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Archive for Fevereiro 2009

CONGRESSO DO PS – 28 DE FEVEREIRO DE 2009 – A CAMPANHA NEGRA

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Nas festas religiosas os participantes chamam-se romeiros.

São pessoas devotas que fazem uma romagem a lugares exóticos ou distantes para pagarem promessas.

A igreja de nossa senhora do socialismo na gaveta e respectivos romeiros deslocou-se no fim de semana de pós Carnaval, dias 26,27 e 28 de Fevereiro, a um local distante e exótico: Espinho.

Esta festa religiosa é um fracasso total.

Não há qualquer ideia nova na religião do socialismo na gaveta, ou nos seus romeiros, apenas desanimo, reverência graxista, confusão e uma total ausência de percepção de onde se está ou onde se esteve ou onde se poderá vir a estar.

Apenas teorias estapafúrdias, ameaças de ameaças por causa de calunias que estarão a ser feitas contra a Igreja do socialismo na gaveta e contra o seu líder religioso.

Pelo meio atacou-se o movimento religioso BE, um movimento religioso “alarme de carro que apita sempre ” mesmo quando não há barulho (os líderes do movimento agradecem)

A igreja do socialismo na Gaveta, esqueceu-se lamentavelmente  de falar da crise económica e financeira que afecta os seus fieis e a Igreja onde habita e esqueceu-se de oferecer soluções.

Apenas falou de campanhas negras.

Estranhos são os desígnios do senhor.

ψψ

Fui informado que existe mesmo uma campanha negra e uma face inexpressiva de um bruto sem escrúpulos responsável pela mesma:

general-von-talon-2

É o vilão ignomínioso conhecido pelo tenebroso nome de “Von Talon,” General do exército das campanhas negras.

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Written by dissidentex

28/02/2009 at 21:48

CENSURA EM PORTUGAL: O MINISTÉRIO PÚBLICO PROÍBE SÁTIRA DE CARNAVAL

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No dia 19 de Fevereiro de 2009, o Ministério público enviou um fax à Câmara Municipal de Torres Vedras ordenando a retirada do conteúdo visível num carro alegórico, onde estava uma imagem do computador Magalhães + senhoras nuas

O computador Magalhães é um programa de incentivo às “novas tecnologias” através da oferta de um computador de brinquedo  aos alunos do ensino primário para que estes brinquem à informática.

jornal-publico-magalhaes

A notícia é do jornal Público.

Ø

Após ter adquirido uma catapulta nova, afirmo que deveremos lançar um pouco de especulação analítica para cima da mesa para tentar perceber-se o que se está a passar.

No espaço de poucos dias acontecem duas situações claras e objectivas de  censura – de comportamento objectivo de censura que apenas são tolerados e aceites em sociedades estritamente totalitárias.

Nessas é que estes actos são apoiados pelo poder político via legislação e via actos e acontecem. O outro acontecimento que foi um acto objectivo de censura foi pornocracia- ou como a censura em Portugal está de volta.

E porquê é que sucederam?

Ø

Ambos os actos reflectem o “clima” no qual Portugal se está a tornar e a transformar.

Ø

Também reflectem a seguinte situação: o insidioso manto de totalitarismo que cobre a sociedade portuguesa aperta e expande-se em pequenos pormenores.

Já não é um manto exclusivo de partidos políticos que estejam momentaneamente no poder – quaisquer que sejam os partidos, visando desestabilizar o sistema.

É uma lógica, um “modo de pensar”, que se baseia num “ideal” de confronto e discriminação.

De intimidação praticada por instituições que deveriam – supostamente – defender os cidadãos, mas que os estão a atacar – para já, de forma “colectiva” e difusa.

Ø

Num qualquer cenário especulativo ou real em que se pense na criação de  micro nacionalismos totalitários como ideologia, e que depois evoluam para se virem a tornar “movimentos de rua” o que costuma suceder – em termos médios –  é o seguinte.

(1) Primeiro é necessário buscar inspiração. Ouais serão os “valores” nos quais nós (movimento pretendente a ser nacionalista totalitário)  nos deveremos apoiar?

(2) Após definir isso, surgem as formas de nacionalismo inspiradas em tipologia nazi, cristâ, muçulmana, ou outra que esteja à mão de semear e que sirva para o objectivo.

