativa, cultural, política, cívica, não eram “lá muito interessante!”
É só aos pobres que é censurado o sucesso material. Como não nos chamamos Bill Gates, Champalimaud, somos esquilos marxistas!

Sexta-feira, Setembro 08, 2006

|*$c0cK_x69*|X|Braga|w@rN!nG* said…
Foda-se nunca vi um blog tão estupido como o teu Pedro Silva não sei que origem és mas portugues não deves ser, mas se fores dou-te um conselho suicida-te assim fazes um favor a comunidade portuguesa, miudos como tu para rebaixarem a nossa nação mais vale nem se quer existirem…

Temos pena de existirem OTÁRIOS como tu…enfim nem todos podem ser perfeitos

Quinta-feira, Outubro 19, 2006

blink said…
A minha sogra quer levar a minha mulher para o luxemburgo e por arrasto a mim e aos meus dois filhos, o que posso fazer?? Sabendo que já tive uma vida folgada a ganhar 4 mil contos por mês e após e um negócio mal conduzido ficaram as dividas e a minha sogra a xaaateaarrr? como se diz aqui no porto tou fudid….. mano!bem mas não é só apesar de ter visto o documentario e subscrever em 100% o tua rúbrica, este mês estive no casamento da minha cunhada, e claro está rodeado de emigras que ainda me assustaram mais pela ignorancia colectiva. Bem para terminar se alguem que resida no luxemburgo tem um bom emprego de web-designer para mim p.f. salve-me porque pelos vistos a minha sogra vai-me fazer a cama lá(no luxemburgo claro) tenho casa a roupa lavada mas so falo português, mas sou experte em informática mais tipo hacker do que técnico portanto faço tudo na web. Fica então o meu endereço (vamos ver se não me arrependo) blink.pt@gmail.com

Sexta-feira, Agosto 24, 2007

Mauro said…
As tuas analises nao sendo falsas, acho que lhes falta uma certa contextualizaçao daquilo que é e continuara a ser os movimentos migratorios. Quem emigra, porque é que se emigra, com que objectivos e como é que a sociedade de acolhimento, acolhe estes fluxos migratorios. Tu analisas a sociedade luxemburguesa baseando-te somente numa emissao que tu viste, uma noite que nao conseguias dormir. Interessa-te por exemplo em analisar com olhos de ver as leis sobre a emigraçao nesse pais, e possivelemnte a hostilidade que essa populaçao continua a ter contra aqueles que quer nos queiramos quer nao sao nossos compatriotas.
Ja saiste de LIsboa? Eu venho de uma aldeia e as imagens que eu posso pintar sao relativamente proximas das que tu pintas, so que faço analises de fundo e nao me baseio somente sobre principios pequeno burgueses, para analisar uma sociedade que eu nao conheço.

Segunda-feira, Setembro 03, 2007

@ac said…
Caro Sr. Pedro Silva.

É lamentavel tal descrição e crítica da sua parte. Não sei o por quê da sua enumeração e descrição.. Mas deve ter surgido por uma revolta enorme dentro de si.
Sou Portuguesa, com muito orgulho, vivo numa cidade de Doutores, estou a meio de uma licenciatura… E como não podia deixar de ser o que me espera para o futuro talvés seja mesmo o desemprego. Nestas situação as pessoas emigrão. Muitas vezes deixando para trás familia, amigos, um meio onde estão integrados.
Não condeno as pessoas que o fazem, pois o nosso país não nós dá oportinidades nem meios para que tenhamos uma vida equilibrada. Daí as pessoas procurarem um pais melhor para viver.
Lamento que a sua ideia dessas pessoas seja tão tacanha ao ponto de se dar ao trabalho de escrever tudo aquilo q li.
Suponho que seja um homem bem colocado na vida, com um ordenado bem (gordo), com uma vivenda bem situada, um carro de alta gama.. Enfim nunca teve de trabalhar no duro para saber como se vive..
Atenção não julgue as pessoas todas pela mesma medida.
Pois cultura e educação não significa tudo..
Cumprimentos.

Sexta-feira, Setembro 07, 2007

Written by dissidentex

10/01/2009 at 11:40