DISSIDENTE-X

CENSURA EM PORTUGAL: O MINISTÉRIO PÚBLICO PROÍBE SÁTIRA DE CARNAVAL

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No dia 19 de Fevereiro de 2009, o Ministério público enviou um fax à Câmara Municipal de Torres Vedras ordenando a retirada do conteúdo visível num carro alegórico, onde estava uma imagem do computador Magalhães + senhoras nuas

O computador Magalhães é um programa de incentivo às “novas tecnologias” através da oferta de um computador de brinquedo  aos alunos do ensino primário para que estes brinquem à informática.

jornal-publico-magalhaes

A notícia é do jornal Público.

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Após ter adquirido uma catapulta nova, afirmo que deveremos lançar um pouco de especulação analítica para cima da mesa para tentar perceber-se o que se está a passar.

No espaço de poucos dias acontecem duas situações claras e objectivas de  censura – de comportamento objectivo de censura que apenas são tolerados e aceites em sociedades estritamente totalitárias.

Nessas é que estes actos são apoiados pelo poder político via legislação e via actos e acontecem. O outro acontecimento que foi um acto objectivo de censura foi pornocracia- ou como a censura em Portugal está de volta.

E porquê é que sucederam?

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Ambos os actos reflectem o “clima” no qual Portugal se está a tornar e a transformar.

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Também reflectem a seguinte situação: o insidioso manto de totalitarismo que cobre a sociedade portuguesa aperta e expande-se em pequenos pormenores.

Já não é um manto exclusivo de partidos políticos que estejam momentaneamente no poder – quaisquer que sejam os partidos, visando desestabilizar o sistema.

É uma lógica, um “modo de pensar”, que se baseia num “ideal” de confronto e discriminação.

De intimidação praticada por instituições que deveriam – supostamente – defender os cidadãos, mas que os estão a atacar – para já, de forma “colectiva” e difusa.

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Num qualquer cenário especulativo ou real em que se pense na criação de  micro nacionalismos totalitários como ideologia, e que depois evoluam para se virem a tornar “movimentos de rua” o que costuma suceder – em termos médios –  é o seguinte.

(1) Primeiro é necessário buscar inspiração. Ouais serão os “valores” nos quais nós (movimento pretendente a ser nacionalista totalitário)  nos deveremos apoiar?

(2) Após definir isso, surgem as formas de nacionalismo inspiradas em tipologia nazi, cristâ, muçulmana, ou outra que esteja à mão de semear e que sirva para o objectivo.

(3) Normalmente estas “forças” após surgirem, tem que  definir um inimigo.

(4) O inimigo é tudo o que não partilha as suas ideias e não seja nacionalista.

Se são nacionalistas, isso indica um critério de exclusividade. São exclusivas de si próprias as suas ideias; logo, ideias exteriores a esta “exclusividade” são rejeitadas.

É também por isso que rejeitam uma qualquer ideia de “Globalização” que surja e que seja vendida à população de um país ou do mundo.

(NOTA: Estas “forças” ganham bastante com isto e com esta teorização, porque existem imensas pessoas, que não sendo marxistas, ou de extrema direita, e acreditando na democracia como sistema também detestam a Globalização”… o que significa que estes movimentos estão- na prática, a apanharem boleia dos legítimos oponentes à globalização, só para dar um exemplo…)

(5) Para imporem as suas ideias tem que recorrer à força e à violência, pela persuasão não o conseguem, não há hipótese de convencer a maioria da população.

Logo, estas forças defendem uma sociedade (A) baseada na violência da força e (B) na glorificação do confronto e na suposta “tesão épica” do mesmo.

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general-von-talon

As pessoas percebem o que é a “tesão épica” – de um ponto de vista humorístico e de profundo gozo – ao observarem esta personagem do filme animado Valiant.

O malvado General Von Talon, um Falcão peneirento, gongórico, vaidoso e tonitruante que toma banho a cantar opera e diz que é vegetariano, embora só equipe  com capas de cabedal preto… uma alusão a uma homossexualidade latente…

Na imagem vemos o General (Malvado) Von Talon, mas os seus dois ajudantes maus (os seus lacaios do mal) …e imbecis como tudo, que o detestam porque ele após tomar banho muda de ideias várias vezes sobre as toalhas e as cores da capas… que os ajudantes lhe deverão trazer, para secar as penas…

Ao olharmos para esta imagem de uma personagem animada ultra ridícula e extremamente cómica do Von Talon, mais as suas medalhas prussianas percebemos melhor o que é a “tesão épica”... pelo menos assim espero.

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Reorientando este texto após uma incursão pelos domínios do Von Talon, para se conseguir alcançar o atrás exposto e conseguir fazê-lo; ir fazendo-o com “tesão épica” é necessário definir uma lógica.

E neste, isto é “dentro”, deste “ovo da serpente”, a lógica é a de  identificação de minorias, quais quer que elas sejam, como o “inimigo”.