(3) Normalmente estas “forças” após surgirem, tem que  definir um inimigo.

(4) O inimigo é tudo o que não partilha as suas ideias e não seja nacionalista.

Se são nacionalistas, isso indica um critério de exclusividade. São exclusivas de si próprias as suas ideias; logo, ideias exteriores a esta “exclusividade” são rejeitadas.

É também por isso que rejeitam uma qualquer ideia de “Globalização” que surja e que seja vendida à população de um país ou do mundo.

(NOTA: Estas “forças” ganham bastante com isto e com esta teorização, porque existem imensas pessoas, que não sendo marxistas, ou de extrema direita, e acreditando na democracia como sistema também detestam a Globalização”… o que significa que estes movimentos estão- na prática, a apanharem boleia dos legítimos oponentes à globalização, só para dar um exemplo…)

(5) Para imporem as suas ideias tem que recorrer à força e à violência, pela persuasão não o conseguem, não há hipótese de convencer a maioria da população.

Logo, estas forças defendem uma sociedade (A) baseada na violência da força e (B) na glorificação do confronto e na suposta “tesão épica” do mesmo.

Ø

general-von-talon

As pessoas percebem o que é a “tesão épica” – de um ponto de vista humorístico e de profundo gozo – ao observarem esta personagem do filme animado Valiant.

O malvado General Von Talon, um Falcão peneirento, gongórico, vaidoso e tonitruante que toma banho a cantar opera e diz que é vegetariano, embora só equipe  com capas de cabedal preto… uma alusão a uma homossexualidade latente…

Na imagem vemos o General (Malvado) Von Talon, mas os seus dois ajudantes maus (os seus lacaios do mal) …e imbecis como tudo, que o detestam porque ele após tomar banho muda de ideias várias vezes sobre as toalhas e as cores da capas… que os ajudantes lhe deverão trazer, para secar as penas…

Ao olharmos para esta imagem de uma personagem animada ultra ridícula e extremamente cómica do Von Talon, mais as suas medalhas prussianas percebemos melhor o que é a “tesão épica”... pelo menos assim espero.

Ø

Reorientando este texto após uma incursão pelos domínios do Von Talon, para se conseguir alcançar o atrás exposto e conseguir fazê-lo; ir fazendo-o com “tesão épica” é necessário definir uma lógica.

E neste, isto é “dentro”, deste “ovo da serpente”, a lógica é a de  identificação de minorias, quais quer que elas sejam, como o “inimigo”.

Na definição das minorias, não existem critérios de exclusividade. Isto é ,todas as formas de vida, quer sejam vistas como alternativas ou não o sendo,  género ou raça, podem ser inclusas (definidas como algo a atacar e abater…no ideário …).

A definição do inimigo, é assim “Globalizante” (todos os que não concordem com o ideário), por oposição à ideia de Globalização que por aí se vende, que é detestada e atacada”por estes grupusculos.

Ø

Quaisquer minorias ( adeptos de géneros sexuais alternativos servem, mas coleccionadores de selos também…) são “identificados como potenciais alvos”.

Estes potenciais alvos são vistos pela restante parte da sociedade como sendo “diferentes”ou estranhos” ou “não como nós somos”, ou “metem medo  por serem diferentes”.

O caminho está preparado para a “ignição do medo”.

E quando se faz ignição algo se acende. Um sentimento de “discriminação” subtil, como “nevoeiro negro”, começa a inserir-se  e a manifestar-se na cabeça das pessoas – na cabeça dos cidadãos comuns – aqueles que não são especialmente “diferentes” ou diversos ( Ou acham que não são…).

E a partir daí estes cidadãos perante as acções de um qualquer grupo extremista sentem – facilmente – sentimentos difusos de medo.

Também o sentem perante as acções dos grupos ou pessoas “diferentes”.

Dois tipos de sentimentos difusos de medo acotovelam-se no cidadão comum…

Ø

A seguir ao medo vem –  na maior parte da vezes – a passividade e a descrença/ indiferença da generalidade dos cidadãos.(No caso português especialmente patrocinada pelos políticos…)

e da indiferença, nasce a apatia da generalidade da população que se deve a três coisas diferentes.

A) a indiferença pelo sofrimento dos outros.

