DISSIDENTE-X

O FUTURO À ESQUERDA

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O partido socialista continua a cuspir para a frente e para o ar, esperando não apanhar com o cuspo que atirou.

O exemplo vem dum “texto” ?!?! completamente absurdo publicado no jornal de propaganda própria “Acção socialista” e republicado no blog PS do Lumiar – um blog neutral…

Ideologicamente o PS é um partido completamente falido, sem ideias, sem ideais, um catavento  político completo onde se muda de opinião consoante a loja ou hipermercado ideológico onde se encontrou a mais recente opinião à venda.

Só existem duas coisas consistentes no programa político do PS

(1) Chegar ao poder e manter-se lá o mais tempo que for possível;

(2) Dar graças a Deus por não serem do partido comunista.

Adicionalmente quando alguém os critica por terem este programa político imediatamente se desencadeia a técnica da “divida de gratidão” que consiste no facto de todos nós, portugueses, devermos estar eternamente agradecidos pelo facto do PS ter ajudado a fazer o alarido inconsequente de 1974 e de em 1975/76 ter existido uma manifestação na Fonte Luminosa que originou o fim político do PCP.

Como tal, de cada vez que alguém comete actos de corrupção ou toma medidas evidentemente erradas e é o PS a estar no governo é-nos nessa altura (assim como em outras…) pedido que fechemos os olhos, porque nós devemos estar eternamente agradecidos …

Já dei para este peditório.

O PS também pratica a técnica do engano próprio, isto é, falar para os apaniguados.vendendo os “amanhãs que cantam”  Os fieis adeptos que nunca contestarão nada que se diga acerca do seu “querido partido”.

Para isso era necessário que pensassem pela sua própria cabeça…

Ø

A técnica usada para o fazer é a mesma que os membros do partido comunista usam.

O discurso, retirados os componentes próprios inerentes a cada partido, tem a mesma tipologia do partido comunista.

É o manifesto destino do PS: evoluir para ser um partido comunista “moderno” com a diferença que se chamam PS e que dizem falar em nome da esquerda democrática,embora ao mesmo tempo pratiquem neoliberalismo económico quando governam…

Confusos? Eles também…

Ø

O texto que vou citar abaixo e que é uma pérola de lugares comuns, de discurso redondo, e ultrapassado, de discurso messiânico semelhante aos discursos dos partidos e lideres de esquerda há 90 anos atrás, onde a expressão “amanhãs que cantam” era usada, aqui a expressão “amanhãs que cantam” é substituída por “a resposta está na esquerda” e a esquerda somos nós.

Atente-se numa parte:

“…É óbvio que o futuro está na esquerda, ou seja, no socialismo democrático. Mais precisamente, entre nós no PS….”

Presunção e caldos de galinha cada um toma a que quer, mas a esta altura do campeonato ainda estão aqui……penso que demonstra bem o sarcófago ideológico a cheirar a bafio e a inconsequência política que daqui emana… (tradução: não vêem um boi do que se está a passar; estão completamente ultrapassados pelos acontecimentos…mas julgam que estão na vanguarda…)

Texto em baixo.

