DISSIDENTE-X

AS PESSOAS QUE VIVEM NAS SOMBRAS

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Na política, um dos maiores problemas que existem em Portugal, especificamente ligado aos actos de (1) pensar política e (2) fazer política tem a ver com uma certa classe de pessoas que existem dentro do sistema político e social, quer este seja considerado “institucional” ou informal.

São os predadores em política e sociedade.

São as pessoas que se apelidam como sendo de “esquerda”, apenas porque se reclamam ser contra a extrema esquerda.

Definem-se, não pelo facto de conseguirem propor um discurso positivo alternativo ao discurso político proposto pela extrema esquerda, mas sim pelo facto de proporem apenas como discurso político o acto de serem contra a extrema esquerda.

A existência destas pessoas como grupo  cria uma situação em que uma pequena minoria da sociedade toda, um grupo perfeitamente insignificante, consegue  fazer carreira, flutuando dentro das margens de um sistema político e social, e tendo o seu nicho de mercado perfeitamente definido.

O cidadão “comum e normal”, aquele que aprecia a tranquilidade de um quotidiano perfeitamente calmo e repetido, percebe que existe alguém a dizer-lhe que existem umas pessoas extremistas colocadas num dado extremo político, e imediatamente rejeita isso; e passa rapidamente a aceitar o discurso redondo anti extrema esquerda (o tal que passa por ser um discurso político sério) que este conjunto de “pessoas que vivem nas sombras”, faz.

É uma táctica politica e comportamental que apela ao pior dos cidadãos e das pessoas: tenta empurrar ainda mais para um gueto, mesmo mentalmente, o pensamento que não se adequa à norma, mas que é democrático.

É claro que este “método” leva a que pessoas ou grupos que sejam ou estejam fora da norma, mas sejam politicamente criativos e democráticos, sejam também colocados no mesmo saco da verdadeira extrema esquerda (ou extrema direita, o que houver a jeito…).

Assim, o suposto efeito positivo derivado da existência deste conjunto de  pessoas que “vivem nas sombras” gera na verdade, um sub efeito negativo: (1) o ataque à criatividade política das pessoas, que são todas, em todos os grupos, democráticas ou não, rotuladas como sendo de “extrema esquerda”.

Também gera outro efeito perverso: (2) o efeito segundo o qual, certos cidadãos, ao ouvirem dizer que existe uma qualquer extrema lá ao fundo da rua, imediatamente aderem a essa força ou ideia antes irrelevante, mas que agora foi assim legitimizada pelas criticas do “bem pensar” oriundas das pessoas que vivem nas trevas.

E assim passamos a ter dois problemas.

(A) O numero de radicais que foram arregimentados/chamados para aderirem ao inicial grupo radical de extrema esquerda – um grupo de lunático residuais – aumenta e (B) uma mole enorme de cidadãos – o centro político, que se torna extremamente conservador e passa a rejeitar criatividade na política, e “risco”. Preferindo votar de forma conservadora. (sempre nos mesmos) Ou votando de forma disparatada (julgando estar a ser revolucionário e a “arriscar”) em projectos absurdos. Ou votando mesmo nas ultra franjas do sistema político; as de esquerda e as de direita (para chatear).

O que gera uma imagem da sociedade totalmente distorcida com uma suposta pluralidade abrangente que verdadeiramente não existe – antes, uma completa distorção.

Ø

Quem ganha com isto?

Um grupo de pessoas diletantes que se posiciona numa certa área do espectro político, académico, social, económico, que não contribui para rigorosamente nada; apenas teve que apelar aos piores instintos dos outros cidadãos e deixar esses piores instintos florescer e depois usá-los em benefício próprio.

Ø

As “pessoas que vivem nas sombras” que se apelidam ser de esquerda, apenas porque são contra a extrema esquerda, são inicialmente, anjos morais.

Definem-se como combatentes pela liberdade e pela sociedade aberta.

Depois, como o discurso é apenas um discurso político baseado no acto de serem contra a extrema esquerda; como é da sua própria natureza, começam a corromper-se porque o poder corrompe, e o poder corrupto corrompe absolutamente –  lá diria Lord Acton.

E a forma de corrupção praticada e preferida destes anjos morais caídos consiste em apontarem tudo o que está fora da norma política que eles próprios definem como sendo “desvios à norma”.

Para “as pessoas que vivem na sombra” tudo o que não seja o que eles dizem, é extrema esquerda ou extrema direita ou qualquer outro extremo.

É necessário que o digam  porque a sua própria sobrevivência e influência depende disso.

Preferem “matar” a discussão política centrando-a no combate à uma extrema esquerda, real ou imaginária, do que mostrarem propostas políticas concretas, que sejam totalmente diferentes da extrema.

Não as tem para mostrar; como poderiam fazê-lo?

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Written by dissidentex

20/04/2009 às 19:36

Publicado em PODER, POLÍTICA, SOMBRAS

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