B) o facto de não se sentir segura na maneira como vive, e perceber que é o actual sistema que origina essa insegurança; daí o anseio por “alguém” que faça existir ordem (estes grupelhos de extrema qualquer coisa, caem como sopa no mel aqui…)

C) (Paralelamente a B) ) O medo que se sente dos actos destes grupos inspirados na especulação que estou aqui a criar.

Ø

É o que é que tem esta lógica de explicação a ver com o Ministério Público de Torres Vedras e os actos de censura?

Tem porque, na minha opinião (vale o que vale; atiçem-me o Von Talon…)  algumas semelhanças de comportamento com o que grupelhos neonazis ou de outro tipo de inspiração fazem, existe claramente aqui.

Violência estatal organizada que patrocina actos de censura perfeitamente ilícitos , visando intimidar cidadãos e os seus gostos.

Visando intimidar.

Mais: a coisa é mais grave ainda quando o “Carnaval” é desde sempre uma época e umas festividades que existiram para fazer aquilo que o apito na panela de pressão faz, quando se está a cozer a sopa: despressionar a panela, retirar pressão.

Aqui metafóricamente, temos o Carnaval como o apito que vai despressionar a sociedade, permitindo-lhe que esta faça certas actos que  em circunstâncias normais não poderia fazer.

E temos um Estado –  através dos seus agentes a utilizar métodos comparativamente paralelos – a mesma linha de raciocínio a agir – que um qualquer grupusculo neo qualquer coisa usa: a intimidação.

A forma como faz é que varia. Aqui existe uma “lei” emanada de “orgãos” competentes que supostamente legitima o acto.

Ø

Podemos também considerar ainda uma outra hipótese alternativa.

O actual governo querer apresentar-se como “menos radical” e ter patrocinado estas duas jogadas, para depois poder vir dizer (estamos em ano de eleições) que só oactual Governo é que concede recusar e combater os radicalismos que existem na sociedade portuguesa, quer os praticados pelo Estado, quer fora dele.

Estas “demonstrações de força, da polícia de Braga, e do Delegado doMinistério público de Trres Vedras, forneceram um serviço: com estas óbvias demonstrações de estupidez extremista e não cumprimento da lei, misturada com falta de bom senso, conferem a quem os denuncie como estando errados, uma aura de credibilidade.

Especulemos um pouco com esta imagem –Jornal Público:

publico-28-fevereiro-congresso-ps

Repare-se no facto de uma pessoa – aparentemente democrática – afirmar que “não temo o julgamento democrático”, e ao mesmo tempo utiliza métodos que quem pactua com forças totalitários também utiliza.

Isto é, pactuar com elas, mas apresentar-se a si mesmo como ” o que está contra as soluções radicais…”

Nota: nada do que foi escrito em cima significa que eu ache que o actual governo mandou directamente a polícia apreender 5 livros em Braga ou o MP de Torres Vedras mandar um fax a uma Camâra.

Nota 2: como é que se pode defender a democracia, quando o mordomo encarregado de geri-la utiliza metódos que também são utilizados por quem quer subverter a democracia?

Nota 3: tire as conclusões quem quiser, acerca do nevoeiro que nos começa a cercar…

PORNOCRACIA- OU COMO A CENSURA EM PORTUGAL ESTÁ DE VOLTA

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a-origem-do-mundoPor causa desta imagem de Courbet colocada na capa de um livro, que estava a ser promovido numa feira do livro na cidade de Braga, Portugal, no dia 25 de Fevereiro de 2009, alguém chamou a policia e esta apreendeu todos os exemplares do livro que se chama Pornocracia, da autora francesa Catherine Breillat.

O novo Portugal democrático agora é isto…

Ø

Cite-se o blog Obvious:

Estávamos em 1866 e Courbet era já um pintor conhecido em França pela sua destreza técnica mas sobretudo pela sua atitude crítica e corrosiva em relação à sociedade e moral burguesas, que não perdia ocasião de afrontar. Courbet era um socialista convicto, arrogante e autoconfiante, é preciso dizer. No entanto talvez isso não baste para justificar a obra que realizou nesse ano e que havia de o celebrizar mais do que todas as outras. Ao representar frontalmente as coxas e o sexo de uma mulher, A Origem do Mundo abalou profundamente o meio artístico da época. E não só!