Na definição das minorias, não existem critérios de exclusividade. Isto é ,todas as formas de vida, quer sejam vistas como alternativas ou não o sendo,  género ou raça, podem ser inclusas (definidas como algo a atacar e abater…no ideário …).

A definição do inimigo, é assim “Globalizante” (todos os que não concordem com o ideário), por oposição à ideia de Globalização que por aí se vende, que é detestada e atacada”por estes grupusculos.

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Quaisquer minorias ( adeptos de géneros sexuais alternativos servem, mas coleccionadores de selos também…) são “identificados como potenciais alvos”.

Estes potenciais alvos são vistos pela restante parte da sociedade como sendo “diferentes”ou estranhos” ou “não como nós somos”, ou “metem medo  por serem diferentes”.

O caminho está preparado para a “ignição do medo”.

E quando se faz ignição algo se acende. Um sentimento de “discriminação” subtil, como “nevoeiro negro”, começa a inserir-se  e a manifestar-se na cabeça das pessoas – na cabeça dos cidadãos comuns – aqueles que não são especialmente “diferentes” ou diversos ( Ou acham que não são…).

E a partir daí estes cidadãos perante as acções de um qualquer grupo extremista sentem – facilmente – sentimentos difusos de medo.

Também o sentem perante as acções dos grupos ou pessoas “diferentes”.

Dois tipos de sentimentos difusos de medo acotovelam-se no cidadão comum…

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A seguir ao medo vem –  na maior parte da vezes – a passividade e a descrença/ indiferença da generalidade dos cidadãos.(No caso português especialmente patrocinada pelos políticos…)

e da indiferença, nasce a apatia da generalidade da população que se deve a três coisas diferentes.

A) a indiferença pelo sofrimento dos outros.

B) o facto de não se sentir segura na maneira como vive, e perceber que é o actual sistema que origina essa insegurança; daí o anseio por “alguém” que faça existir ordem (estes grupelhos de extrema qualquer coisa, caem como sopa no mel aqui…)

C) (Paralelamente a B) ) O medo que se sente dos actos destes grupos inspirados na especulação que estou aqui a criar.

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É o que é que tem esta lógica de explicação a ver com o Ministério Público de Torres Vedras e os actos de censura?

Tem porque, na minha opinião (vale o que vale; atiçem-me o Von Talon…)  algumas semelhanças de comportamento com o que grupelhos neonazis ou de outro tipo de inspiração fazem, existe claramente aqui.

Violência estatal organizada que patrocina actos de censura perfeitamente ilícitos , visando intimidar cidadãos e os seus gostos.

Visando intimidar.

Mais: a coisa é mais grave ainda quando o “Carnaval” é desde sempre uma época e umas festividades que existiram para fazer aquilo que o apito na panela de pressão faz, quando se está a cozer a sopa: despressionar a panela, retirar pressão.

Aqui metafóricamente, temos o Carnaval como o apito que vai despressionar a sociedade, permitindo-lhe que esta faça certas actos que  em circunstâncias normais não poderia fazer.

E temos um Estado –  através dos seus agentes a utilizar métodos comparativamente paralelos – a mesma linha de raciocínio a agir – que um qualquer grupusculo neo qualquer coisa usa: a intimidação.

A forma como faz é que varia. Aqui existe uma “lei” emanada de “orgãos” competentes que supostamente legitima o acto.

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Podemos também considerar ainda uma outra hipótese alternativa.

O actual governo querer apresentar-se como “menos radical” e ter patrocinado estas duas jogadas, para depois poder vir dizer (estamos em ano de eleições) que só oactual Governo é que concede recusar e combater os radicalismos que existem na sociedade portuguesa, quer os praticados pelo Estado, quer fora dele.

Estas “demonstrações de força, da polícia de Braga, e do Delegado doMinistério público de Trres Vedras, forneceram um serviço: com estas óbvias demonstrações de estupidez extremista e não cumprimento da lei, misturada com falta de bom senso, conferem a quem os denuncie como estando errados, uma aura de credibilidade.

Especulemos um pouco com esta imagem –Jornal Público:

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Repare-se no facto de uma pessoa – aparentemente democrática – afirmar que “não temo o julgamento democrático”, e ao mesmo tempo utiliza métodos que quem pactua com forças totalitários também utiliza.

Isto é, pactuar com elas, mas apresentar-se a si mesmo como ” o que está contra as soluções radicais…”

Nota: nada do que foi escrito em cima significa que eu ache que o actual governo mandou directamente a polícia apreender 5 livros em Braga ou o MP de Torres Vedras mandar um fax a uma Camâra.

Nota 2: como é que se pode defender a democracia, quando o mordomo encarregado de geri-la utiliza metódos que também são utilizados por quem quer subverter a democracia?

Nota 3: tire as conclusões quem quiser, acerca do nevoeiro que nos começa a cercar…

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