Ø

A resposta está na esquerda

É óbvio que o futuro está na esquerda, ou seja, no socialismo democrático. Mais precisamente, entre nós no PS.
O comunismo e o neoliberalismo são o verso e o reverso da mesma concepção.
Fundamentam-se na visão materialista do ser humano. O comunismo, ao negar a liberdade individual exacerbou a economia e o neoliberalismo fez o contrário, com os mesmos resultados. Ambos com a mesma lógica.
No comunismo, negando-se o mercado e planificando-se a economia.
No neoliberalismo endeusando-se o mercado e rejeitando-se a planificação. Hoje sabem-se os resultados.
O comunismo, roído por contradições miseráveis implodiu. O neoliberalismo acossado por desfazamentos gerados pelo próprio mercado, faliu. Um fez cair um muro da divisão. Outro fez cair-nos o tecto da união.
Ambos pretenderam fazer-nos acreditar que a garrafa estava meio-cheia. Ou meio vazia.
O que é verdade é que jamais poderia estar cheia.
Há óbvias consequências dos falhanços em que devemos seriamente meditar.
A primeira delas é que, como se viu, os números não têm alma.
Já nos haviam dito isso por outra forma ao invocarem que as pessoas não são números.
O resultado da falência do neoliberalismo estava nos próprios números se os quiséssemos ler para além das estatísticas.
É que à data do inicio desta crise, que é estrutural, logo profunda e duradoura, os activos bancários que diariamente nos iam sendo atirados, representavam nada mais nada menos de que 3,5 vezes todo o PIB mundial.
A euforia da engenharia financeira e o endeusamento do mercado em que vivíamos, com a direita a marcar o tom da ganância parecia imparável.
De tal forma que alguns dirigentes que se reclamavam do socialismo democrático, na Europa, com Blair á cabeça, renderam-se aos novos ventos da moda.
Sem cuidar de verem que como qualquer moda aquela também seria passageira. Porque sem consistência para ficar.
A pouco e pouco assistimos á ausência da Internacional Socialista até parecer ter ficado mesmo sem voz.
O que não é nada positivo. E não é porque, como salta á vista desarmada, o futuro, aquele que conjuga a defesa da liberdade individual com a economia e ambas com o mercado regulado pelo Estado, também este prestador de serviços, onde a justa repartição de riqueza, a igualdade de oportunidades, o acesso á justiça e á saúde, a defesa da paz, da segurança e a transparência sejam uma realidade, está no socialismo democrático.
Sucede que este futuro depende de nós e o resultado do combate a travar não está decidido.
A direita, como se vê, consciente disso mesmo exige hoje com um mão aquilo que negava ontem com a outra.
Basta vê-la em azáfama constante a reclamar a intervenção do Estado a cada passo, quando ontem defendia o princípio de que a menos Estado correspondia melhor Estado.
A direita é como os gatos, tem sete fôlegos.
Que não haja ilusão sobre isso.
É óbvio que o futuro está na esquerda, ou seja, no socialismo democrático. Mais precisamente, entre nós no PS.
Parece haver poucas dúvidas na sociedade sobre isso.
É preciso que essas duvidas se convertam em certezas.
Como sempre defendi, este objectivo depende do aprofundamento que fizermos do nosso ideário, em prol da defesa das causas do socialismo democrático.
Estas são razões bastantes para ter sido primeiro subscritor de uma Moção Sectorial que apresentei ao Congresso, chamando a atenção que a revisão dos nossos Estatutos não é uma questão meramente administrativa nem deve nunca ser vista como tal.
A revisão dos Estatutos é uma questão que está na essência do aprofundamento do quadro do nosso ideário para que os militantes tenham orgulho em pertencem ao PS e não serem apenas filiados nele.
Tanto mais que os partidos são os pilares da democracia e o fortalecimento desta depender, em muito do reforço e da credibilização dos partidos. Daí ao dever do PS contribuir para este objectivo, como partido estruturante da democracia portuguesa.
Os partidos não se confundem com movimentos de cidadãos, necessariamente conjunturais e inorgânicos por natureza.
É pelo reforço dos partidos que se reconstrói o futuro porque os novos desafios do mundo de hoje exigem novas respostas que são ideológicas. E obviamente de esquerda.
Vitor Ramalho – Acção Socialista

Algumas breves notas:

É preciso de facto ter descaramento e acima de tudo procurar enganar as pessoas querendo convencer que o neoliberalismo económico morreu e que agora apenas existe um vencedor em campo: esta coisa pseudo esquerdóide mas completamente permeada de liberalismo económico e político que é a “esquerda democrática”.

Agora observe-se uma parte do artigo do senhor Ramalho, sublinhados a negrito meus:

“…O que não é nada positivo. E não é porque, como salta á vista desarmada, o futuro, aquele que conjuga a defesa da liberdade individual com a economia e ambas com o mercado regulado pelo Estado, também este prestador de serviços, onde a justa repartição de riqueza, a igualdade de oportunidades, o acesso á justiça e á saúde, a defesa da paz, da segurança e a transparência sejam uma realidade, está no socialismo democrático….”
Ø

Agora leia-se uma parte do que escrevi ontem no artigo“Crise financeira: as teorias mainstream que a explicam?!”

(1) Nos círculos demo- liberais – social democratas (em Portugal o Partido Socialista, aparentemente, está nesta área…) uma sub teoria alternativa para explicar isto surge, e argumenta que os centros de poder – um qualquer governo ou uma qualquer zona económica financeira de um dado país (os EUA, por exemplo) foram “corrompidos” ao nível das mais altas esferas, por uma avassaladora teoria económica que seria uma deturpada ideologia baseada no  mercado livre selvagem ou no laissez faire.

(2) Uma outra sub teoria alternativa que se apoia nesta anterior – nos EUA, surge e deriva da extrema direita como ideia intelectual; afirma que o problema era a ideologia por detrás do conceito laissez faire (tradução: não existiria regulação) enquanto que o que era necessário era “pensamento de mercado livre” (tradução: deve existir alguma regulação nos mercados).

Nota: é espantoso como, em Portugal,  o discurso do PS, relativamente a este assunto está próximo do que será o discurso médio da direita mais à direita nos EUA, que defende “alguma regulação”…

Postas a coisas nestes termos, imediatamente somos levados a pensar que o problema é apenas um de:

– Que tipo de regulação aplicar;

– Quanta regulação aplicar;

– Como aplicar e em que áreas;

E depois partimos contentes com estas pseudo soluções encontradas, para mais problemas…

Ø

Para se corrigir os desfasamentos gerados pelos mercado tem que se tomar medidas que efectivamente corrijam os desfasamentos gerados pelos mercado.

Afirmar – como solução – que o futuro está na esquerda democrática (ou na Lua ou em Marte…), não corrige os desfasamentos do mercado – é apenas uma afirmação gratuita. Retórica. Propaganda. Conversa. Apelos à emoção.

E quatro anos depois continuam sem perceber nada.

Tenho pena deles.

PS: Desejo que ganhem as eleições e com maioria absoluta. Após ganharem terão que resolver problemas, mas aí as pessoas perceberão – de facto – que este partido não existe para resolver problemas.

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