Ø

O quadro é profundamente perturbador ou mesmo chocante. O incómodo sentido pelo observador ao olhar de modo tão directo para o sexo que ali se exibe ostensivamente é enorme. Há uma espécie de pudor, de vergonha quase instintiva que se revela em nós ao observá-lo. Mais do que violentar a intimidade do objecto retratado, o artista violenta o público. De resto, Courbet adorava fazê-lo embora nunca tivesse ousado ir tão longe. Porque se atreveu desta vez?

Ø

Esta tela surge assim como um manifesto contra o academismo mas também contra a falsidade vigente na Arte e na Sociedade oitocentista. Representa a libertação definitiva do artista de todos os estereótipos! Significativo é o facto da polémica se ficar a dever ao tema e à forma como foi abordado e não às qualidades pictóricas do quadro – se estava bem pintado ou não. A Origem do Mundo foi uma obra inspirada, visionária talvez, um acto estético da maior importância e uma obra de arte de primeira grandeza. A Pintura Moderna talvez tenha começado aqui, com origem no sexo de uma mulher.

Ø

E cite-se o JN:

A apreensão pela PSP, anteontem, de cinco exemplares de um livro com uma capa considerada pornográfica” – “Pornocracia”, de Catherine Breillat – era assunto obrigatório entre os visitantes, a maior parte dos quais contra a intervenção policial.

…É o caso de Bruno Mendes, para quem o incidente reflecte o estado actual do país: “Há cada vez mais descontentamento das pessoas, o que leva a mais acções de controlo por parte das forças policiais”. O jovem, que fez questão de se dizer de “direita”, estranha a acção da Polícia face ao livro em questão, pois “já vi que há outros com conteúdos e capas piores expostos por aí”.

…É assim que se sente o livreiro António Lopes…“Sei que a PSP não recebeu ordens do Ministério da Cultura, mas a verdade é que se sentem, actualmente, à-vontade para adoptar medidas deste género”, critica.

Ø

Importa perguntar:

e porquê  – exactamente agora – se sentem à vontade para adoptar medidas deste genero?

O PIRATE BAY ESTÁ A JULGAMENTO – DIA 16 DE FEVEREIRO DE 2009

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O Pirate bay , o maior sitio na Internet para troca de torrentes, está a ser julgado por quebra de direitos de autor, entre outras coisas, num tribunal da Suécia.

Apropriadamente na página inicial do Pirate  Bay, no dia 24 de Fevereiro  de 2009 existia este simpático cartoon inserido pelos próprios que explica exactamente o que  está em causa.

pirate-bay-1

Tradução a martelo:

Uma  mensagem importante da indústria de entretenimento.

Lembram-se quando:

– A rádio iria destruir a industria de gravação de discos?

– A Televisão iria ser o fim do cinema?

-A gravação de cassetes piratas iria ser o fim da música?

O vídeo iria ser o fim de Hollywood?

Bom agora um novo fantasma atormenta as salas de reuniões corporativas da industria do entretenimento:

pirate-bay-2

A INTERNET!

( TIPO COM OS SACOS DE DINHEIRO AOS PÉS) Esta cena alegre pode parecer inofensiva mas se o gatinho amoroso que as crianças estão a ver no vídeo blog da tia Val ,estiver a dançar ao som de material copyrighted / direitos de autor, então esta família está a roubar.

É por isso que precisamos do poder para banir qualquer um de vós da Internet: os nossos direitos de autor valem mais que os vossos direitos humanos!

Ø

Por uma certa ordem de ideias, pelo facto de eu ter copiado imagens do Pirate Bay, e as ter colocado aqui, e sendo o Pirate Bay acusado de quebras de direitos de autor, também eu estarei a violar os direitos de autor “remotamente” por ter colocado algo que foi colocado por um sitio que está a ser processado.

Quando eu tiver filhos, também eles serão processados, porque, sendo eu o pai deles, também copiei estas imagens, e como os meus filhos nasceram de mim, são também culpados disso mesmo – violação de direito de autor por inerência remota…

Es os meus netos também serão culpados,porque…

Written by dissidentex

25/02/2009 at 18:43

A PIRÂMIDE – ISMAIL KADARÉ

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Autor: Ismail kadaré.

Editora: Dom Quixote.

Na wikipedia:

a-piramide-ismail-kadareO livro foi escrito em  Paris e Tirana (kadaré é albanês);  entre 1988 e 1992. Reflecte a visão do autor, em relação ao que viveu, antes dessa época e ao que estava a viver nessa época.

