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PORTUGAL: UMA LETARGIA MUITO BEM INCENTIVADA

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À propósito de uma expressão usada pelo leitor Pedro fontela, nesta caixa de comentários; “uma letargia muito bem incentivada”; uma das formas comummente usadas para incentivar a letargia é por exemplo dizer uma frase como a seguinte:

” os contornos do debate político estão a mudar”.

Quantas vezes não ouvimos ou lemos este tipo de frase?

É-nos dito que existe um debate político que está em mudança. Quem afirma isto (O fazedor de opinião)  aumenta a sua credibilidade e anuncia algo de novo a um público sempre ansioso por novidades.

Existe um público sempre ansioso de novidades porque foi “educado” para ser sempre “ansioso” por novidades, logo, mentalmente mais “desperto” a ser “adaptável”, a mais uma pseudo novidade…

Depois, normalmente o passo seguinte será dizer que

“como os contornos do debate político estão a mudar”

também as forças dentro dos contornos do debate político estão a mudar.

E avança-se para a caracterização da mudança.

E poderá dizer-se que:

a (nova) grande divisão é entre quem a favor da distribuição de poder e quem é a favor da centralização de poder.

Em vez da velha divisão “Esquerda Vs Direita” do antigamente….

E assim somos gentilmente levados para onde se quer que sejamos gentilmente levados…

Esta é uma forma em Portugal especialmente bem cultivada de incentivo da letargia nas pessoas no que ao debate político e ao pensar política diz respeito.

É uma técnica de “despolitização da sociedade”, tentando evitar a existência de “lados”(opostos).

Como a nova divisão (oficialmente declarada) é entre

– quem é a favor da distribuição de poder;

VS

– quem é a favor da centralização de poder,

o resultado será o seguinte:

Assim nos enganam dizem, ser necessário afirmar que existem, na esquerda política centralizadores de poder que estão lá conjuntamente com “dispersadores de poder” que também lá estão.

E na direita política existem lá dispersadores de poder, assim como centralizadores de poder.

Isto é a tradução de – no caso português – da expressão “Bloco central”, mas agora recauchutada, revista e aumentada e com nova cara.

Quando se aplica isto ao estado económico, a lógica argumentativa é a mesma.

É dito que (1) uns que querem que o Estado use mais músculo a debelar a crise económica; e

que existem (2) outros que querem que ao individuo seja dado mais poder.

Esta é uma das formas subtis de letargia muito bem incentivada que é aplicada no país que dá pelo nome de Portugal.

Convencer-nos que isto é meramente um problema de centralização de poder vs distribuição de poder.

Estas são as “novas teorias” e conceitos completamente importados do mundo político anglo saxónico visando dizer que  a dispersão de poder é boa e a centralização de poder é má, e que esta lógica que daqui decorre é que é aquilo que se deve discutir em política.

Discutir “isto” é discutir nada.

E a “tradução” da discussão de nada, é conhecida, em termos práticos, na retórica comum, como sendo a situação em que é usada a palavra “regionalização”.

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Written by dissidentex

17/04/2009 às 14:28

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