DISSIDENTE-X

CONCEITO DE POBREZA.

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Para se conseguir alterar uma cultura num determinado país (com o objectivo de, posteriormente vir a dominar esse mesmo país impondo padrões culturais e económicos do agrado de quem pretende vir a dominar) é necessário criar um “conceito de pobreza”, com o qual os habitantes  desse determinado país se possam a vir a identificar. 

Como se cria um conceito de pobreza?

Uma das maneiras é quando uma civilização ou país, tecnologicamente ou socialmente mais avançado, consegue convencer outros  (povos), que são muito mais pobres do que na realidade são.

Quando consegue convencer “outros” que a maneira como vivem é “pobre”.

E como se avança a partir daí?

Como é oficialmente declarado pobre, através da implementação deste novo conceito de pobreza, é necessário apresentar uma “nova solução” para combater este novo e recém criado conceito de pobreza (este flagelo) aplicado ao país que agora passa a ser assim designado.

Após um país ou área geográfica ter adquirido este conceito de pobreza, novos “mercados se seguem.

O conceito de pobreza passa assim a ser vendido (a outros povos, por exemplo) como um novo “bem de mercado a adquirir”. Ao qual depois será “através do “mercado” – corrigido o problema.

A “coisa” é a doença e é simultaneamente a passagem para ser o caminho para um novo antídoto.

Qual é o antídoto?

O antídoto são os investimentos e o dinheiro que virão – no futuro – a resolver os problemas criados por este novo conceito de pobreza.

Aos pobres que foram convencidos que eram mesmo muito pobres, promete-se que, através de investimentos e dinheiro, esses pobres passarão, num futuro hipotético – a trabalhar de outra maneira  – mais eficiente.

E essa maneira nova – mais eficiente –  levá-lo-á a  sair da situação de pobreza (o novo conceito de pobreza que adquiriram) em que estão.

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Nota: isto é, parcialmente, o que tem estado a suceder em Portugal.

Temos estado a ser “envergonhados”, pelo menos nos últimos 20 anos,  porque não somos “suficientemente europeus” ou “suficientemente ocidentais” e como tal teremos que – supostamente – fazer um esforço para os acompanhar, na aquisição dessas novas “características”.

No fundo é uma forma de jogar com o nosso provincianismo”, dizendo-nos que deixaremos de o ser se “adoptarmos” uma maneira exterior de fazer as coisas – a maneira exterior de quem nos vende o “conceito de pobreza”.

O resultado está à vista: estamos a jogar um jogo em que está, desde o inicio do mesmo, pressuposto, que será impossível nós,enquanto país, acompanhar-mos.

As regras foram feitas por outros para sermos nós a apanhar-mos com as consequências dessas regras. Não os outros.

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Após se criar um conceito de pobreza sob estes termos é necessário legitimá-lo “tecnicamente”.

Surgem os consultores, os especialistas, os psicólogos, os académicos.

Toda uma legião de técnicos (que tem interesse próprio em especular intelectualmente com ideias e que ganha dinheiro ilegitimamente com isso) que irá continuar  a produzir trabalhos académicos que visam fazer essa legitimação.

Aos pobres de um dado país, por exemplo, será demonstrado que a pobreza deles é diferente do que eles pensavam ser.

E que são eles – toda essa legião de técnicos legitimadores, – que possui a solução para os pobres deixarem de ser pobres.

Normalmente atrás das balelas  proferidas pelos “estudiosos”  que tem interesse próprio nos assuntos, surgem também, maciços investimentos em dinheiro.

Normalmente são primeiramente feitos em agricultura, para que, os “países pobres” e os camponeses dentro desses países pobres, percebam que irão deixar de estar na pobreza e passar a viver melhor.

Quando, os pobres munidos do seu novo conceito de pobreza, apesar disso, não conseguem sobreviver no seu novo ambiente de nova “produtividade”, tem que mudar de vida (isto é, são “convencidos a isso…).

E passarem para os serviços.

Onde continuarão a ser pobres, mas dotados de um novo “status” que os fará – acaso pensem sequer nisso – pensar que já não são pobres.

E assim chegamos ao Quénia.

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Kenyan carvers do the Simpsons

Abagusii tribespeople in the remote village of Tabaka in Kisii, Kenya, have a contract to carve busts of Simpsons figurines using ages-old traditional techniques. The contract pays six times their usual carving rate — and the busts will be sold in British shops called Craft Village UK.


The Tabaka Classic Carvers are licensed to produce 12 models of the show’s characters, and they are keen to expand their portfolio.

Pauline Kemunto and her husband work with the Simpsons team in Tabaka; he carves the figures and she smoothes the soapstone afterwards

“I don’t know who they are,” she says about the dysfunctional cartoon family.

“But I like them because I earn from them.”

Link

Onde camponeses ganham dinheiro, não a fazerem agricultura ou a viverem da agricultura, mas sim a esculpirem pequenos bonecos do Simpsons.

Os cínicos neo liberais dirão que é uma maneira nova de fazer com que pessoas pobres ganhem dinheiro.

A divulgação da cultura local fazendo esculturas locais e o dinheiro futuro que se ganharia com isso é assim posto de lado.

A autonomia deste país, também.

Ø

O conceito de pobreza do Quénia é por camponeses a esculpir estatuetas dos Simpsons.

O conceito de pobreza português é afirmar que, doravante  os portugueses (quase todos) deverão ser empresários por conta própria.

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