Para todos os que o leram ou o lerem agora,  podemos, se fizermos um esforço comparativo ver como aquela realidade descrita por Kadaré há 20 anos não está tão distante.

Ø

Kadaré desejava, acima de tudo, contar uma história acerca do  totalitarismo.

Contudo é mais (muito mais) do que só sobre totalitarismo.

É, também sobre o poder; e toda a simbologia associada a esse mesmo poder. E de como isso influencia o próprio totalitarismo e as formas que  este reveste, de país para país.

kadaré, ao escrever, para se proteger da rigidez totalitária estúpida da Albânia comunista situou a acção do livro no antigo Egipto. (3000 anos antes portanto).

piramide-kadareCriou o enredo da narrativa centrado num problema político/de regime: a construção de uma pirâmide – dedicada ao Faraó Keops – que seria, simultaneamente, o túmulo deste, após morte, e uma obra simbólica feita em vida do Faraó, cujo objectivo seria o de servir para demonstrar todo o seu poder sobre o povo egípcio e por extensão, do próprio império egípcio, para os  vizinhos.

Do ponto de vista da leitura, o livro não é nada simples; a tradução não ajuda, e está cheio de metáforas e alusões subliminares ao regime comunista albanês  (isto é, a uma forma peculiar de totalitarismo), mas não só. Podemos reconhecer os “tiques” de poder de qualquer regime ali explicados.

E também reflecte a influência a algum do ambiente pré queda do muro de Berlim (1989), de que o autor se apercebeu estando ainda a viver na Albânia (Kadaré saiu algum tempo antes da queda e pediu asilo político em França); mas o que é interessante verificar, por análise comparativa, da leitura do livro, é como todos os mecanismos de poder totalitários de uma ditadura obtusa, também podem, pelo menos alguns, ser replicados e encontrados numa  qualquer simpática democracia ocidental.

Como Portugal. Caso se preste atenção, bem entendido. Caso se queira prestar atenção, bem entendido. E independentemente dos partidos ou forças políticas que estejam no poder.

É um “estado das coisas” que Kadaré  mostra e nos convida a pensar sobre.

Ø

A história começa com o Faraó Keops a anunciar, poucos meses depois de tomar posse, que não deseja mandar construir nenhuma pirâmide, tal como os seus antecessores tinham feito.

Esta declaração política perturba o equilíbrio.

Os vassalos, servidores, cortesãos, funcionários públicos, enfim toda a fauna social,  fica intensamente perturbada com a notícia.

Para sublimarem a preocupação há que encontrar uma explicação. E a explicação é passar-se a julgar essa atitude do Faraó como  sendo  uma manobra politica do Faraó, mas apenas feita, para testar a lealdade de todos a si, o recém nomeado Faraó.

Paralelamente a este hipotético teste que a sociedade julga ver, o anuncio da “não construção” cria um terrível problema filosófico e metafísico: como iria o Faraó subir até ao céu depois de morto, e levar a sua alma e as bagagens correspondentes, se não existiria pirâmide, como veiculo sagrado de transporte, para o fazer?

E é a partir destes dois pontos que kadaré demonstra como a perturbação entre a fauna cortesã de uma sociedade pode ser lançada – pelo “poder”.

Tal estado das coisas leva a que o Sumo-sacerdote, o Magico-astrólogo e algumas outras figuras da burocracia do Estado se afadiguem a convencer o Faraó de que deve ser construída a pirâmide.

Em baixo uma pequena transcrição de como o Magico-astrólogo tenta criar as bases do convencimento e da influência no Faraó. O Mágico astrólogo, primeiro,  identifica o problema, quando em acto de pensamento e reflexão para si próprio:

“…o bem-estar, ao mesmo tempo que tornava as pessoas mais independentes, mais livres de espírito …as tornava, de igual modo mais reticentes à autoridade em geral e nomeadamente ao poder do Faraó….”

Ø

Percebendo que o seu poder poderia ser posto em causa por não querer mandar construir a Pirâmide e depois de ser persuadido pela fauna de cortesãos (pelos interesses), o  Faraó procura criar uma solução em que sinta ter sido ele próprio a encontra-la, (para fazer assim uma auto demonstração de poder) e para tal envia o Mágico-astrólogo para o Sahara para que este encontre uma solução que satisfaça os desígnios do Faraó.

40 dias depois este retorna e afirma ao Faraó que: “era preciso eliminar o bem-estar

Kadaré demonstra que, no exercício de poder, muitas vezes, não é o soberano/ o ditador/ o líder que de facto comanda, mas sim, julga que comanda, apenas influenciado por “sombras” de interesses que pairam à volta.

Ø

Para eliminar o bem estar, surge a ideia de que é necessário fazer algo:

Mas o quê?

“Algo de fatigante, de destruidor para o corpo e o espírito e absolutamente inútil. Ou mais exactamente, uma obra de tal forma inútil para as pessoas que se tornasse indispensável ao Estado…!

O resultado:

“…o soberano e os seus ministros chegaram …. À ideia de um grande monumento funerário. De um grande túmulo.”

Ø

Esta ideia fascinou sobremaneira o Faraó.

E dessa forma, o “novo” edifício principal do Egipto já não seria um templo, nem um palácio real, mas um túmulo. Progressivamente, o Egipto identificar-se-ia com este, e este com o Egipto. (o nacionalismo de mãos dadas com o poder…)

O Faraó fala – para simbolizar o facto de ter decidido tal – e diz:

“A pirâmide será construída. Será a mais alta de todas. A mais majestosa.”

É o “poder” simbólico do Faraó a manifestar-se.

E após o Faraó falar – uma metáfora do poder e do totalitarismo, aplicada de forma prática –  surgem os éditos reais a notificar o povo da construção.

O povo alegre ?!?! por o dia finalmente ter chegado – o início da construção da pirâmide – tem esta manifestação:

“As pessoas saem dos templos, aliviadas. Como somos felizes, diziam, por termos a nossa pirâmide.”

Ø

No livro decorrem acções paralelas. São explicadas as  descrições das decisões técnicas dos arquitectos, a inveja dos embaixadores estrangeiros, a abertura e construção de estradas, necessárias para transportar os enormes blocos de pedra, vindos de barco Nilo acima, a escolha das pedras, o deslocamento dos funcionários públicos para sítios remotos para supervisionarem os trabalhos…tudo se descreve, para mostrar um grande elefante totalitário em movimento.

Assim é-nos dado a observar o simbolismo de toda uma burocracia a movimentar-se ao serviço de uma fachada de poder totalitário.

Ø

Também existem os pormenores cómicos e irónicos: os boatos e as conspirações que dão origem a afastamento sucessivos de responsáveis pela construção, as manobras da policia secreta…

Ou quando se passa à construção propriamente dita, onde todas as pedras são numeradas e tem um nome atribuído.

A meio da construção keops exige ser colocado mais acima (o seu túmulo) no interior da pirâmide:

“Mais alto – disse ele com voz abafada – ainda estou muito abaixo.”

“Compreendo, majestade – respondeu o arquitecto – chefe”.

“- Quero ficar no centro – declarou keops”

“-Compreendo, Majestade.”

Ø

Kadaré ironiza profundamente sobre o “aspecto humano” dos ditadores, por intermédio de interposta personagem – o Faraó Keops. Este, a determinada altura sente melancolia e tristeza por saber aproximar-se o fim da construção e reflecte “humanamente” sobre isso:

“As vezes arrependia-se de ter martirizado o Egipto daquela maneira!…

Ø

Tudo isto também misturado com os problemas com os linguistas do reino e com os filhos de Keops, bem como uma, de várias conversas alucinantes, de Keops com o Magico-Supremo:

“o seu corpo conhecerá um fim, a sua alma nunca!

Mais uma metáfora para o poder e para o facto de os líderes políticos, passado algum tempo de estarem rodeados de pessoas que lhes dizem apenas sub-verdades agradáveis, se tornam completamente autistas para com a realidade, e são sempre bajulados com promessas de intemporalidade da sua obra…

Ø

Também existem crónicas, brilhantemente macabras, acerca da construção usando as  pedras numeradas:

“Centésima nonagésima segunda pedra. Da pedreira de Abousir. Nada de especial”.

Ou:

Antepenúltimo degrau, da nona à quinta pedra, segundo o relatório do gabinete de controlo.

“…a sétima pedra …a pedra negra, a má…as causas do deslize permanecem misteriosas …mas ao nível do nono degrau, a queda acelerou. Foi para lá do décimo segundo que começou a esborrachar as pessoas…ao todo 90 mortos, sem contar com os feridos.

Ou:

“Sexta pedra…ainda que tivesse feito vitimas, parecia um anjo comparada com a anterior. Por isso chamaram-na de pedra boa.”

Ø

Também existe a descrição “vista de fora”. Frustrado pelo facto de ter siso enviado para um local que não queria, e devidamente pressionado incentivado  pela sua sexualmente activa mulher, o Embaixador da Suméria consola-se através de um devaneio sexual analítico:

“Ela acariciou-lhe a barriga, depois o sexo. Reparava que, cada vez que enviava para a sua capital um relatório no seguimento do qual aumentava a esperança de ser nomeado ministro dos negócios estrangeiros, o sexo dela se molhava”.

Ø

Após conclusão da “obra do regime” , o Faraó procura “interrogar-se”  e “saber” qual o “sentido” metafísico da construção. Kadaré ironiza com as tentativas de auto justificação que todos os protótipos totalitários demonstram após acções deste tipo.

Procurando “saber” interroga o Mágico acerca da pirâmide. E o Mágico responde:

— “Se construíste o maior túmulo do mundo é porque a tua vida é suposta ser a mais longa que se já se conheceu À face da terra. Nenhuma outra sepultura este poderia albergar.

Eu sofro – disse Keops.

Ø

Após a obra concluída, os ladrões de túmulos roubam a pirâmide; um dos filhos do faraó é morto pelo irmão, para no futuro reinar e poder ter também a nova grande honra de construir mais uma Pirâmide, e os historiadores querem exumar o corpo do irmão morto, mas tal não lhes é permitido.

(Metáfora do poder totalitário ou democrático que se auto preserva de “olhares estranhos”…)

Ø

É um livro algo datado, sobre totalitarismo e poder, e visando acima de tudo cravar estacas e acertar contas no comunismo albanês.

Contudo, quem resistir à leitura verá que é apropriado para reflectir sobre os tempos que correm, os tempos do medo diferente, … e onde a subversão da democracia é uma constante, tentando-se, sub-repticíamente, impor regras aparentemente democráticas (mas que não o são…) com uma regularidade constante.

Nota final: O livro será, possivelmente, difícil de adquirir, dado que foi publicado pela dom Quixote em 1994.

Contudo está acessível em bilbiotecas públicas.

O COMPORTAMENTO DOS DEPUTADOS PORTUGUESES

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Como se comportam os deputados portugueses?

Uma pergunta aparentemente disparatada. Somos induzidos a pensar – na nossa boa fé – que os deputados portugueses se comportam como gente decente e bem preparada, na sua generalidade.

Representam a República, o povo, a nação.

Pessoas de “maior qualidade” política e pessoal.

Depois aparece a realidade.

deputados-portugueses-comportamento

De facto e pelo que se percebe pela notícia do Diário de notícias de 05-05-2008, os deputados portugueses para legislarem sobre um qualquer tema precisam de recorrer a sites “abusivos”…

No que reflecte, aliás, o abuso de legislação que vemos surgir…

E será que o site em baixo também é um site abusivo?

assembleia-da-republica-dissidentex

Em circunstâncias normais sentir-me-ia lisonjeado e agradado por terem existido deputados, presumivelmente, que teriam feito buscas no blog.

No entanto, isto apenas demonstra a “bandalheira completa” daquela gente, que para perceberem questões relacionadas com o currículo de Sócrates e de Francisco Louça, necessitam de andar a fazer buscas pela Internet, em vez de verem internamente os currículos das pessoas.

Já para não falar na ideia andarem pelos blogs a ver o que se diz sobre Sócrates/Louçâ…

Ø

Quanto ao site e ao servidor de correio electrónico é mesmo da Assembleia da Republica.

Transcreve-se em inglês a indicação na página dos servidores Colt.net acerca do assunto.

“…pt.colt.net is a domain controlled by two nameservers at pt.colt.net themselves. They are on different IP networks. Incoming mail for pt.colt.net is handled by one mailserver also at pt.colt.net. cegoc.pt, sybase.pt, ogilvy.pt, carris.pt, acnielsen.pt and at least eleven other hosts share nameservers with this domain. presidencia.pt and presidenciarepublica.pt share mailservers with this domain. 7.pt.colt.net, 1.pt.colt.net, 59.pt.colt.net, 27.pt.colt.net, 24.pt.colt.net and at least nine other hosts are subdomains to this hostname. colt.net is a domain controlled by three nameservers at colt.net themselves. Some of them are on the same IP network. Incoming mail for colt.net is handled by four mailservers at colt-telecom.com. All of them are on the same IP network. colt.net has one IP record.”

Precisamos de 230 deputados para que alguns deles andem a vasculhar blogs em busca de informação que os próprios já deveriam saber?

Precisamos de 230 deputados para que alguns deles brinquem aos “sites abusivos”?

É isto que é “democracia”?

Written by dissidentex

19/02/2009 at 14:43

OS BLOGS SÃO ANALISADOS ( BBDO )

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Uma imagem do meu stats counter que mostra que alguém enviou um mail da agência de publicidade BBDO para outro alguém, ou da mesma agência (presumivelmente) o para outro local, mas pessoas ligadas à publicidade.

bbdo-agencia-de-publicidade2 E isto significa o quê?

Várias coisas, desde logo.

(1) Que, em busca desesperada de informação e de “feedback”, as agências de publicidade vasculham blogs e sites, em busca de opiniões acerca do que quem escreve em blogs e em sites tem para dizer.

Não só por questões profissionais, (estarem “atentos” ao mercado) mas também porque estão a começar a reconhecer a crescente importância dos blogs e dos sites, no que toca à “qualidade” dos mesmos e à “validade” das opiniões neles expressas, bem como ao medo de que os criadores de sites e blogs, possam “perturbar” o mundo idílico da má publicidade em que se vive e que é comummente aceite como sendo muito boa.

(2) Mas também demonstra o estado de estar completamente “fora de jogo” por parte das agências de publicidade. A necessidade de ir buscar feedback exteriormente, desta maneira, demonstra que se afastaram completamente do que o publico consumidor quer ou espera de produtos.

Não só a BBDO, mas qualquer outra agência de publicidade.

Há um “corte” entre o que é apresentado e aquilo que os consumidores querem.E são nestes pequenos pormenores que se percebe o “corte” entre duas realidades. (Valha a verdade que se diga, que parte desta culpa não é exclusiva das agências de publicidade, mas dos clientes delas, que devem exigir e fazer pressões absolutamente incríveis relativamente à forma como se deve publicitar ou lançar um produto…)

Não sei se a página que eu fiz a falar do lançamento do Phone-ix, que era uma critica altamente desfavorável, correspondia a uma campanha de publicidade que a BBDO tinha feito.

Daí terem reparado nisto.E estarem eventualmente chateados…

Mas o post não tinha a ver exclusivamente com a BBDO. O post foi publicado aqui, em Dezembro de 2007, embora até tivesse sido feito  uns seis meses antes.

A dada altura do anterior post escrevi isto:

“…Na realidade e deixando as ironias de lado isto significa que os CTT estão colocados numa posição extremamente frágil no mercado.”

Escrevi isto em 2007.

Estamos em 2009.

O Phonix, telefone móvel dos CTT pegou no mercado?

(3) É apenas pela veiculação de opiniões desfavoráveis, quando o devem ser e favoráveis quando o devem ser, que isso permite várias coisas.

A) desde logo uma sociedade mais livre onde o consumidor pode livremente opinar desfavoravelmente  sobre produtos de que não goste.

B) E permite às empresas, caso queiram aprender, poderem melhorar o que fazem.

C) E é melhor para a economia como um todo que estas coisas se saibam.

(4) Portanto que não se pense que a opinião de uma qualquer blog e site, por mais pequeno que ele seja, não conta para o campeonato.

Conta e conta sempre mais do que aquilo que o “fazedor do blog ou site” pensa que conta.

É a veiculação de uma ideia pública de oposição a algo, que combate a vaidade auto complacente de quem estrutura as coisas da maneira que  são estruturadas.

Isto é válido também para outros aspectos da sociedade e naquilo que todos teremos que começar a fazer para combater a crescente totalitarização da sociedade – o crescente caminho para uma distopia totalitária com que nos querem enganar chamando-a de sociedade democrática.

Written by dissidentex

18/02/2009 at 15:23

Publicado em BBDO, CTT